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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

06
Jun19

OPERAÇÃO DA PF ASSOCIA SENADOR PERRELA, DO HELICOCA, A PABLO ESCOBAR

Talis Andrade

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247 - Se a Presidência do país está ocupada por um homem vinculado intimamente às milícias, Jair Bolsonaro, o país correu o risco, em 2014, de ter um presidente, Aécio Neves, que tem num senador suspeito de tráfico de drogas seu homem de confiança - Zezé Perrela (PSDB-MG). A mídia conservadora não deu destaque ao fato nem realizou a ligação óbvia, mas a operação que prendeu nesta quarta-feira (5) dois agentes da Polícia Federal que furtaram documentos encontrados na casa de Andrea Neves, irmã de Aécio, tem o nome de "Escobar", numa referência ao mais famoso traficante da história, o colombiano Pablo Escobar.

 

Um dos presos foi o policial federal Marcio Antonio Camillozzi Marra,que foi nomeado pelo presidente do Conselho Deliberativo do Cruzeiro, exatamente o senador Zezé Perrella, para integrar a comissão que investiga uma série de irregularidades no clube de futebol. A família de Perrella é dona do helicóptero que foi apreendido em 2013 pela PF com 445 kg de cocaína no Espírito Santo, e que ganhou o apelido de helicoca - Zezé acabou inocentado porque alegou que a cocaína não era sua. 

 

Em maio de 2017, Perrela foi flagrado mais uma vez: Aécio foi gravado pelo empresário Joesley Batista, dono da JBS, pedindo R$ 2 milhões e o dinheiro foi depositado numa empresa de seu homem de confiança.

 

Além do agente Marcio Antonio Camillozzi Marra, foi preso o também agente Paulo de Oliveira Bessa. Outra pessoa vinculada a Perrela foi presa, o advogado Ildeu da Cunha Pereira, conselheiro nato do Cruzeiro.

 

Os documentos que foram alvo da operação foram encontrados com Andrea Neves em 2017, quando ela foi presa e houve uma busca em seu apartamento, na Operação Patmos, lastreada em delações premiadas da JBS. Ela é suspeita dos crimes de corrupção, organização criminosa e embaraço às investigações.

 

Ao se depararem com os documentos, os investigadores suspeitaram do vazamento de informações de diversas operações. Por meio de nota, a PF ressaltou que "tal atitude não só prejudicou diversas investigações como coloca em risco a segurança dos policiais envolvidos nos trabalhos".

Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nos escritórios de advocacia dos envolvidos, além de três mandados de prisão preventiva e um de prisão temporária.

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03
Abr19

O desmonte do programa nuclear brasileiro

Talis Andrade

O ENTREGUISMO DA LAVA JATO

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por Thiago Flamé 

 

Alvo de dez inquéritos, Michel Temer já esperava ser preso. Segundo informações divulgadas na imprensa, porém, foi uma surpresa a ordem de prisão ter partido do juiz Marcelo Brettas, por conta dos contratos que envolvem a usina Angra 3 e não pela questão dos portos ou pela delação de Joesley da JBS.

A estatal Eletronuclear, subsidiária da Eletrobrás, é alvo da Lava Jato desde o início da operação. Na sua primeira derrota importante no STF, ainda em 2015, a operação foi desmembrada, e a parte relativa à Eletronuclear saiu de Curitiba e foi para o Rio de Janeiro, ficando nas mãos de juiz Marcelo Brettas. Na época ainda não se tinha uma dimensão que essa operação surgida nos laboratórios do Departamento de Estado dos EUA estendia seus tentáculos muito além de Curitiba, e que Brettas seria um dos maiores cruzados da operação.

Tendo como alvo principal a Petrobras, a Lava Jato na sua cruzada pró EUA também bombardeou a programa nuclear brasileiro. A obra da usina Angra 3, paralisada desde a década de oitenta, foi retomada como parte do PAC ao final do segundo governo Lula. A reativação das obras em Angra faziam parte da retomada do programa nuclear, a cargo da Eletronuclear, que tomou impulso com os acordos assinados com a França em 2008 para a construção de um submarino nuclear, projeto acalentado pela marinha e pelas forças armadas desde a década de setenta. Os contratos envolvendo o submarino nuclear com a França, o maior na história das forças armadas brasileiras em valores não podia deixar de incomodar os EUA.

A Lava Jato tem três operações em curso que investigam as obras de Angra 3. A Operação Radiotavidade, Irmandade e Pripyat. Os maiores contratos para a construção da usina, os mesmos da década de oitenta que foram reativados pelo governo Lula sem novas licitações, envolvem multinacionais europeias, alemãs, suecas, holandesas, mas principalmente francesas, com as empreiteiras brasileiras envolvidas nos escândalos da Petrobras, Odebrecht e Camargo Correia e Andrade Gutierrez.

A operação que levou o ex-presidente Michel Temer à prisão na última quinta feira, que se encerrou com a sua liberação na noite de ontem, é um desdobramento dessas três operações. O esquema de corrupção era um sistema de repasse de verbas através de empresas laranjas que levavam o dinheiro da propina para o MDB, via Argeplan, a empresa do coronel Lima, e para a diretoria da Eletronuclear, entre outras formas, através da empresa Aratec, ligada ao Almirante Othon, presidente da Eletronuclear desde 2005.

Se Michel Temer e Moreira Franco são os políticos ilustres presos pela Lava Jato, o coronel Lima é o operador que liga os caciques do MDB às obras de Angra 3, o almirante Othon é a peça que liga as prisões desta quinta feira ao conjunto do programa nuclear, uma disputa geopolítica que remonta aos anos setenta. Apesar do MPF pedir a prisão do almirante, o juiz Brettas negou o pedido. O início das obras em Angra, contou com o apoio inicial dos EUA, que pouco tempo depois reviu a posição de fornecer material radioativo ao Brasil, que se voltou à Alemanha para seguir o projeto nuclear, sob protesto dos EUA. A mesma Alemanha boicotou o acordo de transferência tecnológica com o Brasil, o que levou no final do governo Geisel a Marinha lançar o chamado programa nuclear paralelo, um programa secreto à época. Othon não é qualquer pessoa. Foi um dos líderes desse programa nuclear paralelo, sigiloso, que levou o Brasil a dominar a tecnologia de enriquecimento de urânio, apesar da resistência dos EUA.

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A Lava Jato também investiga o programa do submarino nuclear e o consórcio entre a estatal francesa DCNS com a Odebracht, que passaria por esquemas parecidos com os de Angra 3, envolvendo também o almirante Othon. Essa linha de investigação surge das delações da Odebrecht e de Antonio Palloci. Outra operação em curso, a Operação Submarino, deflagrada agora em fevereiro de 2019, com mandados de busca e apreensão no Centro Tecnológico da Marinha, investiga contratos firmados com a holandesa Bilfinger Maschinembau GMBA & CO (MAB).

As prisões deflagradas pela Lava Jato na última quinta tem um duplo objetivo. No plano imediato é uma demonstração de força da operação que vinha acumulando derrotas no STF e tendo o pacote de segurança de Moro secundarizado por Rodrigo Maia. Essa disputa entre a Lava Jato e Maia como representante da casta política, marca o embate diante de dois métodos distintos para seguir com um mesmo objetivo do golpismo em derrotar o movimento de massas: uma que utiliza os métodos da Lava Jato para disciplinar o Congresso e garantir os votos à reforma da previdência (com Moro e os procuradores de Curitiba); e outra que quer garantir esses votos com os velhos métodos do "toma lá dá cá" da velha casta política. Ao mesmo tempo é um prosseguimento dos objetivos mais estratégicos da Lava Jato, que é golpear todas as tentativas do Brasil sob o lulismo em barganhar maiores margens, ainda que pequenas, de autonomia. O programa nuclear e as relações de troca de tecnologia com a França, na alça de mira da Lava Jato, eram peças importantes destas tentativas.

 

13
Mar19

BOLSONARO SE AUTO IMPOPULARIZA, IRRESPONSÁVEL E IRREFLETIDAMENTE

Talis Andrade

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por Helio Fernandes

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Chegou ao poder de forma inesperada e fraudulentamente, conspurcando a eleição, desde o inicio. Acumpliciado com o então magistrado Moro, eliminaram Lula, que as pesquisas diversificadas, apontavam como candidato invencível. Reconheçamos: foi o primeiro presidenciável a descobrir e utilizar vergonhosamente, o poder e a importância da Internet.

Mas custava fortunas, não era problema. Como revelei na época, só a JBS, (dos irmãos bandidos Batista) contribuiu com 23 milhões de reais, no primeiro turno. E mais no segundo, junto com outros financiadores interessadíssimos.

(Antes dele, Putin, que comanda a Internet mais poderosa e importante do mundo, investiu de forma colossal na vitoria de Trump. Isso não era prioritário. O objetivo era derrotar Hilary. Só que a derrota dela, levava a vitoria dele. Agora divergem e brigam).

Mesmo usando e abusando do dinheiro ilegal e ilegítimo, não conseguiu o voto de 100 milhões de cidadãos.

Inscritos com direito (e obrigação) de votar: 148 milhões. Votaram nele: 48 milhões.

Agora, sozinho, Bolsonaro empreende uma caminhada suicida, num roteiro escrito por ele mesmo, que em 71 dias, comprovou o que mesmo os que votaram nele, já sabiam: "È despreparadissimo, não tem o mínimo de condições para ser presidente da Republica". Nas mais diversas oportunidades em que se manifestou publicamente, teve que ser defendido, perdão, INTERPRETADO, por auxiliares constrangidissimos.

Exigiu do Ministro Moro, que demitisse a importante socióloga, Ilona Szabó, respeitadíssima, nomeada num dia demitida 24 horas depois. Pouco antes, dois filhos alvejaram violentamente a socióloga.

A tentativa de destruir o carnaval, providencia leviana de afastar ou criar um fato que afastasse as criticas contra ele. Foi desclassificado pelos maiores jornais do mundo, desgaste tremendo para o país.

Não dá para relacionar tudo, pois ele fala muito e desmente logo em seguida. A citação do suposto poder dos militares, "só existe democracia e liberdade, quando eles querem", provocou constrangimento em 2 generais, que tiveram que vir a publico, JUSTIFICA-LO. O vice presidente eleito, general Mourão, e o Chefe do GSI, também general, Augusto Heleno.

PS- Augusto Heleno chegou a se confundir, "depois da ditadura, as Forças Armadas, (usou o coletivo, não falou Exercito) apoiaram integralmente a democracia e a liberdade". Qual ditadura, general?

PS2- O vice, general e eleito, saiu em defesa de Bolsonaro, com a frase feita, "o presidente foi mal interpretado".

PS3- Surpreendente mas efetivamente, já se fala em substituição presidencial, agora ou dentro de algum tempo. E ninguém, mesmo ou principalmente dos que o apoiaram, fala em resistência ou protesto.

PS4- Existem varias formas ou formulas de afastamento. Mas todas baseadas nos 71 dias de espantoso desgoverno.

PS5- E a constatação e convicção de que só vai piorar.

PS6- Bolsonaro já pensa (?) em não fazer a prometida e garantida, "análise dos 100 dias". Deveria ocorrer nos 10 primeiros dias de abril.

 

TERMINOU O RECESSO-DESCANSO DE JUÍZES E PARLAMENTARES. QUEM PRECISAVA DE RECESSO, BOLSONARO. Leia aqui

27
Out18

CAIXA 2 "Bolsonaro se esconde atrás de uma sigla oportunista. Financiada pelos bandidos Batista, da JBS"

Talis Andrade

Eleição regida e dominada pelo medo

 

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por Helio Fernandes

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Imposto pelo candidato favorito, sem programa, sem ideias ou convicções. Suas convicções (que deviam estar entre aspas) lembram o nazismo-fascismo-racismo, que ele faz questão de exaltar até exageradamente. É retrogrado tudo o que ele prega. Realmente assustador. Não pelo fato de lembrar as piores fases de ditaduras militares. Equivoco, ele nem chegou a ser militar.

 

E até o Alto Comando tem restrições (publicas) a ele. Se dermos uma volta pelo passado, chegaremos a 1945, e a primeira eleição direta. E constataremos um fato inédito, que jamais aconteceu. Nem antes nem depois. A eleição presidencial foi disputada por dois militares, um general (Dutra) e um brigadeiro (Eduardo Gomes), totalmente civilistas.

 

Dutra, apesar de 8 anos ministro da Guerra da Ditadura, era candidato do PSD, (o maior partido do país), e do PTB. Os dois fundados por Getulio Vargas. Foi administrativamente um fracasso completo. Mas rigorosamente democrático. Ele chamava a Constituição de "livrinho". E toda iniciativa dele, dos ministros, de deputados e senadores, tinha que se enquadrar no "livrinho".

 

Eduardo Gomes foi derrotado, liderou a oposição, novamente derrotado pela volta de Vargas, encerrada com a tragédia, do "deixo a vida para entrar na Historia". Em 45 e 50, os candidatos representavam os 3 maiores partidos nacionais. Bolsonaro se esconde atrás de uma sigla oportunista. Financiada pelos bandidos Batista, da JBS.

 

E por outros empresários que financiaram com muito dinheiro, as mensagens que inundaram a Internet. Crime visível e punível, não fosse a omissão, também culposa, do TSE. Tudo comandado dos EUA, pelo "gênio da Internet", que tramou e executou o apoio de Putin a Trump. Custou mais de 1 bilhão de dólares, mas elegeu Trump.

 

PS - Aqui teria custado "apenas" 300 milhões de reais mas também valeu a vitoria.

PS2 - Que era o que interessava, dinheiro não é problema.

PS3 - A partir de segunda feira, que segundo se fala nos bastidores, ficará lembrado como 29 de outubro.

 

ANTES DA ELEIÇÃO, A GRANDE BATALHA PELA PRESIDÊNCIA DA CÂMARA

 

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Logo que um dos filhos de Bolsonaro se reelegeu deputado, com grande votação, o pai imaginou colocá-lo como presidente da Câmara. (E o outro filho, presidente do senado, revelei tudo com exclusividade).

 

Encontrou muita dificuldade, até entre os lideres da campanha. Não recuou, achou que superaria os obstáculos. Mas o próprio filho se encarregou de fortalecer a oposição, agredindo, desprezando e insultando o STF. Grande repercussão negativa.

 

A oposição se articulava, considerava que se Bolsonaro conseguisse o imaginado, seria acumular muito poder nas mãos de um homem só. Isso fortaleceu a candidatura de Rodrigo Maia, que já trabalhava a própria eleição. Pretendia ficar mais 2 anos no cargo. Não com o mesmo poder de agora, mas ainda com muita força. Excelente coordenador, já começa com o apoio do "centrão". 207 votos, muito mais que os 52 do PSL.

 

PS - Falam que dos 243 deputados, que disputaram a eleição, 5 ou 6 estariam dispostos a presidir a Câmara.

PS2 - Também existe o rumor: Bolsonaro não ficaria com um presidente da Câmara hostil.

PS3 - Nesse caso, apoiaria Rodrigo Maia, com quem tem bom diálogo.

 

BOLSONARO NA CONTRAMÃO

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Ontem fez duas afirmações, nada a ver com ele.

 

1- "O Brasil precisa de dialogo e pacificação".

 

2- "Precisamos de segurança e confiança"

 

Só faltou garantir: "Eu sou a esperança"

 

HADDAD TENTA OS ÚLTIMOS APOIOS

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È muito tarde e são votos indefinidos. Conversou com FHC, que fingiu, como sempre: Alem do mais, não tem o que transferir. Seu potencial é inexistente, apenas tergiversa, que palavra.

 

Continua acreditando em Joaquim Barbosa, já mostrei a inutilidade.

 

Recebeu um apoio política e moralmente solido de Alberto Goldman, mas eleitoralmente, apenas sofrível. Ele foi governador de SP. No passado fiz criticas a ele, não por ser comunista, e sim estalinista.

 

Inacreditável, a posição de Ciro Gomes. Entre os candidatos foi o maior critico do capitão. Tem potencial para transferência de votos. No dia seguinte viajou para o exterior. Ha dias anunciou a volta, não voltou.

 

11
Ago18

Moro baixa o nível da campanha eleitoral. É o vale tudo para tirar Lula da liderança

Talis Andrade

Paulo Preto, o homem de Geraldo Alckmin e José Serra na Dersa

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Pelas leis da propaganda política jamais se deve, de início, bater frontalmente no líder. No candidato que tem o apoio do povo, e sim nos seus liderados. Esta a estratégia de Sérgio Moro, treinado nos serviços de espionagem e informações dos Estados Unidos, foi demonstrada pelo jornalista Ricardo Kotscho.

 

"Como costuma acontecer desde 2014, quando as eleições se aproximam, a força-tarefa da Lava Jato, que andava meio sumida, voltou com tudo nesta sexta-feira – contra o PT, é claro", diz o jornalista.

 

Moro joga sujo. Alerta Kotscho, a delação de Mônica Moura foi requentada para atacar a presidente deposta Dilma Rousseff, líder em todas as pesquisas para o Senado em Minas Gerais, e o ex-prefeito Fernando Haddad, porta-voz de Lula na campanha. "A tabelinha Lava Jato-mídia sempre é acionada nestas horas em que os candidatos do sistema estão empacados nas pesquisas lideradas pelo PT", diz Kotscho.

 

HADDAD E DILMA NA MIRA: LAVA JATO ELEITORAL VOLTA COM TUDO CONTRA O PT

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 Sergio Moro atua de garoto propaganda para os candidatos tucanos. Notadamente Alckmin (traindo Álvaro Dias), Dória, Aécio, Beto Richa. Se tiver segundo-turno, vai de Bolsonaro

 

por Ricardo Kotscho

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Como costuma acontecer desde 2014, quando as eleições se aproximam, a força-tarefa da Lava Jato, que andava meio sumida, voltou com tudo nesta sexta-feira contra o PT, é claro.

 

Sem fatos novos, requentaram uma delação de Monica Moura, aquela moça que masca chicletes quando é presa, mulher de João Santana, o ex-marqueteiro do partido.

 

Não por acaso, os alvos agora são os principais líderes do PT nesta disputa eleitoral: Fernando Haddad, que substitui Lula na campanha presidencial, e Dilma Rousseff, a ex-presidente que lidera a com folga a corrida para o Senado em Minas Gerais e fez Aécio Neves desistir de enfrentá-la.

 

A nova versão da delação da marqueteira, que acusa diretamente Dilma de negociar valores de caixa dois, fez a festa dos telejornais noturnos que a transformaram na principal manchete do dia.

 

A tabelinha Lava Jato-mídia sempre é acionada nestas horas em que os candidatos do sistema estão empacados nas pesquisas lideradas pelo PT.

 

Com Lula, mesmo preso há mais de 100 dias, liderando absoluto a disputa presidencial, podendo ganhar até no primeiro turno, as baterias se voltaram contra Fernando Haddad, oficializado há apenas cinco dias como vice, acusado por Monica Moura de ter recebido dinheiro de propina da Odebrecht para pagar as contas da sua campanha para a prefeitura de São Paulo.

 

Diante da nova ofensiva, o que o PT pode fazer, se o Judiciário claramente escolheu um lado nestas eleições para evitar que o PT volte ao poder depois do golpe de 2016?

 

Em nota, a direção do partido e Haddad acusam a Lava Jato de armar espetáculos contra o partido de olho nas eleições às vésperas do registro oficial da candidatura de Lula à Presidência da República, no dia 15. E fica tudo por isso mesmo.

 

Curioso que a mesma mídia não se pergunte que fim levaram os processos abertos pelos mesmos motivos contra os tucanos Geraldo Alckmin, o candidato do governo Temer e do Centrão, e o ex-presidenciável Aécio Neves, agora candidato a deputado por Minas.

 

Que fim levaram estes processos todos, com denúncias de contas na Suíça mantidas por Paulo Preto, o homem de Geraldo Alckmin e José Serra na Dersa, denunciado por Dilma já na campanha de 2010, e as gravações de áudio e vídeo de Aécio Neves tomando grana de Joesley Batista?

 

Alguém sabe a quantas andam as investigações sobre subornos pagos por multinacionais e empreiteiras nas grandes obras do governo paulista comandado pelo PSDB há 24 anos, no chamado Tucanistão?

 

Não se fala mais naquelas centenas de políticos delatados pela Odebrecht e outras empreiteiras, além de Joesley Batista, todos eles livres, leves e soltos fazendo suas campanhas pela reeleição para manter o foro privilegiado.

 

Nenhum até hoje foi sequer a julgamento.

 

Lula é o único candidato julgado, condenado e encarcerado por conta de um tal triplex no Guarujá que não provaram ser dele.

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Tudo isso é tratado com a maior naturalidade, como fato consumado, nem se toca mais no assunto.

 

Se não bastasse esta aberração, agora querem também tirar Haddad e Dilma das eleições de 2018, para que os golpistas possam ganhar as eleições por WO, já que nas urnas perderam quatro eleições presidenciais seguidas e, até agora, não conseguiram emplacar um candidato competitivo.

 

Já nem disfarçam mais: tudo é feito à luz do dia, na cara dura, e ainda ficam repetindo que as instituições estão funcionando às mil maravilhas nesta democracia de fancaria, em que a eleição é decidida nos tribunais e não mais nas urnas.

 

Dá até vergonha.

 

Vida que segue.

 

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09
Ago18

A Polícia Federal de volta aos anos de chumbo dos cachorros e secretas

Talis Andrade

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 Lava Jato de Curitiba já concedeu 1 063 delações premiadas

 

 

Lula presidente trabalhou por enterrar a Polícia Federal, a polícia política, criada pela ditadura de 64 para ser o braço armado do SNI, Serviço Nacional de Informações, cujos agentes perseguiram Lula líder sindical no ABC. 

 

O trabalho de Lula presidente de recriar uma Polícia Federal para um novo Brasil moderno, independente, potência do BRICS, mereceu um esperado histórico do delegado Paulo Fernando Lacerda. 

 

O Brasil do golpe de 2016 fez renascer das cinzas o corpo monstruoso da Polícia Federal que, nos tempos de chumbo da ditadura militar, prendeu, torturou presos políticos, e teve como diretor Romeu Tuma, que tinha as chaves dos cemitérios clandestinos de São Paulo. 

 

Os secretas e cachorros voltaram a perseguir, a espionar, a grampear Lula, a mando de Sergio Moro, e o líder operário revê seu carcereiro Tuma ressuscitado na juíza Carolina Lebbos, alcunhada pela revista Veja de "a algoz de Lula". 

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Transcrevo histórica reportagem de Vasconcelo Quadro, "Com sangue na boca".

 

Em entrevista à Pública, o delegado Paulo Lacerda, que reestruturou a PF no governo petista, critica protagonismo do MPF e diz que tribunal furou a fila para condenar Lula

 

“A ideia era tirar Lula do processo eleitoral”
“Havia mais de cem processos na pauta [antes do tríplex]”
“Sem investimentos [de gestão Lula] não haveria Lava Jato” 

 

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Em 18 anos de redemocratização, os governos pós-ditadura não tiveram a ousadia de mexer na PF para adequá-la ao combate a corrupção. O desinteresse, na opinião de Paulo Lacerda, tinha uma razão objetiva: nenhum governo resistiria, sem colocar em risco o próprio pescoço, a uma polícia forte, independente e com meios materiais e legais para investigar. Era mais interessante que a PF continuasse atrás de mafiosos, traficantes, contrabandistas e, de vez em quando, algum criminoso do colarinho branco, desde que a prisão deste, é claro, não afetasse os poderes da República.

 

Cortando na própria carne

 

Duas semanas depois de Lacerda ter dito que abriria a caixa-preta da PF, mais de 20 policiais federais (um deles foi Newton Ishii, o carcereiro conhecido como japonês da Federal), entre delegados e agentes que formavam todo o efetivo da delegacia Foz do Iguaçu, eram presos na investigação que ficou conhecida como Operação Sucuri. Pouco tempo depois, viria a Operação Anaconda, que desvendaria um esquema de venda de sentenças que começava na investigação e terminava na Justiça Federal. Um juiz, João Carlos da Rocha Matos, um agente federal, Cesar Herman Rodrigues e um delegado, José Augusto Belline, foram presos e apontados como chefes da organização criminosa.

 

O delegado havia recusado dois convites para dirigir a PF, um no governo de Itamar Franco e o outro no de Fernando Henrique Cardoso, por não sentir que teria o apoio necessário para o que julgava que seria preciso fazer. Respondera com um “sonoro” silêncio ao convite em tom de “intimação”, feito pelo então ministro da Justiça de Itamar, Maurício Corrêa, mais tarde ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Ficou surpreso ao ser chamado para participar de um governo do PT. Estava, àquela altura, trabalhando como assessor de Romeu Tuma no Senado, portanto, prestando serviços ao PFL (atual DEM) em CPIs do Congresso.

 

“Nunca participei e nem tenho qualquer vínculo com a política, mas jamais imaginei que o PT chamaria alguém que estava trabalhando para o PFL, que era seu principal adversário”, disse Lacerda à Pública.

 

Apresentado a Lula por Bastos, numa conversa breve com o então presidente, recebeu carta branca e a garantia de que a PF teria liberdade e os meios necessários. “Vamos fazer grandes mudanças. Você terá todo o apoio. O que o Márcio disser está ok”, disse o ex-presidente, conforme se recorda o delegado.

 

“A primeira resposta concreta do governo foi o esforço que resultou num empréstimo internacional de US$ 500 milhões destinados a equipar e modernizar a polícia, contratar mais servidores e melhorar os salários dos policiais. O dinheiro estava aprovado desde os governos de Fernando Henrique, mas ninguém teve interesse em liberá-lo”, conta.

 

A penúria da PF era grande: faltava de combustível para viaturas a papel higiênico. Sedes regionais e delegacias, como as do Paraná, estavam instaladas em casas acanhadas, alugadas, e frequentemente eram alvos de alguma ordem de despejo por falta de pagamento. A principal superintendência do país, a de São Paulo, ocupava todos os 24 andares do edifício Wilton Paes de Almeida, encravado no largo do Paissandu, tão precário e inseguro que ninguém que o tenha frequentado se surpreendeu quando desabou ardendo em chamas no dia 1º de maio deste ano.

 

Viabilizado por entendimento entre os governos da Espanha, França e Alemanha, para dar suporte ao combate a crimes, como o tráfico de drogas, que afetava a Europa, o dinheiro deveria ser empregado para modernizar as polícias da América do Sul. O Brasil não o estava usando, mas, como havia assinado os protocolos e pré-contratos, pagava em dólar a contrapartida. “Quando soube que o empréstimo já estava reservado, pronto para ser liberado, Lula disse que o dinheiro tinha de ser usado. Mas houve um problema: “O Palocci [ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci, preso atualmente] não queria. O ministro Márcio Thomaz Bastos foi a ele e o convenceu. Lula deu então a palavra final, aprovando”, afirma Lacerda.

 

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Paulo Lacerda reestruturou a PF no governo petista

 

O delegado havia recusado dois convites para dirigir a PF, um no governo de Itamar Franco e o outro no de Fernando Henrique Cardoso, por não sentir que teria o apoio necessário para o que julgava que seria preciso fazer. Respondera com um “sonoro” silêncio ao convite em tom de “intimação”, feito pelo então ministro da Justiça de Itamar, Maurício Corrêa, mais tarde ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Ficou surpreso ao ser chamado para participar de um governo do PT. Estava, àquela altura, trabalhando como assessor de Romeu Tuma no Senado, portanto, prestando serviços ao PFL (atual DEM) em CPIs do Congresso.

 

“Nunca participei e nem tenho qualquer vínculo com a política, mas jamais imaginei que o PT chamaria alguém que estava trabalhando para o PFL, que era seu principal adversário”, disse Lacerda à Pública.

 

Apresentado a Lula por Bastos, numa conversa breve com o então presidente, recebeu carta branca e a garantia de que a PF teria liberdade e os meios necessários. “Vamos fazer grandes mudanças. Você terá todo o apoio. O que o Márcio disser está ok”, disse o ex-presidente, conforme se recorda o delegado.

 

“A primeira resposta concreta do governo foi o esforço que resultou num empréstimo internacional de US$ 500 milhões destinados a equipar e modernizar a polícia, contratar mais servidores e melhorar os salários dos policiais. O dinheiro estava aprovado desde os governos de Fernando Henrique, mas ninguém teve interesse em liberá-lo”, conta.

 

A penúria da PF era grande: faltava de combustível para viaturas a papel higiênico. Sedes regionais e delegacias, como as do Paraná, estavam instaladas em casas acanhadas, alugadas, e frequentemente eram alvos de alguma ordem de despejo por falta de pagamento. A principal superintendência do país, a de São Paulo, ocupava todos os 24 andares do edifício Wilton Paes de Almeida, encravado no largo do Paissandu, tão precário e inseguro que ninguém que o tenha frequentado se surpreendeu quando desabou ardendo em chamas no dia 1º de maio deste ano.

 

Viabilizado por entendimento entre os governos da Espanha, França e Alemanha, para dar suporte ao combate a crimes, como o tráfico de drogas, que afetava a Europa, o dinheiro deveria ser empregado para modernizar as polícias da América do Sul. O Brasil não o estava usando, mas, como havia assinado os protocolos e pré-contratos, pagava em dólar a contrapartida. “Quando soube que o empréstimo já estava reservado, pronto para ser liberado, Lula disse que o dinheiro tinha de ser usado. Mas houve um problema: “O Palocci [ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci, preso atualmente] não queria. O ministro Márcio Thomaz Bastos foi a ele e o convenceu. Lula deu então a palavra final, aprovando”, afirma Lacerda.

 

O delegado diz que a PF conseguiu comprar o que havia de mais moderno em recursos de tecnologia para equipar a polícia em todas as áreas de investigação. Uma das novidades, a cereja do bolo, leva o nome de guardião, um equipamento de última geração, usado para grampear em sequência telefones de alvos de investigação. É, ainda hoje, uma ferramenta indispensável na vigilância de uma “clientela” que não desgruda do telefone. “O efetivo da PF, que era de 8 mil, subiu para 15 mil apenas com a convocação dos candidatos que já haviam sido aprovados em concursos. Ampliamos o Instituto Nacional de Criminalística e conseguimos dar uma boa arma para cada policial, a pistola Glock”, conta.

 

As operações Sucuri e Anaconda deram à PF a necessária musculatura moral para se desviar da prática de engavetar investigações contra políticos. A direção da PF passou a organizar uma série de operações, todas elas centralizadas em Brasília e sob a coordenação de dirigentes escolhidos entre os policiais mais antigos ou, como define Lacerda, “os melhores da minha geração”. Delegados mais novos, é claro, reclamaram, mas a PF tinha um comando experiente e centralizado. Vieram o Mensalão, Vampiro, Sanguessuga, Mecenas, Matusalém, Navalha e, entre as centenas contabilizadas nos primeiros quatro anos do governo do PT, a Xeque-Mate, que colocaria ministros, parlamentares, empresários, juízes e servidores graduados no banco dos réus.

 

A PF tornou-se, no primeiro governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma espécie de “ilha de excelência” na área de investigações, inclusive no combate a crimes contra o patrimônio, que o delegado faz questão de lembrar: “Quando houve o assalto [na verdade foi um furto cinematográfico] ao Banco Central de Fortaleza [de onde foram levados R$ 164 milhões em agosto de 2005], organizamos a Operação Toupeira, na qual, sem precisar disparar um tiro, prendemos 29 criminosos ligados ao PCC, autores do crime”.

 

A PF promoveu um processo de repressão sem tiros nem violência, abrindo caminho para que, uma década depois, o país assistisse, ao vivo e em cores, políticos poderosos e a nata do empresariado nacional, dona de pelo menos um terço do PIB brasileiro, resignados, seguirem em constrangedora romaria para a cadeia.

 

O choque com Lula

 

A ofensiva sofreria um baque logo depois da Operação Xeque-Mate, que tinha entre os alvos Genival Inácio da Silva, o Vavá, o irmão-problema do então presidente, em cuja residência a polícia fez uma devassa. Se as buscas deram algum resultado, este foi colocar a PF em choque com o Palácio do Planalto. O episódio abriu caminho para o desgaste de Lacerda, que mais tarde, no início do segundo mandato de Lula, por medo e pressão da base parlamentar governista, seria substituído.

 

Lacerda foi transferido para o comando da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), de onde apoiou o delegado Protógenes Queiroz nas investigações que prenderam o banqueiro Daniel Dantas, na Operação Satiagraha e, mais uma vez, bombardeado pelos políticos, começou a balançar no cargo. A pá de cal foi a suspeita de que teria autorizado um grampo nos telefones do ex-senador Demóstenes Torres e do ministro Gilmar Mendes, então presidente do STF.

 

Pressionado nos bastidores por Mendes, que reclamava insistentemente do “estado policialesco” da era Lacerda, e pelo ex-ministro da Defesa, Nelson Jobim, Lula demitiu o delegado e o nomeou adido policial em Portugal, um jeito político para livrar-se de possíveis problemas. Foi um duplo equívoco do governo petista. As investigações minuciosas da própria PF comprovariam que o grampo não existiu, mas a saída de Lacerda abriria um vácuo de comando no setor de inteligência e de segurança do governo, deficiência que o MPF enxergou e da qual tiraria proveito.

 

Aposentado, atualmente prestando serviços a uma entidade privada de segurança, o delegado teria todos os motivos para odiar Lula. Mas, ao ver as imagens do ex-presidente, no dia 7 de abril, sendo conduzido à prisão, um insuspeito Lacerda não conseguiu conter sua habitual discrição. Postou no WhatsApp um pequeno texto, ilustrado com a foto de uma placa de inauguração da PF de Curitiba em que se destacava o nome de Lula, endereçado aos mais de mil delegados que integram um grupo fechado na internet.

 

“Se não fossem os grandes investimentos [do governo Lula], dificilmente teria havido a Operação Lava Jato. É uma grande ironia do destino: hoje o ex-presidente Lula é o mais ilustre dos presos da PF em Curitiba”. No texto, ele lembrou ainda que foi também no Paraná que o governo petista havia construído a mais bem aparelhada sede regional da PF e a primeira prisão federal de segurança máxima (em Catanduvas), cujo corregedor seria o juiz Sérgio Moro. 

 

Voz solitária

 

Lacerda é uma voz quase solitária no meio policial a apontar, nos bastidores, os exageros da Lava Jato. Acompanha de perto o roteiro de investigações que deram protagonismo a procuradores que, em sua época no comando da PF, apenas cumpriam o principal papel do Ministério Público (MP), que é fiscalizar o trabalho da polícia e auxiliar nas investigações para que a denúncia resulte numa ação penal bem instruída, que dê ao julgador parâmetros para uma sentença justa. Lacerda acha que, ao “puxar o freio de mão” na ofensiva contra políticos, a PF acabou abrindo caminho para que o MPF se projetasse como protagonista da nova era.

 

Percebendo que o órgão recuara, o MPF pegou carona na onda das grandes manifestações de 2013, promoveu uma campanha publicitária contra a corrupção, criou uma força-tarefa e assumiu a paternidade da Lava Jato, investigação que havia sido iniciada pela PF. Os procuradores já haviam tentado, sem sucesso, assumir investigações no período de Lacerda.

 

“Não tem problema. Os senhores serão bem-vindos. Nós temos centenas de inquéritos que estão parados ou andando devagar por falta de gente”, reagiu Lacerda numa reunião com procuradores. Foi uma ducha de água fria. O que o MPF queria não eram investigações triviais, de rotina. Na opinião de Lacerda, o MPF queria investigar alvos que atraíssem holofotes.

 

Em 2009 o então procurador-geral da República Roberto Gurgel encontrou uma forma de colocar o MPF nas investigações: criou, por norma aprovada no Conselho Nacional do Ministério Público, o chamado PIC, sigla de Procedimento de Investigação Criminal, pelo qual passou a abrir inquéritos para atuar nos casos de maior repercussão.

 

O problema é que a norma que instituiu o PIC passava por cima do que diz a Constituição, que define com clareza o papel de cada instituição no sistema penal: polícia investiga, procurador denuncia e juiz julga. Em 2013, no entanto, aproveitando-se da difusa pauta que emergia da onda de protestos, promotores e procuradores se incorporaram às manifestações para bradar contra a corrupção e derrubar a emenda parlamentar, a PEC-37 que, redundante, propunha exatamente o que está na Constituição. Por pressão das ruas, a PEC, que afastaria o MP de investigações sobre corrupção se aprovada, acabou esmagada na Câmara dos Deputados por 430 votos a favor do arquivamento e 9 contra.

 

Diante do grande número de investigações baseadas na norma e da insegurança jurídica gerada, o STF se viu obrigado a analisar a validade dos PICs, questionado por mais de uma centena de ações que pediam sua anulação, sob o argumento de que era inconstitucional. No final, contra o que havia decidido a Constituinte de 1988, o STF acabou validando as investigações do MPF, consolidando também o interminável conflito com a PF em torno da prerrogativa de investigar. Do contrário, teria de anular dezenas de processos, alguns deles relacionados ao PCC.

 

Lacerda achava que, ao assumir investigações, o MPF usurparia uma atribuição histórica da polícia e perderia a isenção necessária para formular a denúncia. Havia também uma razão prática: um procurador, culturalmente habituado a pedir e analisar inquéritos, não tem experiência em investigação de rua nem a sagacidade inerente ao policial e, portanto, poderia cometer equívocos ou ser levado na lábia.

 

O acordo de delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS, que corre o risco de ser anulado, parece dar razão ao delegado. Além disso, o novo papel impôs ao MPF um ônus moral, com sérias suspeitas de envolvimento com corrupção na medida em que integrantes da instituição se viram obrigados a botar o pé na lama. O caso mais visível está no noticiário e ainda renderá: estrategista dos acordos de delação, o ex-procurador Marcelo Miller, um dos braços do ex-PGR Rodrigo Janot, acusado de ter mudado de lado e de receber dinheiro da JBS enquanto ainda estava ligado ao MPF, é agora réu acusado de corrupção.

 

O protagonismo sobre a Lava Jato deu ao MPF poderes jamais alcançados pela instituição. Só agora, quatro anos depois, é que o STF centrou foco na análise da principal ferramenta das investigações, a delação, base principal de uma infinidade de prisões e de condenações. A Segunda Turma do STF já rejeitou a colaboração premiada de réus como fundamento exclusivo para condenação, entendimento que poderá favorecer Lula, condenado a 12 anos e um mês pela delação do empresário Léo Pinheiro, ex-dirigente da OAS.

 

O roteiro seguido pelos investigadores no caso do tríplex, segundo o delegado, revela que a intenção de desconstruir Lula politicamente foi mais forte do que o combate a corrupção. “Foram com sangue na boca. A ideia era tirar Lula do processo eleitoral. Para julgá-lo rapidamente, o tribunal furou a fila. Antes do processo do tríplex, havia mais de cem casos esperando para entrar na pauta”, diz Lacerda.

 

Mesmo considerando que o ex-presidente tenha cometido algum delito, o delegado afirma que a pena e a prisão são desproporcionais: “A base da condenação é frágil. O máximo que o Lula poderia pegar seria uma pena alternativa, como distribuição de cestas de alimentos à comunidade, ou uma prisão domiciliar”. [Transcrevi trechos]

30
Jun18

Xadrez de Fachin e da JBS

Talis Andrade

JBS bancou candidatura de Fachin a ministro do STF. Pagou 30 milhões para os senadores

 

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por Luis Nassif
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Peça 1 – as dúvidas sobre Fachin e a Lava Jato. 

 

No artigo “Fachin comete suicídio de reputação” mostro os incríveis malabarismos do Ministro Luiz Edson Fachin e e a subordinação total à Lava Jato, despertando críticas generalizadas de políticos e jornalistas.

 

1. O voto de Rosa Weber sobre prisão após sentença em segunda instância que julgava especificamente o caso Lula. Todos os juristas citados eram familiares a Fachin, e nenhum anteriormente havia sido citado nos votos de Weber.

 

2. A retirada de pauta do HC de Lula no julgamento da 2a Turma, de forma canhestramente combinada com o TRF4.

 

3. A remessa do novo julgamento de HC de Lula para plenário, evitando assim que entrasse na pauta da 2a Turma, quando tudo indicava que a tese da libertação seria vitoriosa, e postergando ainda mais o julgamento.

 

3. Ontem, no julgamento de José Dirceu, o pedido de vista depois que a libertação havia conquistado maioria.

 

4. Votou a favor da decisão absurda de um juiz de 1a Instância, de ordenar busca e apreensão no apartamento funcional de uma Senadora da República.

 

É uma submissão tão ostensiva à Lava Jato que ensejou um conjunto de dúvidas. O artigo é inconclusivo: “Tem-se uma certeza e uma incógnita. A certeza é quanto ao suicídio de reputação perpetrado por Fachin; a incógnita é quanto aos motivos”.

 

No artigo, mostramos vídeo de apoio de Fachin à candidatura Dilma Rousseff em 2014.

 

Peça 2 – Fachin em relação à JBS


Já em relação à JBS, as decisões do Ministro têm sido confusas.

 

O PGR Rodrigo Janot acerta um acordo de delação com a JBS. O acordo é fechado em tempo recorde e aprovado por Fachin em decisão monocrática, sem submetê-lo ao pleno e sem se debruçar sobre as provas apresentadas.


Fachin foi acusado de beneficiar a JBS indevidamente. Primeiro, por assumir a investigação na condição de relator da Lava Jato. O caso nada tinha a ver com a Lava Jato. Depois, pela rapidez com que homologou o acordo, sem aprofundar em nada a investigação. Finalmente, pela extensão dos benefícios concedidos, que incluiu até uma anistia geral aos delatores, benefício inédito na história da Lava Jato. Nem Alberto Yousseff nem Marcelo Odebrecht mereceram privilégio semelhante. E logo ele, que se notabilizaria como o mais contundente defensor do punitivismo no Supremo.


A perícia da Polícia Federal expôs de forma contundente a pressa tanto do PGR Rodrigo Janot quanto de Fachin, ao identificar os trechos de conversas gravadas inadvertidamente entre os delatores. Fachin não teve outra alternativa que não a de decretar a prisão dos delatores, entre os quais, a do advogado Ricardo Saur.


A nova PGR propõe a anulação do acordo com a JBS – sem perda das provas levantadas. Fachin atende ao pleito dos advogados da JBS e leva a questão da anulação ou não da delação ao pleno do Supremo.


Peça 3 – JBS e a indicação de Fachin


Fachin havia se notabilizado como advogado do MST (Movimento dos Sem Terra). Havia dúvidas se o Supremo aprovaria a indicação, devido à forte influência da bancada ruralista. Fachin tinha contra si o presidente do Senado, Renan Calheiros, o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) e o PSDB inteiro, além dos ruralistas.

 

Sua aprovação foi creditada à pressão do governo Dilma sobre os senadores. Curiosamente, na mesma sessão o Senado derrotou o governo rejeitando a indicação de um diplomata para ser embaixador na Organização dos Estados Americanos (OEA). Era óbvio que, se tivesse poder, o governo Dilma teria conseguido as duas indicações.

 

Com o tempo, vazou a informação de que a candidatura de Fachin foi bancada pela JBS. O advogado Ricardo Saur visitou diversos gabinetes de senadores acompanhado de Fachin.

 

Duas questões saltam à vista:

 

Os métodos da JBS sempre incluíram financiamento de campanha aos políticos cooptados.


Certamente o que motivou a JBS não foram os reconhecidos conhecimentos jurídicos de Fachin. É óbvio que havia uma promessa de contrapartida futura. Era questão de tempo para a JBS entrar no olho do furacão.


Peça 4 – as hipóteses em jogo


Juntando todas as peças, chega-se à seguinte teoria do fato, isto é, a uma narrativa que pode explicar esse conjunto de fatores. É o método com o qual a Lava Jato trabalha. Não se trata de uma versão definitiva, mas de uma hipótese de trabalho, que poderá ser confirmada ou desmentida na medida em que novos fatos apareçam.

 

A suspeita é de que a JBS ofereceu apoio financeiro aos senadores, para obter seu apoio. Nos corredores do Supremo, fala-se que investiu até R$ 30 milhões na candidatura de Fachin.


O acordo teria sido identificado pela Lava Jato e pela própria Procuradoria Geral da República.


Fachin teria ficado refém de ambos, da Lava Jato e da JBS. Nos casos em que não houve conflito entre eles – no episódio da delação – tomou decisões rápidas e surpreendentes que atendiam às duas pontas. Na proposta de anulação da delação, comportou-se como Pilatos. Se ficasse a favor da anulação, se exporia às represálias da JBS. Se a favor da manutenção do acordo, reforçaria as hipóteses de subordinação à JBS. Por isso, remeteu a decisão ao plenário.


Em qualquer hipótese, tem-se um Ministro vulnerável, refém do seu passado recente.

 

 

28
Jun18

Segundo herói da Lava Jato denunciado por corrupção de 700 mil de vantagens indevidas. Outros estão na agulha

Talis Andrade

joesley marcello.jpg

 

 

A  Lava Jato se transformou em uma máquina de fazer dinheiro. Advogados estão ganhando milhões com delações mais do que premiadas. O advogado que mais negociou delações foi acusado de cobrar mesada de doleiros. Outro doleiro denunciou o sócio da banca de advocacia de Rosangela Moro de cobrar 5 milhões de dólares para dar um jeitinho em um processo que investiga a corrupção do governo Beto Richa, tucano de estimação da corriola de Curitiba.

 

A Justiça Federal do Distrito Federal aceitou denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal contra o ex-procurador da República Marcello Miller e o empresário Joesley Batista.

 

Miller (vide link) é acusado receber oferta de vantagem indevida de R$ 700 mil para ajudar o J&F (grupo do qual a JBS faz parte) a obter informações para fechar acordo de delação premiada. Segundo a acusação, Joesley Batista e o ex-diretor jurídico da JBS Francisco de Assis e Silva ofereceram promessa de vantagem indevida a Miller e à advogada Esther Flesch "para que o primeiro, ainda que potencialmente, praticasse atos de ofícios em seu favor".

 

A advogada Esther Flesch e o ex-diretor também se tornaram réus.

 

O primeiro bandido herói denunciado foi o japonês da Federal, Newton Ishii, envolvido com contrabando e outros crimes.  Inclusive venda de informações secretas. 

 

Disse o exemplar policial, preso e solto, e perdoado, que togado e polícia possuem anistia antecipada para todos os crimes: A Lava Jato “diminuiu a cultura do país de achar que é melhor levar vantagem em tudo.” Piada do japa bonzinho

 

 

 

31
Mai18

Deputados e senadores sem rabo preso vão investigar a rendosa indústria das delações mais do que premiadas

Talis Andrade

1 promotores.jpg

 

 

 

CPI da Indústria das Delações ganhou fôlego, nas últimas semanas, com a divulgação de áudios em que Joesley Batista detalha a participação do então procurador Marcello Miller nas negociações de sua delação.

 

Para Paulo Pimenta, esses áudios revelaram ao público um modus operandi de um processo do qual já se suspeitava há tempos. “Delatores e investigadores da Polícia Federal e Ministério Público Federal acabam estabelecendo parcerias não republicanas, escritórios envolvidos, esse modus operandi tem que ser investigado e esclarecido”, afirmou o deputado.

 

“Nós dois temos que operar o Marcello (Miller) direitinho pra chegar no Janot e pá. Tã tã tã”, afirmou Joesley a Ricardo Saud, ex-diretor da J&F, em um dos áudios divulgados.

 

Ex-braço direito de Janot se nega a explicar milh

 

 

Para Wadih Damous, esse padrão de delação ocorre em outras investigações. “A relação que se estabelece entre investigadores e delatores é algo que deve ser investigado”, disse Damous. ­­­Segundo ele, há indícios de coação, e promessas a partir do acordo que não têm previsão legal. “Muitas vezes os investigadores, sobretudo os de Curitiba fazem promessas para conseguirem delações das quais a lei não autoriza que sejam feitas”.

 

“E eu não entendo porque alguns senadores não querem investigar esses procedimentos de delação, não querem que procuradores da República venham depor aqui”, acrescentou. Segundo Damous, alguns desses senadores são árduos defensores do combate à corrupção, mas não querem esclarecer esses procedimentos que podem, inclusive, gerar nulidade nas investigações.

 

“Acaba fazendo que a palavra de um delator, que fez uma parceria mal explicada com um procurador ou um juiz, sirva para condenações, como já assistimos”, afirmou Pimenta, lembrando da fragilidade dessas provas baseadas apenas em delações.

 

“Não podemos ter no País a condição de que determinados procedimentos estejam fora da lei. Essas gravações revelaram como verdadeiras, suspeitas, que tratativas ocorrem, e estão fora da lei, e que, de fato, devem ser investigadas”, concluiu.

19
Mai18

Os novos ricos da Lava Jato

Talis Andrade

Operação produz uma nova casta de milionários: os advogados criminalistas pagos a peso de ouro para livrar das grades os poderosos acusados de corrupção

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