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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

30
Jan21

Ruy Castro: Bolsonaro rebaixou o Brasil ao nível de estrebaria de quartel

Talis Andrade

 

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247 - Em sua coluna publicada no jornal Folha de S.Paulo, o escritor Ruy Castro afirma que Jair Bolsonaro foi "quem rebaixou o Brasil ao nível de estrebaria de quartel, ao inundar os lares com um vídeo sobre golden shower, chamar um jornalista para a briga ('Minha vontade é encher a sua boca de porrada!') e ejacular mais palavrões numa reunião ministerial do que em todas as reuniões ministeriais somadas desde 1889".

No texto, Ruy Castro destaca que, "desde sua posse, Jair Bolsonaro já foi chamado de cretino, grosseiro, despreparado, irresponsável, omisso, analfabeto, homófobo, mentiroso, escatológico, cínico, arrogante, desequilibrado, demente, incendiário, torturador, golpista, racista, fascista, nazista, xenófobo, miliciano, criminoso, psicopata e genocida". 

"Nenhum outro governante brasileiro foi agraciado com tantos epítetos, a provar que a língua é rica o bastante para definir o pior presidente da história do país. Mas é inútil, porque nada ofende Bolsonaro. Ele se identifica com cada desaforo".

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13
Nov20

Com frase sobre “país de maricas”, Bolsonaro mistura homofobia e indecência, diz imprensa internacional

Talis Andrade

 

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Texto RFI
 

As declarações recentes feitas pelo presidente brasileiro Jair Bolsonaro sobre a pandemia de Covid-19 suscitaram reações na imprensa internacional. Jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão de vários países repercutiram a maneira como o chefe de Estado minimizou as consequências da crise sanitária durante um evento oficial usando uma frase homofóbica.

A expressão “Tem que deixar de ser um país de maricas” está dando a volta ao mundo. O canal de televisão francês LCI resumiu o episódio dizendo que “presidente brasileiro recorreu à homofobia para incitar a população a abandonar as medidas de precaução em vigor no resto do planeta”, enquanto a revista francesa L’Obs publica em seu site que o chefe de Estado “minimizou mais uma vez a pandemia de Covid-19, que matou mais de 162 mil pessoas no país”. Já o jornal italiano Giornali di Sicilia martela que essas “palavras fortes” de Bolsonaro “podem gerar polêmica em nível internacional”.

No Reino Unido, o jornal The Guardian ressalta que a declaração de Bolsonaro sobre o país de ‘sissies' foi feita “em um evento onde poucos participantes usavam máscara”. Ainda nas terras da rainha, até o tabloide britânico Daily Mail, que nem sempre tem papas na língua, se policiou ao relatar a derrapagem do líder brasileiro. Com o título “a country of f*gs”, o jornal explica que Bolsonaro “usou o termo ofensivo para gays em um discurso no palácio presidencial”.

A versão mexicana da revista Forbes explica que as declarações de Bolsonaro foram feitas durante um evento sobre o setor de turismo, “um dos mais atingidos pela pandemia Covid-19 no país”. A publicação ressalta que o presidente enfatizou o impacto econômico do vírus e informa que o chefe de Estado reclamou daqueles que “estão começando a intimidar o povo com um eventual segunda onda”.

"Gripecita"

O jornal colombiano El Tiempo dá em titulo que “Bolsonaro fez comentários homofóbicos e novamente subestimou a pandemia”. O diário ressalta que o presidente “já havia chamado a atenção ao comemorar, como uma vitória pessoal, a interrupção no Brasil da fase de estudos da vacina CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac” e lembra que o presidente chamou a Covid-19 de "gripecita" e que, desde então, “tem mostrado sua posição contra medidas de confinamento e contra o fechamento de estabelecimentos e locais públicos”.

O britânico Daily Mail também lembrou a declaração sobre gripezinha e disse que várias vezes Bolsonaro “condenou e histeria em torno da Covid-19”.

Mas o que realmente chamou a atenção da imprensa internacional foi a dimensão homofóbica do discurso.  O jornal francês Le Parisien diz que essa não é primeira gafe do líder brasileiro, “homofóbico assumido”.

O tabloide lembra as declarações feitas por Bolsonaro à revista Playboy em 2011, quando ele disse que seria incapaz de aceitar um filho gay e que “preferia vê-lo morto”. “Bolsonaro também multiplicou as frase machistas”, martela Le Parisien, que ressuscita as declarações feitas pelo presidente sobre o nascimento de sua filha – “um momento de fraqueza”, segundo o presidente.

“Sábio Bolsonaro”

A rádio France Culture diz que a pandemia “revela os piores aspectos de Jair Bolsonaro”. Em seu site, a emissora fala da reação efusiva do presidente diante da interrupção dos testes de vacinas no Brasil, “enquanto o resto do mundo se entusiasma com os bons resultados da vacina da Pfizer”.

Como os demais veículos de comunicação internacionais, a rádio, uma das mais apreciadas da elite intelectual francesa, diz que o presidente brasileiro lamentou as mortes relacionadas ao coronavírus, mas declarou que "todos nós vamos morrer um dia": um bom argumento do “sábio Bolsonaro”, ironiza o jornalista, ao vivo. Reproduzindo trechos de matérias publicados no Brasil, France Culture diz ainda que, com esse episódio, Bolsonaro mistura homofobia e indecência.

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16
Out20

Preso por corrupção o delegado que algemou o Almirante Othon

Talis Andrade

É mais um capítulo da enorme degradação do sistema judicial brasileira com a parceria pornográfica entre juízes, delegados e repórteres

por Luis Nassif

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Um dos episódios mais indignos da Lava Jato foi a operação de prisão do Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, 76 anos.

Numa ponta, um almirante com enorme folha de serviços ao país, principal responsável pelo domínio que o Brasil passou a ter sobre uma fonte de energia relevante, a nuclear.

Na outra, um delegado da Polícia Federal, Wallace Fernando Noble Santos, com o poder absoluto assegurado por uma Justiça indecentemente parcial e uma mídia que se transformara em repassadora de pré-releases da operação.

O inquérito de Othon foi aberto a partir de informações entregues à Lava Jato por uma Advogada do Departamento de Justiça americano, que até um ano antes servira ao maior escritório de advocacia que atendia a indústria nuclear americana.

O delegado chegou ao apartamento da Othon e alertou que, se não abrisse a porta, ela seria arrombada. Indignado, Othon reagiu. Com dois pontapés, Noble arrombou a porta.

Segundo ele, Othon teria avançado sobre a equipe. O valente Noble, com a ajuda de um agente, derrubou e algemou o Almirante, de 76 anos, que gritava que, na condição de vice-almirante da Marinha, deveria haver no mínimo um vice-almirante no local. Preso, algemado e era apenas uma operação de busca e apreensão.

Noble respondia ao então juiz Sérgio Moro.

Ontem, uma operação da Lava Jato Rio de Janeiro prendeu o delegado Noble, sob a acusação de vender proteção aos grandes criminosos. Advogados atuavam como intermediários, vendendo proteção a empresários e repartindo a propina com policiais como Noble.

É mais um capítulo da enorme degradação do sistema judicial brasileiro com a parceria pornográfica entre juízes, delegados e repórteres.

- - -

Nota deste correspondente: Na época da prisão, a polícia federal, mpf, liga da justiça de Moro espalharam fotos e filmes do cientista Othon Luiz Pinheiro da Silva. Hoje, milagrosamente, desapareceram dos meios de comunicação fotos, filmes do delegado Wallace. Consultem o Google, o YouTube, para dois exemplos. 

 
 
 

 

19
Ago20

I don't trust Fux

Talis Andrade

 

por Pedro Benedito Maciel Neto

- - -

O ministro Fux deve ser eleito Presidente do STF, observando o sistema de rodízio, o que é uma catástrofe institucional, pois, como escreveu Luis Nassif, “Fux não pode ser presidente do STF”, pois “Sem as prerrogativas da presidência, Fux se valeu várias vezes de manobras regimentais para impor teses absurdas, mostrando total falta de limites para o uso de suas atribuições”.

Uma das indecências de Fux, em quem o pessoal da Lava-Jato confia, foi (a) manter parada por anos a votação do auxílio moradia para magistrados que já dispunham de casa própria, cerca de 4,5 bilhões de reais foram drenados dos cofres públicos porque Fux agiu corporativamente e, após conceder liminar autorizando o pagamento, “sentou” no processo; (b) ele mantém parado há quase uma década votações sobre crimes da ditadura. 

Fux politiza toda a fundamentação suas decisões, há, por exemplo, uma decisão sua trancou toda a pauta de votações do Congresso, para impedir mudanças na legislação de royaltiesque poderia prejudicar o Rio de Janeiro.

Mas não é só isso.

Para o ministro do STF Luiz Fux a existência de consórcio entre juiz e ministério público, desde a denúncia até a condenação, mesmo que prejudicial à defesa e aos direitos dos acusados não deve ser objeto de atenção ou preocupação da sociedade e dos órgãos de controle do ministério público e do Poder Judiciário. 

Alguém que pensa assim não pode ser Presidente do STF, pois já temos um imbecil na Presidência da República, um Congresso dócil ao mercado e às barbaridades do Executivo, o STF seria a última trincheira de defesa da institucionalidade e com Fux a boiada vai passar a vontade. 

Pelo que assistimos Fux dará contornos de legalidade à atuação potencialmente criminosa da Lava-Jato e do então juiz e Sergio Moro na operação Lava Jato e vai ignorar os crimes por eles cometidos.

Sim há crimes a serem investigados. Ilegalidades de contorno criminal relacionados com a forma como o Moro conduziu  e interferiu nas investigações da operação para depois julgar e prejudicar o processo democrático impedindo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de participar das eleições presidenciais, ganhando como prêmio o ministério da Justiça.

Mas não é só.

O pessoal da Lava-Jato criou, com dinheiro público, uma organização política, que Demétrio Magnoli chamou de Partido da Lava-Jato, para, empunhando a bandeira da moralidade pública e do combate à corrupção, praticarem sem nenhum constrangimento o crime de abuso de autoridade, o qual se configura, por exemplo, quando testemunhas são conduzidas coercitivamente, como no caso do Lula, sem o convite, sem intimação e não se negam a depor. 

É possível ainda afirmar que os jovens procuradores de Curitiba, com apoio e inspirados por Sergio Moro, vêm praticando o crime de improbidade administrativa, aquele que funcionário público e o agente político, como eram os casos do Moro de Dallagnol, não pode do seu ato de ofício auferir vantagens. Ora, Moro, com o processo contra o Lula, eivado de nulidades, o afastou das eleições. E Bolsonaro eleito, escolhe Moro como ministro da Justiça e promete a ele um cargo para o Supremo Tribunal Federal. Evidente a vantagem e o interesse de Moro lançar-se à Presidência e Procuradores da República lançarem-se candidatos ao Senado “um em cada estado”, como disse Deltan numa das revelações da Vaza-Jato.

A juíza federal Raquel Braga, da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), afirma que há outro crime, ainda, para ser investigado, que a prevaricação e afirma: “No caso João Santana, Moro retarda a denúncia do Ministério Público, deixando as peças sob o seu controle, sem enviar para o Supremo Tribunal Federal”.

E, por fim, também a ser investigada é a formação de quadrilha, com a constituição de uma instituição que inicialmente tinha capa de viés pedagógico, mas no fim almejava auferir lucros. “Portanto, a cada vazamento, essa questão de palestras, de pagamentos se torna mais grave”, alerta a Juíza Raquel Braga.

Caberia aos conselhos punir dos danadinhos delinquentes, mas é do Supremo Tribunal Federal a missão de promover um acertamento institucional definitivo, pois vivemos em pleno século XXI uma espécie de tenentismo? São os jovens promotores e juízes "de baixa patente" os novos tenentes. Como os rebeldes do inicio do século XX, os jovens promotores e juízes, descontentes com a situação política do país ou a serviço de interesses ainda em processo de aclaramento, passaram a buscar reformar instituições e estruturas a seu modo. 

Há coincidências a ser consideradas: os jovens promotores e juízes do inicio do século XXI, querem reformas, assim como os jovens militares do inicio do século XX, mas ambos possuem uma espécie de povofobia; querem reformas a fórceps, sem participação popular, sem consulta popular, relativizando a democracia, criminalizando a Política e os políticos, relativizando e desrespeitando direitos e liberdades, com viés extremamente autoritário.

Não me servem as reformas, sem democracia e participação popular nenhuma reforma é válida. Os jovens promotores e juízes de hoje buscam afirmar suas convicções através da judicialização da política, da politização do judiciário, da criminalização da política e dos políticos, tudo com diligente apoio de parte da mídia que transforma fatos e atos processuais ou pré-processuais em espetáculos de destruição de reputações e das instituições. 

Essas são as reflexões de hoje.

29 de Janeiro de 2020 - O CORRESPONDENTE

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