Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

21
Jun21

Aumento de ataques a jornalistas acende alerta sobre estratégia de segurança

Talis Andrade

Repórter da CNN atacado por bolsonaristas honra o jornalismoJornalista da CNN Brasil é expulso de aglomeração bolsonarista aos gritos  de "CNN lixo"Pedro Duran (@pedromeletti) | Twitter

 

por Vanessa da Rocha /Objethos

- - -

Era um dia normal na rotina do repórter Pedro Duran, da CNN Brasil. Na pauta, a cobertura de um ato pró-Bolsonaro, no sábado, 22 de maio. Coberturas de manifestações sempre exigem cautela, mas a CNN Brasil não costuma estar no rol dos veículos de imprensa que são alvo de ataques do presidente, então a possibilidade de ser hostilizado não estava no horizonte. Só que na contramão das probabilidades, um grupo cercou o jornalista. As vozes gritavam “lixo” em coro contra o repórter, que foi escoltado pela PM até o carro.

Os ataques aos jornalistas em manifestações são reincidentes e independem se o movimento é de esquerda ou de direita. Não é de hoje que manifestantes atacam os mensageiros. Nos protestos de 2013, levantamento da Abraji mostra o registro de pelo menos 171 casos de violações cometidas contra profissionais da imprensa que cobriam os atos nas ruas do país. Além dos ataques direcionados, há o risco da cobertura quando ocorrem conflitos entre manifestantes e polícia. Os operadores da mídia, concentrados na apuração ou no registro de imagens ficam vulneráveis. 

É sabido que no Governo Bolsonaro esses episódios aumentaram. Relatório da Fenaj mostra aumento de 105,7% em 2020 em relação a 2019 e, em 2021, o Brasil entrou para a lista vermelha da liberdade de imprensa pela primeira vez (e esperamos que seja a última!), no levantamento da ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF), que contabilizou 580 ataques à imprensa no ano passado. 

Em quase todas as semanas, entidades que defendem o Jornalismo publicam notas repudiando as agressões a jornalistas, enquanto as instituições públicas silenciam. O ideal seria que o Palácio do Planalto se manifestasse e repudiasse os atos de violência e agisse pela defesa do trabalho da imprensa, além de elaborar políticas públicas para a segurança profissional, mas estamos muito longe do “mundo ideal”. Infelizmente, o presidente Jair Bolsonaro acaba incentivando esse tipo de conduta ao instigar o ódio contra a imprensa. 

Feito esse breve resumo do panorama dos ataques, é necessário registrar que há algo que é pouco falado dentro da temática que envolve a labuta diária do repórter: como o jornalista deve agir quando é alvo de ataques assim, na rua, de surpresa, enquanto exerce o ofício de reportar. O assunto é delicado, pois o que se espera é que os ataques não ocorram e não se deve naturalizar esses comportamentos. No entanto, diante do crescimento do número e intensidade dos episódios de hostilização, é necessário estabelecer parâmetros para o profissional ter como guia.

As ruas são inseguras e trazem desafios diários ao repórter. Os xingamentos e tentativas de intimidação fazem parte da rotina e não há um manual definitivo sobre como lidar com isso. A maioria dos guias versam sobre comportamento profissional voltado para protestos e conflitos armados. Nesses casos, os manuais do Brasil e do Exterior demonstram consenso de que a segurança fica em primeiro lugar. O jornalista deve mensurar os riscos previamente, levar equipamentos de proteção, fazer leitura do local e se posicionar de forma segura, geralmente nas laterais, nunca no centro do conflito. Há a possibilidade do jornalista ir com identificação do veículo ou ir com roupa neutra e se infiltrar. A definição de onde se posicionar depende das características do protesto e geográficas. Cada local e situação demandam decisões específicas.

Bem, e como se comportar diante de xingamentos? É adequado o jornalista revidar? Em geral, não. Isso infla os ânimos e pode fazer o conflito evoluir para uma discussão e violência física. Por mais injusto e desproporcional que sejam os ataques, o ideal é que o jornalista assuma uma posição profissional de neutralidade. A conduta do repórter da CNN diante do ataque é um exemplo. Ele se manteve calmo, não revidou e buscou fazer o registro dos ataques através do celular, como forma de proteção. Só que nem sempre o jornalista sabe se irá manter o controle emocional diante de uma agressão inesperada na rua. É por isso que é importante que ocorra treinamento e capacitação. Saber reagir a xingamentos faz parte de uma estratégia de segurança profissional.

Ainda faltam balizadores de comportamento nessas situações, mas eles serão necessários diante do crescente nível de intolerância. 

No Manual de Segurança para Cobertura de Protestos da Abraji, há algumas instruções sobre comportamento para casos de agressões. Se o jornalista ou equipamento profissional for atingido, o que é comum nesses ataques, o jornalista deve demonstrar a inconformidade com o ocorrido, mas de forma calma. A discussão deve ficar no campo profissional com a explicação de que o ataque representa uma violação à atividade de imprensa. Em determinadas situações, o silêncio é a melhor resposta. O jornalista deve observar a linguagem corporal e estudar como reagir. O foco não deve ser revidar os insultos e sim em sair da situação que é considerada atípica. 

Vivemos tempos sombrios no Jornalismo com o crescente número de episódios de hostilização de profissionais da imprensa. Impedir o exercício do jornalismo é atentar contra a liberdade de expressão. 

A crítica ao exercício profissional é valiosa para o aprimoramento da atividade jornalística, no entanto, ela deve ser realizada de forma técnica. Mas o que se vê são tribunais odiosos da internet que promovem falta de entendimento geral do papel do repórter e se espraiam pelas ruas – o que culmina em situações de risco para jornalistas. Enquanto esse cenário não é revertido, jornalistas devem se unir aos colegas e entidades para publicizar o repúdio a essas situações, além de trabalhar pelo aprimoramento e capacitação profissional para a elaboração e consolidação de uma estratégia de segurança dos profissionais da imprensa.

 

17
Mar21

AMANHÃ É OUTRO DIA

Talis Andrade

por Talis Andrade

 

Dança macabra – Wikipédia, a enciclopédia livre

 

Do jornalista
o trabalho cotidiano
da colheita
De tarde a notícia
De noite o trevo

O jornalista vive
como em tempo de peste
Beber divertir-se
na dança macabra
da madrugada
a dança de São Vito
É tudo aqui-e-agora
que no meio da vida
seremos surpreendidos
pela morte

O jornalista vive
o presente finito
Tudo que escreve
tem a louvação
de um dia

O jornalista vive
o instante
a emoção
do amor
de uma noite

O jornalista vive
o pressentimento
Amanhã pode ser dia de desemprego
Amanhã pode ser dia de enterro

 
12
Fev21

Não podendo elevar sua estatura, Arthur Lira rebaixa pé-direito da Câmara

Talis Andrade

sala de imprensa.jpg

 

por Josias de Souza

- - -

A principal ferramenta de trabalho do jornalista é o nariz. De todos os sentidos, o olfato é o que faz mais sentido na atividade jornalística. O melhor repórter, quando sente algo fedendo, corre atrás. Por mal dos pecados, a presidência do réu Arthur Lira não cheira bem.

Como ainda não inventaram lavanda capaz de disfarçar certos odores, o novo chefão da Câmara tirou um gambá da cartola. Decidiu tomar distância do nariz dos repórteres, um apêndice que brilha, espirra, coça e se mete onde não é chamado.

Lira transferiu para o porão da Câmara o comitê da imprensa, que funcionava há seis décadas num espaço contíguo ao plenário. Mandou instalar no local o gabinete do presidente.

Os repórteres perdem a possibilidade de farejar os ares malcheirosos que escapam pela portinha que liga o plenário ao comitê. E Lira livra-se do dissabor de tropeçar nos narizes que armam barricadas no trecho do Salão Verde que o presidente percorre a caminho da sessão.

Lira imagina estar golpeando o nariz da imprensa. Ainda não se deu conta de que desrespeita não os repórteres, mas a plateia que paga o seu salário e tem o direito de receber, com a devida rapidez, informações sobre o que andam fazendo na Câmara os seus hipotéticos representantes.

A remoção do comitê de imprensa é a primeira grande obra de Arthur Lira. Fica demonstrado que, impedido pela natureza de elevar a própria estatura, o líder do centrão decidiu rebaixar o pé-direito da Câmara.

A julgar pela timidez das reações, doravante bastará que os pares de Lira permaneçam de cócoras para serem considerados deputados de enorme altivez.

07
Jan21

Brasil tem o 2° maior número de jornalistas mortos de Covid e ONG suíça pede que vacina seja prioritária para imprensa

Talis Andrade

bolsonaro-quebrado-maravilha-1080-1080.jpg

 

Texto por RFI

Mais de 600 jornalistas morreram de Covid-19 em todo mundo, sendo mais da metade deles na América Latina, com destaque para Peru e Brasil, que lideram a lista. O alerta foi dado esta semana pela organização suíça Press Emblem Campaign (PEC). A entidade pede a vacinação prioritária dos profissionais da imprensa.

De acordo com as estatísticas da organização com sede em Genebra, 602 jornalistas morreram de Covid-19 desde março de 2020. A América Latina reúne mais da metade das vítimas (303 mortes). Na sequência estão Ásia, com 145 mortes, à frente de Europa (94), América do Norte (32) e África (28).

O Peru é o país com o maior número de mortes (93), segundo sua Associação Nacional de Jornalistas. O Brasil ocupa o segundo lugar, com 55 vítimas, à frente de Índia (53), México (45), Equador (42) e Bangladesh (41). Nos Estados Unidos, país com maior número de vítimas, houve 31 óbitos por Covid-19 nos meios de comunicação, ainda de acordo com a ONG.

A Itália é o país europeu mais afetado, com 37 jornalistas mortos. Na França, cinco mortes por Covid-19 foram relatadas na categoria profissional, segundo o comunicado.

O número real de vítimas no mundo é certamente maior, segundo a PEC, porque, às vezes, não se especifica a causa da morte, ou o óbito não é anunciado. E, em alguns países, não há informação confiável a esse respeito.

 

Jornalistas na linha de frente

O ONG também afirma que não é possível diferenciar os jornalistas contaminados pelo coronavírus no exercício de seu trabalho e aqueles que se infectaram em suas vidas privadas. Porém, a PEC explica que "devido à sua profissão, os jornalistas que saem para informar estão particularmente expostos ao vírus. Alguns deles, especialmente 'freelancers' e fotógrafos, não podem trabalhar apenas de casa", disse o secretário-geral da entidade, Blaise Lempen, em um comunicado.

Por esse motivo, a organização pede que os jornalistas sejam tratados como trabalhadores da linha de frente e tenham prioridade na vacinação, se assim solicitarem.

A contagem da PEC se baseia em informações dos veículos de comunicação locais, de associações (ou federações) nacionais de jornalistas e dos correspondentes regionais da organização. A ONG faz um levantamento do número de jornalistas mortos no mundo a cada ano e, desde o início da pandemia, também registra aqueles mortos por Covid-19.

A pandemia deixou pelo menos 1.869.674 mortos no mundo desde que o escritório da Organização Mundial da Saúde (OMS) na China informou o aparecimento da doença, em dezembro de 2019, conforme balanço da AFP elaborado nesta quarta-feira (6), com base em fontes oficiais. Desde início do surto, mais de 86.395.630 pessoas contraíram a Covid-19. Deste total, pelo menos 53.992.400 se recuperaram, segundo as autoridades.

Estes números se baseiam nos relatórios comunicados diariamente pelas autoridades sanitárias de cada país e excluem as correções feitas "a posteriori" pelos diferentes organismos, como na Rússia, na Espanha, ou no Reino Unido.

Desde o começo da atual crise sanitária, o número de testes realizados aumentou consideravelmente, e as técnicas de rastreamento de contato melhoraram, o que levou a uma alta nas infecções declaradas. Ainda assim, o número de casos diagnosticados reflete apenas uma parte da totalidade de contágios. Os casos menos graves, ou assintomáticos, continuam sem serem detectados.

(Com informações da AFP)

18
Nov20

Mais de 100 mulheres jornalistas assinam manifesto contra ataques do procurador Ailton Benedito a Tai Nailon, da agência Aos Fatos

Talis Andrade

Ailton-Benedito.png

 

por Ninja

“Nós, jornalistas mulheres, temos o nosso direito de trabalhar e informar”. Mais de 100 mulheres jornalistas, até agora, se uniram em um manifesto contra os ataques misóginos proferidos contra a profissional Tai Nalon, da agência de checagem Aos Fatos. Atuando no combate à desinformação, a agência divulgou que o procurador do Ministério Público Federal de Goiás Ailton Benedito disseminou fake news sobre o uso da cloroquina.

Em sua conta no Twitter, a jornalista Tai Nalon divulgou os prints com uma série de ataques que sofreu após a publicação. As mensagens foram disseminadas depois que o próprio procurador publicou em suas redes que teve sua liberdade de expressão cerceada.

thiago fake.jpg

 

Manifesto Aos Fatos

Nós, jornalistas e mulheres de diferentes veículos, abaixo assinadas, repudiamos com veemência os ataques sórdidos, mentirosos e misóginos proferidos em redes sociais pelo blogueiro Leandro Ruschel e pelo procurador do Ministério Público Federal Ailton Benedito, que vêm atacando e instigando ataques à jornalista Tai Nalon, diretora do Aos Fatos, uma das principais agências de checagem do País.

O Aos Fatos revelou que Ailton Benedito divulgou informações sem comprovação sobre o uso da cloroquina contra a COVID-19.

Além de disseminar mentiras e propagar o ódio e estigmas de cunho machista contra uma mulher, o que configura uma violência de gênero, o procurador Ailton Benedito está processando a jornalista Tai Nalon com uma tática conhecida internacionalmente como SLAPP (Strategic Law Suit Against Public Participation), que é uma estratégia na qual um grande número de ações são propostas em juízo, não com o intuito de obter a prestação jurisdicional pretendida na inicial, mas sim de tentar intimidar o réu e com isso, interditar o debate público.

É inadmissível que um membro do MPF aja em desacordo com a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa.

Nós, jornalistas mulheres, temos o nosso direito de trabalhar e informar.

Toda jornalista tem o dever de apurar e checar falsidades – diga-se, desinformação – vindas de qualquer autoridade.

Nós repudiamos a atitude do procurador e seus apoiadores. A sociedade brasileira deve se opor de forma veemente a este tipo de conduta, que torna-se cada vez mais grave e frequente, atentando contra a segurança das jornalistas.

Em defesa do jornalismo produzido por mulheres, pela democracia e liberdade de expressão, assinam por ordem alfabética: 

Adriana Pimentel Bezerra, Agência Eco Nordeste
Adriana Czelusniak
Aline de Oliveira Rios, Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná
Andréa Morais – Ministério Público do Paraná
Ana Paula Mira, Universidade Positivo
Alessandra Petraglia, Meio
Ágatha Santos
Caê Vasconcelos, Ponte Jornalismo
Carolina Monteiro, Marco Zero Conteúdo
Carolina Oms, revista AzMina
Cristiane Rangel, ParanaPrevidência
Carolina Cattani, C Ideias de Comunicação
Cristina Rios – Urbs
Cinthia Alves, Sintcom
Daniele Ribeiro Moura, Maré de Notícias
Denise Mello, Banda B
Elaíze Farias, Agência Amazônia Real
Eliane Brum
Elza Aparecida de Oliveira Filha, UTFPR
Érica Carnevalli, Meio
Edilma Rangel, Freelencer
Fernanda Baldioti, #Colabora
Fernanda Lara Peres Rangelov
Flávia Oliveira
Giulliana Bianconi, Gênero e Número
Helena Bertho, AzMina
Iris Brasil, Agência Amazônia Real
Jamile Santana, AzMina
Jeniffer Mendonça, da Ponte Jornalismo
Jess Carvalho, Plural
Jéssica Tamyres dos Santos, Ponte Jornalismo
Janaina Garcia, UOL

Kátia Brasil, Agência Amazônia Real
Katna Baran, Folha de S. Paulo
Kristiane Rothstein – Expressa Comunicação
Karla Losse Mendes – Conselho de Psicologia do Paraná
Lara Sfair, VivaVox
Lia Soares, Favela em Pauta
Liana Melo, #Colabora
Liliam Sampaio Cunha
Lia Rizzo, Universa/UOL
Lenise Aubrift Klenk – PUCPR
Maria Cecília Costa, Amazônia Real
Maria Elisa Muntaner, Ponte Jornalismo
Maria Teresa Cruz, Ponte Jornalismo
Mariana Franco Ramos, SindijorPR e De Olho nos Ruralistas
Marina Oliveira, Congresso em Foco
Maristela Machado Crispim, Agência Eco Nordeste
Mara Cornelsen
Maiara Bastianello – Band
Maigue Ghets
Mariana Czerwonka
Maria Celeste Correa
Melina Gunha
Mauren Luc, Plural
Maigue Gueths
Marina Menezes, Nexo
Marília Sena, Congresso em Foco
Maria Martha Bruno, Gênero e Número
Nádia Pontes
Natacha Cortêz
Natália Leal, Agência Lupa
Nina Weingrill, Énois
Natália Viana, A Pública
Natália Leão, Gênero e Número
Paula Guimarães, Portal Catarinas
Paula Miraglia, Nexo
Patrícia Guimarães Gil – ESPM
Patrícia Campos Mello
Rosiane Correia de Freitas, Plural
Renée Castelo Branco
Samira Castro
Schirlei Alves
Sandra Nodari, Universidade Positivo
Vandreza Amante, Portal Catarinas
Vanessa Barbara, New York Times
Vanísia Mangueira, Cebrasse
Valquíria Daher, #Colabora
Viviane Ongaro, Faculdades Opet
Vivian Faria, freelancer
Verônica Macedo

Assinaram também:

Cinthia Alves, Sintcom
Vanessa Ricetti Ricardo
Silvia Calciolari
Luciana Alves de Deus, Luadeus Comunicação
Debora Iankilevich
Ligia Gabrielli
Larissa Cavallin
Jaqueline Pereira
Juliana Bauerle Motta Peretti
Márcia Mendes Ribeiro
Petry Souza
Marluz Luz
Myrian Del Vecchio, Universidade Federal do Paraná
Cíntia Bruno, CB Comunicação
Rô Michels
Amanda Koiv
Raíssa Melo, Agência de Notícias da Favela
Elaine Felchaka
Melissa Bergonsi
Ane Meira Mancio
Veronica Macedo
Magaléa Mazziotti
Vivian Faria
Renata Guerra
Tayná Soares
Ellen Taborda, Correios
Raquel Cozer, Harper Collins
Nádia Conceição
Janaina Cesar
Helena Celestino
Ticianna Mujalli, presidenta do Sindicato dos Jornalistas do Norte do Paraná
Kauara Oliveira Borim
Letycia Bond, Empresa Brasil de Comunicação (EBC)

(para assinar o manifesto envie o e-mail para: jornalistas.mulheres2020@gmail.com)

12
Nov20

Aos Fatos recebe solidariedade de jornalistas e órgãos de imprensa após ser alvo de assédio nas redes

Talis Andrade

trump onu.jpg

 

 

Jornalistas, veículos de comunicação e entidade de defesa da imprensa se solidarizaram nesta quarta-feira (11) com Aos Fatos, que é alvo desde terça (10) de uma campanha de assédio e desinformação nas redes sociais fomentada por expoentes do bolsonarismo. Os ataques tiveram início após a reportagem ter procurado um dos citados numa investigação sobre disseminação de desinformação sobre as eleições nos EUA. O objetivo, dentro dos princípios básicos do bom jornalismo, era ouvir sua versão do que Aos Fatos apurou.

O estopim para o assédio coordenado foi um e-mail enviado pelo jornalista Bruno Fávero ao blogueiro Leandro Ruschel, abrindo espaço para que ele comentasse análise do Radar Aos Fatos que encontrou desinformação em tweets dele e de outros bolsonaristas sobre as eleições dos EUA. Ruschel respondeu, mas também expôs a troca de mensagens nas redes sociais. Na sequência, nossos perfis nas redes e canais de atendimento ao público passaram a receber ofensas de modo sistemático.

Os ataques foram agravados nesta quarta-feira (11) pelo procurador da República Ailton Benedito, que não é citado na análise. Ele ressaltou que está processando o Aos Fatos e estimulou o assédio judicial contra checadores e jornalistas. A ação movida por ele é relacionada a uma outra reportagem do Radar, publicada em maio deste ano, que o citou como um dos usuários bolsonaristas do Twitter que mais promoveram o uso da cloroquina contra a Covid-19.

O assédio desenfreado nas redes levou jornalistas, veículos e órgãos de defesa da imprensa a se manifestarem em solidariedade ao Aos Fatos. A maioria deles reproduziu o tweet da jornalista Natália Viana, fundadora da Agência Pública: "Sr. @AiltonBenedito, todo jornalista tem o direito e o dever de checar falsidades vindas de quaisquer autoridades. Chama-se liberdade de imprensa e direito à informação. Estamos do lado do @aosfatos". Leia mais e grave o endereço  aos fatos , para jamais ser vítima de uma notícia falsa, de uma propaganda enganosa, de uma armadilha ou ameaça do gabinete do ódio.

trump jair_gabrielrenner.jpg

 

16
Jun20

Assine e compartilhe o manifesto em defesa de Aroeira e da liberdade de expressão

Talis Andrade

 

Artistas e intelectuais lançaram um manifesto em defesa do cartunista Renato Aroeira, após o governo Jair Bolsonaro, por meio do ministro da Justiça, André Mendonça, pedir à Polícia Federal um inquérito com o objetivo de investigar uma charge em que uma cruz vermelha de um hospital é transformada em suástica, símbolo do nazismo. 

De acordo com o manifesto, "ao dizer que um desenho de humor leva perigo à integridade do Estado, o ministro expressa um delírio fanático e alimenta as fantasias totalitárias dos criminosos que promovem ataques crescentes contra a democracia no Brasil". Abaixo o autoritarismo

Nós, artistas, escritores, jornalistas, cientistas e professores, que não podemos viver e trabalhar sem democracia e liberdade, repudiamos frontalmente a declaração do Sr. Ministro da Justiça, André Luiz Mendonça, que ameaçou instaurar inquérito contra o grande artista gráfico Renato Aroeira. 

O ministro viu ameaças à "segurança nacional" (sic) numa charge em que Aroeira ironiza as falas do Presidente da República incitando seus seguidores a invadirem e filmarem hospitais. Ao dizer que um desenho de humor leva perigo à integridade do Estado, o ministro expressa um delírio fanático e alimenta as fantasias totalitárias dos criminosos que promovem ataques crescentes contra a democracia no Brasil.

Não aceitamos mais delírios obscurantistas. Não aceitamos intimidações. Abaixo o autoritarismo. 

E amparados no Artigo Quinto da Constituição Brasileira, dizemos "não" à censura, em solidariedade ao artista Renato Aroeira e ao jornalista Ricardo Noblat, que postou a charge em seu “Blog do Noblat”. 

21
Jan20

Para Marco Aurélio, denúncia contra Glenn é problemática e perigosa

Talis Andrade

 

"É um problema quando você pratica atos que afetam a liberdade de expressão. É problemático", disse o ministro.

"No campo da informação, não cabe adotar postura que iniba a arte de informar. Eu tenho uma concepção própria. Jamais processaria um jornalista, e há colegas em geral, que processam. [Com a denúncia], Você acaba indiretamente cerceando [a liberdade de expressão], o que não é bom em termos culturais, nem em termos de avanço social. É sempre perigoso", afirmou.

24
Dez19

Quem tentou sequestrar Lauro Jardim?

Talis Andrade

deadbolzo bolsonaro morte.jpg

 

 

Por Jeferson Miola, em seu blog:                  

Em momentos de aperto e dificuldades, Bolsonaro apela para a técnica diversionista do vigarista: despista para desviar a atenção do principal.

Nesses dias em que foram revelados detalhes dos negócios criminosos conduzidos pelo seu dublê de filho e preposto Flávio em associação com Fabrício Queiroz e com o chefe miliciano Adriano da Nóbrega, do Escritório do Crime, Bolsonaro ressuscitou o episódio da facada para desviar a atenção pública.

Bolsonaro insinuou que foi vítima de uma trama planejada por um ex-ministro do seu governo para matá-lo. E deixou subentendido que o conspirador, presumivelmente interessado em ocupar a vaga de vice na chapa presidencial, seria Gustavo Bebbiano.

O tiro, contudo, saiu pela culatra.

Bolsonaro não só não conseguiu tirar o foco do mega-escândalo de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa do clã como, além disso, foi desancado por Bebbiano.

O ex-coordenador da campanha e ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência conhece o clã Bolsonaro na intimidade. E por isso sentiu-se confortável em dizer o que disse em entrevista à rádio Jovem Pan [assistir aqui] em resposta ao ataque do Bolsonaro.

A entrevista do ex-aliado íntimo de Bolsonaro – que, apesar do rompimento político com o clã miliciano, continua defensor do programa e do governo bolsonarista – contém afirmações duríssimas e, sobretudo, graves.

Bebbiano entende que Bolsonaro “fica entre vagabundo ou quadro grave de loucura. Ou as 2 coisas combinadas”. Para ele, o país “está nas mãos de pessoa tão desequilibrada que pode colocar o Brasil em risco”.

Ele diz que “o presidente da 8ª economia do planeta [é] assessorado por um bando de fanáticos liderados por um lunático” [Olavo de Carvalho] e, por isso, pedirá a interdição de Bolsonaro na justiça. Bolsonaro “precisa ser interditado, não tem condições de governar o país”, afirma Bebbiano.

Ele considera que “a situação é muito preocupante porque o Brasil está sob comando de uma pessoa que demonstra ora traços graves de mau-caratismo, ora fortes sinais de loucura no último grau e assessorado por irresponsáveis e fanáticos”.

A declaração mais grave de Bebbiano, entretanto, não se refere à sociopatia do clã e às características paranóicas ou criminais da “familícia”, mas à tentativa de seqüestro do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, por uma pessoa do entorno do Bolsonaro.

Ele relata os detalhes do ocorrido [a partir do minuto 11:40 da entrevista]:

“O presidente parece que escolhe a dedo pessoas muito perigosas. Inclusive há uma pessoa muito próxima a ele que recentemente tentou seqüestrar um jornalista do sistema Globo. Pegou o jornalista Lauro Jardim na saída de um restaurante em São Paulo e tentou enfiar o Lauro Jardim dentro de um automóvel. Uma coisa meio forçada.

O Lauro ficou muito nervoso, muito preocupado, o assunto foi levado à direção da TV Globo, foi parar no departamento jurídico do Jornal O Globo e essa pessoa foi notificada inclusive pelo sistema Globo para que não se aproximasse mais do Lauro Jardim.

Essa mesma pessoa já ameaçou uma outra jornalista da revista Época e já fez ameaças veladas também a uma outra jornalista do jornal O Globo. Enfim, são essas as pessoas que estão ao redor do Presidente”.


O relato do Bebbiano dá conta de grave atentado não só contra jornalistas da Globo – a Lauro Jardim, à jornalista da Época e à outra jornalista do Globo – mas de um atentado perpetrado contra a liberdade de imprensa e contra o pouco que ainda vigora de ordenamento democrático no Brasil.

O grupo Globo não se manifestou sobre o assunto. Nem para desmentir Bebbiano, nem para justificar seu silêncio e omissão diante de um ato de terror de extrema gravidade.

A providência do departamento jurídico da Globo de notificar o agressor “para que não se aproximasse mais do Lauro Jardim” para deixar tudo por isso mesmo é tão eficaz quanto pedir ao estuprador que se “abstenha” de estuprar sua vítima.

A Globo precisa se explicar por que, afinal, silencia sobre a pessoa “muito perigosa” e próxima a Bolsonaro que tentou seqüestrar o jornalista Lauro Jardim e ameaçou outras jornalistas da empresa.

Se a Globo continuar em silêncio, será legítimo pensar que a família Roberto Marinho ou se acovardou ou tem algum arreglo com milicianos que não escondem o desejo de implantar uma ditadura fascista no Brasil.

jornalista__fadi__abou_hassan_faditoon.jpg

 

07
Dez19

O fim do jornalismo profissional e o início da era dos digital influencers

Talis Andrade

Fomos todos usados, transformados em meros relações públicas de quem se dispôs a pagar nossos salários

influencer.jpeg

 

Exatamente hoje, dia 3 de dezembro de 2019, faz vinte anos da minha formatura em Jornalismo. Aquele dia especial que todo acadêmico tanto espera, depois de quatro anos e meio, dedicando longas horas de estudo em uma universidade. Erguemos nossas mãos direitas diante de uma cerimônia pomposa e fizemos um juramento de trabalhar com ética, responsabilidade, mergulhar fundo numa história para descobrir e revelar os fatos à população. Afinal, comunicar é uma arte e também um dom, um compromisso social muito maior, de fomentar o debate e informar o que deve ser de conhecimento público, doa a quem doer.

Fomos agentes transformadores na sociedade ao longo das últimas décadas. Mudamos os rumos da história, muitas vezes, em função do que foi publicado e do que foi deixado de ser divulgado também. Muitos acontecimentos só puderam chegar a todos os cantos do mundo, graças ao trabalho árduo e comprometido destes profissionais da comunicação e desse desejo insaciável de revelar o que os olhos do mundo não conseguiriam ver sozinhos.

Entretanto, aquele glamour todo, tão sonhado e idealizado para a vida pós acadêmica, foi pura ilusão. No fundo, todos sabíamos que não seria fácil enfrentar os donos de jornais e emissoras, que nos jogariam para escanteio caso não falássemos o que eles queriam que fosse dito, em função da garantia do pagamento do patrocínio daquela grande empresa apoiadora do jornal.

Muitos foram ludibriados por forças políticas de esquerda ou direita, se deixaram levar por discursos fáceis e apaixonados, que em nada contribuíram com o fortalecimento e a importância da nossa área de atuação. De um jeito ou de outro, fomos todos usados, transformados em meros relações públicas de quem quer que um dia se dispôs a pagar nossos salários. Fortaleceram-se as agências de notícias e pagava-se mais a quem se dispusesse escrever o que o cliente queria. Informação tendenciosa mascarada de jornalismo, republicada gratuitamente em milhões de veículos.

Ao longo dos anos, a obsessão por obter cada vez mais alcance, com informação genuína, criativa e ágil foram atributos exigidos de todo profissional. A internet então surgiu e se tornou uma aliada, revolucionou o mundo da comunicação, valorizou muitos profissionais, mas houve também quem não se adequasse às novas ferramentas. Muitos não se atualizaram, se perderam no tempo e foram, naturalmente, abandonando a profissão, como em qualquer outra. Normal! Há de se adaptar. Atualização é fundamental para se manter vivo em qualquer área de atuação. O problema é que isso trouxe um novo concorrente; o blogueiro qualquer, querendo uma boquinha dessa grana da publicidade que paga a informação.

O jornal deixou de ser impresso, passou a ser digital e foi engolido por esses blogs de diferentes vertentes independentes, onde qualquer cidadão passou a atuar como “jornalista de seus próprios interesses”. Entretanto, a essência do “quem paga mais leva” continua reinando e está longe de acabar. As redes sociais disseminam informações sem qualquer compromisso com a realidade e trouxeram um novo fetiche; o impulsionamento pago, baseado em algoritmos comandados sabe-se lá por quem.

No fim, sinto como se fôssemos apenas peões de um grande jogo, onde quem comanda tudo é o dono do tabuleiro. Escrevemos o que mandam, mas usam nosso nome, nossas habilidades e nosso prestígio como fachada. Somos personagens de um sistema onde “manda quem pode, obedece quem tem juízo”… e quem tem boletos para pagar no fim do mês. As consequências disso são uma chuva de desinformação e matérias pagas irresponsáveis, mesmo travestidas de reportagens sérias. Jornalistas ditos “bons” são idolatrados, premiados, mas no fundo são como atores de uma série do Netflix, seguindo um roteiro pronto, pensado e com desfecho certo.

É decepcionante quando nos deparamos com redações sem jornalistas dispostos (ou autorizados) a investigar uma informação a fundo, de pesquisar o que está sendo dito. Republicam releases cegamente, desses que vêm prontos de agências e de assessorias, como se fossem matérias produzidas com idoneidade e comprometimento. Quem paga a conta? O cidadão, lá no final, que consome essa informação tendenciosa de um jeito que parece a verdade mais absoluta. Sim, porque o leitor também tem preguiça de buscar mais de uma fonte, de checar as informações que recebe, quando muito lê a matéria em si, pois a maioria fica só naquela frase escandalosa que apareceu no grupo de WhatsApp. (Aliás, sinta-se um privilegiado, pois muitos não chegaram até essa linha desse artigo, porque odeiam textão)!

Viramos réles criadores de manchetes fantásticas e sensacionalistas para garantir likes, acessos e curtidas num site controlado por quem tem interesse puramente financeiro e político, e não mais com a realidade dos fatos. Somos como avatares de um grande sistema de poder. Muitos que falavam em imprensa livre, há bem poucos anos, tiveram apoio de governantes que, ao invés de ajudar, derrubaram a obrigatoriedade do nosso diploma. Agora, a retirada do Registro Profissional. Estão apenas jogando a pá de cal em cima da nossa profissão, que não significa mais nada, num mundo de poucos caracteres e de desinformação!

É meus amigos, aquele jornalismo idealizado por todos nós não existe e/ou nem nunca existiu. Um dia nos fizeram acreditar que éramos o quarto poder, quando na verdade, talvez fossemos até mais do que isso. Mas não fomos maduros o suficiente para lidar com a força dos demais, que nos usaram para alcançar o que quiseram e nos destruir, pouco a pouco.

Jornalismo burro, irresponsável, inconsequente, fake news! Sim, é tudo o que eles querem de nós! Mas somos todos responsáveis pelos rumos que nossa profissão tomou. Viramos replicadores de informações pagas e agora precisamos nos reinventar, juntando o que restou da nossa sanidade mental para reconstruir um novo destino. O velho jornalismo acabou! As universidades estão formando as últimas turmas de sonhadores. Viramos todos digitais influencers, apenas isso. Comentaristas de podcasts. Quem tiver mais seguidores tem mais voz, não importa a veracidade do que se diga, tampouco se cursou qualquer graduação.

Foi bom enquanto o sonho durou!

jornall imprensa.jpg

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub