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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

07
Dez18

“O neoliberalismo atual mobiliza somente ódios e ressentimentos”

Talis Andrade

“Está baseado na negatividade e não em proposições. Não na esperança em médio prazo, senão na recusa emotiva de curto prazo. E isso tem patas curtas”

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Na Bolívia, improvável êxito

Abalada na América do Sul, a onda de esquerda permanece viva no mais frágil dos países que dela participaram. Não é por acaso.

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DA REVISTA IHU ON-LINE

Abalada na América do Sul, a onda de esquerda permanece viva no mais frágil dos países que dela participaram. Não é por acaso.

A reportagem é de Santiago Mayor, publicada por RT e reproduzida por Outras Palavras, 04-12-2018. A tradução é de Danilo Costa N. A. Leite.

Em janeiro de 2006, pela primeira vez na história da Bolívia, um presidente indígena assumia o governo. Evo Morales Ayma, dirigente sindical cocalero (movimento de proteção à folha de coca como símbolo da cultura boliviana), tinha triunfado alguns meses antes com mais de 50% dos votos em uma eleição sem precedentes.

Sua vitória inscreveu-se na onda progressista e de esquerda que chegou aos governos da América Latina durante os primeiros anos do século XXI. Naquele momento já ocupavam a presidência Hugo Chávez na VenezuelaLula no BrasilNéstor Kirchner na Argentina e Tabaré Vásquez no Uruguai. Alguns meses depois se somaria Daniel Ortega na Nicarágua e no ano de 2007 Rafael Correa no Equador.

Apesar disso, comparada a seus pares, com exceção do caso uruguaio provavelmente, a Bolívia conseguiu se consolidar como um modelo socialpolítico e econômico estável que não sofreu com as crises econômicas e políticas da Venezuela ou Nicarágua, nem perdeu seu governo por meio de golpes de Estado e ‘impeachments’ – como ocorreu no BrasilHonduras e Paraguai – ou de eleições, como na Argentina. Qual é o motivo de tal excepcionalidade?

 

Estatísticas contundentes

Segundo dados do Banco Mundial, em 2006 o Produto Interno Bruto (PIB) boliviano era de 11.452 milhões de dólares. Em 2017 o número havia aumentado mais de três vezes chegando a 37.509 milhões. No mesmo período, a renda per capita anual passou de 1.120 para 3.130 dólares e a expectativa de vida subiu de 64 para 71 anos. O Instituto Nacional de Estatísticas (INE) do país, por sua vez, afirma que a pobreza baixou de 59,9%, quando Evo Morales assumiu, para 36,4% no ano passado.

Por outro lado, como nota o pesquisador e mestre em Desenvolvimento Econômico e Sustentabilidade, Sergio Martín-Carrillo, a Bolívia “foi o país sul-americano que experimentou o maior crescimento econômico, mantendo inclusive um ritmo acima do patamar de 4%, apesar do contexto de debilidade que a região vive desde 2015”. Isso foi acompanhado por uma queda constante da inflação, que passou de 12% em 2007, a menos de 2% em 2018 até o momento.

Tais resultados se sustentaram com uma política que contradiz os postulados neoliberais que hoje inspiram os governos dos países vizinhos como ArgentinaChileParaguai ou o presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro.

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As razões

O sociólogo e escritor boliviano Antonio Abal enumerou em conversa com a reportagem “os eixos do crescimento contínuo da economia da Bolívia”.

Na sua visão, trata-se de uma política baseada em “nacionalizações de setores estratégicos, como as comunicações, os hidrocarbonetos e a mineração”; o redirecionamento dos recursos estatais, “sobretudo, para a infraestrutura produtiva”; o “fortalecimento do mercado interno”; uma política monetária de “valorização da moeda nacional”, ou seja, uma “desdolarização da economia”; e finalmente um investimento forte nos processos industriais como os do “lítio, de laticínios, têxteis, etc e fomento à pequena e média empresa, com facilidades em termos de acesso ao crédito”.

O vice-presidente do país, Álvaro García Linera, exprimiu opinião no mesmo sentido em entrevista ao jornal argentino Página 12, onde explicou o que, para ele, são os quatro fatores principais desse êxito econômico.

Em primeiro lugar, que o Estado controle como proprietário os principais setores geradores de excedente econômico: hidrocarbonetos, eletricidade e telecomunicações. Por outro lado, que leve a cabo uma redistribuição da riqueza, “mas de uma maneira sustentável”, de forma que “os processos de reconhecimento e ascensão social dos setores subalternos populares e indígenas tenham sustentabilidade ao longo do tempo”.

Em terceiro lugar, assim como Abal, sustenta que se deve “fortalecer o mercado interno” e, por último, a “articulação entre o capital bancário e o produtivo, o que implica que 60% da poupança dos bancos se dirija ao setor produtivo, gerando mão-de-obra”.

 

Políticas públicas de redistribuição

A isso se soma uma série de programas sociais que acompanharam a melhora econômica e que foram dispositivos que garantiram a redistribuição da riqueza. Nesse sentido, Martin-Carrillo listou três dos programas que considera mais importantes: o Bolsa Juancito Pinto (Bono Juancito Pinto), o Renta Dignidade e o Bolsa Juana Azurduy (Bono Juana Azurduy).

O primeiro deles foi lançado durante o primeiro ano de governo e visa que meninos e meninas cumpram sua trajetória na escola. Ele prevê um aporte de 200 bolivianos (29 dólares) a estudantes de escolas públicas em troca de um mínimo de 80% de frequência às aulas. Durante 2018, houve 2.221.000 de estudantes beneficiados graças a essa iniciativa. O resultado foi que entre 2006 e 2017 o abandono escolar no ensino fundamental caiu de 6,5% para 1,8% e no ensino médio de 8,5% para 4%.

Por sua vez, o Renda Dignidade (Renta Dignidad), vigente desde 2007, mira a população idosa – com 60 anos ou mais – e prevê 250 bolivianos (36 dólares) para pessoas com aposentadoria por tempo de serviço e 300 bolivianos (43 dólares) para pessoas sem aposentadoria por tempo de serviço.

Finalmente, o Bolsa Juana Azurduy, que está dirigido tanto a gestantes, para as quais estipula a condição de que realizem quatro exames pré-natais, parto em instituição de saúde e acompanhamento pós-parto, bem como a crianças, condicionado a 12 exames completos de saúde a cada dois meses.

Houve também uma política agressiva de incremento do Salário Mínimo Nacional, que em 2005 equivalia a 440 bolivianos (ou 57 dólares naquele momento) e chegando hoje a 2.060 (298 dólares). Ainda assim, este ano, devido ao crescimento econômico, segundo o informe da Agência Boliviana de Informação, o Executivo se dispôs a pagar o bônus duplo a todos os trabalhadores públicos e privados.

 

Um processo com debates e tensões

Para além de sua situação atual, os governos do Movimento ao Socialismo(Movimiento al Socialismo – MAS) não estão livres de percalços, alguns dos quais muito sérios. O ponto mais tenso talvez ocorreu no ano de 2008, quando a chamada “Meia Lua”, que incluía quatro departamentos orientais do país, tentou se emancipar do resto do território, por meio da ação de setores da direita boliviana que contavam com o apoio escamoteado dos EUA.

Não obstante, com o respaldo da União das Nações Sul-americanas (Unasur), tal crise pôde ser superada e poucos meses depois avançava o processo de proclamação da nova Constituição no começo de 2009. Essa Carta Magna declarou o caráter “Plurinacional” do Estado, reconhecendo na lei máxima do país os povos originários historicamente negados. Evo Morales passou a encarnar assim, não somente simbólica como também institucionalmente, a ascensão definitiva dos setores marginalizados durantes séculos da política nacional.

Ainda que para Abal não se possa “falar de etapas, senão de uma aplicação persistente de um modelo econômico”, a partir daqui já se pode analisar o aprofundamento de alguns aspectos. Trata-se de um ponto de inflexão, a partir do qual se começa a falar em “socialismo comunitário”, o que o sociólogo define como “uma abordagem teórica da aplicação do marxismo e de suas categorias para compreender as lógicas dos ‘ayllus’ (comunidades)”, que como muitos autores indicaram, mantiveram estruturas de “comunismo primitivo” ou comunitárias, contrárias à propriedade privada e à acumulação individual.

Por outro lado, García Linera sustenta que, uma vez superada a ofensiva da direita, abriu-se um novo momento na revolução boliviana que ele chamou de “tensões criativas”. Ou seja, debates interiores ao processo que o fazem avançar.

A respeito disso, Abal garante que nos movimentos sociais duas tendências político-ideológicas convivem: “uma sindical, centrada nas reivindicações setoriais, e outra revolucionária, como parte do processo de mudança e parte do governo”. É na disputa entre essas duas visões que se dão as tensões criativas que, de seu ponto de vista, são “a dialética do movimento da consciência de classe”.

A lógica “centrada no operário”, segundo o sociólogo, não consegue compreender completamente “a outra lógica organizativa e ideológica dos povos originários”. E ele a atribui a uma contradição estimulada durante décadas de opor “índios e operários” e que “foi patrocinada em uma etapa do nacionalismo revolucionário (1952-1985)”.

Finalmente, o analista aponta que “o vínculo potente se encontra entre o governo e os movimentos sociais”, onde “o grande articulador do bloco é, sem dúvida, Evo Morales, e não somente como instrumento político”. Como outra face dessa moeda, Estado e movimentos sociais “ainda estão distantes”, porque o último (sic) “mantem uma matriz colonial não superada”.

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Uma revolução com futuro

Ainda que os processos políticos nacionais dificilmente possam sobreviver por muito tempo isoladamente contando somente com forças internas, o país conta ainda com aliados no continente. Para além de eventuais conflitos, há VenezuelaNicaráguae também Cuba, país com os quais integra a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba). Cabe recordar que, com a colaboração de Havana, em 2008 todo território boliviano foi declarado “livre do analfabetismo”.

Por outro lado, apesar do tropeço sofrido no referendo em começos de 2016, que impediu Morales de voltar a se apresentar nas eleições presidenciais de 2019, isso foi ao final autorizado pelo Tribunal Supremo. Com sua candidatura e uma direita por enquanto dividida, a continuidade do processo parece estar assegurada.

Por último, porém não menos importante, García Linera realizou um prognóstico no recente Fórum Mundial de Pensamento Crítico, ocorrido em Buenos Aires, segundo o qual os governos conservadores da região durarão pouco tempo e logo virá um novo auge progressista e de esquerda.

“Estamos enfrentando uma onda conservadora neoliberal que tem dois limites intrínsecos: é fossilizada e é em si mesma contraditória”, apontou. E detalhou que nesses países estão se “repetindo as receitas que fracassaram vinte anos atrás”, o que demonstra como “não tem inventividade, nem tem criatividade e nem tem esperança”.

“O neoliberalismo atual mobiliza somente ódios e ressentimentos”, por sua vez. O que redunda em dizer que “está baseado na negatividade e não em proposições. Não na esperança em médio prazo, senão na recusa emotiva de curto prazo. E isso tem patas curtas”, completou o vice-presidente boliviano.

Por isso, com otimismo, sentenciou: “Em vez de viver uma longa noite neoliberal, viveremos uma curta noite de verão neoliberal. E neste momento cabe a nós reconhecer o que fizemos bem, reconhecer o que fizemos mal e nos prepararmos”. “A esquerda tem que voltar a se preparar para tomar o poder nos próximos anos no continente”, concluiu.

30
Nov18

ANGOLA O Semba como ferramenta de libertação

Talis Andrade

semba.jpegFernando Carlos encenou em livro os acordes histórico-políticos de “Ritmos da Luta – o Semba como ferramenta de Libertação”. Tal como o romance histórico, o drama histórico reinventa o passado e ressuscita os actores reais do tempo marcado para durar, actores de uma cena imortal, tais como Liceu Vieira Dias, Amadeu Amorim, Zé Maria, Euclides Fontes Pereira, Nino Ndongo, Mário Pinto de Andrade, Lourdes Van-Dúnem, Belita Palma, Maria do Carmo Medinae muitos outros.Esta obra do género dramático glorifica o Conjunto Ngola Ritmos e foi publicada no Camões-Centro Cultural Português, no passado dia 13 de Novembro.


Em declarações ao jornal O PAÍS, o autor da obra referiu que se trata de uma obra que surge para homenagear os nacionalistas que estiveram envolvidos na luta anti-colonial de libertação, que veio a culminar com a independência a 11 de Novembro de 1975. O historial sobre as causas que levaram a que se formasse o conjunto, a introdução do violão na música nacional, com o dedilhar do “maestro” Liceu Vieira Dias, no estilo que veio a designar-se “Semba” estão na base desta obra, com 84 páginas.Fernando Carlos contou que sentiu-se motivado em retratar o historial, por se ter “apaixonado” pela causa que estes nacionalistas abraçaram. “Eles eram assimilados, ainda assim não se acomodaram com a posição que tinham e lutaram a favor dos indígenas”, apontou. “Liceu, enquanto líder do agrupamento transmitia estrategicamente mensagens de libertação através da música. Como lhe era permitido cantar, o ritmo surge precisamente para não dar a entender os códigos que passam, e ainda em língua Kimbundu”.


O livro começou a ser esboçado em 2015 e só agora ficou concluído. O autor disse ter enfrentado algumas dificuldades, sobretudo no acesso às fontes e fidelização das datas por cada período, bem como a limitação de conteúdos a respeito do percurso destes camaradas da clandestinidade. Entretanto, foi possível serem ultrapassadas à medida que pôde colher depoimentos do nacionalista Amadeu Amorim, único sobrevivente do conjunto Ngola Ritmos, e de Ruy Mingas, sobrinho de Liceu Vieira Dias.


Qualquer narrativa ou drama histórico, mesmo Mayombe, de Pepetela, é um eco do nosso tempo, aportam para a nossa era, o verdadeiro sentido do humanismo que os poderes políticos lenta e penosamente vão cedendo à sociedade.


A abrir o livro, na cena I, lemos este diálogo entre Mário Pinto de Andrade e Liceu Vieira Dias que levanta o problema maior da africanidade contemporânea: a libertação da alma do homem:

 

“Mário – Só se for agora mesmo e de pé. Tenho de me apressar, vou à Marginal de Luanda fotografar o sol a espreguiçar-se, depois o mar a assobiar o nosso Semba e os barcos que nele bailam, trazendo e levando vidas, o cais de sorrisos e choros, os que partem desejando ficar e os que ficam desejando partir.


Fotografar tudo com este meu terceiro olho e guardar na minha memória externa. O café aguça-me a inspiração. Vou começar contigo (tira uma fotografia a Liceu). Um dia, esta foto vai parar ao Jornal de Angola, algo que tenho sonhado e vislumbrado no dia-a-dia de um país livre.


Liceu (a dar-lhe palmadas suaves nos ombros) – Este teu jeito ninguém iguala, tudo te sabe a poema!

Mário – A minha alma adora e tudo faço por ela. Quem somos sem a alma?


Liceu – Somos colonos.


Mário (aponta no bloco) – Tem piada. Um homem sem alma é colono. O Jacinto vai-se babar a rir quando ouvir isto.”

 

Mitografia do prefácio

 

Está de parabéns a editora Asas de Papel, recém constituída para competir no mercado editorial angolano. Só um reparo: é urgente ultrapassar a mitografia do prefácio. O leitor busca, num livro, em primeira mão, o discurso do seu autor, não o do autor do prefácio. Em Ritmos da Luta, o prefácio de Kizua Gourgel só veio destoar o conteúdo da peça e deitar cá para fora uma incongruência de todo o tamanho ao colocar no mesmo diapasão musical o Ngola Ritmos e Eduardo Paim e O2. Entre o Ngola Ritmos e estes dois grupos da nova geração não existe nenhuma solução de continuidade.


De igual modo dizer que “já existe uma nova vaga musical denominada por alguns de NMA (nova música angolana), também ela baseada no resgate e no aprimoramento das linhas harmónicas e rítmicas nascidas dos Ngola Ritmos. Vários nomes sonantes, apesar de jovens, têm assumido esta linguagem musical como a «bossa nova» de Angola.” Dizer isto é demonstrar um desconhecimento da alma da música angolana. Pois, se Beto Gourgel deu ao filho o nome de Kizua (kimbundu) é precisamente para honrar a luta do Ngola Ritmos pela identidade cultural angolana. “Bossa Nova” é brasileiro. Não tem nada a ver com o Semba. Melhor faria o editor em remover da obra o prefácio e em colocar na capa o nome do seu autor. Que contribuição deu, afinal, o prefaciador, para esta obra?

 

 

 

 

19
Set18

O voto estranho de Bolsonaro contra a soberania nacional

Talis Andrade

Para quem bate continência à bandeira americana e admira Trump, a defesa da soberania, a defesa da nossa base, deve ser coisa de “comunista” ou de “mulambos”

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Bolsonaro, soberania e Alcântara
por Marcelo Zero

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Corria o já longínquo ano de 2001. Na época, eu trabalhava como assessor para política externa e defesa nacional na Liderança do PT na Câmara dos Deputados e acompanhava todas as sessões da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) naquela casa.

 

Foi exatamente nessa época que a CREDN recebeu a Mensagem nº 296, de 2001, do Poder Executivo, a qual encaminhava ao Congresso Nacional o texto do “Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo dos Estados Unidos da América sobre Salvaguardas Tecnológicas Relacionadas à Participação dos EUA nos lançamentos a partir do Centro Lançamento de Alcântara”, o famigerado Acordo de Alcântara.

 

Foi designado Relator da matéria o saudoso Deputado Waldir Pires, homem de profunda cultura jurídica e um grande patriota. Educadíssimo, modesto e um verdadeiro gentleman, como só os grandes homens são, o Doutor Waldir Pires me concedeu a honra de elaborar para ele seu parecer sobre o tema.

 

Estudamos minuciosamente o assunto e o Doutor Waldir conversou longamente com grandes especialistas na matéria.

 

Elaborei para ele um pormenorizado voto pedindo a rejeição do Acordo, por ser ele atentatório à soberania nacional, inteiramente assimétrico e colocar o programa espacial brasileiro em estreita dependência do programa espacial norte-americano. Na realidade, o objetivo não manifesto do acordo era mais impedir que o Brasil desenvolvesse seu próprio veículo lançador e cooperasse com países como a China, na operação da sua base de lançamentos. Mas isso é tema para um longo artigo.

 

O fato é que o parecer do Doutor Waldir, muito bem fundamentado, caiu como uma bomba na CREDN. O governo ficou em polvorosa, pois o parecer desmontava, com lógica cartesiana, todos os argumentos oficiais para a aprovação do Acordo. Os deputados, mesmo os governistas, ficaram impressionados e passaram a considerar improvável ou muito difícil a aprovação do ato internacional.

 

Fora do Congresso, a repercussão foi também muito grande, especialmente na área militar. Agora, que o Doutor Waldir infelizmente se foi, posso me permitir uma indiscrição. Ele me confidenciou que havia recebido uma mensagem do General Alberto Cardoso, então Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, expressando sua aquiescência com a posição contrária ao Acordo de Alcântara. Os militares de então trabalhavam, discretamente, pela rejeição do ato internacional. Queriam manter o controle da base e desenvolver o veículo lançador de satélites.

 

O governo reagiu exercendo muita pressão sobre os deputados da base. Surgiu, então, a estratégia de apresentar um voto que, em vez de pedir a rejeição pura e simples do Acordo, acolhesse todas as críticas ao texto e propusesse sua aprovação com supressões, modificações e ressalvas. O Doutor Waldir negociou com todos os partidos e apresentou um parecer aditivo que propunha uma série de modificações profundas ao texto do ato internacional.

 

A estratégia tinha duas vantagens:

 

a) Agregava apoio à posição crítica ao Acordo.

 

b) Elevava o papel do Congresso Nacional na apreciação de atos internacionais, na medida em que propunha alterações ao texto negociado pelo Executivo.

 

Na prática, sabíamos que as alterações que estávamos propondo, embora necessárias para preservar a soberania nacional, eram de tal ordem que jamais seriam aceitas pelo governo brasileiro da época e, muito menos, pelo governo americano. Sabíamos que, se aquele parecer fosse aprovado, o Acordo, tal como redigido, estava enterrado.

 

No dia da sessão de votação, fomos surpreendidos por uma série de elogios ao trabalho do Doutor Waldir Pires. Todos os partidos, sem exceção, manifestaram total apoio ao parecer do Doutor Waldir. Mesmo o PSDB e o PFL (hoje DEM) expressaram seu entusiasmo com o parecer. O mínimo que se disse é que a sessão era histórica, que o parecer era primoroso, que nenhuma outra Comissão teria capacidade de derrubar o trabalho que seria ali aprovado, como de fato aconteceu. Formou-se, assim, uma grande frente suprapartidária contra o Acordo de Alcântara.

 

Entretanto, chegou a hora de manifestar seu voto um deputado de perfil, por dizê-lo de forma eufemística, extremamente discreto, que só abria a boca, em geral, para defender pautas corporativas de militares e a finada ditadura. Nunca o vimos, naquela comissão, expressar opinião relevante sobre os grandes temas internacionais ou apresentar algum relatório ou projeto expressivo

.

Para nossa surpresa, as Notas Taquigráficas da Câmara registraram para a história a seguinte manifestação:

 

“O SR. DEPUTADO JAIR BOLSONARO – Louvo a competência do Deputado Waldir Pires, mas por outras razões que, no momento, preservo-me de citar, voto contrariamente ao projeto”- Câmara dos Deputados, CREDN, Notas Taquigráficas, 31/10/2001)


Ficamos um tanto perplexos. Sabíamos que a maior parte das Forças Armadas queria a rejeição do Acordo e apoiava, por conseguinte, a proposta do Doutor Waldir Pires. Pensávamos que o referido deputado estava alinhado com essa posição. Ficamos mais perplexos ainda com a recusa do deputado em explicitar as razões que o tornavam a única voz discordante de uma grande frente pela soberania nacional e pelo programa espacial brasileiro.

 

Na época, imaginamos que o voto podia ser resultado de alguma implicância ideológica contra o PT ou contra o Deputado Waldir Pires, que fora figura proeminente no governo João Goulart.

 

Na perspectiva atual, contudo, talvez aquele voto faça algum sentido maior.

 

Com efeito, depois de ter batido continência à bandeira americana em Miami, Bolsonaro vem externando sua admiração a Donald Trump e sua intenção de alinhar a política externa brasileira e, portanto, a política de Defesa do Brasil, à geoestratégia global dos EUA.

 

Como Trump, Bolsonaro quer reduzir os compromissos do Brasil com as mudanças climáticas e a proteção aos direitos humanos. Como o imprevisível Trump, Bolsonaro e seguidores veem com desconfiança o multilateralismo e instituições como a ONU, associadas, em suas mentes delirantes, a uma “conspiração socialista global”.

 

Também veem com muitas reservas as alianças estratégicas com países emergentes e o papel dos BRICS.

 

Recentemente, seu vice, o pitoresco General Mourão, o Ariano, associou a exitosa vertente Sul-Sul da diplomacia ativa e altiva a uma aproximação à “mulambada” de lá (África) e cá (América Latina), que só teria “atrasado o Brasil”. O povero não sabe que foi a “mulambada” de cá e lá (América Latina e outros países em desenvolvimento) que absorveu, entre 2010 e 2015, cerca de 60% das nossas exportações de manufaturados. Os países desenvolvidos, o pessoal loiro e de olhos azuis, de quem Mourão parece tanto gostar, compraram somente 40% dos nossos produtos industrializados.

 

A verdade é que o grupo de Bolsonaro ainda vive nos jurássicos tempos da Guerra Fria, ainda acredita na superioridade da raça ariana, ainda acha que existe uma “conspiração comunista global” e, portanto, ainda enxerga no alinhamento automático com os EUA uma salvação contra as terríveis ameaças dos “comunistas”, dos “quilombolas” e da “mulambada”.

 

Dentro dessa perspectiva macarthista, sobrevivente da Guerra Fria e da ditadura, aquele voto estranho do Deputado Bolsonaro contra a frente pela soberania nacional criada na CREDN, por ocasião da votação do Acordo de Alcântara, faz sentido. É possível que não tenha sido mero capricho político.

 

Afinal, para quem bate continência à bandeira americana e admira Trump, a defesa da soberania, a defesa da nossa base, deve ser coisa de “comunista” ou de “mulambos”.

 

17
Ago18

Esquivel, após ele e Amorim visitarem o ex-presidente: “A prisão de Lula é uma ação política, para falsificar a sua imagem”

Talis Andrade

“Quem tira milhões de pessoas da fome constrói a paz”, diz prêmio Nobel após visita a Lula

 

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Adolfo Pérez Esquivel, prêmio Nobel da Paz, e Celso Amorim, chanceler do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, visitaram Lula nesta quinta-feira (16/8), na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.

 

Durante a visita, eles conversaram com Lula sobre o cenário latino-americano e sobre a postura de subserviência do governo ilegítimo de Temer perante os EUA e sobre a perda da soberania internacional.

 

Esquivel , que já havia tentado visitar Lula, mas foi impedido, afirmou que encontrou o ex-presidente com muito ânimo e força, pensando no país, no povo brasileiro e na América Latina.

 

“A prisão dele é uma ação política, para falsificar sua imagem”, afirmou o Nobel da Paz.

 

Esquivel falou sobre sua preocupação com a volta da fome e da pobreza no Brasil, e sobre a judicialização de governos populares na América Latina, citando os casos de Rafael Correa, no Equador, e Cristina Kirchner, na Argentina.

 

O ativista de direitos humanos afirmou seu compromisso em levar adiante o documento com 300 mil assinaturas requerendo a candidatura de Lula ao Nobel da Paz.

 

“Lula foi o único presidente que tirou da pobreza 36 milhões de brasileiras e brasileiros. É um feito reconhecido. Tirar milhões de pessoas da fome é construir a paz. E a paz, como a democracia, precisa ser construída. Uma democracia se constrói, com igualdade de direitos para todos, mas estamos perdendo o que conquistamos”, disse Esquivel.

 

Ministro das Relações Exteriores nos dois mandatos de Lula, Amorim contou ao ex-presidente os detalhes da visita ao papa.

 

Sobre a política de relações exteriores submissa do governo Temer, Amorim disse que “Lula lembrou todos os esforços que fez pela integração da América Latina, que estão sendo destruídos. Ele está revoltado com a submissão do Brasil aos Estados Unidos, que vem dar ordens sobre com quem devemos relacionar, como se fôssemos vassalos deles. O tempo que um estadunidense vinha dar ordem no Brasil tinha acabado, mas agora voltou. Ele não tem palavras para descrever sua revolta ante esse assédio a nossa soberania”.

 

Amorim lembrou ainda o discurso em que Papa Francisco fala sobre os golpes de estado: “O papa disse, em sua homilia, que hoje em dia os golpes começam com difamação pela grande mídia, depois vem o golpe judiciário e depois vem o golpe em si”.

 

 

 

08
Ago18

O golpe, o furto da maior reserva de petróleo descoberta no mundo

Talis Andrade


Independência ainda que tardia, e quão tardia!

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por Pedro Augusto Pinho

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A primeira e fundamental condição para conquistar a independência é reconhecer-se – pessoa, país, sociedade – dependente, não ser livre, não dispor de soberania.

 

Muitos escravocratas, dominadores, colonizadores, procuram incutir nas mentes dominadas que a independência é relativa, que autonomia tem limites, que todos dependem de todos, mas sem explicitar quem ganha? quem perde? nestas relações.

 

Com o domínio do sistema financeiro internacional (a banca), em quase todo mundo contemporâneo, surgiram farsas, fraudes, enganos de todo tipo, sempre objetivando novas formas de sujeições. Podemos, sem erro nem excesso, afirmar que a globalização é fake, assim como a competitividade não existe e que só o altruísmo não constrói cidadania.

 

A COMUNICAÇÃO DE MASSA A SERVIÇO DAS FRAUDES

 

A maior arma que a comunicação a serviço da banca – praticamente toda mídia comercial (canais de televisão, emissoras de rádio, jornais e revistas) – usa é a desinformação. Você assistindo a Globo News, ao Jornal Nacional, às entrevistas da Roda Vida ou da Bandeirantes, ao jornal da Record e do SBT estará recebendo aquela informação trabalhada por profissionais da propaganda.

 

O que significa informação trabalhada?

Não é a mentira óbvia, afirmar que chove quando faz sol, ou da presença falante do morto nos estúdios da tv.

 

A informação trabalhada parte de um dado concreto, com imagem e tudo. Mas não comprova que aquela imagem é do lugar que diz ser; ou do momento da notícia, e é de outra hora ou, mais comum do que você imagina, a imagem é construida como em estúdio. E existem muitos outros e maiores fakes.

 

Quando o tema é importante para a banca, você o receberá de vários modos, sob diversas roupagens, e o encontrará constantemente. Por exemplo: ele será tema da novela da Globo e do SBT, assunto de grande reportagem no Fantástico, objeto de debate na BandNews, noticiário em quase todos os canais, reprisado, como escândalo e com palavras do ouvinte, nas rádios, manchete de jornal e capa de revista. Você será inundado da notícia da corrupção do PT, por exemplo. Pronto.

 

Depois irão surgir, porque são fatos incontestes, e há também interesse neles, as corrupções dos demais partidos, principalmente dos opostos ao PT.

E ficará claro que a corrupção do PT era muito menor do que a do PSDB, do DEM, do PP (o partido que congrega maior número de políticos corruptos), do PTB, do PR e muito especialmente desses partidos que se intitulam cristãos (PSC, PRB, PTC, DC).

Se você já não gostava do PT e foi divulgar, fazer crescer ainda mais a informação trabalhada, parcial, veja a seguir o que obteve.

 

Não era a corrupção que importava. E agora se revela, com os novos eventos, o objetivo daquela informação trabalhada.

 

O FURTO DO PRÉ-SAL

 

Tudo estava elaborado para que O, no último meio século, nas costas brasileiras e pela competência da Petrobrás, não servisse para o desenvolvimento e para empregos, saúde e educação no Brasil, mas para enriquecer os acionistas das empresas estadunidenses, inglesas, chinesas e norueguesas de petróleo.

 

E quem está por trás destas empresas? Quem são os acionistas que irão usufruir seus ganhos?

Vejamos os casos concretos dessas empresas de petróleo.

Temos candidatas e até já possuidoras desta fortuna do pré-sal as seguintes empresas: ExxonMobil, Shell, Chevron, CNOOC (chinesa) e Equinor (antiga norueguesa Statoil).

 

A quem pertencem estas empresas?

CNOOC e Equinor são estatais com 64% e 67% das ações em mãos do Estado (China e Noruega). Mas todas, inclusive as estatais, tem participação importante de The Vanguard Group e Blackrock.

 

Quem são Vanguard e Blackrock?

Dois dos maiores fundos de investimentos do mundo, com trilhões de dólares disponíveis, cada um. Como chegaram a estes valores que são mais de duas, três vezes o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil – 9ª ou 10ª economia mundial?

 

Por centenas, milhares de fundos, por eles controlados, que captam desde o trocadinho do assalariado (que irá perdê-lo na primeira crise fabricada pelos mesmo fundos) até os milhões, bilhões de dólares dos Rockfeller, dos Rothschild, da família real inglesa e dos traficantes de droga, contrabandistas de armas e os caixa 2 dos tucanos, pepistas e colegas. Uns de origem legítima, outros vindos incógnitos de paraísos fiscais.

 

Como são usados estes trilhões de dólares? Na especulação e na corrupção.

Comprando bens que deveriam proporcionar renda para o desenvolvimento social e econômico dos países e desviando-os para rendimentos estéreis da especulação. Comprando consciências e obtendo suas defesas e ações públicas que os beneficiem. Comprando políticos, institutos, partidos, academias, imprensa para que defendam seus interesses e escravize povos e extinga Estados Nacionais.

 

A banca, neste nosso tempo, é a maior fonte de corrupção do planeta.

 

A LUTA PELA LIBERDADE

 

Diante deste cenário, qual será o primeiro passo para nossa liberdade?

Entramos na reta final do processo de eleição para os cargos do executivo e legislativo nacional e estadual. E estamos mergulhados no golpe que a banca, por seus agentes no judiciário, na imprensa e no congresso brasileiro, nos aplicou em 2016.

 

A expectativa de fraude nas urnas é grande e real. Temos que denunciar, estar atentos e fazer uma fiscalização paralela à oficial.

Mas temos que nos informar e divulgar o que está verdadeiramente em causa. É a soberania nacional, a existência do Estado Nacional Brasileiro.

 

Sem Nação não há que se falar em desenvolvimento econômico nem social, não haverá espaço para cuidar da saúde e da educação. A insegurança física, jurídica, do emprego e do trabalho será absoluta.

 

Nós precisamos de muito estado nacional, nada de importar a ideologia neoliberal que trás com ela este capital dos fundos abutres e corruptores que vimos atacando o pré-sal.

 

A luta pela liberdade vai nos indicar o caminho do voto certo, nacionalista, brasileiro, de desenvolvimento social e político, do emprego e renda para nossos trabalhadores, não para os noruegueses e estrangeiros.

 

O candidato a Presidente que ganharia com toda certeza e nos conduziria para estas novas e desejadas realidades era o Lula.

Mas, mostrando sua capacidade de gênio político, de enorme desprendimento pessoal, ele abdica de ser novamente Presidente Eleito para dar lugar à renovação política, deixar aflorar a nova geração.

Repetindo o outro grande Presidente do Brasil, Getúlio Vargas, ele disse: Haddad e Manuela!.

 

 

04
Ago18

É o fim do golpe do Judiciário e Congresso entreguistas! PT oficializa candidatura de Lula à presidência do Brasil Livre

Talis Andrade

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Em encontro nacional ocorrido neste sábado (4), em São Paulo, o Partido dos Trabalhadores (PT) indicou, por unanimidade, o nome de Luiz Inácio Lula da Silva como candidato à Presidente da República. "Aos gritos de olê olê olá, Lula, Lula" o nome do ex-presidente, que encontra-se detido arbitrariamente há mais de três meses, foi citado, diversas vezes, em um tom de emoção pela militância petista. Não foi definido o outro nome da chapa.

 

Em meio a discursos e atividades culturais, registraram presença no local parlamentares, governadores, representantes políticos de partidos aliados, artistas, além da militância que lotava o auditório usando máscaras com o rosto de Lula.

 

"O golpe está em jogo"

 

Líder do PT na Câmara, o Deputado Federal Paulo Pimenta (PT-RS), afirmou em sua fala que o Brasil nunca precisou tanto de Lula e Lula nunca precisou tanto do Brasil. "O que está em jogo é se vamos ou não derrubar o golpe, a miséria voltou a assombrar o nosso povo, é hora de voltarmos a governar esse País, e será com Lula", ressalta.

 

O Senador Lindbergh Farias (PT-RJ) também fez uso da palavra, frisando que, apesar da condenação da Rede Globo e do juiz Sérgio Moro, Lula permanece crescendo nas pesquisas. "A foto que roda o mundo inteiro é de Lula sendo carregado pelo povo, muitos dizem que o ex-presidente irá desistir, mas, se eles impugnarem o nome de Lula, nós vamos até o fim", salienta.

 

"Nós vamos eleger Lula e profundar a democracia, precisamos de democratizar os meios de comunicação, promover a reforma política, do judiciário", acrescentou o Senador.

 

Relatos do Papa

 

Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores de Lula por oito anos, reproduziu no encontro como foi sua audiência com o Papa Francisco. "Foi uma honra ser recebido pelo Pontífice, que entregou uma mensagem por escrito para o ex-presidente, evitando qualquer mal-entendido ou deturpação por parte da imprensa. O Papa tem total noção de que há arbitrariedades na mídia e na mídia hegemônica", relata, referindo-se ao episódio do terso enviado diretamente pelo seu assessor ao ex-presidente.

"Rumo ao penta, nós estamos caminhando para o quinto mandato petista frente à Presidência da República", salientou Fernando Haddad, coordenador de campanha do programa de Lula.

 

Lula Livre

 

A presidente do PT, Senadora Gleisi Hoffmann (PT), orientou os delegados na votação, que levantaram seus crachás, por unanimidade, aclamando o nome de Lula como candidato oficial do PT à presidência da República. "apesar de vocês, dessa mídia golpista, Lula será eleito, nós não temos medo de vocês", enfatizou.

A ex-presidente da República e candidata ao Senado por Minas Gerais, Dilma Rousseff, finalizou a primeira parte do encontro dizendo que nunca pensou que a música cale-se voltaria a ser tema do Brasil. "Mas temos que saber que a nossa luta é de todas as horas, nossa batalha é para eleger Lula e aprovar uma Assembléia Constituinte, revogando as medidas do golpe", disse, acrescentando: "Sou candidata ao Senado e vamos fazer uma votação histórica em Minas".

 

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A carta de Lula 

 

No final do encontro foi lida uma carta do petista aos correligionários: "Já derrubaram uma presidenta eleita, agora querem vetar o direito do povo escolher livremente o próximo presidente. Querem inventar uma democracia sem povo”. Se por um lado a cabeça da chapa foi oficializada, até o momento o partido não anunciou quem será o vice na chapa do petista.

01
Ago18

Moçambique nossa terra gloriosa / Pedra a pedra construindo um novo dia

Talis Andrade

 

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Na memória de África e do Mundo
Pátria bela dos que ousaram lutar
Moçambique, o teu nome é liberdade
O Sol de Junho para sempre brilhará

 

Moçambique nossa terra gloriosa
Pedra a pedra construindo um novo dia
Milhões de braços, uma só força
Oh pátria amada, vamos vencer

Povo unido do Rovuma ao Maputo
Colhe os frutos do combate pela paz
Cresce o sonho ondulando na bandeira
E vai lavrando na certeza do amanhã

 

Moçambique nossa terra gloriosa
Pedra a pedra construindo um novo dia
Milhões de braços, uma só força
Oh pátria amada, vamos vencer

Flores brotando do chão do teu suor
Pelos montes, pelos rios, pelo mar
Nós juramos por ti, oh Moçambique
Nenhum tirano nos irá escravizar

 

Moçambique nossa terra gloriosa
Pedra a pedra construindo um novo dia
Milhões de braços, uma só força
Oh pátria amada, vamos vencer

 

 

 

 

 

01
Ago18

Angola, avante! Revolução, pelo Poder Popular!

Talis Andrade

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Ó Pátria, nunca mais esqueceremos

Os heróis do 4 de Fevereiro

Ó Pátria nós saudamos os teus filhos

Tombados pela nossa Independência.

Honrámos o passado e a nossa História,

Construindo no trabalho um homem novo,

Honrámos o passado e a nossa História,

Construindo no trabalho um homem novo.

Angola, avante!

Revolução, pelo Poder Popular!

Pátria Unida, Liberdade,

Um só Povo, uma só Nação!

Angola, avante!

Revolução, pelo Poder Popular!

Pátria Unida, Liberdade,

Um só Povo, uma só Nação!

 

Angola: o itinerário da palavra na canção e a emancipação da cultura popular face ao imperialismo português. Leia aqui 

Angola: musicalidade, política e anticolonialismo. Leia aqui

O SEMBA ANGOLANO PRÉ-INDEPENDÊNCIA (1961-1975): RELAÇÕES ENTRE MÚSICA E POLÍTICA. Leia aqui

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Árvore Azul (da série botânica) | 2016 | Filipe Branquinho

26
Jul18

Por que a prisão de Lula é importante para o capital estrangeiro?

Talis Andrade

 Lula revogará medidas econômicas de Temer

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O golpe dos togados e congressistas não se contentou com a derrubada de Dilma Rousseff, e a posse do entreguista Michel Temer. Foi mais além, para garantir seis anos de governo contra o povo, de reforma trabalhista, de salário mínimo do mínimo: era mais do que necessária a prisão de Lula.

 

A garantia da venda das estatais, da desnacionalização das grandes empresas, e entrega das riquezas do Brasil está na prisão de Lula, na fraude de Lula não participar das eleições de outubro próximo, e governar o País a partir do dia 1 de janeiro.

 

 Por que a desconfiança de Sergio Moro seja um agente dos serviços de inteligência dos Estados Unidos? Por que a pressão das maiores fortunas do Brasil para que a justiça não conceda habeas corpus a Lula?

 

Guilherme Mello, assessor econômico da campanha presidencial de Lula responde: caso seja eleito, o ex-presidente terá como uma de suas prioridades rever todas as medidas econômicas do governo Temer. “A emenda constitucional 95 (PEC do teto de gastos) precisa ser revogada. […] O Brasil precisa votar uma nova regra fiscal. Além de outros descalabros, como a reforma trabalhista”, disse Mello durante debate com assessores de pré-candidatos na Unb (Universidade de Brasília). 

 

O novo modelo de desenvolvimento apresentado pelo PT ainda terá entre os eixos prioritários alterações estruturais, como uma reforma tributária que não mude a carga de impostos nem a distribuição entre os estados e municípios, e ações emergenciais, como incentivo aos investimentos públicos para impulsionar o emprego.

 

Mello assegurou também que o governo Lula também vai suspender o processo de privatizações de estatais e reverter as já realizadas.

 

“Quem produziu mais superávit, quem melhorou o perfil da dívida, quem desindexou a dívida? Tudo o governo Lula, tudo os governos do PT”, afirmou o economista.

 

Ele reafirmou a ideia do grupo econômico do PT, do qual também faz parte o economista Márcio Pochmann, de usar reservas cambiais e recursos do BNDES para formar um fundo para financiar obras de infraestrutura. Para Mello, há um “excesso de reservas” no valor de US$ 30 a US$ 40 bilhões, que poderiam ser redirecionados: “Temos um colchão que custa caro. Você pode pegar uma parte pequena dessas reservas e, em vez de devolver para o Tesouro, faz um fundo que será responsável, junto com capital privado, por financiar infraestrutura”.

 

 

 

 

 

16
Mai18

Moro em NY: o bom filho à casa torna, por Aline Piva

Talis Andrade

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Sérgio Moro foi alvo de protestos nesta terça-feira, 15, em Nova York, contra sua premiação como "Pessoa do Ano" pela Câmara do Comércio Brasil-EUA; organizados pelo coletivo BRADO-NY, dezenas de brasileiros e norte-americanos que levaram cartazes que denunciam o golpe parlamentar no Brasil e a perseguição política ao ex-presidente Lula; em um dos cartazes, Moro é descrito como "criminal of the year" (criminoso do ano) e uma faixa em frente ao Museu de História Natural em Manhattan pedia Lula Livre; "Moro pratica lawfare", diz outro cartaz

 

 

O GRITO DAS RUAS. Sergio Moro foi recebido por sindicalistas dos Estados Unidos aos gritos de "golpista", "vergonha", "Moro salafrário", "juiz partidário", com faixas com os dizeres "Lula livre"

 

 

 

O juiz de primeira instância Sérgio Moro foi agraciado pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos com o prêmio “Homem do Ano 2018”, ao lado do ex-prefeito de Nova Iorque, Michael Bloomberg. Os participantes desembolsaram de US$ 1.200 a US$ 26.000 por um lugar no jantar de gala.

 

Bloomberg é um dos homens mais ricos dos Estados Unidos. Agora, o que justifica que um juizinho de uma cidade relativamente insignificante do ponto de vista do comércio entre Brasil e Estados Unidos receba tal prêmio? Segundo Alexandre Bettamio, presidente da BrazilCham e de um dos maiores bancos dos Estados Unidos, Moro e Bloomberg foram escolhidos por sua “coragem, determinação e capacidade de mudar a vida das pessoas” e também por não diferenciar seus cidadãos “na aplicação da Justiça”.

 

Pois bem. Bloomberg foi prefeito de Nova Iorque por três mandatos consecutivos. Nesse período, ele aprofundou a chamada política de “tolerância zero” instituída por seu antecessor. Essa política essencialmente incentiva o combate intensivo de pequenos crimes como meio de prevenir crimes maiores. Isso levou com que os policiais começassem a parar e revistar qualquer pessoa que eles considerassem suspeitos – ou as “pessoas certas”, como a Polícia de Nova Iorque gosta de descrever. Na prática, o alvo era claro: jovens negros e latinos. Somente em 2013, depois que mais de 5 milhões de jovens de minorias raciais foram revistados sem nenhuma justificativa, é que essa política ilegal e discriminatória foi considerada inconstitucional.

 

Se é absurdo afirmar que Bloomberg não diferencia seus cidadãos “na aplicação da Justiça”, isso chega a beirar o ridículo quando se trata de Moro. À frente de uma operação ilegal desde sua origem, Moro não só empreende uma verdadeira cruzada contra seus inimigos políticos, mas também ataca frontalmente o Estado Democrático de Direito ao cooperar com os Estados Unidos “informalmente”. O caso contra Lula seria, segundo o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, um exemplo de sucesso dessa prática, repito, ilegal. Não por acaso, vemos Moro uma e outra vez impor ações e entendimentos típicos da legislação estadunidense, à revelia da nossa própria Constituição.

 

Moro foi recebido em Nova York com protestos que contaram com a participação dos principais sindicatos dos Estados Unidos, além de ativistas e representantes da sociedade civil estadunidense. Mas retomo a pergunta inicial: porque uma Câmara de Comércio homenagearia Moro? A Lava Jato abriu as portas não só para o desmonte da nossa incipiente indústria nacional, mas também para a derrocada da nossa soberania. Se é certo que ainda não sabemos a real extensão da participação dos Estados Unidos no golpe de 2016, a história nos mostra que a ascensão de regimes fantoches beneficia amplamente os interesses políticos e econômicos de Washington. E talvez seja isso que tenha sido realmente homenageado pela BrazilCham nessa semana, na figura de Sergio Moro.

 

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