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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

12
Jun22

Quem fala é o ministro ou o general?

Talis Andrade

 

por Fernando Brito

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Quem é que está falando grosso com os ministros do TSE, o ministro ou o general Paulo Sérgio Oliveira?

Fala em nome do Governo ou das Forças Armadas, como “instituições permanentes”, como as define a Constituição Brasileira?

Num regime que permite a reeleição, o presidente da República, candidato, é parte no processo eleitoral. Seus direitos não são diferentes daqueles que têm os demais candidatos, sejam eles Lula, Tebet, Ciro ou até o tal André Janones.

Algum deles poderia exigir que o Exército montasse uma “apuração paralela” dos votos? Algum deles poderia determinar ao Ministro da Defesa que enviasse ofícios malcriados ao presidente do TSE?

O que é diferente é a responsabilidade que deveria ter em não aproximar-se, na condição de presidente, da ações de Estado relativas ao processo eleitoral. Exatamente o contrário do que faz.

Jair Bolsonaro deixa repetidamente claro o que deseja: que um sistema militar de apuração dos votos diga quem venceu as eleições. É esta a grande suspeita que poderia cair sobre as eleições: ver as Forças Armadas colocadas em posição de serem vistas como “fraudadoras oficiais” do processo eleitoral, papel que não merecem, é evidente.

Mas, de outra parte, porque somos forçados a acreditar que não o seriam? A sua, literalmente, força armada? A insuspeição de um governo entulhado de militares, que beneficia militares e que os transforma em “correligionários”, como se fossem o seu partido político?

Temos um presidente-candidato que caminha por toda parte levando um general, oficialmente “assessor” mas, na prática, ministro da Defesa de fato, Braga Netto, que o acompanha como uma ave soturna, que não fala, não debate, não opina, como competiria ao candidato a vice-presidente que é. Mas manda e, sobretudo, mapeia lealdades dentre as Armas.

Quem aos regulamentos militares for fiel é “degolável”, com o foram o ex-ministro Fernando Azevedo Silva, por não querer colocar o Exército na rua para abrir o comércio na pandemia ou o ex-comandante Edson Leal Pujol, por não querer ceder os quartéis como palanques de comício.

Não adianta ser “bonzinho” e dizer: “olha, não fale dos militares, porque senão eles podem dar um golpe”. Não é isso que o evita e, talvez, nem mesmo falar com a lealdade e o respeito que merecem as Forças Armadas brasileiras.

Este vergonhoso e crítico protagonizado pelo ministro e pelo presidente da República, porém, deveria nos dar uma lição: a de que o Ministério da Defesa deve ser, obrigatoriamente, ocupado por um civil que, por isso, deixe claro que não representa os militares em política partidária ou eleitoral.

Até porque o lugar de ministro é, de fato, civil e político, cuja designação da chefia pertence exclusivamente ao Presidente da República, outro que, necessariamente, é político e civil.

Minha geração cresceu e tornou-se adulta ouvindo advertências militares contra a “baderna”. É ilógico que possamos ver sem choque que a ação de militares prepare o terreno de baderna semelhante – e criminosa – como a que ocorreu com “modelo” de Bolsonaro, Donald Trump.

A figura caricatural do gorila nos discursos da esquerda

ImageGeneral gorila defende Golpe Militar e Ditadura contra aos trabalhadores  brasileiros – Voz Operária

 

 

 

27
Jan22

Bolsonaro revoga decretos de luto oficial por dom Helder Câmara e frei Damião e mantém os de Figueiredo e Geisel

Talis Andrade

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A vingança contra o "Bispo Vermelho" e o Santo dos Retirantes Nordestinos 
 
 
O governo Bolsonaro revogou 35 decretos de pesar editados por seus antecessores, sob alegação de anular normas "cuja eficácia ou validade encontra-se completamente prejudicada". Assim, cancelou os lutos oficiais por católicos dom Helder Câmara e frei Damião. Entretanto, manteve os decretos de luto pelos ex-presidentes militares Ernesto Geisel e João Figueiredo.
 
Nos decretos, a raiva do adorador da tortura contra o "Bispo Vermelho", perseguido pela ditadura militar de 64, e frei Damião dos pobres retirantes do Nordeste que votaram contra Bolsonaro em 2018 e votarão em Lula presidente este ano, no dia 2 de outubro, para uma vitória no primeiro turno.
 
O ódio do admirador do coronel Ustra, mestre da tortura promovido a marechal, e do major Curió, tem seus malignos motivos. 
 
Escreveu Vinícius Sobreira"O arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, que foi ordenado padre por Dom Hélder, o considera “um homem à frente do seu tempo, um verdadeiro profeta”. E relacionando com o momento pelo qual o Brasil passa, Dom Saburido acredita que, caso estivesse vivo, Dom Hélder “estaria sofrendo com esse momento pelo qual o País passa”.
 

O monge beneditino Marcelo Barros resgata que Dom Hélder foi arcebispo de Olinda e Recife justamente durante os 21 anos da ditadura militar e, na opinião dele, vivemos um contexto similar ao implementado em 1964. “Nos tempos atuais eles não precisarem mais de militares nas ruas para dar um golpe institucional, mas hoje vivemos uma espécie de ditadura, uma ditadura no sentido mais profundo, de desrespeito aos direitos fundamentais das pessoas. Vemos o absoluto desprezo aos instrumentos democráticos e principalmente a tudo aquilo que representa uma ordem social de proteção dos mais frágeis e empobrecidos”, opina.

Marcelo Barros relaciona ainda as posturas de Dom Hélder com a do Papa Francisco. “A figura profética do Papa Francisco está, na medida do possível, puxando a Igreja Católica para uma atitude de protesto contra o capitalismo e para mostrar que a raiz de todos os males que vivemos no mundo é essa estrutura econômica e social que mata, que destrói, que assassina, que é imoral. E isso era a mensagem de Dom Helder”, avalia. Ao elogiar o Papa, o monge destaca que a admiração por Francisco deve se converter em ação. “É importante que essa figura do Papa não fique uma figura especial, que todo mundo admira, mas que é isolada. Nos inspirando nele devemos conseguir gritar que nós fazemos parte dessa profecia do Papa Francisco”.

 O governo militar de Bolsonaro justifica:

"Trata-se de decretos já exauridos, que tiveram efeitos por determinado período [de luto]", disse à Folha de S.Paulo a Secretaria-Geral da Presidência. Entretanto, integrantes de gestões anteriores da SAJ (Subchefia de Assuntos Jurídicos) ouvidos em caráter reservado pela reportagem do jornal afirmaram não ver sentido no cancelamento de decretos de pesar. A subchefia é a estrutura que faz a revisão final dos atos publicados no "Diário Oficial" da União.

A revogação de decretos de pesar no governo Bolsonaro não teve tratamento igualitário para todas as autoridades e personalidades que receberam a honraria oficial nos últimos anos.

Em um mesmo período de tempo, foram anulados decretos de luto para determinadas pessoas, enquanto a de outras foram mantidos.
 
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24
Nov20

Como jornalistas reagiram a ataques da ultradireita em outros tempos e lugares

Talis Andrade

Gênero Textual Charge - Toda Matéria em 2020 | Críticas sociais, Henfil,  Desenho de contorno

Os ataques que Manuela e Boulos estão sofrendo da turma do Gabinete do Ódio, dos movimentos da direita - TFP, KKK, MBL -, furiosos praticantes da teocracia, da xenofobia, do racismo, da antidemocracia, da misoginia, da homofobia, do femicídio, da supremacia branca, da crença em um Estado forte, lembram as campanhas da ditadura militar, do "Pra Frente Brasil", do "Ame-o ou Deixe-o. 

Imagem representativa do artigo

Que os eleitores de São Paulo e de Porto Alegre reajam nas urnas, pelo bem do Brasil. 

Patricia Campos Melo, jornalista da Folha de S. Paulo foi atacada por uma testemunha que mentiu na CPI das fake news, e agredida em seguida pelo presidente Bolsonaro e seu filho Eduardo Bolsonaro.

Cristina Serra comenta que a tática de desqualificar bons profissionais da imprensa com boa reputação é conhecida e está nos manuais da Ultradireita, e que o comportamento é feitio de governos ultradireitistas pelo mundo como na Hungria por Victor Orban, nos EUA, quando Trump parte com ofensas torpes contra jornalistas.

Cristina também analisa o comportamento das empresas de comunicação e dos jornalistas. As empresas seriam “Guedistas”? E qual seria o melhor comportamento dos jornalistas?

Cristina Serra lembra episódio de enfrentamento de jornalistas com o ex-presidente João Figueiredo, durante a Ditadura.

Fica a lição

 

 

 

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