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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

O CORRESPONDENTE

20
Out22

A praga de gafanhotos

Talis Andrade

TEOLOGIA DISCIPULAR: OS GAFANHOTOS

 

 

Dom Devair voltou a reforçar as orientações dadas pela Cartilha de Orientação Política 2022, da CNBB. "Precisamos de serenidade, de calma. A formação nós temos que fazer. Não precisamos de hipocrisia entre nós. Por isso, nada de brigas e confusões nas nossas comunidades por causa disso [política]", enfatizou o bispo da Diocese de Piracicaba

 

 

por Fernando Brito

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Está em curso um movimento – deliberado e orquestrado – para partir em duas a sociedade brasileira e, qualquer que seja o resultado das eleições, deve-se reconhecer que este propósito maligno foi alcançado.

Em 2018, ainda se podia dizer que, como o protagonismo de Jair Bolsonaro era uma novidade na política – ainda que ele estivesse ali há mais de duas décadas – admitem-se o engano de muita gente.

Agora, depois de quase quatro anos de fome, desemprego, inflação, após 700 mil mortes com um pandemia negligenciada pelas autoridades, dom o aparelho de instituições, sejam as públicas – do Congresso às Forças Armadas – sejam as religiosas, não se pode apelar para o “eu não sabia”.

Este processo, sem combate, só e espalha e se agrava, como uma praga de gafanhotos que a tudo e a todos devora.

Se alguém quer uma prova, basta ver como o fanatismo agressivo dito religioso (e não é) já transbordou as denominações evangélicas e se espalha em ataques a padres católicos, muitas vezes em plena missa.

Francisco Franco, o sanguinário ditador espanhol, mandava cunhar moedas em que se dizia “Caudillo de España por la Gracia de Dios“. Aqui, pedem-se votos proclamando-se o próprio Deus, com o grosseiro “Imorrível, Imbrochável e Incomível” no lugar do “Onipresente, Onisciente e Onipotente”.

Não se culpe por isso o nosso povão, porque é de lá que vêm os votos que mantém, apesar da chantagem feita pelo governo, mantpem Lula na liderança das intenções de voto.

É na elite brasileira que se deve procurar o horror aos humildes e o desprezo pelo Brasil, ainda que camuflado por camisas de Seleção.

 

19
Out22

Fala pedófila de Bolsonaro e resultado da pesquisa Ipec evidenciam a extensão da degradação social no país

Talis Andrade

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O atual mandatário sequer perdeu intenções de voto junto à população nacional, segundo o Ipec. Esse é o fato mais estarrecedor

 

por Cesar Calejon

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O mais recente resultado da pesquisa Ipec, que apontou uma estabilidade nas intenções de voto entre Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva por uma diferença de 8% a favor do petista (54% x 46%), demonstra o atual estágio da degradação sociopolítica que acomete o Brasil desde as Jornadas de Junho de 2013, mas, sobretudo, a partir do golpe jurídico, midiático e parlamentar que foi orquestrado contra Dilma Rousseff, em 2016.

Na última semana, Bolsonaro afirmou, textualmente, que “pintou um clima” entre ele e meninas, “(...) três, quatro, bonitas, de 14, 15 anos, arrumadinhas, num sábado, em uma comunidade”, o que caracteriza uma fala pedófila e preconceituosa por parte do presidente da República da segunda maior democracia das Américas e de uma das maiores nações do planeta.

Além do repulsivo aspecto de cunho sexual, a fala de Bolsonaro salienta outro caráter que basicamente não foi explorado pela imprensa nos últimos dias: meninas pobres não podem ser bonitas e arrumadas em suas comunidades sem que pese contra elas a suspeita iminente de que estão se prostituindo. Imagine se Bolsonaro faria essa mesma colocação ao ver crianças com a mesma idade em bairros nobres das principais capitais brasileiras, por exemplo.  

Sob outras circunstâncias, quando a vida social do país não se encontrava em franco processo de ascensão de uma espécie de modelo teocrático miliciano nazifascista, tal declaração bastaria para encerrar não somente o mandato do presidente, mas toda a sua carreira parlamentar e vida pública, de forma mais ampla. 

“Eu estava em Brasília, na comunidade de São Sebastião, se eu não me engano, em um sábado de moto [...] parei a moto em uma esquina, tirei o capacete, e olhei umas menininhas(...). Três, quatro, bonitas, de 14, 15 anos, arrumadinhas, num sábado, em uma comunidade, e vi que eram meio parecidas. Pintou um clima, voltei. 'Posso entrar na sua casa?' Entrei. Tinha umas 15, 20 meninas, sábado de manhã, se arrumando, todas venezuelanas. E eu pergunto: meninas bonitinhas de 14, 15 anos, se arrumando no sábado para quê? Ganhar a vida”, disse Bolsonaro.

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Contudo, no Brasil, em 2022, o atual mandatário sequer perdeu intenções de voto junto à população nacional, segundo o Ipec. Esse é o fato mais estarrecedor, porque, em boa medida, o mau-caratismo e a falta de limites de Jair Bolsonaro já são bem conhecidos, mas, o que passa a ser amplamente compreendido nesse momento é o alinhamento irrestrito que dezenas de milhões de pessoas, em sua maioria pais e mães de crianças que têm as mesmas idades das meninas às quais Bolsonaro se referiu dizendo que “pintou um clima”, com uma proposta sociopolítica degradante e abjeta, que seria inconcebível há apenas alguns anos. 

Infelizmente, consumidos pela propaganda midiática que caracterizou o Partido dos Trabalhadores como uma “quadrilha” e Lula como o seu “chefe”, parte dos brasileiros mergulharam em uma espécie de transe que os faz relevar todo e qualquer desvio de conduta moral, ética, política e social, ainda que as vítimas sejam crianças e que o ataque tenha o repugnante aspecto sexual avançado por Bolsonaro. 

Fundamentalmente, a votação do próximo dia 30, para muito além de decidir o futuro presidente da República, determinará se esse projeto de país será ainda mais aprofundado ou se seremos capazes de reiniciar um processo de reconstrução nacional com vistas à superação do bolsonarismo.

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17
Out22

A nova barbaridade de Bolsonaro

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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A declaração de Jair Bolsonaro, em sua live de ontem, viralizou na Internet. Neste momento, “pintou um clima“. 

“Bolsonaro pervertido” e “Bolsonaro pedófilo” estão nos trending tops do Twitter, por causa da declaração, em vídeo ao final do post.



Eu parei a moto numa esquina, tirei o capacete e olhei umas menininhas, três, quatro, bonitas, de 14, 15 anos, arrumadinhas num sábado numa comunidade. E vi que eram meio parecidas. Pintou um clima, voltei. ‘Posso entrar na sua casa?’ Entrei. 

Tinham umas 15, 20 meninas sábado de manhã se arrumando. Todas venezuelanas. E eu pergunto: meninas bonitinhas de 14, 15 anos se arrumando no sábado para que? Ganhar a vida. Você quer isso para a sua filha que está nos ouvindo agora?”

 


O “pintou um clima”, algo dito por ele próprio, é também uma “insinuação” de que Bolsonaro estava movido por “interesse sociológico” ao voltar de moto na casa da meninas? Ele por acaso acionou o Ministério da Família de Damares Alves para averiguar um possível caso de prostituição infantil? Não há qualquer menção a isso em sua fala.

Se o amigo leitor estiver passeando e encontrar “umas menininhas, três, quatro, bonitas, de 14, 15 anos, arrumadinhas num sábado numa comunidade” vai “pintar um clima” e você vai lá na casa delas, pedir para entrar?

Sua companheira vai acreditar se você contar que foi lá apenas por “curiosidade”, como daquela vez em que você foi chamado a assistir um índio sendo cozido – carne que você comeria “sem problema nenhum” – e que só não aconteceu porque seus amigos não quiseram ir?

Tarados como este senhor, que querem sexo com adolescentes há muitos. Também há, infelizmente, usam isso para tentar se mostrar machos, imbrocháveis.

Mas um cidadão destes proclamar-se emissário de Deus no Brasil e pretender, em nome disso, ser presidente da República, é algo que só a irracionalidade reinante no Brasil torna possível.

Será que a nossa imprensa “limpinha e cheirosa” acha que fazer o que ela não faz, chamando a atenção para o tipo de apetites que tem Jair é “baixaria”?

E os homens e mulheres que votam Bolsonaro “em nome de Deus” vão passar pano dizendo que o “clima” era o de converter aquelas probrezinhas?

Bolsonaro e a menina de 14 anos

 
 
15
Out22

"Quebrando Mitos": filme que faz uma autópsia da grande tragédia brasileira

Talis Andrade

 

QUEBRANDO MITOS - a frágil e catastrófica masculinidade de Bolsonaro -  YouTube

Documentário que todos deveriam ver se possível antes da eleição de 2 de outubro

 

por Ricardo Kotscho /UOL

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Que porrada! Poucas vezes na vida me senti tão arrasado ao terminar de ver um filme e, ao mesmo tempo, encantado com a excelência que atingiu o cinema brasileiro, após anos de destruição sistemática da nossa cultura.

No dilacerante filme-documentário "Quebrando Mitos" sobre a "masculinidade catastrófica" do governo de Jair Bolsonaro, de Fernando Grostein Andrade e Fernando Siqueira, lançado esta semana no país, o Brasil é um corpo estendido no chão, recolhido pelos dois jovens cineastas para fazer a mais completa autopsia da grande tragédia brasileira.

Partindo dos seus dramas pessoais, Andrade e Siqueira, homossexuais assumidos num país homofóbico, machista, misógino e violento, que glorifica a ignorância e a estupidez humana, tiveram que sair do Brasil para um autoexílio em Los Angeles, quando Bolsonaro assumiu o poder, para poder montar em paz e segurança o filme das suas vidas, ameaçadas pela intolerância galopante.

Como foi possível chegarmos a esse ponto de degradação humana, tão bem retratado no filme, com o país de cócoras, devastado por um exército de ocupação?

Bolsonaro seria incapaz de fazer isso sozinho. Foi preciso um trabalho coletivo, envolvendo muita gente de poder político, religioso e militar, amplos setores da elite nacional, e eu diria que até com a ajuda de forças de fora, para abalar os alicerces institucionais desta grande nação.

Essa gente agora não vai querer largar o osso. É tudo muito assustador. Vai levar décadas para apagarmos essa chaga da nossa história.

"Está tudo ali, a ponto de doer", escreve o amigo Fabio Altman, em sua brilhante resenha na revista Veja, sobre o "tempo da insensatez", onde recolhi esta síntese do que acabei de ver:

"A apologia do machismo. o ataque às políticas de proteção ao meio ambiente; a promoção das milícias; o descaso irresponsável com a pandemia; a transformação da fé dos evangélicos em massa de manobra e o culto às mentiras como atalho de ascensão nos corredores de Brasília, até a eleição de um deputado apagado como presidente da República".

O primeiro capítulo dessa tragédia, contado com grande destaque no filme, aconteceu na verdade antes da posse do inominável: o assassinato da vereadora Marielle Franco, até hoje não esclarecido, que revela as origens milicianas do grupo levado ao poder em Brasília nas ondas da Operação Lava Jato, numa joint venture com a polícia e a justiça americanas.

Está lá o cenário macabro das covas rasas abertas nos cemitérios da Amazônia, durante a pandemia, tendo ao fundo a floresta que arde em chamas com a cumplicidade do governo que liberou as boiadas, o garimpo ilegal e a pesca predatória, sem esquecer de falar no assassinato de Dom e Bruno, os esquartejados símbolos da resistência.

Estão lá as marchas dos fanáticos gritando "Mito!", as poças de sangue dos pobres lavadas nas favelas, os desafios à Justiça, a grosseria das declarações cafajestes do presidente, como se estivéssemos assistindo a um thriller de terror, mas é tudo real.

"Tem história que um dia dormirá nos livros e enciclopédias, mas tem também a sensibilidade de tocar no que sempre soou tabu, mas que não pode mais: a repressão, por vezes silenciosa, imposta ao grupo LGBT", assinala Fabio Altman. Na narração em primeira pessoa, Gostein conta ter sido estuprado duas vezes e forçado a perder a virgindade com uma coelhinha da Playboy aos 17 anos (seu pai, Mario de Andrade, foi editor da versão brasileira da revista).

Em meio a esse circo de horrores, tem espaço também para as belas cenas da história de amor de Grostein e Siqueira, em contraste com os gritos de "imbrochável" pronunciados por Bolsonaro e repetidos por seus devotos em Brasília, na pajelança cívico militar do último dia 7, em que até tratores e grupos religiosos desfilaram pela Esplanada dos Ministérios num espetáculo grotesco, que prosseguiu no Rio de Janeiro com exibições da Marinha e da Aeronáutica, motociatas e corridas de jet-sky, com a apoteoso sobre um trio elétrico de Silas Malafaia.

Nenhuma ficção de Glauber Rocha seria capaz de superar a realidade desta grande tragédia brasileira autopsiada pelos dois Fernandos nesse documentário que todos deveriam ver _ se possível, antes da eleição de 2 de outubro.

Mas, preparem-se: é uma porrada na boca do estômago.

Vida que segue.

 

15
Out22

Quebrando mitos

Talis Andrade

Quebrando Mitos" leva masculinidade do Brasil de Bolsonaro ao divã

 

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Quebrando mitos é um documentário autoral e biográfico de Fernando Grostein Andrade, cineasta ativista que em 2011 ganhou notoriedade com o lançamento de Quebrando o tabu – filme que debate a guerra às drogas, e que se transformou em plataforma multicanal de curadoria e produção de conteúdo multimídia para discussão de temas sociais, ambientais e direitos humanos no Brasil. 

A partir da sua vivência pessoal, Fernando faz nesse novo longa um mergulho no passado recente do país para entender como a masculinidade frágil e catastrófica de Jair Bolsonaro culminou num contexto de acirramento e recrudescimento da violência, do ódio e do retrocesso da agenda de políticas públicas e sociais, principalmente, no que diz respeito a pessoas LGBTQs e mulheres.

O cineasta se encoraja a sair de trás da câmera e, propositalmente, se coloca no foco do filme, revelando detalhes de sua relação familiar, episódios marcantes da sua infância, adolescência e início da vida adulta. Com o relato particular de sua experiência, Fernando, tenta exemplificar as consequências nefastas da construção da masculinidade dentro da cultura patriarcal.

Mesmo com seu lugar legítimo de fala, por ser gay, o cineasta é um homem branco e bastante privilegiado, por ter nascido e sido criado em uma família rica de São Paulo. Fernando é filho do falecido jornalista Mário de Andrade – consagrado como editor-chefe da revista Playboy no Brasil na década de 1980 – e da urbanista Marta Dora Grostein Huck, que é mãe do empresário e apresentador de tv Luciano Huck.

Tais conexões familiares certamente garantem acessos facilitados de Fernando a espaços de poder que a maioria das pessoas LGBT no Brasil nem sequer chegam perto de conquistar. E é justamente esse o ponto do eu lírico do cineasta no seu documentário que pode incomodar o espectador. A estratégia dele para gerar identificação com o público é expor suas fragilidades e, principalmente, as violências de que foi vítima apenas por não se encaixar no padrão de masculinidade heteronormativa.

Grostein frisa seu lugar de privilégio e diz usá-lo para jogar luz sobre a lgbtfobia que ajudou a eleger Bolsonaro presidente. Quebrando mitos cumpre o esperado que é desconstruir a figura do ex-deputado de baixo clero que foi capaz de nomear um movimento político de extrema-direita. O bolsonarismo não foi criado por Bolsonaro. O documentarista reitera o que já é bastante óbvio: Bolsonaro somente deu voz a uma parcela da sociedade que coaduna com ideais ultraconservadores, violentos, machistas e misóginos.

Ocorre que o compilado de imagens de arquivo e entrevistas concedidas para o cineasta, não acrescenta nada de novo no debate da masculinidade tóxica de Bolsonaro e conversa com um público convertido e bastante consciente de tudo que está posto pelo bolsonarismo. É mais do mesmo, bastante atualizado, sem dúvida. O documentarista – que dividiu a direção do filme com seu marido, o ator e cantor Fernando Siqueira – chegou a incluir vídeos dos atos políticos do último 7 de setembro.

Ao posicionar sua estreia faltando apenas duas semanas para o primeiro turno das eleições presidenciais no país, na qual Bolsonaro disputa a reeleição, Quebrando mitos tende a causar pouco ou quase nenhum impacto midiático. Se o intuito era provocar reflexão e alertar o Brasil e o mundo para os perigos das violências fascistas do bolsonarismo, o timming para isso está, pelo menos, com uns quatro anos de atraso.

Em um país polarizado e com quase 80% de seus eleitores certos de quem vão escolher nas urnas, o filme surtirá pouco efeito mesmo depois de passado o pleito. A impressão que fica é que o ativismo de Fernando – que saiu do país para morar na Califórnia em 2018 – cobrou por sua ausência no debate. A solução encontrada por ele para colocar para fora seus sentimentos foi criar um filme autobiográfico, que soa como uma carta de desabafo, um relato de culpa.

Convenhamos, de homens brancos e ricos que trazem para si o centro das discussões de todos os problemas do mundo, a produção cinematográfica já está farta. Fernando, sua intenção foi ótima. Infelizmente, o custo mais pesado das violências dessa masculinidade catastrófica bolsonarista não recaem na sua pele. Não é sobre você, apesar de ser sobre você. Ainda assim, sua obra não deixa de ser relevante e de conter um relato sensível, doloroso e bem apurado do Brasil de hoje. #paz

O filme pode ser assistido no link: www.quebrandomitos.com.br

Uma frase: “Os LGBTQs foram usados por Bolsonaro como alavanca eleitoral”

Uma cena: As imagens do funeral da deputada Marielle Franco alternadas com as dos protestos pela morte de Martin Luther King.

Uma curiosidade: Após finalizar a versão inicial do filme, o cineasta teve um burnout.

 

 

Libelo contra a “masculinidade catastrófica” | carmattos

Quebrando mitos

Direção: Fernando Grostein Andrade

Roteiro: Fernando Grostein Andrade; Carol Pires e Joaquim Salles; Gabriel di Millo e Ligia Mesquita (roteiro adicional)

Elenco: Fernando Grostein Andrade, Jair Bolsonaro, Carol Pires, Jean Wyllys, Marielle Franco, etc.

Gênero: Documentário

Ano: 2022

Duração: 92 minutos

15
Out22

“Quebrando mitos” revela a masculinidade catastrófica e frágil de Bolsonaro

Talis Andrade

Quebrando Mitos" leva masculinidade do Brasil de Bolsonaro ao divã

“Quebrando mitos” revela a masculinidade catastrófica e frágil de Jair Bolsonaro sob o ponto de vista de um casal LGBT – o cineasta Fernando Grostein Andrade (“Quebrando o Tabu”, Coração Vagabundo”, “Abe”) e o ator e cantor Fernando Siqueira.

Depois de ameaças anônimas por conta de críticas de Andrade à homofobia de Bolsonaro, o casal parte para a Califórnia e decide fazer um documentário que mistura biografias com a resistência ao fascismo no Brasil.

 

Crítica: Quebrando Mitos, a autobiografia de Fernando Grostein Andrade diz muito sobre a vida do Brasil com Bolsonaro

Os efeitos e consequências da masculinidade tóxica e catastrófica guiam os trajetos do cineasta e do atual presidente no documentário

Por Matheus Nascimento

 

As primeiras cenas do documentário Quebrando Mitos podem até preparar o telespectador para o que vem ao longo do filme. As imagens de arquivo já circuladas na mídia de Jair Bolsonaro junto às ilustrações satíricas representando o famigerado “gado”, indicam qual será o argumento. Mas, se engana quem acha que é “só” isso, já que permeada por esse contexto, e de forma nada paralela, a autobiografia de Fernando Grostein Andrade, um dos diretores, é construída e narrada por ele mesmo. A vida de um homem gay antes e durante a ascensão da extrema-direita, dialoga sobre a situação atual no país, ao mesmo tempo que flui a narrativa do autobiografado. Andrade usa sua história de trampolim, e escancara a capenga “vida” do país, a partir da sua.

Após a candidatura de Bolsonaro em 2018, Fernando enxergou seus alertas, entrevistas, declarações nas mídias sobre o perigo da figura messiânica de Jair chegar à presidência irem descarga abaixo. Hoje, por seu alcance, é assertivo dizer que o presidente é o maior representante da homofobia no país. Seus ataques e falas como deputado ou “peixe pequeno” na política já alarmavam os defensores dos direitos humanos, como Fernando Grostein, mas para a grande maioria, a postura do atual presidente era considerada cômica, uma piada. Vale creditar a responsabilidade de tal fama à mídia tradicional que dedicou holofotes sem precedentes ao então parlamentar. Com a piada eleita, o buraco estava mais cavado. O medo legítimo vindo de um vasto histórico de ameaças e ataques impulsionou Fernando Grostein a se mudar para a Califórnia, onde teve a ideia de voltar atrás no tempo e nos acontecimentos a fim de destrinchar quem foi e é Bolsonaro num contexto macro. 

A abordagem era arriscada. As imagens de arquivo e as mais recentes como as do 7 de setembro, as entrevistas com jornalistas, políticos, pessoas que trabalharam com o presidente, e até de quem lhe conheceu na infância construíram um filme difícil de “engolir”. O ódio que rege a trajetória política de Bolsonaro se focado exclusivamente como a pauta principal, forjaria um filme sem respiros. E sem respiros, o diretor se sentiu afetado. É verdade que o cineasta já trabalhou com temáticas densas, como no documentário Quebrando o Tabu (2011), vindo dele o portal em defesa dos direitos humanos tão conhecido no país e no mundo. O longa de 2011 foi feito em parceria com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a fim de explorar a chamada “guerra às drogas” e defende que essa “guerra” deveria ser tratada como questão de saúde e não com punição criminal.

Com Quebrando Mitos, a temática doía num lado mais pessoal. O peso do material trouxe sequelas ao diretor. Porém, o fatídico burnout de Grostein afastá-lo da montagem foi crucial para a participação do marido Fernando Siqueira, que assumiu o roteiro e trouxe o foco (apontando a câmera mesmo) para o cineasta. Além de cantor e ator, Siqueira estudou roteiro na USC (University of Southern California), direção em cursos no Instituto de Sundance, atuação no William Esper Studio e mídias sociais no MIT (Massachussetts Institute of Technology). Neste comando, veio a respiração do documentário, garantindo momentos mais leves, humanizados dentro de uma narrativa que reflete o peso de ser brasileiro (gay, preto, indígena, pobre) num país com Bolsonaro na presidência. 

 

24
Set22

Militar bolsonarista "imbrochável" depois de mostrar órgão genital atira em militantes do PT em Minas Gerais

Talis Andrade

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Quem é o misterioso atirador?Foto: Reprodução

A polícia cercou a casa do arruaceiro, que se negou a descer do primeiro andar, e do alto de alguma patente militar desacatou a soldadesca paralisada 

 

Nesta sexta-feira (23), um homem ameaçou pessoas que estavam fazendo campanha para o Partido dos Trabalhadores (PT) nas ruas de Montes Claros, em Minas Gerais.

Segundo relatos, ele apontou uma arma para cima enquanto mostrava o pênis para mulheres que trabalhavam na panfletagem no Bairro São Geraldo, Minas Gerais, quando os militantes passaram por sua rua em frente à sua casa.

A Polícia Militar (PM) foi acionada e afirma que a ocorrência ainda está acontecendo e, por enquanto, não divulgará mais informações. 

A esposa do homem saiu para conversar com os policiais, enquanto ele ficou em casa, e vestia uma camisa do presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL).

O morador disse que “não aceita a campanha do PT” em sua rua. Segundo outros moradores, ele tem costume de ameaçar os vizinhos.

Passou o dia 23,  24,  25,  26, 27, e hoje 28, a polícia de Romeu Zema continua muda. Um disciplinado e recatado silêncio, depois que o arruaceiro afirmou que era imbrochável.

Mulheres que promoviam panfletagem, e passantes, não conseguiram ver a bananinha do pm. 

 

23
Set22

E da costela de Bolsonaro foi criado o pior canalha brasileiro

Talis Andrade

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Ilustração: Victor Vilela para o Intercept Brasil

 

Nem mesmo o doutor Werneck, o cafajeste maior de Nelson Rodrigues, imaginaria o canalha forjado e recriado sob a organização e influência bolsonarista.

 

por Xico Sá /The Intercept

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O MILITAR Jair Messias Bolsonaro não criou o canalha nacional no laboratório do ódio do Palácio do Planalto. Isso é obra de séculos. O cafajeste “imbrochável” do palanque do 7 de setembro tampouco é uma criação original – a patente, óbvio, é da pornochanchada, o ciclo da sacanagem com humor do cinema brasileiro.

O presidente, no entanto, é pioneiro ao organizar e influenciar a canalhice para ataques contra as mulheres durante o seu mandato no governo. Haja covardia e perversidade, embora os seus seguidores fundamentalistas jurem (ajoelhados no milho do cinismo) que se trata apenas do combate ao “politicamente correto”, promessa de campanha de 2018.

Nem mesmo na galeria dos canalhas criados pelo cronista e dramaturgo Nelson Rodrigues é possível encontrar um personagem que se compare, em atrocidade machista, à figura presidencial. Reli agora quase todos os episódios da série “A vida como ela é” e repassei as principais peças rodriguianas. Nem o doutor Werneck, no seu moralismo religioso de araque, alcança esse patamar bolsonarista no texto de “Bonitinha, mas ordinária”.  O Peixoto, no mesmo drama, também não é páreo. Muito menos o pobre Edgard diante daquele cheque de 5 mil cruzeiros que o sogro usa para testar o seu caráter.

Não há um só canalha de véspera ou canalha do dia seguinte – como Nelson definia o homem brasileiro na sua tragédia – capaz de imitar um paciente de covid-19 morrendo por falta de oxigênio. E olhe que o Peixoto topava qualquer tarefa degradante de um “cidadão de bem” da sua época. O Peixoto seria capaz de negar uma marmita a uma dona de casa faminta. Duvido, porém, que o Peixoto zombasse de uma vítima de tuberculose – era um sujeito cerimonioso diante da morte.

Bolsonaro imitou pessoas sem ar em live em março de 2021

Bolsonaro imitou pessoas sem ar em live em março de 2021

 

No critério de ataque direto às mulheres, a gestão do presidente se estabeleceu com as agressões provocadas por ele mesmo ou pelos seus  dublês que se multiplicaram como gremlins na água suja que escorreu da goteira bolsonarista. Somente na última quinzena, a prática banalizada e autorizada por Bolsonaro teve como alvo uma mesma jornalista, Vera Magalhães.

No primeiro ato de violência, o próprio capitão da extrema direita agrediu a colunista de “O Globo” ao falar da sua intimidade sexual e chamá-la de “vergonha para o jornalismo brasileiro”, em debate na TV Bandeirantes. O discípulo Douglas Garcia, deputado estadual do Republicanos de São Paulo, fez o bis do ataque, copiando as mesmas palavras, na TV Cultura – o parlamentar estava na claque do candidato a governador Tarcísio de Freitas, seu colega de partido.

Douglas Garcia - 1070 Dep Federal on Twitter: "Hoje mais cedo recebemos o  PR Bolsonaro em agenda oficial na cidade de SP. https://t.co/5mQ1SPqHKk" /  Twitter

Ameaças e patadas nas mulheres se tornaram rotina no mandato de Bolsonaro. Um dos mais prestigiados homens do clube dos cafajestes bolsonaristas, Pedro Guimarães foi obrigado a deixar o cargo de presidente da Caixa ao acumular dezenas de acusações de assédio sexual de funcionárias do banco.

 

Nem mesmo na galeria dos canalhas criados pelo cronista e dramaturgo Nelson Rodrigues é possível encontrar um personagem que se compare, em atrocidade machista, à figura presidencial.
 

Seria injusto, porém, dizer que o militar só começou a agredir jornalistas depois de abastecido da testosterona presidencial. Em 1987, fez o gesto de arminha com os dedos e ameaçou de morte a repórter Cássia Maria: “Você vai se dar mal”. Ela havia publicado na revista Veja, um plano terrorista do então capitão do Exército para jogar bombas em quartéis e caixas d´águas do sistema de abastecimento do Rio de Janeiro. O objetivo seria um protesto contra a baixa remuneração da tropa. A reportagem rendeu um castigo de 15 dias de prisão para Jair Messias.

Em 2003, o então deputado federal da bancada carioca seguiu amplificando em Brasília sua brutalidade com as mulheres: “Só não te estupro porque você não merece”, atacou a colega de parlamento Maria do Rosário, do PT gaúcho. Nos ensaios preparativos para a disputa à Presidência, em 2016, elaborou “melhor” a fala criminosa, ao dizer os motivos pelos quais não estupraria a deputada: “Porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria. Eu não sou estuprador, mas, se fosse, não iria estuprar, porque não merece”. A torcida da macharada misógina vibrou como um gol de final de campeonato.

No mesmo ano, ainda teve o voto pelo impeachment de Dilma Rousseff. Ali o machismo brabo desceu e chafurdou nos porões da ditadura. Bolsonaro dedicou a sua decisão ao coronel Brilhante Ustra, torturador da ex-presidente, o maior carrasco das mulheres entre os militares assassinos. Pra frente, Brasil.

Nem mesmo o doutor Werneck – o cafajeste maior de “Bonitinha, mas ordinária” – imaginaria o canalha forjado e recriado sob a organização e influência bolsonarista. É o canalha que odeia as mulheres, ataca jornalistas nos cercadinhos de Brasília ou nos debates, tira onda de playboy de clube de tiro e humilha donas de casa famintas com lacrações gravadas para o grupo de WhatsApp da motociata. Até o Peixoto cancelaria esse tipo.

22
Set22

O preço do voto em Jair Bolsonaro

Talis Andrade

Imagem: Michelle Guimarães

 

As famílias têm decisões a tomar para o futuro breve. Pela educação e pela saúde do Brasil

 

 

por Luiz Roberto Aves /A Terra É Redonda

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Este colunista supõe que há valores e preços no voto em Jair Bolsonaro, consideradas as pessoas que votam com sinceridade. Os sinceros merecem reflexão e a primavera está chegando…

Um dos valores é que o sistema brasileiro de justiça não concluiu por ações de corrupção de Jair Bolsonaro e seus familiares, pois os órgãos oficiais nada publicaram como coisa definitiva. É voz corrente que o procurador geral Augusto Aras será julgado mais tarde se não arrumar logo logo outro alto posto na justiça do governo Bolsonaro. Ao contrário, o ex-presidente Lula foi julgado com incrível rapidez e caiu na prisão, ficando ausente das eleições de 2018. Porém, a própria justiça o fez recuperar seus direitos e mostrar os erros da Lavajato. Portanto, os processos que caminham pelo sistema contra Jair e filhos podem chegar a decisões em breve e corrupções podem ser conhecidas. Mas as pessoas e as famílias não vivem de disque-disque, nem de justiça pela metade. A ver.

Outro valor é que o presidente aparece em público como imbrochável, viril, impetuoso, uma espécie de super-homem dos trópicos. Lembra os casos dos conquistadores de antigamente e os agentes secretos americanos, que sempre vencem e matam um monte de gente pelo caminho. Quando se pensa que ele vai falar da família e que a divindade dele está acima de tudo, entra ele com a coisa da brocha. Mistura complicada, mas comum no presidente. Quem está acima de tudo, Deus ou Ele, o imbrochável?

Claro que essa história é subjetiva, pessoal, pois ninguém sabe se D. Michelle aceita e garante toda a impetuosidade e a imbrochabilidade do seu marido. Será que muita gente pensa que para ser uma boa família tem de ter um imbrochável? Dá uma forte impressão de que só é família prá valer aquela que tem seus imbrocháveis. Parece que o imbrochável é o que tem um montão de terra, um montão de lojas e muito poder para não ser culpado de nada. Naquele palanque do sete de setembro, o pobre presidente de Portugal (alguém viu ele?) ficou murcho e quase invisível ao lado de dois imbrocháveis, Jair e o véio da Havan. Dona Michele, coitada, parecia uma personagem daquela brincadeira chamada João Bobo, jogada de um lado para o outro.

Será que esse assunto não é somente coisa de homem? As mulheres ficam de lado, não? Alguns jornalistas mostraram que D. Michelle andou encrencando com esse assunto na boca do marido, mas ela não vai reclamar em público, porque não é louca e precisa garimpar votos. Os pastores, donos de boa parte da comunicação brasileira, estão sempre de olho nela. Será que tudo isso é mentira? Então, qual é a verdade?

Por ser fiel aos pastores e por timidez a esposa do presidente não dirá nada, ainda que tudo seja “prá inglês ver” ou prá dar impressão forte sobre eleitores. Mas esse negócio de brochar ou não brochar não é assunto do evangelho e parece que pouca gente pensa em por que o presidente mistura assuntos evangélicos com a estória da brocha. Será que algum profeta ou sábio da Bíblia tratou desse assunto? Não parece possível ou justo. Mas vale perguntar aos pastores e às pastoras.

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Mas tem uma coisa que é definitiva: Jair Bolsonaro esnobou a vacinação do povo nos meses iniciais da pandemia porque achou que todo mundo deveria ser meio super-homem, tipo imbrochável e teria de aguentar a gripe. Mas não era gripe. Este colunista perdeu sete amigos e tem vários familiares com sequelas pesadas.

Será que realmente morreram quase 700 mil brasileiros e brasileiras ou tem aí alguma maldade dos jornais e do pessoal da saúde? Conheço um eleitor do Jair Messias que diz que tudo é mentira, mas não acredito que esses 30% dos eleitores do Jair sejam iguais a esse eleitor que conheço. Para ele, não há verdade em nada, mesmo nas fotografias e nos áudios. Então, aquela falação, aquele espetáculo do sete de setembro com Jair e o véio da Havan também é mentira?

Talvez ainda haja outra coisa que leva a votar no Jair Messias: ele mete a cara e resolve as coisas. Por exemplo, o caso dos preços dos combustíveis. Pena que os preços só caíram agora em setembro, porque a população já vinha pagando preços altos de combustível, comida, produtos de limpeza e construção, serviços em geral há muito tempo, mais de dois anos. Será que dá prá compensar a fome e todas as dificuldades para viver bem até a eleição em 2 de outubro?

Não seria bom fazer as contas? Se você paga tudo a preço alto por dois anos e depois recebe descontos durante um mês e meio, o que é que vale?

O colunista não sabe de nenhum outro valor para votar no Bolsonaro. Mas sabe que o voto no presidente tem preço; melhor, tem preços. Se o eleitor ou a eleitora dele, a família não achar que é tudo mentira, vale a pena ver o preço do voto.

O primeiro preço é o da educação e da cultura das crianças, adolescentes e jovens, o que significa 53.759.457 com menos de dezoito anos. Cinquenta e dois por cento dessa juventude é descendente de África e sofre muito para se manter nas escolas e no sistema educacional. De fato, esse sistema muitas vezes expulsa crianças e adolescentes da escola. Nos últimos anos, muito mais e a pandemia não tem a culpa disso.

As famílias bolsonaristas talvez não devam dar atenção ao negócio do imbrochável, coisa do Bolsonaro desde que entrou no governo em 2019. Mas todas as famílias do Brasil têm crianças e jovens nas escolas, com certeza. Será que dá prá acreditar que os cientistas do Instituto de Estudos Socioeconômicos, baseados nos portais do próprio governo, por exemplo o Siga Brasil, estão certos ao mostrar que Bolsonaro deixou de entregar entre 2019 e 2021 o valor de 8 bilhões às crianças, adolescentes, professores, professoras e demais pessoal de apoio à educação? Era dinheiro obrigatório, garantido por Lei. E para 2022 já se sabe que os estudantes não receberão 6,2 bilhões. Palavra dos pesquisadores do mesmo instituto.

Noutras palavras, o dinheiro é da lei, mas deixa de ser mandado para as crianças do chamado sistema educacional. Para onde vai? Deve-se perguntar ao Paulo Guedes, ao Artur Lira (da Câmara dos Deputados) e ao próprio presidente. Os valores para educação com Bolsonaro são muito menores do que de anos anteriores. Recursos maiores garantiriam merenda, material didático, ações culturais na comunidade e transporte, por exemplo, nas 178 mil escolas públicas de educação básica do Brasil, espalhadas pelos quatro cantos do país. Mentira ou Verdade? Se verdade, quem é libertado por essa verdade, pois “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (livro do Novo Testamento de João 8:32).

Seriam as famílias libertadas da obrigação de votar naquele que quer mais quatro anos e que prefere dar bilhões para deputados e diminuir os recursos dos estudantes brasileiros? Mas a educação precisa de recursos para fazer da escola um lugar bonito, bem arrumado, alegre, cultural e tendo como muito importante a valorização de professores e professoras. Do mesmo modo, com merenda de qualidade e especialmente com ensino de qualidade, o que deve ser visto e avaliado pelas famílias e pela sociedade brasileira. Também pelas famílias que pretendem votar em Bolsonaro. Sem famílias e comunidades, a escola fica capenga.

Tomara que não seja mentira outro preço alto a carregar nas costas pelo voto em Bolsonaro. Trata-se da saúde dos brasileiros e brasileiras.

Será que é mentira tudo o que dizem os jornais, revistas e artigos científicos sobre falta de remédios, falta de pessoal nos postos, muita distância entre as unidades de saúde pelo país afora e campanha contra a vacinação?

Será que não vacinar é evangélico? Este colunista estudou cultura e educação durante dois anos e meio em Israel e aproveitou a estadia para participar também das comunidades cristãs. Aprendeu hebraico e se vira em aramaico, línguas bíblicas. Nada há na Bíblia inteira que impeça a vacinação. Imaginem se houvesse, pois a saúde era tratada de modo muito diferente do que conhecemos. Mas a “vacina” de Jesus era o exemplo de fé e de linguagem verdadeira Há nos textos bíblicos o contrário quando está presente a criança: é um baita pecado tirar o direito das crianças à saúde. Ora, na história do Brasil, do Ocidente e do Oriente, a maior garantia de saúde das crianças – e mesmo dos adultos – é a vacina. Remédio é bom para remediar quando já se ficou doente. Vacina previne. Uma carteira de vacinação completa é uma lindeza, orgulho da família.

Isso não é verdade? Se não é, a verdade não existe e qualquer um inventa qualquer coisa chamada de verdade. Até o presidente.

Por que diminuiu a vacinação no governo Bolsonaro, até a Vacina Sabin, contra paralisia? Coisa de louco? Não sei não, mas parece que é por causa também do imbrochável, por incrível que pareça. Mas já é outro sentido do imbrochável. Qualquer pessoa, criança ou adulta, não precisa de vacina porque o corpo aguenta. Aguenta? Se ele, o super-homem, diz que aguenta (mas muita gente garante que ele tomou vacina escondido e depois disse que era segredo por 100 anos) então qualquer um aguenta. Aguenta Covid? Aguenta paralisia infantil? Aguenta tétano?

Até este dia de setembro, somente 35% das crianças na faixa entre 1 e 5 anos tomaram a vacina contra paralisia. A esperança é que fossem 95%. Muitas vezes o Brasil alcançou essa meta. Temos no Brasil quase 15 milhões de crianças nessa faixa de idade. Este colunista, já velho, quando pequeno teve amigos e amigas que tiveram paralisia. Conheceu o sofrimento deles e delas. Depois o Brasil virou campeão de vacinação. Agora está derrapando na vacinação e tem bastante gente que faz campanha contra. Só pode ser pecado, que na língua hebraica significa erro, desvio, estar fora de um objetivo e por isso capaz de negar a própria verdade. Esse pecado precisa ser corrigido e a verdade restabelecida. Não será com este presidente, que tem horror a vacina. Quem aguenta?

Cientistas mostram que se tivéssemos vacina logo que os casos de Covid 19 cresceram no Brasil teríamos salvo entre 95 e 100 mil pessoas. Elas morreram. Ficou a dor e às vezes a frustração por não poder fazer nada.

De qualquer modo, continuamos a exigir a condição de cidadão e cidadã, pessoas que definem o rumo do Brasil.

Os médicos de confiança dizem que, dependendo da idade, a pessoa não aguenta nem as viroses mais comuns. Sofre muito. A vacina garante. Temos de voltar a ser o país exemplo de vacinação. Seremos!

Seria possível escrever muito sobre o preço do voto em Jair Bolsonaro. Mas para pensar no Brasil e no voto em 2 de outubro é suficiente porque foram mostrados aqui os fatos com dois assuntos fundamentais da vida humana: a educação e a saúde. Sem a educação/cultura, não se compreende bem o significado de tudo o que significa a saúde na vida do povo; sem saúde não há força ou vontade de se educar. Sem as duas a vida deixa de ser.

No governo Bolsonaro, é verdade que educação e saúde foram profundamente maltratadas em quantidade e qualidade, todos os anos. Há sinais e fatos por todo lado que provam. Isso é ou não é assunto das famílias brasileiras? Se não é, talvez se possa dizer que não há família no Brasil e o presidente está inventando famílias para ganhar votos.

As famílias, que o colunista acredita devam existir, têm decisões a tomar para o futuro breve. Pela educação e pela saúde do Brasil.

“A memória é o pilar da redenção e o esquecimento é o começo da morte”. Lembrar é preciso.

16
Set22

O imbroxável

Talis Andrade
Pode ser uma imagem de texto que diz "0 imbroxável por Bebel Soares Baseado em fatos surreais"
 
Seu pai era um homem forte, bravo. Nunca conversava. Quando abria a boca era para xingar ou ameaçar. Nunca ensinava com palavras ou gestos, achava que menino aprendia apanhando quando fizesse coisa errada.
Aprendeu com o pai a ser um homem agressivo. Fazia questão de mostrar sua virilidade. Função de mulher era servir. Homem não cuida, homem manda. Homem sustenta família, mas família precisa cumprir seu papel, senão ele some no mundo.
Não aceitava não como resposta. Dividia as mulheres em três categorias: as que ele queria e pegava a força, as que não mereciam ser estupradas e as moças para casar. Se casou com uma dessas e a trocou por outra, que depois também foi trocada, e seguiu pegando outras, porque precisava provar para si mesmo que era imbroxável.
Cobrava da mulher que ela cumprisse seu papel de esposa, na sala, na cozinha, na cama. Queria muitos filhos, de preferência homens para mostrar que não fraquejava.
Ela estava exausta, mas sempre soube que casamento era assim mesmo, pois foi assim que a mãe dela viveu. Nem sabia que sexo não consentido era estupro, mesmo dentro do casamento. Aprendeu que era obrigação. No culto o pastor reforçava a crença: mulher deve servir ao marido. Afinal, para que um homem se casa se não para garantir o sexo sem precisar procurar mulher?
Começou a ter disfunção erétil, se sentiu humilhado, acreditava que sexo era direito dele. Direito de marido, direito de homem imbroxável. Procurou outras mulheres, mas não conseguia. Culpou a esposa.
Ela apanhou tanto que desmaiou. O filho correu e pediu ajuda, os vizinhos chamaram a polícia.
Foi preso, se sentiu humilhado, acreditava que era direito dele. Queria voltar para casa, mas ela tinha uma medida protetiva, a tal Lei Maria da Penha.
Naquele dia ele a seguiu depois do trabalho e, quando ninguém estava olhando, usou a arma que sempre gostou de exibir.

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