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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

12
Fev21

Lava Jato: Uma história que ainda não terminou

Talis Andrade

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por Ricardo Mezavila

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Está no fim o maior espetáculo midiático e político da história, protagonizado pelo juiz Sérgio Moro e os procuradores da operação lava jato. 

Deu no New York Times“A lava jato se vendia como a maior operação anticorrupção do mundo, porém se tornou o maior escândalo judicial da história”. Em ação que defende a devolução dos direitos políticos de Lula.  

Por 4 votos a 1, a 2ª turma do STF assegurou à defesa do ex-presidente acesso a mensagens apuradas pela operação Spoofing que lhe digam respeito, e as que tenham relação com investigações e ações penais contra ele movidas na 13ª Vara Federal de Curitiba, ou em qualquer outra jurisdição, ainda que estrangeira. 

Muita coisa ainda vai rolar, a Lava jato fez parcerias influentes, Sérgio Moro ainda conta com o apoio da mídia corrupta e ainda tem a ação de Atibaia, aquela em que a juíza copiou e colou da ação do tríplex. Talvez o Supremo mantenha essa acusação e Lula não tenha de volta os seus direitos.  

Não vou comentar essas questões de ordem, vou partir para a provocação. 

Desde que a operação lava jato começou, vem recebendo muitas críticas pelo seu modus operandi, o estrelismo de seus agentes e o excesso de holofotes sobre a Petrobrás.

Com a divulgação da orgia jurídica praticada por Moro e os golden boys de Curitiba, todas as críticas contra a operação passam a fazer sentido. 

Como irão reagir aqueles com quem discutimos, os nossos desafetos, que deixaram de nos cumprimentar por conta das nossas ‘injúrias’ contra o herói do Brasil? 

Certa vez ouvi de um colega que “no futuro quando procurarem pela palavra coragem nos dicionários vão encontrar o nome de Sérgio Moro”.

Cadê você, companheiro?Resultado de imagem para revista veja moro salvou o ano

Cadê aquela revista da Veja com a foto de Moro na capa com os dizeres: “Ele salvou o ano”, e as outras milhares de capas com o juiz vestido de super-homem? 

Quando esse juiz começar a trabalhar não vai ter mais corrupção no Brasil” – ouvi muito isso.Resultado de imagem para o mecanismo poster

Como fica a série O Mecanismo, dirigida por José Padilha, que tratava das suspeitas de corrupção nas estatais, que se vendia como baseada em fatos reais. 

E o filme Polícia Federal – A Lei é para todos, que tentou destruir Lula com as imagens da condução coercitiva, em uma interpretação cafajeste e pusilânime do velhaco Ary Fontoura?Resultado de imagem para filme a lei é para todos netflix

Você vão ter que se explicar com a história! 

Aproveito para lembrar e dar um Viva a todos que estiveram no Acampamento Marisa Letícia, a todos que viajaram para dar um simples “Bom dia, presidente Lula”.  

Guardo com carinho um cartão que recebi do Instituto Lula, pelo envio do meu livro de crônicas ao ex-presidente na Superintendência da PF em Curitiba. 

Esse espírito de união deve prevalecer agora que a verdade entrou em cena. 

E quem diria que no tempo das máscaras obrigatórias, a de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol estão com as deles derretendo. 

12
Fev21

A praga do jornalismo lava-jatista

Talis Andrade

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por Cristina Serra

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Quando começou, em 2014, a Lava Jato gerou justificadas expectativas de combate à corrupção. Revelou-se, no entanto, um projeto de poder e desmoralizou-se em meio aos abusos e ilegalidades cometidas por Moro, Dallagnol e a força-tarefa.

Além de afrontar o ordenamento jurídico e ajudar a corroer a democracia, a Lava Jato também corrompeu e degradou amplos setores do jornalismo; em alguns casos, com a ajuda dos próprios jornalistas, como a Vaza Jato já havia mostrado e agora é confirmado nas conversas liberadas pelo ministro do STF, Ricardo Lewandowski. 

Relações promíscuas entre imprensa e poder não são novidade. No caso da operação, contudo, as conversas mostram que repórteres na linha de frente da apuração engajaram-se no esquema lava-jatista e atuaram como porta-vozes da força-tarefa, acumpliciados com o espetáculo policialesco-midiático.

Jay Rosen, professor de Jornalismo da Universidade de Nova York, cunhou o termo “jornalismo de acesso” para definir como jornalistas sacrificam sua independência e abandonam o senso crítico em troca do acesso a fontes, que passam a ser tratadas com simpatia e benevolência. A Lava Jato é um caso extremo de “jornalismo de acesso”, em que repórteres aceitaram muitas convicções sem as provas correspondentes. 

Colaboraram com o mecanismo de delações e vazamentos seletivos, renunciaram à obrigação ética de fazer suas próprias investigações e fecharam os olhos para os métodos da força-tarefa. Nas empresas, tiveram retaguarda. O jornalismo corporativo participou abertamente do projeto lava-jatista.

Em março de 2016, por exemplo, Moro vazou o conteúdo do grampo ilegal que captou conversas entre a então presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. O grampo foi reproduzido por TVs e jornais, que se tornaram coautores da ilegalidade. A relação pervertida entre poder e imprensa fere a dignidade da profissão. É uma praga a ser sempre evitada e combatida.

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30
Jan21

Assessor de Pazuello diz que Manaus tem fila de 600 pacientes que podem “morrer na rua”

Talis Andrade

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General da reserva disse ainda que o governo sabia desde 28 de dezembro que a crise avançava no estado, mas que preferiram esperar a transição de prefeitos. E perguntou cruel e safadamente: - E aí, vai adiantar abrir o leito?

 

A Imprensa safada e vendida esconde o morticínio de Manaus. Para proteger um governo genocida. A verdade deve ser mostrada, para o povo usar máscara, passar álcool gel nas mãos, para evitar aglomerações, para recusar o kit tratamento precoce do Ministério da Saúde, para não ir na conversa de pastores necrófilos e de almas sebosas, que condenam a vacina. 

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Publica Forum: 

O general da reserva Ridauto Lúcio Fernandes, recém-nomeado no Ministério da Saúde para o Departamento de Logística, afirmou na quinta-feira (28), em reunião da comissão externa do coronavírus na Câmara dos Deputados, que há 600 pacientes em Manaus que podem “morrer na rua”.

De acordo com o assessor de Eduardo Pazuello, pacientes com Covid-19 estão na fila de atendimento do sistema de saúde do município e “vão morrer na rua” caso evoluam para quadros graves.

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A capital do Amazonas enfrenta um colapso no sistema de saúde por conta do avanço desenfreado dos casos de Covid-19. A cidade também sofre com falta de oxigênio para atender os doentes. Mais de 30 pessoas morreram por falta de oxigênio nos dias 14 e 15 de janeiro.

Na reunião na Câmara, Fernandes enfatizou que o maior problema do município está na falta de oxigênio. “Abre o leito, bota o paciente e ele vai morrer asfixiado no leito. E aí, vai adiantar abrir o leito?”, questionou. 

Para o general incompetente, o povo pobre deve morrer sem cuidados paliativos. Deve morrer asfixiado. Deve morrer em casa, na rua, nos corredores dos hospitais, sem ar, sem ar. Dinheiro para o carrinho do supermercado tem. Para os gastos bilionários da presidência da República e ministérios. Para a vida fácil e luxuosa. Milhões para comprar leite condensado, bolos, chiclete, doces, vinho, bombons, chocolate & delícias mil, para uma doce vida de gozos. 

Após ficar sem oxigênio hospitalar em uma unidade pública de saúde de Manaus (AM), na manhã de quinta-feira (14/01), a idosa Maria Auxiliadora da Cruz, de 67 anos, morreu. "Minha sogra não faleceu pela covid. Infelizmente, ela morreu por falta de ar", lamentou a psicóloga Thalita Rocha, em vídeos compartilhados no Instagram. "Infelizmente, minha sogra não aguentou. Mais uma vez, vítima desse sistema imundo", disse a psicóloga no Instagram.

Familiares de pessoas internadas no Serviço de Pronto Atendimento (SPA) Dr. José Lins, no bairro da Redenção, em Manaus, também denunciaram a falta de oxigênio para pacientes nesta quinta-feira (14). Alguns dos internados não resistiram e outros conseguiram receber cilindros providenciados pela própria família.

capital amazonense enfrenta um colapso no sistema de saúde por conta do avanço dos casos de Covid-19 e sofre com hospitais e cemitérios lotados, além da falta de oxigênio nas unidades hospitalares. 

Falta de ar em Manaus é um retrato macabro. Escreve Matheus Pichonelli:

A falta de oxigênio já não é sinônimo de cansaço, sufoco, necessidade de renovação, mas de asfixia literal, física e dolorosamente real sofrida por quem precisou ser internado em meio a um novo surto de coronavírus em Manaus e não encontrou, no leito hospitalar, cilindros capazes de restabelecer o sistema respiratório atingido pelo vírus. Desesperadores, os relatos de profissionais da área sobre a situação demonstram uma catástrofe de proporções amazônicas. O oxigênio acabou em instituições de referência, como o Hospital Universitário Getúlio Vargas. Estima-se que uma ala inteira de pacientes morreu sem ar. Um gestor comparou o espaço inicialmente dedicado ao tratamento de pacientes a uma câmara de asfixia.

Para o jornal El País, da Espanha: "Morrer sem oxigênio em Manaus, a tragédia que escancara a negligência política na pandemia". Leia a reportagem aqui. A militarização do Ministério da Saúde desnuda as nulidades militares que ocupam o governo federal incompetente e necrófilo. 

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09
Jan21

LAVA JATO ENTREGUISTA Delegado da PF que algemou o pai do Programa Nuclear Brasileiro é preso por corrupção

Talis Andrade

Em artigo, o jornalista Luís Nassif relembra a farsa da prisão do Almirante Othon Pinheiro, condenado num processo indecente, aberto a partir de informações entregues pela Lava Jato por advogada do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. “É mais um capítulo da enorme degradação do sistema judicial brasileiro com a parceria pornográfica entre juízes, delegados e repórteres”, lamenta o jornalista
 
por Luís Nassif
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Um dos episódios mais indignos da Lava Jato foi a operação de prisão do Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, 76 anos.

Numa ponta, um almirante com enorme folha de serviços ao país, principal responsável pelo domínio que o Brasil passou a ter sobre uma fonte de energia relevante, a nuclear.

Na outra, um delegado da Polícia Federal, Wallace Fernando Noble Santos, com o poder absoluto assegurado por uma Justiça indecentemente parcial e uma mídia que se transformara em repassadora de pré-releases da operação.

O inquérito de Othon foi aberto a partir de informações entregues à Lava Jato por uma advogada do Departamento de Justiça americano, que até um ano antes servira ao maior escritório de advocacia que atendia a indústria nuclear americana.

O delegado chegou ao apartamento do Almirante Othon e alertou que, se não abrisse a porta, ela seria arrombada. Indignado, Othon reagiu. Com dois pontapés, Noble arrombou a porta.

Segundo o policial, Othon teria avançado sobre a equipe. O valente Noble, com a ajuda de um agente, derrubou e algemou o Almirante, de 76 anos, que gritava que, na condição de vice-almirante da Marinha, deveria haver no mínimo um vice-almirante no local. Preso e algemado, Othon era vítima de apenas uma operação de busca e apreensão.

Noble respondia ao então juiz Sérgio Moro.

Ontem, uma operação da Lava Jato Rio de Janeiro prendeu o delegado Noble, sob a acusação de vender proteção aos grandes criminosos. Advogados atuavam como intermediários, vendendo proteção a empresários e repartindo a propina com policiais como Noble.

É mais um capítulo da enorme degradação do sistema judicial brasileiro com a parceria pornográfica entre juízes, delegados e repórteres.

 

Publicado originalmente no Portal GGN.

 
02
Dez20

Até a família de Al Capone ficaria espantada com Sergio Moro

Talis Andrade

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por Moisés Mendes

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Os americanos tinham certeza de que nunca iriam ler nos jornais de Chicago uma manchete como esta:

“Eliot Ness será sócio de consultoria que tentará salvar os negócios de Al Capone”.

Ness, o legendário agente federal que pegou o mafioso Alphonse Gabriel Capone, não cometeria esse desatino.

Amigos de Moro na imprensa sempre gostaram de compará-lo a Ness, por causa da caçada aos Odebrecht. Os Odebrecht foram transformados por Moro na família Capone brasileira.

Mas, se Eliot Ness nunca se associaria a uma corporação contratada para prestar serviços aos herdeiros do mafioso, Moro agora é sócio da Alvarez & Marsal.

A família Capone ficaria espantada com o que o ex-juiz acaba de decidir ao associar-se à consultoria envolvida com a recuperação da Odebrecht.

A empresa vai tentar ajudar na gestão judicial do que sobrou da empreiteira que Moro quase destruiu. O ex-juiz vai socorrer os gângsteres que lhe garantiram a fama de justiceiro?

Não se sabe direito como e o que Moro fará na consultoria, mesmo que não venha a trabalhar diretamente com as questões relacionadas com a empresa baiana.

O ex-chefe de Deltan Dallagnol não poderia ser nem mesmo o porteiro de uma corporação que presta serviços ao grupo que ele processou. Moro não condenou apenas os dirigentes e os executivos da Odebrecht, mas a organização toda.

Não há como imaginar Eliot Ness tentando salvar os negócios de Al Capone, por mais justa que pudesse considerar a tarefa. Mas aqui tudo passou a ser possível, desde que Moro prestou serviços a Bolsonaro.

O problema é que as manchetes sobre a nova sociedade de Moro saem apenas na ainda chamada imprensa alternativa, nos sites e nos blogs que a direita e o bolsonarismo teme e odeia.

Os grandes jornais só dão notinhas nos cantos de página das versões online e impressa. Os jornalistas amigos de Moro, que comandam as redações, tentam esconder a notícia de que ele é agora empregado dos consultores dos Odebrecht.

A grande imprensa ficou com vergonha de Sergio Moro, está constrangida e também está frustrada. Constrangida porque o chefe da Lava-Jato passou dos limites.

E está frustrada porque percebe que, com a opção do juiz pelos negócios, perdem a opção preferencial da direita para 2022. Um nome muito bem trabalhado sai da corrida presidencial.

Sergio Moro desistiu da política e acabou traindo a confiança da sua turma ao aderir ao empreendedorismo, ao lado de ex-agentes do FBI.

O ex-magistrado vem percorrendo uma trajetória errática, e sua conduta está precisando de um bom juiz, mas não de um justiceiro.

 

29
Nov20

Fraude em pesquisa no RS já devia ter gente presa

Talis Andrade

 

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Extrema direita mela campanha com

pesquisa falsa na véspera da votação

por Fernando Brito

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O Brasil já teve regras que proibiam pesquisas eleitorais a menos de 15 dias das eleições, sob o fundamento de que terminavam por influenciar o eleitor indeciso a “apostar no cavalo vencedor”.

Naquela época, os colunistas de jornal, com informações privilegiadas, gostavam de dizer que “o elevador do candidato tal subiu dois andares” e “o do candidato qual desceu três”.

Liberaram-se as pesquisas sob o argumento de que os institutos de pesquisa eram sérios e os meios de comunicação mais ainda.

Mas o Tribunal Superior Eleitoral e os regionais passaram a ser fiadores das responsabilidades dos que faziam e divulgavam as pesquisas, a partir da obrigatoriedade de que fossem registradas lá.

Portanto, a divulgação de uma pesquisa falsa pela rede Bandeirantes – atribuindo-a ao Datafolha – dando a vitória ao candidato Sebastião Melo em Porto Alegre não é só um crime de fraude à opinião pública como, também, uma ofensa à Justiça Eleitoral.

E, até agora, não se viu uma ação do Ministério Público Eleitoral para descobrir a autoria deste crime.

Só o que há é uma “correção” da Band: “Diferente do que foi publicado anteriormente pelo Band.com.br, não houve pesquisa de intenção de voto para o segundo turno de Porto Alegre (RS) do instituto Datafolha divulgada neste sábado”.

Não houve e a Band publicou?

Não há sigilo de fonte, neste caso. A emissora precisa explicar quem lhe trouxe a informação e exlipar porque a suposta confiabilidade da fonte a dispensou da checagem.

É preciso saber quem levou números falsos, indicando a vitória de Melo, e a mando de quem o fez.

 
24
Nov20

Entidades defendem boicote ao Carrefour

Talis Andrade

 

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Rede Brasil Atual - Entidades que representam a sociedade civil, como o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e a Coalização Negra de Direitos, defendem que o caso de racismo contra João Alberto Silveira Freitas, o Beto, agredido até a morte por dois seguranças de unidade do Carrefour no bairro de Passo D’Areia, na capital gaúcha, seja investigado. Em nota, o Idec também conclama os consumidores a promoverem um boicote ao Carrefour “até que sejam apresentadas e implementadas medidas estruturais para eliminar práticas de racismo”.

Para o Instituto, o Carrefour deve responder, nas esferas competentes, pelos atos racistas e de violência que ocorreram no estabelecimento e os órgãos de defesa do consumidor também devem aplicar as sanções previstas no Código de Defesa do Consumidor. Já a Coalizão Negra por Direitos entrou com representação no Ministério Público Federal (MPF) e no Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) cobrando a investigação da morte de João Alberto.

Esta sexta-feira foi marcada por protestos e pela revolta que culminou com ataque a uma unidade da rede na região da Avenida Paulista, em São Paulo, no início da noite desta sexta-feira (20).

O crime contra João Alberto também dominou as redes sociais durante todo o dia de ontem, em que se celebrou a Consciência Negra e a luta antirracista no país.

A loja paulistana do Carrefour foi atacada após a 17ª Marcha da Consciência Negra de São Paulo, que se concentrou no vão do MASP (Museu de Arte de São Paulo). Centenas de manifestantes se dirigiram àquela unidade do supermercado, na rua Pamplona.

Segundo relatos, o hipermercado, que funciona no térreo de um shopping, estava fechando as portas quando o protesto se aproximava. Vidros foram quebrados, os bloqueios foram derrubados, e algumas prateleiras tiveram seus produtos derrubados ao chão. Houve ainda um princípio de incêndio, rapidamente debelado. Não há relato de feridos

 
O caso

Segundo a Brigada Militar do Rio Grande do Sul, as agressões que mataram Beto, 40 anos, cometidas por um policial militar e um segurança, teriam começado após um desentendimento entre a vítima e uma funcionária do local. Ele chegou a ser socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas morreu no local. 

Os dois agressores foram presos em flagrante e foram denunciados por homicídio qualificado. O policial envolvido na agressão é “temporário” e estava fora do horário de trabalho. Em nota, o Carrefour prometeu romper contrato com a empresa de segurança terceirizada do local e afirmou que adotará medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos e definiu o ato como criminoso.

Histórico de violações

Apesar de anunciar “rigorosa apuração interna” do caso e que “nenhum tipo de violência e intolerância é admissível”, o Carrefour carrega um histórico de violência e descaso envolvendo clientes e os próprios funcionários.

O mais recente noticiado pela imprensa havia ocorrido em agosto deste ano. Um promotor de vendas de uma unidade do supermercado no Recife morreu durante o trabalho. Moisés Santos, de 53 anos, foi coberto com guarda-sóis e cercado por caixas, para que a loja seguisse em funcionamento e seu corpo permaneceu no local por cerca de quatro horas, até ser retirado pelo Instituto Médico Legal (IML).
 

CNN chama manifestantes de vândalos

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A hipocrisia racista da mídia

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por Fernando Brito

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Uma vergonha a manchete do site da Folha, outra vergonha a manchete de sua edição de papel.

Na primeira diz que “Beto Freitas foi pai precoce, filho presente e marido errático“, como se alguma das três características tivessem relação com o fato de que ele foi bárbara e prolongadamente espancado e asfixiado até à morte”. A nós, mais velhos, lembra a época em que se discutia o comportamento de Ângela Diniz, quando só importava que ela tinha sido assassinada a tiros por Doca Street, no caso que ficou conhecido pela esdrúxula “teoria da legítima defesa da honra".

Não tem a menor importância se Beto era bom ou mau pai, marido fiel ou infiel, bom filho ou desatento aos pais: simplesmente não podia ser morto, e discutir como ele se portava em sua vida familiar é, além de cruel, desviar o foco para um tenebroso desvio, o de que, por seu comportamento, “merecia” morrer espancado e sem ar.

No jornal impresso, a Folha, um aproveitamento perverso do fato de que 2 de cada 3 policiais mortos são pretos ou pardos, como se a violência de que policiais são vítimas fosse de natureza racista, e não de que os atinge especialmente por serem o que, sem altas patentes, são quem se atira para a política de confrontos que seus comandantes aceitam e apoiam.

Não é preciso, para haver racismo, que o agressor – físico ou moral – seja branco. Achar que alguém é inferior – ou até bandido – pela cor de sua pele é racismo mesmo que venha de alguém com pele igual e não falta quem absorva a mentalidade dominante e agrida pessoas por isso.

PMs com certeza irão dar uma “dura” em um rapaz negro com muito mais frequência que num garoto branco e, entre estes, mais nos que estiverem pobremente vestidos.

É muito mais importante fazer o que fez, no mesmo jornal, Vinícius Torres Freire, que toca naquilo que se destacou ontem aqui: a responsabilidade das empresas sobre o verdadeiro exército de seguranças que mantêm:

Não é a primeira do Carrefour nem de supermercados e shoppings, onde volta e meia há um capanga da segurança da “sustentabilidade” dando um mata-leão em outro alguém do povaréu, tanto faz se tenha furtado um biscoito ou não. Estão preocupados com vidas à beira de uma represa da morte? Com o imigrante ou o terceirizado escravizado? Com o homem negro que morre na loja ou na “sala de massagem” (de tortura)? “Chupa o sangue” de quem barbariza, talvez o seu próprio, ou para de conversinha. Enfim, é preciso rever também a terceirização irresponsável.​

Só que desta vez doeu e a aparição ontem do presidente local do francês Carrefour , Noel Prioux, tenho certeza, se deu diante dos sinais que tiveram do dano que a morte de Beto causou aos seus negócios.

Dano que vão buscar recuperar em marketing e marketing se faz na mídia, a poder de dinheiro, como faz a Vale nos casos das barragens rompidas em Mariana e Brumadinho.

No final, acabam todos felizes e quase santos, com sua “responsabilidade social” e sua “sustentabilidade”, embora Beto, o “marido errático” da Folha, esteja morto.

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08
Jul20

O PIG, na berlinda, não admite que fez aposta errada na Lava Jato

Talis Andrade

 

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por Sulamita Esteliam/ A Tal Mineira

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Vou direto ao ponto, porque o texto que compartilho mais abaixo fala por si. O PIG, a mídia venal comprometida com o ideal de um Brasil de privilégios para poucos, está na berlinda, mas não dá o braço a torcer.

Errou feio, e é a grande responsável pelo desmantelamento do país. E a promoção da Lava Jato em panaceia para todos os males – leia-se desmontar Lula e acabar com o PT – é apenas mais dos venenos injetados na veia e nas mentes da gente brasileira.

O noticiário do dia repercute entrevista do ex-juiz-inquisidor da Lava Jato, e ex-ministro da Justiça do desgoverno que ajudou a eleger em troca do cargo à Globo News, onde ele confessa que agiu como adversário de Lula, já no primeiro depoimento.

Moro, picado pela mosca azul da candidatura à Presidência em 2022, incensado pela mídia, disse:

Como a gente fez lá no (brincando), no ringue com Lula na audiência

Se é preciso mais do que isso para o STF retomar o julgamento suspenso há meses sobre a parcialidade do ex-juiz, então, a Justiça assume que passa recibo em função de conveniências políticas.

As ilegalidades da Lava Jato, apoiadas pelo PIG, nos trouxe até aqui. Daqui a 30 anos, quem sabe, a exemplo do que fizeram em passados nem tão remotos, vão pedir desculpas pela mal que causaram à nação.

Transcrevo artigo importante a respeito – para começar a semana de trabalho que reflexão necessária, que pode ajudar inspirar ações para tirar o país do atoleiro.

Compromisso com Lava Jato dá curto-circuito na mídia

por Ricardo Amaral e José Chrispiniano* – no sítio Lula

Raros textos são tão reveladores da má consciência da mídia sobre seu papel na farsa jurídica da Lava Jato quanto o artigo de Eliane Cantanhêde (“Nem heróis nem vilões”) no Estadão deste domingo. Em busca de uma imparcialidade tardia, o texto reflete o dilema atual do jornalismo brasileiro: como descartar, sem maior prejuízo de credibilidade, os “heróis” que ela criou ao longo de uma cobertura parcial e politicamente direcionada. E como dar essa guinada sem fazer justiça ao “vilão” Luiz Inácio Lula da Silva.

O artigo concede que José Genoíno foi condenado no mensalão “talvez exageradamente” e admite que haveria “alguns excessos” na sentença do tríplex contra Lula. Mas abordar dois notórios erros judiciais com a naturalidade de um passeio pelo jardim não é exatamente uma correção de rumo. É seguir sancionando a instrumentalização do Judiciário e do Ministério Público como arma de disputa política, como fez nossa imprensa com a Lava Jato do começo ao fim, que agora parece necessário e inexorável.

A cobertura da Lava Jato entrou em curto-circuito junto com a operação em si porque nem uma nem outra se sustentam em fatos e provas, mas na simbiose típica dos julgamentos midiáticos. Nesta semana em que se comprovou a relação indecente e ilegal da força-tarefa com o FBI, Deltan Dallagnol ganhou mais tempo para se defender no Jornal Nacional que os advogados de Lula ao longo de cinco anos. Não custa lembrar: de janeiro a agosto de 2016, o JN somou 13 horas de noticiário negativo contra Lula, preparando a denúncia do powerpoint que hoje se volta contra Dallagnol.

O tratamento editorial abusivamente desequilibrado da Globo ditou a cobertura da mídia e de seus colunistas, que hoje se agarram nas “provas robustas”, jamais exibidas, do caso Atibaia. Da mesma forma que na desmoralizada ação do tríplex, também neste processo Lula foi condenado por “atos indeterminados”. E a prova mais “robusta” dos fatos é um laudo técnico, ignorado por Sergio Moro e censurado pela Globo, mostrando que foi depositada para um executivo da Odebrecht, e não para “obras no sítio”, a tal transferência de R$ 700 mil incluída na sentença.

O reconhecimento da farsa judicial contra Lula não é, portanto, uma questão de “simpatia” pelo ex-presidente ou pelo PT, por parte de um procurador-geral indicado por Jair Bolsonaro, muito menos dos ministros do Supremo Tribunal Federal, como propõe o artigo. É uma imposição de justiça, diante da qual autores e cúmplices não imaginavam ter de prestar contas tão cedo. Uma questão objetiva, a ser examinada à luz da lei por instituições que, por definição, têm de preservá-la e preservar-se acima de circunstâncias políticas.

É tão fácil quanto fútil afirmar que o PT, Lula ou quem quer que seja “demoniza” a Lava Jato, sem enfrentar objetivamente a suspeição de Moro e a dos procuradores, como sustenta a defesa do ex-presidente em dois pedidos de habeas corpus que tramitam no STF. Ninguém foi mais demonizado neste país do que Lula, seu partido e sua família, por uma imprensa que erigiu falsos heróis e agora se vê na contingência de descartá-los, como fez com Aécio Neves e Eduardo Cunha quando perderam utilidade.

O dilema da mídia – e dos interesses que vocaliza – é lançar fora o veneno da Lava Jato preservando seu principal efeito, que foi a proscrição política de Lula. E, se possível, reconstruir o mito Sergio Moro, o que exige falsificar duas vezes a história. Em primeiro lugar, a Lava Jato não combateu a impunidade: negociou-a no balcão das delações que premiaram 99% dos acusados. E foi com a cobertura da mídia que Sergio Moro “fez a diferença”, demonizou Lula, o PT e a própria política, abrindo o caminho para Jair Bolsonaro, o filho que agora rejeitam.

12
Mar20

Todos os patifes do presidente

Talis Andrade

Não há mais margem de manobra, espaço para os panos quentes, as meias-palavras ou o veja-bem: ou você admite aquilo que é inegável ou faz parte do enorme viveiro de patifes que sustenta o consórcio

 

por Sandoval Matheus

Enquanto o gângster de picadeiro que convencionamos chamar de presidente da República ri, mais e mais brasileiros são atirados à masmorra da miséria. A fila de pobres-diabos suplicando o exíguo valor do Bolsa Família chega agora a 3,5 milhões de pessoas.

Na semana passada, ficamos sabendo que dos pouquíssimos benefícios concedidos em janeiro (100 mil, ao todo), apenas 3% foram destinados ao Nordeste. É nessa região, no entanto, que estão 36,8% dos pobres e extremamente pobres do país.

Um único estado do Sul Maravilha, Santa Catarina, recebeu o dobro de auxílio, 6% do total, mesmo tendo uma população oito vezes menor.

O motivo: Bolsonaro venceu espetacularmente as eleições de 2018 no Sul, mas perdeu no Nordeste.

O Bolsa Família pode ser a diferença entra a vida e a morte de uma criança por inanição. Jogar com isso é mais do que perseguição política, é psicopatia.

Não é um governo, é um consórcio de assassinos. Isso está claro há tempo suficiente. Quem ignora, endossa. Não há mais margem de manobra, espaço para os panos quentes, as meias-palavras ou o veja-bem: ou você admite aquilo que é inegável ou faz parte do enorme viveiro de patifes que sustenta o consórcio.

Cada vereador, cada deputado, cada empresário, cada madame, cada velhote apoiado em um balcão no fim de tarde vociferando contra inimigos imaginários e fechando os olhos para o óbvio – todos patifes.

O dono de uma rede de restaurantes que se autocongratula por fazer “o melhor hambúrguer do mundo”? Que divulgou um vídeo aderindo às manifestações convocadas por Bolsonaro e que estimulam um golpe de Estado? O mesmo que há alguns anos, segundo a Justiça do Trabalho, metia a mão nas gorjetas de seus garçons?

Patife.

(A propósito: as chances de “o melhor hambúrguer do mundo” ter saído de Curitiba são as mesmas de eu ganhar um galardão de astrofísica até o fim da semana.)

O prefeito higienista de uma capital fria que manda roubar cobertores de mendigos? Que ofertou uma medalha a Sergio Moro, o ministro-símbolo do bolsonarismo?

Patife.

(Mais do que um patife, Rafael Greca é o tipo que anseia por uma suposta urbanidade europeia quando na verdade não passa de um arremedo de africâner.)

O governador que ao menor aceno corre emocionado para os braços presidenciais? Um dos poucos que não assinou uma carta de repúdio no momento em que Bolsonaro aperta ainda mais o garrote do autoritarismo? Que há poucos dias nomeou um secretário ligado à Opus Dei? Aquele que, sem se dignar a dar maiores satisfações à ralé, é o único a ir com o chefe da facção à Flórida, numa viagem cujo maior propósito é render uma foto à mesa com Donald Trump?

Patife.

Democracia não exige jeans e blazer, pose de administrador jovem e antenado, discurso 4.0, um giro aleatório por Miami. Exige coragem para, numa situação-limite, mandar o cálculo político para o inferno. Exige diálogo, barganha e negociação, sim, mas também espinha. Coisa que Ratinho Jr não tem.

O que, no caso, é uma tradição familiar. Seu pai, o apresentador Ratinho, é o subserviente entrevistador preferido de Jair Bolsonaro. E encheu as burras de dinheiro para propagandear a reforma da Previdência. Na TV, tinha a exemplar cara de pau de perguntar à população: “Você acha que se a Previdência fosse ruim para o povo, eu estaria a favor?”.

Ao preço de R$ 915 mil por quatro falas breves, acho sim.

Lá fora, há uma visível escalada autoritária, promovida pela família presidencial e seu séquito de patifes. Eu gostaria de acreditar que, um dia, Jair Bolsonaro, Junior Durski, Rafael Greca, Ratinho Jr e muitos outros acabarão na famigerada lata de lixo da história. Mas não há consolo no Terceiro Mundo. No Brasil, a história não tem sequer lata de lixo. Tem uma usina de reciclagem de patifes. 

 

04
Mai19

ESCÂNDALO: BOLSONARO COMPRA REDETV PARA NÃO EXIBIR ENTREVISTA DE LULA A KENNEDY ALENCAR

Talis Andrade

prostituição dinheiro Ramiro Zardoya.jpg

 

 
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu nesta sexta-feira (3) uma entrevista para o jornalista Kennedy Alencar, que seria exibida na Rede TV e num programa documental da rede britânica BBC.
 
O site Lula.com foi informado, neste sábado, que a Rede TV decidiu não exibir a entrevista. 
 
Registre-se que a emissora não só entrou com uma reclamação junto ao Supremo Tribunal Federal para garantir o direito de entrevistar o ex-presidente como gravou a entrevista no dia de ontem.
 
A entrevista deve ser divulgada no exterior na BBC. 
 
Ainda é desconhecido o preço que o governo Bolsonaro pagou para a prostituída Rede TV 
 

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