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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

23
Set20

Dilma aponta as 12 mentiras contadas por Bolsonaro na ONU

Talis Andrade

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por Dilma Roussef

Praticamente não há uma sentença no discurso de Bolsonaro na ONU que não cometa pelo menos uma falsificação, uma manipulação, uma adulteração dos fatos. O Brasil que Bolsonaro descreve não existe, e não existe por causa dele.

As maiores florestas brasileiras ardem em chamas, com recordes de incêndios, e ele culpa os índígenas, que são as primeiras vítimas desses crimes ambientais.

Os maiores biomas do país são consumidos pelo desmatamento ilegal, e ele diz que exerce controle rigoroso sobre a ação dos destruidores das florestas, o que é falso.

O Brasil voltou a registrar a mazela da fome, que maltrata mais de 10 milhões de pessoas, e ele se jacta de estar alimentando o mundo.

Quase 140 mil brasileiros já morreram de Covid19, e ele diz que agiu com rigor para combater a doença. ao mesmo tempo em que culpa os governadores pelas mortes.

Bolsonaro dissimula de maneira contumaz e o faz por cálculo, não por ignorância. Mesmo quando fala na ONU, não é ao mundo que está se dirigindo, mas ao seus seguidores mais radicalizados, que ele mantém mobilizados à base de fake news e deturpações da verdade. Seu objetivo é manter a iniciativa política e a polarização. Foi assim que, na Itália dos anos 1910 e 1920 e na Alemanha dos anos 1930, o fascismo e o nazismo cresceram até chegar ao poder: mobilizando permanentemente uma minoria de seguidores agressivos, capazes de intimidar o campo democrático da sociedade.O mundo já não acredita em Bolsonaro. Parte dos brasileiros já não acredita nele. Mas não há sinal de que ele pretenda parar. Terá de ser parado.

É possível verificar pelo menos 12 falsificações que Bolsonaro apresentou ao mundo, ontem, no seu discurso.

1

A fala – “Desde o princípio, alertei, em meu país, que tínhamos dois problemas para resolver: o vírus e o desemprego, e que ambos deveriam ser tratados simultaneamente e com a mesma responsabilidade.”

A verdade – Bolsonaro negou a gravidade da doença. Tratou-a com desdém, afirmando que era uma gripezinha. Não tomou medidas efetivas para garantir o emprego, propôs R$ 200 de auxílio emergencial e foi apenas diante da pressão da sociedade e da iniciativa da oposição no Congresso que acabou sendo aprovado o valor de R$ 600. Por culpa do governo, o Brasil foi o país que menos aplicou testes. Bolsonaro foi contrário ao isolamento e distanciamento social, ele próprio promovendo e participando de aglomerações e desprezando o uso de máscaras. Defendeu e expandiu a produção de cloroquina, enquanto deixava de adquirir analgésicos para a implantação de tubos respiratórios nos doentes graves.

2

A fala – “Por decisão judicial, todas as medidas de isolamento e restrições de liberdade foram delegadas a cada um dos 27 governadores das unidades da Federação. Ao Presidente, coube o envio de recursos e meios a todo o País.”

A verdade – Bolsonaro vem se escondendo por trás de uma decisão do STF que, supostamente, transferia o poder de enfrentar a Covid-19 para estados e municípios. Trata-se de uma versão inverídica e absurda, pois há uma clara obrigação constitucional da Presidência da República de coordenar ações diante da gravidade da crise sanitária, que já matou 138 mil pessoas; também somos uma Federação e, assim, há o dever intransferível de a União articular a ação dos 26 estados, o Distrito Federal e os 5.570 municípios. O Supremo nunca eximiu o governo federal do dever de agir, nem transferiu seu poder. Apenas deu a estados e municípios o direito de também tomar decisões sobre medidas sanitárias, de isolamento e de distanciamento social, segundo suas circunstâncias específicas.

3

A fala – “Nosso governo, de forma arrojada, implementou várias medidas econômicas que evitaram o mal maior: concedeu auxílio emergencial em parcelas que somam aproximadamente 1000 dólares…”

A verdade – Não houve arrojo, mas mesquinharia. Bolsonaro tentou impor um auxílio emergencial de apenas R$ 200 por mês. O auxílio só foi de R$ 600 por decisão do Congresso, proposta pelo PT e demais partidos de oposição, impondo uma derrota ao governo. Bolsonaro insinua, na fala, que pagou mil dólares por mês. Mas mesmo somadas, as parcelas do auxílio emergencial estarão longe de totalizar mil dólares. Se cumprir o que anunciou, o governo terá pago, até o fim de dezembro, 5 parcelas de R$ 600 e no máximo 4 parcelas de R$ 300. Isto totalizará, na melhor hipótese, R$ 4.200, muito abaixo de mil dólares, que são R$ 5.470. A iniquidade do governo também se fez sentir no tratamento dado aos que têm direito ao auxilio emergencial, na forma de milhões de exclusões injustificadas, atrasos, filas e aglomerações nas agências da Caixa, aplicativos que não funcionam — um labirinto burocrático que transformou a busca por ajuda num grande sofrimento.

4

A fala – “[Nosso governo] assistiu a mais de 200 mil famílias indígenas com produtos alimentícios e prevenção à Covid.”

A verdade – Do projeto aprovado no Senado de apoio às comunidades indigenas, Bolsonaro vetou artigos que obrigavam o governo federal a fornecer água potável, material de higiene e limpeza e cestas básicas às aldeias. Em outro momento, proibiu a entrada de equipes da organização Médicos sem Fronteiras nas comunidades indigenas.

5

A fala – “Não faltaram, nos hospitais, os meios para atender aos pacientes de covid.”

A verdade – O governo federal falhou fragorosamente no planejamento e na distribuição de máscaras, EPIs e respiradores aos hospitais de todo o país. A testagem é uma das mais baixas do mundo. A falta de testes suficientes é uma das causas de o Brasil ter se tornado um dos epicentros da doença no mundo. A maior parte dos recursos federais destinados ao combate à pandemia nos estados não foi liberada de fato, segundo várias reportagens. A maioria das máscaras e equipamentos prometidos não chegou aos hospitais e os estados e prefeituras foram obrigados a agir por conta própria. Faltaram equipamentos e medicamentos nos hospitais, sobrou cloroquina nas prateleiras do ministério da Saúde, comandando por um militar especializado em logística.

6

A fala – “O caboclo e o índio queimam seus roçados em busca de sua sobrevivência, em áreas já desmatadas. Os focos criminosos são combatidos com rigor e determinação.”

A verdade – Praticamente todos os casos de incêndios na Amazônia e no Pantanal identificados ou suspeitos de ação criminosa foram cometidos por fazendeiros, grileiros e invasores de terras públicas e reservas florestais e terras indigenas. Sentiram-se autorizados para tal diante do desmonte das políticas de contenção do desmatamento e da fiscalização. Os caboclos e os indígenas são, sabidamente, vitimas dos incêndios e do desmatamento criminosos, não seus autores. Dados obtidos pelo sistema de monitoramento da NASA mostram que 54% dos focos de incêndios na Amazônia estão relacionados ao desmatamento. No Pantanal, organizações de proteção ambiental informam que incêndios iniciado em 9 fazendas particulares destruiram 141 mil hectares, quase a área da capital de São Paulo. Cinco destas fazendas estariam sendo investigadas pela PF.

7

A fala – “Lembro que a Região Amazônica é maior que toda a Europa Ocidental. Daí a dificuldade em combater, não só os focos de incêndio, mas também a extração ilegal de madeira e a biopirataria. Por isso, estamos ampliando e aperfeiçoando o emprego de tecnologias e aprimorando as operações interagências, contando, inclusive, com a participação das Forças Armadas.”

A verdade – A extração ilegal de madeira e os incêndios criminosos não são combatidos devidamente por causa da leniência deliberada do governo Bolsonaro, que desde ao assumir desautorizou, fragilizou e desmontou a fiscalização, assim como cometeu ataques contra o INPE, tendo, inclusive, demitido seu diretor, um dos cientistas mais respeitados do Brasil. O ministério do Meio Ambiente não apenas suspendeu o trabalho de fiscalização, e cancelou operações, como tem protegido os verdadeiros criminosos ambientais. Chegou a trazer a Brasília, em aviões da FAB, para reunião com o ministro, um grupo de garimpeiros ilegais que atuava em reserva indígena. Em famosa reunião ministerial, filmada e divulgada, o ministro defendeu que o governo aproveitasse a distração criada pela pandemia para, como disse, “passar a boiada” de decretos e portarias que facilitem os crimes ambientais.  

8

A fala – “Somente o insumo da produção de hidroxicloroquina sofreu um reajuste de 500% no início da pandemia.”

A verdade – No Brasil e no mundo, a comunidade científica séria e conceituada alertou o tempo todo, desde o início da pandemia, para o fato de que a cloroquina e a hidroxocloroquina não têm eficácia contra a Covid19, em nenhum estágio da doença, e podem, ao contrário, acarretar efeitos colaterais que levam à morte. Até mesmo Trump, a quem Bolsonaro imitou agindo como garoto-propaganda de um remédio perigoso, abandonou a defesa da cloroquina e, para livrar-se do medicamento que parou de indicar, despachou o estoque para o Brasil.

9

A fala – “No campo humanitário e dos direitos humanos, o Brasil vem sendo referência internacional.”

A verdade – Só se for referência negativa. Desde a posse de Bolsonaro, a situação dos Direitos Humanos no Brasil vem se deteriorando, a ponto de provocar advertências da Alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, que denunciou a miliarização de instituições civis, a violência policial, e ataques a ativistas, líderes comunitários e jornalistas.

10

A fala – “Em 2019, o Brasil foi vítima de um criminoso derramamento de óleo venezuelano, vendido sem controle.”

A verdade – Não há nenhuma conclusão ou prova de que a Venezuela tenha contribuído para o derramamento de óleo no Atlântico, trazido pelas correntes marítimas à costa brasileira. O que ficou demonstrado, sobejamente, foi a demora e a inação do governo brasileiro, que levou quase três meses para tomar as primeiras providências em relação ao desastre que atingiu o litoral de 10 estados.

11

A fala – “No primeiro semestre de 2020, apesar da pandemia, verificamos um aumento do ingresso de investimentos, em comparação com o mesmo período do ano passado. Isso comprova a confiança do mundo em nosso governo.”

A verdade – A imprensa informa hoje que do ano passado para cá houve, na verdade, uma queda de 30% nos Investimentos Estrangeiros Diretos no Brasil. E nos primeiros oito meses deste ano o Brasil sofreu uma fuga recorde de capitais, que chegou a US$ 15,2 bilhões. Outra notícia dá conta de que, por causa do estado de paralisia do MEC desde a posse de Bolsonaro, o país deixou de receber os repasses de um empréstimo de US$ 250 milhões do Banco Mundial para dar suporte à reforma do ensino médio.

12

A fala – “O homem do campo trabalhou como nunca, produziu, como sempre, alimentos para mais de 1 bilhão de pessoas. O Brasil contribuiu para que o mundo continuasse alimentado.”

A verdade – O Brasil de fato continua sendo um grande produtor e exportador agropecuário, mas dilapidou a agricultura familiar, que até 2014 era responsável pela produção de 70% dos alimentos consumidos pelo povo brasileiro. Por esta e outras escolhas de índole neoliberal, o Brasil voltou a registrar a calamidade da fome, que aumentou em 43,7% em cinco anos, atingindo mais de 10 milhões de brasileiros.

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16
Jan20

Formandos da USP desbancam paraninfa ministra de Bolsonaro: Não nos representa

Talis Andrade

Tereza Cristina foi convidada pelo diretor e aceitou ser a paraninfa de mais de 200 estudantes. Mas nessa terça-feira, 14, os estudantes deram o troco em Dourado Neto, pois a ministra levou um carão na frente de todos os presentes ao encontro:

- De um agro que é pop, que é tech, que é tudo. Temos a certeza de que a senhora, ministra, e o governo Bolsonaro como um todo, representam, geram e reproduzem em seu projeto de país esse modelo. 

Um modelo que é a cara da bancada ruralista. Um projeto de governo fundamentado e sustentado no capital e na desigualdade. 

Desde 17 de janeiro de 2019, Durval Dourado Neto é diretor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP).

Localizada em Piracicaba, interior de São Paulo, ela é voltada aos cursos de ciências agrárias, sociais aplicadas e ambientais.

Em menos de um ano de gestão, um “feito” dele já tem lugar garantido na história da escola: a pressão sobre os alunos para a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, ser a paraninfa das oito turmas de formandos de 2019.

A  intromissão do diretor na escolha funcionou.

Tereza Cristina foi convidada e aceitou ser a paraninfa de mais de 200 estudantes.

Mas nessa terça-feira, 14/01, os estudantes deram o troco em Dourado Neto, pois a ministra levou um carão na frente de todos os presentes ao encontro.

Nara Perobelli, formanda em Gestão Ambiental, desbancou a ministra.

Durante o encontro, ela leu uma dura carta dos estudantes, criticando a escolha da paraninfa, o modelo do agronegócio e o projeto da ministra e do governo Bolsonaro, que é a “cara da bancada ruralista”.

A carta termina com uma homenagem à agrônoma Ana Maria Primavesi, pioneira da agroecologia, que faleceu dia 5 de janeiro de 2020, aos 99 anos:

Acreditamos, trabalhamos para isso e seguiremos na luta em direção a um sistema, que, como diz nossa sempre presente Ana Maria Primavesi, “não é para vender adubos e defensivos, mas para produzir bem e barato”.

A agrônoma Ana Maria Primavesi, pioneira da agroecologia no Brasil

 

Íntegra da carta dos formandos das turmas de 2019 da Esalq/USP, lida por Nara Perobelli:

Bom dia a todas e a todos! 

Aqui na ESALQ nós passamos de 4 a 7 anos de nossas formações ouvindo, independentemente do curso que fazemos, sobre o agronegócio. Desde a administração, passando por ciência dos alimentos e engenharia florestal, todos, exceção, entram em contato com esse universo. 

De um agro que é pop, que é tech, que é tudo. Temos a certeza de que a senhora, ministra, e o governo Bolsonaro como um todo, representam, geram e reproduzem em seu projeto de país esse modelo. 

Um modelo que é a cara da bancada ruralista. Um projeto de governo fundamentado e sustentado no capital e na desigualdade. 

Que em 2019 gerou incêndios de proporções assustadoras;  

Que prendeu e matou ambientalistas, indígenas, quilombolas, agricultores, mulheres, negros, lgbtqi+; 

Que buscou silenciar cientistas, pesquisadores, professores e todos que com dados escancaravam os problemas trazidos pelo tipo de agricultura que vocês incentivam com palavras e dinheiro. 

Nós passamos de 4 a 7 anos aqui dentro ouvindo de muitos que essa era a única maneira possível de acabar com a fome no Brasil e no mundo. 

Ouvimos de muitos, mas não de todos. 

Hoje, segurando este microfone tenho o orgulho de representar quem entende, por meio da ciência, da ética, e do amor sem rótulos, que uma outra agricultura e modelo de sociedade são possíveis. 

Esse grupo de pessoas é formado por estudantes, professores e funcionários que fazem pesquisa e extensão fundamentados na agroecologia nesta universidade, que é pública e que deve ser de todos e todas. 

Para este grupo do qual eu faço parte, é intragável que esta Escola, que se diz gloriosa, seja conivente com uma forma de produção e um projeto de país que se baseia no lucro, excluindo as pessoas do campo e as múltiplas funções da agricultura. 

Um governo que cerceia a ciência e a autonomia das universidades, que distorce informações, que não se propõe a ouvir as nossas vozes nas ruas, mas que suporta nos escutar por dois minutos em troca de publicidade e uma placa de homenagem. 

Não, não representa a nenhuma ou nenhum de nós uma paraninfa ou paraninfo que do alto cargo de liderança que possui, escolha fazer política dessa forma. 

Acreditamos, trabalhamos para isso e seguiremos na luta em direção a um sistema, que, como diz nossa sempre presente Ana Maria Primavesi, “não é para vender adubos e defensivos, mas para produzir bem e barato”.

 

 

07
Set19

Amazônia: especialistas franceses debatem princípios de justiça climática

Talis Andrade

Amazônia: especialistas franceses debatem princípios de justiça climática

O debate sobre os incêndios nas florestas tropicais, iniciado com a atual crise na Amazônia, continua em destaque na imprensa francesa. As duas principais revistas semanais do país, a conservadora Le Point e a progressista L’Obs, trazem reflexões sobre os instrumentos necessários para preservar a biodiversidade.

 

Em uma reportagem de cinco páginas, a revista Le Point mostra que, em pouco mais de dez anos (2003-2014), os incêndios no conjunto das florestas tropicais do planeta lançaram 425 milhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera, reforçando o aquecimento global.

O botânico Francis Hallé, um dos maiores especialistas franceses nessa área, diz que a rigor o mundo sobreviveria ao desaparecimento da floresta Amazônica, mas não ao conjunto das florestas tropicais.

O botânico Francis Hallé diz que Mato Grosso atinge ponto de não retorno em artigo da revista Le PointFotomontagem RFI

 

Mato Grosso atinge ponto de não retorno com cultura da soja

Uma grande parte da floresta Amazônica nunca mais será reconstituída, lamenta Hallé. A situação é dramática, constata o botânico, criticando o presidente Jair Bolsonaro por fragilizar o Brasil. “Bolsonaro suprimiu instrumentos de controle ambiental existentes.”

O especialista aponta o desmatamento desordenado ocorrido no Mato Grosso para dar lugar ao cultivo da soja. O estado atingiu um ponto de não retorno, sem árvores suficientes para recuperar o solo e gerar um reflorestamento dessa região da bacia amazônica. Na avaliação do botânico, o papel da Amazônia na regulação do clima faz com que a floresta não pertença exclusivamente ao governo brasileiro, mas seja de interesse da humanidade.

Nicolas Bavarez, editorialista da Le Point, explora a questão da proteção dos bens comuns – florestas, fundo marinho, polos e atmosfera –, que condicionam o futuro do planeta e de todas as populações na Terra.

Na corrida contra o relógio para preservar o que resta, o ensaísta, advogado, pós-graduado em história, ciências sociais e ciências políticas, propõe quatro iniciativas. A criação do estatuto de bem comum da humanidade para os polos e o alto mar; o monitoramento da transparência da informação declarada pelos governos sobre a preservação dos biomas; ajuda financeira dos países ricos para preservar as florestas, uma vez que 80% delas se encontram no Sul, e por meio de tratados de comércio; por fim, o imposto sobre o carbono, considerado a arma econômica mais eficaz para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. “Na era da história universal, a preservação do planeta é a causa com maior capacidade para mobilizar o homem na luta pela sobrevivência”, conclui Bavarez.

Nas páginas da L’Obs, a jurista Valérie Cabanes defende a instauração da noção de “ecocídio” no direito internacional. A violação de biomas e riquezas naturais, com consequências devastadoras para o planeta e a humanidade, deveria ser tratada como crime, defende a jurista, passível de julgamento no Tribunal Penal Internacional. Ela também pede condenação judicial aos dirigentes de empresas que não reduzirem sua pegada de carbono ou minimizarem as consequências de suas atividades para o planeta.

Matéria do jornal L'Obs com a jurista Valérie Cabanes pede condenação judicial aos dirigentes de empresas.
27
Ago19

Acusação de Lula é confirmada: fazendeiros bolsonaristas incendeiam a Amazônia

Talis Andrade

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A revelação é da revista Globo Rural, em reportagem do jornalista Ivaci Matias, que escreveu diretamente de Cachoeira da Serra, o distrito de Altamira que concentra os ruralistas mais agressivos na ocupação das terras, combate aos sem terra e pequenos agricultores e maiores taxas de devastação do Estado, um dos mais castigados pela ação predatória. O que acontece em Altamira desde 10 de agosto, segundo o jornalista, é "a maior queimada da história do Pará". 
 

Segundo a reportagem, a pedido do Ministério Público de Novo Progresso, o Delegado Daniel Mattos Pereira, da Polícia Civil, já ouviu algumas pessoas ligadas ao “Dia do Fogo”, até agora ninguém foi preso. 

Pegos em flagrante, os ruralistas utilizam a mesma estratégia de Bolsonaro, que chegou a acusar as ONGs pelos incêndios. Segundo o jornalista Ivaci Matias, os fazendeiros da região acusam o  ICMBio [a sigla se refere ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade], autarquia federal que é a polícia ambiental para a proteção da biodiversidade em todo o Brasil. O órgão é visto pelos ruralistas como seu inimigo e tem sido alvo de toda sorte de intervenções e desestruturação pelo ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro Ricardo Salles.

JORNAIS DE HOJE

Brasil

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Bolívia

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Tres descargas de agua del Avión SuperTanker y las incursiones de apoyo terrestre posibilitaron reducir hoy la magnitud de los incendios que amenazaban al Parque Nacional y Área Natural de Manejo Integrado Otuquis, en la región de Man Césped de la Chiquitania cruceña, zona fronteriza con Paraguay y Brasil.

El comandante en Jefe de las Fuerzas Armadas, Williams Kaliman, informó que los tres vuelos que realizó la aeronave fueron efectivas y aplacaron gran parte de las llamas, que posteriormente fueron controladas por las brigadas terrestres con el apoyo de helicópteros.

“Ayer hicimos una descarga de agua en esta zona, hoy realizamos tres más porque era un sector con fuego activo y de gran magnitud. Con los operativos realizados hasta este momento (16.45) se han ha apagado varios focos de calor en este sector gracias a esas incursiones aéreas, pero también al apoyo de las brigadas, que son quienes terminan de sofocar los incendios”, expresó en contacto con Red Patria Nueva.

La autoridad señaló que mañana está previsto sobrevolar las regiones de San Matías y Puerto Suárez para evaluar la situación de las quemas y las zonas de mayor concentración de fuego y definir el itinerario de vuelos del Boeing 747-400.

Colômbia

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Venezuela

la_hora. venezuela amazonia 26ag.jpgEl gobierno brasileño carece de los recursos para combatir un récord de incendios forestales en la selva amazónica, dijo el jueves el presidente Jair Bolsonaro, semanas después de decirle a donantes que no necesitaba su dinero.

“El Amazonas es más grande que Europa, ¿cómo van a combatir los incendios criminales en una zona así?”, preguntó a periodistas al salir de la residencia presidencial. “No tenemos los recursos para eso”.

Los incendios en la Amazonía han aumentado un 83% en lo que va del año en comparación con el mismo período del año anterior, según cifras oficiales, destruyendo vastas extensiones de un bosque considerado un baluarte vital contra el cambio climático.

26
Ago19

Governo foi avisado do "Dia do Fogo" dos fazendeiros pró-Bolsonaro do Pará; e nada fez

Talis Andrade

Bolsonaro, Ricardo Salles e Sergio Moro cruzaram os braços

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O governo Bolsonaro foi informado oficialmente em 7 de agosto, três dias antes do "Dia do Fogo" articulado por fazendeiros bolsonaristas do Pará, que os incêndios iriam começar. E nada fez. O Ministério Público Federal (MPF) do Pará enviou um ofício ao Ibama, órgão do Ministério do Meio Ambiente, alertando para o ato criminoso, sem qualquer reação do governo. A Força Nacional de Segurança, subordinada a Moro, também foi alertada, mas nada fez. Em sua entrevista à TV 247, o ex-presidente Lula acusou os fazendeiros bolsonaristas de responsáveis por incêndios que devastam a floresta amazônica há pelo menos duas semanas, o que agora está confirmado.

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247 -  O governo Bolsonaro foi informado oficialmente em 7 de agosto, três dias antes do "Dia do Fogo" articulado por fazendeiros bolsonaristas do Pará, que os incêndios iriam começar. E nada fez. O Ministério Público Federal (MPF) do Pará enviou um ofício ao Ibama, órgão do Ministério do Meio Ambiente, alertando para o ato criminoso, sem qualquer reação do governo. A Força Nacional de Segurança, subordinada a Moro, também foi alertada, mas nada fez. Em sua entrevista à TV 247 da última quinta-feira (22), o ex-presidente Lula acusou os fazendeiros bolsonaristas de responsáveis por incêndios que devastam a floresta amazônica há pelo menos duas semanas, o que agora está confirmado.

A informação sobre o aviso ao governo Bolsonaro é de Carla Aranha, jornalista da revista Globo Rural, publicada na noite deste domingo (25). Segundo a jornalista, "o documento do Ministério Público que alertou o governo sobre o dia do fogo, ao qual a revista Globo Rural teve acesso, também cobrava um plano de contingência do Ibama em caso de 'confirmação do referido evento'. O plano de realizar as queimadas, agendado para o dia 10, foi divulgado pelo jornal Folha do Progresso, de Novo Progresso".

Mas nada foi feito. A resposta do Ibama, órgão vinculado ao ministro do Meio Ambiente, Ricado Salles, defensor da devastação da Amazônia, acontecu apenas cinco dias depois, no dia 12, quando o fogo já havia sido ateado à floresta. A resposta do Ibama ao MPF, afirmava que "a Coordenação de Operações de Fiscalização e o Núcleo de Inteligência da Superintendência do Pará haviam sido comunicadas sobre a iminência dos incidentes e ressalta que devido aos diversos ataques sofridos e à ausência do apoio da Polícia Militar do Pará” as ações de fiscalização estavam prejudicadas por “envolverem riscos relacionados à segurança das equipes em campo”. Ou seja, nada foi feito. 

O Ibama afirmou no mesmo documento que já haviam sido “expedidos ofícios solicitando o apoio da Força Nacional de Segurança”. No entanto, segundo o próprio Ibama, não houve resposta ao pedido.

Nem Ricardo Salles nem Moro adotarsam qualquer ação contra os incêndios.  

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25
Ago19

Bolívia traz 747 para combater fogo; aqui, o 17 usa língua para propagá-lo

Talis Andrade
 

No G1, informa-se que o ‘índio’ Evo Morales mandou trazer um 747 adaptado para combater incêndios ( veja o vídeo ao final), utilizado nos Estados Unidos para combater os grandes incêndios florestais ocorridos na Califórnia, recentemente.

Além disso, mobilizou helicópteros e soldados para formar uma frente de combate ao fogo.

Aqui, o presidente da República estuda ir à televisão para, quem sabe, achar que apaga o problema com palavras e perdigotos.

Quem sabe, até, a Alemanha e a Noruega mandem para Morales pagar o aluguel o dinheiro que Bolsonaro falou que dispensava.

Afinal, Bolívia também é Amazônia…

 

CAPAS DOS JORNAIS DE HOJE

Brasil

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BOLÍVIA

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Colômbia

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24
Ago19

Las fotos engañosas de los incendios en la Amazonia

Talis Andrade
AFP - A raíz de los incendios que afectan la selva amazónica, muchas imágenes se viralizaron como si mostraran los efectos de decenas de estos focos. La etiqueta #PrayForAmazonas fue tendencia en redes, usada para denunciar esta emergencia ambiental, pero en su mayoría apoyándose en imágenes antiguas o incluso tomadas muy lejos de Brasil.
 
Varias de las imagenes compartidas en redes sociales sobre los incendios en Amazonia son falsas. El fenómeno deja entrever dos cosas: que las grandes tragedias ambientales no deben ser minimizadas por las fake news, y que los incendios en esa región llevan ocurriendo por décadas (pero nunca en esta magnitud). AFP

Desde enero pasado, ya son 72.843 los focos de incendios que han afectado la región, un 83% más que en el mismo período en 2018, según datos del Programa de Quemas del Instituto Nacional de Investigaciones Espaciales (INPE) de Brasil.

Tanto en Facebook como en Twitter circulan imágenes virales que supuestamente corresponden a los incendios recientes en la Amazonia. Utilizando la búsqueda inversa* AFP Factual ha logrado verificar el origen de varias de estas fotos.

1. La Operación Ola Verde

La fotografía en la que se ve un bosque mayormente quemado salvo por un árbol es de la Amazonia pero no de incendios actuales, sino de 2017. La imagen fue tomada el 4 de agosto de ese año por el fotógrafo de Reuters Bruno Kelly, durante la “Operación Ola Verde", una quema controlada llevada a cabo por el Instituto Brasileño de Medio Ambiente y Recursos Naturales Renovables (Ibama).

2. El llanto del mono y la Amazonia de 1989

Una de las publicaciones que ha generado más viralidad con el hashtag #PrayForAmazonas contiene tres imágenes. Ninguna corresponde a los incendios de este año.

La foto de una mona abrazando a su cría, aparentemente muerta, ha sido una de las más virales. Pero la imagen no corresponde a los incendios en la Amazonia y el pequeño mono no estaba muerto.

La imagen fue tomada por el fotógrafo indio Avinash Lodhi en Jabalpur (centro de India). El reportero gráfico indicó a The Telegraph que la cría sólo se había tropezado.

La segunda foto viral, arriba a la derecha, muestra una gran extensión de bosque incendiada y humo. Pero la fotografía tampoco corresponde a los incendios de este año, sino al año 1989. La imagen fue tomada por un fotógrafo de Sipa Press, adquirida luego por Rex Features y publicada por The Guardian en 2007, en un reportaje especial sobre la deforestación de la Amazonia a lo largo de 40 años.

El actor Jaden Smith, hijo de Will Smith, publicó la imagen en su cuenta de Instagram y superó el 1,2 millones de “me gusta” con el mensaje “el bosque de la Amazonia se está incendiando, esto es terrible”.

3. Otra imagen antigua

Esta imagen de un incendio, que ha sido compartida miles de veces en diferentes publicaciones en Facebook y Twitter, fue tomada en la Amazonia por Loren McIntyre, un fotógrafo estadounidense conocido por su trabajo para National Geographic. Aunque se desconoce el año de publicación, se sabe que tiene al menos 16 años, ya que McIntyre, falleció el 11 de mayo de 2003, a los 86 años. En 1971, el fotógrafo encabezó un viaje por el Río Amazonas para National Geographic y publicó libros como Explorando Sudamérica (1990) y Amazonia (1991).

4. En Norteamérica

Esta imagen tampoco corresponde a los incendios de la Amazonia en 2019. Fue tomada por el fotógrafo John McColgan el 6 de agosto de 2000durante un incendio en Montana, Estados Unidos. El incendio ocurrió en la zona del río Bitterroot y a McColgan le llamaron la atención dos alces que corrían para resguardarse del fuego. La foto fue titulada “Elk Bath” (Baño de alces) y fue seleccionada entre las mejores fotos de ese año por la revista Time.

5. Amazonia en 2014

Esta imagen de la publicación fue tomada el 22 de noviembre de 2014 en Zé Doca, estado de Maranhao (en el nordeste de Brasil) por el fotógrafo Mario Tama para la agencia Getty Images.

6. El zorro de Ribeirão Preto

Una foto que también ha circulado mucho, especialmente junto a otras, es la de un animal que parece ser un zorro huyendo del fuego por un camino de tierra. La imagen  fue tomada en 2011 por el reportero gráfico Silva Junior, de Folha, durante la cobertura de los incendios ocurridos en septiembre de ese año, en Ribeirão Preto, São Paulo.

7. Conejo de California

La foto de un conejo con severas quemaduras figura en varias publicaciones como una de las víctimas de los incendios en la Amazonia, pero el animal fue retratado cuando huía de las llamas en Woolsey, California, en noviembre de 2018.

8. Fuego nocturno

Otra imagen que fue muy compartida muestra un incendio en la noche (arriba a la derecha). Esta foto muestra una zona de la Amazonia, pero tiene 11 años. Fue tomada en agosto de 2008 por Daniel Beltrá, fotógrafo de Greenpeace, en medio del fuego que se desató en la municipalidad de Sao Felix Do Xingu, en el estado de Pará. 

Pero, ¿qué imágenes sí son de los incendios de la Amazonia, de 2019?

Las fotos satelitales tomadas por el Observatorio Terrestre de la NASAson verdaderas. Las imágenes fueron registradas los días 11 y 13 de agosto de 2019. Las imágenes de la NASA reflejan la situación en los estados de Rondonia, Amazonas, Pará y Mato Grosso:

El Observatorio informó que a partir del 16 de agosto de 2019, las observaciones satelitales indicaban que la actividad total de incendios en la cuenca del río Amazonas era ligeramente inferior al promedio, en comparación con lo ocurrido durante los últimos 15 años, según la Base de datos mundial de emisiones de incendios.

Los incendios en la Amazonia se deben en gran parte a las quemas provocadas para deforestar un terreno, con el objetivo de convertirlo en área de pastoreo, o para limpiar áreas ya deforestadas, generalmente en la temporada seca, que debe acabar dentro de dos meses, en octubre.

Según analistas, el actual descontrol se debe al fuerte aumento de la deforestación: 2.254,8 km2 en julio, casi el cuádruple del mismo mes de 2018, según el Programa de Quemas del Instituto Nacional de Investigaciones Espaciales, de Brasil.

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