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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

07
Jun21

'Estou emocionalmente desestruturado', diz vítima de bala de borracha disparada pela PM em manifestação no Recife

Talis Andrade

Daniel CampeloEm Recife e Amaraji, polícia de Pernambuco praticou repressões 'com ódio' e  'politização' - Rede Brasil Atual

 

Fantástico traz o relato exclusivo de Daniel Campelo, de 51 anos, atingido por uma bala de borracha no olho, durante a manifestação do dia 29 de maio, contra o presidente Jair Bolsonaro e em defesa da vacina, no Recife. Por que um protesto pacífico foi violentamente reprimido pelaPolícia Militar de Pernambuco?

Foi tudo muito rápido. Daniel tinha acabado de descer do ônibus, impedido de passar por conta do protesto. Ele trabalha confeccionando adesivos para táxis e estava a caminho do centro para comprar material.

 

‘Eles poderiam me imobilizar, alguma coisa. Eu estava com o braço levantado. Aí, não teve tempo. Vários disparos. Não sabia de onde vinha. É um impacto muito forte. Desestrutura todo o seu corpo”, conta Daniel.

 

O tiro, de bala de borracha, atingiu em cheio o olho esquerdo de Daniel. Mesmo ferido, ele foi baleado mais uma vez. Daniel perdeu a visão do olho esquerdo.

 

“É que nem um filme. Você tá dormindo, rapidamente, volta. Você escuta um barulho, um estampido, você escuta a gritaria. Eu estou emocionalmente desestruturado. Imagens por si mostram, né? Qual a ameaça de cidadãos procurando seus direitos e cidadãos indo trabalhar?”, questiona Daniel.

bozo meu exercito.jpg

 

 

 

“Eu disse a ele, ‘eu tô no protesto não, sou trabalhador, acabei agora de descarregar um contêiner’. O policial saiu de trás, mirou e deu no meu olho. Na mesma hora, já entrei em desespero que essa visão apagou na hora”, conta Jonas.

 

Depois de seis dias internado, na sexta-feira (4), Jonas foi fazer um exame para avaliar o tamanho do dano no globo ocular. Os médicos disseram que não há como recuperar a visão do olho direito.

 

01
Jun21

Os olhos de Jonas e Daniel e o prenúncio da repressão covarde

Talis Andrade

Image

Daniel Campelo da Silva

Jovem pode perder o olho após ser atingido por bala de borracha da PM

Jonas Correia de França

por Carol Proner

- - -

O que se viu no último sábado, dia 29, foi a unidade das forças políticas progressistas tomando as ruas e praças em praticamente 250 cidades brasileiras, manifestando-se contra a conduta genocida de Jair Bolsonaro na pandemia.

Foi a maior manifestação do ponto de vista territorial desde muito tempo, atingindo cidades médias e pequenas, e também redutos do bolsonarismo no sul do país. Os protestos chegaram a reunir, segundo estimativas, quase meio milhão de pessoas.

Quase meio milhão de pessoas também é o número de vítimas fatais da Covid-19 no país. E não é pouco considerar que as pessoas foram às ruas apesar disso, sopesando a cautela, o medo, o risco da contaminação diante de uma indignação que, desde a indignidade de tudo o que vivemos, precisa assumir a forma de ação.

Quem não foi, lamentou. Gostaria de ter ido, arrependeu-se. Justificou que ainda não era a hora, mas logo será. O que denota claramente que as próximas serão maiores, grandiosas até, trazendo um alerta aos movimentos e partidos diante da inevitável terceira onda no delicado equilíbrio que significa a coerência nas pautas políticas.

Eis uma questão que está na agenda de todas as reuniões no campo progressista esta semana: como fazer luta em tempos de isolamento social. E se isso era algo não bem resolvido para o movimento sindical, por exemplo – foi notável a baixa participação dos trabalhadores – o recado da militância nas ruas trouxe novos argumentos ao debate. 

Enquanto isso, setores importantes da mídia não sabem como noticiar o feito das manifestações do 29M. A hashtag #29MForaBolsonaro explodiu durante os protestos, em especial com o episódio da repressão em Recife, recebendo ampla cobertura da imprensa internacional, mas jornais como a Folha de São Paulo e O Globo emudeceram, assim como calam notícias de Lula e do indisfarçável crescimento do ex-Presidente nas pesquisas de intenção de votos.

O que quero destacar neste brevíssimo resumo do fim de semana, é algo que talvez não tenha sido episódico. A repressão em Recife merece ser observada. Talvez os olhos do Daniel e do Jonas nos permitam ver mais além, o prenúncio do que virá quando os protestos se avolumarem por todo o país. 

Daniel Campelo da Silva, de 51 anos, e Jonas Correia de França, de 29, perderam os olhos por disparos de balas de borracha e passam a integrar as estatísticas mundiais sobre ferimentos oculares, que já são estudados como um fenômeno que se generaliza no uso da força policial. O caso mais conhecido é o do Chile, com 220 pessoas atingidas, mas tem sido frequente em praticamente todos os protestos na América Latina e no mundo. Poderíamos falar dos conflitos entre israelenses e palestinos, dos jalecos amarelos na França, dos protestos independentistas na Catalunha, quer dizer, tem sido uma “preferência” frente a certa liberalidade no uso dos armamentos “não letais”, ou menos letais.

Recentemente expertos da ONU reconheceram o uso excessivo e ilegal da força por parte da polícia e dos membros da ESMAD (Esquadrão Móvel Antidistúrbios) na Colômbia, incluindo o uso indiscriminado de armas menos letais contra a população civil e sem observar os princípios da necessidade e da proporcionalidade.

No caso do Chile, já paradigmático, os “carabineiros” utilizaram artefatos constituídos internamente de chumbo ou outro metal e recobertos de borracha, além de gás lacrimogênio com substâncias químicas proibidas e soda cáustica na água lançada desde os caminhões-pipa contra os manifestantes. 

E mesmo sem as adulterações perversas, a forma como foi usado o spray de pimenta contra Liana Cirne Lins, uma vereadora de Recife em busca de diálogo diante da violência desmedida da polícia, foi absolutamente abusiva e ilegal.

Também é fundamental perceber que esse arbítrio “do guarda da esquina” igualmente não foi eventual no caso do professor Arquidones Leão, preso por policiais militares em Goiás por ter se recusado a remover a frase “Fora Bolsonaro Genocida” do capô de seu carro. 

O vídeo que viralizou, do policial declamando artigo da Lei de Segurança Nacional, deve servir de alerta não para nos desmobilizar, mas para que possamos nos preparar estrategicamente contra o arbítrio e a ilegalidade que poderão crescer diante da inevitável retomada das ruas na luta pela democracia.

Feridos pela PM em protesto vão ser indenizados", diz Paulo Câmara - Blog  do Ricardo Antunes

31
Mai21

Gilmar Mendes protesta contra repressão em Pernambuco e a violência das PMs: "Até quando?"

Talis Andrade

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes usou as redes sociais para criticar a “truculência e brutalidade” empregada pela Polícia Militar de Pernambuco para reprimir manifestantes que participavam de um ato contra Jair Bolsonaro no sábado (29).

“As cenas de truculência e brutalidade da ação policial em Recife causam imensa preocupação com o despreparo das forças para lidar com manifestações de grande porte, que tendem a se tornar frequentes em 2022. Dois homens que sequer manifestavam perderam um olho. Até quando?”, escreveu Gilmar Mendes no Twitter.

POLÍCIA NAZISTA. Daniel Campelo da Silva, 51 anos, foi alvejado no olho esquerdo por uma bala de borracha disparada por um policial do Batalhão de Choque. Ele sequer participava do protesto, mas perdeu o globo ocular e a visão.Desempregado Jonas Correia de França, 29 anos, é atingido por tiro pela PM no Recife e perdeu a visão do olho direitoDesempregado Jonas Correia de França, 29 anos, é atingido por tiro pela PM no Recife e perdeu a visão do olho direito 

 

A ação da Polícia Militar aconteceu quando o ato já estava próximo do fim e os manifestantes começavam a se dispersar. Os policiais do Batalhão de Choque atiraram bombas de gás e balas de borracha, além de  utilizarem spray de pimenta, contra a multidão. 

O adesivador Daniel Campelo da Silva e o arrumador Jonas Correia de França, que não participavam da manifestação, foram atingidos no rosto por balas de borracha disparadas por policiais militares e perderam a visão em um dos olhos. Image

Liana Cirne Lins
É necessário estabelecer novas diretrizes, rígidas, sobre como deve se conduzir a polícia em atos pacíficos.
LULADILMA 2022 
@DaysePirralha
Vereadora denunciando com Coragem, a PM que a Atacou, no Recife. precisa tomar atitudes Enérgicas contra os PMs e o Comandante da Instituição. Isso não vai ficar assim! #LianaSimEleNao #29MForaBolsonaro

Claudio Monteiro
O que tem que acontecer, a OAB precisa se posicionar, já que o MP está acovardado e nada faz, esses policiais deveriam serem expulsos e que hajam leis severas contra o abuso de autoridade e que sejam penalizados com cadeia, a polícia não é paga para agredir ninguém!Image
 
 
31
Mai21

Além de Daniel Campelo, PM mirou no olho e o tiro certeiro cegou o segundo homem no Recife (vídeos)

Talis Andrade

Desempregado Jonas Correia de França, 29 anos, é atingido por tiro pela PM no Recife e perdeu a visão do olho direito

247 - A violenta repressão da Polícia Militar de Pernambuco à manifestação contra Jair Bolsonaro nesse sábado (29) no Recife fez uma segunda vítima grave. 

Além de Daniel Campelo da Silva, a PM também atirou balas de borracha no rosto de Jonas Correia de França, 29 anos. Assim como Daniel, Jonas não participava da manifestação e também perdeu a visão de um olho, o direito, em razão do disparo. 

A vereadora do Recife Dani Portela (PSOL) trouxe detalhes do episódio durante entrevista ao Boa Noite 247 deste domingo (30). Dani visitou Jonas no hospital Altino Ventura, no Recife, onde ele está internado junto com Daniel Campelo. 

Segundo a vereadora, Jonas é pai de dois filhos, está desempregado e fazia serviços pontuais. Ele havia realizado um serviço de mudança e recebido R$ 60. "Jonas tinha recebido este dinheiro e tinha ido ao centro comprar carne moída para o almoço. Ele estava voltando, mostra a carne moída para a polícia e diz: 'pelo amor de Deus, eu sou um pai de família, eu estou levando carne para os meus filhos'. O policial aponta para ele e atira, duas vezes", relata a vereadora Dani Portela. Um policial covarde. Mais um horrendo crime que ficará impune. 

Durante a repressão da PM no Recife, a vereadora do PT Liana Cirne Lins também foi agredida. Ela recebeu um jato de spray de pimenta no rosto quando tentava dialogar com os policiais.

Aquiles Lins
@linsaquiles
Replying to
[CENAS FORTES] Aqui Jonas de França aparece sangrando logo após ser atingido no olho pelo tiro disparado pela PMPE. Ele voltava para casa com uma porção de carne moída para alimentar os dois filhos. Jonas perdeu a visão do olho direito.

30
Mai21

A covardia da imprensa pernambucana

Talis Andrade

 

 

Liana Cirne Lins (PT-PE) recebeu spray de pimenta de policiais durante manifestação contra presidente Jair Bolsonaro em Recife

 

A vereadora Liana Cirne Lins (PT-PE), agredida por policiais durante manifestação contra o presidente Jair Bolsonaro em Recife (PE), informou que tem recebido ataques nas redes sociais. Em publicação no Twitter neste domingo (30/5), ela denunciou um dos casos.

Na tarde de sábado (29/5), a parlamentar teve o rosto atingido por spray de pimenta, disparado por um soldado. Imagens que circulam nas redes sociais mostram o momento em que a vereadora cai no chão ao receber o jato da substância.

Cirne recebeu os primeiros socorros dos próprios manifestantes. Em seguida, foi levada pela sua equipe a uma Unidade Básica de Saúde.

No Twitter, um internauta ironizou a situação e disse que Liana poderia “trabalhar em filme de comédia”: “Ela fez uma cena estilo jogador argentino quando o zagueiro encosta nele de leve”, escreveu.

Em resposta, a vereadora afirmou que está sendo atacada nas redes. “Esse é um exemplo dos machos covardes que estão me atacando, como sempre nos atacam”, disse.

“Conheço teu tipo de longe e sei que teu bocão só não é maior do que tua covardia. Queria ver você ter minha coragem, ficando na frente de uma viatura atirando contra gente inocente. Cabra frouxo!”, publicou Liana.

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