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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

30
Out20

Visão do inferno

Talis Andrade

 

Por Hildegard Angel /Jornalistas pela Democracia 

O fogo nos consome. Queimam os sabiás, as palmeiras de Bilac, as onças do Pantanal, a maçaranduba, o cedro, os jatobás de nossa Floresta Amazônica. O hospital público deficitário arde em chamas e respira por aparelhos, num esforço desesperado para, mesmo sem fôlego, salvar nossas vidas secas. O incêndio não é desastre, é projeto. A Pátria é o butim que eles golpeiam, esquartejam, repartem.

Como hienas famintas, se atiram sobre nossas carnes. Um quer o Banco Central pra dividir com seus cupinchas. Outro quer dar o sistema de saúde pros comerciantes da dor, nem que para isso se redija nova Constituição. O senador pleiteia o aquífero pra sua multinacional vender em garrafas plásticas. O Pré-sal já se foi, junto com nossas esperanças equilibristas... 

Enquanto isso, o “imperador piromaníaco”, assim tão bem definido por seu ex-porta voz, toca sua harpa em desafino com a vida, e “o coral dos puxa-sacos cada vez aumenta mais”.

Quando partirem, nos deixarão a carcaça atirada na caatinga, como no quadro de Portinari. E nós, brasileiros, condenados a sermos eternos retirantes, passeando nossa desgraça ante os olhos distantes de robustos espectadores estrangeiros, que assistem pela TV ao holocausto do Terceiro Mundo, como seriado da Netflix.

16
Ago20

Governador Zema mandou queimar escola e despejar 450 famílias do assentamento do MST Quilombo Campo Grande, em Campo do Meio, Sul de Minas

Talis Andrade

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“Não aceitamos o uso da força e a truculência policial contra os trabalhadores – inclusive com ameaçadores voos rasantes de helicópteros e o incêndio de escola e de moradias. A violência da PM-MG merece a condenação de toda a sociedade brasileira, especialmente num momento em que precisamos de união para enfrentar a Covid-19 e suas consequências na vida do povo”, afirma manifesto do PT, assinado pelos líderes na Câmara, Enio Verri, e no Senado, Rogério Carvalho.

A Direção Nacional do PT junto com suas bancadas na Câmara do Deputados e no Senado Federal repudia veementemente a violência da Polícia Militar de Minas Gerais, com a conivência covarde do governador Romeu Zema (Novo), contra as famílias do assentamento do MST Quilombo Campo Grande, em Campo do Meio, Sul de Minas.

A decisão de promover o despejo de 450 famílias, com base em ordem judicial desumana e arbitrária, atenta contra os direitos humanos, já que expõe centenas de crianças e adultos- entre eles dezenas de idosos – à pandemia de Covid-19.

Não aceitamos o uso da força e a truculência policial contra os trabalhadores – inclusive com ameaçadores voos rasantes de helicópteros e o incêndio de escola e de moradias. A violência da PM-MG merece a condenação de toda a sociedade brasileira, especialmente num momento em que precisamos de união para enfrentar a Covid-19 e suas consequências na vida do povo.

Nos solidarizamos com os trabalhadores do assentamento e conclamamos, mais uma vez, as autoridades do Judiciário e o governador de Minas a suspenderem a desocupação da área ocupada há mais de 20 anos pelas famílias, em projeto exemplar, na qual sobrevivem com base na produção de alimentos orgânicos.

 

 

 

 

10
Fev19

Internautas fazem comentários racistas sobre garotos mortos em incêndio no Flamengo

Talis Andrade

por Alma Preta

Pedro Borges

---

 

Dez jovens entre 14 e 16 anos foram mortos no Rio de Janeiro, vítimas de um incêndio no CT do Flamengo, em Vargem Grande, zona oeste da cidade, no dia 8 de Fevereiro, sexta-feira. O tema ganhou repercussão e entre os comentários sobre o fato surgiram manifestações racistas contra os garotos.

O tom de pele dos jovens e o fato de terem sido carbonizados motivaram alguns comentários. “Já ouvi falar em churrasquinho de gato, agora de urubu é a primeira vez”, “Os mulambento amanheceu pegando fogo” e “Dizem que esse jogador teve 40% do corpo queimado. Acho que é 100%” foram alguns dos comentários.

Meninos queimados vítimas de racismo corpo

Comentário racista nas redes sociais contra meninos vítimas de incêndio no Rio de Janeiro (Imagem: Reprodução/Facebook)

Dos dez jovens vítimas do incêndio no Rio de Janeiro, oito são negros.

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O nome de todos os mortos são: Arthur Vinícius, Athila Paixão, Bernardo Pisetta, Christian Esmério, Gedson Santos, Jorge Eduardo, Pablo Henrique, Rykelmo Viana, Samuel Thomas Rosa, Vitor Isaías. Três jovens ainda estão internados: Kauan Emanuel, Francisco Dyogo e Jonatha Ventura.

Os adolescentes estavam no clube no período de exames fisiológicos. Depois da última atividade no dia 7 de Fevereiro, quinta-feira, a maior parte dos atletas retorno para suas casas, por conta de folga dada pelo Flamengo. Parte dos jovens ficou no Rio de Janeiro e se utilizou das instalações do Centro de Treinamento.

A estrutura do Flamengo não possui licença para dormitório e nem a Certificado de Aprovação do Corpo de Bombeiros, segundo a prefeitura da cidade e a Secretaria de Defesa Civil.

tragédia fla_thiagolucas.jpg

 

04
Set18

Museu Nacional: O mistério da múmia que 'provocava transe' nos anos 60 e foi consumida pelo fogo

Talis Andrade

 

04
Set18

Verba usada no Museu Nacional em 2018 equivale a 2 minutos de gastos do Judiciário e 15 minutos do Congresso

Talis Andrade

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03
Set18

BRASIL ONDE SE QUEIMA TUDO

Talis Andrade

Ilustração: Gilmar Machado

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Com a palavra: Gregorio Duvivier
Fahrenheit 451. “queimar era uma delicia”. Que distopia perfeita o Brasil. o proprio nome já remete à brasa. A gente queima coisa demais pra ser por acaso. Queima museu queima teatro queima floresta queima índio queima morador de rua. Incêndio por aqui é um plano de governo, uma ideologia, um legado, uma promessa de campanha, um projeto de país. Foram 518 anos de queima de arquivo. Isso aqui ainda vai virar um pasto. Só gado e soja e segurança armado e uns drone tacando veneno.

03
Set18

Brasil: a queima de uma nação

Talis Andrade

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por Pepe Escobar


O fogo que consumiu o Museu Nacional brasileiro de 200 anos é uma metáfora cruel e gráfica de uma tragédia maior do que a vida.


O Museu Nacional queimou como resultado direto da atual austeridade estrutural imposta pela - quadrilha ilegal que apreendeu o poder no golpe institucional-Político-Judiciário, a variante mais sofisticada ainda de guerra híbrida implantada em todo o sul do mundo .


Uma das primeiras medidas desta humilde quadrilha neoliberal uma vez no poder foi uma emenda constitucional congelando as despesas públicas por 20 anos.


A queima de pedaços vitais da memória coletiva brasileira histórica é uma metáfora trágica para a queima lenta de toda uma nação.


Está na hora de transmutar imensa tristeza em raiva. Raiva, raiva dura - e atira os malandros para fora.

 

 

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03
Set18

Cada juiz brasileiro custa mais do que custaria manter o Museu Nacional

Talis Andrade

 

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por Claudia Vallim

___

A lógica criminosa da republiqueta: cada juiz brasileiro custa muito mais do que se gastava com a manutenção anual do Museu Nacional e seus 200 anos de memória, tragicamente consumidos pelo fogo. Em média, o Poder Judiciário gastou com cada juiz do país R$ 48,5 mil por mês em 2017 – R$ 582 mil no total, segundo números do Conselho Nacional de Justiça. Enquanto isso, há pelo menos três anos o Museu Nacional vinha recebendo apenas cerca de 60% da verba de R$ 520 mil anuais que mal bancava a manutenção da mais antiga instituição científica brasileira. Em consequência, diversas salas de exposição estavam fechadas, e menos de 1% do acervo era exposto ao público – e a degradação era evidente: até fios elétricos estavam expostos.

 

Com a tragédia do museu, os brasileiros perdem um acervo de cerca de vinte milhões de itens – um patrimônio histórico não apenas do Brasil, mas da humanidade.

 

Mas os juízes brasileiros acabam de garantir pelo menos mais 8 bilhões de reais em proventos no orçamento do próximo ano: na semana passada, o desgoverno Michel Temer fechou acordo com o STF para conceder reajuste de 16,38% para o Judiciário federal. In Cartas da Suécia 

 

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03
Set18

O Brasil queimou – e não tinha água para apagar o fogo

Talis Andrade

Eu vim ao Rio para um evento no Museu do Amanhã. Então descobri que não tinha mais passado

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Vista geral do Museu Nacional, no Rio, em chamas. MARCELO SAYÃO EFE
 

Então descobri que não tinha mais passado.

 

Diante de mim, o Museu Nacional do Rio queimava.

 

O crânio de Luzia, a “primeira brasileira”, entre 12.500 e 13 mil anos, queimava. Uma das mais completas coleções de pterossauros do mundo queimava. Objetos que sobreviveram à destruição de Pompeia queimavam. A múmia do antigo Egito queimava. Milhares de artefatos dos povos indígenas do Brasil queimavam.

 

Quando soube que o museu queimava, eu dividi um táxi com um jornalista britânico e uma atriz brasileira com uma câmera na mão. “Não é só como se o British Museum estivesse queimando, é como se junto com ele estivesse também o Palácio de Buckingham”, disse Jonathan Watts. “Não há mais possibilidade de fazer documentário”, afirmou Gabriela Carneiro da Cunha. “A realidade é Science Fiction.”

 

Eu, que vivo com as palavras e das palavras, não consigo dizer. Sem passado, indo para o Museu do Amanhã, sou convertida em muda. Esvazio de memória como o Museu Nacional. Chamas dentro de todo ele, uma casca do lado de fora. Sou também eu. Uma casca que anda por um país sem país. Eu, sem Luzia, uma não mulher em lugar nenhum.

 

A frase ecoa em mim. E ecoa. Fere minhas paredes em carne viva.

 

“O Brasil é um construtor de ruínas. O Brasil constrói ruínas em dimensões continentais.”

 

A frase reverbera nos corredores vazios do meu corpo. Se a primeira brasileira incendiou-se, que brasileira posso ser eu?

 

O que poderia expressar melhor este momento? A história do Brasil queima. A matriz europeia que inventou um palácio e fez dele um museu. Os indígenas que choram do lado de fora porque suas línguas se incineram lá dentro. E eu preciso alcançar o Museu do Amanhã. Mas o Brasil já não é o país do futuro. O Brasil perdeu a possibilidade de imaginar um futuro. O Brasil está em chamas.

 

O Museu Nacional sem recursos do Governo federal. Os funcionários do Museu Nacional fazendo vaquinha na Internet para reabrir a sala principal. O Museu Nacional morrendo de abandono. O Museu Nacional sem manutenção. O Rio de Janeiro. Flagelado e roubado e arrancado Rio de Janeiro. Entre todos os Brasis, tinha que ser o Rio.

 

Ouço então um chefe de bombeiros dar uma coletiva diante do Museu Nacional, as labaredas lambem o cenário atrás dele. O bombeiro explica para as câmeras de TV que não tinha água, ele conta dos caminhões-pipa. E ele declara: “Está tudo sob controle”.

 

Eu quero gargalhar, me botar louca, queimar junto, ser aquela que ensandece para poder gritar para sempre a única frase lúcida que agora conheço: “O Museu Nacional está queimando! O Museu Nacional está queimando!”.

 

O Brasil está queimando.

 

E o meteorito estava dentro do museu. Transcrevi trechos

03
Set18

Museu Nacional: o luto de quem viu virar cinzas décadas de trabalho

Talis Andrade

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Estudantes e pesquisadoras choram em frente ao Museu Nacional, no Rio de Janeiro, destruído por um incêndio. CARL DE SOUZA AFP

 

por Felipe Betim

___

O incêndio que destruiu neste domingo o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, não queimou apenas parte da história do Brasil e do mundo, mas também a história pessoal e o trabalho de cada uma das pessoas que em algum momento, ou ao longo de uma vida, estiveram vinculadas à instituição. A tragédia levou centenas de pessoas nesta segunda-feira aos portões da Quinta da Boa Vista, o imenso parque municipal onde o museu está localizado. Entre os mais jovens estão muitos pesquisadores e estudantes universitários que estudavam em meio ao gigante acervo da instituição —20 milhões de itens colecionados ao longo de 200 anos de existência. Dentro do parque, em frente ao palácio incendiado, mais pesquisadores e funcionários da instituição se abraçavam entre lágrimas. O sentimento geral é de que algum amigo ou familiar se foi.

 

"Podem reconstruir tudo, colocar paredes com a mais alta tecnologia... Mas o que vamos colocar aí dentro?", lamenta o paleoartista Maurílio Silva de Oliveira, um dos responsáveis por cuidar e reconstruir o acervo de fósseis. "Tudo o que estava exposto se perdeu, não resiste a uma temperatura tão alta durante tanto tempo. Nossa esperança está no material guardado em armários de aço".

 

Oliveira é funcionário do museu há 19 anos, mas os problemas estruturais vêm inclusive de antes. Os empregados da instituição, explica, sempre se uniram para manter o local funcionando e cobrar mais recursos do Governo Federal, máximo responsável pela instituição, vinculada à Universidade Federal do Rio de Janeiro. "Apesar de tudo, éramos o quinto museu do mundo e a quinta instituição de pesquisa da América Latina. Por causa do nosso acervo", explica. Ele lembra que, recentemente, o diretor da instituição organizou uma vaquinha virtual para recuperar uma sala tomada por cupins. Conseguiu juntar 30.000 reais. "Não tínhamos recursos nem para isso. Para fazer estádio e Carnaval nunca faltou dinheiro. Nosso museu foi resistindo, mas chegou o dia que não aguentou mais".

 

Em 2018 havia recebido pouco mais de 80.000 reais. Valores ínfimos diante do orçamento de 3,5 trilhões aprovados pelo Congresso em 2018. Transcrevi trechos 

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