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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

28
Nov20

O anauê de campanha do adversário da Manu

Talis Andrade

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fascismo.jpgPoliciais alemães são investigados por saudação nazista | Notícias sobre  política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 01.09.2018Image

Gestos das extrema direita. A saudação integralista 'anauê' equivale o 'heil Hitler' HH do nazismo 

por Celso Raeder

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O grande público não tem obrigação de perceber. Mas, para quem lida com marketing político, é um erro imperdoável não tirar proveito das falhas gestuais do adversário. Vamos pegar como exemplo a campanha de Porto Alegre, entre Manuela D´Ávila e Sebastião Melo. É só comparar a expressão corporal dos dois, nos programas eleitorais, para entender o abismo que os separam. Manu é abraços, beijos, carinho, afeto e solidariedade. Melo, ao contrário, emprega uma saudação que lembra muito aqueles cumprimentos de cunho ultranacionalistas, de exclusão dos diferentes, típico dos déspotas que mascaram suas intenções e só as revelam uma vez instalados no poder.Image

Reveja o último debate entre os candidatos à prefeitura de Porto Alegre: Sebastião  Melo e Manuela D'Ávila | G1 / RS / Rio Grande do Sul / Eleições / Eleições  2020 no

Propaganda eleitoral consegue mascarar muita coisa. Menos os traços de personalidade do candidato. Melo não tem um olhar transparente diante das câmeras. É notável o esforço que faz para esconder o que realmente sente e pensa. Isso fica claro quando alardeia seus laços de parceria com o general Hamilton Mourão, tentando extrair daí apenas o bônus de ser amigo do vice-presidente. Mas na hora em que Manuela traz para a TV o negacionismo do Mourão sobre o racismo no Brasil, Melo logo veste a carapuça. E olha que nem ela – e muito menos eu -, acha que o candidato do MDB seja racista.  

Não há nada de errado em ser amigo do Mourão, do Bolsonaro, do Olavo de Carvalho, da turma que não quer vacina contra covid, daqueles que incendeiam o Pantanal e a Floresta Amazônica. Apenas acho que o eleitor tem direito de saber disso na hora de decidir em quem vai votar. Aquele “anauê” integralista, de punhos cerrados batendo no peito, diz muito mais sobre o futuro de Porto Alegre sob o comando do candidato emedebista, do que as musiquinhas xaropes e imagens de drones utilizados para vender a imagem de Melo como um bom prefeito para a cidade.

De todas as campanhas eleitorais de segundo turno no país, Porto Alegre deveria ser, em tese, a de voto mais consolidado em favor da mudança. Agora, é esperar para ver se, no domingo, os gaúchos resgatarão seu passado de lutas e conquistas, ou se deixarão levar pela doutrina do ódio disfarçado em comerciais de margarina.

01/06/2016 - PORTO ALEGRE, RS - Sebastião Melo. Foto: Joana Berwanger/Sul21

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27
Nov20

Sentindo eleição ameaçada, direita apela para ódio e terrorismo eleitoral

Talis Andrade

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por Jeferson Miola

Com a divulgação de pesquisas sobre o 2º turno, o pânico tomou conta dos comitês de Brunos Covas/PSDB em São Paulo e de Sebastião Melo/MDB em Porto Alegre.

Tanto na capital paulista como na gaúcha, levantamentos indicam queda das intenções de votos nos candidatos da oligarquia dominante, e crescimento das candidaturas de esquerda de Guilherme Boulos/PSOL e Manuela D’Ávila/PCdoB/PT.

A disputa avança dramaticamente nestas 2 cidades na reta final de campanha, e o resultado do próximo domingo [29/11] tende a ser parelho em ambas.

Em São Paulo e em Porto Alegre observa-se o amontoo automático do chamado centro político, mais direita e mais extrema-direita bolsonarista para enfrentar as candidaturas de esquerda apoiadas pela centro-esquerda.

É interessante notar como os xingamentos e as brigas selvagens entre os candidatos e partidos do bloco conservador magicamente desapareceram. Agora, todos atuam em ordem unida para enfrentar o que consideram ser o inimigo comum – a esquerda e o campo progressista.

Para a oligarquia racista, o relevante não é apresentar propostas concretas para enfrentar problemas como finanças municipais, desemprego, moradia, saúde, educação, creches, saneamento básico, Plano Diretor e o desenvolvimento da cidade. A única obsessão deles é impedir que a esquerda vença para promover mudanças profundas no governo.

Está claro que a oligarquia não se junta a favor de um plano para a cidade. Eles apenas se amontoam em aglomerados reacionários para combater a esquerda. Não sem histeria, bradam contra a “ameaça comunista”, como se estivessem na Guerra Fria.

Até há alguns dias, as campanhas de Covas/PSDB em São Paulo e de Melo/MDB em Porto Alegre simulavam civilidade em público, ao mesmo tempo em que promoviam toda sorte de vilania e patifaria no subterrâneo das redes sociais e do WhatsApp.

Com os números das pesquisas recentes, contudo, as campanhas deles passaram a apelar para o ódio e o terrorismo abertos, inclusive promovendo sectarismo religioso na propaganda eleitoral.

Nos últimos dias começaram circular vídeos com sionistas defendendo o voto em Covas e acusando Boulos de antissemita. Na mesma linha, cristãos conservadores [católicos e evangélicos] transformaram igrejas, cultos e templos religiosos em comitês eleitorais do Covas, a partir dos quais proferem toda sorte de infâmias e demonizam Boulos.

O próprio Covas, talvez desesperado com o risco da derrota, parece esquecer que a disputa é para o governo da cidade de São Paulo, mas mesmo assim provoca Boulos a responder acerca de problemas de Cuba e da Venezuela …

Em Porto Alegre a chapa do Melo/MDB, integrada pelo fundador e coordenador do MBL no Rio Grande do Sul [Ricardo Gomes/DEM], é especializada em industrializar mentiras, ataques e baixarias.

Desde o 1º turno, Manuela tem sido alvo da pistolagem e banditismo político deste bando da direita extremista – mais detalhes aqui. A campanha dela derrubou na justiça mais de 530 mil publicações ofensivas, notícias falsas e calúnias no facebook.

Agora circula um áudio com relato da reunião do Ricardo Gomes com o poderoso sindicato patronal da construção civil, o SINDUSCON, no qual empresários são conclamados a votar no Melo, “porque se entrar essa vadia aí vai ser um problema muito sério para a cidade”.

Os programas de TV do Melo também ficaram mais violentos e apelativos. Melo finalmente saiu do esconderijo das redes e passou a atacar Manuela na TV e nas entrevistas. O candidato da direita racista tenta assustar a população com uma retórica anticomunista e antipetista, para infundir medo e pavor nos eleitores da Manuela.

É arriscado predizer alguma tendência de resultado no próximo 29 de novembro, dadas as incertezas das pesquisas, que acertam cada vez menos os prognósticos.

Mas, por outro lado, o comportamento desesperado dos candidatos da direita bolsonarista e bolsonarizada – em São Paulo e em Porto Alegre – autoriza supor-se que são bem realistas os “riscos” de vitória da esquerda e do campo progressista em São Paulo com Boulos, e em Porto Alegre com Manuela.Image

 
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08
Set20

Como o maior movimento de direita da história do Brasil levou Bolsonaro ao poder

Talis Andrade

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O país ideal do bolsonarismo é o mesmo dos integralistas dos anos 30

Edison Veiga entrevista Pedro Doria

 

Pouco mais de dois anos atrás, quando o diretor da Editora Planeta no Brasil, Cassiano Elek Machado, propôs ao jornalista Pedro Doria que este escrevesse um livro sobre o movimento integralista brasileiro, Jair Bolsonaro – então deputado federal, conhecido por suas posições reacionárias – era apenas um pré-candidato à Presidência da República.

Durante o processo de pesquisa e redação, Doria observou as semelhanças entre o ascendente bolsonarismo e aquelas ideias fascistas do Brasil dos anos 1930. Foi quando o experiente jornalista – autor de outros três livros de história do Brasil, fundador da startup Canal Meio e colunista dos jornais O Estado de S. PauloO Globo e da rádio CBN – se viu, em suas palavras, tendo de enfrentar seus "próprios fantasmas".

"Foi ficando claro que Bolsonaro iria ser presidente da República, e eu tive meio que um bloqueio", diz à DW Brasil. "Eu estava imaginando como explicar a atração de algo como o fascismo. Porque hoje é evidente que aquilo foi uma coisa horrorosa, mas na década de 1930 aquilo era extremamente sedutor para a juventude. De repente, tudo o que começou a ocorrer ao nosso redor foi esse espírito agressivo, aquele jeito tão encantado com a morte de fazer política estava ressurgindo."

Assim, segundo o autor, o recém-lançado livro Fascismo à Brasileira foi escrito "sobre um espírito de tempo tão complicado" e, ao mesmo tempo, "vivendo um espírito de tempo muito similar". "Para mim, foi muito angustiante e mexeu comigo", comenta.

O livro trata da Ação Integralista Brasileira (AIB), movimento ultranacionalista, conservador e de extrema direita fundado pelo jornalista Plínio Salgado (1895-1975) em 1932 e dissolvido em 1937. Mas acabou ganhando um subtítulo que resume suas muitas reflexões sobre os tempos atuais: "como o integralismo, maior movimento de extrema direita da história do país, se formou e o que ele ilumina sobre o bolsonarismo". 

"O reacionarismo brasileiro remete às suas características: um país de base agro, a organização familiar nuclear – o homem manda, a mulher rege a casa, os filhos obedientes –, a relação forte com a Igreja. Quando Plínio Salgado fala de um Brasil ideal, essas coisas estão profundamente presentes. [...] Nesse sentido, o ideal do bolsonarismo é o mesmo de Plínio. Eles estão falando com o mesmo estereótipo de brasileiro, que na essência podemos chamar de mais puro reacionarismo brasileiro", afirma em entrevista à DW Brasil.

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DW Brasil: Logo no prefácio do livro Fascismo à Brasileira, você afirma que a AIB foi o maior movimento popular de direita da nossa história, "ao menos até o surgimento de Jair Bolsonaro". Já é possível afirmar que o bolsonarismo superou o integralismo?

Pedro DoriaExiste uma razão fundamental para podermos dizer que Bolsonaro é maior que a AIB: Jair Bolsonaro chegou ao poder, Plínio Salgado não conseguiu. Plínio era um cara muito mais sofisticado do que Bolsonaro. Mas ele calhou de viver em um tempo em que existia Getúlio Vargas, e Getúlio é provavelmente o político mais completo, mais talentoso que o Brasil já teve. A AIB era muito mais organizada, muito mais estruturada do que esse movimento do Bolsonaro.

 

Você afirma que uma diferença basilar entre o integralismo e o bolsonarismo é justamente a falta de base intelectual-filosófica do segundo em relação ao primeiro. De certa forma, ao conferirem uma "formação" aos bolsonaristas, figuras como Olavo de Carvalho e seus seguidores não se configurariam a base de pensamento da nova direita brasileira?

O Olavo de Carvalho é justamente o braço fascista do bolsonarismo. Plínio Salgado, quando estava negociando com Getúlio a sua entrada no governo do Estado Novo, queria o MEC – o Ministério da Educação e da Cultura. Quais são as áreas que o olavismo quis quando foi entrar no governo Bolsonaro? O Ministério da Educação e a Secretaria da Cultura. Por que essas duas? Porque a lógica fascista é uma lógica de doutrinação. Você tem de literalmente doutrinar crianças, adolescentes e mesmo adultos a respeito de uma determinada visão de país, de história. Você tem de impor aquela filosofia.

Mas é preciso destacar o fato de que eles [os de hoje] são muito atrapalhados, incompetentes e, nesse sentido, são muito diferentes dos fascistas anteriores. Quando você pega, por exemplo, todo mundo que passou pela Secretaria da Cultura ou mesmo o [ex-ministro da Educação, Abraham] Weintraub, não fizeram nada, absolutamente nada. Nem essa máquina de doutrinação eles conseguiram sequer chegar próximos de empregar, provavelmente porque não sabem fazer mesmo.

 

Quais são as principais semelhanças entre o bolsonarismo e o integralismo, o fascismo brasileiro dos anos 1930?

O movimento fascista tem essa característica muito peculiar que é de ser simultaneamente revolucionário e reacionário. Plínio Salgado cria esse passado épico brasileiro a partir das suas raízes, um homem do interior de São Paulo. Baseia-se nos bandeirantes, os homens que desbravaram o Brasil. O reacionarismo brasileiro remete às suas características: um país de base agro, a organização familiar nuclear – o homem manda, a mulher rege a casa, os filhos obedientes –, a relação forte com a Igreja. Quando Plínio Salgado fala de um Brasil ideal, essas coisas estão profundamente presentes. Como é o Brasil ideal de Jair Bolsonaro? Percebe-se que seu olhar está muito mais para o agronegócio do que para o Brasil das grandes cidades. Quando vemos figuras como o ministro [do Meio Ambiente, Ricardo] Salles dizendo que é preciso explorar a Amazônia, ele está falando essencialmente de um Brasil bandeirante. Nesse sentido, o ideal do bolsonarismo é o mesmo de Plínio. Eles estão falando com o mesmo estereótipo de brasileiro, que na essência podemos chamar de mais puro reacionarismo brasileiro.

 

No Brasil dos anos 1930, o "inimigo comunista" era usado para justificar um discurso de extrema direta. No mundo contemporâneo, contudo, o que baliza tais discursos?

O discurso é criado em cima de uma explicação paranoide de realidade. Para eles, existe o perigo comunista. E o que eles chamam de comunismo e de marxismo cultural é a ampliação dos direitos civis, dos direitos individuais. Estamos falando de uma sociedade que se preocupa em tratar de forma equivalente todos os seus cidadãos e, por isso, usa o Estado para interferir de certa forma nas regras do jogo para corrigir distorções, para fazer com que todo mundo tenha direitos iguais. Só que aí há essa confusão ideológica, e o que termina por acontecer é que esse troço começa a ser chamado de esquerda. Só que essa história de certa forma colou, e o ponto é que cada vez menos pessoas enxergam a realidade como ela é.

 

Em seu livro, você detalha o encontro ocorrido entre Plínio e Benito Mussolini e como isso mudou a vida do brasileiro. Pelo que se tornou Bolsonaro hoje, acredita que podemos apontar um episódio da vida dele que também tenha significado uma consolidação de seu rumo?

Não apontaria um episódio específico, mas a biografia de Jair Bolsonaro. Ele nasceu no interior de São Paulo, de família humilde, trabalhou desde cedo, tem muito esse ethos do interior paulista, de que homem é homem, mulher é mulher. Isso é muito claro na maneira como ele fala, inclusive.

Então, ele se formou no Exército em meados dos anos 1970, no auge dos anos de chumbo. Mas dentre as pessoas que se formaram no auge dos anos de chumbo, ele não foi um cara que cresceu para se tornar um major, um coronel, um general. Não, ele teve a carreira interrompida e passou para a reserva no posto de capitão. Assim, não estamos falando de alguém que tenha se desenvolvido intelectualmente dentro do Exército. A formação dele é no pico da paranoia do Exército com a ameaça comunista. Ele vê comunista por tudo quanto é parte. Na reabertura, ele acha que o Exército está afrouxando quando começa a arrumar para a democracia.

Desde o início, a gente percebe que ele não é alguém que acredita na democracia, sempre deixou isso muito claro. Quando chega a leitura meio paranoide do Olavo de Carvalho a ele, aquela leitura de que os comunistas perderam nas armas mas conquistaram na cultura, a gente vê nitidamente que o Bolsonaro era o cara pronto para comprar aquela história. É o caso de toda a formação dele. Ele se tornou a peça que se encaixa com muita facilidade nesse esquema paranoide de ver o mundo que vem dessa nova direita mundial

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27
Fev20

Petardo: Fascistas querem fechar o Congresso

Talis Andrade

chave da felicidade bolsonaro foda-se.jpg

 

 

por Altamiro Borges

Após o general-gagá Augusto Heleno propor um "foda-se" ao Congresso Nacional, grupos fascistas convocam ato pela dissolução do parlamento e do STF. Deputados bolsonaristas, incluindo os filhos do "capetão", reforçam a convocatória. Cadê os presidentes da Câmara, Senado e STF? 

*** 

O ato fascista é apoiado por seis parlamentares bolsonaristas: Carla Zambelli (PSL-SP), Filipe Barros (PSL-PR), Guiga Peixoto (PSL-SP), Aline Sleutjes (PSL-PR), Delegado Éder Mauro (PSD-PA) e Soraya Thronicke (PSL-MS)". Por ser contra a Constituição, todos deveriam ser cassados! 

*** 

Na semana passada, diante das ameaças que já fediam no ar, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou que "nenhum ataque à democracia será tolerado pelo Parlamento". Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), detonou o general Heleno, um "radical ideológico". Só isso, porém, não basta!

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Do site da revista Veja: "Regina Duarte adere à convocação de protesto contra o Congresso". Pelo seu Instagram, a ex-artista global postou uma montagem em que manifesta seu apoio ao “Gen Heleno/Cap Bolsonaro” e esbraveja: “O Brasil é nosso. Não dos políticos de sempre. Nas ruas”. 

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Regina Duarte também reproduz um vídeo patético em que o "capetão" é bajulado como “cristão, patriota, capaz, justo e incorruptível”. E ainda teve artista que acreditou que a namoradinha do fascismo poderia arejar a Secretaria Especial da Cultura e tornar-se uma voz pela democracia. 

*** 

Época informa que o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) pretende convocar ainda para esta semana reunião com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, e dez outros líderes partidários para discutir o apoio de Bolsonaro ao ato fascista contra o Congresso. 

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"Temos que parar Bolsonaro! Basta! As forças democráticas têm que se unir agora. Já! É inadiável uma reunião de forças contra esse poder autoritário. Ou defendemos a democracia agora ou não teremos mais nada para defender em breve", conclama Alessandro Molon em notinha da 'Época'. 

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O "foda-se" à democracia proposto pelo ato fascista gerou críticas até de milicos. O general Santos Cruz, ex-ministro do laranjal, criticou a "má-fé" no uso das imagens do gagá Augusto Heleno e do vice-presidente, general Hamilton Mourão, na convocação da manifestação golpista. 

*** 

Na semana passada, os partidos de oposição protocolaram pedido de convocação do general Augusto Heleno, que é ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Agora é urgente juntar outras forças, numa ampla frente, para acuar os golpistas e defender a democracia.

 

21
Fev20

Bolsonarismo atende Heleno e convoca atos contra o Congresso: "foda-se"

Talis Andrade

247 - Manifestações contra o Congresso Nacional e em apoio ao "foda-se" do general Augusto Heleno estão sendo convocados por líderes bolsonaristas em todo o país para o próximo dia 15 de março.

Há dois dias, o chefe do GSI, general de pijama do Haiti e Tróia, foi flagrado com esta ofensa-ameaça ao Congresso. "Nós não podemos aceitar esses caras chantagearem a gente o tempo todo. Foda-se", disse Heleno, que participou de uma  cerimônia no Palácio da Alvorada.

Os bolsonaristas correram em seu apoio. A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) saiu a público em apoio ao general, "Deixem o general Heleno trabalhar em paz". E torpedeou a ideia de que ele seja convocado pelo Congresso Nacional.

Um dos líderes bolsonaristas que convocam a manifestação contra o Congresso é, paradoxalmente, um deputado federal, integrante do movimento Direita Paraná. O deputado Filipe Barros (PSL-PR) postou em seu twitter uma foto do general fardado e com senho franzido diante do Congresso Nacional cercado por bolsonaristas para convocar a manifestação.

No tweet, ele diz que a "pauta única" do protesto será o apoio ao governo Jair Bolsonaro em confronto com o Congresso.

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09
Jan20

O Brasil avança para trás

Talis Andrade

"Que desapareça para sempre o integralismo, ou coisa parecida”

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por Luis Fernando Verissimo

O Brasil avança para trás. Tem saudade de si mesmo. O que explica o ressurgimento no noticiário nacional do movimento integralista senão uma autonostalgia?

Uma organização que se denomina integralista anunciou não ter nada a ver com os coquetéis Molotov atirados contra o prédio da produtora do Porta dos Fundos, programa humorístico da TV. O que espantou muita gente: por saber que o integralismo não apenas ainda existe como tem uma organização, e não só tem uma organização como uma dissidência que atira bombas.

O movimento integralista que deixou saudade foi o mais atuante dos movimentos filofascistas que cresceram nos anos 30, no Brasil. Ganhou alguma relevância política – e chegou a tentar um golpe – e com a ascensão do Getúlio Vargas, que endossava algumas das suas pregações totalitárias, aceitou sua ajuda, mas não lhe deu nada em troca.

Tinham um líder, Plínio Salgado, chamado de carismático, mas cujo carisma não sobrevivia nas fotos dos jornais mal impressos. Usavam todos camisas verdes e um signo inspirado na suástica nazista, e saudavam-se com o braço direito erguido, também como os fascistas. As manifestações dos camisas verdes atraíam multidões, na época. Era grande a simpatia pelos integralistas.

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Há dias participei de uma festa de aniversário de criança em que a principal atração era uma enorme torta, saudada por todos com entusiasmo. “Oba!” exclamou alguém, “uma Martha Rocha!”. Uma o quê?

Ninguém se lembrava que chamavam a torta de Martha Rocha em honra da baiana que deixara de ser escolhida Miss Universo por ter dois centímetros a mais nos quadris, de acordo com o padrão brasileiro, o que causou uma revolta nacional. A maioria dos adultos na festa não se lembrava nem da própria Martha Rocha, que era linda, colorida, alegre e irresistível como… Bem, como uma torta.

No caminho do passado que parecem estar querendo nos levar, pensei (mastigando o menor pedaço de torta que a dieta e a consciência me permitiam): que volte a Martha Rocha e que desapareça para sempre o integralismo, ou coisa parecida.

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07
Jan20

BRASILATOS CRIMINOSOS, MENTIRAS E O FALSO ATAQUE À ESTÁTUA DA HAVAN

Talis Andrade

 

estatua liberdade velho havan.jpg

 

por Gilson Santos

Jornal A Voz de Araxá

 

Tem algo muito estranho nesse lance do fogo na estátua da Havan.
Foi só prender o líder do movimento integralista que atacou a sede da produtora do canal humorístico Porta dos Fundos, no Rio de Janeiro em 24 de dezembro, para o véio feio da Havan caluniar os adversários.
O empresário assumiu que tem ódio e sempre ridicularizou os portadores de necessidades especiais sem qualquer pudor ou empatia. Após a queima da estátua de uma das lojas Havan, vem o véio com seu linguajar chulo e tosco, insinuando que sua estátua sofreu um atentado terrorista.
Não seria talvez uma armação apenas para mudar o foco, tendo em vista que o Brasil inteiro viu a forma desrespeitosa que esse indivíduo trata os portadores de necessidades especiais?
A polícia civil de São Paulo precisa investigar isso a fundo. Caso prove que o véio preconceituoso armou tudo, que ele pague de acordo com a lei.

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AREPENDIDO veio havan bandeira estados unidos libe

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07
Jan20

BRASILATOS CRIMINOSOS, MENTIRAS E O FALSO ATAQUE À ESTÁTUA DA HAVAN

Talis Andrade

 

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por Gilson Santos

Jornal A Voz de Araxá

 

Tem algo muito estranho nesse lance do fogo na estátua da Havan.
Foi só prender o líder do movimento integralista que atacou a sede da produtora do canal humorístico Porta dos Fundos, no Rio de Janeiro em 24 de dezembro, para o véio feio da Havan caluniar os adversários.
O empresário assumiu que tem ódio e sempre ridicularizou os portadores de necessidades especiais sem qualquer pudor ou empatia. Após a queima da estátua de uma das lojas Havan, vem o véio com seu linguajar chulo e tosco, insinuando que sua estátua sofreu um atentado terrorista.
Não seria talvez uma armação apenas para mudar o foco, tendo em vista que o Brasil inteiro viu a forma desrespeitosa que esse indivíduo trata os portadores de necessidades especiais?
A polícia civil de São Paulo precisa investigar isso a fundo. Caso prove que o véio preconceituoso armou tudo, que ele pague de acordo com a lei.

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AREPENDIDO veio havan bandeira estados unidos libe

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31
Dez19

Conheça o primeiro terrorista da sede do Porta dos Fundos

Talis Andrade

João Fellet 
Da BBC

 

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Terrorista Eduardo Fauzi Richard Cerquise está foragido

 

A Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou nesta terça-feira (31/12) uma operação para tentar prender um dos suspeitos de atacar a sede da produtora do programa humorístico Porta dos Fundos, na semana passada.

O suspeito, identificado como Eduardo Fauzi Richard Cerquise, não foi encontrado e está foragido. Fauzi já foi condenado judicialmente por agredir um secretário municipal do Rio e tem vínculos com organizações integralistas, movimento político de inspiração fascista.
A polícia diz que a operação ocorreu em quatro endereços e apreendeu R$ 116 mil em dinheiro vivo, munição, computadores, um simulacro de arma e a camisa de uma "entidade filosófico-política".

Segundo informações do site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Fauzi é filiado, desde 2001, ao Partido Social Liberal (PSL), sigla pela qual o presidente Jair Bolsonaro se elegeu - o presidente deixou a agremiação em novembro para tentar fundar seu próprio partido.

O ataque à produtora ocorreu após o Porta dos Fundos produzir um programa veiculado na plataforma Netflix chamado A Primeira Tentação de Cristo, no qual Jesus é retratado como gay.

Imagens de câmeras de segurança mostraram homens lançando coquetéis molotov contra a produtora. Após o ataque, os homens fugiram em um carro e uma moto. Havia um segurança no edifício, mas ele não se feriu.

No dia seguinte, um grupo autointitulado Comando Insurgência Popular Nacionalista da Grande Família Integralista Brasileira divulgou um vídeo reivindicando a autoria do ataque. A polícia investiga se o atentado foi articulado por algum grupo organizado.


Único sem capuz

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Em coletiva de imprensa nesta terça-feira, o delegado titular da 10ª Delegacia de Polícia, Marco Aurélio de Paula Ribeiro, diz que a polícia monitorou os veículos usados no ataque. Ele afirma que, na fuga, o homem identificado como Eduardo Fauzi saiu do carro e pegou um táxi.
Segundo a polícia, Fauzi era o único membro do grupo que não usava capuz no momento do ataque, o que permitiu sua identificação.

Foi expedido um mandado de prisão temporária de 30 dias contra ele.
"Nenhuma linha de investigação está sendo descartada. Estamos apurando se é um ato isolado ou se há ligação com alguma entidade", disse o delegado.

Fauzi foi condenado em fevereiro deste ano a quatro anos de prisão após dar um soco no rosto do então secretário de Ordem Pública da Prefeitura do Rio, Alex Costa, em 2013.
A agressão, filmada por câmeras de TV, ocorreu durante uma operação de fechamento de estacionamentos irregulares na zona portuária do Rio. Fauzi era dono de um desses estacionamentos e fundou a Associação dos Guardadores Autônomos de Veículos São Miguel.

 

Em um post de 26 de dezembro, a ACCALE comenta o ataque ao Porta dos Fundos e diz não ter "nenhuma relação com o ocorrido".
"Afirmamos, ainda, que caso o vídeo seja autêntico, não será surpresa o ocorrido, pois o Porta dos Fundos atacou deliberadamente e de forma calculista os maiores e mais cultuados símbolos sagrados nacionais, entre eles a figura de Jesus Cristo. Ao fazer isso, o Porta dos Fundos se indispôs com milhões de brasileiros", diz o grupo.
O juiz autorizou Fauzi a permanecer em liberdade durante o julgamento dos recursos do processo.

Após a agressão, Fauzi deu uma entrevista ao canal do YouTube Linha de Frente Audiovisual na qual diz ter atacado o secretário em um momento de "cólera".
Ele disse na entrevista ser formado em economia na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e ter militado no movimento estudantil, quando teria tido contato com "a luta diária dos guardadores de veículos".
Disse então ter se tornado ele próprio um guardador, profissão que, segundo ele, é regulamentada por lei federal e diferente do trabalho de flanelinha, este informal.

Segundo Fauzi, a operação da prefeitura que desapropriou seu estacionamento desrespeitou uma decisão judicial e um alvará que garantiam a manutenção do empreendimento. "Um ser humano, qualquer pessoa minimamente civilizada que tenha um nível de consciência política, que se considere um homem, um cidadão brasileiro, é tomado por uma cólera, por uma fúria que eventualmente extravasa", afirmou, ao justificar a agressão.

Laços com grupos integralistas

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Há várias menções a Fauzi em sites de grupos integralistas. Em setembro de 2018, uma nota no site Notícias do Sigma - A ação do Integralismo no Brasil e no Mundo apresenta Eduardo Fauzi como o novo presidente nacional da Frente Integralista Brasileira.
Fauzi também tem ligações com a ACCALE - Associação Cívica e Cultural Arcy Lopes Estrella. Em sua página no Facebook, o grupo se define como "uma associação nacionalista". "Não somos de esquerda, nem de direita, nem de centro. Buscamos boas ideias, venham de onde vierem. Não nos interessam as vias do progressismo ou do liberalismo. Nacionalismo, o único caminho!!!", diz a descrição do grupo.

Arcy Lopes Estrella (1917-2004), personagem que dá nome à associação, foi um dos principais militantes da Ação Integralista Brasileira (AIB), grupo com inspiração fascista que surfou na onda autoritária e nacionalista que varreu a Europa nos anos 1930.

A foto de capa da ACCALE no Facebook mostra uma foto do ex-deputado federal Enéas Carneiro, fundador do Prona (Partido de Reedificação da Ordem Nacional) e um dos ícones da extrema-direita brasileira.

Um post publicado pela ACCALE nesta terça-feira compara Enéas ao ator Gregório Duvivier, membro do Porta dos Fundos que interpretou Jesus no filme recente.
Enquanto Duvivier é apresentado no post como "maconheiro, filhinho de papai e humorista sem graça", Enéas é definido como "médico, professor, matemático, físico e escritor".

 

28
Dez19

Grupo integralista que assumiu autoria de ataque ao Porta dos Fundos já havia feito ação na Unirio

Talis Andrade

Em dezembro do ano passado, grupo havia retirado e queimado bandeiras antifascistas de campus da Unirio localizado em região próxima à sede do Porta dos Fundos, na Zona Sul do Rio

 

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Fotograma do vídeo divulgado após ação terrorista na Unirio, em dezembro de 2018 

 

Rio - O mesmo grupo integralista que assumiu, em um vídeo divulgado nesta quarta-feira, a autoria sobre o ataque à sede do Porta dos Fundos, no Humaitá, na Zona Sul do Rio, já havia realizado uma ação no campus da Unirio, localizado na rua Voluntários da Pátria, em Botafogo.

Em dezembro do ano passado – após a polêmica ação judicial que mandou retirar bandeiras antifascistas de universidades públicas, alegando se tratar de campanha política contrária ao então candidato Jair Bolsonaro –, o grupo autointitulado "Comando de Insurgência Popular Nacionalista" retirou e queimou bandeiras antifascistas do campus da Unirio.

A Polícia Civil informou que uma investigação sobre este caso corre sob sigilo na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI). Sigilo que completou um ano, e os covardes terroristas continuam no gozo da liberdade concedida pela democracia e por uma polícia que possui nazi-fascistas de estimação. 

O campus abriga o Centro de Ciências Jurídicas e Políticas (CCJP), com os cursos de Direito, Ciências Políticas e Administração Pública, e fica localizado em região próxima à sede do Porta dos Fundos – atacada com coquetéis molotov na véspera do Natal deste ano.

Em ambos os vídeos, homens mascarados aparecem usando o símbolo do integralismo. O integralismo brasileiro foi um movimento nacionalista da década de 1930, com inspirações no fascismo italiano, que teve como destaque o político e escritor paulista Plínio Salgado (1895-1975).

A Frente Integralista Brasileira – que, segundo uma reportagem do jornal O Estado de São Paulo, tem pretensões eleitorais para 2020 e deve lançar candidatos, preferencialmente, pelo PRTB e pelo Patriota – emitiu uma nota se desvinculando do ataque à sede do Porta dos Fundos. "O grupo em questão é desconhecido pela FIB e não possuímos com ele qualquer relação", afirmou. A partir de uma notícia de Luiz Franco no jornal O Dia. 

 

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