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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

29
Jan21

Violência contra jornalistas cresce 105,77% em 2020, com Jair Bolsonaro liderando ataques

Talis Andrade

Maria José Braga: “ataques ocorrem para descredibilizar a imprensa para que parte da população continue se informando nas bolhas bolsonaristas, lugares de propagação de informações falsas e ou fraudulentas”

 

Em pleno ano da pandemia provocada pelo novo coronavírus, quando o Jornalismo foi considerado atividade essencial no país e no mundo, e os profissionais se desdobraram, muitas vezes em condições precárias, em busca da informação responsável e de qualidade para conter o avanço da doença, o Brasil registrou uma explosão de casos de violência contra os jornalistas.

Segundo o Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil  – 2020, elaborado pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e lançado hoje (26/01) dentro das atividades do Fórum Social Mundial, o ano que passou foi o mais violento, desde o começo da década de 1990, quando a entidade sindical iniciou a série histórica. Foram 428 casos de ataques – incluindo dois assassinatos – o que representa um aumento de 105,77% em relação a 2019, ano em que também houve crescimento das violações à liberdade de imprensa no país.

Para a FENAJ, o aumento da violência está associado à ascensão de Jair Bolsonaro à Presidência da República e ao crescimento do bolsonarismo.

“Na avaliação da Federação Nacional dos Jornalistas esse crescimento está diretamente ligado ao bolsonarismo,  movimento político de extrema-direta, capitaneado pelo presidente Jair Bolsonaro, que repercute na sociedade por meio dos seus seguidores. Houve um acréscimo não só de ataques gerais, mas de ataques por parte desse grupo que, naturalmente, agride como forma de controle da informação. Eles ocorrem para descredibilizar a imprensa para que parte da população continue se informando nas bolhas bolsonaristas, lugares de propagação de informações falsas e ou fraudulentas”, afirma Maria José Braga, presidenta da FENAJ, membra do Comitê Executivo da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) e responsável pela análise dos dados.

A presidenta também destaca que o registro, pelo segundo ano consecutivo, de duas mortes de jornalistas, “é evidência concreta de que há insegurança para o exercício da profissão no Brasil”.

Como no ano anterior, a descredibilização da imprensa foi uma das violências mais frequentes: 152 casos, o que representa 35,51% do total de 428 registros ao longo de 2020. Bolsonaro, mais uma vez, foi o principal agressor. Dos 152 casos de descredibilização do trabalho dos jornalistas, o presidente da República foi responsável por 142 episódios.

Sozinho, Jair Bolsonaro respondeu por 175 registros de violência contra a categoria (40,89% do total de 428 casos): 145 ataques genéricos e generalizados a veículos de comunicação e a jornalistas, 26 casos de agressões verbais, um de ameaça direta a jornalistas, uma ameaça à Globo e dois ataques à FENAJ.

Para a presidenta, a postura do presidente da República serve de incentivo para que seus auxiliares e apoiadores também adotem a violência contra jornalistas como prática recorrente.

 

Ataques virtuais e censuras aumentam

Também foi registrado aumento nos casos de Agressões verbais/ataques virtuais, com o crescimento de 280% em 2020 em comparação com o ano anterior, quando foram registrados 76 casos.

Para que o número geral de casos de violência contra jornalistas e ataques à liberdade de imprensa mais que dobrasse em 2020, destaca a presidenta, “houve crescimento em quase todos os tipos de violência”.

O aumento foi bastante expressivo ainda nas categorias de censuras (750% a mais) e agressões verbais/ataques virtuais (280% a mais).

Os jornalistas passaram a ser agredidos por populares e houve aumento nos casos de agressões físicas e de cerceamento à liberdade de imprensa por ações judiciais, o que também é muito preocupante na avaliação da Federação, afirma a presidenta.

Segundo o relatório, as agressões físicas eram a violência mais comum até 2018, depois diminuíram em 2019 e, em 2020, cresceram 113,33%.

Já os episódios de cerceamento à liberdade de imprensa por meio de ações judiciais subiram 220%: de cinco em 2019, para 16 casos, em 2020. Para a presidente, ano passado foram registrados dois casos preocupantes dessas duas formas de ataques – verbais e pelas vias judiciais – que agravam a preocupação da entidade com o futuro do jornalismo no Brasil. São os casos do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, condenado à prisão pelo livro-reportagem A Privataria Tucana, e do professor de jornalismo do Rio Grande do Sul, Felipe Boff, agredido verbalmente durante discurso em uma colação de grau.

Violência por gênero e tipo de mídia

 

Os homens seguem sendo as maiores vítimas de violência contra jornalistas representando 65,34% dos casos, mas foi registrado também um aumento expressivo de ataques às mulheres.

“Os ataques verbais e virtuais contra as mulheres cresceram e sempre têm um caráter machista, misógino e com conotação literalmente sexual, o que é muitíssimo grave”, destaca Maria José Braga.

A maioria dos jornalistas agredidos fisicamente ao longo de 2020 são trabalhadores de emissoras de televisão. Eles representam 24,44% dos 77 casos.

Maria José disse que os números do relatório, mais uma vez, expressam a preocupação da Federação pois, mesmo sabendo que são subestimados, são bastante alarmantes. “Eles mostram a gravidade da situação e mostram que o Estado brasileiro que, antes era omisso no combate à violência contra jornalista, não tomando medidas efetivas para a proteção da categoria, agora, por meio da Presidência da República, é o principal agressor”.

 

Estado brasileiro passa de omisso a agressor

 

Maria José fez um apelo para que as instituições tomem providências enérgicas para que a violência seja investigada, combatida e punida, pois o Jornalismo e os jornalistas precisam do apoio da sociedade para seguir informando com responsabilidade e qualidade.

Ela lembrou que a FENAJ é uma das entidades signatárias de um pedido de impedimento do presidente por crime de responsabilidade contra o direito constitucional da liberdade de imprensa – parado na Câmara dos Deputados – e de uma ação por danos morais coletivos por causa dos ataques aos jornalistas, também sem resposta ainda do Judiciário.

O Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa – 2020 é elaborado anualmente a partir dos dados coletados pela própria Federação e pelos Sindicatos de Jornalistas existentes no país, a partir de denúncias públicas ou feitas às entidades de classe.

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10
Jan21

Os perigos profissionais da militância

Talis Andrade

Na verdade, a militância em um coletivo não é indolor, mas em geral educa e transforma as pessoas para melhor - Filipe Araujo / Fotos Públicas
 

Chegando na encruzilhada tive que me arrezolver… pra esquerda fui contigo… Coração soube escolher

Guimarães Rosa

A idealização dos indivíduos é uma fantasia ingênua

por Valerio Arcary

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Viver é perigoso, já sabemos. A militância tem, também, muitos perigos. Há os perigos que decorrem do compromisso na luta: as represálias dos inimigos de classe. Há os perigos políticos: pressões oportunistas, tendências dogmáticas, aventuras eleitoralistas, ilusões esquerdistas, rotinas sindicalistas, obtusidades intelectuais, de tudo.

Mas há, também, os perigos profissionais da militância, se ela se transforma em uma carreira. Se algo devemos aprender do último ciclo da esquerda brasileira, o mais longo de usufruto de liberdades democráticas, é que o perigo de adaptação burocrática aos limites institucionais é gigantesco. Ninguém está imune.

Mas esses perigos não são menores quando a militância é em voo solo. Eles são maiores. Indivíduos não são mais fortes do que organizações. Porque, quando estamos organizados, temos que prestar contas, permanentemente. Ninguém gosta de sentir pressão e controle, mas organizações que não exercem pressões e controles não têm futuro muito animador. Em voo solo, a cobrança é muito menor. Lideranças que não aceitam ser, democraticamente, controladas não merecem confiança.

Indivíduos não são mais fortes do que organizações. Porque, quando estamos organizados, temos que prestar contas, permanentemente. 

O tema tem importância porque há uma ideia que vem ficando popular na esquerda. As organizações de esquerda seriam todas, em alguma medida, aparelhos que desenvolveram interesses próprios. Em outras palavras, burocracias. Não é uma ideia sem sentido, mas, sem mediações, é muito perigosa.

A existência de um aparelho de ativistas especializados é inescapável, quando uma organização adquire dimensão e influência, mas não é o mesmo que uma burocracia. Não há como construir qualquer organização política séria sem divisão de tarefas. A formação de lideranças populares, os quadros de uma organização política, é um dos desafios centrais da luta contra a ordem político-social. A dedicação profissional à militância não transforma ninguém em burocrata. Uma organização de esquerda é maior e mais complexa que o seu aparelho de funcionários. Militantes profissionais são indispensáveis, se queremos, seriamente, levar a revolução brasileira à vitória. A luta contra o capitalismo não pode ser uma atividade de improvisação. Há uma ciência revolucionária que deve ser aprendida. Claro que o receio de burocratização não é sem sentido, porque há mais do que um grão de verdade nela.

Burocracia: o que é

O que é uma burocracia? Num sentido geral, em nível de abstração muito elevado, pode-se usar o conceito de burocracia para qualquer organização que tenha uma divisão especializada de tarefas e uma estrutura hierárquica. Mas, no sentido político, o conceito tem sentido muito mais restrito: uma burocracia é uma casta privilegiada de funcionários que se aproveita de uma posição de poder para conquistar e preservar uma condição social privilegiada.

Enquanto não há vantagens materiais qualitativas que definem um modo de vida diferente, não há uma burocracia. Mas os perigos profissionais do poder não podem ser subestimados. É comum se associar a condição de burocracia ao exercício de um cargo, mas esta conclusão é infantil. Trata-se de uma ideia fixa de um tipo de “anarquismo” silvestre. Exercer um cargo pode ou não ser o mesmo que ter um emprego, mas não faz de ninguém um burocrata. Essa crítica é intelectual e politicamente desonesta.

Exercer um cargo pode ou não ser o mesmo que ter um emprego, mas não faz de ninguém um burocrata. Essa crítica é intelectual e politicamente desonesta. 

Mas a tendência é que, na medida em que as organizações crescem, os cargos sejam remunerados porque o tempo exigido para o cumprimento de tarefas seja integral, full time, ou dedicação exclusiva. Assim, dentro de uma organização, passam a conviver militantes que têm que trabalhar para viver e, no tempo que lhes sobra, assumem tarefas fora do seu local de trabalho, e aqueles que se dedicam exclusivamente à militância.

Na luta política, existe competição para o exercício de posições de representação nas organizações. Aonde existe competição, vai existir, também, algum grau de rivalidade. Existem, evidentemente, distintos tipos de cargos. Um cargo político é um mandato, não importa se parlamentar ou não. Aqueles que os ocupam têm deveres aumentados, mas, também, recompensas. Os cargos têm uma autoridade que lhes são próprios, diferentemente daqueles que os ocupam. Nenhum de nós é indiferente à percepção que os outros têm de nós mesmos. Por outro lado, a imensa maioria das pessoas não conhece bem a si mesma. Então, as pessoas se revelam, na sua grandeza ou miséria, quando ocupam cargos.

Perigos da profissionalização

Os perigos da profissionalização da militância política, portanto, existem. Eles estão colocados quando se desenvolve uma burocracia em um partido, corrente ou movimento, e este grupo conquista uma posição de privilégios materiais, qualitativamente, diferenciados, e assume o controle. Eles estão presentes antes de conquistar o poder de Estado, e não há porque ignorá-los. A ação coletiva tem uma eficácia incomparavelmente maior do que a militância desorganizada. Imaginar que uma esquerda sem organizações seria melhor é uma estratégia derrotista ou liquidadora desde o início.  

A questão é ter claro o que é uma burocracia. Não há fatalismo algum na história. Toda organização séria necessita de um núcleo profissionalizado de quadros. Entre a organização e este núcleo, deve prevalecer uma relação dialética de pesos e contrapesos. É possível proteger a organização de pressões e vícios burocráticos.

Quando se generaliza a acusação de burocratização, indiscriminadamente, contra toda a esquerda, uma forma de insolência, ela é perigosa, porque só pode alimentar a desmoralização. Em uma etapa defensiva, quando as perspectivas de luta pelo poder são mais difíceis, ela é ainda mais perigosa.

Idealização dos indivíduos

Muitos chegaram à conclusão que as organizações são deformadas, mas os ativistas são, individualmente, pessoas maravilhosas. O discurso de que as organizações coletivas não são democráticas, mas cada um fazer o que quer não tem problema algum, é irresponsável. “Os coletivos são ruins, mas os indivíduos são virtuosos”. Esta ideologia não tem amparo algum na realidade. Existem organizações mais deformadas do que outras, mas pessoas, também.

O discurso de que as organizações coletivas não são democráticas, mas cada um fazer o que quer não tem problema algum, é irresponsável. 

A idealização dos indivíduos é uma fantasia ingênua. Na verdade, a militância em um coletivo não é indolor, mas em geral educa e transforma as pessoas para melhor, porque estabelece algum freio, constrangimento e autocontenção às piores inclinações.  

O principal argumento forte contra a militância organizada é que os coletivos erram, então seria melhor cada um cometer os seus próprios erros. Não nos organizamos porque pensamos que um coletivo é infalível, muito menos porque é divertido, mas porque uma ferramenta coletiva é mais útil, mais eficaz, mais poderosa. Dez organizados impactam como se fossem cinquenta. Cinquenta como duzentos. Mil como dez mil. Se cada um faz o que quer não existe mais organização. Na verdade não sobraria sequer um clube de amigos. Seria o pântano, a desmoralização, a liquidação.

O que vivemos não está acontecendo pela primeira vez: estamos diante das pressões adversas de uma militância revolucionária em uma situação reacionária. A vida é dura. Qualquer organização socialista está vulnerável às pressões do meio em que está inserida. Porque uma militância organizada estabelece uma relação social no meio em que atua, em primeiro lugar, com o ativismo e as outras tendências, mas no contexto da luta contra os inimigos de classe e as instituições do Estado. Organizações podem se perder. Podem degenerar. Mas as lideranças individuais, também, e mais rapidamente.

Estamos diante das pressões adversas de uma militância revolucionária em uma situação reacionária. 

Militância é compromisso. A militância na condição independente tem um grau de liberdade muito maior: diz o que quer, faz o que quer. Parece mais confortável, porque ninguém gosta de estar em minoria. Mas é muito menos efetiva. E ambicionar fazer uma diferença tem importância.

A solução para o convívio em um coletivo é a democracia e o respeito. Nada pode substituir as votações em um coletivo. O consenso é uma forma legítima de resolver diferenças de opinião, mas não é senão o direito de veto da minoria. A votação por maioria, desde que seja expressiva, é uma forma superior. Claro que o exercício de uma maioria muito apertada é insensato. 

Publicado no Brasil de Fato /Combate

 

25
Dez20

Em nota de apoio a Nassif, Advogados para a Democracia rechaçam investidas contra a liberdade de imprensa

Talis Andrade

ABI repudia censura a Luis Nassif e ao GGN

NOTA PÚBLICA DE APOIO

AO JORNALISTA LUIS NASSIF

APD – Advogadas e Advogados Públicos para a Democracia -, entidade não governamental, de caráter nacional e sem fins corporativos, que tem por finalidade estatutária o respeito aos valores do Estado Democrático de Direito, vem a público manifestar seu apoio ao jornalista Luis Nassif.

É pressuposto para o exercício pleno da cidadania e efetividade da democracia o acesso irrestrito à informação.

Somente o conhecimento sobre os acontecimentos, mediante fontes confiáveis, permite a formação de nosso juízo sobre os fatos do mundo.

Por isso, a liberdade de imprensa é uma garantia para todos e de fundamental importância para a construção de uma sociedade democrática e justa.

Todos os tipos de embaraço, perseguição, censura e intimidações à atividade jornalística, inclusive quando vêm dissimulados como legítimo exercício da atividade jurisdicional, devem ser rechaçados.

Luís Nassif, jornalista premiado, é respeitado e admirado pelos colegas e leitores em decorrência de sua atuação profissional responsável, independente, corajosa e altiva.

A APD, indignada diante das investidas ilegítimas, que tentam cercear a liberdade de imprensa, manifesta solidariedade e apoio ao jornalista Luis Nassif na resistência às ignóbeis tentativas de conspurcar sua dignidade pessoal e profissional.

Brasília, 23 de dezembro de 2020.

25
Dez20

Associação denuncia ações que visam censurar a mídia independente

Talis Andrade

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MORDAÇA JUDICIAL

 

ConJur - Em artigo publicado no blog do Juca Kfouri no UOL, a jornalista Lia Ribeiro Dias, com colaboração da jornalista Leda Beck, ambas filiadas à Associação Profissão Jornalista (APJor), denunciou uma situação que vem se tornando cada vez mais comum no Brasil: ações ajuizadas contra profissionais de imprensa, especialmente da mídia independente, como forma de censurá-los. É o que Lia chama de "assédio judicial".

"Por meio de ações judiciais na área cível, muitas apresentadas em até uma centena de foros diferentes por todo o país, inviabilizando a defesa, os reclamantes pedem vultosas indenizações por danos morais. Aparentemente mal informados sobre o princípio constitucional que garante a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa, juízes de primeira instância têm acatado tais ações sem hesitar — e suas decisões são às vezes confirmadas por desembargadores", disse a jornalista.

Lia destacou que os grandes veículos de comunicação possuem estrutura suficiente, e bons departamentos jurídicos, para enfrentar as ações judiciais. Os veículos menores, no entanto, podem ser "calados pelo ativismo judicial". O caso mais recente citado no texto é o do jornalista Amaury Junior, condenado a sete anos de prisão por violação ao sigilo fiscal da filha do senador José Serra (PSDB).

Mas o caso que mais tem chamado atenção, conforme Lia, é o do jornalista Luis Nassif. Na semana passada, em tom de desabafo, ele afirmou estar "juridicamente marcado para morrer". Isso porque a grande quantidade de ações ajuizadas contra ele tem gerado indenizações em valores elevados, além do bloqueio de contas pessoais e de sua empresa.

No texto, Lia Ribeiro Dantas também cita outros jornalistas que foram alvos de "assédio judicial", como o próprio Juca Kfouri, processado uma centena de vezes por dirigentes da CBF; Lúcio Flávio Pinto, que teve que fechar o Jornal Pessoal; e Elvira Lobato, alvo de 111 processos por publicar uma reportagem sobre a Igreja Universal na Folha de S. Paulo, além dos sites The Intercept Brasil e Ponte Jornalismo

"Diferentemente dos profissionais que trabalham para grandes grupos empresariais de comunicação, os profissionais da mídia independente não têm respaldo financeiro para enfrentar o custo das ações, que envolve o pagamento de advogados (muitos defendem os jornalistas pro bono, ou seja, sem cobrar pelos seus serviços profissionais) e as despesas de viagem para participar das audiências (hoje as audiências presenciais estão suspensas por conta da pandemia)", afirmou Lia. 

Ela também destacou dados da ONG Artigo 19, dedicada à defesa da liberdade de imprensa, sobre agressões a profissionais de imprensa em 2019 e no primeiro semestre deste ano: foram 38 casos de violação, sendo 32 ameaças de morte, quatro tentativas de assassinato e dois homicídios.

"Alvo de processos judiciais movidos por autoridades, igrejas e empresas, respaldados pelo ativismo político de certos juízes e desembargadores em defesa dos poderosos e seus interesses, Luís Nassif não é um caso isolado. Talvez seja o mais emblemático do momento em que vivemos, de falta de critério de juízes e de promotores, muitos contaminados pelo exemplo nefasto da "lava jato" e seu ativismo em causa própria", concluiu a jornalista.

Clique aqui para ler o artigo

 

24
Out20

Polícia prende dois suspeitos de matar jornalista, pré-candidato a vereador em Araruama

Talis Andrade

Leonardo Pinheiro, de 39 anos, foi morto a tiros em maio deste ano em Araruama, no RJ — Foto: Reprodução/Redes Sociais

 

O policial militar Alan Marques de Oliveira e Cleisener Vinícius Brito Guimarães, conhecido como Kekei, foram presos na manhã deste sábado (24) apontados pela Polícia Civil como autores da morte do jornalista e pré-candidato a vereador Leonardo Soriano Pereira Pinheiro em maio deste ano em Araruama, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro.

Léo Pinheiro, como era conhecido, atuava em projetos sociais na cidade e mantinha uma página local de notícias. Ele foi executado no dia 13 de maio enquanto realizava uma entrevista com moradores do bairro Parati.

Com os presos, os agentes encontraram duas armas, dois carros e uma moto-aquática.

As investigações apontam que dois homens chegaram no local em um carro e abordaram a vítima. Um criminoso encapuzado mandou o jornalista se ajoelhar e o executou.

Segundo as investigações, a motivação do crime seria que Leonardo, que também era líder comunitário, estaria arregimentando um grupo de eleitores na região onde o policial militar preso mora. O PM já foi candidato a deputado estadual nas eleições de 2018, e a mulher dele é candidata ao cargo de vereadora nas eleições de 2020.Alan Marques 70444 AVANTE Candidato a Deputado Estadual do Rio de Janeiro

Polícia prende dois suspeitos de matar jornalista, pré-candidato a vereador  em Araruama - Casos de Polícia - Extra Online

Para a Polícia Civil, Alan decidiu matar Léo para que ele não interferisse e tirasse votos de sua esposa, a cirurgiã dentista Elisabete Faria Abreu, de 47, conhecida como “Beth Alan Marques”.

Araruama Atual, Araruama, Araruama (2020)

20
Out20

Ex-assessor parlamentar da Alesp é suspeito de ameaçar jornalista de morte

Talis Andrade

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O jornalista Leonardo Pinheiro, de 39 anos, foi morto a tiros, no bairro de Parati, em Araruama, Região dos Lagos do Rio de Janeiro

Ameaçado de morte em 2 de outubro, poucos dias depois de ter publicado uma matéria no site Diário do Centro do Mundo (DCM) sobre ódio nas redes sociais, o jornalista Pedro Zambarda denunciou o caso à polícia.

Ele fez um boletim de ocorrência no 18o DP da capital paulista, relatando que recebeu a ameaça por mensagem de WhatsApp. Num grupo chamado "Aviso", uma pessoa postou que, caso seu nome não fosse tirado da matéria sobre ódio nas redes, a próxima reportagem seria sobre o número de tiros que Zambarda e colegas do site levariam.

De acordo com o Código Penal Brasileiro, ameaça de morte é crime com pena de de até seis meses de detenção.

O próprio Zambarda descobriu que o número de telefone do qual a ameaça partiu pertence ao ex-assessor parlamentar Leonardo Antonio Corona Ramos, que foi citado em sua reportagem sobre ódio nas redes.

Ramos trabalhou no gabinete do deputado estadual por São Paulo Conte Lopes e teria deixado a função depois de denúncias de envolvimento em esquema de funcionários fantasmas na Alesp .

O jornalista do DCM também teria recebido mensagens intimidadoras da namorada de Ramos, Janaina Toledo. O casal atualmente vive fora do país, supostamente no Reino Unido.

À Abraji, o jornalista do DCM se disse "acostumado com hostilidades e agressões verbais dentro e fora das redes". "No entanto, uma ameaça de morte por tiros escrita no meu WhatsApp ultrapassa qualquer limite do aceitável. É uma violência contra mim, o DCM, a imprensa brasileira e todos os repórteres que cobrem criticamente o governo federal”.

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20
Out20

Repórteres sem Fronteiras denuncia censura indireta no Brasil

Talis Andrade

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ONG que defende liberdade de imprensa aponta que Bolsonaro continua a promover ataques a repórteres e dificultar trabalho de veículos críticos. Relatório destaca assédio judicial contra jornalistas e ingerência na EBC.

 

DW - O governo de Jair Bolsonaro vem operando uma série de mecanismos de censura indireta ao livre exercício do jornalismo. As táticas incluem intimidação, desinformação, restrição de acesso a dados governamentais, politização de órgãos oficiais de comunicação. A conclusão consta no novo relatório trimestral da ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF), divulgado nesta terça-feira (20/10).

Segundo a ONG, Bolsonaro e sua família continuam a distribuir ataques contra jornalistas e a imprensa. Nos últimos três meses, o presidente e sua família foram responsáveis por pelo menos 105 ataques.

A RSF cita entre os ataques o episódio registrado em agosto em que Bolsonaro reagiu agressivamente a um repórter do jornal O Globo que perguntou sobre os depósitos de Fabrício Queiroz na conta da primeira-dama, Michelle. "Minha vontade é encher tua boca com uma porrada", disse o presidente na ocasião.

Ainda em agosto, o presidente chamou jornalistas de "bundões" e afirmou que, se eles contraíssem o novo coronavírus, teriam menos chance de sobreviver. Ele ainda usou o Twitter para acusar a jornalista Maju Coutinho, da TV Globo, de ser mentirosa.

"Diante das centenas de ataques proferidos não só pelo próprio presidente, mas também pelos seus aliados mais próximos somente neste ano, é seguro afirmar que a postura abertamente hostil à imprensa se tornou marca registrada do governo Bolsonaro", aponta o relatório.

A ONG ainda lista diversos ataques protagonizados por ministros de Bolsonaro, com Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), liderando o ranking. 

Limitação ao acesso de informações

A RSF aponta que as dificuldades da imprensa em obter informações das autoridades também estão aumentando, citando que o governo Bolsonaro tomou pelo menos 13 medidas para reduzir o acesso à informação no país desde janeiro de 2019. Agentes do governo também continuam a bloquear jornalistas nas redes sociais, com algumas autoridades até se gabando do feito.

"A crise sanitária da covid-19 apenas reforçou essa opacidade na gestão governamental", aponta a RSF. Ao longo do ano, o governo protagonizou vários episódios para dificultar o trabalho de jornalistas no campo da pandemia, sendo o mais notório deles a tentativa do Ministério da Saúde de esconder dadossobre casos totais e mortos em junho.

Paralelamente, a RSF cita, no âmbito da gestão da saúde, o caso envolvendo o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, e seus "guardiões do Crivella". O caso, denunciando pela TV Globo, revelou que o prefeito, um aliado de Bolsonaro, havia montando uma gangue de assessores para impedir o trabalho de jornalistas e intimidar entrevistados em frente a hospitais da cidade.

Politização de órgãos oficiais de comunicação

No relatório, a ONG destaca que órgãos como a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) vêm agindo cada vez mais como um instrumento de propaganda para o governo. A RSF cita um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) que denunciou a falta de transparência e de critérios técnicos na distribuição da publicidade oficial do governo federal, além do favoritismo que alguns veículos alinhados com Bolsonaro, como as TVs Record e SBT, vêm gozando na distribuição de verbas.

Além disso, a própria Secom tem sido responsável por distribuir ataques à imprensa crítica ao governo, com a publicação de mensagem como "imprensa podre" e acusações infundadas de "fake news" contra veículos, aponta a RSF.

A ONG ainda cita a ingerência do governo Bolsonaro na gestão da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). "Em setembro, uma comissão de funcionários da EBC e representantes de sindicatos de jornalistas e radialistas de diversos estados divulgaram um levantamento que trazia 138 denúncias de 'censura ou governismo' em pautas e matérias da empresa realizadas de janeiro de 2019 a julho de 2020. O relatório aponta que as editorias mais censuradas foram Política e Direitos Humanos, com supressão de coberturas como as repercussões do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes e violação dos direitos indígenas, interdição de usar como fonte para matérias entidades como Anistia Internacional e Human Rights Watch", cita a RSF.

Assédio judicial

A análise da RSF também denuncia um aumento do assédio judicial como mecanismo de censura, citando casos que envolveram jornalistas vítimas de processos de ameaças de processos por parte de representantes do Estado ou pessoas próximas à Presidência.

Um dos casos envolve a decisão judicial que proibiu a rede Globo de divulgar documentos do processo contra o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do presidente e pivô do escândalo das rachadinhas.

Outro, envolve uma ameaça de processo judicial da ministra Damares contra o jornal Folha de S. Paulo e ao portal de notícias UOL, que revelaram que ela atuou de maneira ativa (e possivelmente ilegal) para impedir que uma menina de dez anos fosse submetida a um aborto. 

A RSF também aponta como significativo um caso registrado em agosto envolvendo o jornalista Luís Nassif, do Jornal GGN, que teve que retirar do seu site, por ordem da Justiça, 11 artigos sobre negócios do banco BTG Pactual – do qual o ministro da Economia, Paulo Guedes, é um dos fundadores.

O relatório ainda cita a condenação sofrida pelo jornalista Reinaldo Azevedo, colunista da Folha e apresentador de rádio na BandNews FM, que teve que pagar uma indenização de R$ 35 mil ao procurador Deltan Dallagnol, ex-chefe da força-tarefa da Lava Jato. 

Diante desse quadro, a RSF vem classificando o Brasil na 107º posição no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa de 2020 –espremido entre as nações africanas de Angola e Mali. Em 2019, o país ocupava a 105ª e, em 2018, a 102ª posição da lista, que inclui 180 países.

"Nesse contexto, diante dessas novas formas de censura indireta, alimentadas por um clima extremamente marcado de polarização política, a imprensa brasileira tem muito a fazer e deve se reinventar para reconquistar a confiança da população. O desafio é imenso e não começou ontem. Certamente, será necessário responder a ele com mais jornalismo, e com mais jornalismo de qualidade, fortalecendo a independência e o pluralismo no país", conclui o relatório.

15
Fev20

Escalada contra jornalistas ganha corpo com execução, ataque sexista e intimidação

Talis Andrade

Após morte na fronteira e operação contra jornalista, repórteres apurando caso Adriano da Nóbrega são detidos na Bahia. Entidade lista 38 casos de violação à liberdade de imprensa na regiãoLéo Veras, Valério Luiz, Patrícia Campos Mello e Glenn Greenwald.Léo Veras, Valério Luiz, Patrícia Campos Mello e Glenn Greenwald

Nesta semana, a execução do jornalista Léo Veras, na fronteira entre Brasil e Paraguai, reacendeu os temores de que a violência venha a cercear a atuação de mais profissionais da imprensa na América Latina. “Todo assassinato de jornalista é uma tentativa de calar o mensageiro, comprometendo a liberdade de imprensa”, manifestou-se a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), ao cobrar apuração rigorosa sobre o caso. A entidade desenvolve um programa que financia a investigação de delitos contra jornalistas, já que, de acordo com levantamento do Comitê de Proteção dos Jornalistas (CPJ), o Brasil é um dos 10 países com os maiores índices de impunidade nesse tipo de crime, em ranking encabeçado por Somália, Síria e Iraque.

MAIS INFORMAÇÕES

Segundo o mais recente estudo do CPJ, o Brasil acumula 15 casos de assassinatos de jornalistas não resolvidos ou julgados.

O de maior repercussão é a denúncia do Ministério Público Federal contra Glenn Greenwald, fundador do The Intercept, acusado de envolvimento na invasão de celulares de autoridades como o ministro Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, da Operação Lava Jato. Para entidades como a ONG Anistia Internacional, a denúncia “representa uma escalada na ameaça à liberdade de imprensa no Brasil”.

Além da prisão e agressão dos fotojornalistas Rodrigo Zaim e Daniel Arroyo pela PM de São Paulo, durante a cobertura de protestos contra o aumento das passagens, o relatório ainda cita dois episódios protagonizados por Jair Bolsonaro, em que o presidente acusou —sem especificar o motivo— repórteres da Folha de S. PauloUOL e Globo de mentir. Chegou a qualificar jornalistas como “raça em extinção” no Brasil ao dizer que cancelou todas as assinaturas de publicações no Planalto, afirmando que “envenena a gente ler jornal”.

Na última terça-feira, um dos filhos do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, endossou a fala de Hans River do Rio, ex-funcionário de uma agência de disparos de mensagens em massa, que em audiência na CPMI das Fake News acusou a repórter Patricia Campos Mello, da Folha, de ter sugerido um encontro sexual a troco de acesso a informações. Após a acusação, a jornalista divulgou as conversas que manteve com Hans, que não continham nenhuma insinuação de sexo, desmentindo o relato do depoente. No entanto, o deputado já havia divulgado vídeos da falsa denúncia, gatilho para uma campanha difamatória impulsionada por bolsonaristas contra Mello nas redes sociais, com montagens misóginas, ofensas e até ameaças direcionadas à repórter.

Em 2018, depois de publicar uma reportagem sobre a contratação de empresas para disparo ilegal de mensagens pelo Whatsapp, na última eleição presidencial, Mello já havia sido alvo de ataques parecidos e precisou bloquear suas contas em mídias sociais. Em apoio a Patricia Campos Mello, um grupo de mulheres e jornalistas assinou um manifesto cobrando providências da CPMI em relação aos propagadores da mentira. Entidades como a Abraji, Associação Brasileira de Imprensa e Instituto Vladimir Herzog divulgaram uma nota conjunta em solidariedade à repórter. “Em tempos de banalização do ódio e do absurdo, é preciso denunciar a estratégia de destruição de reputações e instituições. Os democratas deste país não podem observar calados à busca sistemática de degradação da reputação de jornalistas, adversários políticos, organizações da sociedade civil e todos os que façam críticas ao governo.”

Para denunciar intimidações a profissionais de imprensa, as jornalistas Anabela Paiva, Roberta Jansen e Cecília Olliveira criaram uma conta no Twitter que compila casos e oferece suporte às vítimas de linchamento virtual. Um dos episódios replicados esta semana envolve o apresentador André Rizek, do Sportv, ameaçado pelo empresário Will Dantas após criticar ao meia-atacante Pedrinho. “A minha vontade era encontrá-lo tête-à-tête e esfregar a cara desse baitola no asfalto. Ele não perde por esperar. Vai achando que você está blindado por trabalhar em um grande veículo de comunicação. Até os grandes capos caem”, publicou Dantas, que é agente do jogador do Corinthians, no dia seguinte à crítica de Rizek.

Nesta sexta-feira, assim como acontece na Turquia ou na Venezuela, o repórter Hugo Marques e o fotógrafo Cristiano Mariz, da revista Veja, foram detidos pela Polícia da Bahia quando tentavam localizar uma testemunha da ação policial que matou Adriano da Nóbrega, ex-capitão da PM próximo à família Bolsonaro. Eles foram abordados por policiais com armas em punho, revistados e conduzidos à delegacia, onde tiveram um gravador apreendido. Depois de prestar depoimento, acabaram liberados. A Secretaria da Segurança Pública informou que a prisão ocorreu após uma denúncia de moradores locais, que estranharam o carro ocupado pelos repórteres. No desfecho da ocorrência, o gravador foi devolvido.

Casos de homicídio de jornalistas com a Abraji

Entre os casos atualmente investigados pelo programa da Abraji está o de Jefferson Pureza, radialista assassinado no começo de 2018 em Edealina, sul de Goiás. No fim do ano passado, Leandro Cintra da Silva, dono de um lava jato na cidade, foi condenado a 14 anos de prisão pelo crime. Porém, o vereador José Eduardo Alves da Silva (PR) e o amigo Marcelo Rodrigues Santos, acusados de arquitetar o homicídio, acabaram absolvidos. O Ministério Público de Goiás recorre da decisão.

O julgamento relativamente rápido pela morte de Pureza foge às regras de crimes semelhantes contra jornalistas. Em 2012, também em Goiás, o comentarista esportivo Valério Luiz de Oliveira, de 49 anos, foi atingido à queima-roupa quando deixava a Rádio Jornal 820, região sul de Goiânia. Em um programa de TV, onde o jornalista também atuava, Valério criticou a diretoria do Atlético Goianiense e afirmou que “quando o barco está enchendo de água, os ratos são os primeiros a pular fora”. De acordo com a investigação policial, as recorrentes críticas do comunicador à cúpula atleticana teriam motivado o homicídio.

Indiciado como mandante da execução, o cartola Maurício Sampaio chegou a ficar detido por 94 dias, mas aguarda em liberdade o julgamento. O processo não impediu que vencesse uma eleição a presidente no Atlético. Após dezenas de recursos na Justiça, seu júri popular e de outros quatro acusados de participação no crime só foi marcado na última quarta-feira, para junho, oito anos depois do assassinato. “Meu pai era um jornalista de posições fortes, que morreu por confrontar dirigentes de futebol poderosos. O julgamento ocorrerá a despeito das resistências institucionais de anos e anos”, afirma Valério Luiz Filho. A defesa de Sampaio informa que ele diz ser inocente e rechaça ter ordenado a execução. [Transcrevi trechos]

19
Jun19

Dono de jornal em Maricá foi morto em emboscada, afirma delegada

Talis Andrade

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por Pedro Zuazo
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O empresário Robson Ferreira Giorno (foto), de 45 anos, foi atraído para fora de casa antes de ser assassinado com três tiros, de acordo com a delegada Bárbara Lomba, titular da Delegacia de Homicídios de Niterói São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI). O crime aconteceu na noite de sábado, em Maricá, na Região Metropolitana do Rio. Ainda de acordo com a polícia, a vítima havia adquirido um carro blindado recentemente, mas a execução foi planejada de forma que ele estivesse fora do veículo no momento do crime. Giorno era dono do jornal O Maricá e pré-candidato à prefeitura do município pelo partido Avante.

— A vítima saiu de casa por volta das 22h, para realizar uma atividade específica. Entendemos que ele foi levado para fora, acreditamos que ele foi induzido. Havia acabado de sair de casa, quando passou um carro e o executou. Estavam esperando que ele viesse. O crime foi planejado, foi uma execução, uma emboscada — diz a delegada.

No domingo, toda a equipe da delegacia de homicídios foi mobilizada para buscar informações sobre o crime. Foram coletadas imagens de câmeras de segurança que registraram o crime e relatos de testemunhas. Pelas imagens, é possível ver que os tiros foram desferidos por um homem encapuzado que estava dentro de um carro de cor prata. A esposa do empresário, Simone Giorno, está em estado de choque e será ouvida ao longo da semana. De acordo com a delegada, ainda não é possível fechar hipóteses sobre a motivação do crime.

— Vamos buscar a possível motivação, que pessoas ele estava criticando, se havia divergências. Temos que reconstruir os passos inclusive das vítimas, não podemos fechar em nenhuma hipótese, mas podemos dizer que o crime tem relação com as atividades da vítima — afirma Barbara Lomba.

'Crítico mordaz'

O crime ocorreu no número 500 da Avenida Prefeito Ivan Mundin, via que corta os bairros Eldorado e Araçatiba. Próximo ao local da execução, diversas lojas amanheceram fechadas nessa segunda-feira. Moradores do entorno dizem que o clima ainda é de medo.

— Mesmo sendo uma coisa direcionada, quando acontece uma coisa assim todo mundo fica com medo, né? — comentou um morador.

Conhecido em toda a cidade de Maricá, onde mora há cerca de 15 anos, Giorno era uma personalidade polêmica. Dono do jornal O Maricá, ele usava o veículo para disparar críticas "contra tudo e contra todos", diz um advogado local, que prefere não ser identificado. Giorno tinha desavenças com políticos de diversos partidos. Em 2015, Giorno registoru uma queixa na 82ª DP (Maricá) acusando o ex-prefeito de Maricá, Washington Quaquá, de ameaçá-lo com mensagens de texto. Na época, Quaquá classificou como "mentirosa" a denúncia e prometeu entrar na Justiça contra Giorno.

Giorno foi presidente do PSL em Maricá durante cinco anos e chegou a ser apresentado como pré-candidato à prefeitura em 2015, mas retirou a candidatura antes das eleições de 2016. Em uma reportagem publicada há duas semanas, o Jornal O Maricá critica a atuação do deputado Filippe Poubel, atual pré-candidato à prefeitura de Maricá pelo PSL, para o pleito de 2020. O jornal ressalta que Giorno possui mais de 50 denúncias no Ministério Público, Polícia Federal, Polícia Civil e TRE contra o governo de Maricá.

— Era um crítico mordaz. Na verdade, ele disparava críticas contra todo mundo. Desde a política até briga de trânsito. Ele fazia os vídeos e publicava no facebook do jornal. Por isso muita gente não gostava dele — conta o empresário Fabio Seixas, de 32 anos, morador de Maricá.

Em 2016, Giorno ficou ferido após se envolver em uma confusão em um condomínio "Minha Casa, Minha Vida". O empresário se feriu na cabeça após entrar em confronto com um morador e, ao prestar depoimento na delegacia, afirmou que uma milícia estava se instalando no local.

A mulher de Giorno, Simone, também se aventurou a entrar para a politica. Ela foi candidata a vereadora em 2016, pelo PSL, e obteve 179 votos, correspondente a 0,24% do total, não conseguindo ser eleita para a Câmara.

Nas redes sociais, Giorno afirma que ficou órfão de pai aos cinco anos, quando teve que deixar o bairro de São Cristóvão e morar em Alcântara, São Gonçalo. Segundo a descrição, o empresário começou sua vida profissional aos 12 anos, trabalhando em uma padaria. Aos 14 anos, arrumou seu primeiro emprego de carteira assinada em uma ótica. Aos 18, Giorno começou a alugar bicicletas na Quinta da Boa Vista, Zona Norte do Rio. A ideia foi comprada por um empresário e, a partir de então, Giorno abriu lojas e construiu imóveis.

No fim da noite de sábado, parentes de Giorno estiveram na DHNSGI, mas não quiseram falar com a imprensa. Nesta segunda-feira, a família não foi encontrada. O corpo do empresário permaneceu no IML de Barreto, em Niterói, até a manhã desta segunda-feira. O sepultamento do corpo aconteceu na tarde desta segunda-feira, numa cerimônia fechada à família, em um local não divulgado.

19
Jun19

Polícia acredita que morte de jornalista do site Lei Seca Maricá foi encomendada

Talis Andrade

Perícia constatou que Romário da Silva Barros foi alvo de tiros na cabeça e no pescoço, disparados por dois criminosos

romario da silva bairros.jpg

Com o assassinato de Romário (foto) já são dois casos de execução de jornalistas no município, em menos de um mês. No último dia 25 de maio, o dono do Jornal O Maricá, Robson Giorno, 45, foi assassinado perto de casa. Ele e Romário eram conhecidos por noticiar acontecimentos políticos no município.

 

por Rafael Nascimento 

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Rio - A Polícia Civil trabalha com a hipótese da morte do jornalista do site Lei Seca Maricá, Romário da Silva Barros, de 31 anos, ter sido uma execução e que o crime foi encomendado. Ele foi morto na noite desta terça-feira com três tiros, após praticar exercícios físicos no bairro Araçatiba. O corpo do jornalista foi encontrado na Rua Álvares de Castro, no município da Região Metropolitana do estado. A investigação ainda não descarta que o crime possa ter motivação política.


A perícia feita no local constatou que os tiros disparados contra Romário se concentraram em duas regiões do corpo dele: foram dois tiros no lado esquerdo da cabeça e um no pescoço.

Vídeo mostra o momento exato da execução do jornalista de Maricá

por Vera Araújo 

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A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG) já sabe que o jornalista Romário Barros, de 31 anos, fundador do site Lei Seca Maricá, morto no final da noite desta terça-feira (18), foi atacado por dois homens. Os investigadores conseguiram um vídeo que mostra a dupla aguardando a vítima entrar no carro. No momento em que Romário entra no veículo, um homem encapuzado chega por trás, abre a porta do motorista e atira, pelo menos, três vezes no jornalista.

Em seguida, o atirador retorna para um carro estacionado atrás do veículo de Romário. O veículo dá uma ré, engata uma primeira e sai, às pressas, passando ao lado do jornalista. O ataque ocorreu no bairro de Araçatiba, em Maricá. É o segundo assassinato de jornalista na cidade em menos de um mês. No dia 25, Robson Giorno, dono do Jornal Maricá, foi morto perto de sua casa. Tanto Barros quanto Giorno se empenhavam em noticiar os acontecimentos políticos da região.

Nota da prefeitura de Maricá

"A Prefeitura de Maricá vem a público manifestar a sua indignação e o seu repúdio a mais esse ato de violência contra um jornalista da cidade. Investigação imediata e a identificação e punição dos responsáveis é urgente para a população de Maricá.

Um atentado contra a liberdade de expressão. Maricá não é nem nunca será o santuário para delinquentes de qualquer espécie. Reforçamos nosso inteiro compromisso com a liberdade de imprensa e de expressão. Qualquer ato de violência deve ser repudiado. Reafirmamos ainda nossa permanente preocupação com a segurança de todos os que vivem e trabalham no município.

O prefeito Fabiano Horta manifestou indignação pela morte de Romário Barros e afirmou que cobrará, pessoalmente, a solução do crime.

"É inaceitável que em menos de um mês a cidade esteja passando pela segunda morte de um jornalista. Vamos cobrar uma ação rápida e efetiva do Estado para que os crimes sejam solucionados e uma resposta seja dada às famílias e a sociedade. Não aceitaremos a impunidade. O povo de Maricá cobrará uma resposta rápida e assertiva desses assassinatos. A cidade sente e manifestamos os sentimentos à família", afirmou.

 

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