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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

22
Out21

Militantes ligados ao PTB e a movimentos religiosos protagonizaram pancadaria com vereadores em Porto Alegre

Talis Andrade

Elson Sempé Pedroso / CMPA / DivulgaçãoStrzalkowski à frente e Bertolin ao fundo, em confronto com o vereador Claudio Janta  Foto Elson Sempé Pedroso / CMPA /

 

Conflito ocorreu na quarta-feira, durante sessão que analisava o passaporte vacinal, e teve início pelo surgimento, entre os manifestantes, de um cartaz com uma suástica nazista

 

por CARLOS ROLLSING

Militantes ligados ao Movimento Cristão Conservador do PTB de Porto Alegre, à Associação Brasileira de Patriotas e ao Ministério Fé e Política estiveram envolvidos na confusão, inclusive com agressões, na Câmara de Vereadores na quarta-feira (20), durante a votação do passaporte vacinal.

Eles ingressaram nas galerias do Legislativo para protestar contra a exigência do comprovante de imunização da covid-19 em lugares de concentração de público, trajavam, em parte, camisas na cor verde estilizadas para o movimento e portavam um cartaz que continha uma suástica nazista. Esse foi o estopim para a confusão. Vereadores de oposição, mas também o presidente da sessão, Idenir Cecchim (MDB), que é governista, entenderam o gesto como apologia ao nazismo. 

Um dos que aparece em destaque nas imagens do conflito, de cabelo escuro e barba, é o advogado Antonio Bertolin. Ele é o presidente do Movimento Cristão Conservador do PTB em Porto Alegre e integra organizações como a Associação Brasileira de Patriotas e o Ministério Fé e Política. Bertolin ocupou um cargo em comissão (CC) no Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE), órgão da prefeitura de Porto Alegre, entre agosto e outubro de 2021. Três semanas antes dos atos violentos ocorridos na Câmara, ele foi exonerado do cargo. A prefeitura informou, em nota, que a demissão aconteceu porque Bertolin supostamente “não cumpria suas atividades”.

— Fiquei pouco tempo porque o cargo de confiança é de livre nomeação e exoneração. É da natureza desse cargo — disse Bertolin.

A reportagem apurou que a indicação de Bertolin para o cargo no município teria partido do ex-vereador Wambert Di Lorenzo (PTB), atual diretor-executivo do Procon Porto Alegre, e da vereadora Tanise Sabino (PTB). Após a exoneração, eles teriam sido comunicados para que indicassem outro nome à vaga.

Ao lado de Bertolin nos momentos de trancos e safanões com vereadores estava Márcio Gonçalves Strzalkowski (Márcio Canibal), também ligado aos movimentos que promoveram o ato contra o passaporte vacinal.

Strzalkowski já é um personagem conhecido das manifestações da direita. Em 2017, ele foi detido e acusado de ter agredido um professor em ato do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa). 

— Houve o incidente com o Simpa. As imagens mostram que o Simpa iniciou agressão contra o youtuber Rafinha BK na frente da prefeitura. Eu defendi meu amigo e briguei com três de uma vez só. A Guarda Municipal nos encaminhou para a delegacia e, nesse meio tempo, o Simpa agrediu o youtuber Arthur do Val (atualmente deputado estadual em São Paulo) — afirmou Strzalkowski.

Mais recentemente, em 2020, ele lançou-se a vereador em Novo Hamburgo pelo Podemos, mas sua candidatura consta como indeferida no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nas redes sociais, já apareceu em fotos empunhando armas de fogo e ao lado de figuras como o deputado federal Eduardo Bolsonaro, o deputado estadual Ruy Irigaray e o vereador Alexandre Bobadra.

— Sobre o encontro, foi um evento sobre um direito que vai completamente contra todas as formas de socialismo. O direito de possuir armas e se defender é considerado sagrado para os conservadores — disse Strzalkowski, em referência ao evento em que esteve ao lado dos políticos.

Jonas Reis
Aí pessoal, já conhecem o Márcio Canibal, um dos bolsonaristas que invadiram a Câmara de Porto Alegre hoje? Só gente desqualificada.

Na manifestação que descambou para a violência, ele trazia pendurados ao pescoço um crachá e uma máquina filmadora. Strzalkowski e Bertolin trocaram agressões e xingamentos pelo menos com os vereadores de oposição Roberto Robaina (PSOL), Matheus Gomes (PSOL) e Leonel Radde (PT), mas um dos momentos de maior tensão ocorreu quando ambos se engalfinharam com o governista Claudio Janta (SD), defensor da vacina e do passaporte de imunização. 

Outro manifestante que apareceu com ênfase na tensão foi Pablo Igarsaba, que também fazia filmagens e vestia terno preto. Ele concorreu a vereador de Porto Alegre pelo PP em 2020 e colheu 41 votos, segundo o TSE. Depois do pleito, migrou ao PTB, onde também participa do Movimento Conservador Cristão na condição de tesoureiro. 

Para os parlamentares de oposição, os manifestantes praticaram crimes de ódio e apologia ao nazismo. Eles registraram boletim de ocorrência na Delegacia de Combate à Intolerância, da Polícia Civil. 

— A gente precisa que, para além da investigação, o Ministério Público e a Justiça avancem na criminalização de pessoas que proferem ideologia de ódio. Esse é o nosso intuito ao fazer esse boletim de ocorrência. A gente espera que o caso vá adiante para que não aconteça novas ameaças ao estado democrático de direito — disse o vereador Matheus Gomes (PSOL), nesta quinta-feira (21).

 

20
Out21

Contra passaporte vacinal, grupo bolsonarista invade Câmara de Porto Alegre, agride vereadores e exibe suástica

Talis Andrade

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por Luciano Velleda /Sul21

A sessão da Câmara de Vereadores de Porto Alegre que analisou, nesta quarta-feira (20), o veto do prefeito Sebastião Melo (MDB) à exigência de passaporte vacinal, foi marcada por socos e empurrões. Um grupo de cerca de 30 pessoas ingressou nas galerias da Câmara para protestar contra o passaporte vacinal, muitos vestindo roupas em verde e amarelo ou portando adereços em alusão às cores nacionais. Em determinado momento, a exibição de um cartaz com o símbolo da suástica nazista foi o rastilho de pólvora para conflagrar o ambiente que já estava tenso.

Vereadores se opuseram à exibição do cartaz e solicitaram à segurança da Câmara que impedisse. A partir de então, teve início a confusão entre o grupo, parlamentares e funcionários da Casa. 

“Isso dá a dimensão da dificuldade do debate”, analisou a vereadora Karen Santos (PSOL), destacando que o discurso antivacina tem sido alimentado por vereadores da extrema-direita. Para ela, a pressão das galerias “é do jogo” da disputa política, com exceção da violência.

Por sua vez, o vereador Leonel Radde (PT) conta que teve uma assessora agredida na confusão e reclamou da falta de ação da Guarda Civil Municipal (GCM). O vereador Clàudio Janta (SD) também foi agredido. Após um período de troca de empurrões entre os manifestantes e seguranças da Câmara, o grupo foi finalmente retirado das galerias.

A votação acabou por manter o veto do prefeito Melo ao passaporte, embora não tenha valor na prática, já que o governo do Estado implementou na última segunda-feira (18) a exigência do documento para uma série de atividades.

Bolsonarista invadem a Câmara de Vereadores de Porto Alegre e fazem uso da violência! Chegam com símbolo da suastica, gritos, socos e xingamentos. ISSO NÓS NÃO VAMOS ACEITAR. Que a segurança da casa, a guarda municipal e a brigada tomem as providências. pic.twitter.com/hr1iZbqzbg

— Jonas Reis (@jonastreis) October 20, 2021

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10
Dez20

Morte na Vila Cruzeiro: laudo da perícia não interrompe protestos

Talis Andrade

A polícia mata, e a imprensa esconde o crime, porque um coronel inocenta a brigada, e um laudo médico aparece para dizer que uma pessoa empurrada de uma escada, sendo sexagenária, e bate com a cabeça no chão, não foi nada, não foi nada grave. 

Já - Novos protestos devem ocorrer na Vila Cruzeiro, na zona sul de Porto Alegre, pela morte da moradora Jane Beatriz da Silva Nunes, de 60 anos, durante uma ação da Brigada Militar na comunidade.

A Brigada Militar informou, com base no relato dos policiais envolvidos, que Jane não sofreu nenhuma agressão e teria sido vítima de um “mal súbito”.

O laudo do Instituto-Geral de Perícias (IGP) divulgado no fim da noite de terça-feira atesta que a causa da morte de Jane Beatriz da Silva Nunes foi causada pelo rompimento de um aneurisma cerebral.

Mas as lideranças da comunidade exigem que os fatos sejam esclarecidos. Há relatos de moradores de que Jane teria sido empurrada por policiais que tentavam entrar em sua residência, caindo de uma escada que dá acesso à casa e batido a cabeça no chão, o que teria causado a morte.

Além de funcionária da Secretaria Municipal de Segurança, Jane Beatriz Machado da Silva também era Promotora Legal Popular da Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos, organização que trabalha no enfrentamento da discriminação contra mulheres.

A Themis divulgou nota lamentando a morte e lembrando que Jane era formada pela primeira turma de PLPs da Cruzeiro, ativista dos movimentos negro, feminista e dos direitos humanos.

A organização convocou lideranças dos movimentos sociais para uma reunião virtual, ainda nesta quarta-feira, para discutir o caso e as medidas a serem tomadas.

Na terça feira, logo depois do fato moradores ergueram várias barricadas ao longo da avenida Tronco, carregando faixas e cartazes denunciando a violência policial, e colocaram fogo em um automóvel.

Segundo relato do repórter Marco Weissheimer, os policiais envolvidos na ação foram retirados da comunidade e um destacamento do Pelotão de Choque da Brigada foi deslocado para a área ainda no início da tarde.

Os moradores concordaram em liberar a passagem da avenida para um carro do Corpo dos Bombeiros apagar o fogo no automóvel incendiado, mas mantiveram os demais bloqueios.

Um pouco depois das 15h, o Pelotão de Choque da Brigada entrou em ação para dispersar os manifestantes que estavam bloqueando a avenida, usando bombas e balas de borracha.

Os policiais militares chegaram a entrar por uma rua lateral para dentro da Cruzeiro atrás de alguns manifestantes, mas logo voltaram para a avenida Tronco. Até a metade da tarde, não havia relato sobre pessoas feridas ou detidas nos protestos. Por volta das 16h, familiares e amigos de Jane foram para a frente do Postão da Cruzeiro.

As vereadoras negras recém-eleitas Laura Sito (PT) e Karen Santos (PSOL) e Bruna Rodrigues (PCdoB), o vereador Matheus Gomes (PSOL), além dos também vereadores eleito Leonel Radde (PT) e Jonas Reis cobraram explicações da Brigada Militar e uma investigação independente sobre o ocorrido

Conforme a Brigada Militar, ela perguntou por uma filha e “logo depois, teve um mal súbito e veio a desfalecer”. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, Jane chegou ao pronto-atendimento em parada cardiorrespiratória e não resistiu.

Protestos entre a tarde e o começo da noite relacionavam a morte a suspeita de violência policial. A perícia, no entanto, afirma não ter identificado no corpo “nenhum sinal de trauma que justificasse o óbito”.

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