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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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02
Abr21

O paradoxo do genocídio

Talis Andrade

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Por Rafson Ximenes Valéria Teixeirano /Migalhas

Após um ano da chegada da covid-19 no Brasil, choramos quase 300.000 mortos, segundo os dados do Ministério da Saúde.

Nos últimos dias, diversas pessoas, como o youtuber Felipe Neto, têm sido ameaçadas com a abertura de inquéritos por chamar o presidente da República de genocida. A investigação, cuja legitimidade em um regime democrático é bastante controversa, foi suspensa1. Um número cada vez maior de pessoas adere ao discurso que incomoda o governo, em virtude das políticas relacionadas à terrível doença que assola o planeta. Haveria razão nas acusações?

Após um ano da chegada da covid-19 no Brasil, choramos quase 300.000 mortos, segundo os dados do Ministério da Saúde2. É o segundo país com mais vítimas fatais. Atualmente, somos o país com mais mortes diárias, com quase o dobro do segundo colocado3. A curva de casos é a mais ascendente e explosiva do mundo4 e a vacinação caminha a passos de tartaruga5, de modo que é questão de tempo para conquistarmos a mórbida liderança.

Todos os Estados estão prestes a enfrentar um colapso do sistema de saúde. Já apresentam falta de leitos de UTI e correm risco de ver acabar o estoque de oxigênio e de insumos para intubação.

O Brasil teve a pior gestão da pandemia do mundo, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Lowy6, que analisou 98 países. Isso se deve, claramente, ao comportamento do presidente da República. A ciência identificou o isolamento social, o uso de máscaras e as vacinas como únicos meios de combater a doença. O mandatário inventou sua própria “ciência”.

O presidente do Brasil passou o ano promovendo e incentivando aglomerações. Invariavelmente, participava delas sem máscaras e, mais grave, estimulou verbalmente a descrença no seu uso7. Em relação às vacinas, além da notória omissão, também cansou de colocar em dúvida a sua eficácia e afirmou que não tomaria. Por outro lado, minimizou a enfermidade, fez propaganda de tratamentos sem comprovação científica8 e acusou de autoritárias as medidas restritivas adotadas por governadores e prefeitos. Isso sem falar no pedido para que pessoas entrassem nos hospitais para filmar uma suposta existência de leitos vagos e assim “comprovar” que a pandemia era “só uma gripezinha”.9

As manifestações verbais ou simbólicas são bastante relevantes, por mostrar que houve participação ativa e consciente do presidente. Mas, também são importantes porque ele representa a autoridade central do país e, portanto, influencia comportamentos e serve de exemplo. O enfrentamento da pandemia depende umbilicalmente de mudanças de comportamento da população, mudanças que podem ser bastante dolorosas, afetiva e economicamente e, por isso, dependem de confiança na sua necessidade. Não é de se estranhar, portanto, a assustadora quantidade de pessoas que descumprem as recomendações sanitárias, emulando o chefe do executivo.

Para além do exemplo, as medidas oficiais também demonstram a existência de uma escolha. O Centro de Pesquisas e Estudos de Direito Sanitário da USP, em parceria com a Conectas Direitos Humanos, analisou 3.049 normas relacionadas à covid editadas pela União10 e concluiu pela existência de estratégia deliberada de disseminação do vírus, uma vez que a maior parte dele visava o enfraquecimento das medidas sanitárias.

No pior momento da pandemia no país, após pesquisadores do Observatório covid-19 da Fiocruz noticiarem que estamos vivendo o maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil, o presidente da República ajuizou ação direta de inconstitucionalidade (ADI 6764)11 contra decretos dos governadores que visam evitar a circulação de pessoas e assegurar o êxito do isolamento social. Fez questão de assinar pessoalmente. Esta é a comprovação do incansável empenho em negar a ciência, maximizar a propagação da covid-19 e colocar a vida de um número cada vez maior de brasileiros em risco, transformando o país em cenário de uma tragédia humanitária sem data para acabar.

O crescimento exponencial do número de mortos sem haver qualquer aceno do chefe do Poder Executivo Federal no sentido de se alinhar às recomendações dos cientistas, da OMS, de apoiar as tentativas municipais e estaduais de conter a pandemia alimentou, em grande parte da população, a certeza de que ele está praticando um genocídio.

O Estatuto de Roma, tratado ratificado pelo Brasil em 2002 (Decreto 4388/02)12, criou o Tribunal Penal Internacional e definiu a sua competência para julgar o crime de genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e o crime de agressão. O texto explica que “genocídio” se dá por quatro espécies de atos, quando praticados por indivíduos “com intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso”. Dentre eles está a “sujeição intencional do grupo a condições de vida com vista a provocar a sua destruição física, total ou parcial” (art.6º, c).

O conceito veste quase com perfeição o cenário. Há sujeição de pessoas à destruição física. Há também intencionalidade e convém lembrar, inclusive, que dois ministros da Saúde foram demitidos justamente por apontar os caminhos recomendados para evitar a tragédia. O requisito da definição do grupo alvo, no entanto, é mais problemático.

Apesar da gravidade da situação, da conduta do presidente potencializar a letalidade do coronavírus, e da mortalidade por covid-19 ser maior entre a população negra e pobre13, ela não é direcionada apenas para estes grupos. É fundamental à configuração de Genocídio que a conduta tenha como alvo um grupo específico, um coletivo de pessoas que possam ser identificadas como vítimas14, como ocorreu com população da etnia Tutsi, em Ruanda, e com os cidadãos chilenos contrários à ditadura de Pinochet15, regime para o qual, aliás, trabalhava o atual ministro da Fazenda Paulo Guedes.

O conceito de genocídio se contrapõe à ideia de uma matança difusa, aleatória e generalizada, que é o que está acontecendo no Brasil.  Apesar da relevância sociológica e do poder que a qualificação da conduta do presidente da República como genocida tem, este não é o melhor enquadramento do ponto de vista jurídico. Por incrível que pareça, a conduta de Bolsonaro não constitui tecnicamente genocídio por ser grave demais para isso. O paradoxo, porém, não afasta a atuação do Tribunal Penal Internacional.

O Estatuto de Roma também apresenta o conceito de Crimes contra a Humanidade, que são algumas espécies de atos, quando cometidos no quadro de um ataque, generalizado ou sistemático, contra qualquer população civil, havendo conhecimento desse ataque (artigo 7º).

Dentre os atos previstos como crime contra a humanidade, está o extermínio, que “compreende a sujeição intencional a condições de vida, tais como a privação do acesso a alimentos ou medicamentos, com vista a causar a destruição de uma parte da população”. Já ataque é qualquer conduta “contra uma população civil, de acordo com a política de um Estado ou de uma organização de praticar esses atos ou tendo em vista a prossecução dessa política”16.

Desta vez, o enquadramento parece alinhar-se melhor à situação do país. Há um ataque generalizado e intencional que sujeita os brasileiros à privação da saúde e que causa a destruição de parte expressiva da população. O mais importante é que, no extermínio, o sujeito passivo é qualquer população civil, sem necessidade de haver direcionamento a grupos específicos.

O grupo alvo da política de morte adotada pelo Governo Federal é o Brasil inteiro. Não será surpreendente se o Tribunal Penal Internacional vier a condenar Bolsonaro. Mas, provavelmente, não será por genocídio, será por crime contra a humanidade. Extermínio. De brasileiros.


1. Para os efeitos do presente Estatuto, entende-se por “crime contra a humanidade”, qualquer um dos atos seguintes, quando cometido no quadro de um ataque, generalizado ou sistemático, contra qualquer população civil, havendo conhecimento desse ataque:

a) Homicídio;

b) Extermínio;(…)

2. Para efeitos do parágrafo 1o:

a) Por “ataque contra uma população civil” entende-se qualquer conduta que envolva a prática múltipla de atos referidos no parágrafo 1o contra uma população civil, de acordo com a política de um Estado ou de uma organização de praticar esses atos ou tendo em vista a prossecução dessa política;

b) O “extermínio” compreende a sujeição intencional a condições de vida, tais como a privação do acesso a alimentos ou medicamentos, com vista a causar a destruição de uma parte da população;(…)

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1. Juíza suspende investigação contra Felipe Neto por suposta violação a LSN.

2Clique aqui. Acesso em 21/03/21

3Clique aqui. Acesso em 21/03/21

4Clique aqui. Acesso em 21/03/21

5Clique aqui. Acesso em 21/03/21

6Clique aqui. Acesso em 21/03/21

7Clique aqui. Acesso em 21/03/21

8Clique aqui. Acesso em 21/03/21

9Clique aqui. Acesso em 21/03/21

10Clique aqui. Acesso em 21/03/21

12Clique aqui. Acesso em 21/03/21

14. DE VITO, Daniela; GILL, Aisha; SHORT, Damien. El Delito de violácion tipificado como genocidio.  SUR – Revista Internacional de Derechos Humanos, São Paulo, ano 6, n. 10, p. 29-51, jun. 2009.

15. GÓMEZ-ROBLEDO VERDUZCO, Alonso. El crimen de genocidio en derecho internacional. Boletín Mexicano de Derecho Comparado, [S.l.], jan. 2002. ISSN 2448-4873. Disponible aqui. Fecha de acceso: 21 mar. 2021 doi:http://dx.doi.org/10.22201/iij.24484873e.2002.105.3736

16. Artigo 7º Crimes contra a Humanidade

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28
Mar21

Mortes em filas por UTI, falta de remédios e angústia: os relatos desesperados de médicos no interior do Pará

Talis Andrade

 

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MARCELO SEABRA/AG PARÁ Atendimento de paciente em Santarém, Pará; governo do Estado não detalha quantas pessoas estão morrendo em filas por UTI

 

  • por Felipe Souza /BBC News

Pessoas com covid-19 morrendo na fila à espera por um leito de UTI, falta de remédios e uma explosão de novos casos sem ter onde tratá-los. É assim que médicos descreveram o cenário de "colapso" no Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT), em Altamira, no interior do Pará.

O hospital é referência na região e atende mais de 500 mil pessoas que vivem em nove cidades. Hoje, porém, a unidade está saturada, não tem condições de atender mais ninguém e já transfere pacientes para outros Estados em viagens que duram horas.

Um relatório divulgado com base nas informações divulgadas pelas prefeituras e secretarias de Saúde da região do Xingu apontava que 14 pessoas estavam na fila por uma vaga na UTI às 22h de quarta-feira (24/3). Cinco pessoas morreram e outras 200 foram contaminadas com covid-19 nas últimas 24 horas.

Na terça-feira (23/3), a Prefeitura de Altamira decretou calamidade pública pelos próximos três meses. A intenção da prefeitura é agilizar a compra de insumos e equipamentos para os hospitais da região, sem a necessidade de uma licitação. Mas para que ele seja legalmente válido ainda precisa ser aprovado pela Assembleia Legislativa do Pará (Alepa).

Apesar do relato dos médicos e do desespero da prefeitura, a Secretaria Estadual de Saúde do Pará diz que está tudo sob controle.

Um médico que trabalha no hospital disse à BBC News Brasil, sob a condição de anonimato, que, além da falta de vagas, os doentes apresentam quadros cada vez mais graves.

"Os casos aumentaram muito desde o início do ano. A doença está mais grave também. Antes, demorava uma semana para surgir um quadro de pneumonia. Agora, o paciente dá entrada e isso acontece depois de quatro dias. Uma evolução rápida e mais grave, com maior tempo de internação", explicou ele.

Ele contou que o hospital Santo Agostinho, também em Altamira, está lotado. Os médicos ouvidos pela BBC News Brasil contam que diversas pessoas morreram em Altamira sem ter a chance de receber um tratamento intensivo ou serem intubadas numa UTI.

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado de Saúde do Pará confirmou que há uma fila por UTI, sem especificar números. Apenas se limitou a dizer que esses pacientes são transferidos para outras regiões, como "baixo Amazonas e Tapajós", a 555 km e 486 km, respectivamente.

Questionada sobre quantas pessoas morreram aguardando uma vaga na UTI nas últimas semanas, a pasta não respondeu e se resumiu a dizer que "tem conseguido garantir atendimento aos pacientes".

O hospital, por meio de sua assessoria de imprensa, disse ainda que não considera a atual situação como um colapso, relatando ter atendido 643 pessoas com suspeita ou casos confirmados de covid desde o início da pandemia. No período, a unidade disse ainda ter mantido "sua referência para 20 especialidades médicas".

Na quarta-feira, uma reunião do comitê de crise criado pela prefeitura de Altamira, com membros do Ministério Público, representantes de bares e restaurantes, igrejas, médicos, sociedade civil e movimentos sociais, chegou a um acordo para decretar um lockdown na cidade. As restrições mais duras para evitar a proliferação do vírus ficarão em vigor do dia 27 de março até o dia 4 de abril.

"Nem o mínimo"

No dia 11 deste mês, o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), visitou o Hospital da Transamazônica. Na ocasião, lembram os médicos, ele inaugurou leitos para pacientes leves e moderados de covid. Além disso, prometeu a abertura de mais dez leitos de UTI. A Secretaria da Saúde disse que essas unidades serão entregues até o fim desta semana.

Mas os médicos dizem que esses leitos nem sequer atenderão a demanda atual de pessoas que estão na fila por uma unidade de terapia intensiva.

"Essas UTIs vão ser ocupadas imediatamente por essas pessoas que estão nessa fila de espera. Não vai ser nem o mínimo necessário. Fora que o colapso já estava evidente e esses leitos vão chegar tarde para muita gente", disse um médico que pediu para não ser identificado.

Os profissionais de saúde que atuam na unidade ouvidos pela reportagem disseram que só há dois caminhos para aliviar o cenário caótico da saúde no Pará. Um deles é a criação de mais leitos de UTI.

Eles dizem que uma sugestão seria acelerar o processo que o Hospital Geral está fazendo de transformar leitos comuns em leitos clínicos para pacientes com covid. Em última instância, esses leitos poderiam ser transformados em UTIs. Mas para isso também é necessária a compra de equipamentos.

O segundo apelo dos médicos é para que o governo aumente as restrições para a circulação de pessoas ao menos até a chegada de novos equipamentos para as UTIs que garantam que mais nenhum paciente fique na fila.

"Eu não acho que investir em hospitais de campanha seja uma boa saída. Já foi gasto muito dinheiro com essas estruturas temporárias que depois são desmontadas e não fica nada para a população. Se tiver que investir, que seja em melhorias ou ampliação do que já tem porque depois isso fica para o povo", opinou um médico à BBC.

Profissionais que trabalham no hospital da Transamazônica também relataram ter esgotado os estoques nas últimas semanas de ao menos dois medicamentos usados no tratamento de pacientes com covid: a enoxaparina (anticoagulante) e a dexametasona (corticoide). Isso, segundo eles, prejudica o tratamento porque mudar os corticoides diminui o efeito da medicação.

"Quando ocorre essa falta de medicamentos, a gente acaba mudando o tratamento e isso leva a um desfecho ruim para o paciente. É muito comum surgir uma pneumonia secundária em casos de covid e são necessários antibióticos para tratá-la. Quando você precisa mudá-lo, ele não faz o mesmo efeito", disse um dos médicos.

Questionado, o hospital disse que não há falta desses medicamentos, mas não respondeu se eles acabaram recentemente, como afirmam os médicos. A administração estadual disse que desde o início da pandemia, um "trabalho de logística envolve a aquisição antecipada em quase dois meses para evitar o desabastecimento da unidade".

Do lado de fora do hospital, famílias dos pacientes ficam angustiadas à espera de notícias e se dizem indignadas com o tratamento dado a seus parentes. Uma delas disse à BBC por telefone que o marido estava numa situação grave e mesmo assim não foi intubado. Essa é uma reclamação em comum de quem passa parte do dia à espera de informações sobre quem está no hospital.

A BBC News Brasil conversou com uma pessoa ligada à cúpula do hospital, mas que também pediu para não ser identificada. Ela disse que os médicos fazem todos os esforços possíveis para que o paciente não seja intubado, pois isso prejudica o organismo de quem está internado.

"Temos uma máscara (de respiração mecânica) para evitar entubar o paciente porque a gente sabe que isso dificulta muito a vida dele. Às vezes, a família entende isso de uma forma diferente, até porque a covid impede que eles vejam quem está internado e acompanhe o tratamento mais de perto. Mesmo assim todos os dias ao menos um médico desce e conversa pessoalmente com cada familiar para explicar o caso de cada um", afirmou.

20
Mar21

Reinaldo: se Bolsonaro não é psicopata, ele os imita muito bem

Talis Andrade

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247 – "O presidente Jair Bolsonaro fez a sua 'Live Al Qaeda' de ontem [quinta-feira] falando manso, quase baixo. Jogo de cena. Note-se que, como é quem é, fez uma caricatura de uma pessoa sufocada pela Covid-19. Tentou ser engraçado. Impossível não trazer à memória o que diz a literatura especializada sobre a falta de empatia dos psicopatas. Se o presidente não é um deles, ele os imita muito bem", disse ele em suas redes sociais

Reinaldo Azevedo
“Até quando, Bolsonaro, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda hás de zombar de nós a tua loucura? A que extremos se há de precipitar a tua audácia desenfreada? (….) Nem os temores do povo, nem a confluência dos homens honestos, nada consegue te perturbar?
 
Não percebes que teus planos foram descobertos? Não vês que tua conspiração foi dominada pelos que a conhecem? Quem, entre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, onde estiveste, a quem convocaste, que deliberações foram as tuas?”
O presidente Jair Bolsonaro fez a sua "Live Al Qaeda" de ontem falando manso, quase baixo. Jogo de cena. Note-se que, como é quem é, fez uma caricatura de uma pessoa sufocada pela Covid-19. Tentou ser engraçado. Impossível não trazer a memória...
 
... o que diz a literatura especializada sobre a falta de empatia dos psicopatas. Se o presidente não é um deles, ele os imita muito bem. 
 

Reinaldo Azevedo
Não partam do princípio de q só uma pessoa desinformada apoia Bolsonaro. É nosso idealismo q quer ver assim. Não! Os defensores mais virulentos sabem de tudo e dão de ombros. Os q se fingem de imprensa ainda têm a tarefa adicional de mentir. Aí já é interesse mesmo.
 
Como é possível q reste apoio a um governo cuja incompetência e negacionismo matam aos milhares? Então os fanáticos ñ sabem? Apoiadores de Hitler, Mussolini ou Franco sabiam o q eles faziam. E gostavam. Tinham o mesmo caráter dos respectivos líderes. Daí q debater seja inútil.
 
Anotem aí: o país está ficando também sem oxigênio. A produção não atende à demanda. Mas o novo Sabujo da Saúde, consta, quer visitar hospitais para saber se é memo verdadeiro o colapso nas UTIs. Terá de viajar o Brasil inteiro.
 

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Reinaldo Azevedo
Bolsonaro e Pazuello deixaram q estoque de remédios de intubação chegasse ao fim. Requisitou o q restava disponível nos fornecedores. No SUS, podem acabar em 15 dias. Em hospitais privados, em 2 dias. E o psicopata ameaça o país com golpe. Exército se orgulha de Pazuello?

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20
Mar21

Governo militar de Bolsonaro cancelou em agosto de 2020 compra de medicamentos para pacientes em UTI

Talis Andrade

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247 - O governo militar de Jair Bolsonaro cancelou a importação de medicamentos para intubação de pacientes da Covid-19 em agosto do ano passado, “sem explicação”, segundo o Conselho Nacional de Saúde (CNS).

Em julho de 2020, medicamentos foram adquiridos pelo governo de empresas uruguaias, numa ação que ficou conhecida como “Operação Uruguai”. Um mês depois, o governo federal cancelou a chamada “Operação Uruguai II”, que tinha o mesmo objetivo.

Já no final de agosto o Conselho Nacional de Saúde alertou para o risco de falta de insumos e pediu que o Ministério da Saúde e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) tomassem providências para regularizar o estoque desses insumos.

Além do CNS, também alertaram o Ministério da Saúde o Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e o Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde).

Falta de medicamentos para intubação no Brasil

Secretários municipais de saúde alertam para baixo estoque de medicamentos para pacientes intubados e informam que em vários estados, os estoques públicos de medicamentos para intubação estão em níveis críticos e podem acabar em menos de três semanas.

O chamado "kit intubação" tem, entre outros itens, remédios para anestesia, sedação e relaxamento muscular.

O Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, no dia 17 deste mês, calculou que as reservas atuais durarão apenas 20 dias e pediu que o Ministério da Saúde garanta com a indústria a continuidade do fornecimento.

A falta de medicamentos ocorre em meio ao avanço das internações causadas pela Covid-19. Estados começaram a registrar escassez de medicamentos usados para intubação, como sedativos e relaxantes musculares.

Temer tomou posse na presidência do Brasil em 31 de agosto de 2016; o governo militar de Bolsonaro em 1 de janeiro de 2019; e não aparecem os responsáveis pelo caos na Saúde. 

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Governadores alertam risco

Nesta sexta-feira, 19, o Fórum Nacional de Governadores encaminhou um ofício a Jair Bolsonaro alertando para problemas no abastecimento de medicamentos utilizados em UTIs.

Treze governadores assinaram o documento solicitando a compra emergencial de 11 medicamentos cujos estoques se encontram no fim. Os governadores pedem também a compra de medicamentos no exterior.

Estoques acabando nos hospitais privados em até 48 horas

A decisão do Ministério da Saúde de requisitar medicamentos para intubar pacientes e destiná-los ao SUS pode fazer com eles acabem em até 48 horas em alguns hospitais privados, segundo a Associação Nacional de Hospitais Privado (Anahp).

A Anahp representa os 118 maiores hospitais privados do Brasil, que atendem cerca de 8.000 pacientes da Covid-19.

A decisão do Ministério da Saúde ocorreu após receber a informação que os estoques de medicamentos para pacientes em UTI do SUS poderiam terminar em 15 dias. Faltam medicamentos essenciais para intubar pacientes com casos graves da doença, como sedativos, anestésicos e bloqueadores musculares.

'Kit entubação': médicos alertam que escassez de remédios essenciais contra Covid-19 pode gerar número 'assustador' de óbitos

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Médicos intubando paciente de covid-19 nos EUA; procedimento exige medicamentos que relaxem e deixem sedada a musculatura

Por Paula Adamo Idoeta, BBC

Médicos e entidades da saúde estão em alerta para uma potencial crise de desabastecimento de remédios cruciais usados no combate contra a Covid-19 em todas as regiões do Brasil – algo que, segundo parte dos especialistas, tem o potencial de ser tão grave e mortal quanto a escassez de oxigênio que afetou cidades como Manaus.

Alguns sinais preocupantes começaram a surgir ainda no início deste ano: farmacêuticos que trabalham em hospitais paulistas passaram a relatar ao Conselho Regional de Farmácia (CRF-SP) que estoques de alguns medicamentos cruciais no tratamento de pacientes graves com Covid-19 estavam ficando em nível perigosamente baixo.

Segundo profissionais da área, a falta desses medicamentos pode levar a um enorme aumento do número de mortes de pacientes com Covid-19 no Brasil.

"Como esses relatos começaram a aumentar, resolvemos fazer um levantamento", explica à BBC News Brasil Marcelo Polacow, vice-presidente do CRF-SP. Em pesquisa feita em fevereiro com 234 farmacêuticos de hospitais públicos e privados de todo o estado paulista, 77% responderam que havia problemas de desabastecimento de medicamentos – em particular alguns sedativos e neurobloqueadores musculares.

Ambos são parte do chamado "kit entubação" e essenciais para permitir que pacientes graves com Covid-19 sejam entubados e, assim, possam respirar mecanicamente.

A escassez desses medicamentos existe atualmente em todos os estados, segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).

No âmbito municipal, a avaliação é de que os estoques atuais são suficientes para mais duas semanas.

 

"Não temos desabastecimento ainda, mas sim uma baixa no estoque, por conta do aumento de leitos e de pacientes entubados ter aumentado o consumo de kits entubação", diz à BBC News Brasil Wilames Freire, presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais da Saúde (Conasems).

 

"No fim de semana passado foi feita uma distribuição aos estados, e a avaliação é de que os estoques darão para 15 dias, em tese – dependendo do andamento da pandemia e dos efeitos dos lockdowns", prossegue.

Remédios 'insubstituíveis'

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UTI em São Paulo; pesquisa com farmacêuticos de hospitais paulistas despertou preocupação com o desabastecimento demedicamentos cruciais

Como explica Marcelo Polacow, embora haja mais de um remédio sedativo e bloqueador muscular, o uso desses remédios é indispensável para entubar e manter entubados os pacientes – um procedimento crucial para a vida de quem está com comprometimento respiratório grave por conta da Covid-19.

"Não são remédios substituíveis. Para colocar o tubo e oxigenar o organismo, é preciso relaxar as vias aéreas. Sem isso, não dá para fazer a entubação, nem para manter a entubação, e os índices de mortalidade (se não houver esses medicamentos) pode ser assustador", diz.
 

Segundo Polacow, o gargalo é que, diante dos números estratosféricos da Covid-19 no Brasil, a indústria não tem conseguido suprir a demanda por esses medicamentos.

"A matéria-prima é importada, depois embalada ou colocada em ampolas aqui. E as indústrias estão tendo dificuldade em importar, assim como está acontecendo com os IFAs (insumos farmacêuticos ativos) de vacinas. Houve um aumento gigante na demanda nos últimos três meses, e a indústria não está tendo para entregar."

Freire, do Conasems, diz que a entidade fez uma requisição ao Ministério da Saúde para que este pedisse o excedente de medicamentos das indústrias. Também pediu a suspensão nacional das cirurgias eletivas (ou seja, não urgentes), que poderiam consumir medicamentos sedativos.

"Muito está sendo feito, (mas) a gente fica preocupado porque não consegue prever o que vai acontecer em um curto espaço de tempo", diz Freire. "O Ministério da Saúde terá que regular o uso e importar (medicamentos para entubação) o mais rápido possível, para eles não faltarem em um momento crítico."

O Ministério da Saúde foi consultado pela BBC News Brasil e, caso responda, este texto será atualizado.

Em São Paulo, a Secretaria Estadual da Saúde informou em nota que "com o recrudescimento da pandemia, a pasta intensificou o monitoramento dos estoques de oxigênio, insumos e medicamentos, incluindo os utilizados em pacientes entubados em unidades hospitalares para atendimento aos casos de Covid-19. Os hospitais estaduais estão abastecidos".

Outro exemplo do cenário preocupante vem do Paraná, onde hospitais públicos e privados estão lotados.

Em entrevista ao programa Meio Dia Paraná, a secretária municipal de Saúde de Curitiba, Márcia Huçulak, afirmou nesta semana que a pasta está "muito preocupada" com o abastecimento de remédios para entubação.

"Temos ainda um estoque, mas o consumo aumentou absurdamente, principalmente de neurobloqueadores. Os fornecedores estão dizendo que estão com dificuldades de atender nossos estoques", declarou.

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Escassez de medicamentos para intubação tem sido registrada em todo o país; "não vai adiantar ter leitos e médicos" se não houver remédios suficientes, diz especialista

Para a pesquisadora Claudia Garcia Serpa Osorio-de-Castro, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruza atual escassez é "indesculpável", uma vez que, em agosto do ano passado, no pico da primeira onda da pandemia, o grande uso de tais medicamentos já sinalizava a importância em adquiri-los com antecedência.

"Houve uma demora do poder público em agir e uma desmobilização depois da primeira onda, inclusive dos hospitais de campanha, mesmo quando já se previa uma segunda onda. Existe uma inércia muito preocupante", diz ela.

'Não é mais só ter leito e médico'

Para Marcelo Polacow, o desabastecimento criaria o cenário para uma tragédia no "mesmo nível de preocupação" da crise da falta de oxigênio que acometeu Manaus.

Osorio-de-Castro, da Fiocruz, opina que é difícil comparar as duas crises, uma vez que a produção de oxigênio é mais concentrada na mão de poucas empresas, ao contrário da fabricação de remédios, mais pulverizada.

Ao mesmo tempo, ela alerta para o perigo de o poder público acabar sendo levado a comprar esses medicamentos a um preço muito mais alto neste momento de crise, por conta da alta demanda.

"Tem de haver um esforço conjunto (entre indústrias, entes privados e públicos) para distribuir esses medicamentos com solidariedade, e para quem de fato o precisa. E a gente não está vendo esse esforço."

"É uma calamidade com vários culpados: a falta de isolamento social, a lentidão na vacinação, a ausência de políticas públicas", opina, por sua vez, Marcelo Polacow.

Ele explica que a escassez de remédios cruciais pode minar o esforço em garantir mais leitos hospitalares.

"Hoje não (basta) mais só ter leito e médico. Apesar de não termos levantado em nossa pesquisa quantos dias duram os estoques dos hospitais (paulistas), alguns relatam que esses estoques vão durar cinco, dez dias."

O mais importante no momento, diz ele, é seguir à risca o isolamento social e intensificar a pressão pela vacinação em massa, de forma a tentar reduzir a sobrecarga sobre o sistema de saúde.

O Conselho Federal de Farmácia confirmou em nota, nesta quinta-feira (18/3), que "informações de farmacêuticos que atuam em hospitais e outros serviços de saúde de diversos pontos do país, bem como manifestação púbica dos secretários estaduais e municipais da saúde e da própria indústria farmacêutica, evidenciam o desabastecimento de bloqueadores neuromusculares, sedativos e outros medicamentos utilizados em terapia intensiva, como o midazolan, essenciais a uma entubação humanizada e segura".

O órgão afirmou que "apela pelo uso racional dos medicamentos, para que a pandemia não faça vítimas também entre pessoas que sequer contraíram o coronavírus, mas têm outras doenças tão graves quanto a Covid-19".

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