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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

04
Nov19

Levantem-se pelos mortos!

Talis Andrade

Declarações como a de Eduardo Bolsonaro refletem a ilusão de que reprimir adversários políticos pode resolver a briga pelo poder ou por ideologia. Os mortos não respeitam a lei do silêncio,

escreve Astrid Prange

Um jardim popular em Paris leva o nome de Marielle Franco

Um jardim popular em Paris leva o nome de Marielle Franco

Caros brasileiros,

Neste Dia de Finados me dei conta do quanto os mortos estão presentes na vida. Na vida pessoal e na política também. Por mais que tentamos esquecê-los, apagar ou deturbar suas memórias, eles voltam.

No Brasil, é o caso Marielle Franco. Cada vez mais aparecem contradições. A intenção de acobertar o crime fica cada vez mais evidente.

Nesse contexto pesado, Eduardo Bolsonaro ligou a metralhadora verbal. Insinuou que os protestos atuais no Chile poderiam acabar chegando ao Brasil. Tentou criar um cenário ameaçador dizendo que, caso haja um efeito de contágio no Brasil, um novo AI-5 poderia ser editado.

Será que a intenção dele era tirar a atenção do caso Marielle e "proteger" o pai dele? Se for, o plano não deu certo. Mas a atitude dele revela em dose dupla a falta de respeito perante os mortos. Brasileiros mortos por motivos políticos, como Marielle e as vítimas da ditadura.

Mostra também a ilusão de que reprimir adversários políticos pode resolver a briga pelo poder ou por ideologia. Pois os mortos não respeitam a lei do silêncio. Os espíritos deles continuam rodando e "perturbando”, confrontando todo mundo com o passado.

Na Alemanha, infelizmente, a vontade de banalizar e minimizar os perigos da extrema direita também cresce. Faz pouco tempo, o partido populista de direita alemão Alternativa para a Alemanha (AfD) gerou enorme controvérsia ao comentar sobre o memorial aos judeus mortos no Holocausto em Berlim.

O chefe da AfD no estado de Turínga, Björn Höcke, afirmou que os alemães são "os únicos do mundo a ter plantado um monumento da vergonha no coração de sua capital". E continuou: "Essas políticas estúpidas de enfrentar o passado nos paralisam – tudo de que precisamos é de uma virada de 180 graus na política da memória".

Nas eleições estaduais de 27 de outubro, esse político ultradireita da AfD conseguiu 23,4 por cento dos votos. Foi uma vitória arrasadora, pois quatro anos atrás, o partido AfD tinha conquistado 10,6%.

Durante muitos anos, o crescimento da ultradireita na Alemanha foi banalizado. E com isso, também, a violência e os crimes antissemitas, xenófobos e racistas. Só com o escândalo do grupo terrorista Clandestinidade Nacional-Socialista (NSU), o erro ficou evidente, e um debate foi iniciado.

O grupo neonazista NSU foi fundado em 1999 com o "objetivo” de assassinar estrangeiros na Alemanha. Os integrantes do grupo mataram dez pessoas entre 2000 e 2007 e tentaram matar outras 43. As investigações, porém, excluíram motivos xenófobos durante muitos anos.

As vitimas da NSU foram assassinadas em plena democracia por motivos políticos. Como Marielle no Brasil. E como muitos outros líderes comunitários, ativistas e militantes políticos em diferentes regiões brasileiras.

No Dia de Finados, eles levantam a voz novamente. Morreram, mas os ideais continuem vivos. Eles precisam de aliados, como a democracia que precisa ser defendida. Os mortos governam juntos. Vamos nos levantar por eles.

22
Set19

"É um acalento": inauguração de jardim Marielle Franco emociona em Paris

Talis Andrade
media
Marinete da Silva na inauguração do jardim Marielle Franco em Paris. RFI/Marcos Fernandes

 

A cidade de Paris inaugurou neste sábado (21) o Jardim Marielle Franco, em homenagem à vereadora do Rio de Janeiro assassinada em março de 2018. Participaram da cerimônia os pais de Marielle, Marinete da Silva e Antônio Fancisco da Silva Neto, e a filha da militante dos direitos humanos, Luyara Franco, além de vários políticos franceses.

Os dias frios que já haviam chegado à capital francesa no mês de setembro deram uma trégua e permitiram que o sol aquecesse a cerimônia de inauguração do espaço verde em homenagem a Marielle Franco. O jardim suspenso fica acima da estação de trem Gare de L'est e perto da Gare du Nord, no 10° distrito, uma região popular da capital francesa.

O bairro escolhido para o jardim é, portanto, uma área que tem forte ligação com a luta de Marielle, segundo Silvia Campanemo, presidente da Rede Europeia Pela Democracia no Brasil, a REd.Br. "No contexto atual, de gentrificação absoluta de Paris, é importante ter referências de uma mulher negra. É uma forma de resistir a uma gentrificação absurda de Paris e da região parisiense", afirma Silvia Capanema.

 

Luyara Franco, filha de Marielle, ao lado da foto da mãe em Paris.RFI/Marcos Fernandes

 

“Flores da resistência”

"É bem significativo ter um jardim principalmente porque minha mãe sempre falava que tínhamos que ser as flores da resistência", disse Luyara Franco, filha de Marielle, à RFI. "É minha primeira vez na Europa. Não é o motivo pelo qual queria estar aqui pela primeira vez, queria estar aqui com ela, conhecendo o mundo. Mas ver essas homenagens dá um acalento no coração, ver a imensidão que ela se tornou. Ela virou tipo um mártir. É muito gratificante para a família”, afirmou.

"[O jardim] representa todos os símbolos que a Marielle traz como resistência. Hoje, com todos os países solidários à causa, é cada vez mais importante, de maneira internacional, saber quem mandou matar Marielle. Estar aqui na França, com o significado que [o país] tem para a democracia, é muito significante, é um orgulho”, declarou a mãe da vereadora assassinada.

 

Jardim Marielle Franco em Paris.RFI/Marcos Fernandes

 

"Justiça para a Marielle é tudo o que nós queremos. Nós, como família, o povo brasileiro e a opinião pública mundial", disse Antônio Francisco da Silva Neto, pai da militante dos direitos humanos. "Essa é uma das maiores homenagens que nós recebemos em nome de Marielle. É mais uma prova do reconhecimento de todo o universo em relação ao nome de Marielle."

 

Da esquerda para a direita, Antônio Francisco da Silva, Marinete da Silva, Luyara Franco e Renata Souza. RFI/Marcos Fernandes
 

Memória de combate ao patriarcado e pela diversidade

Alexandra Cordebard, prefeita do 10° distrito, fez um discurso em homenagem à militante dos direitos humanos. “O nome de Marielle Franco reacendeu a esperança para todos no Rio de Janeiro: para as mulheres, para os negros, para as pessoas LGBT, para os seres humanos independentemente do sexo, do gênero, cor de pele, orientação sexual e meio de subsistência”, declarou Cordebard. “Seu nome transmitiu ao mundo uma oposição ao princípio de um patriarcado insensível ao gênero humano em sua diversidade.”

 

Placa do jardim Marielle Franco em Paris. RFI/Marcos Fernandes

 

Para Renata Souza, deputada estadual do PSOL no Rio de Janeiro, a abertura do jardim em homenagem a Marielle Franco representa a continuidade de seu “brilhantismo” no mundo. “Nada mais simbólico do que a cidade-luz homenageando Marielle por todo o trabalho feito contra as desigualdades sociais, principalmente de gênero, raça e classe. Marielle representava na sua luta política todos os ideais de igualdade, fraternidade e liberdade.”

O jardim Marielle Franco fica na rua d’Alsace, n° 40-48, no 10° distrito de Paris.

 

 

 

20
Set19

Jardim Marielle Franco será inaugurado neste sábado em Paris

Talis Andrade
media
Marielle Franco, vereadora do PSOL assassinada em 2018, é homenageada em Paris

 

Acontece nesse sábado (21) a cerimônia de inauguração de um jardim em homenagem à vereadora brasileira Marielle Franco, assassinada em março de 2018 no Rio de Janeiro. Além de várias personalidades políticas e militantes franceses e brasileiros, familiares da ativista estão na cidade especialmente para o evento.

Aprovada pelo Conselho Municipal de Paris, a homenagem é fruto de um pedido de várias associações, encabeçadas pela RED.Br – Rede Europeia pela Democracia no Brasil. A prefeitura viu na iniciativa uma prova do “engajamento da capital na defesa dos direitos humanos pelo mundo, mas também da defesa dos políticos em perigo”, segundo comunicado divulgado na véspera da inauguração.

 

A inauguração acontece às 15h em Paris (10h em Brasília). Está prevista a presença de Alexandra Cordebard, prefeita do 10° distrito, Patrick Klugman, Pénélope Komitès e Paul Simondon, chefes de diferentes secretarias muncipais, além de Silvia Capanema, presidente da RED.Br. Do lado brasileiro, participam Antônio Francisco da Silva Neto, Marinete da Silva e Luyara Francisco dos Santos, respectivamente pai, mãe e filha de Marielle, que estão na capital especialmente para a ocasião. Renata da Silva Souza, deputada estadual do Rio de Janeiro e ex-chefe de gabinete da vereadora do PSOL também participa da cerimônia. Já Monica Benício, viúva de Marielle, será representada por Stéphanie Palancade.

A inauguração acontece dois dias após o nome da vereadora ter sido indicado para a edição 2019 do Prêmio Sakharov de direitos humanos. Também fazem parte da lista três outros brasileiros: o líder Caiapó Raoni, o ex-deputado federal Jean Wyllys (PSOL) e a defensora da Amazônia Claudilice Silva dos Santos.

 

Manifestações de solidariedade

 

A morte de Marielle Franco suscitou inúmeras manifestações de solidariedade na França. Além de protestos organizados pela comunidade brasileira que vive na cidade, vários responsáveis políticos exprimiram sua indignação após o crime.

A foto da vereadora ficou durante meses exposta em diversos lugares da capital. Alguns prédios, entre eles o da prefeitura, chegaram a colocar a imagem da brasileira em suas fachadas.

O jardim Marielle Franco, situado ao logo da via férrea no 10° distrito da cidade, é um espaço suspenso de 2.600m² ao composto por cerca de 70 árvores, a maior parte delas frutíferas. O acesso é feito pela rua d’Alsace.

Jardim Marielle Franco junto à Gare de l’Est, uma das principais estações de trem de Paris.Mairie 10
 

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