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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

22
Jan24

Justiça racista contra jornalista 'negrinho'

Talis Andrade

 

O quadro Ronda do Consumidor do Canal do jornalista Ben Mendes, tem mais de 1 milhão de seguidores e faz um trabalho sério, ajudando consumidores vítimas de empresas que desrespeitam o Código de Defesa do Consumidor.

O jornalista credenciado Ben Mendes é bacharel em direito e estudante de medicina, um jovem que se dedica a família, aos estudos e a defesa do consumidor. Por ser negro, foi vítima de racismo por um proprietário de Auto Escola que desrespeitou o Código de Defesa do Consumidor, e a vítima procurou Ben Mendes para fazer a reportagem e mediar entre a empresa e o consumidor.

Com ataque racista contra Ben Mendes o proprietário Ricardo Batista Zvaigzne foi conduzido preso parea a delegacia e tempos depois a justiça favorece o agressor racista de forma injusta e cruel.

A juíza Moema Miranda ficou nacionalmente conhecida por proibir os estudantes de Minas Gerais do democrático debate político. 

Por entender que a função de um centro acadêmico é debater sobre questões relacionadas à educação e à própria universidade, e não política, a juíza Moema Miranda Gonçalves concedeu decisão liminar proibindo o Centro Acadêmico Afonso Pena, da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a fazer encontro para debater o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Isso aconteceu no golpe de 2016. Censura que lembra o tenebroso tempo da ditadura de 1964, que prendeu, torturou e assassinou estudantes.

01
Jul23

O asqueroso racista Gustavo Gayer ficará impune?

Talis Andrade

racismo.jpg

 
por Altamiro Borges


Nesta quarta-feira (28), a deputada Duda Salabert (PDT-MG) anunciou que vai pedir a cassação do bolsonarista Gustavo Gayer (PL-GO) ao Conselho de Ética da Câmara Federal. Em entrevista ao podcast “Três irmãos”, o asqueroso parlamentar goiano criticou a “falta de capacidade cognitiva” dos africanos e também chamou os brasileiros de “burros”, com baixo QI, por eleger Lula presidente. “A Câmara não pode ser espaço para racista. Ele deveria ser preso, além de perder o mandato”, justificou a pedetista. 

No mesmo rumo, o ministro Silvio Almeida, dos Direitos Humanos, já havia acionado a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal para investigar o deputado por declarações racistas. Diante do anúncio, o hidrófobo Gustavo Gayer reagiu babando de ódio. “Mais um para provar que QI baixo é fundamental para apoiar ditaduras. Infelizmente temos um ministro analfabeto funcional ou completamente desonesto”, disparou o desqualificado bolsonarista. 

Ao acionar a PGR e a PF, o ministro lembrou que as declarações de Gustavo Gayer configuram crime de injúria racial, cuja pena, prevista na Lei 14.532/2023, é de 2 a 5 anos de prisão, além de multa. Ele também destacou que “a imunidade parlamentar não é escudo para quem pratica crimes”. E comunicou: “Acabo de enviar ao ministro da Justiça, à PF, à Câmara dos Deputados e à PGR vídeo em que o deputado federal bolsonarista faz ofensas discriminatórias a brasileiros e africanos, bem como a autoridades da República”.

 
"O feminismo é um câncer"  


Além das agressões racistas, no mesmo podcast Gustavo Gayer atacou a luta das mulheres. Ele rosnou que “o feminismo é um câncer. Desculpa falar a verdade, mas ele fodeu com a nossa sociedade. Nenhuma ideologia, talvez somente a ideologia de gênero consiga ser mais perversa... O feminismo colocou as mulheres contra os homens. O feminismo está incutindo na cabeça da mulher uma perversidade tamanha, que é ‘cuidar da família não é importante, o importante é sua carreira’”. 

No início de junho, o deputado goiano, o segundo mais votado no estado, já havia escandalizado a sociedade ao comparar a votação de Lula no Nordeste aos índices de analfabetismo na região. Oportunista descarado, Gustavo Gayer se projetou politicamente no rastro da onda bolsonarista e adora lacrar nas redes digitais. Ele inclusive já é apontado pelo PL como pré-candidato à prefeitura de Goiânia em 2024. Sabe que conta com a impunidade para seguir alimentando o ódio racista, machista e fascista na sociedade. Seguirá livre e solto?
 

Além de racista, um desinformado. O deputado bolsonarista Gustavo Gayer (PL-GO) participou de um podcast em que comparou a inteligência de africanos à de macacos e afirmou que o Brasil está emburrecido: “Aí você pega e dá um título de eleitor para um monte de gente emburrecida”.

Um tipo de discurso supremacista, que inclusive foi utilizado por Pieter Botha, no regime do apartheid, para “justificar” ditaduras na África do Sul e por que brancos deveriam escravizar negros.

Gayer se tornou uma figura conhecida em 2020, quando, alinhado ao bolsonarismo, começou a usar as redes sociais para promover ideais da extrema direita e disseminar fake news contra as medidas sanitárias de combate ao coronavírus e, posteriormente, contra o sistema eleitoral brasileiro e o Estado Democrático de Direito.

Parlamentares, entidades, OAB, providências precisam ser tomadas para que o discurso de ódio desse deputado não manche nossa sociedade. Confira a análise de Renato Rovai, editor da Fórum.

03
Mai23

Mentiras podem matar

Talis Andrade
 

 

 

 (crédito: Caio Gomez)
 

 

por Rodrigo Craveiro

- - -

Primeiro. Blogueiro, salvo raras exceções, não é jornalista, não apura o fato, não tem formação acadêmica nem ética. Não tem o esmero, o cuidado ao levantar as informações e ao buscar as fontes mais precisas. Segundo. As fake news se excluem da seara da liberdade de expressão. Não existe liberdade para mentir, para distorcer e criar notícias falsas, quase sempre com o intuito de beneficiar determinados políticos. Terceiro. As fake news têm o potencial de destruir reputações ou mesmo de matar. Quem as compartilha deve ser tão responsabilizado quanto quem as cria.

As eleições de Donald Trump, nos Estados Unidos, e de Jair Bolsonaro, no Brasil, tentaram deslegitimar o jornalismo e fomentaram um modelo nocivo à democracia, ao propagarem informações falsas, principalmente por grupos de WhatsApp ligados à chamada alt right (direita alternativa) — a facção mais supremacista, ultraconservadora e misógina da extrema-direita. Sem qualquer controle, fatos fabricados começaram a circular livremente fora da bolha desses grupos.

Curioso ou não, as fake news se disfarçam de manchetes extraordinárias, impactantes ou escandalosas para prender a atenção do "leitor", que nem se dá ao trabalho de checar a notícia em sites de veículos de comunicação confiáveis e dedicados ao jornalismo profissional. Ele acaba por compartilhar a "notícia" na mesma hora, e isso vira um ciclo sem fim.

Na condição de repórter formado há quase três décadas, sinto asco quando me deparo com as fake news ou quando pretensos influenciadores digitais fazem defesa apaixonada da disseminação livre e solta de "fatos", ancorados na premissa de que a liberdade de expressão não pode ser tolhida.

Utilizar fake news para criar uma massa de manobra de políticos sedentos pelo poder e avessos ao jornalismo é violar a democracia e o direito à informação séria, qualificada e isenta. É preciso deter essa lama tóxica que escorre pelas redes sociais de forma indiscriminada, metáfora usada pela jornalista filipina Maria Ressa, laureada com o Nobel da Paz em 2021, em entrevista exclusiva ao Correio Braziliense, em outubro de 2021, dois dias depois de ganhar o prêmio.

Responsabilizar e punir autores de fake news, assim como cobrar das plataformas tecnológicas ações voltadas a filtrar conteúdo inverídico, é algo crucial e urgente. "Mentiras podem matar", disse Ressa, durante a mesma entrevista. Sim. No Brasil, uma mulher foi assassinada após boatos de que ela estaria sequestrando crianças para rituais de magia negra. A história se espalhou pelas redes sociais e a moça, inocente, foi linchada. É preciso que a sociedade volte a acreditar no jornalismo profissional como única fonte credível de informação. Antes que a lama tóxica cubra todos nós.

13
Set22

Lula e a “família militar”

Talis Andrade

Alison Wilding OBE, Sem título,1990
 
 

Os militares ajudam a massificar mentiras e a movimentar as ruas em defesa do candidato das fileiras

 

por Manuel Domingos Neto /A Terra É Redonda

- - -

A “família militar”, importante ator eleitoral ainda carente de trato sociológico, pesou no último pleito presidencial ajudando a massificar mentiras e a movimentar as ruas em defesa do candidato das fileiras. Frente ao grave desgaste da imagem das corporações que se seguiu, era de se esperar que atenuasse seu ardor militante. Eis que, nas redes sociais, surgem vídeos produzidos para açular-lhe o ódio contra Lula.

Um desses vídeos reúne frases descontextualizadas do ex-presidente como prova indiscutível de sua postura agressiva com as Forças Armadas. Na montagem grosseira e bobalhona, mas eficaz tendo em vista sua finalidade, Lula aparece falando agressivamente da incompetência administrativa de oficiais. Promete demitir militares e confunde as corporações com grupos milicianos. A ideia vendida é a de que desrespeita as fileiras.

Nada mais falso. Ao longo de sua atuação política, o ex-presidente mostrou absoluta confiança nas instituições, com destaque para os instrumentos de força do Estado. Perseguido arbitrária e injustamente, atendeu à voz de prisão. Esperou com paciência de Jó uma palavra razoável da Justiça.

Quando governava, Lula acatou os pleitos dos comandos corporativos sem maiores questionamentos. Evitou formar, no âmbito do Ministério da Defesa, um corpo civil especializado que reduzisse o monopólio do conhecimento dos oficiais sobre assuntos de Defesa e negócios militares. O pequeno contingente de pesquisadores acadêmicos dedicados a estas temáticas ficou sem o devido estímulo.

Os oficiais continuaram pontificando, mesmo diante de seu retumbante fracasso em dotar o país de capacidade dissuasória compatível com suas dimensões e com a veleidade de altivez na política externa. Lula confiou nos generais a mais não poder.

A confiança foi tamanha que beirou à ingenuidade, para não dizer à irresponsabilidade. O mérito dos custosos projetos estratégicos não foi discutido de forma aprofundada, assim como a dependência da Defesa brasileira em relação ao complexo militar-industrial dos Estados Unidos. O sistema de recrutamento, as normas de promoção hierárquica, a dimensão e a distribuição espacial dos efetivos, a índole perdulária das organizações militares, o espírito de casta de seus integrantes… nada disso foi objeto de debate amplo e aprofundado.

No alvorecer do século XXI, as corporações sofreram poucos retoques em relação à modernização que experimentaram entre as duas guerras mundiais. O PT não se deu conta de que a capacidade dos comandantes de pensar a defesa nacional fora apequenada quando o Estado brasileiro aceitou uma inserção internacional subordinada a partir da redefinição da ordem mundial, ocorrida com a derrota do nazifascismo, em 1945. Não tomou conhecimento da degradação intelectual promovida pela feroz repressão ideológica durante 21 anos de ditadura.

O que esperar de homens que encaram reformadores sociais como inimigos da pátria?

Assumissem uma postura minimamente profissional e respeitosa com a sociedade brasileira, os comandantes deveriam reconhecer sua responsabilidade pelo fato de o país não dispor de capacidade dissuasória autônoma e adequada. Os generais operaram em favor da dependência aos Estados Unidos, os grandes fornecedores de armas e equipamentos aos exércitos ocidentais.

Lula empenhou-se em não criar atritos com as Forças Armadas. Dilma Rousseff, com o Relatório da Comissão da Verdade, aborreceu comandantes, mas permitiu-lhes continuar ditando as cartas em matéria na qual a vida lhes reprovara.

Hoje, quando o mundo se despedaça, diria Chenua Achebe; quando mísseis hipersônicos equipados com ogivas nucleares estão prontos para destruir a vida no planeta, o Ministro da Defesa do Brasil quer contar votos! Seus camaradas, ocupadíssimos no combate às mudanças sociais de que precisamos, formam “rambos” na Amazônia e distribuem vídeos para açular o ódio da “família militar” contra Lula.

Um general chegou a se queixar, em entrevista ao canal CNN, que o ex-presidente estaria “atacando” os militares! O homem só viu boniteza no 7 de setembro mais degradante de nossa história. O jornalista perguntou-lhe se as Forças Armadas “conseguiram escapar à tentativa clara do presidente da República de transformá-las em instrumento de sua tática político-eleitoral”. O intimorato respondeu, desmentindo inclusive um amigo de infância, o general Villas-Bôas e o próprio presidente da República: “As Forças Armadas, como instituição, nunca estiveram vinculadas à candidatura”.

Essa turma precisa se dar ao respeito. Gastamos além da conta formando e mantendo fileiras que não servem para nos defender. A grotesca militância eleitoral da “família militar”, ensandecida pela perspectiva da vitória de Lula, é o seu retrato político fiel.

14
Mai22

Renato Freitas registra boletim de ocorrência após receber e-mail com mensagens racistas

Talis Andrade

Registro foi feito na sexta-feira, 13 de maio, dia da abolição da escravidão

 

O vereador Renato Freitas (PT) registrou, na sexta-feira (13), um boletim de ocorrência por injúria racial após o recebimento de um e-mail com teor racista, ocorrido no último dia 9 de maio. A Polícia Civil (PC) vai instaurar o inquérito e investigar o caso.

O e-mail foi enviado do endereço funcional do vereador Sidnei Toaldo (Patriota) para o endereço de Freitas.

“Eu não tenho medo de você ou dos esquerdistas vagabundos que te defendem, seu negro”, diz o e-mail. “Já metemos pressão na Indiara Barbosa e na Noêmia Rocha (…) A câmara de vereadores de Curitiba não é o seu lugar, Renato. Volta para a senzala. E depois de você vamos dar um jeito de cassar a Carol Dartora e o Herivelto. Vamos branquear Curitiba e a região Sul queira você ou não. Seu negrinho”, diz a mensagem.

Toaldo, por sua vez, negou que tenha enviado o e-mail e disse que “nunca escreveria aquilo”. O vereador também registrou boletim de ocorrência no Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber).

Na quarta-feira (11), a Corregedoria da Câmara Municipal de Curitiba abriu uma sindicância para apurar o caso. Em 30 dias a investigação deve ser concluída. O caso pode resultar em quebra de decoro parlamentar por parte do remetente, justamente a acusação enfrentada por Freitas por conta do protesto antirracista na Igreja do Rosário, ocorrido em fevereiro deste ano.

Por meio das redes sociais, Freitas disse que escolheu esta sexta, no qual é lembrada a abolição da escravidão, para prestar queixa porque a luta contra o racismo e a desigualdade incomoda “os que sempre estiveram sentados nas cadeiras do poder”.

“Não à toa, neste dia 13 de maio, data em que foi sancionada a Lei Áurea, registramos boletim de ocorrência (…) para que a autoria do e-mail seja identificada e a justiça seja feita.”

 

Mandato

 

A Comissão de Ética da CMC aprovou o prosseguimento do processo de cassação do mandato de Renato Freitas, na última terça-feira (10). Agora o processo segue para o plenário, onde todos os vereadores poderão votar e decidir se o petista deixa a Casa.

Os pedidos de cassação foram protocolados depois que Renato e um grupo de manifestantes entraram na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de São Benedito, no Largo da Ordem, encerrando um ato em memória de vítimas negras.

Apesar de a defesa do vereador e a própria Igreja terem confirmado que não havia missa quando os manifestantes entraram, o relator do processo na Comissão, Sidnei Toaldo, entendeu que houve sim, quebra de decoro.

Acompanharam o voto do relator Noêmia Rocha (MDB), Indiara Barbosa (NOVO), Denian Couto (Podemos) e Toninho da Farmácia (União Brasil). Maria Letícia (PV) votou pelo arquivamento e Dalton Borba (PDT) pela suspensão do mandato.

14
Mai22

A violência contra a população negra

Talis Andrade
 
 
 
por Paulo Paim /Jornal do Brasil
 
Treze de Maio, 134 anos da “Abolição da Escravatura”. Foram quase quatro séculos de grilhões e chibatas, mais de 4,8 milhões de africanos sequestrados e vendidos. O legado dessa violência é vivido e sentido pela população negra ainda nos dias de hoje.
 
Temos realmente o que celebrar neste Treze de Maio, a “Falsa Abolição”? Precisamos refletir e, urgentemente, agir. 
 
A violência racial toma conta do país. Diariamente nos deparamos com notícias de crimes de racismo cometidos contra a população negra. Esses crimes são praticados nos mais variados espaços da sociedade como, por exemplo, no transporte público, onde uma  passageira foi agredida verbalmente por ter cabelo crespo; dentro da ambulância do SAMU, onde a socorrista, por ser negra, foi violentada verbalmente pelo familiar do socorrido; na volta de trabalhadores e pais de famílias para casa que, confundidos com bandidos, são brutalmente executados; na abordagem dos agentes de segurança públicos e privados contra as pessoas negras, que têm as suas vidas ceifadas. Esses e tantos outros crimes matam psicologicamente, moralmente e fisicamente a população negra diariamente.
 
Lembramos que a operação na favela do Jacarezinho completou um ano na semana passada. Ela foi a mais letal da história do Rio de Janeiro, com 28 mortos e, até o momento, a maioria das mortes não foi solucionada. 
 
A sociedade brasileira precisa enfrentar com seriedade esses crimes raciais para que possamos caminhar rumo a uma democracia plena. A cor da pele, a orientação sexual, o gênero, a religião, a condição socioeconômica e tantos outros fatores não podem ser estímulos de preconceitos e racismo. A diversidade do nosso povo, que é a nossa maior riqueza, o nosso capital humano, deve ser impulso para o desenvolvimento do país. 
 
Conforme demonstrado pelo Estudo Pele Alvo da Rede de Observatórios da Segurança, a cada quatro horas, uma pessoa negra é morta em ações policiais, como ocorreu na Bahia, no Ceará, no Piauí, em Pernambuco, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Não podemos aceitar e nem permitir esse cenário de horror.
 
Dados do Núcleo de Estudos da Violência da USP e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam um alto índice de violência contra as mulheres e, na sua maioria, são mulheres negras que estão na ponta do iceberg das estatísticas de violência no país.
 
É inaceitável que mais de 4 mil pessoas morram em decorrência de intervenções policiais, como ocorreu no ano de 2016. 
 
O Brasil possui a terceira maior população carcerária do mundo. A maioria é negra.  41% não foram condenados e 42% respondem por crimes não violentos.
 
Sou um dos poucos parlamentares negros no Congresso Nacional e, de forma ininterrupta, o único exercendo o mandado parlamentar desde a Constituinte. Cumprindo o meu papel de legislador, apresentei, com a participação dos movimentos negros do Brasil, dezenas de proposições raciais, entre elas o PL 5231, de 2020, que trata da abordagem dos agentes de segurança públicos e privados. A matéria foi aprovada por unanimidade no Senado e está parada na Câmara. O projeto foi construído com a Coalizão Negra por Direitos, frente composta por mais de 170 entidades negras do país, depois do assassinato do pai de família João Alberto na rede de supermercados Carrefour.
 

dalcio racismo supermercado.jpg

 
Diariamente assistimos cenas que são flagrantes de racismo e são tratadas como injúria. Poucas pessoas são processadas ou presas. Por isso, apresentamos também o PL 4373, de 2020, que tipifica como crime de racismo a injúria racial. A proposta aprovada no Senado retira do escopo do Código Penal o crime de injúria racial e inclui na Lei de Crimes Raciais, Lei 7716, de 1989, aumentando a pena, que hoje é de um a três anos, para dois a cinco anos. A Convenção Interamericana contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância foi aprovada pelo Congresso Nacional.
 
Aprovar, ratificar essas e outras matérias raciais já aprovadas pelo Senado e que estão na Câmara, reafirma o compromisso deste parlamento com a população negra do nosso país, que corresponde a 56,2% dos brasileiros.
 
Às vésperas das eleições de 2022, precisamos ter a consciência e a certeza de que o nosso voto vale e vale muito para a mudança desse caos social, onde o desemprego, a fome e violência predominam e têm cor. 
 
O inesquecível Nelson Mandela nos deixou um imenso testamento para a compreensão da existência humana e o respeito aos direitos humanos. São suas palavras: Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar. Que as nossas crianças sejam ensinadas a amar e não a odiar.
 

arma preto bolsonaro racismo.jpg

 

 

 

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