Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

12
Jun18

Um rosário para quem enfrenta seu calvário

Talis Andrade

por Fernando Brito

---

 

O presente enviado pelo Papa Francisco ao ex-presidente Lula, um rosário com um cartão pontifício tem vários significados, que é melhor que os exegetas expliquem.

 

Alguns, porém, são óbvios.

 

O primeiro é o que de que não esmoreça em suas crenças, como o ato religioso de rezar as 150 orações exige perseverança.

 

O segundo é o de ser publicamente piedoso e compadecido do sofrimento que se impõe a alguém que é vítima do ódio por suas ideias e práticas.

 

Para quem sabe ler, o recado está escrito no brasão pontifício, escolhido pelo próprio Francisco, impresso no cartão que acompanha o ícone: miserando atque eligendo.

grabois rosário do papa .jpg

 

 

Segundo o Vaticano, o sentido é o de que um sentimento de amor fez Jesus escolher Mateus como discípulo. Miserando atque eligendo (Viu Jesus um publicano e dado que olhou para ele com sentimento de amor e o escolheu, disse-lhe: Segue-me).

 

Nada isso, porém, adianta frente aos algozes de Lula. A visita, agendada previamente, do consultor do Vaticano e colaborador de Francisco, Juan Grabois, foi impedida, como antes já haviam sido impedidos Leonerdo Boff e o Prêmio Nobel da Paz Adolfo Peres Esquivel.

 

Fiquemos nós aqui, no campo da interpretação política.

 

O ato de intolerância só vai fazer com que aumente a solidariedade papal ao ex-presidente.

 

O calvário de Lula será a danação dos fariseus.

 

19
Mai18

Papa Francisco/ Chega a justiça condena, e no fim faz-se o golpe de Estado

Talis Andrade

papa.jpg

 

 

Com a técnica da «unidade fingida» engana-se desde sempre o povo para fazer, ainda hoje, golpes de Estado, condenar os justos — a começar por Jesus — mas também para destruir a vida nas comunidades cristãs, eliminando as pessoas com bisbilhotices. Eis a «atitude assassina» contra a qual o Papa alertou na missa celebrada a 17 de maio em Santa Marta, voltando a propor a essência da verdadeira unidade testemunhada por Cristo na sua oração ao Pai: «para que todos sejam um».

 

É sempre «o mesmo: criam-se condições obscuras, “nebulosas”, para condenar uma pessoa». Sim, «depois aquela unidade» construída acaba por se dissolver; entretanto «a pessoa é condenada».

 

«Até hoje este método é muito usado», alertou o Papa. «Por exemplo, na vida civil e política, quando se quer fazer um golpe de Estado, os mass media começam a falar mal das pessoas, dos dirigentes e, com a calúnia e a difamação, mancham-nos. Depois chega a justiça, condena-os e no fim faz-se o golpe de Estado. É um sistema entre os mais vergonhosos». Leia Contra o veneno da maledicência

 

 

nani prisao papa .jpg

 

 

15
Mai18

Como lidar cada dia com uma indignação imensa contra os bandidos responsáveis por essa armação política da qual sou vítima e ao mesmo tempo sem dar lugar ao ódio

Talis Andrade

Passei oito anos na presidência. Nunca me permiti ir com Marisa a um restaurante de luxo, nunca fiz visitas de diplomacia na casa de ninguém... Fiquei ali trabalhando sem parar quase noite e dia... E agora esses moleques vêm me chamar de ladrão

 

marcelo barros.jpg

Meu encontro com Lula na prisão
Por Marcelo Barros, monge beneditino

 

Desde que a justiça liberou visitas religiosas, fui o segundo a ter graça de visitar o presidente Lula em sua prisão. (Quem abriu a fila foi Leonardo Boff na segunda-feira passada).



Eram exatamente 16 horas quando cheguei na dependência da Polícia Federal onde o presidente está aprisionado. Encontrei-o sentado na mesa devorando alguns livros, entre os quais vários de espiritualidade, levados por Leonardo.

 

Cumprimentou-me. Entreguei as muitas cartas e mensagens que levei, algumas com fotografias. (Mensagem do Seminário Fé e Política, de um núcleo do Congresso do Povo na periferia do Recife, da ASA (Articulação do Semi-árido de Pernambuco) e de muitos amigos e amigas que mandaram mensagens.

 

Ele olhou uma a uma com atenção e curiosidade. E depois concluiu:


- De saúde, estou bem, sereno e firme no que é meu projeto de vida que é servir ao povo brasileiro como atualmente tenho consciência de que eu posso e devo. Você veio me trazer um apoio espiritual. E o que eu preciso é como lidar cada dia com uma indignação imensa contra os bandidos responsáveis por essa armação política da qual sou vítima e ao mesmo tempo sem dar lugar ao ódio.

 

Respondi que, nos tempos do Nazismo, Etty Hillesum, jovem judia, condenada à morte, esperava a hora da execução em um campo de concentração. E, naquela situação, ela escreveu em seu diário:

 

“Eles podem roubar tudo de nós, menos nossa humanidade. Nunca poderemos permitir que eles façam de nós cópias de si mesmos, prisioneiros do ódio e da intolerância”.

Vi que ele me escutava com atenção e acolhida. E ele começou a me contar a história de sua infância. Contou como, depois de se separar do marido, dona Lindu saiu do sertão de Pernambuco em um pau de arara com todos os filhos, dos quais ele (Lula) com cinco anos e uma menina com dois.

 

Lembrou que quando era menino, por um tempo, ajudava o tio em uma venda. E queria provar um chiclete americano que tinha aparecido naqueles anos. Assim como na feira, queria experimentar uma maçã argentina que nunca havia provado. No entanto, nunca provou nem uma coisa nem outra para não envergonhar a mãe.

 

E aí ele prosseguia com lágrimas nos olhos: "Agora esses moleques vêm me chamar de ladrão. Eu passei oito anos na presidência. Nunca me permiti ir com Marisa a um restaurante de luxo, nunca fiz visitas de diplomacia na casa de ninguém... Fiquei ali trabalhando sem parar quase noite e dia... E agora, os caras me tratam dessa maneira..."

Eu também estava emocionado. O que pude responder foi:


- O senhor sabe que as pessoas conscientes, o povo organizado em movimentos sociais no Brasil inteiro acreditam na sua inocência e sofrem com a injustiça que lhe fizeram. Na Bíblia, há uma figura que se chama o Servo Sofredor de Deus que se torna instrumento de libertação de todos a partir do seu sofrimento pessoal. Penso que o senhor encarna hoje, no Brasil essa missão.

 

Comecei a falar da situação da região onde ele nasceu e lhe dei a notícia de que a ASA (Articulação do Semi-árido) e outros organismos sociais estão planejando um grande evento para o dia 13 de junho em Caetés, a cidadezinha natal dele. Chamar-se-á “Caravana do Semi-árido pela Vida e pela Democracia" (contra a Fome – atualmente de novo presente na região – e por Lula livre).

 

A partir daquela manifestação, três ônibus sairão em uma caravana de Caetés a Curitiba para ir conversando com a população por cada dia por onde passará até chegar em Curitiba e fazer uma festa de São João Nordestino em frente à Polícia Federal.

 

Ele riu, se interessou e me pediu que gravasse um pen-drive com músicas de cantores de Pernambuco, dos quais ele gosta. Música de qualidade e que não estão no circuito comercial.
Vergonha. Nunca tinha ouvido falar de nenhum e nem onde encontrar. Ele me disse que me mandaria os nomes pelo advogado e eu prometi que gravaria.

 

Distenção feita, ele quis me mostrar uma fotografia na parede na qual ele juntou os netos. Explicou quem é cada um/uma e a sua bisneta de dois anos (como parece com dona Marisa, meu Deus!).

 

Começou a falar mais da família e especialmente lembrou um irmão que está com câncer. Isso o fez lembrar que quando Dona Lindu faleceu, ele estava na prisão e o Coronel Tuma permitiu que ele saísse da prisão e com dois guardas fosse ao sepultamento da mãe. No cemitério, havia uma pequena multidão de companheiros que não queriam deixar que ele voltasse preso. Ele teve de sair do carro da polícia e falar com eles pedindo para que deixassem que ele cumprisse o que tinha sido acertado. E assim voltou à prisão.

 

A hora da visita se passou rápido. Perguntei que recado ele queria mandar para a Vigília do Acampamento e para as pessoas às quais estou ligado.

 

Ele respondeu:


- Diga que estou sereno, embora indignado com a injustiça sofrida. Mas, se eu desistir da campanha, de certa forma estou reconhecendo que tenho culpa. Nunca farei isso. Vou até o fim. Creio que na realidade atual brasileira, tenho condições de ajudar o Brasil a voltar a ser um país mais justo e a lutar para que, juntos, construamos um mundo no qual todos tenham direitos iguais.



Para concluir a visita, propus ler um texto do evangelho e ele aceitou.

 

Li o evangelho do próximo domingo – festa de Pentecostes e apliquei a ele – os discípulos que estão em uma sala fechada, Jesus que se deixa ver, mesmo para além das paredes que fechavam a sala. E deu aos seus a paz, a alegria e a capacidade de perdoar no sentido de discernir o julgamento de Deus sobre o mundo. E soprando sobre eles lhes deu a vida nova do Espírito.

 

Segurei em suas mãos e disse: Creio profundamente que isso se renova hoje com você.

 

Vi que ele estava emocionado. Eu também fiquei. Abri o pequeno estojo e lhe mostrei a hóstia consagrada que lhe tinha trazido da eucaristia celebrada na véspera. Oramos juntos e de mãos dadas o Pai Nosso.

 

Eu tinha trazido duas hóstias. Eu lhe dei a comunhão e ele me deu também para ser verdadeiramente comunhão.

 

Em um instante, eram vocês todos/as que estavam ali naquele momento celebrativo e eu disse a ele: “Como uma alma só, uma espécie de espírito coletivo, muita gente – muitos companheiros e companheiras estão aqui conosco e estão em comunhão e essa comunhão eucarística representa isso.

 

Eu lhe dei a bênção e pedi a bênção dele para todos vocês.

 

Foi isso.

 

Quando o policial que me foi buscar me levou para fora e a porta se fechou atrás de mim, me deu a sensação profunda de algo diferente.

 

Senti como se eu tivesse saído de um espaço de liberdade espiritual e tivesse entrando na cela engradeada do mundo que queremos transformar.

 

Que o Espírito de Deus que a celebração desses dias invoca sobre nós e sobre o mundo nos mergulhe no amor e nos dê a liberdade interior para irmos além de todas essas grades que aprisionam o mundo.

 

Marcelo Barros, monge beneditino

31
Mar18

Por que os primeiros cristãos não gostavam da imagem de Jesus crucificado

Talis Andrade

Nas catacumbas romanas, ele aparece na imagem do Bom Pastor, ou celebrando a Última Ceia com os apóstolos. Nunca morto

 

A Igreja do poder nunca se incomodou com o Jesus morto. Temeu mais ao Jesus vivo e encarnadoCristo crucificado.jpg

Imagem de Cristo em uma procissão na Espanha AP

 

 

por Juan Arias

 

A imagem de Jesus crucificado só começou a ser venerada séculos depois da morte dele, e foi o Concílio de Niceia, no ano 325, que autorizou oficialmente a imagem do crucifixo tal como o usamos hoje. Os seguidores dos primeiros séculos do cristianismo se envergonhavam de uma imagem que lhes recordava a morte atroz que os romanos infligiam aos grandes criminosos.


Desde que Paulo de Tarso declarou que “se Cristo não ressuscitou [...] é vã a nossa fé” (I Coríntios, 15), interessava aos cristãos o Jesus ressuscitado, não o sacrificado em uma madeira, como um assassino qualquer. Daí que nos primeiros séculos do cristianismo não existissem pinturas nem esculturas de Jesus crucificado, só um Cristo glorioso. Leia mais 

 

Na verdade, se fez política e até mesmo drama com a crucificação para fomentar-se a teologia da cruz e do pecado, em detrimento da teologia da ressurreição e da esperança.

 

Para a Teologia da Libertação, por exemplo, a crucificação é o símbolo de todos os torturados e assassinados injustamente na história da humanidade, e a ressurreição é a grande esperança de todos os excluídos. Essa teologia, tão enraizada na América Latina, tentou ser uma volta ao cristianismo primitivo, no qual se destacava a imagem do Bom Pastor em vez da do crucificado. Entretanto, a Igreja, que até o papa Francisco ainda se revestia com os símbolos do poder dos imperadores romanos, preferiu inculcar a teologia do medo do inferno.

 

A Igreja do poder nunca se incomodou com o Jesus morto. Temeu mais ao Jesus vivo e encarnado, solidário com essa parte da humanidade que, como nos tempos do profeta crucificado, sempre acaba abandonada à própria sorte.

 

18
Jan18

“Se não amam a vossa pátria, não podem amar a Jesus” - Papa Francisco aos jovens

Talis Andrade

pap.jpg

 

 

O Papa desafiou hoje no Chile os jovens a serem “protagonistas de futuro” para o seu país, para a Igreja e para o mundo, rejeitando o conformismo que faz estar ‘desligado’ de tudo e de todos.

 

“Se não amam a vossa pátria, não podem amar a Jesus”, disse Francisco, que pediu aos jovens que encheram o santuário para que não escutem as vozes daqueles que, já “mais velhos”, deixaram de acreditar num mundo diferente, num mundo melhor.


“Aqueles que dizem ‘pensa assim porque é jovem, vai amadurecer, vai-se corromper’. E isto muitas vezes é verdade, acontece, reconheceu o Papa.


“Mas amadurecer é crescer, é fazer crescer os sonhos, os ideais. E não deixar-se comprar por dois tostões. Os grandes, quando pensam assim estão enganados.

 

 

Amadurecer não é aceitar a injustiça, porque sempre foi assim. Isso é corrupção. Amadurecer é debater ideias, discutir realidades, sem nunca baixar a guarda”, exortou.

cl_mercurio.750.jpg

 

16
Jan18

Existe outra justiça: a que exige que todo o homem seja tratado como homem

Talis Andrade

cl_ultimas_noticias.750.jpg

 

 

Jesus, quando diz bem-aventurado o pobre, o que chorou, o aflito, o que sofre, o que perdoou…, vem extirpar a imobilidade paralisadora de quem pensa que as coisas não podem mudar, de quem deixou de crer no poder transformador de Deus Pai e nos seus irmãos, especialmente nos seus irmãos mais frágeis, nos seus irmãos descartados. Jesus, quando proclama as Bem-aventuranças, vem sacudir aquela prostração negativa chamada resignação que nos faz crer que se pode viver melhor, se evitarmos os problemas, se fugirmos dos outros, se nos escondermos ou fecharmos nas nossas comodidades, se nos adormentarmos num consumismo tranquilizador (cf. Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 2). Aquela resignação que nos leva a isolar-nos de todos, a dividir-nos, a separar-nos, a fazer-nos cegos perante a vida e o sofrimento dos outros.

 

NA ÍNTEGRA. Homilia do Papa em Missa no Parque O'Higgins, em Santiago, Chile 

15
Jan18

Jesus cura

Talis Andrade

Para rezar de verdade, o cristão precisa de «coragem» porque, fortalecido na sua fé, deve chegar até a desafiar o Senhor, encontrando sempre o modo de superar as inevitáveis «dificuldades» sem duvidar. Foi uma verdadeira averiguação sobre o estilo de oração de cada um, que o Papa sugeriu na missa celebrada na manhã de 12 de janeiro em Santa Marta. A inspiração para a homilia foi a atitude do leproso e do paralítico que pedem a Jesus para ser curados, como narra o Evangelho de Marcos.

 

«A liturgia de hoje faz ouvir este trecho do Evangelho, que é uma cura: Jesus cura», observou Francisco, referindo-se ao trecho (2, 1-12) onde se narra, precisamente, a cura do paralítico. Mas também a liturgia do dia precedente tinha proposto «outra cura»: a do leproso, citada sempre por Marcos (1, 40-45). São duas curas, acrescentou, «por solicitação da pessoa doente: ambos pediram ao Senhor para os curar».

 

«Isto faz-nos pensar — explicou o Papa — como é a oração para pedir algo ao Senhor no Evangelho, como rezam as pessoas que alcançaram o que pediram». No trecho proposto no dia 11 pela liturgia «foi muito simples: um leproso foi ter com Jesus, fitou-o e disse-lhe: “Se quiseres, podes purificar-me”». Em síntese, «desafiou-o: se quiseres, podes». E «a resposta de Jesus é imediata: “quero, sê purificado”».

 

Portanto, insistiu Francisco, «este homem mostra-nos que para pedir algo ao Senhor é preciso ter fé». E o leproso diante de Jesus «tinha fé, era corajoso, desafia-o: se quiseres, podes; se não me curares, é porque não o queres». Diz «tudo claramente, mas tinha fé, e a verdadeira oração nasce desta fé».

 

 

10
Dez17

O CARPINTEIRO

Talis Andrade

jesus-in-the-carpenter.jpg

 

 

Como reconhecer

o Filho do Homem

se em Jerusalém

era considerado

um curandeiro  

 

Em Nazaré

não realizou

nenhum  feito

que justificasse

a fama de milagreiro  

 

Os conterrâneos

indagaram

- Não é este o carpinteiro

filho de Maria

Não vivem aqui

irmãs e irmãos 
 


02
Out17

Para a direita mulher nua pode, homem não (segunda parte)

Talis Andrade

“Isaías, tira a roupa feia de profeta que usas e passa os próximos três anos andando nu”— foi a ordem do Absoluto. De Deus.


Por três anos Isaías passou a ser um atentado ao pudor e dele faziam pouco caso os conservadores do MBL da época.

 

Isaías era desprezado e odiado por denunciar o comportamento dos ricos e latifundiários, dos que vivem em grandes festas custeadas pelo trabalho dos pobres, dos que exploram o povo negando-lhe a justiça e dos que se fazem grandes e importantes vivendo em grandes banquetes (5:8-24).

 

Ai daqueles que juntam casa com casa e emendam campo a campo, até que não sobre mais espaço e sejam os únicos a habitarem no meio do país. (5:8)

 

Pode-se afirmar que Isaías é o profeta que mais fala sobre a vinda do Messias, descrevendo-o ao mesmo tempo como um "servo sofredor" que morreria pelos pecados da humanidade:

 

"Mas Ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados". (Is 53:5)

 

Cellini_cristo..jpg

Crucifix, in Monasterio de San Lorenzo, El Escorial, por Benvenuto Cellini, 1562 

 

No meu poema O Crucificado, rezo:

 

Agora entendo, Senhor,
a imensa e eterna solidão
de quem está preso
à árvore da desolação.
Agora entendo
o terror dos pregos
fixando os teus pés
de andarilho,
o terror dos pregos
lancinando a carne.
Agora entendo o ultraje
de cobrirem tua nudez
com um manto escarlate,
ornamento e cor
privativos dos césares
nas reuniões solenes.
Agora entendo
a humilhação, a dor
dos espinhos ferindo
tua fronte
que não faz sete dias
quiseram coroar.

 

Transcrevi trechos. Leia mais 

 

Escreve padre Otoniel Palácio: Após ter defendido, durante algum tempo, a tese de que Jesus foi crucificado vestido do "subligaculum", não pude deixar de considerar a opinião de todos os antigos escritores da Igreja. Todos falam de "nudus, nudita, gymnos, gymnesthai - nu, nudez, nu, ser desnudado". O grande pregador João Crisóstomo, por exemplo, escreve: " Ele foi conduzido nu à morte - epi to pathos efeto gymnos ", e "eistekeigymnos eis meso ton ochlon ekeinos - ficou nu no meio daquela multidão". Encontrei também um texto de Efrem, o Sírio, (Sermão VI sobre a Semana Santa) em que ele diz que o Sol se escondeu diante da nudez de Jesus. Em outra passagem escreve ele: " A luz dos astros se obscureceu porque fora completamente despido Aquele que veste todas as coisas". Eis aqui, finalmente, uma afirmação ainda mais conclusiva de JOão Crisóstomo. Ele diz que Jesus, antes de subir à cruz, despojou-se do velho homem tão facilmente como de suas vestimentas, e acrescenta: "Agora está ungido como os atletas que vão entrar no estádio" ( Homilia sobre a Epístola aos Colossenses ). Leia mais