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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

12
Jun21

Presidente entra em voo comercial no ES e ouve gritos de ‘genocida’, ‘fora genocida’

Talis Andrade

Presença do presidente Bolsonaro em voo comercial no Espírito Santo gerou confusão (Foto: Reprodução)

Presença do presidente Bolsonaro em voo comercial no Espírito Santo gerou confusão 

 

 

Mandatário respondeu ao protesto dizendo que quem grita 'fora, Bolsonaro' deveria andar de jegue

O presidente Jair Bolsonaro surpreendeu passageiros ao entrar, na tarde desta sexta-feira (11), num avião comercial que estava parado no aeroporto de Vitória, no Espírito Santo.

Alguns passageiros gritaram “fora, Bolsonaro” e o chamaram de genocida. Outros, o apoiaram com gritos de “mito”.

Após ser hostilizado, ainda dentro da aeronave, o presidente respondeu ao protesto.

“Quem fala ‘fora Bolsonaro’ deveria está de jegue viajando, não de avião. É ou não é? Para ser solidário com o candidato deles”, disse o presidente.

Reinaldo Azevedo
Na política, existem as mentiras que salvam e as que matam. Minha coluna na desta sexta.
As contadas por Bolsonaro ainda agridem instituições e ferem princípios civilizatórios

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O amor pelo “Mito” é como a eficácia da cloroquina contra a Covid: só existe “in vitro”, no tubo de ensaio da bolha. Ao entrar num avião, estava num organismo vivo, sem o controle da tropa. E aí foi o que se viu. E olhem que os muito pobres, que mais o rejeitam, nem estavam no avião.

jegue.jpgA resposta de Bolsonaro àqueles que protestaram - “deveriam andar de jegue, não de avião” - é preconceituosa: contra nordestinos pobres. O NE concentra o maior número desses animais. São usados na lavoura e como montaria. Sentido de sua fala: “Avião não é lugar para pobre”

sem destino.jpgO tal “Acelera pra Cristo” de Bolsonaro, a motociata, vai sortear uma motocicleta. É uma mistura de Cristo, motocicleta e programa de auditório. Tudo temperado pela imoralidade inata. Deve ser uma comemoração pelas 500 mil almas que a política homicida de Saúde já encomendou.

 STF acolhe o formalismo contra os fatos; povo à mercê do vírus e do verme. A Copa América — que será disputada no Brasil por decisão clara, explícita e confessa do governo federal — AUMENTA O RISCO DE DOENÇA. Na live de todas as quintas, já com a votação no Supremo definida,

mato no peito.jpgBolsonaro barbarizou como nunca, certo de que ninguém lhe põe mesmo limites. E aprendeu mais uma: pode fazer o diabo e até anunciar que fez. Basta não assinar nenhum papelucho e não será importunado pelo Supremo.

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12
Jun21

O avião, as motos e o jegue

Talis Andrade

Charge: O voo do jegue. Por Aroeira

 

por Fernando Brito

- - -

Jair Bolsonaro, “nem aí” para governar, está como se estivesse em reta final de campanha eleitoral.

Aproveita enquanto pode usar, e usa, a máquina pública para promover seu turismo eleitoral, provocativo e agressivo.

Confia em que haverá, além das falanges fascistóides e orgulhosas de de sua ignorância, uma maioria que adira, outra vez, por manipulação e preconceito, ao “candidato do jegue”, como se referiu ontem a Lula, ao invadir um avião em Vitória para produzir alvoroço e, pelo que se viu nos vídeos, até uma briga dentro da aeronave (artigo 261 do Código Penal: “expor a perigo embarcação ou aeronave, própria ou alheia, ou praticar qualquer ato tendente a impedir ou dificultar navegação marítima, fluvial ou aérea”).

O ‘teste de popularidade’, claro, não funcionou bem, ao contrário do desfile de motos que ele protagoniza agora, em São Paulo, com um público mais adequado, o de “selvagens das motocicletas”, o jegue dos ricos, que usam para afirmar sua masculinidade decadente, que vive de exibições, como é própria nas gangues. 

 

Animado pelo sucesso de sua motociata e apertado pelas revelações da CPI, mostrando inequívoca desídia (pelo menos) na compra de vacinas, gastos na desinformação da população com o tal “tratamento precoce” e o temor que as quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático de ex-ministros e dirigentes do governo, Bolsonaro deve subir mais alguns pontos a sua já temerária escala de agressividade.

Conta com a intimidação geral com suas ameaças de golpe, o medo da pandemia e com o acanalhamento geral das instituições para seguir fazendo isso enquanto o país se estiola na doença, no desemprego, na inflação e na fome.

Sim, aquele país dos jegues, dos pobres que pararam de viajar de avião, para rever a família que deixaram para trás nas décadas de migração.

Alguém deveria lembrar ao presidente que o valente animal sobreviveu a secas, a desgraças, ao jejum e ainda é, pelos fundões do Brasil, o melhor amigo dos humildes.

Metáforas, porém, não são o forte do ex-capitão.

 

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