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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

31
Dez20

Decrépito torturador de almas, Bolsonaro não cabe no cargo que ocupa, nem cabe no Brasil

Talis Andrade

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Presidente tem a sorte de se deparar com gente que silencia sobre seus criminosos desvarios, cujos limites morais podem não ser tão baixos quanto os dele, mas com pontos de intersecção

 

por Carla Jiménez /El País

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A esta altura de 2020, qualquer pessoa que acompanhe minimamente o noticiário sabe que não há o que se surpreender com as atrocidades perversas que saem da boca do presidente brasileiro Jair Bolsonaro. Ao zombar da tortura da ex-presidenta Dilma Rousseff ele só mostra sua verve de torturador que sempre soubemos que ele tinha. Não há diferença entre a frase dita nesta segunda, 28, ―Dizem que a Dilma foi torturada e fraturaram a mandíbula dela. Traz o raio-X para a gente ver o calo ósseo”― e o “Quem procura osso é cachorro”, dita em maio de 2009, quando ele humilhava parentes de desaparecidos na ditadura ―assassinados por militares que pensam como Bolsonaro― que faziam pressão por localizar os restos mortais de seus familiares.Jair Bolsonaro sobre os mortos do Araguaia: “quem procura osso é cachorro”  | Brasil Página 1 - Jornalismo independente, notícia sem manipulação

Bater covardemente em alguém, ainda mais uma mulher, ex-presidenta, só é típico dos bárbaros, dos mesquinhos, dos pequenos que têm inveja, dos futriqueiros venenosos, dos picaretas. Debater o porquê dele ter sido eleito e o que isso diz dos seus eleitores é algo que já se estendeu até demais nestes últimos dois anos. Já sabemos que Bolsonaro não é o mal puro, mas a síntese da maldade coletiva de um Brasil perverso, deformado. Não se trata somente da deformação dos que identificam e celebram sua crueldade, mas a distorção dos que não tiveram a chance de aprender e alcançar o que uma frase tão delinquente quanto a que ele pronunciou sobre Dilma faz mal à saúde do Brasil e à nossa democracia. A frase não é só sobre o passado. Ela tem uma correia de transmissão com a tortura que acontece nas delegacias e nas periferias do país todos os dias.

Custa chamar Bolsonaro de presidente da República. Ele não cabe nesse posto. Não representa o povo brasileiro, nem uma aspiração coletiva, nem um exemplo a ser seguido. Seus dois anos já demonstram que ele seria incapaz de fazer história com grandes realizações e contribuições para o Brasil. Não tem bondade, não tem empatia, não tem honra, nem respeito. Tem atitudes de um covarde, um sabotador nacional, com auxílio de muitos que o ajudaram a chegar lá e agora se descolam, como o ex-ministro Sergio Moro. O ex-juiz sabia exatamente o tamanho da própria credibilidade naquele momento e recebeu todos os alertas de quem era e agora vira e mexe o critica. Mas a última vez que Moro o criticou, no último dia 28, foi em função do atraso na campanha da vacinação. Não para condená-lo por Bolsonaro ter exortado a tortura a que foi submetida a ex-presidenta Dilma.

Bolsonaro sobrevive e, sim, uma tempestade perfeita pode reconduzi-lo ao poder em 2022. Ele tem a sorte de se deparar com uma época de lideranças fracas no Brasil, de gente que silencia sobre seus criminosos desvarios, cujos limites morais podem não ser tão baixos quanto os dele, mas com pontos de intersecção. É o constrangimento de ver o Supremo Tribunal Federal e procuradores de São Paulo envolvidos em pedido de prioridade na vacinação. É o marketing de gestor do governador João Doria cortando verbas de Ciência em São Paulo ―afora uma viagem desastrada quando os números da covid-19 estavam subindo. É deputado se gabando de ter ganhado fuzil de presente. Justiça seja feita, Bolsonaro tem um papel fundamental para a história brasileira ao mostrar aos que defendem a democracia o tamanho da nossa arrogância e ignorância sobre o Brasil real. Nos contentamos com pouco achando que o pouco era muito porque era somente para nós.

Pois bem. Os anestesiados pelo pavor da miséria no poder com a ultradireita estão ganhando anticorpos e, se o presidente ainda goza de prestígio num grupo de eleitores, esse mesmo grupo vai cobrar a fatura quando os erros de Bolsonaro trouxerem a colheita. Ele, que apontava o confinamento vertical no início da pandemia como um antídoto para proteger a economia ―e não ficar para trás num mundo competitivo―, teve a incompetência de deixar o Brasil a esmo para montar uma campanha de vacinação nacional e isso cobrará seu preço no tempo da nossa recuperação. Mais valeram as picuinhas e as artimanhas grotescas do que focar num plano que finalmente o poderia colocar à altura de um estadista.

Bolsonaro não cabe no cargo de presidente e sua monstruosidade se destaca a cada dia no mundo em que vivemos. No momento em que a Argentina avança no debate sobre aborto, jovens vão às ruas no Peru, chilenos reescrevem sua Constituição, mexicanos e costa-riquenhos lideram a vacinação na América Latina, o presidente brasileiro vai se tornando um corpo estranho. É o presidente que mente ao mundo culpando indígenas pelos incêndios no Pantanal, o machista arcaico num mundo cada vez mais feminista, o torturador de Dilma no dia do seu impeachment.Contesto!": Dilma Rousseff critica STF por julgar impeachment sem lhe dar  direito de defesa - PT na Câmara

Pode ser que faltem dois ou até seis anos para que o peso de suas palavras o derrubem por si só. Para que seja o pária nacional, o antiexemplo, a dor na alma, a vergonha do Brasil. Tal qual quando na ditadura havia uma vergonha popular de dizer que se apoiou os crimes covardes do governo militar. Bolsonaro é o representante dos militares que iam botar bomba no atentado do Riocentro, dos militares que esconderam o rosto da fotografia enquanto Dilma era interrogada então com 22 anos. Dilma pode não ter sido tão popular enquanto presidente e isso é uma verdade que não se pode apagar. Mas seu tamanho e sua trajetória estarão altivas nos livros de história. Os de Bolsonaro, não.

 

16
Abr20

Ditadura Militar: Pesquisadores responderam a três inquéritos

Talis Andrade

 

III - Quando a ditadura perseguiu cientistas e interrompeu pesquisas: os 50 anos do 'Massacre de Manguinhos'

por André Bernardo

BBC News

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Muito antes de serem cassados, em abril de 1970, os dez cientistas já eram alvos do regime militar.

Entre 1964 e 1966, responderam a três inquéritos: civil, militar e administrativo. Quando eram chamados para depor, sob acusação de serem "corruptos", "subversivos" e "conspiradores", tinham de responder a perguntas do tipo: "Você é comunista?", "Faz parte de algum partido político?" ou "Exerce alguma atividade política no IOC?".

Em geral, quem respondia "não" a todas as perguntas era liberado em poucos minutos.

Em 1968, o bioquímico gaúcho Fernando Ubatuba, de 51 anos, chegou a passar 14 dias incomunicável no paiol de pólvora do Exército, em Paracambi, a 75 km do Rio, na Baixada Fluminense.

Nenhum dos inquéritos conseguiu provar nada contra qualquer um dos pesquisadores.

"Os relatórios produzidos pelos órgãos de repressão revelaram muitos aspectos nublados do período, como o fato de não existirem provas, suficientes, concretas e reais, sobre a suposta subversão ou inaptidão profissional dos cientistas cassados", afirma o historiador Daniel Elian, autor da dissertação de mestrado Ciência, Política e Segurança Nacional: O 'Massacre de Maguinhos' (1964-1970) e do livro Massacre de Manguinhos: Ciência Brasileira e o Regime Militar (1964-1970), que será lançado em breve pela Editora Hicitec.

Em depoimento ao documentário O Massacre de Manguinhos, de Lauro Escorel Filho, o médico paulista Tito Arcoverde confirma: "Respondemos a vários processos e ninguém foi indiciado".

Por essa razão, quando foi publicada a cassação no Diário Oficial do dia 2 de abril de 1970, a notícia surpreendeu a todos. Logo entenderam que a decisão fora tomada por motivações pessoais.

Para a maioria deles, o médico Francisco de Paula da Rocha Lagoa, ex-diretor do instituto, teria usado o novo cargo, de Ministro da Saúde, para concluir um projeto de vingança.

"Como nós tínhamos denunciado desvio de verba da malária, da peste bubônica e da meningite, estávamos muito visados", afirma Domingos Machado, em entrevista ao mesmo documentário.

jornais informam aposentadoria de cientistas

Aposentadoria compulsória dos cientistas foi destacada em jornais da época

 

Os cientistas foram perseguidos, também, por divergir sobre o papel social do IOC.

Enquanto aqueles que detinham o poder, como Rocha Lagoa, nomeado diretor em 1965, queriam que a instituição se limitasse a produzir soros e vacinas, os cientistas acreditavam que a produção científica era um importante instrumento para o desenvolvimento nacional.

Mais que isso, defendiam a criação de um Ministério da Ciência e da Tecnologia, um sonho que só se tornaria realidade em 1985, com a redemocratização do país.

"Víamos a ciência como algo fundamental para o desenvolvimento socioeconômico do país. Eu podia me aposentar. Já tinha mais de 35 anos de serviços. Mas, eu disse: 'Eu não. Eu não me aposento. Vou cair. Mas, vou cair em pé'. E fiquei aqui até que me cassaram", relatou Haity Moussatché ao Acervo de História Oral da Casa de Oswaldo Cruz.

Por essas e outras, os dez cientistas foram taxados de subversivos e acusados de conspirar contra a administração pública. Em uma das visitas que fez ao laboratório de Lent, logo que assumiu a direção, Rocha Lagoa chegou a comentar, ao discorrer sobre seus planos para a instituição, que se baseava na orientação do Pentágono, a sede do Departamento de Defesa dos EUA. "Não pude deixar de emitir uma sonora gargalhada", relata Lent, no livro O Massacre de Manguinhos.

Nem o filho do fundador da instituição, Walter Oswaldo Cruz, escapou ileso. Por recomendação de Raymundo de Britto (1909-1988), ministro da Saúde do governo Castelo Branco, Rocha Lagoa ordenou que todo e qualquer recurso destinado ao IOC passasse pelo seu crivo.

Acusado de propaganda subversiva e proselitismo político, Oswaldo Cruz deixou de receber os repasses vindos de instituições americanas, como as fundações Ford e Rockefeller.

Seu laboratório chegou a ser fechado pela direção. Em 1967, teve um infarto fulminante e morreu aos 57 anos.

"Desde 1964, o filho de Oswaldo Cruz foi vítima de perseguição política. Há quem atribua seu adoecimento ao estrangulamento de suas pesquisas", observa Hochman.

Hugo Souza Lopes em Manguinhos

Pesquisador Hugo Souza Lopes em Manguinhos

 

Em 1969, Rocha Lagoa foi nomeado ministro da Saúde do governo Médici e a situação no instituto se tornou insustentável. Seis meses depois de sua nomeação, os dez cientistas que ele perseguira implacavelmente durante sua gestão foram defenestrados da instituição. Em 1978, em depoimento à revista IstoÉ, Rocha Lagoa se isentou de qualquer responsabilidade.

Ao assumir o ministério, explicou ao repórter Maurício Dias, já havia duas comissões de inquérito, ambas instauradas na gestão de seu antecessor, Raymundo de Britto, investigando os pesquisadores.

Em O Massacre de Manguinhos, Lent rebate essa versão. "Como diretor do instituto, o Lagoa pleiteou nossa saída junto a dois ministros, mas não conseguiu. Quando ele se tornou ministro, fez o que quis."

Cientistas reintegrados 16 anos depois

Em 1986, cinco anos depois da sanção da Lei de Anistia, os dez cientistas foram reintegrados à Fiocruz. Apenas Lent optou por não regressar à instituição. Preferiu continuar dando aulas na Universidade Santa Úrsula, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, que o acolhera em 1976.

"Ao voltar para o Brasil, meu pai foi acolhido pela Santa Úrsula e convidado a montar um laboratório de pesquisa. Ele achou que não seria correto abandoná-la para voltar à Fiocruz", relata seu filho, Roberto.

Os demais pesquisadores sugeriram nomes que consideravam importantes para o desenvolvimento de suas pesquisas. O então presidente da Fiocruz, o médico sanitarista Sérgio Arouca (1941-2003), autorizou todas as contratações.Hermen Lent no laboratório

Hermen Lent no laboratório

 

A cerimônia de reintegração aconteceu no dia 15 de agosto e contou com a presença, entre outros, do ator Mário Lago (1911-2002), presidente da Comissão Nacional de Anistia; do deputado federal Ulysses Guimarães (1916-1992), presidente da Câmara; e do antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997), então vice-governador do Rio.

"A dor que me dói, a lágrima que eu choro, é pelas pesquisas que foram interrompidas e nunca mais se farão. É pelos jovens cientistas que teríamos formado e que não se formarão nunca. A Ciência é a última profissão que não se aprende nos livros. É um cientista que cria outro. E vocês, os mais preparados para frutificar novas gerações, foram proibidos de se multiplicar", discursou Darcy Ribeiro.

Os dez cientistas concederam uma série de entrevistas às pesquisadoras da Casa de Oswaldo Cruz, Wanda Hamilton e Nara Azevedo. Por vezes, caíram na risada ao recordar o absurdo das investigações. Certa vez, foram acusados de promover "feijoadas e vatapás subversivos" nas dependências da instituição.

Emocionados, lembraram, ainda, da solidariedade prestada por seus funcionários. Um deles disse a Sebastião de Oliveira que, caso ele precisasse, poderia pegar o que quisesse em uma conta que mantinha em um armazém das redondezas.

"Homenagear a memória dos cientistas cassados e de todos aqueles que sofreram perseguições políticas é uma advertência: não haverá desenvolvimento científico e tecnológico sem memória, liberdade e justiça. Defender a Ciência é defender a democracia", afirma Hochman.



O Regime de Chumbo e o Massacre de Manguinhos leia aqui

25
Mar19

Os sete pecados capitais da Lava Jato

Talis Andrade

 

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Gula, luxúria, vaidade, avareza, inveja, preguiça e ira. As ações da Lava Jato cometeram todos estes pecados no campo da política e da administração pública

O equilibrista morre quando acha que aprendeu a voar. Os pecadores sucumbem quando se afastam dos princípios que deveriam seguir”, diz o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), em artigo.

Confira a íntegra do texto:

Os sete pecados capitais da Lava Jato

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por Paulo Pimenta

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A fome insaciável de poder, metáfora para a GULA no campo da política, foi o que fez ruir o castelo de areia da República de Curitiba. Ao tentarem se apropriar, para fins evidentemente políticos, de R$ 2,5 bilhões da Petrobras, empresa pública de caráter estratégico para a economia e a soberania do Brasil, os agentes públicos da operação Lava Jato cruzaram de vez a linha que os impedia de quebrar não apenas leis, mas também padrões morais.

 

As violações recorrentes à legislação brasileira que regula o processo penal e a ação de servidores públicos, especialmente aqueles vinculados ao poder Judiciário, expressam a LUXÚRIA do prazer decorrente do exercício do poder sem limites. A indústria de delações, ocultada nas alcovas da operação e erigida sob mentiras, ilustra muito bem esse desvio.

 

Tal prazer, incensado e alimentado pelos holofotes fornecidos pela mídia e por convescotes dos setores da sociedade civil – que alçaram ao Olimpo os condutores da autoproclamada “maior operação de combate à corrupção do planeta” – revela a mais pura e acabada manifestação da VAIDADE.

 

Não menos nociva à administração da República é a AVAREZA de funcionários públicos que deveriam primar pelo respeito à lei, mas são os primeiros a burlar o teto constitucional para auferir salários que, ao longo dos anos, somam quantias milionárias bancadas pelos impostos dos trabalhadores. Nesse quesito, destaca-se especialmente o procurador Deltan Dallagnol, que usou proventos recebidos ilegalmente para especular com um programa de moradia popular destinado a mitigar o déficit habitacional no País. Em sua “Divina Comédia”, Dante disse que a este tipo de pecador está reservado a Colina de Rocha, no quarto círculo do inferno.

 

O comportamento dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato é exemplar para apontar a INVEJA que esta categoria sempre exibiu com relação às forças policiais, a quem cabe de fato, segundo a Constituição Federal, a competência de realizar investigações de natureza criminal. Ao Ministério Público a Carta Magna atribuiu a importantíssima tarefa de elaborar a acusação. Entretanto, na prática, essa corporação ignora o que prescreve a lei e não apenas também exerce o papel que caberia exclusivamente às polícias, mas ainda julga e condena réus em suas peças, tratadas por parte da imprensa – não por acaso – como sentenças condenatórias em si mesmas.

Ao se omitir de empregar mais energia e procedimentos em relação a vários notórios personagens do campo político sobre os quais foram reveladas robustas provas materiais – e não apenas subjetivas ou acusações extraídas de delações premiadas – do envolvimento com ilícitos, a turma da Lava Jato demonstra a leniência, que não é menos que a PREGUIÇA no âmbito administrativo, consequência direta da seletividade política.

 

Com todos os pecados finalmente expostos aos olhos menos atentos da sociedade brasileira e da comunidade internacional, a reação escolhida por Dallagnol e seus colegas foi o de manifestar a IRA contra as instituições, notadamente o Supremo Tribunal Federal (STF), alvo de uma campanha de difamação que despertou até apelos por um golpe militar.

 

O equilibrista morre quando acha que aprendeu a voar. Os pecadores sucumbem quando se afastam dos princípios que deveriam seguir.

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