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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

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O CORRESPONDENTE

06
Out20

Papa Francisco critica neoliberalismo e populismo em seu documento mais político

Talis Andrade

O papa Francisco durante o Angelus deste domingo no Vaticano.

 

Pontífice publica sua terceira encíclica, ‘Todos Irmãos’, uma análise sobre a crise do mundo atual em plena pandemia, de uma perspectiva radicalmente social: “O mercado sozinho não resolve tudo”

No primeiro de oito capítulos, intitulado "As sombras dum mundo fechado", o documento debruça-se sobre as muitas distorções da época contemporânea: a manipulação e a deformação de conceitos como democracia, liberdade, justiça; o egoísmo e a falta de interesse pelo bem comum; a prevalência de uma lógica de mercado baseada no lucro e na cultura do descarte; o desemprego, o racismo, a pobreza; a desigualdade de direitos e as suas aberrações como a escravatura, o tráfico de pessoas, as mulheres subjugadas e depois forçadas a abortar, o tráfico de órgãos (10-24). Estes são problemas globais que requerem ações globais, sublinha o Papa, apontando o dedo também contra uma "cultura de muros" que favorece a proliferação de máfias, alimentadas pelo medo e pela solidão (27-28).

A muitas sombras, porém, a Encíclica responde com um exemplo luminoso, o do bom samaritano, a quem é dedicado o segundo capítulo, "Um estranho no caminho". Nele, o Papa assinala que, numa sociedade doente que vira as costas à dor e é "analfabeta" no cuidado dos mais frágeis e vulneráveis (64-65), somos todos chamados a estar próximos uns dos outros (81), superando preconceitos e interesses pessoais. De fato, todos nós somos corresponsáveis na construção de uma sociedade que saiba incluir, integrar e levantar aqueles que sofrem (77). O amor constrói pontes e nós "somos feitos para o amor" (88), acrescenta o Papa, exortando em particular os cristãos a reconhecerem Cristo no rosto de cada pessoa excluída (85). O princípio da capacidade de amar segundo "uma dimensão universal" (83) é também retomado no terceiro capítulo, "Pensar e gerar um mundo aberto": nele, Francisco exorta cada um de nós a "sair de si mesmo" para encontrar nos outros "um acrescentamento de ser" (88), abrindo-nos ao próximo segundo o dinamismo da caridade que nos faz tender para a "comunhão universal" (95). Afinal – recorda a Encíclica - a estatura espiritual da vida humana é medida pelo amor que nos leva a procurar o melhor para a vida do outro (92-93). O sentido da solidariedade e da fraternidade nasce nas famílias que devem ser protegidas e respeitadas na sua "missão educativa primária e imprescindível" (114).

O Papa se inspirou, em parte, nas desigualdades e falhas do sistema que o período atual ressaltou, explica ele em uma introdução pessoal. “Além das respostas diferentes dadas pelos distintos países, ficou evidente a incapacidade de agir em conjunto. Apesar de estarmos hiperconectados, houve uma fragmentação que tornou mais difícil resolver os problemas que afetam todos nós. […] O mundo avançava implacavelmente para uma economia que, utilizando os avanços tecnológicos, procurava reduzir os ‘custos humanos’, e alguns pretendiam nos fazer acreditar que bastava a liberdade de mercado para que tudo estivesse garantido. Mas o golpe duro e inesperado desta pandemia fora de controle obrigou, à força, a voltar a pensar nos seres humanos, em todos, mais do que no benefício de alguns”, assinala.

O neoliberalismo e as formas de capitalismo menos compassivas voltam a ser alvo de críticas abertas na proposta política detalhada pelo Papa. Assim como a falta de aprendizagem depois da última crise econômica, quando “as atividades financeiras especulativas e da riqueza fictícia” não foram reguladas. “O mercado sozinho não resolve tudo, embora mais uma vez queiram nos fazer acreditar nesse dogma de fé neoliberal. É um pensamento pobre, repetitivo, que propõe sempre as mesmas receitas diante de qualquer desafio que surja”, afirma. “Existem regras econômicas que foram eficazes para o crescimento, mas não para o desenvolvimento humano integral”, insiste Francisco no texto.

crítica ao sistema econômico atual, que produz “escravos” e “descartes”, é clara, mas sua articulação fica menos nítida quando insiste na crítica à globalização atual ou aborda questões como nacionalismo e populismo. Principalmente um certo tipo de populismo (críticos de Francisco o consideram um dos principais representantes dessa corrente). “Nos últimos anos, a expressão ‘populismo’ ou ‘populista’ invadiu os meios de comunicação e a linguagem em geral. Assim, perde o valor que poderia conter e se transforma em uma das polaridades da sociedade dividida. […] A pretensão de instalar o populismo como chave de leitura da realidade social tem outra fragilidade: ignora a legitimidade da noção de povo.” Esta é uma palavra que o Papa usa de forma recorrente, inclusive para se referir à comunidade de fiéis: “O povo de Deus”.

Francisco considera que a vertente negativa dessa corrente política brota paralelamente aos nacionalismos e soberanismos que percorrem o mundo. Esse nacionalismo que fecha os povos em si mesmos e lembra tempos sombrios. “A história dá sinais de estar retrocedendo. Acendem-se conflitos anacrônicos que eram considerados superados, ressurgem nacionalismos fechados, exasperados, ressentidos e agressivos. Em vários países, uma ideia de unidade do povo e da nação, permeada por diversas ideologias, cria novas formas de egoísmo e de perda do sentido social, mascaradas sob uma suposta defesa dos interesses nacionais.”

A solução, acredita Francisco, também não passa pelo atual sistema de globalização. O Papa faz alusão à expressão “abrir-se para o mundo”, que segundo ele foi sequestrada pela economia e pelas finanças. “Refere-se exclusivamente à abertura para os interesses estrangeiros ou à liberdade das potências econômicas de investir sem obstáculos nem complicações em todos os países. Os conflitos locais e o desinteresse pelo bem comum são instrumentalizados pela economia global para impor um modelo cultural único. Essa cultura unifica o mundo, mas divide as pessoas e as nações”. Uma divisão da qual grandes empresas e nações tiram proveito para negociar individualmente com os países e ter mais força, assinala o texto, em uma referência que aponta potências como os Estados Unidos e suas tentativas por dividir a União Europeia nos últimos anos.

A encíclica aponta até mesmo para os velhos fantasmas políticos do socialismo, como a propriedade privada, que o Papa considera um direito “natural secundário e derivado do princípio do destino universal dos bens criados, que frequentemente [...] se sobrepõe ao que é prioritário”. “Nesta linha, lembro que a tradição cristã nunca reconheceu como absoluto ou intocável o direito à propriedade privada e enfatizou a função social de qualquer forma de propriedade privada. O princípio do uso comum dos bens criados para todos é o primeiro princípio de todo o ordenamento ético-social, é um direito natural, originário e prioritário. Todos os outros direitos sobre os bens necessários para a realização integral das pessoas, incluindo o de propriedade privada e qualquer outro, não devem atrapalhar sua realização, pelo contrário, devem facilitá-la, como afirmava São Paulo VI".

04
Out20

Papa Francisco critica neoliberalismo e populismo em seu documento mais político

Talis Andrade

O papa Francisco durante o Angelus deste domingo no Vaticano.

 

Pontífice publica sua terceira encíclica, ‘Todos Irmãos’, uma análise sobre a crise do mundo atual em plena pandemia, de uma perspectiva radicalmente social: “O mercado sozinho não resolve tudo”

No primeiro de oito capítulos, intitulado "As sombras dum mundo fechado", o documento debruça-se sobre as muitas distorções da época contemporânea: a manipulação e a deformação de conceitos como democracia, liberdade, justiça; o egoísmo e a falta de interesse pelo bem comum; a prevalência de uma lógica de mercado baseada no lucro e na cultura do descarte; o desemprego, o racismo, a pobreza; a desigualdade de direitos e as suas aberrações como a escravatura, o tráfico de pessoas, as mulheres subjugadas e depois forçadas a abortar, o tráfico de órgãos (10-24). Estes são problemas globais que requerem ações globais, sublinha o Papa, apontando o dedo também contra uma "cultura de muros" que favorece a proliferação de máfias, alimentadas pelo medo e pela solidão (27-28).

A muitas sombras, porém, a Encíclica responde com um exemplo luminoso, o do bom samaritano, a quem é dedicado o segundo capítulo, "Um estranho no caminho". Nele, o Papa assinala que, numa sociedade doente que vira as costas à dor e é "analfabeta" no cuidado dos mais frágeis e vulneráveis (64-65), somos todos chamados a estar próximos uns dos outros (81), superando preconceitos e interesses pessoais. De fato, todos nós somos corresponsáveis na construção de uma sociedade que saiba incluir, integrar e levantar aqueles que sofrem (77). O amor constrói pontes e nós "somos feitos para o amor" (88), acrescenta o Papa, exortando em particular os cristãos a reconhecerem Cristo no rosto de cada pessoa excluída (85). O princípio da capacidade de amar segundo "uma dimensão universal" (83) é também retomado no terceiro capítulo, "Pensar e gerar um mundo aberto": nele, Francisco exorta cada um de nós a "sair de si mesmo" para encontrar nos outros "um acrescentamento de ser" (88), abrindo-nos ao próximo segundo o dinamismo da caridade que nos faz tender para a "comunhão universal" (95). Afinal – recorda a Encíclica - a estatura espiritual da vida humana é medida pelo amor que nos leva a procurar o melhor para a vida do outro (92-93). O sentido da solidariedade e da fraternidade nasce nas famílias que devem ser protegidas e respeitadas na sua "missão educativa primária e imprescindível" (114).

O Papa se inspirou, em parte, nas desigualdades e falhas do sistema que o período atual ressaltou, explica ele em uma introdução pessoal. “Além das respostas diferentes dadas pelos distintos países, ficou evidente a incapacidade de agir em conjunto. Apesar de estarmos hiperconectados, houve uma fragmentação que tornou mais difícil resolver os problemas que afetam todos nós. […] O mundo avançava implacavelmente para uma economia que, utilizando os avanços tecnológicos, procurava reduzir os ‘custos humanos’, e alguns pretendiam nos fazer acreditar que bastava a liberdade de mercado para que tudo estivesse garantido. Mas o golpe duro e inesperado desta pandemia fora de controle obrigou, à força, a voltar a pensar nos seres humanos, em todos, mais do que no benefício de alguns”, assinala.

O neoliberalismo e as formas de capitalismo menos compassivas voltam a ser alvo de críticas abertas na proposta política detalhada pelo Papa. Assim como a falta de aprendizagem depois da última crise econômica, quando “as atividades financeiras especulativas e da riqueza fictícia” não foram reguladas. “O mercado sozinho não resolve tudo, embora mais uma vez queiram nos fazer acreditar nesse dogma de fé neoliberal. É um pensamento pobre, repetitivo, que propõe sempre as mesmas receitas diante de qualquer desafio que surja”, afirma. “Existem regras econômicas que foram eficazes para o crescimento, mas não para o desenvolvimento humano integral”, insiste Francisco no texto.

crítica ao sistema econômico atual, que produz “escravos” e “descartes”, é clara, mas sua articulação fica menos nítida quando insiste na crítica à globalização atual ou aborda questões como nacionalismo e populismo. Principalmente um certo tipo de populismo (críticos de Francisco o consideram um dos principais representantes dessa corrente). “Nos últimos anos, a expressão ‘populismo’ ou ‘populista’ invadiu os meios de comunicação e a linguagem em geral. Assim, perde o valor que poderia conter e se transforma em uma das polaridades da sociedade dividida. […] A pretensão de instalar o populismo como chave de leitura da realidade social tem outra fragilidade: ignora a legitimidade da noção de povo.” Esta é uma palavra que o Papa usa de forma recorrente, inclusive para se referir à comunidade de fiéis: “O povo de Deus”.

Francisco considera que a vertente negativa dessa corrente política brota paralelamente aos nacionalismos e soberanismos que percorrem o mundo. Esse nacionalismo que fecha os povos em si mesmos e lembra tempos sombrios. “A história dá sinais de estar retrocedendo. Acendem-se conflitos anacrônicos que eram considerados superados, ressurgem nacionalismos fechados, exasperados, ressentidos e agressivos. Em vários países, uma ideia de unidade do povo e da nação, permeada por diversas ideologias, cria novas formas de egoísmo e de perda do sentido social, mascaradas sob uma suposta defesa dos interesses nacionais.”

A solução, acredita Francisco, também não passa pelo atual sistema de globalização. O Papa faz alusão à expressão “abrir-se para o mundo”, que segundo ele foi sequestrada pela economia e pelas finanças. “Refere-se exclusivamente à abertura para os interesses estrangeiros ou à liberdade das potências econômicas de investir sem obstáculos nem complicações em todos os países. Os conflitos locais e o desinteresse pelo bem comum são instrumentalizados pela economia global para impor um modelo cultural único. Essa cultura unifica o mundo, mas divide as pessoas e as nações”. Uma divisão da qual grandes empresas e nações tiram proveito para negociar individualmente com os países e ter mais força, assinala o texto, em uma referência que aponta potências como os Estados Unidos e suas tentativas por dividir a União Europeia nos últimos anos.

A encíclica aponta até mesmo para os velhos fantasmas políticos do socialismo, como a propriedade privada, que o Papa considera um direito “natural secundário e derivado do princípio do destino universal dos bens criados, que frequentemente [...] se sobrepõe ao que é prioritário”. “Nesta linha, lembro que a tradição cristã nunca reconheceu como absoluto ou intocável o direito à propriedade privada e enfatizou a função social de qualquer forma de propriedade privada. O princípio do uso comum dos bens criados para todos é o primeiro princípio de todo o ordenamento ético-social, é um direito natural, originário e prioritário. Todos os outros direitos sobre os bens necessários para a realização integral das pessoas, incluindo o de propriedade privada e qualquer outro, não devem atrapalhar sua realização, pelo contrário, devem facilitá-la, como afirmava São Paulo VI".

04
Out20

A batalha pela Bíblia

Talis Andrade

trump santo.jpg

 

 

Teóloga americana analisa como movimento reacionário faz leitura deturpada do cristianismo para justificar retrocessos e aponta urgência em devolver à Bíblia seu caráter emancipador

 

Por Liz Theoharis

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Em 26 de agosto, durante a Convenção Nacional Republicana, o vice-presidente Mike Pence encerrou seu discurso parafraseando a Bíblia. Diante de uma multidão reunida na área externa do Forte McHenry, em Baltimore, ele exclamou: “Olhemos para a Old Glory e tudo o que ela representa. Olhemos para nesta terra de heróis e deixar que sua coragem nos inspire”. Basicamente, ele reescreveu uma passagem do livro de Hebreus do Novo Testamento: “Corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. Ele, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz”.

Não há nada de novo, é claro, no fato de um político americano juntar religião e política em sua campanha. Ainda assim, a decisão de Pence de substituir Jesus pela bandeira americana causou surpresa em algumas tendências religiosas e políticas. A fusão da bandeira com Cristo foi o sinal mais recente da crescente influência do nacionalismo cristão na era Trump.

Não é difícil encontrar provas de quão profundamente o nacionalismo cristão influencia nossa política. Durante a pandemia, a Bíblia foi usada (e distorcida) repetidamente para justificar o negacionismo em relação ao Covid-19 e a inação do governo, para não falar da repressão pura e simples. No fim de março, quando as cidades estavam confinadas e as autoridades de saúde pública recomendavam medidas rigorosas de quarentena, um dos primeiros atos de Donald Trump foi reunir seus seguidores na Casa Branca para o "Dia Nacional de Oração" para dar força aos americanos para seguir em frente apesar da morte e das dificuldades.

Em seguida, ainda na primavera, protestos contra os fechamentos causados pela pandemia – financiados com dinheiro obscuro de organizações como a dos irmãos Koch – exigiram que os estados reabrissem as atividades econômicas e que as diretrizes de distanciamento social fossem afrouxadas. (Esqueça qualquer tipo de máscara). Nestas manifestações, cartazes diziam coisas como: "Até o Faraó libertou escravos durante uma peste" e "O Texas não carregará a marca da besta." E mesmo com as comunidades religiosas admiravelmente se virando para se adaptar aos cultos por zoom, bem como aos cuidados pastorais e velórios remotos, Trump continuou a atiçar as chamas da discórdia religiosa, declarando que o culto presencial era "essencial", levando juristas a questionar sua autoridade para dar tal declaração.

Por falar em sua versão do nacionalismo cristão, ninguém deve esquecer o espetáculo de junho, na Lafayette Square, perto da Casa Branca, quando Trump fez com que manifestantes por justiça racial fossem afastados com gás lacrimogêneo para que ele pudesse caminhar até a Igreja St. John e posar em seus degraus, exibindo orgulhosamente uma Bíblia emprestada. Embora tenha exibido o livro aos fotógrafos, ninguém apostaria que Trump o tenha sequer folheado. (A operação de comunicação pode ser duplamente lucrativa: uma Bíblia que ele assinou após o evento da Lafayette Square está à venda por quase 40 mil dólares).

A batalha pela Bíblia na história americana

Para entender como o poder é exercido na América por políticos ricos e seus círculos de extremistas em 2020, é preciso levar em conta o papel da religião na vida nacional. Uma batalha épica pela Bíblia está em curso em um país que foi, em larga medida, entregue a evangélicos brancos nacionalistas. Por meio de uma rede endinheirada de igrejas e organizações, universidades e think tanks, e com linhas diretas para os mais altos cargos políticos do país, obtiveram carta branca para definir os termos do que deve ser o debate religioso no país e ditar até o significado de moralidade em nossa sociedade.

Com Trump, esse nacionalismo religioso atingiu o auge quando um movimento reacionário – que inclui tecnocratas bilionários, televangelistas e milícias armadas – fincou raízes através de uma mensagem bem simples: Deus ama a América cristã branca, favorece o estado mínimo e as grandes empresas e recompensa o individualismo e empreendedorismo. Enquanto isso, os pobres, os negros e os imigrantes são os culpados pelos problemas da sociedade, mesmo no momento em que os ricos ficam ainda mais ricos naquele que ainda é o país mais rico da história.

Os perigos representados pelos nacionalistas cristãos de hoje são bem reais, mas a batalha pela Bíblia não é nova nos EUA. Nos anos 1700 e 1800, proprietários de escravizados citavam o livro de Filemon e passagens das epístolas de São Paulo para defender que a escravidão era uma ordem de Deus. Eles também arrancavam as páginas do Êxodo das bíblias que davam aos escravizados. Durante a Era dourada do século 19, tanto igrejas quanto políticos pregavam um “evangelho da prosperidade” que exaltava as virtudes do capitalismo industrial.

Décadas mais tarde, os segregacionistas continuaram a usar versos bíblicos soltos para legitimar as práticas de Jim Crow, enquanto no fim dos anos 1970 a Maioria Moral ajudou a integrar uma nova geração de extremistas cristãos na política nacional. Em minha juventude, lembro-me de políticos citando as cartas aos Tessalonicenses na campanha pela aprovação da Reforma do Estado de Bem-Estar Social de 1996 como prova de que Deus acredita que se deve procurar um trabalho para ter acesso aos programas de assistência pública.

Estudantes de religião e história sabem que, embora essas batalhas teológicas tenham muitas vezes descambado desastrosamente para o uso de violência, privação e ódio, o pensamento religioso cristão também tem sido um ingrediente importante para a mudança social positiva no país. A escravizada fugitiva Harriet “Moses” Tubman via a Underground Railroad como um projeto cristão de libertação, enquanto o escravizado fugitivo Frederick Douglass lutou pela abolição através de igrejas em todo o norte do país nos anos que precederam a Guerra Civil. Um século depois, perto do fim de sua vida, Martin Luther King Jr explicou como, para realizar seu sonho de justiça universal, seria construída uma comunidade de Deus por meio de uma "igreja da liberdade dos pobres".

Em cada capítulo da história americana, abolicionistas, trabalhadores, líderes sindicais, militantes de direitos civis e outros representantes dos oprimidos lutaram por um país melhor não apenas nas ruas e locais de trabalho, mas também no púlpito. Nos destroços do atual momento trumpiano, com um ascendente nacionalismo branco fascista, as pessoas de consciência fariam bem em seguir o exemplo.

O “pássaro psicológico” da má religião

No meu livro Always with Us? What Jesus Really Said About the Poor (Sempre conosco? O que Jesus realmente disse sobre os pobres, sem tradução no Brasil), concentro-me em um fenômeno que há muito me preocupa: como, neste país, a Bíblia tem sido tantas vezes manipulada para apagar seu potencial de emancipação; e particularmente, a maneira como aquela que o teólogo Jim Wallis chamou de a mais famosa passagem bíblica sobre os pobres (do Evangelho de Mateus) – “os pobres estarão sempre conosco” – foi distorcida.

Desde que eu era menina, não passei uma semana sem ouvir alguém citar Mateus como uma explicação de por que a pobreza é eterna e sua mitigação é função, na melhor das hipóteses, de obras de caridade e da filantropia (certamente não do governo). Este raciocínio atravessa muitas de nossas instituições religiosas, inclusive o que é hoje conhecido como "cristianismo evangélico", mas também nossas casas legislativas, nossos tribunais, forças armadas, escolas e muito mais. Esta lógica não apenas fez a cabeça de jovens cristãos, mas ajudou a espiritualizar (e cristalizar) a pobreza, justificando implícita ou explicitamente uma desigualdade cada vez maior.

Hoje, a ideia de que a pobreza é o resultado de mau comportamento, preguiça ou pecado, e não de decisões dos poderosos, nitidamente ganha espaço na Washington de Donald Trump e Mitch McConnell. Passagens bíblicas, como a de Mateus, se tornaram mais uma ferramenta ideológica brandida por reacionários e pelos ricos para desviar a atenção das falhas sistêmicas do país.

Consideremos, por exemplo, o desenvolvimento histórico da região conhecida como o "Cinturão da Bíblia" (ou o "Cinturão da Pobreza"). Ele atravessa todo o Sul, da Carolina do Norte ao Mississippi, do Tennessee ao Alabama, onde vivem pessoas pobres de todas as raças. Trata-se da região americana onde a pobreza é mais profunda e numa área contígua, fenômeno em parte possibilitado por uma teologia herética, pela má interpretação bíblica e pelo nacionalismo cristão.

A convergência de pobreza e religião no Cinturão da Bíblia tem uma longa história, que remonta aos primeiros colonos no tempo da escravidão. Manteve-se no tempo das leis de Jim Crow, que vigeu na região até os anos dos Direitos Civis, e sobrevive no que se passou a chamar, na política, de “Sul sólido” (antes democrata, hoje republicano). Dentro de seus limites sobrevive um legado brutal do método de dividir para conquistar que, até hoje, politiza a Bíblia ao afirmar que a pobreza resulta de pecados contra Deus e ensina aos pobres, em particular aos brancos, que, embora tenham pouco ou nada, pelo menos estão “melhor” do que os negros.

No fim da marcha sangrenta entre Selma e Montgomery, no Alabama, em 1965, Martin Luther King explicou a política milenar de divisão na região:

“Se pode-se dizer, sobre o período de escravidão, que o branco conquistou o mundo e ofereceu Jesus ao negro, deve-se dizer, sobre o período da Reconstrução, que a aristocracia sulista conquistou o mundo e ofereceu Jim Crow ao branco pobre... E quando o seu estômago vazio gritava pela comida que os seus bolsos vazios não podiam pagar, devorou Jim Crow, um pássaro psicológico que lhe contava que, na pior das circunstâncias, ao menos tinha a sorte de ser branco, e não negro. E, assim, ela devorou Jim Crow... E também os seus filhos aprenderam a se alimentar de Jim Crow, o estágio mais avançado do esquecimento psicológico”.

Esse “pássaro psicológico” foi temperado e cozido em uma mistura volátil de pseudociência racista, ortodoxia econômica e má religião. Na verdade, manteve seu enorme poder em grande parte usando a Bíblia e uma versão do cristianismo para validar a pilhagem e o sofrimento humano em uma escala impressionante. Pela lei, Jim Crow pode não existir mais, mas sua história assombra os EUA até hoje, e a Bíblia continua a ser usada como arma para validar um poder político branco, racista e antipobre.

À medida que empregos e oportunidades desaparecem nos EUA do século 21 e as igrejas estão, em muitas comunidades, entre as últimas instituições verdadeiramente funcionais, a Bíblia, independentemente de sua interpretação, ainda influencia a vida cotidiana de milhões de pessoas. A forma como ela é compreendida e pregada afeta os rumos políticos e morais do país. Lembremos que esses estados do Cinturão da Bíblia – onde o nacionalismo cristão (que muitas vezes se utiliza de sua própria versão distorcida da Bíblia) reina supremo – respondem por mais de 193 votos do colégio eleitoral e terão, portanto, um papel fundamental para decidir o destino de Donald Trump e Mike Pence em novembro.

Tive uma experiência com essa interpretação bíblica e teológica e seu papel crescente em nossa política nacional em junho de 2019, durante uma audiência do Comitê de Orçamento da Câmara dos Representantes. O tema era a pobreza nos EUA e as realidades econômicas de famílias em dificuldades. Um grupo racial e geograficamente diverso de líderes da Poor People’s Campaign (Campanha dos Pobres), da qual sou codiretora, foi convidado a falar sobre essas realidades. Naquele dia estavam também presentes dois pastores negros convidados por congressistas republicanos como exemplos de como a fé e o trabalho árduo são a única receita para uma vida boa e estável para os pobres.

Viemos apresentar o que chamamos de Orçamento Moral dos Pobres, um estudo que mostra que os Estados Unidos têm dinheiro para acabar com a pobreza, a fome, a falta de moradia e muito mais, o que falta é vontade política para isso. Em resposta, os membros do comitê recorreram a estereótipos batidos sobre por que, em um país tão rico, tantos somos pobres. Alguns citaram o suposto fracasso da Guerra contra a Pobreza dos anos 1960 como prova de que os programas de ascensão social simplesmente não funcionam, ignorando a forma dramática como os políticos minaram essas iniciativas nos anos seguintes. Assim como os pastores, outros testemunharam como foram bem-sucedidos, saindo de situações de dificuldade econômica através de esforço individual, defendendo que a caridade cristã como forma de aliviar a pobreza. Ouvi a todos enquanto promoviam uma teologia herética que afirma que as pessoas sofrem com a pobreza principalmente por estarem afastadas de Deus e por não terem suficiente fé em Jesus.

Naquele dia, as paredes da sala do comitê da Câmara ecoaram palavras vazias que distorciam o que a Bíblia realmente diz sobre os pobres. Um representante republicano chegou a comentar que, embora tivesse familiaridade com a Bíblia, nunca havia encontrado nenhuma passagem “onde Jesus diga a César para cuidar dos pobres”. Outro, previsivelmente, sugeriu que a caridade cristã – e não os programas patrocinados pelo governo – é a chave para aliviar a pobreza.

Alguém menos familiarizado com os argumentos destes políticos poderia ter ficado surpreso ao ouvi-los buscando justificativas teológicas. Como estudiosa da Bíblia e da história dos movimentos sociais, sei bem como os textos religiosos nos orientam a cuidar dos pobres e despossuídos. Como líder sindical, aprendi que aqueles que estão no poder hoje, sempre – e muitas vezes desesperadamente – procuram corromper e distorcer o potencial de libertação de nossas tradições religiosas.

Em resposta àquele deputado, o reverendo William Barber, meu codiretor na Campanha dos Pobres, e eu mostramos o quão interessante era o fato de ele se identificar com César (não necessariamente a comparação mais lisonjeira que se possa imaginar, especialmente porque o cristianismo bíblico diverge de César e do Império Romano). Em seguida, detalhei muitas das passagens e mandamentos da Bíblia que nos exortam a organizar a sociedade em torno das necessidades dos pobres, a perdoar dívidas, pagar aos trabalhadores um salário digno, em vez de favorecer os ricos ou "César". Essa, está claro, é a fórmula da era Trump (onde, nos últimos seis meses pandêmicos, os 643 americanos mais ricos ganharam 845 bilhões de dólares extras, aumentando em 29% sua riqueza combinada). Também apontei que os programas de redução da pobreza mais eficazes, como o Head Start, são financiados pelo governo federal, não por entidades filantrópicas ou pela caridade cristã.

Boas novas dos pobres

Na Campanha dos Pobres, muitas vezes começamos nossas reuniões de organização mostrando uma série de mapas do país com códigos de cores. O primeiro inclui os estados que aprovaram leis de supressão de eleitores desde 2013; o próximo, aqueles com as maiores taxas de pobreza; em seguida, aqueles que não expandiram o Medicaid e aprovaram leis anti-LGBTQ. E por aí vai. Nosso último mapa exibe os estados com maior densidade de evangélicos autodeclarados.

Tenho certeza de que você não se surpreenderá ao saber que esses mapas se sobrepõem quase perfeitamente, principalmente no Cinturão da Bíblia, mas também no meio-oeste, nos estados do meio-Atlântico e até mesmo em partes do Nordeste e do Oeste. O objetivo é mostrar como a batalha pelo direito ao voto, pelo acesso à saúde e por outros recursos essenciais está intrinsecamente ligada à batalha pela Bíblia. O que está em jogo é a saúde de todo o país, porque os mesmos políticos que manipulam a Bíblia e o direito ao voto para ganhar as eleições, aprovam, quando eleitos, orçamentos e políticas imorais.

Quando o vice-presidente Pence alterou aquela frase do Livro de Hebreus, ele estava entrando de cabeça neste campo de batalha ensanguentado, com uma Bíblia profanada nas mãos. A questão é: por que ele e outros nacionalistas cristãos têm o poder de definir o cristianismo? Se eles estão tão decididos a "fixar os olhos na Old Glory", não deveriam também fixar os olhos no que Jesus realmente disse?

A palavra grega evangelia, de onde vem “evangélico”, significa levar boas novas aos que foram empobrecidos pelos sistemas de exploração. As boas novas da Bíblia, também definidas como evangelho, falam repetidamente sobre cativos sendo soltos, escravizados libertos e todos os oprimidos sendo cuidados. Diz-se que se você cortar todas as páginas que falam de pobreza, a Bíblia desapareceria. E quando você lê realmente as palavras naquelas páginas, vê que o evangelho não fala sobre a inevitabilidade da pobreza ou a necessidade de caridade, mas sobre a responsabilidade das autoridades para com todas as pessoas e a possibilidade de abundância para todos.

Em um momento em que 43,5% dos americanos são pobres ou sofrem com incêndios, tempestades, crise de saúde, pandemia, despejo ou perda de empregos por causa da pobreza, não poderia ser mais importante para os americanos começarem a lidar com essa realidade e nossa obrigação moral de mudá-la. Em vez disso, os políticos aprovam leis de supressão de títulos de eleitores, excluem crianças de programas de alimentação e permitem o envenenamento da água, do ar e da terra, com a benção dos líderes religiosos nacionalistas cristãos, que escolhem versículos bíblicos para justificar tais políticas. Não se trata somente de uma crise religiosa. É também uma crise política, econômica e moral que, em meio a uma pandemia, está empurrando este país para cada vez mais perto da morte espiritual.

Se ainda valer a pena salvar os EUA, estamos diante de uma batalha da qual ninguém deve ficar de fora.

- - -

Liz Theoharis é teóloga, codiretora da Poor People’s Campaign e diretora do Kairos Center por Religiões, Direitos e Justiça Social do Union Theological Seminary.

*Publicado originalmente em 'Counter Punch' | Tradução de Clarisse Meireles para Carta Maior

 

09
Abr20

Sem trabalho, com fome e medo de ir ao médico: o drama dos brasileiros ilegais na quarentena em Londres

Talis Andrade

drama imigante.jpg

 

Luis Barrucho 
Da BBC News 


Para G., o retorno ao Brasil tem um gosto amargo.


"Estou indo embora sem realizar meus planos.Sem poder ter ajudado a minha família. A gente conhece a realidade do Brasil. Sou de uma cidade no interior de São Paulo, onde é muito difícil para arranjar trabalho e mesmo trabalhando você recebe um salário que não é digno. O pouco que você recebe, mal dá para se alimentar, comprar uma casa e se vestir bem. No Brasil, não temos mínimas condições de vida", diz.


"Se não fosse o coronavírus, teria ficado aqui. Não estou ilegal porque eu quero. Adoraria estar pagando os meus impostos como todo cidadão. E tudo por causa de um maldito papel. Até quando um documento vai determinar quem é humano ou não? É um papel que diz o que nós somos? Achei que fosse o nosso caráter, a nossa dignidade, as nossas palavras, mas isso não vale de nada se você é um fantasma", desabafa.


"Saí do Brasil fugindo da minha realidade. Sempre estive fugindo de alguma coisa. No Brasil, é da criminalidade, do governo que rouba o nosso povo. Aqui, continuo fugindo - da polícia de imigração. O sonho de muitos brasileiros ilegais é conseguir esse papel para mostrar que somos gente", acrescenta.


G. conta que chegava a trabalhar de "15 a 18 horas por dia".
"Como ganhamos por hora, quanto mais trabalhar melhor. Mas imagine sair para trabalhar e ter que esconder o material de trabalho, mudar de rota quando tem batida no metrô", diz.

 

"O pior dia da minha vida aqui foi quando fui aprovado em uma entrevista de emprego e tive que mentir quando me pediram meu documento. Falei que ia buscá-lo no carro e nunca mais voltei. Tive que virar as costas para uma oportunidade honesta. Era para ser chapeiro em uma cozinha. Um trabalho tão pequeno para muitos, mas para mim gratificante. Poderia ter uma renda fixa", relembra.


Quase ao fim da conversa de 1h com a BBC News Brasil, G. faz seu último desabafo.
"Imigrante ilegal não pode reclamar. Tem muitas pessoas que tiram proveito da nossa situação. Tem muitos brasileiros que tiram proveito de brasileiros, muitos britânicos que tiram proveito de brasileiros, que nos ignoram, que sentem nojo e repúdio da gente, mas que se beneficiam do nosso trabalho indiretamente", diz.


"Quer saber como? Quem você acha que vai entregar a comida na sua casa com tudo fechado?", indaga.
"Agora, se a gente vai comer ou não, não importa. Somos esquecidos. Acho que muitos brasileiros ilegais vão morrer. Ou de fome, por não ter o que comer, ou do vírus, por não ter a quem pedir ajuda. Isso se não formos presos antes", conclui. Transcrevi trechos. Leia mais

 

09
Abr20

Ignorados pelos EUA, imigrantes ilegais apelam ao governo brasileiro por ajuda

Talis Andrade

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Brasileiros sem documentos não têm direito ao auxílio de US$ 1,2 mil aprovados recentemente pelo governo americano

 

por Mariana Sanches e Rafael Barifouse
Da BBC News 

Consultado, o Itamaraty informou que não teria como consolidar os números de pedidos de ajuda de brasileros em situação de "desvalimento" nos Estados Unidos em tempo hábil. Mas segundo a BBC News Brasil apurou, na última semana, apenas o consulado em Boston recebeu mais de 900 pedidos de ajuda, e o número tende a aumentar conforme a quarentena se prolongue.

"Nas últimas 48 horas, mais de cem brasileiros nos procuraram em busca de auxílio financeiro: quase ninguém pagou o aluguel, muita gente com criança pequena e há semanas sem receber nenhum dinheiro", afirma Tiago Prado, um dos líderes comunitários brasileiros na região de Boston que ajuda a organizar e encaminhar as demandas dessas pessoas para instituições de caridade e autoridades brasileiras.

Por decisão judicial, ordens de despejo estão suspensas por enquanto, e a orientação de ONGs e líderes comunitários é de que as pessoas deixem de pagar o aluguel e mantenham o dinheiro que têm em mãos para gastos com comida e remédio.

"Não posso pagar o aluguel e ficar sem ter o que comer", resume André*, de 27 anos, há cinco anos, morador de Nova York, a megalópole do Estado mais afetado pelo coronavírus, que responde sozinho por 150 mil casos.

A cidade está em quarentena total desde 22 de março. André perdeu o emprego de garçom antes disso, e viu todas as outras formas de trabalho desaparecerem. Sem recursos e sem visto, tomou uma decisão drástica: saiu de sua própria casa para sublocar o espaço e conseguir alguma renda.

Nesse período, foi morar com um amigo, dono de um restaurante, que tentar salvar o que restou do negócio apostando no delivery. Em troca do teto, André faz as entregas do restaurante. Ele diz que teme se contaminar, mas que não vê outra opção a não ser sair por aí com refeições sob o braço para arrumar um jeito de viver. André não possui convênio médico, e os EUA não contam com um sistema universal de saúde pública. Seu alívio é saber que o Congresso americano aprovou uma lei que obriga o Estado a custear testes e tratamento de saúde para quem contraia o vírus, independente de convênio ou de status migratório.

Embora a expectativa inicial seja de que a quarentena dure até o dia 30 de abril, André acredita que a situação vai se estender até o fim de junho, o que é provável, considerando-se que os EUA se converteram no novo epicentro global da doença no mundo. Hoje, a cada quatro infectados, um está no país: são mais de 400 mil contaminados e 15 mil mortos. E o pico da epidemia, de acordo com a projeção da Casa Branca, acontecerá por volta do dia 15 de abril. Transcrevi trechos. Leia mais 

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