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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

28
Ago22

Jânio de Freitas: "ação contra empresários bolsonaristas ocorre sem os abusos de Moro e Deltan"

Talis Andrade

Moraes autoriza operação contra empresários suspeitos de defender golpe em  mensagens de celular | Jornal Nacional | G1

 

O colunista Jânio de Freitas escreve no jornal Folha de S.Paulo que, “entre ricos empresários brasileiros, é comum uma capacidade muito especial, algo como um poder magnético, que se ativa com presteza automática sempre que seu portador que se vê em encrenca ou desejoso de novas benesses”.

“Nos inumeráveis segmentos de atividades, só militares têm capacidade semelhante, até como característica nacional, e talvez pelo entendimento mútuo das duas classes. A busca policial nas casas de oito integrantes do grupo Empresários & Política desencadeou uma chuva de urgências de desagrado, de início meio encabuladas, em sites, blogs, jornais, TVs e rádios”, relata.

“Escritas e ditas por colunistas, colaboradores, advogados menos ou mais advocatícios e bolsonaristas não lembráveis. Todos com ressalvas ou críticas à ‘ordem’ do ministro Alexandre de Moraes para a ação policial contra os empresários flagrados em considerações pró-golpe”.

“‘Moraes assumiu um risco alto’, ‘operação controversa da PF’, ‘simples conversa sobre golpe não é crime’, ‘só falas sobre golpes não indicam crimes’ —as formas variaram, não a preocupação com a pureza judicial ferida pelo excesso (como dizem os militares) de um ministro do Supremo”.

Jânio destaca que “há mais de dez anos as buscas e apreensões policiais se tornaram comuns. Não por distração, os queixosos de hoje nunca se incomodaram com possíveis nem com óbvias ilegalidades em muitas dessas ações. Até passaram a atrações divertidas em TVs e jornais”.

“Não se viu uma só vez em que Alexandre Moraes e a PF acusassem de crime os alvos das apreensões. Moraes não deu ordem, apenas a autorização pedida pela PF. Como é praxe legal quando o suspeito é da classe média para cima. Para baixo, invasões e assassinatos de criminosos, suspeitos e inocentes repetem-se à vontade. Não é simples nem foram só falas sobre golpes, o que faziam os empresários”, avalia.
 

“Lamentar que o golpe não tenha ocorrido ainda, considerar que o golpe é mil vezes preferível a um governo Lula e discutir a compra de votos de trabalhadores para Bolsonaro, constituem indícios claros de apoio ao golpe, no mínimo, e de provável parte em conspiração”, aponta.

"As buscas e apreensões nas casas dos oito empresários, e esperamos que de mais, cabem no reconhecimento como a necessária coleta inicial para a investigação de fato grave. O atual não inclui abusos e trapaças de Moros e Dallagnols. E revela as bordas enrustidas do bolsonarismo", finaliza.

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17
Jul22

Para Jânio de Freitas, declarações de John Bolton indicam influência dos EUA na "eleição lavajatista de 2018"

Talis Andrade

With John Bolton leading the charge against North Korea, the US would have  no qualms about breaking international law at sea, or probably anywhere  else | South China Morning Post

"Achar que Bolton, Trump, Bolsonaro, Lava Jato, Moro, Dallagnol formam mera teoria da conspiração, é coisa de impostor", escreve o jornalista na Folha de S.Paulo

 

247 - "A eleição lavajatista de 2018, cujos fatores decisivos são conhecidos só na superfície mais grosseira, recebeu agora uma inconfidência sugestiva. Ex-conselheiro de Segurança Nacional de Trump, John Bolton fortaleceu sua crítica ao golpe trumpista com este argumento: fala 'como alguém que já ajudou a planejar golpes de Estado, não aqui, mas, você sabe, em outros lugares' ".

"John Bolton foi o primeiro emissário mandado a Bolsonaro. Caso de urgência: veio ainda antes da posse. Em 29 de novembro de 2018, os dois se trancaram a chave em um quarto da casa de Bolsonaro no condomínio Vivendas da Barras. Presença a mais, só o tradutor. Segredo absoluto, nenhuma informação dos interlocutores nem sobre algum tema, até hoje nenhum vazamento", escreve Jânio de Freitas em sua coluna deste domngo (17) na Folha de S.Paulo.

"Na contramão de Bolton foram as repentinas viagens de Sergio Moro aos EUA, em plena atividade da Lava Jato e sem mais do que pretextos ralos, nem estes ligados ao passos mais ou menos públicos da operação".

"Bolton esteve na ativa externa da "segurança" por todo o ápice da Lava Jato, a atividade em 2018 para deixar o caminho livre a Bolsonaro".

"Ano, também, em que funcionários americanos se instalaram aqui a título de colaborar com a Lava Jato". 

“Achar que John Bolton, alegados procuradores e promotores americanos, Trump, Bolsonaro, Lava Jato e trapaças judiciais, juiz declarado ‘sem imparcialidade e suspeito’, Sergio Moro e Deltan Dallagnol, se vistos como partes de um conjunto, formam mera teoria da conspiração, é coisa de impostor" (...) Leia mais

Direitos humanos e soberania nacional: um chamado à unidade desde Alcântara  - Observatório da Democracia

10
Abr22

A Terra plana e o lado escuro da Lua

Talis Andrade

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por Fernando Brito

- - -

É surpresa para ninguém a retirada de duas assinaturas de senadores do Podemos – os ex-moristas Oriovisto Guimarães e Styvenson Valentim – do pedido de instalação de uma CPI para apurar a corrupção no MEC.Ciro Nogueira 'Raposa' é tema de charge do jornal O Povo, do Ceará – Diário  GM

É que, como diz o chefe do Centrão, Ciro Nogueira, a corrupção, agora, “é virtual”.

E, portanto, como disse Janio de Freitas, “não há polícia, não há Judiciário, não há Congresso, não há Ministério Público, não há lei que submeta Bolsonaro”.

O país que arde na inflação, “está dando certo” com a “dobradinha centrão e militares” segundo o mesmo Nogueira.

Vivemos já nem na Terra Plana, mas no lado escuro da Lua, de onde não se pode ver o que se passa aqui.

Planos para o próximo governo? Deus, pátria e família, além de um presidente que alterna seus compromissos entre motociatas, cavalgadas e leitos hospitalares quando surgem notícias negativas.

Desculpe o leitor dominical, mas desanima tentar analisar o nonsense que, paradoxalmente, faz sentido e deve continuar para algo entre 25 e 30% dos brasileiros.

E ainda mais inacreditável que o bolsonarismo mais insano esteja nas faixas com maior renda e, incrível, com maior formação educacional.

Como tem sido afirmado aqui, não estamos diante de uma eleição normal, mas de uma chance de voltarmos a um grau de civilidade e de racionalidade sem o qual nem mesmo a divergência política pode acontecer sem tornar-se guerra.

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04
Abr22

O que um Will Smith faria com Eduardo Bolsonaro?

Talis Andrade

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por Fernando Brito

- - -

Ainda bem (será?) que o ator Will Smith não é brasileiro nem deputado federal.

Porque o deboche de Eduardo Bolsonaro às torturas que a jornalista Miriam Leitão sofreu na ditadura (“boazinha”, segundo o general Braga Netto), sendo colocada dentro de uma cela, nua, com uma cobra jibóia para aterrorizá-la, não é uma piada de mau gosto e ofensiva de um idota, como a que aconteceu no Oscar, é a adesão tardia a uma agressão indigna de qualquer ser humano.

Míriam é uma adversária política da esquerda, hoje e há muito tempo, mas isso não é ser de esquerda ou de direita, é ser um monstro de vileza

E pior, desperta, como se pode observar no Twitter, a boçalidade das hordas bolsonaristas, que elogiam e naturalizam a tortura, um crime hediondo pela covardia e pelo sadismo.

Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso é crime, diz o Código Penal, e não há razão para que o Ministério Público permaneça inerte, porque a tipicidade, segundo pacífico entre os juristas, quando dá em relação a fato concreto, que tenha ocorrido e não a um possível crime futuro, como é o caso.

Não se está sugerindo que se dê uma bofetada em Eduardo Bolsonaro, mas que se dê a devida resposta legal, até pelo exemplo de que não se pode fazer isso com a dignidade de um ser humano.

Mas Augusto Aras, com certeza, não é “A lenda”. É é só um daqueles zumbis do filme de terror que estamos vivendo.

 

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22
Set19

Jânio de Freitas e a beira do precipício

Talis Andrade

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Veremos quem no Supremo está à altura desse nome e da complexidade a que o país foi lançado, pelos aventureiros do impeachment e pelos ambiciosos do pré-sal

 

247 - Em sua coluna semanal na Folha de S.Paulo, o jornalista Jânio de Freitas escreve que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, "revela-se um ministro perdido em distrações", mas faz uma ponderação com boa dose de ironia: "Tomara que seja isso, para não ser algo pior."

 

"Tamanho desencontro com a altivez da presidência do Supremo só faz duvidar de que o tribunal 'sempre decidirá em favor da democracia, da liberdade de expressão e do respeito às instituições'", escreve o veterano jornalista citando palavras de Toffoli.

Para Jânio, "o problema é que, antes de depender do Exército, o que ainda há do Estado de Direito depende sobretudo do Supremo". E, segundo ele, "até aqui, Dias Toffoli tem empurrado para incerto futuro várias decisões influentes no rumo dessa pequena democracia. Empurrões que adiam sem resolver".

O jornalista cita a entrevista concedida à Miriam Leitão, na GloboNews, quando "o próprio Dias Toffoli expôs a beira de precipício em que o Supremo está. Logo, estamos também, em nossa angustiante dependência daquelas 11 pessoas a quem fomos entregues".

Com decisões importantes pela frente, que colocarão "o Supremo no centro de gorda polêmica. E o Estado de Direito também", Jânio cita a anulação da condenação de Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, como um sopro de esperança: "O que só é garantido se a cada acusação, até a última, for dada a oportunidade de defesa. Se esse direito se esvai, é o Estado de Direito que perde um componente vital. É uma despedida da democracia—sonho e sofrimento. Nesse e nos demais julgamentos problemáticos, o regime estará em jogo".

E Jânio desafia: "Veremos quem no Supremo está à altura desse nome e da complexidade a que o país foi lançado, pelos aventureiros do impeachment e pelos ambiciosos do pré-sal".

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10
Jul17

Quantos juízes tem o Brasil?

Talis Andrade

Pela campanha golpista que se fez para derrubar a presidenta Dilma Roussef.

Pela campanha que se faz para prender Lula. A impressão que o Brasil tem apenas um juiz, o Sergio Moro da República do Galeão do Paraná. 

 

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 Sérgio Cabral no presídio Bangu

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 Geddel chora ao saber que continuará preso

 

Lembra o lúcido jornalista Jânio de Freitas: "A versão carioca da Lava Jato não tem ou teve força-tarefa. O nosso pasmo com Sérgio Cabral se deve à associação eficiente de Polícia Federal, Ministério Público e a coragem do ameaçado juiz Marcelo Bretas. Simples, quase silenciosa, uma forma de ação que ocorre, com menor escala, também em Brasília, com o juiz Vallisney Oliveira, da prisão de Geddel Vieira Lima".

 

Diz Jânio de Freitas: "... Na sua ânsia promocional, o juiz Sergio Moro e os procuradores faturam com exclusividade todo o prestígio da Lava Jato, mal restando referência senão ao 'japonês da federal', no contingente ativo de uma centena de delegados, agentes e técnicos da PF".

 

Moro, cego pelos holofotes da imprensa, e picado pela mosca azul, faz da justiça um trampolim para sua candidatura a presidente tendo, consequentemente, Lula como um único adversário.

 

Assim sendo, razão tem Lula de reclamar da perseguição de Moro, quando se sabe que a Lava Jato mudou de rumo, porque criada para investigar o tráfico de drogas e de diamantes. Um tráfico que rende bilhões, e envolve políticos.

 

 

 

  

 

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