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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

10
Jun20

“O risco da infiltração é permanente porque Bolsonaro investe no fortalecimento das milícias”,

Talis Andrade

espia passeata infiltrado Gustavo Rodrigues.jpg

 

As manifestações de rua realizadas no último fim de semana em várias cidades do Brasil não se traduziram em confrontos entre apoiadores e adversários do presidente Jair Bolsonaro, como temiam forças de segurança e muitos intelectuais. No entanto, o risco de agentes se infiltrarem em novos protestos para disseminar violência é alto e não pode ser descartado como estratégia para justificar medidas autoritárias, avalia o antropólogo e cientista político Luiz Eduardo Soares.

Um texto assinado por Soares circulou amplamente na internet com pedido para que movimentos sociais não comparecessem aos recentes protestos. A mensagem alertava para a ameaça da presença de agentes infiltrados que poderiam semear o caos e criar um clima de desordem que serviria para justificar eventuais medidas de ruptura institucional.

Como não foram registradas tensões nos protestos, o antropólogo sugere que a preocupação amplamente divulgada por lideranças políticas e vários especialistas tenha surtido efeito.

“Talvez a nossa preocupação e esse alerta tenham servido para que as lideranças [dos protestos] se preocupassem e investissem suas energias no controle das infiltrações, das provocações”, afirma.

“O nosso temor era, por um lado, a pandemia em curso, e por outro lado, temos a experiência de ter infiltrados da ultradireita. Sabemos que, nesse momento, as polícias militares estão sob a direção política do governo federal e não dos governadores. Sabemos que muitas polícias estão sem controle e servem a propósitos políticos, sabendo qual é a agenda do presidente e do ‘bolsonarismo’, que é atacar as instituições democráticas”, argumenta.

O antropólogo, conhecido como um dos maiores especialistas de segurança pública do país, lembra que Bolsonaro já se referiu a desordens nas ruas como “razão para criminalizar movimentos sociais e para concentrar poderes ditatoriais”. “Nesse caso, ir para as ruas é fazê-lo com muita consciência, avaliando muito bem a correlação de forças e a capacidade de controlar o processo para que não sejamos manipulados pelos infiltrados”, reitera.

Protestos de ruas 

As manifestações, que segundo Luiz Eduardo Soares tiveram um número significativo, porém reduzido de pessoas, facilitou o controle por parte dos responsáveis e participantes. 

“Quando você tem uma aglomeração menor de pessoas, fica mais fácil saber quem ali está e como controlar, como evitar. Mas o risco da infiltração é permanente porque Bolsonaro investe no fortalecimento das milícias, que são forças policiais mafiosos, e investe muito nas suas relações com segmentos policiais, inclusive editando medidas sucessivas que facilitam acesso a armas e munições”, diz.

O antropólogo defende que a ocupação das ruas pelos movimentos sociais e de oposição a Bolsonaro seja avaliada em cada contexto.  “É importante, mas deve ser sempre objeto de ponderação e avaliação da tática em cada momento, cada dia e cada conjuntura. Temos a pandemia e não devemos “fetichizar” e idealizar a rua como se fosse o único meio de luta contra o fascismo. Há outras maneiras de promover a luta, essa está longe de ser a única”, avalia.

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Democracia sob forte ameaça

Da sua residência no Rio de Janeiro, onde respeita o isolamento social devido à pandemia da Covid-19, Luiz Eduardo Soares avalia os riscos de uma intervenção militar no país. “Há um consenso dos analistas de política no Brasil de que estamos sob ameaça; a democracia que nos resta está sob séria ameaça. Não é preciso nenhuma interpretação sofisticada, porque os atores responsáveis pelo avanço do fascismo, por concentração de poderes no executivo e pela implantação de uma ditadura militar, explicitam suas propostas, a começar pelo presidente”, ressalta.

Entre os sinais explícitos, o antropólogo e cientista político cita as falas de Bolsonaro, suas participações em manifestações contra o STF e o Congresso Nacional, e até declarações de juristas que evocam artigos na Constituição para respaldar juridicamente uma eventual intervenção militar. 

“Esse golpe pode não se dar de forma espetacular, cenograficamente  representado por tanques na rua, como no passado. Nós podemos ter a dilapidação, a ruína das instituições, sua corrosão por dentro, com a troca de ministros no Supremo quando chegar a ocasião, com o controle de setores importantes do Congresso Nacional via cooptação, por meio de métodos conhecidos, no modelo húngaro, polonês, ou um apoio inclusive de insurreição com a participação de polícias militares estaduais, como na Bolívia. Para isso, bastaria que as Forças Armadas se omitissem. A situação é muito grave, de imensa instabilidade”, insiste.

Mobilização antirracismo

Com a experiência de atuação em políticas de segurança em diversos estados -principalmente no Rio de Janeiro - e como Secretário Nacional de Segurança Pública entre março e outubro de 2003 - durante o primeiro ano de mandato do ex-presidente Lula - Luiz Eduardo Soares lamenta que as esquerdas e campos progressistas não tenham assumido junto com a agenda democrática propostas de mudanças estruturais para o setor.

O resultado pode ser  visto por números, como registrados no Rio de Janeiro. Luiz Eduardo lembra que o estado do Rio de Janeiro registrou um recorde histórico de 1.810 mortes provocadas por ações policiais. “Nos Estados Unidos, onde temos hoje o epicentro da resistência antirracista em função da brutalidade letal praticada por policiais brancos contra os negros, houve pouco mais de mil casos, números brutais, claro. Mas os Estados Unidos têm 300 milhões de habitantes e no estado do Rio, 15 milhões. Foi nosso recorde histórico, quase todos negros e sempre pobres”, salienta. 

A situação de violência tende a se agravar com a política adotada pelo presidente Bolsonaro, segundo Soares: “Com Bolsonaro no poder, com seu discurso que estimula a brutalidade  policial a todo momento, tem havido, como era previsível, uma intensificação”. 

O especialista, no entanto, vê como sinais otimistas a mobilização do movimento negro que se fortalece e afirma suas bandeiras de luta no momento em que a indignação com a morte do afro-americano George Floyd ganha forte repercussão mundial, com impacto também no Brasil. 

“Como sempre no Brasil, situações internacionais acabam se projetando com grande influência aqui dentro. Tivemos inúmeros casos do tipo George Floyd, mas a grande mídia começa a se sensibilizar para o problema quando a situação começa a ficar pesada nos Estados Unidos. É impressionante essa reação colonial, mas nesse caso, que venha para o bem. Os movimentos negros têm tido um protagonismo crescente, felizmente, mas muito inferior ao que deveria ser, dada a magnitude do problema”, conclui.

 

 
26
Abr19

Luciano Flores do Túmulo da Democracia

Talis Andrade

Um fascista de plantão

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por Urariano Mota

- - -

Notícia na Folha de São Paulo:

"O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski decidiu nesta quinta-feira (25) proibir a presença de jornalistas que não sejam da Folha e do jornal El País em uma entrevista com o ex-presidente Lula prevista para esta sexta (26) na sede da Polícia Federal em Curitiba, onde o petista está preso desde abril do ano passado....

Ao organizar o encontro com Lula, o superintendente da PF no Paraná, Luciano Flores Lima, havia decidido autorizar a presença na entrevista de jornalistas de outros veículos, citando a necessidade de respeitar 'direitos constitucionais relativos ao livre exercício da profissão e liberdade de imprensa'."

Antes, o jornalista Narley Resende, no Bem Paraná, havia chamado atenção para o tipo de jornalista convidado pelo delegado federal Luciano Flores: "por decisão do superintendente da PF em Curitiba Luciano Flores de Lima, a PF enviou e-mail convidando para um 'pré-cadastro' apenas jornalistas pré-selecionados, como do site 'O Antagonista'. Repórteres de agências de notícias, como Reuters; e jornais como Le Monde, e diversos outros, acostumados a receber diariamente comunicados da PF, não foram convidados ao pré-cadastro".

Esse personagem Luciano Flores do Túmulo da Democracia bem merece uma recuperação de recentes feitos. Ele foi um delegado da Lava Jato destacado para abusos contra o maior líder político do Brasil. Em agosto de 2018, a coluna de Mônica Bergamo noticiou que a União havia convocado os principais delegados da Lava Jato para que fossem ouvidos em ação movida por Lula por causa de vazamento de grampos que atingiram dona Marisa Letícia, morta em 2017, e outros familiares do ex-presidente.

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"Flores do Túmulo da Democracia" imita "Mãos de Grampo"

 

"A Justiça concordou com o pedido e determinou a intimação de Igor Romário de Paula, Luciano Flores e Márcio Adriano Anselmo", informou a jornalista. Pela lei das interceptações, diálogos que não tivessem interesse para as investigações (em si invasivas, muitas delas ilegais) deviam não apenas ser mantidos em sigilo, mas destruídos. No caso do delegado Flores, ele continuou a escuta, o grampo das ligações da família do ex-presidente, até mesmo depois de suspensa a ordem para tal. E divulgou o conteúdo para a imprensa.

Mas essa não foi a sua primeira vez. Ele já foi acusado por procuradores da República de vazar uma Operação que vinha sendo comandada pelo procurador geral Rodrigo Janot. Às vésperas das eleições de 2014, encaminhou diretamente para o ministro Teori Zavascki pedidos de prisão temporária contra parlamentares. Os pedidos foram para Janot que os negou. Em seguida a operação vazou para a imprensa e tudo se perdeu, como informou o procurador Celso Três ao jornal Sul 21, em matéria de 23 de outubro de 2014: Procurador que investiga suspeita de fraude no Pronaf afirma que vazamento "acabou com a operação".

Em pesquisa ligeira, começam a se ligar episódios denunciadores do caráter fascista do senhor Flores do Túmulo da Democracia. Ele é o mesmo delegado que esteve na casa de Lula para promover a sua condução coercitiva. Pelo relato do Flores..., Lula foi informado de que, caso se recusasse a acompanhar a autoridade policial para prestar esclarecimentos fora de casa, seria então aplicada a condução coercitiva, ou seja, o petista seria levado à força para depor.

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Mais adiante, o delegado Flores do Túmulo da Democracia se mostrou despudorado, cruel e cínico em janeiro deste ano, quando faleceu o irmão do nosso eterno presidente. A autorização para Lula participar do velório do irmão era um ato meramente administrativo, conforme a lei. O responsável pela garantia desse direito era o delegado Flores, superintendente da Polícia Federal no Paraná, onde Lula está cumprindo sua injusta e ilegal pena de prisão. Mas ao receber petição da defesa de Lula para o comparecimento ao velório de Vavá, o delegado alegou verbalmente que não tinha condições logísticas e materiais para transportar o ex-presidente até São Bernardo... Tão diferente do dia 4 de março de 2016, quando o mesmo delegado se deslocou em avião da Polícia Federal até São Bernardo, com uma grande equipe da Lava Jato, para submeter Lula a uma condução coercitiva ilegal no aeroporto de Congonhas.

Igual distância, igual arbitrariedade.

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Nesta sua última investida, ele tentou de novo torcer a lei como um torturador da ditadura torcia prisioneiros. Desta vez, o ministro Lewandowski o pôs no seu devido lugar. Vamos ter a entrevista do nosso presidente. Mas todo o cuidado é pouco, até mesmo com a segurança pessoal de Lula. O futuro Nobel da Paz está submetido a um plantonista do gênero Flores de Mussolini.

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07
Nov18

Moro aprendeu com o "Japonês Bonzinho": Vai usar esquema de infiltrados da ditadura militar

Talis Andrade

moro infiltrados.jpg

 

 

Na primeira coletiva que concedeu como ministro de Bolsonaro, Moro citou o exemplo de Nova York, na década de 1980, quando o FBI, em conjunto com Promotorias locais e federais, combateu as famílias de traficantes.

 

“Pretendo utilizar forças-tarefas não só contra esquema de corrupção, mas contra o crime organizado", prometeu.

 

Moro só fez confirmar a denúncia da filosofa Marilena Chauí, em julho de 2016, de que foi treinado pela FBI para "destruição da soberania brasileira", da economia. "O objetivo da Lava Jato é entregar o Pré-Sal a empresas norte-americanas".

 

Há ainda o medo de que Moro use infiltrados nos sindicatos e movimentos estudantis. Que Moro criou em Curitiba uma rede de espionagem, assim denunciei, possivelmente com agentes da CIA e/ou do FBI, que espionou Dilma Roussef quando presidenta do Brasil.

  

O Japonês da Federal, Newton Hidenori Ishii, continua realizando para Moro, os mesmo ser√iços sujos dos tempos da ditadura militar de 1964, quando atuava como espião.

 

Newton Ishii, que entregava os estudantes para a tortura e morte, continua a trabalhar como torturador na Lava Jato. Comenta Pedro Canário no importante portal ConJur:

 

 

 


Agente da PF durante mais de 20 anos, ele ficou famoso por conduzir os presos de suas casas aos carros da corporação, ou dos veículos à carceragem. Mas também era o chefe da carceragem e tinha contato diário com os presos (...) 'Com o talento para induzir pessoas a pensarem que chegaram por conta própria a uma conclusão sugerida, o agente poderia ser um instrumento valioso. Não foram poucas as vezes que os jovens delegados, de barba cerrada e cara de mau, recorreram a ele', segundo a versão contada no livro O Carceiro. O primeiro dilema descrito por Ishii entre os presos da operação é o do medo. Os presos da lava jato ficam presos num setor separado da carceragem da PF em Curitiba (...) Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil, e o lobista Fernando Baiano, operador do PMDB, são apontados como dois casos que optaram por falar para se proteger de um medo descrito como irracional pelo Japonês.

 

— Pretendo utilizar forças-tarefas não só contra esquema de corrupção, mas contra o crime organizado. Nova York, na década de 1980, combateu cinco famílias poderosas por meio da criação de forças tarefas. O FBI, em conjunto com as Promotorias locais ou federais, logrou desmantelar organizações. Embora elas não tenham deixado de existir, têm uma força muito menor que no passado.

 

Moro afirmou ainda que pretende implantar operações policiais disfarçadas para combater o crime organizado. Uma das iniciativas seria implantar agentes infiltrados em negociações de compra de drogas ou armas, a fim de entender como funcionam as organizações do tráfico, anunciou o futuro ministro. O modelo também é inspirado no adotado pelos Estados Unidos na década de 80.

 

Sobre a proposta chamada de excludente de ilicitude do presidente eleito para garantir que policiais não respondam à Justiça por mortes em serviço dar respaldo jurídico, Moro disse que "é preciso discutir a normativa para essas situações". De acordo com o magistrado, essa não é preocupação exclusiva do presidente eleito, mas também de membros das Forças Armadas.

 

Moro não está propondo nada novo. Os governos estaduais e da União sempre mantiveram infiltrados nos movimentos dos sem terra. Isso desde as Ligas Camponesas, antes da ditadura militar.

 

Em 2003, publica a Folha de S. Paulo: "O trabalho de investigação da Polícia Federal no campo tem causado críticas tanto das entidades que representam os sem-terra como de líderes ruralistas, principalmente pela desconfiança de que o governo federal tenha infiltrado agentes nos acampamentos.


Além disso, os vôos rasantes de helicópteros sobre fazendas indicam que o trabalho de investigação está em curso.


'Eu não diria agentes infiltrados, mas pessoas colaboradoras, que são informantes da polícia. Claro que os agentes andam nas áreas, mas não posso afirmar que existem agentes da Polícia Federal infiltrados. É o modelo clássico de polícia, da mesma forma do lado dos fazendeiros como dos movimentos dos sem-terra', disse o coordenador-geral de defesa institucional da Polícia Federal, delegado José Milton Rodrigues."

 

A prática continuou no Exército do golpe de 1964 ao golpe de 2016: "As redes sociais e a mídia corporativa foram inundadas por matérias desmascarando a infiltração de um agente das Forças Armadas em grupos de manifestantes em São Paulo. Disfarçado de “Balta Nunes”, o capitão Willian Pina Botelho teria passado informações que levaram à prisão de 21 jovens utilizando como justificativa flagrantes forjados, como uma barra de ferro, antes mesmo de começar a manifestação do último dia 4, que levou mais de 100 mil às ruas da capital paulista.

 

Botelho não se infiltrou somente em grupos de manifestantes que acabavam de se conhecer pelas redes sociais: sob o mesmo disfarce, o agente coletou por meses informações privilegiadas da frente Povo Sem Medo, que hoje reúne alguns dos mais importantes movimentos sociais do país, como MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Fora do Eixo e Mídia NINJA, CUT (Central Única dos Trabalhadores) e UNE (União Nacional dos Estudantes), além de militantes de partidos de esquerda como o PSOL e PCdoB, jornalistas e comunicadores, entre outras organizações sociais". 

 

Pelo que disse Moro, jamais ousaram usar infiltrados contra o crime organizado. Por quê? O Rio, inclusive, continua sobre intervenção militar. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

02
Nov17

O chanceler do Brasil, o santo das causas ganhas

Talis Andrade

O rei Midas tudo que tocava virava ouro. Aloysio Nunes supera o mito. Todo ouro que toca vira ouro santo no Brasil de tendas de milagres espalhadas por todas as cidades. De um Brasil que todo povo reza:

 

“Meu Santo Expedito das causas justas e urgentes, socorrei-me nesta hora de aflição e desespero, intercedei por mim junto ao Nosso Senhor Jesus Cristo. Vós que sois um Santo Guerreiro. Vós que sois o Santo dos Desesperados, vós que sois o Santo das Causas Urgentes."

 

Aloysio Nunes Ferreira começou a militância política, quando entrou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco da Universidade de São Paulo. Logo depois do golpe militar de 1964, filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), e foi presidente do tradicional Centro Acadêmico XI de Agosto, que lhe falicitou ser infiltrado na Ação Libertadora Nacional (ALN), organização guerrilheira liderada por Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira, o Toledo.

 

Assumiu na clandestinidade o pseudônimo Mateus. Durante muito tempo foi motorista e guarda-costas de Marighella. As ações da ALN incluíram assaltos para angariar fundos que sustentariam a resistência armada.

 

Em agosto de 1968, participou do assalto ao trem pagador da antiga Estrada de Ferro Santos-Jundiaí. Foi o motorista do carro no qual os assaltantes fugiram do local com os malotes que continham 108 milhões de cruzeiros novos (21 600 dólares estadunidenses), dinheiro suficiente para o pagamento de todos os funcionários da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Em outubro do mesmo ano, participou do assalto ao carro-pagador da Massey-Ferguson interceptando o veículo na praça Benedito Calixto, no bairro paulistano de Pinheiros. O lucro desse assalto nunca foi revelado. E num passe de mágica, Aloysio passou a viver na Europa, na Paris dos exilados com esposa e filhos.

 

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Cartaz de procurado pelo Exército na ditadura militar, e Aloysio em Paris  

 

 

Todos os companheiros de guerrilha foram presos e torturados e mortos. Aloysio 'matou' mais que o Cabo Anselmo. O preço conhecido: duas fazendas que tomou de algum defunto. Fazendas que escondem cocaína em tonéis de leite. Fazendas avaliadas em dois reais para o pagamento do devido e honesto imposto.

 

No Senado Federal, Aloysio é o santo sucessor do parceiro de crimes ex-senador Tuma, que fazia dupla com o herói da luta contra os comunistas o 'patriota' delegado Fleury, morto na cilada de uma orgia dentro de um iate.

 

Aloysio Nunes merece ser senador do São Paulo de governadores honestos como Maluf, líder civil da didatura, com Magalhães Pinto governador de Minas Gerais e ex-chanceler do Brasil dos militares.

 

De Aloysio, a gloria de ser chanceler de Temer três vezes secretário de Segurança, chefe das polícias civil e militar de São Paulo, inclusive durante os tempos de chumbo, e eterno rei do porto de Santos ancaradouro dos navios piratas, porteira do tráfico internacional.

 

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Nas últimas eleições presidendiciais, quase conquistou a vice-presidência do Brasil. Perdeu para Temer de quem é ministro do Exterior 

 

 

Mais um crime de Aloysio vai milagrosamente prescrever.

 

 

Em petição enviada ao Supremo Tribunal Federal, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, aponta que Aloysio Nunes Ferreira, chanceler do governo Temer, recebeu R$ 500 mil da Odebrecht em 2010, embora os recursos não tenham sido declarados à Justiça Eleitoral.

 

As informações foram publicadas pelos jornalistas Rubens Valente e Reynaldo Turollo, na edição desta quinta-feira 2, da Folha de S. Paulo.

 

"É fato incontroverso que houve o repasse de recursos para a campanha do senador Aloysio Nunes. Resta investigar a origem destes recursos e a finalidade do repasse", escreveu Dodge ao relator do caso no STF, Gilmar Mendes.

 

"O inquérito foi aberto em março a pedido do então procurador-geral Rodrigo Janot como desdobramento do acordo de delação. Dois delatores da empreiteira informaram à PGR sobre o pagamento a Aloysio. Um deles disse que repassou os dados sobre Aloysio ao 'departamento da propina´ da empresa e fez duas entregas, de R$ 250 mil cada uma, para o ´representante´ do candidato em hotéis da zona sul, não nominados, no segundo semestre de 2010. No sistema de acompanhamento dos pagamentos, Aloysio tinha o codinome ´Manaus´", apontam os jornalistas.

 

Há risco de que Aloysio Nunes se beneficie da prescrição, assim como o senador José Serra (PSDB-SP), outro senador de São Paulo também investigado e chanceler de Temer.

 

 

 

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