Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

24
Fev21

Xadrez da Antologia da ignorância institucional: o sistema judicial

Talis Andrade

Barroso vai sumir com 5,5 milhões de eleitores? — Conversa Afiada

Hoje o Brasil enfrenta outro desafio: o velho está morrendo e o novo não pode nascer. Barroso proclamou: “Os juízes estão do lado certo da história”. E a velha máxima de Nelson Rodrigues respondeu: “Os idiotas vão tomar conta do mundo”

Por Luis Nassif 

- - -

Comecei a acordar para o fenômeno da ignorância institucional do Brasil no início dos anos 90, quando caiu em minhas mãos um exemplar do livro “América Latina, Males de Origem”, de Manoel Bomfim. O país estava em plena reconstrução pós-Constituinte de 1988. O livro, do início do século, era extraordinário. Definia de forma clara os pontos centrais de um modelo de país moderno.

Mais que isso, mostrava como o Estado era apropriado por elites ignorantes que faziam com que a crise do Estado transbordasse para o país. E, quando a opinião pública se dava conta de que o grande mal era a apropriação do Estado por esse grupo, ele chamava em seu auxílio os “financistas” – o equivalente aos “economistas” de hoje -, que invocavam uma suposta ciência que aprenderam na Europa para desviar o assunto e jogar a conta nas costas do país. Referia-se, obviamente, à crise do Encilhamento, primeira grande crise fruto da financeirização desvairada que tomou conta do país nas últimas décadas do século 19.

Ali estava um desenho claro de todo o processo que se repetiria 100 anos depois, com os mesmos personagens.

Bomfim era um intelectual interdisciplinar. Foi o introdutor da psicologia no país, o primeiro a rebater as teorias raciais. Tinha uma capacidade única de analisar uma multiplicidade de aspectos da vida nacional com olhares modernos. Era essa a sua especialidade: debruçar-se sobre cada tema, mesmo não sendo necessariamente especialista, e conferir uma visão moderna e sistêmica.

Antes de Celso Furtado, entendeu que o país era um conjunto complexo de forças, cimentadas pelo sentimento de Nação. Essa percepção o fez juntar-se a Olavo Bilac em uma série de obras didáticas visando espalhar pelas escolas o modo de ser Brasil.

Era tão diferenciado que foi alvo de uma campanha implacável de Silvio Romero, vítima do mais fatal dos sentimentos, a inveja intelectual, com a agressividade tupiniquim que tanto encanta um país atrasado. Silvio Romero, o invejoso, terminou célebre. Bomfim, o invejado, terminou no ostracismo. Na época, a única referência que ouvi sobre ele foi em uma conversa com o professor Antônio Cândido que, na juventude, foi alertado para a obra de Bomfim pelo seu pai.

Ele foi ressuscitado quando Darcy Ribeiro encontrou seu livro em um sebo em Montevidéu.

Tornei-me um propagandista de Bomfim. Escrevi o prefácio para uma segunda obra lançada, escrita no final da vida dele, na qual havia a amargura de quem se desencantou com a ignorância institucionalizada do país. E acho que meus artigos tiveram alguma influência na decisão do Ministro da Cultura Francisco Weffort, de incluir Bomfim em uma edição das Brasilianas, as obras fundamentais para entender o Basil.

Um século depois, a ignorância institucional, combatida por Bomfim, continua ferreamente implantada no país.

Vamos a alguns dos exemplos de como a ignorância destruiu o país.

Peça 1 – a ignorância da cooperação internacional

Quando o então Procurador Geral da República Rodrigo Janot foi aos Estados Unidos, à frente de uma equipe da Lava Jato, alimentar as autoridades americanas de informações contra a Petrobras, previ, em um artigo, que no futuro, assim que fosse restabelecida a democracia no país, ele seria julgado por crime de alta traição.

Pouco tempo depois conversei com um integrante da comitiva, que me disse que o Ministério Público Federal (MPF) tem procuradores de todo espectro político, direita, esquerda, ultradireita, mas todos patriotas.

Acredito. Mas o que, então, levou o MPF a se subordinar de forma tão irrestrita ao Departamento de Justiça, a ponto de sacrificar as maiores empresas brasileiras e impor custos extraordinários à Petrobras, superiores ao próprio custo da corrupção?

O país tinha experiência de cooperação internacional para temas de direitos humanos. Nos anos que antecederam a Lava Jato, ampliou para a luta norte-americana contra a corrupção. A própria PGR divulgou obras pioneiras, de procuradores que estudaram o tema. Nenhum deles – competentes, dedicados, patriotas – atentou para as implicações geopolíticas do tema; para o fato de que a cooperação, da forma como foi desenhada, colocaria as principais empresas brasileiras sob controle do país que abriga seus principais competidores.

Através da Lava Jato, o Departamento de Justiça colocou fiscais atuando dentro da Embraer, da JBS, da Odebrecht, da Petrobrás. Destruiu a capacidade da construção pesada brasileira. E, dentro do MPF, o que se ouvia eram justificativas bizarras: os EUA tinham montado uma legislação anticorrupção para coibir suas empresas; se outros países não se submetessem à mesma legislação, não haveria isonomia de tratamento.

Não se deram conta de alguns pontos óbvios da missão institucional dos funcionários públicos:

* não cabe ao poder de um país preocupar-se com os interesses de empresas de outro país;

* não é isonomia colocar empresas brasileiras sob o controle da legislação americana;

* quem comete crimes são pessoas, não empresas;

* empresas geradoras de emprego e tributo são estratégicas para um país e, portanto, devem ser defendidas;

* o controle da energia é fator estratégico para um país.

* se a cooperação internacional com os EUA coloca essas empresas em risco e se, por oposição, favorecem empresas americanas que disputam mercado por elas, há uma lógica geopolítica na atuação norte-americana.

Como podem, pessoas letradas, que passaram em concursos disputadíssimos, falam várias línguas, não terem atentado para pontos tão óbvios?

Foram vítimas do fenômeno da ignorância institucional atávica que domina o país desde os tempos de Bomfim.

Peça 2 – a ignorância dos “iluministas”

Em todo esse período, em que a ignorância dos iluminados ajudou a consagração de Bolsonaro, nenhum conseguiu superar o Ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, e suas evocações do Iluminismo, seja lá o que entendesse como tal.

Sua lógica era pau-pau pedra-pedra:

* Hoje em dia há uma disputa entre o PT, defendendo o papel do Estado, e os liberais, defendendo a preponderância do mercado.

* O Iluminismo será alcançado quando as corporações privadas passem a definir as políticas públicas, tornando a economia mais eficiente.

* Com a Lava Jato destruindo o PT, só restaria no tabuleiro a alternativa liberal, que conduziria o país para a redenção do Iluminismo.

Um idiota da objetividade não consegue enxergar mais do que um ângulo em cada questão. Por isso, o Joaquim Nabuco ressurrecto não previu os seguintes lances:

* Para destruir o PT, seria necessário destruir a legitimidade do sistema político-eleitoral e desmoralizar toda noção de política.

* Desmoralizando a política, obviamente desmoralizaria todo o sistema político convencional.

* Para validar o impeachment, foi necessário atropelar a Constituição, consagrando a máxima de que os fins justificam os meios. Com isso, rasgaram-se todas as regras do jogo.

Se desmoralizo o modelo + desmoralizo os partidos + desmoralizo todas as soluções tradicionais, quais os resultados objetivos desses abusos? Aì a conta ficaria muito complexa, embora óbvia e deixaram-se de lado todas as consequências previsíveis por qualquer sistema institucional não ignorante:

1. Todos os grupos organizados passam a ser identificados com a velha política. Sendo assim, não haveria nenhum controle racional sobre a nova etapa. FHC, que deslumbra tanto Barroso, no início do processo do impeachment cantou o óbvio: ninguém sabe como termina.

2. Venceu o candidato anti-político. O mais anti-político de todos, defensor da tortura, da morte aos índios, quilombolas e minorias, ligado a escritórios da morte de milícias.

3. Se tudo estava errado, qual o problema em destruir tudo? Por isso foi possível destruir as políticas educacionais, ambientais, o controle de armas, as políticas cientifico-tecnológicas, o sistema partidário, tudo o que foi construído pela política tradicional, do PSDB ao PT.

Mais ainda. O fim das redes de proteção social criaram uma crise social sem precedentes. A informalização do trabalho enfraqueceu o mercado interno. A insegurança em relação ao futuro abriu espaço para lideranças alucinadas, como o próprio Bolsonaro.

Obviamente, um idiota da objetividade jamais entenderá sua responsabilidade na construção do caos. Invocará Gramsci, veja só!, para acalmar os que não conseguem enxergar o Iluminismo a caminho: “É apenas uma pausa, devido ao fato de que o velho morreu e o novo ainda não nasceu.

Hoje o Brasil enfrenta outro desafio: o velho está morrendo e o novo não pode nascer. Barroso proclamou: “Os juízes estão do lado certo da história”. E a velha máxima de Nelson Rodrigues respondeu: “Os idiotas vão tomar conta do mundo”.

20
Fev21

Generais, golpismo e pandemia

Talis Andrade

Resultado de imagem para charges lula inimigo militar

por Cristina Serra

- - -

O livro “General Villas Bôas – conversa com o comandante”, do professor da FGV Celso Castro, joga luz sobre a atuação dos militares no período mais turbulento da História recente do país, que vai do impeachment de Dilma Roussef à eleição de Jair Bolsonaro.

A revelação mais importante é sobre o famoso tuíte do comandante do Exército, em abril de 2018, com ameaças ao STF na véspera do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula. Villas Bôas informa que o tuíte teve um “rascunho” e que foi “discutido minuciosamente” por generais do Alto Comando. Nas palavras do entrevistado: “Recebidas as sugestões, elaboramos o texto final, o que nos tomou todo o expediente, até por volta das 20h, momento em que liberei o CComSEx [ centro de comunicação do Exército] para expedição.” 

Sim, foi isso mesmo que você leu. Villas Bôas confessa que a tradição golpista segue firme e forte entre os fardados e que o topo da hierarquia do Exército tramou para afrontar a mais alta corte do Judiciário brasileiro. Qual o comando constitucional que autoriza militares a exercer tutela sobre o poder civil? Em nome de quem ? Como se sabe, o Supremo rejeitou o HC de Lula, preso dias depois. E agora, STF?

Em meio a tortuosos raciocínios sobre geopolítica e um ego que transborda das páginas, Villas Bôas deixa claro que as forças armadas não engoliram a Comissão Nacional da Verdade (“foi uma facada nas costas”), dá versões duvidosas sobre alguns acontecimentos e faz comparações despropositadas. Uma delas: que a desintrusão de não indígenas da reserva Raposa Serra do Sol (RR) equivale aos “pogroms de Stalin” na extinta União Soviética.

De volta à política trinta anos depois do fim da ditadura, os militares ocupam milhares de cargos, acumulam salários, privilégios e benesses. De mãos dadas com Bolsonaro, também são responsáveis pela catástrofe que já custou a vida de 240 mil brasileiros, até agora. A grande dúvida é quando – e se – será possível mandá-los de volta para os quartéis.

Resultado de imagem para charges gole militar

14
Fev21

Tirem fardas, capas e togas para subir nas tribunas!

Talis Andrade

 

Defender a vida e julgamentos justos é dever de todos os que têm compromisso com a civilidade

por João Batista Damasceno

- - -

As confissões que começam a ser publicadas em livro informando que o impeachment da ex-presidente Dilma e a prisão do ex-presidente Lula tiveram articulação com os quartéis é faceta da história que precisa ser passada a limpo. Isto decorre da inacabada transição negociada ao fim da ditadura empresarial-militar. De tal articulação decorreu o conluio revelado pelo jornal The Intercept entre membros do Ministério Público, magistrados e empresas de comunicação. E isto deveria nos preocupar a todos.

Em julgamento a pedido de procuradores da República, que pretendiam impedir acesso a mensagens trocadas entre eles e o ex-juiz Sérgio Moro, a ministra Carmen Lúcia ressaltou que as mensagens captadas ilegalmente por hackers e apreendidas pela justiça é da ciência de juízes, Ministério Público e polícia e que somente a defesa não tivera acesso. O ministro Gilmar Mendes citou artigo publicado no New York Times dizendo que a Operação Lava Jato “se vendia como a maior operação anticorrupção do mudo, porém se revelou o maio escândalo judicial da história”. Não sei se foi o maior escândalo judicial. Mas, é o melhor documentado.

Tudo o que fizeram é escandaloso. Pretenderam, pela via judiciária, incriminar e excluir grupo politico de participação do jogo democrático. O Estado brasileiro se comporta como se a liberdade fosse um “benefício concedido” a quem merece o agraciamento. Mas, a regra é a liberdade e somente em casos explicitados em lei pode ser excepcionada. Os cidadãos podem tudo o que a lei não proíbe. O Estado somente pode o que a lei manda. Este é um princípio republicano que ainda não foi ‘naturalizado’ entre nós. Não praticamos o princípio de que o poder emana do povo, cujo exercício pode ser direto ou por meio de seus representantes, de acordo com a vontade e interesses daquele.

Defender a vida e julgamentos justos é dever de todos os que têm compromisso com a civilidade. Precisamos tomar como parâmetro a atuação de Miguel de Unamuno, reitor da Universidade de Salamanca, que em 1936, deu resposta aos fascistas que sob o aplauso do general Milan-Astray, gritavam “Viva a morte!” enquanto ele defendia a vida, a Ciência, a Cultura, a razão e o Direito.

Unamuno dirigiu-se aos propagadores do ódio e lhes disse: “Acabo de ouvir o necrófilo e insensato grito de “Viva a morte!” (…). O general Milan-Astray é um inválido. Não é necessário dizer isso com um acento pejorativo pois é, de fato, um inválido de guerra. Cervantes também o foi. Mas extremos não servem como norma. (…) De um mutilado que careça da grandeza espiritual de Cervantes (…) é de se esperar que encontre um terrível alívio vendo multiplicarem-se os mutilados ao seu redor”.

E diante do general inválido (há sempre um general inválido tramando contra a democracia) arrematou: “Vencereis porque tendes sobrada força bruta. Mas não convencereis porque para convencer há que persuadir. E para persuadir lhes falta algo que não tendes: razão e direito”. Dias depois o ditador Francisco Franco demitiu Unamuno do cargo de reitor da Universidade de Salamanca. Em outubro de 2011, Unamuno foi reconduzido postumamente ao cargo do qual fora destituído pelos fascistas.

As reparações históricas são necessárias para evitar se repitam como farsa. Mas, igualmente as responsabilizações. O deputado Paulo Ramos propôs na Câmara de Deputados o projeto de lei instituindo o dever de reparação por demanda opressiva. O PL 90/2021 precisa ser aperfeiçoado para incluir os casos de assédio judicial individualizado e as condutas indevidas de agentes públicos, para importunar os cidadãos ou outros agentes públicos, em decorrência do cumprimento de seus deveres.

A transição que se fez para a democracia não pode conviver com os esqueletos insepultos da repressão que jazem nos esgotos e porões sombrios dos órgãos que serviram à repressão. Tampouco com a intromissão fardada nas instituições democráticas. Os que quiserem ocupar a tribuna da democracia que tirem suas fardas, capas ou togas e aguardem quarentena. Que não usem as instituições para promoção pessoal e defesa de interesses escusos. É uma deslealdade com a cidadania a ocupação dos cargos e postos para fazer política. É uma vilania, ante a desigualdade com os demais cidadãos.

- - -

Nota deste correspondente: Tenho mais de 60 anos de jornalismo. Essa estória de deputado coronel, senador tenente é cousa dos tempos de chumbo. Ninguém designava bolsonaro como tenente ou capitão na imprensa. Foi 28 anos nomeado deputado. Legitimamente eleito. 

A imprensa vendida e safada hoje classifica vereador de comandante, pastor etc. Não sei se por considerar o cargo civil titica de periquita.

Nunca vi chamar marechal presidente do Brasil, general presidente do STF, do STJ, ou mesmo coronel presidente da Câmara dos Deputados, do Senado Federal. Atualmente ninguém quer ser mais  chamado de deputado, de senador. E sim pelas profissões. Cabo, pastor, padre, juiz, procurador. Devia ser proibido um parlamentar no Congresso, nas assembléias, nas câmaras vestido de farda, capa, toga, veste sacerdotal. Ninguém usa macacão de operário, de cortador de cana, de porteiro, de profissões que recebem o salário do medo e da fome. 

Os piores parlamentares sempre são mais conhecidos pelas profissões que exerceram. Vale para presidente. Ninguém vai lembrar Juscelino médico, para um exemplo. 

27
Jan21

Freixo protocola pedido de abertura de “CPI do leite condensado”

Talis Andrade

Image

 

Parlamentar quer acesso aos contratos, para saber quais são as empresas fornecedoras, quem são os donos e como cada uma foi contratada

 

 
 
O deputado federal Marcelo Freixo (PSol-RJ) pediu, nesta quarta-feira (27/1), a abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os gastos do governo Jair Bolsonaro com alimentação, revelados pelo Metrópoles. Um dos fatos que mais chamaram a atenção foi o desembolso de R$ 15 milhões com leite condensado.
 

O parlamentar quer acesso aos contratos para saber quais são as empresas fornecedoras, quem são os donos e como cada uma foi contratada.

“Especialmente em um ano em que o governo se omitiu quanto a diversos gastos necessários ao enfrentamento da pandemia de Covid-19, é preciso investigar essas compras e essas prioridades do governo, e se houve gasto desnecessário ou mesmo corrupção”, justifica. “É preciso entender para onde foi cada um desses itens, o porquê da compra acima do preço de mercado, se as licitações foram idôneas, quais são as empresas beneficiadas”, acrescenta.

sujeira.jpg

 

Mais cedo, o deputado Alexandre Frota (PSDB-SP) também criticou essas despesas do governo Bolsonaro e, em ironia, distribuiu latas de leite condensado na Câmara.

Levantamento do (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles, mostrou que, no último ano, todos os órgãos do Executivo federal pagaram, juntos, mais de R$ 1,8 bilhão em alimentos — um aumento de 20% em relação a 2019. Para a reportagem, foram considerados apenas os itens que somaram mais de R$ 1 milhão pagos.

Bolsonaro teve campanha eleitoral lançada nos quartéis em 2014. Quando era votado o impeachment de Dilma, Bolsonaro foi em luxuosa romaria se batizar no Rio Jordão, repetindo Jesus. 

Em dois anos de governo, Bolsonaro mergulha na escuridão de um rio de lama. Até apagou o Portal da Transparência. É um governo militar, inimigo do povo e da claridade.

 

Enquanto votação do impeachment acontecia, Bolsonaro era batizado em Israel  - Brasil - Extra Online

Pastor Everaldo e pastora Flordelis lembram que líder político não é santo  - 29/08/2020 - UOL Notícias

22
Jan21

ELE ATÉ GOSTARIA DE DAR UM GOLPE, MAS NINGUÉM TOPA

Talis Andrade

lute braços morte.jpg

 

 

Reinaldo Azevedo no Twitter
 
Reinaldo Azevedo
@reinaldoazevedo
Minha coluna na Folha volta nesta 6ª. Agora a minha contabilidade bate com a do jornal: Bolsonaro já cometeu 23 crimes de responsabilidade. Sobram crimes e denúncias. Mas e os votos? Trato dessa e de saídas legais para preservar a democracia. Com ou sem impeachment.
*
Em sua live, Bolsonaro voltou a falar dos militares, mas mudou o tom, atendendo, vamos dizer, a uma solicitação do Alto Comando das Três Forças, q ñ gostaram das piscadelas filogolpistas do Mito. Disse: “as nossas Forças Armadas jamais aceitariam...
*
... um convite de uma autoridade de plantão, no caso o presidente da República, de enviesar por um caminho diferente da liberdade e da democracia" . TRADUZINDO: ELE ATÉ GOSTARIA DE DAR UM GOLPE, MAS NINGUÉM TOPA.
*
É preciso ser safado ou burro pra dizer que conhece gente que tomou cloroquina e se curou da Covid-19, atribuindo tal cura ao medicamento. Eu conheço doente que tomou Chicabon e sarou. Um outro tomou Glenfiddich 15 anos. Idem. E ainda ficou feliz.
*
Picolé e single malt curam COVID-19? “Ah, ñ são remédios” . Para essa doença, cloroquina tbem não é. Essa lógica asnal leva um nome em latim: “post hoc ergo propter hoc”. Ou: “depois disso; logo, por causa disso”. A cura ter vindo depois de um feitiço não prova que ele funciona.
*
Segundo reportagem da Folha, Bolsonaro está descontente com Ernesto Araújo. Nguem havia contado ao Mito q os IFAs de 2 vacinas vêm da China. Apesar de sinal verde para vacinas da Índia, Bolsonaro faz cobranças a Ernesto e já avalia saída honrosa
Ernesto não contou pq ñ sabia. Não q agisse de modo diferente se soubesse. Ele já se orgulhou da condição de “pária” do Brasil. Q tal pedir sugestão ao Olavão? Ele poderia oferecer a resposta num longo “curso” pela Internet. Solução virtual em aula virtual para presidente idem.
*
Reinaldo Azevedo: É preciso parar os golpistas. Se não agora, quando?
Image
*
Estão prestes a dizer q esse negócio de morte é mimimi. O necropensador já disse q “todo mundo morre um dia”. Espantoso, mas não surpreendente. Alguns só esperavam a ocasião para destilar o ódio que reprimiam a pobres e pretos. Se morrem, está tudo bem. Uma utopia se realiza.
*
Atenção ao q andam escrevendo e falando os bolsonalhas a soldo, disfarçados de jornalistas. Estão a um passo de celebrar a morte. Acuados pelos fatos, sem argumentos verossímeis, ainda que falsos, para defender um governo homicida, seu ódio começa a se voltar contra as vítimas.
*
O abismo em que se meteu o Brasil é tal que, no momento, estamos mais perto da eleição de Arthur Lira (PP-AL) para a presidência da Câmara do que de obter dois terços na Casa —e depois no Senado— para impichar Jair Bolsonaro. Mesmo a investigação por crime comum,
*
caso a PGR se movesse, só poderia avançar no STF com a autorização de ao menos 342 deputados. Não há. (...) leia a íntegra na Folha.
*
É preciso parar os golpistas. Se não agora, quando? Estreando 2021 na
Morte com foice tradicional figura sombria ceifador preto-encapuçado em holofotes fundo escuro Vetor grátis
11
Jan21

Democratas apresentam pedido de impeachment contra Trump

Talis Andrade

Invasão do Capitólio

 

Pedido apresentado na Câmara acusa presidente de "incitar insurreição". Democratas tentam pressionar vice a destituir mandatário. Se condenado em processo de impeachment, Trump pode perder direito de concorrer em 2024.

 

DW - A menos de dez dias do fim do mandato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a oposição democrata na Câmara dos Representantes iniciou nesta segunda-feira (11/01) os trâmites para um histórico segundo processo de impeachment contra o republicano. O partido democrata apresentou formalmente uma acusação contra Trump por "incitação a uma insurreição", em referência à invasão do Capitólio na semana passada por apoiadores do presidente. A ação, estimulada pelo presidente, deixou cinco mortos. Cenas da turba, que incluía neonazistas e supremacistas brancos, tomando o prédio, vandalizando gabinetes e agredindo seguranças chocaram o país e a comunidade internacional.

A resolução contou com o apoio de 210 representantes - quase o número suficiente para abrir um processo de impeachment. Para que a acusação seja aprovada, é necessária uma maioria simples de 216 votos - e os democratas detêm 222 assentos. Se o pedido for aprovado na Câmara, Trump será o primeiro presidente americano a sofrer dois processos de impeachment.

A resolução afirma que, ao inflamar os seguidores, Trump "pôs em grave perigo a segurança dos Estados Unidos e suas instituições de governo". "[Trump] ameaçou a integridade do sistema democrático, interferiu na transição pacífica de poder e colocou em perigo uma parte do governo. Traiu assim a sua confiança como presidente, com os consequentes danos manifestos ao povo dos EUA", acrescenta o texto.

A expectativa é que a Casa vote a abertura do processo na próxima quarta-feira. No entanto, a votação ainda depende de outras movimentações. Antes de o pedido de impeachment ser apresentado, os democratas entregaram uma resolução para pedir que o vice-presidente Mike Pence invocasse a 25ª Emenda, um dispositivo constitucional que prevê que um presidente pode ser removido do cargo sob a justificativa de incapacidade. Mas a proposta acabou sendo barrada pelos republicanos. Na terça-feira, os democratas devem fazer mais uma tentativa. Se a iniciativa falhar ou Pence não aceitar invocar a 25ª Emenda, a oposição deve acelerar os trâmites do impeachment, colocando o pedido em votação na quarta-feira.

A aprovação no plenário da Câmara, obrigaria o Senado a iniciar um segundo julgamento contra Trump, na mesma linha do que foi realizado no ano passado. No entanto, o retorno das atividades do Senado está marcado apenas para 19 de janeiro, um dia antes da posse do presidente eleito, o democrata Joe Biden. É certo que um processo de impeachment contra Trump não seria concluído até a saída do republicano, mas uma condenação ainda poderia ter consequências para o presidente em final de mandato. Nos EUA, um processo de impeachment pode resultar tanto na perda de mandato quanto na proibição de que o réu volte a ocupar cargos federais, como a Presidência. Dessa forma, Trump pode perder o direito de voltar a disputar a Casa Branca em 2024. Ele ainda perderia privilégios de ex-presidente, como plano de saúde e segurança fornecida pelo Serviço Secreto.

No entanto, caso Pence mude de ideia e decida acionar a 25ª emenda, Trump ainda poderia contestar a decisão. A remoção permanente do presidente precisaria da aprovação da maioria de dois terços do Congresso, ou seja, 67 senadores e 290 membros da Câmara dos Representantes.

Aumento da pressão

Desde domingo, Trump vê aumentar a pressão por sua saída mesmo dentro do partido Republicano. Dois senadores do próprio partido de Trump já pediram a saída do presidente, assim como membros republicanos da Câmara dos Representantes.

Trump já foi alvo de um processo de impeachment em janeiro do ano passado, que chegou a ser aprovado na Câmara, mas rejeitado no Senado de maioria republicana.

À época, o presidente foi acusado de abuso de poder e obstrução do Congresso, no escândalo que envolveu a pressão excercida por Trump no governo da Ucrânia para que as autoridades do país europeu investigassem o democrata Joe Biden, então pré-candidato à presidência dos EUA.

Uma pesquisa de opinião divulgada neste domingo apontou que a maioria dos americanos quer que Trump deixe o cargo antes da posse de seu sucessor, em 20 de janeiro. Segundo o levantamento feito pela ABC News e o instituto Ipsos, 56% dos entrevistados disseram que o presidente deveria ser removido do posto antes do fim do mandato.

Um percentual ainda maior, 67%, enxerga Trump como responsável pela violência no Capitólio na última quarta-feira.

Em ato insuflado pelo presidente, que vinha se recusando a reconhecer sua derrota nas eleições, o prédio do Congresso foi invadido violentamente por apoiadores de Trump, interrompendo uma sessão do Congresso que visava certificar a vitória de Biden no pleito. A sessão, presidida pelo vice-presidente Mike Pence, foi mais tarde retomada e concluída ao longo da noite, com o anúncio do resultado final.

09
Jan21

Operação Alba Branca vira vermelha para Rodrigo Maia eleger o presidente da Câmara

Talis Andrade

Baleia Rossi assume presidência do MDB Nacional | O Defensor | O Portal de  Notícias de Taquaritinga e região

Baleia Rossi o candidato ideal das oposições, para o continuísmo de Rodrigo Maia, a perpetuação do MDB na presidência da Câmara dos Deputados, e o garantismo de Jair Bolsonaro do engavetamento de mais de 60 pedidos de impeachment. & outros mais durante os anos de 2021 e 2022. 

Bolsonaro ganha com Arhur Lira (que pede também os votos da oposição) e ganha com Baleia Rossi (que também pede os votos dos governistas).

Narra a Wikipédia sobre Baleia Rossi:

Foi eleito deputado federal em 2014. Votou a favor do Processo de impeachment de Dilma Rousseff.

Já durante o Governo Michel Temer, votou a favor da PEC do Teto dos Gastos PúblicosPor aclamação, foi escolhido líder da bancada do PMDB em maio de 2016. Em abril de 2017 foi favorável à Reforma Trabalhista.

 

Em agosto votou contra a abertura de processo em que se pedia abertura de investigação do então presidente Michel Temer, ajudando a arquivar a denúncia do Ministério Público Federal (MPF). Na sessão do dia 25 de outubro de 2017, o deputado, mais uma vez, votou contra o prosseguimento da investigação do então presidente Michel Temer, acusado pelos crimes de obstrução de Justiça e organização criminosa. O resultado da votação livrou o Michel Temer de uma investigação por parte do Supremo Tribunal Federal (STF).

A Operação Alba Branca foi contra uma organização criminosa instalada em 30 prefeituras paulistas e também na Secretaria da Educação do governo de São Paulo, envolvida no fornecimento de sucos e alimentos para escolas. O ex-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Fernando Capez (PSDB) foi denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro.

Em outubro de 2018, a pedido da Procuradoria Geral da República, o Supremo Tribunal Federal arquiva o caso citando Baleia Rossi. O procurador-geral afirmou "não haver provas". 

Em 2018, foi reeleito para seu segundo mandato como deputado federal, com mais de 214 mil votos.

Em 2019 foi eleito presidente nacional do MDB.

 

06
Jan21

Por incompetência, ABI pede impeachment de Pazuello

Talis Andrade

 

por Marcelo Auler

- - -

Diante das “repetidas demonstrações de incompetência, ineficiência e incapacidade para desempenhar as tarefas de seu cargo”, a Associação Brasileira de Imprensa – ABI, por meio de seu presidente, Paulo Jeronimo de Sousa, e de seu diretor administrativo/jurídico, Antero Luiz Martins Cunha, protocolou, na manhã desta quarta-feira (06/01), junto à presidência da Câmara dos Deputados, um pedido de impeachment do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello.

Na nota explicativa do pedido, o presidente da entidade destaca a incompetência do ministro que “não só não providenciou as imprescindíveis vacinas - quando cerca de 50 países já estão vacinando suas populações -, como negligenciou até mesmo a aquisição de simples seringas para aplicá-las”.

O pedido se respalda na Le 1079 de 1950. O texto aprovado pelo Congresso há 70 anos “define os crimes de responsabilidade” e, admite que são passíveis da pena de perda do cargo, “não só o presidente da República, mas também os ministros de Estado”. O pedido precisa ser admitido pelo presidente da Câmara dos Deputados, algo mais difícil de acontecer por Rodrigo Maia tem engavetado mais de 40 pedidos idênticos contra Jair Bolsonaro.

Paulo Jeronimo, o Pagê, admite que “ainda que seu superior hierárquico, o presidente da República, inegavelmente tenha enorme responsabilidade nos desmandos, o ministro não pode escudar-se nesse fato para se abster de tomar as providências básicas que a função requer”.

Ele ainda lembra o descumprimento da Constituição pelo ministro/general: “além de descumprir abertamente as recomendações das autoridades – tanto as nacionais, como as internacionais – o ministro viola o dever de eficiência disposto no artigo 37 da Constituição, atentando contra o direito social à Saúde”.

Diferentemente do que muita gente imagina, a legislação brasileira também prevê a hipótese de impeachment de ministros, e não apenas dos chefes de executivos.

Assim, a Lei 1079/50, em seu artigo 1º, define os crimes de responsabilidade e, em seu artigo 2º, estabelece que são passíveis da pena de perda do cargo – com inabilitação de até cinco anos para o exercício de qualquer função pública - não só o presidente da República, mas também os ministros de Estado.

Este dispositivo legal existe há mais de 70 anos e ganha no momento atualidade e importância quando o país tem à frente da área de Saúde alguém despreparado para a função, relapso e que comete seguidos crimes de responsabilidade.

O Brasil vive a maior crise sanitária de sua história. A quantidade de mortos chega à espantosa cifra de 200 mil. Quando passou a comandar as decisões relacionadas à pandemia, os dados estatísticos registravam 14.817 óbitos. 

O número de infectados também cresceu assustadoramente: 218.223 brasileiros tinham sido infectados com a Covid-19. Agora, o Brasil já conta com cerca de 7,8 milhões de infectados. Tais crescimentos, da ordem de 35,74 vezes, no caso dos infectados, e de 13,2 vezes, no caso das mortes, expressam a inépcia, a inação, a inaptidão do General-ministro à frente do Ministério da Saúde.

Enquanto isso, o ministro Eduardo Pazuello dá repetidas demonstrações de incompetência, ineficiência e incapacidade para desempenhar as tarefas de seu cargo. Não só não providenciou as imprescindíveis vacinas - quando cerca de 50 países já estão vacinando suas populações -, como negligenciou até mesmo a aquisição de simples seringas para aplicá-las.

Além de descumprir abertamente as recomendações das autoridades – tanto as nacionais, como as internacionais – o ministro viola o dever de eficiência disposto no artigo 37 da Constituição, atentando contra o direito social à Saúde. 

Ainda que seu superior hierárquico, o presidente da República, inegavelmente tenha enorme responsabilidade nos desmandos, o ministro não pode escudar-se nesse fato para se abster de tomar as providências básicas que a função requer.

É inaceitável a justificativa apresentada por Pazuello para não cumprir obrigações básicas. Ao declarar que “manda quem pode e obedece quem tem juízo”, o ministro lava as mãos e abdica de suas obrigações como ministro.

Por isso, é imprescindível a aprovação de seu impeachment e o seu afastamento. 

Paulo Jeronimo – Presidente da Associação Brasileira de Imprensa

 

 

30
Dez20

Acordo podre e cretinismo parlamentar

Talis Andrade

ano novo 2021.jpg

 

 

Políticos de direita, como Maia e Baleia, mentem com grande cinismo: são profissionais hábeis na enganação

 

por ANTÔNIO AUGUSTO /Opera Mundi

Partidos de esquerda como o PT e o PCdoB atolam-se cada vez mais no “Bloco do Maia” na eleição para a presidência da Câmara e, em reunião nesta segunda-feira, praticamente garantiram apoio ao golpista Baleia Rossi (MDB-SP), indicado por Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Baleia foi golpista de carteirinha no “impeachment” da presidenta Dilma e é homem de confiança de Michel Temer.

Políticos de direita, como Maia e Baleia, mentem com grande cinismo.  

As articulações para submeter a esquerda à direita e democratas a golpistas na eleição da Câmara tomaram corpo na sexta-feira (18/12), com o manifesto mentiroso dos 11 partidos (DEM, PSDB, MDB, PSL – o 17 de Bolsonaro na eleição -, etc), incluída a adesão de PT e PCdoB, do PSB e PDT.

Neste manifesto se diz que “alguns buscam corroer e fechar nossas instituições, nós aqui lutamos para valorizá-las. Enquanto uns cultivam o sonho torpe do autoritarismo, nós fazemos a vigília da liberdade”.  

São “belas e altissonantes palavras”. Só têm um “probleminha”: são falsas de A a Z.

“Valorizar as instituições”, “fazer a vigília da liberdade” para golpistas como Maia, Baleia, Temer, deputados como Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) (presente na articulação) são palavras bonitas para definir, segundo eles, crimes reais contra a liberdade como o golpe de 2016 que afastou a presidenta Dilma Rousseff.

São profissionais hábeis na enganação.

Para eles, não é combater “o sonho torpe do autoritarismo” levar adiante nenhum processo de “impeachment” contra Bolsonaro. E não faltam motivos: desde a apologia diária da tortura pelo extremista no Planalto ao descaso na epidemia que já aproxima o número de brasileiros mortos a 200 mil.

Os “heróis” deste “manifesto” chamam golpismo de “união da democracia com a liberdade”.

Qual “democracia”, quando Bolsonaro desrespeita diariamente a Constituição e põe instituições como o Ministério da Justiça e a Polícia Federal a serviço da impunidade da própria família? Nada sobre os mandantes do assassinato de Marielle Franco.

Qual democracia, quando aumenta a espionagem contra cidadãos brasileiros de oposição, fortalecem-se mecanismos de polícia política, sem nenhuma resposta da gestão Maia na Câmara?

Qual “liberdade”, quando a supressão do auxílio-emergencial joga na iminência da mais negra miséria dezenas de milhões de nossos irmãos?

Dizem que são contra os “devotos de fake news”, mas os partidos de direita do bloco do Maia não perdem oportunidade de assegurar a “culpabilidade” de Lula, motivo segundo eles para impedir definitivamente a recuperação dos plenos direitos políticos do ex-presidente.

Com “democratas” assim estamos arrumados. Estranho é que partidos da oposição popular, como o PT e o PCdoB, tenham compactuado e dado um cheque em branco para tal mistificação contra o povo.  Já seria estranho que partidos de “oposição”, como PSB e PDT,  de “esquerda" (?), assinassem tal manifesto, quanto mais partidos de base mais popular como PT e PCdoB.

Acordo podre

Tudo em nome de um acordo completamente podre que avançou ainda mais nesta segunda-feira (28/12), quando PT e também PCdoB, PSB e PDT (bem menos oposicionistas), assinaram nota conjunta comprometendo-se ainda mais em apoiar o golpista Baleia Rossi e praticamente descartaram lançamento de candidatura própria da oposição a Bolsonaro.

Acordo podre em nome do mero funcionamento da Câmara dentro de normas regimentais.

Não se esqueçam, senhores oportunistas, os golpistas têm maioria lá e não fizeram outra coisa desde a preparação do golpe de 2016 até hoje do que passar o trator contra democratas. Voltarão a fazê-lo.

E o que se cede, em troca de ganhos meramente no âmbito do cretinismo parlamentar, sem nenhuma política de mobilização do povo por suas reivindicações?

Diz a nota, fértil em “belas palavras” abstratas, omissa e capitulacionista nas indispensáveis medidas concretas: “Nós, dos partidos de oposição, temos a responsabilidade de combater, dentro e fora do Parlamento, as políticas antidemocráticas, neoliberais, de desmonte do Estado e da economia brasileira, e de lutar para que nosso povo possa ter resguardados seus direitos à vida, à saúde, ao emprego e renda, à alimentação acessível, à educação, entre outros direitos essenciais”.

O "fora do Parlamento" entra aí só para escamotear o exclusivismo cretinismo parlamentar, totalmente só dentro do Parlamento.

Como assim? Se não se propõe nenhuma luta contra o genocida “teto de gastos” sociais (teto só contra o povo, porque não há limite para dar dinheiro a banqueiros)? Como assim, medidas em defesa da Economia e do Estado brasileiro, se não se aponta ao povo a destruição privatista em curso da Petrobras, a entrega do Pré-Sal? "Teto de gastos" ligado indissoluvelmente ao golpe de Estado de 2016.

Como assim, “direito ao emprego e renda”, se se considera fatos consumados e irreversíveis à “legalidade” golpista que propiciou "o teto de gastos", a liquidação de direitos trabalhistas?

É isso que é a “união da liberdade com a democracia”? Com Maia, com o Baleia do Temer, com golpe, com tudo, com não reação ao achincalhe diário de Bolsonaro pela destruição da democracia? Com a viabilização cotidiana do programa de destruição econômica  neoliberal de toda a direita, de Guedes e Bolsonaro, de Maia e da Globo? 

2020.jpg

 

29
Dez20

Entrevista de Rodrigo Maia visa humilhar o PT, diz Breno Altman

Talis Andrade

dilma-lula-haddad-.jpg

 

247 - Jornalista e editor do site Opera Mundi, Breno Altman analisou pelo Twitter nesta terça-feira (29) a entrevista do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, à Folha de S. Paulo publicada na noite de segunda-feira (28).

Além de afirmar que a aliança na Câmara contra o candidato bolsonarista a presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), é um "ensaio" para uma união de centro-direita em 2022, Maia deixou claro, segundo Altman, que seu inimigo real não é Bolsonaro, e sim o PT.

Para o jornalista, o PT ainda tem tempo para abandonar a aliança com o grupo de Maia/ Temer (a chapa encabeçada por Baleia Rossi) no Congresso.

A entrevista de Rodrigo Maia na Folha de S.Paulo reflete sua estratégia de subordinar a esquerda à oposição de direita. Diz que não haverá nenhum acordo sobre pauta, reafirma a agenda neoliberal e coloca a centro-direita como 'vanguarda' de um bloco contra Bolsonaro. E tudo bem? Há setores da esquerda, felizmente minoritários no PT, que se rejubilam com uma tal 'frente ampla' na qual as cartas são dadas por Doria e Maia. Acham o máximo de suas vidas serem convidados a entrar pela porta dos fundos nessa festa organizada pela oposição de direita. Ainda há tempo para o PT pular desse barco furado, o bloco do Maia. A entrevista do presidente da Câmara na Folha não deixa dúvidas: além de querer humilhar o principal partido de esquerda, seu jogo é colocar o campo progressista como linha auxiliar da oposição de direita. A oposição de direita luta pela presidência da Câmara com os olhos em 2022. Não tem a ver com retirar Bolsonaro ou aceitar uma agenda menos conservadora. Quer controlar o parlamento para fazer da corrida presidencial uma disputa entre as duas alas do campo conservador. Quando Maia afirma que a disputa da presidência da Câmara é 'ensaio para a eleição presidencial de 2022', fica claro que seu real inimigo não é Bolsonaro, mas o PT e o conjunto da esquerda. Tudo o que deseja é tirar o campo progressista do palco principal da luta pelo poder"

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub