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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

16
Set20

MP está convencido que o prefeito usava a Igreja Universal para lavar o dinheiro roubado

Talis Andrade

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CRIVELLA CHEFÃO DO QG DA PROPINA

As trocas de mais de 1.949 mensagens interceptadas pela polícia entre o empresário e lobista Rafael Alves e o prefeito Marcelo Crivella, além da conversas entre Rafael e o ex-marqueteiro do prefeito, Marcelo Faulhauber, não deixam dúvidas das ligações estreitas do prefeito com o “Quartel General” da Propina, instalado numa sala da Riotur, órgão dirigido até março deste ano por Marcelo Alves, irmão de Rafael. Todas as empresas que tinham interesses na administração pública do Rio tinham que se entender – leia-se pagar propina – com Rafael no QG.

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Durante uma operação de busca e apreensão da polícia realizada em março, na primeira fase da Operação Hades, Rafael Alves, tinha quatro celulares: o que entregou voluntariamente, dois apreendidos no carro na garagem e um escondido sob uma pilha de roupas, encontrado somente quando tocou durante a operação. Para surpresa de todos era o prefeito Marcelo Crivella, que ligou as 7:30h da manhã para o comparsa perguntando o que estava acontecendo na Riotur, onde outra ação policial se desenrolava.

Somente uma empresa investigada por sua ligação com o “QG da Propina”, a Assim Saúde, pagava de propina para o esquema de Marcelo Crivella R$ 1,5 milhão por mês para intermediar o fornecimento de planos de saúde a servidores municipais, afirma o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). O contrato da Assim Saúde com a prefeitura era de R$ 210 milhões. Denúncia aponta que pagamento da propina foi negociado por Rafael Alves.

A abertura do histórico de ligações dos aparelhos confiscados mostrou que entre maio de 2016 e março deste ano, o prefeito e o empresário trocaram 1.949 mensagens, prova da ligação entre ambos e da extensão do esquema pelo qual são investigados. A comunicação entre os dois muitas vezes era cifrada, dificultando a compreensão de terceiros. Boa parte do conteúdo dos celulares foi apagada, mas os investigadores conseguiram recuperá-la.

Toda a investigação começou na Operação Câmbio Desligo, que prendeu o doleiro Sérgio Mizrahy. Ele disse em depoimento que não sabia se o prefeito carioca estaria envolvido no “QG da Propina”. Mas informou que as “empresas que tinham interesse em fechar contratos ou tinham dinheiro para receber do município procuravam Rafael, com quem deixavam cheques. Em troca, ele intermediaria o fechamento de contratos ou o pagamento de valores que o poder municipal devia a elas”, afirmou Mizrahy.

A operação Hades começou no dia 10 de março, quando foram expedidos 17 mandados de busca e apreensão com base nos depoimentos do doleiro. Foi nesta operação que Crivella ligou para Rafael e acabou falando com o delegado. Na última quinta-feira (10), já de posse de informações mais robustas sobre a participação de Crivella no esquema, foi feita a operação de busca e apreensão na sede do governo e na residência do prefeito.

LAVAGEM NA UNIVERSAL

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Paralelo às investigações do QG da propina, o Ministério Público detectou, através de um relatório do antigo COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), uma movimentação suspeita da Igreja Universal, dirigida pelo Bispo Macedo, que seria tio ou primo de Marcelo Crivella, de R$ 5,9 bilhões. Numa das mensagens Rafael ao marqueteiro de Crivella, ele aparece dizendo que seria capaz de revelar às autoridades “todos os esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro que ocorrem no governo”, com a “direta participação de Marcelo Crivella, sua família e a igreja”.

Com isso nas mãos, o MP tem fortes suspeitas de que Crivella esteja usando a Igreja Universal para lavar dinheiro. A suspeita veio depois da seguinte troca de mensagem de Rafael. “Nego destrói um político. Eu mexo com uma igreja”, diz. Depois, ele prossegue, segundo os investigadores: “só não quero que mexa com meu irmão ou seja meu espaço”. Por fim, Rafael Alves afirma: “Fazendo isso eu destruo ele igreja. etc.”

As mensagens revelam também que Rafael e Crivella tiveram períodos de desavenças. Rafael não aceitava quando tinha dificuldades em emplacar seus negócios junto à Prefeitura. Em uma outra ocasião, o lobista e operador de Crivella escreveu que o prefeito é “1 falso de duas caras, que na frente é uma coisa e por trás é outra”. Também se irritou com a possibilidade de o irmão deixar a Riotur. Marcelo foi exonerado depois da 1ª fase da operação Hades.

Em um outro episódio uma descoberta irônica. Crivella também era “zero um”. Em uma troca de mensagens com o doleiro Sérgio Mizrahy, em 2018, o lobista Rafael Alves, faz cobranças sobre o atraso de um determinado pagamento e se inspira em Bolsonaro dizendo que o valor seria direcionado ao “Zero Um”. Para o Ministério Público do Rio de Janeiro, o “Zero Um” neste caso não é Flávio, mas sim o prefeito Marcelo Crivella. “Já não é a primeira vez que isso acontece. Isso é vacilo! Parada para o Zero Um. Vamos aguardar”, escreveu Rafael Alves.

JUÍZA DERRUBOU SIGILO DA INVESTIGAÇÃO

Em seu despacho autorizando a operação, a desembargadora Rosa Helena Penna Macedo Guita, do Primeiro Grupo de Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça fluminense, detalhou as suspeitas que recaem sobre prefeito, apontando ‘não só a ciência, mas a anuência e suposta participação’ do mesmo em um esquema criminoso que segundo o Ministério Público do Rio ‘atua sobre praticamente todas as áreas da Prefeitura’ – necessitando dessa maneira do Chefe do Executivo Municipal. A juíza também decidiu tirar o sigilo do processo que investiga Crivella.

O despacho que abriu a ofensiva na última semana lembra que a primeira operação que mirou o ‘QG da propina’, a ‘Hades’, Crivella não foi alvo de buscas, uma vez que não se dispunha, ainda de indícios robustos de sua participação no esquema criminoso investigado.

No entanto, seu relacionamento ‘patente ‘com Rafael Alves, apontado como gerente do QG da propina, levou os investigadores a entenderem que o prefeito não ‘só anui com os esquemas criminosos, mas deles participa, chegando, inclusive, a assinar pessoalmente documentos a fim de viabilizar os negócios do grupo criminoso’.

O Ministério Público apontou que no dia da primeira fase ostensiva das investigações, Crivella ligou para Rafael Alves para perguntar sobre um mandado de busca que era cumprido na Riotour. No entanto, o telefonema foi atendido pelo delegado que estava na residência do empresário também cumprindo ordem judicial na referida operação.

TELEFONE ESCONDIDO TOCOU: ERA CRIVELLA

Tal aparelho, segundo a desembargadora Rosa Helena, foi encontrado escondido sob uma pilha de roupas, dentro do quarto de Rafael Alves, e ‘continha enorme quantidade de dados comprometedores’. No celular foram encontradas 1.949 mensagens trocadas entre o empresário e Crivella, ‘muitas delas contendo linguagem cifrada, deixando transparecer que seu conteúdo não poderia ser tratado por meios de comunicação convencionais, e via de regra terminavam com marcações de encontros presenciais, seja em prédios da Prefeitura, seja na residência do Prefeito’.

“O teor das conversas entabuladas pela dupla em muitas vezes ganha tom alarmante, escancarando que Rafael Alves tem clara ascendência sobre o Prefeito Marcello Crivella, a ponto de exigir, incisivamente, que o ouça antes da tomada de qualquer decisão”, registra a decisão.

Segundo Rosa Helena, as conversas identificadas no celular de Rafael mostram que o empresário tratou da campanha eleitoral de Crivella como uma “banca de negócios da qual pretendia colher frutos, que, segundo ele mesmo afirmou, não se traduziriam na obtenção de cargos ou status e sim no ‘retorno do investimento’ por ele realizado”. “Em outras palavras, pretendia obter retorno financeiro por meio de sua influência na Prefeitura do Rio de Janeiro, o que evidentemente só é possível mediante a prática de crimes”, frisa ainda a magistrada.

O despacho da desembargadora registra ainda que a suposta conivência de Crivella com os planos de Rafael Alves é ‘nítida’, tendo em vista as diversas ocasiões em que o prefeito tomou atitudes caracterizadas como ‘esdrúxulas’ a pedido de seu apoiador de campanha. Rosa Helena destaca que o ‘ilegítimo porém inegável poder de mando de Rafael Alves sobre o grupo criminoso é notório’. O empresário é chamado de ‘homem bomba’ por outros integrantes do grupo criminoso – ‘em expressa alusão aos seus conhecimentos sobre o funcionamento de toda engrenagem criminosa que envolve o Prefeito e os demais membros da organização’.

“Tanto que é conhecido como ‘Trump’ e garganteia seus feitos aos mais diversos interlocutores, que não se acanham em lhe pedir favores a serem concretizados, em grande parte das vezes, pelo próprio Prefeito, que estranhamente parece ceder placidamente às suas solicitações, inclusive a fim de favorecer empresários específicos, autorizando a burla à ordem cronológica de pagamentos devidos pelo Tesouro Municipal”, registra a decisão da desembargadora.

O carro onde estavam os dois celulares apreendidos pela polícia havia também joias, relógios e uma bolsa com R$ 50 mil. Para o Ministério Público, seria “uma espécie de veículo de fuga”, ou seja, pronto para permitir que Rafael fugisse. Ele alegou que tudo dentro do veículo era de Shanna Harrouche Garcia, sua ex-mulher e filha do bicheiro Waldemir Paes Garcia, o Maninho. Ao que parece, ele percebeu que já não havia garantias de que Crivella pudesse protegê-lo.

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27
Fev20

Bolsonaro se diz perseguido pela imprensa. Mas Band, SBT, Record e Rede TV estão ao seu lado.

Talis Andrade

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por João Filho
The Intercep

JAIR BOLSONARO GOSTA de se colocar como perseguido pela imprensa brasileira. Todos os dias ele está na frente do Planalto atacando jornalistas sob os aplausos de fanáticos sempre dispostos a puxar seu saco. Mas o fato é que o governo e uma parte importante da imprensa estão de mãos dadas.

Pelo menos quatro emissoras de TV têm abdicado de fiscalizar o poder para se prestar ao papel de assessoria de comunicação do governo. No desfile de Sete de Setembro, Bolsonaro convidou para o camarote de autoridades os donos do SBT, Record e Rede TV — três empresas que estão bastante satisfeitas com o desempenho da extrema direita no poder. A tática governista é acusar a Globo de perseguição, enquanto paparica outras emissoras.

Motivos para isso não faltam. O governo mudou a lógica da distribuição de verbas publicitárias para as TVs abertas. Antes, o critério era distribuir mais verbas para as maiores audiências. Agora, simplesmente não há mais nenhum critério objetivo. O governo decide a seu bel prazer como se dará a distribuição.

A Globo, que tem a maior audiência, passou a receber menos que Record e SBT, emissoras que estão afinadas com o bolsonarismo desde a campanha eleitoral. A emissora recebeu 48,5% das verbas publicitárias em 2017. Em 2019, 16,3%. No mesmo período, a Record passou de 26,6% para 42,6%, enquanto o SBT passou de 24,8% para 41%. As verbas destinadas à campanha pela reforma da previdência, da qual a Globo ficou de fora, se concentraram em 91% para Record, Band e SBT. Os apresentadores prediletos de Jair Bolsonaro, como Ratinho e Datena, foram escolhidos para divulgar a campanha.

A promiscuidade da relação entre redes de TV e o bolsonarismo já começa na figura do empresário que comanda a Secom, Fábio Wajngarten. Ele, que é o responsável pela distribuição de verbas de publicidade, é sócio de uma empresa que recebe mensalmente dinheiro das mesmas emissoras de TV e agências que são clientes do governo. Wajgarten disse que consultou a CGU sobre o possível conflito de interesses antes de assumir a pasta, o que é mentira. A própria CGU afirmou que não foi consultada. São os critérios subjetivos desse sujeito que norteiam a distribuição das verbas publicitárias do governo.

As quatro emissoras queridinhas do governo têm se revezado em estender o tapete vermelho para o bolsonarismo desfilar. Além de entrevistas exclusivas — todas, sem exceção, desviando das perguntas mais espinhosas —, Bolsonaro e seus parentes vira-e-mexe aparecem nos programas de auditório dessas emissoras, sempre muito felizes e descontraídos, muito diferente dos cães raivosos nos quais se transformam quando são confrontados pelo jornalismo.

No SBT, a adulação ao governo de extrema direita é explícita. Na semana passada, Sílvio Santos determinou a volta do programa Semana do Presidente, criado nos anos 70 para bajular os presidentes da ditadura militar. Ratinho, que tem um filho governador aliado de Bolsonaro, nunca perde uma oportunidade para levantar a bola do governo federal em seu programa de entretenimento. O apresentador, que sempre tratou de política em seus programas com viés anti-esquerdista, jamais perde a chance de puxar o saco do presidente. Antes mesmo de Bolsonaro tomar posse, Ratinho dedicou um bom tempo do seu programa para atacar jornalistas que criticaram a escolha dos ministros. Coincidência ou não, durante o mandato o apresentador do SBT recebeu, sozinho, quase R$ 1 milhão do governo federal em troca de elogios à reforma da previdência.

A fidelidade canina da Record ao projeto da extrema direita já é mais do que conhecida. O bilionário Edir Macedo colocou até a Igreja Universal na campanha eleitoral de Bolsonaro e hoje coloca o jornalismo da emissora para engraxar as botinas do ex-capitão. A Record é hoje a emissora que mais recebe verbas do governo. O crescimento do faturamento publicitário da Record junto à Secom no primeiro trimestre do ano passado foi de 659%, valor já considerando a variação da inflação no período. O fato da emissora do bispo ter se tornado praticamente a casa oficial da extrema direita brasileira na TV não chega a surpreender.

Na Band, os apresentadores Datena, cotado para ser prefeito de São Paulo com apoio de Bolsonaro, e Milton Neves, amigo particular da família de Fábio Wajngarten, também engordaram seus cofres com dinheiro de propaganda do governo federal. Esses apresentadores populares realmente não têm do que reclamar da extrema direita no poder.

Milton Neves@Miltonneves

Fábio Wajngarten, de amarelo, foi fundamental para Bolsonaro!

Ver imagem no Twitter

Os donos da Rede TV, que recebeu um aumento exponencial de verbas do governo federal, têm se mostrado bolsonaristas fiéis e atuantes. Marcelo de Carvalho, que é sócio, vice-presidente e apresentador de programas da emissora, tem atuado como um aguerrido militante. Deve ser apenas uma coincidência o fato desse apoio ter vindo depois do governo aumentar exponencialmente as verbas da emissora.

Como se já não bastasse a visibilidade que o então deputado Jair Bolsonaro ganhou durante anos no Superpop, agora o próprio dono da emissora sai em defesa do seu governo. No desfile de Sete de Setembro, que assistiu ao lado do presidente, o dono da Rede TV praticamente confessou indiretamente a sua vassalagem ao falar sobre as costumeiras quebras de protocolo do presidente durante o desfile: “acho muito bonito. É um resgate da aproximação entre o governante e a população”.

Mas Carvalho foi bem mais longe que isso. Ele tem seguido à risca um mandamento sagrado da cartilha bolsonarista: atacar jornalistas que ousam criticar o governo. O empresário foi ao Twitter chamar de “ataque” uma reportagem sobre o escancarado conflito de interesses de Wjangarten na Secom. Ou seja, temos aqui um barão da mídia endossando a narrativa bolsonarista que coloca o presidente como um perseguido pela mídia. Fez isso para defender a permanência no cargo de um empresário que tem sido muito generoso com a sua emissora.

Marcelo de Carvalho@MarceloCRedeTV

O Ataque da Folha a Fábio Wajngarten é um exemplo do porque gente de bem em sua grande maioria não ingressa no governo. Então ficamos por tantos anos com lixo, gente sem moral, desqualificados e incompetentes. Obviamente com algumas louváveis exceções.

 

Carvalho também fez questão de se posicionar sobre o ataque de Hans River à jornalista Patrícia de Campos Mello. Claro que ele seguiu o que manda o bolsonarismo e chamou de “ïmpecável” uma narrativa que já era comprovadamente mentirosa.

Marcelo de Carvalho@MarceloCRedeTV

Impecável impecável narrativa do @filipebarrost sobre a tentativa da Folha de melar a eleição quase certa de @jairbolsonaro e esconder que a fábricação de mensagens era na verdade do PT. LEIAM O THREAD TODO vale a pena. https://twitter.com/filipebarrost/status/1227699790185746434 

Filipe Barros@filipebarrost
 

Segue minha análise da matéria da @camposmello na @folha:

1. A narrativa que a Folha de S. Paulo tenta emplacar agora, de modo a parecer que não mentiu, é dizer que a matéria à qual Hans River se referiu era a de 2 dezembro de 2018, quando, na verdade, a primeira matéria 👇🏻

 

Mas o melhor presente que a Rede TV deu para Bolsonaro foi colocar o pernambucano Sikêra Júnior em rede nacional. Ele é um apresentador que cobre o mundo cão e que foi forjado na escola Datena de jornalismo — aquela que ajudou ao longo dos anos a disseminar a ideologia reacionária que hoje embala a extrema direita no poder. Sikêra usa a surrada fórmula televisiva que mistura jornalismo sensacionalista com humor vulgar. Esse modelo de programa infesta as tardes na programação televisiva do país. Além de reforçar diariamente a ideologia do “bandido bom é bandido morto”, o humor e o jornalismo do apresentador só trabalham com viés anti-esquerdista.

Assim como seu patrão, Sikêra não se furta em defender Bolsonaro das críticas da imprensa. A defesa do governo não é discreta, mas ostensiva. Em programa de outubro do ano passado, dedicou boa parte do programa repercutindo a narrativa bolsonarista e detonando a Globo.

Assim que o apresentador foi alçado à condição de nova estrela nacional da programação da Rede TV, a família Bolsonaro passou a compartilhar seus vídeos nas redes sociais. No começo deste mês, Eduardo Bolsonaro compartilhou um vídeo em que o apresentador comemora a morte de criminosos que trocaram tiros com a polícia.

Eduardo Bolsonaro🇧🇷@BolsonaroSP
 

Sikera 1.000 vezes! https://twitter.com/Ivanavanab/status/1224855672803811329 

Ivana 🇧🇷🇮🇱🧂🐸👉🏻@Ivanavanab
 

Noticiando a morte de um bandido em rede nacional:

GLOBO vs. SIKERA JÚNIOR

Entendeu porque o @sikerajr é um sucesso?!
🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣#AlertaNacional

Vídeo incorporado

Depois foi a vez do presidente da República compartilhar outra vulgaridade de Sikêra. Cumprindo o script bolsonarista de ataque às minorias, o apresentador acusa duas mulheres lésbicas, que ainda eram apenas suspeitas, de terem matado uma criança. Ele ainda usou o fato para debochar das esquerdas e da luta contra a homofobia, usando termos conhecidos do glossário bolsonarista.

Jair M. Bolsonaro@jairbolsonaro

- Para onde estávamos indo...
- @sikerajr

Vídeo incorporado
 

Passado mais de um ano de mandato, a relação do governo de extrema direita com as emissoras de TV não poderia estar melhor. Tirando a Globo, que parece ser o único canal que pode dizer que está fiscalizando o governo Bolsonaro, mas que não chega perto daquela volúpia vista contra outros governos. Apesar de ter virado a grande algoz do governo na boca dos bolsonaristas, a agenda ultraliberal de Paulo Guedes acalma os ânimos da Família Marinho.

A relação promíscua entre o governo e as emissoras de TV não é uma questão de opinião, mas um fato confirmado pelo caso Wajgarten. Os empresários de TV estão com tanta moral com o presidente, que nessa semana se juntaram para pressioná-lo a dar mais verba. Wjangarten organizou uma reunião para que os empresários pudessem convencer Bolsonaro a voltar com os lucrativos sorteios de prêmios na TV. E convenceram. O presidente já está articulando uma medida provisória para atender o pedido dos seus aliados.

Os barões da mídia estão contribuindo para a naturalização e a consolidação do projeto bolsonarista de destruição da democracia. É importante lembrar que as TV operam sob uma concessão pública, mas desenham sua programação para atender interesses privados e difundir uma ideologia reacionária. Quando Bolsonaro disser que é perseguido pela mídia, lembre-se que quase todas as grandes emissoras da TV aberta estão ao seu lado. E lucrando muito com isso.

moro olavo tv globo pato fiesp bolsonaro TUTUBARAO

 

13
Fev20

Record, Globo e o "capitão Adriano"

Talis Andrade

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Por Pedro Simon Camarão
Fundação Perseu Abramo

Domingo é o dia em que as principais emissoras de TV apresentam suas revistas eletrônicas. Na TV Globo, é o Fantástico. Na Record, o Domingo Espetacular. Ambos os programas exibiram reportagens sobre a morte do ex-policial militar carioca Adriano Magalhães da Nóbrega. Adriano é ex-capitão do Bope do Rio de Janeiro e foi expulso da corporação em 2014. Ele era procurado porque integrava um grupo de assassinos profissionais identificado como Escritório do Crime e ainda seria dirigente de um grupo de milicianos que explora a comunidade da Muzema, na zona Oeste do Rio de Janeiro.

Muita gente deve saber que Adriano da Nóbrega não é apenas um miliciano carioca. O Escritório do Crime é o grupo acusado pela execução da vereadora do PSOL (RJ) Marielle Franco, crime que continua sem solução mais de um ano após ter ocorrido. Embora tenha sido citado nas apurações sobre a morte de Marielle, o miliciano não é apontado como um dos suspeitos. O que levou o ex-capitão do Bope aos noticiários mais recentemente foi a sua ligação com o clã Bolsonaro. O atual senador, Flávio Bolsonaro, prestou homenagens ao policial com moções de louvor na Assembleia Estadual do Rio de Janeiro quando ainda era deputado estadual. A primeira foi em 2003. O comportamento do miliciano foi elogiado por Flávio Bolsonaro. A segunda foi em 2005. Flávio concedeu a medalha Tiradentes ao PM, a mais alta honraria da Alerj. Na época da homenagem Adriano estava preso acusado de assassinar um guardador de carros que denunciou a ação de milicianos.

A ligação de Adriano com os Bolsonaro vai além. A mãe e a esposa do miliciano foram empregadas por Flávio Bolsonaro como assessoras parlamentares. As duas são investigadas por participação no esquema de “rachadinhas” que seria articulado por outro assessor de Flávio, o Fabrício Queiroz. De acordo com as investigações, Adriano também receberia parte do dinheiro do esquema.

Todos os fatos elencados até aqui, certamente, são de interesse público, objetivo fundamental do jornalismo. Entretanto, constam apenas na reportagem apresentada pela TV Globo. A reportagem exibida pelo Fantástico durou cerca de 5 minutos, mas não exibiu a imagem de Flávio Bolsonaro, apenas mencionou o senador. Já a foto de Fabrício Queiroz foi exibida. A reportagem do Domingo Espetacular teve apenas 2 minutos e não fez qualquer menção ao clã Bolsonaro. Nada. O programa apenas indicou que o miliciano poderia ter ligação com o assassinato da vereadora Marielle Franco.

É óbvio que os interesses políticos de cada uma das emissoras influenciam o conteúdo dos programas jornalísticos. Nesse caso, fica evidente que a TV Globo, emissora que vem sendo atacada por Jair Bolsonaro desde o período eleitoral em 2018 e que perdeu enormes quantias de verba publicitária estatal desde o início do atual governo, tenta gerar desconfiança sobre o clã Bolsonaro. É bem verdade que não é necessário fazer qualquer “malabarismo” no texto. Os fatos são fortes. Por outro lado, a TV Record, emissora que vem recebendo mais verba do governo e que é de propriedade de Edir Macedo - líder da Igreja Universal que declara apoio incondicional a Jair Bolsonaro -, não toca no assunto e priva sua audiência do direito de se informar.

A diferença de abordagem mostra que os veículos de informação constroem sentidos completamente diferentes sobre os mesmos fatos. O tema tratado aqui é apenas um. Diariamente, Globo e Record, bem como as outras empresas de comunicação, apresentam as notícias de acordo com seus próprios interesses.

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30
Jan20

Bolsonaro da dinero a medios amigos

Talis Andrade
 Un estudio en Brasil revela la distribución discrecional de publicidad estatal
 

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El gobierno del presidente ultraderechista brasileño, Jair Bolsonaro, está privilegiando alevosamente con los fondos públicos de la publicidad a tres empresas de televisión que funcionan como su sostén, en una reproducción de un modelo totalmente discrecional, como el de Argentina y otros países, según un estudio publicado en medios no convencionales.
 
El trabajo, difundido en el espacio Tijolaço, un medio que agrupa a comunicadores progresistas, muestra que las cadenas Bandeirantes, STB y Record se vieron beneficiadas con un incremento de los fondos públicos, que administra la Secretaría de Comunicación Social, durante 2019, el año en que empezó la gestión de Bolsonaro. Las tres tuvieron subas en comparación con 2018.
 
La nota, firmada por Fernando Brito, deja en evidencia una paradoja muy singular para la realidad brasileña: el grupo Globo, el más grande del país, y que fue decisivo para la gran operación política y judicial que causó el derrocamiento de la presidenta Dilma Rousseff y el encarcelamiento y proscripción de Luiz Lula da Silva, es el más perjudicado.
 
El texto dice que se verifica un “inexplicable favoritismo” del gobierno por las cadenas Record y Bandeirantes en la publicidad estatal. “Gústese o no de Globo”, escribe Brito, las cifras muestran que ese grupo, si bien está en un período de retroceso, “todavía retiene poco más de la mitad de la audiencia” en el total nacional.
 
Agrega que las decisiones para publicitar en una u otra estación se adoptan básicamente según el número de personas que verán el mensaje, un criterio que sin embargo es discutido en Brasil y otras partes del mundo, donde esa ecuación es puesta en discusión con la necesidad de que los Estados se comprometan en la existencia y desarrollo de una amplia gama de medios, no solo los convencionales y comerciales, como lo establecen los estándares internacionales reivindicados por la Organización de Naciones Unidas para la Educación, la Ciencia y la Cultura (UNESCO).
 
Brito expresa de hecho que puede haber “variaciones” en el parámetro por él enunciado, por ejemplo cuando se hacen “recortes de públicos” a los que se desea alcanzar específicamente.
 
El texto, que cita una publicación previa de Folha de São Paulo, destaca los beneficios recibidos por el grupo del obispo Edir Macedo, fundador de la Iglesia Universal del Reino de Dios, convertida en una corporación para la intervención política, económica y comunicacional, aliada del presidente ultraderechista, racista y misógino, y propietaria del grupo mediático Record.
 
Esta empresa tiene una porción publicitaria estatal que multiplica al menos por cuatro lo que le correspondería recibir en términos de volumen de audiencia en comparación con la que Globo reúne.
 
Globo, con su red nacional de televisión, sus periódicos, radios, revistas y espacios en internet, fue crucial para el desplazamiento del poder del Partido de los Trabajadores, al que combatió en todas sus gestiones. Sin su accionar, la denominada operación Lava Jato no habría llegado a los resultados que obtuvo, en especial las causas, sentencias y proscripción de Lula da Silva, favorito indiscutible para ganar las elecciones de 2018, que depositaron al neofascista Bolsonaro en el poder.
 
Es que, como ocurrió también en Argentina, en ocasiones Globo lanzaba versiones y acusaciones de corrupción contra dirigentes del PT con las cuales los jueces, muy especialmente Sergio Moro -hoy ministro de Justicia de Bolsonaro-, lanzaban pesquisas, investigaciones y requisitorias a la vez ampliamente difundidas por el sistema mediático. A veces era al revés: Moro hacía llegar sospechas y acusaciones a Globo, para que las amplificara a escala nacional.
 

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13
Jan20

EDIR MACEDO, UMA VIDA DE REI DOS REIS

Talis Andrade

Quando Jair Bolsonaro anuncia fornecimento de luz gratuita para os templos evangélicos, importante lembrar que também são residências de pastores e bispos, como é caso de Edir Macedo que reside no Templo de Salomão com100 000 metros quadrados de área construída. É a maior igreja do Brasil.

Na cobertura do prédio, a residência oficial de Edir e sua mulher, Ester, esconde um suntuoso palácio. Nos 1 000 metros quadrados há piscina coberta e jardim de inverno. Não existe fechadura na porta de entrada, cuja abertura se dá com um cartão magnético típico de hotéis. A filha Cristiane e seu marido, o bispo Renato Cardoso, ficam em um apartamento de 200 metros quadrados logo abaixo da residência do pai. Ao todo, cinquenta moradias estão localizadas acima do altar. Elas são destinadas a pastores da alta cúpula e visitantes.Segundo andar do apartamento do bispo Edir Macedo, com hall íntimo; closet; suíte máster; sauna privativa com piso em mármore thassos; varanda em mármore travertino; escritório e sala de tv em mármore crema marfil.

Segundo andar do apartamento do bispo Edir Macedo, com hall íntimo; closet; suíte master; sauna privativa com piso em mármore thassos; varanda em mármore travertino; escritório e sala de tv em mármore crema marfil

Áreas internas e externas que conectam a torre A com a torre B do Templo de Salomão. Local inclui quadra de grama sintética; playground; academia; sala de jogos 1 e 2; sanitários masculino e feminino; duas saunas; duas salas de hidromassagem; dois vestiários

Áreas internas e externas que conectam a torre A com a torre B do Templo de Salomão. Local inclui quadra de grama sintética; playground; academia; sala de jogos 1 e 2; sanitários masculino e feminino; duas saunas; duas salas de hidromassagem; dois vestiáriosBild könnte enthalten: Nacht, Text „Você tava achando a sua CONTA DE LUZ CARA??? Agora, imagina dessas igrejas que você vai ajudar a pagar... Esquerda Poética“

O Ministério da Economia confirmou que a concessão de subsídio para a conta de luz de templos religiosos está em estudo nas áreas técnicas da pasta, informa o Estadão.

Segundo o jornal, Jair Bolsonaro pediu ao Ministério de Minas e Energia que elaborasse uma minuta de decreto para permitir descontos nas tarifas de energia de igrejas de grande porte.

Embora a proposta vise beneficiar templos religiosos de forma ampla, os evangélicos são o alvo da medida –a bancada desse segmento é hoje a principal base de sustentação do governo, e Bolsonaro tem atendido às suas reivindicações desde que assumiu a Presidência.

Muitos templos já anunciaram a disposição de ajudar o presidente a coletar as quase 500 mil assinaturas necessárias para criar a Aliança pelo Brasil.Bild könnte enthalten: Text „Beta Bastos @robertabastosn COMO FAÇO PARA REGISTRAR MINHA CASA COMO IGREJA EVANGÉLICA? NÃO ESTOU MAIS A FIM DE PAGAR NEM IPTU NEM ENERGIA ELÉTRICA 9:19 11 jan 20 Twitter for Android“

Por José Roberto Torero

Diário, eu quero ser luz, raio, estrela e luar.

Peralá! Deixa eu explicar melhor, senão parece música do Wando.

É que eu quero ser a luz para as igrejas evangélicas. Ou, pelo menos, quero dar luz de graça para elas.

Tanto que eu propus que os templos de grande porte não paguem mais conta de luz. Ou então que paguem só uma merrequinha.

É claro que alguém vai ter que arcar esse subsídio. E é claro que o mico vai parar nas contas residenciais. Sabe, vai ser até bonito ver um monte de ateu, umbandista e católico pagando a conta da Bispa Sônia.

E eu preciso puxar o saco dos evangélicos, pô!

Essa gente acredita em tudo o que Malafaia fala, em tudo que o Edir diz.

Pensa bem, Diário, se um cara é trouxa a ponto de dar dinheiro pra eles, não vai dar o voto dele pra mim? Claro que vai!

Por isso que eu já dei aval para manter os incentivos fiscais para igrejas até 2032. E também dei uma rasteira nos pernetas e liberei as igrejas de realizar adaptações para acessibilidade em áreas destinadas ao altar e ao batistério.

O que eu quero que os pastores cantem para mim: “Você é luz, raio, estrela e luar! Manhã de sol, meu iaiá, meu ioiô…”

11
Jan20

A guerra virtual: fake news x memes, o humor contra o ódio, a vida contra a morte

Talis Andrade

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Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho e para o Jornalistas pela Democracia

O desenho é bem simples: mostra o prédio-sede do Ministério da Educação em Brasilia com a fachada alterada para “Miniztério da Educassão”.

Precisa dizer mais? Quem assina é o chargista Zé Dassilva, que eu ainda não conhecia. Bombou em todos os grupos das redes.Image

Saem os comentaristas políticos e entram os humoristas, que estão tomando conta das redes sociais, na guerra contra as fake news e do ódio desse governo de mentira.

A luta é desigual porque os novos chargistas e humoristas da internet são amadores e enfrentam uma milícia bem armada, movida por robôs e muito dinheiro, para propagar as fake news do capitão e inventar outras.

Com poucas palavras e muita criatividade, vejo com alegria o surgimento desta nova geração que enfrenta com estilingue a tropa de choque do boçalnarismo em marcha.

Por uma feliz coincidência, estamos comemorando estes dias os 50 anos do “Pasquim”, o semanário humorístico que, mesmo sob censura, mais azucrinou os poderosos da época da ditadura militar.

Nenhum editorial ou colunista político tem a força dos traços de Aroeira e Miguel Paiva, dois remanescentes daquela época, que voltaram com a corda toda no Brasil 247, onde fazem parte do grupo Jornalistas pela Democracia, ao qual também pertenço.

Levo horas para escrever um texto que eles resumem num quadrinho para detonar os poderosos e ridículos neofascistas do atual governo.

A ofensiva contra o Porta dos Fundos mostra como os humoristas do traço ou do vídeo estão incomodando esta súcia de imbecis que agridem a democracia e o vernáculo.

O personagem da semana nos memes foi esta aberração chamada Abraham Weintraub, o “imprecionante” analfabeto funcional, sem caráter e seu noção, que está destruindo a Educação brasileira.

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Não sei como ainda não bateram em Darci Ribeiro, outro educador mundialmente admirado que foi cassado pelos militares e lutou contra eles até o último sopro de vida.

Vai ver que nem sabem de quem se trata porque eles não têm o hábito da leitura e odeiam o conhecimento.

Os mais antigos já diziam que rir é o melhor remédio. Em seu site “O Nocaute”, o jornalista e escritor Fernando Morais, ex-secretário da Educação de São Paulo, também se deu conta disso e abre cada vez mais espaço para o humor.

Outro grande jornalista e escritor, Humberto Werneck, dono de uma imperdível coluna no Estadão, agora se comunica por memes fantásticos que recolhe nas redes sociais, e escreve cada vez menos no nosso grupo da Confraria de Litros, criada por Frei Betto, com uma turma que vive das palavras escritas, tão vilipendiadas pelo capitão presidente.

Quando as palavras perdem a força e o sentido, desenhar pode ser uma saída para que eles nos entendam.

Enfim, não adianta chorar o leite derramado.

Fustigar o poder com humor ainda é a melhor forma de não enlouquecermos de vez neste grande hospício em que o país foi transformado.

Viva o humor, viva os humoristas, abaixo a censura!

Vida a vida, abaixo a morte!

Bom fim de semana a todos.

Parafraseando Nelson Rodrigues, os cretinos fundamentalistas escolheram o grande Paulo Freire, um dos maiores educadores do século passado no mundo, como alvo principal, sem saber a importância da “Pedagogia do Oprimido” na formação de gerações de brasileiros.

Ou exatamente por isso ele foi preso e exilado pela ditadura de 1964, e continua sendo combatido mesmo depois de morto, por esses completos idiotas que assumiram o poder pelo voto.

Piores que eles são os que votaram nesta canalha, porque estes vão continuar infernizando o país, mesmo depois que Bolsonaro se for.

Não sei como ainda não bateram em Darci Ribeiro, outro educador mundialmente admirado que foi cassado pelos militares e lutou contra eles até o último sopro de vida.

Vai ver que nem sabem de quem se trata porque eles não têm o hábito da leitura e odeiam o conhecimento.

Os mais antigos já diziam que rir é o melhor remédio. Em seu site “O Nocaute”, o jornalista e escritor Fernando Morais, ex-secretário da Educação de São Paulo, também se deu conta disso e abre cada vez mais espaço para o humor.

Outro grande jornalista e escritor, Humberto Werneck, dono de uma imperdível coluna no Estadão, agora se comunica por memes fantásticos que recolhe nas redes sociais, e escreve cada vez menos no nosso grupo da Confraria de Litros, criada por Frei Betto, com uma turma que vive das palavras escritas, tão vilipendiadas pelo capitão presidente.

Quando as palavras perdem a força e o sentido, desenhar pode ser uma saída para que eles nos entendam.

Enfim, não adianta chorar o leite derramado.

Fustigar o poder com humor ainda é a melhor forma de não enlouquecermos de vez neste grande hospício em que o país foi transformado.

Viva o humor, viva os humoristas, abaixo a censura!

Vida a vida, abaixo a morte!

Bom fim de semana a todos.

Vida que segue. 

 

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20
Nov19

Novo projeto de poder de Bolsonaro, a Aliança pelo Brasil é o primeiro partido neofascista do país

Talis Andrade

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por João Filho

BOLSONARO ALUGOU um partido nanico, ajudou a transformá-lo em um dos maiores partidos do Brasil e agora o abandona após uma tentativa fracassada de golpe para tomar o seu controle e abocanhar o fundo partidário. Pela ótica da dinâmica política tradicional, esse jogo é uma loucura que levaria ao enfraquecimento e isolamento do governo. Mas não é assim que pensa quem tem como objetivo destruir a democracia como a conhecemos.

O presidente da República já mostrou que não tem nenhum interesse em formar uma maioria no Congresso que o ajude a governar. É um governo que renega as mediações democráticas e busca a radicalização para atingir seus objetivos.

Desde a posse, a família Bolsonaro vem implodindo grandes aliados construídos durante a campanha. Bebianno, Alexandre Frota, Joice Hasselmann, Witzel, João Doria e Luciano Bivar são alguns nomes que foram expurgados de maneira desleal. A tropa de choque bolsonarista vai ficando cada vez mais reduzida e isso não parece ser um problema para a família Bolsonaro. Ao que tudo indica, a intenção é ir empurrando o governo com a barriga, rezar para a economia sair do buraco e continuar apostando na fidelização da sua militância alucinada nas redes sociais. Não é novidade que este é um governo preocupado exclusivamente em agradar um séquito de reacionários e lunáticos catequizados por Olavo de Carvalho.

O presidente anunciou essa semana a criação da Aliança pelo Brasil, a futura nova casa da extrema-direita governista brasileira. Mais que isso: será uma sigla controlada pela família Bolsonaro e formada apenas por devotos fiéis do presidente.

Não se sabe ainda se a Aliança pelo Brasil será criada a tempo de disputar as eleições municipais do ano que vem. Se tudo for feito como manda a lei, será quase impossível. Mas estamos no Brasil 2019 e sabemos que as leis não têm sido garantia de muita coisa.

Será necessário coletar quase 500 mil assinaturas em pouco mais de quatro meses, o que seria um feito inédito. Mas os bolsonaristas contam que isso será possível com assinaturas digitais, feitas através das redes sociais e de um aplicativo que será lançado pelo partido. Acontece que a lei não prevê a possibilidade das assinaturas digitais, apenas em papel. Como será impossível juntar quase meio milhão de assinaturas em papel em quatro meses, o bolsonarismo vai conseguir as assinaturas digitais e tentar jogar essa disputa pro campo jurídico. Diante da escalada dos discursos autoritários do governo, alguém duvida que haverá radicalização e incitação do povo contra os tribunais quando esse caso for julgado? Ou será que os Bolsonaro vão mandar logo um cabo e um soldado ao TSE? Me parece bastante claro que o bolsonarismo não irá retroceder nem aceitar qualquer decisão que não seja a criação do partido do presidente. Eles não entraram nessa empreitada para depois ficarem sem partido.

É possível que haja, como houve nas eleições, uma grande mobilização das igrejas evangélicas pela criação do partido. Será que teremos pastores na porta da igreja trocando assinatura por um pedacinho no céu? O bispo e prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella já colocou a máquina da Igreja Universal à disposição para a coleta de assinaturas.

O manifesto de fundação do partido é um ajuntamento de chavões fascistoides. Não há nada ali que lembre um projeto de país, que pregue a conciliação, que apresente propostas para a economia e para o desenvolvimento social. É só um panfleto rancoroso que aposta no maniqueísmo e no confronto como método de governo, tendo Jair Bolsonaro como um líder messiânico. “Muito mais que um partido, é o sonho e a inspiração de pessoas leais ao Presidente Jair Bolsonaro, de unirmos o país com aliados em ideais e intenções patrióticas”, diz o manifesto. A palavra democracia não é citada em nenhum momento do texto. O partido se apresenta oficialmente como um grupo político formado por pessoas leais a um único político. É essa lealdade incondicional ao Messias que motivou o rompimento dos bolsonaristas com o PSL. Não havia divergências ideológicas ou programáticas entre eles. A separação se deu porque o núcleo bolsonarista queria o controle do partido e não admitia conviver com correligionários que não demonstrem lealdade cega e absoluta ao seu grande líder.

Em outro trecho, o manifesto diz que “a Aliança pelo Brasil é o caminho que escolhemos e queremos para o futuro e para o resgate de um país massacrado pela corrupção e pela degradação moral contra as boas práticas e os bons costumes”. As “boas práticas” e os “bons costumes” certamente não se referem às rachadinhas no gabinete do Flávio Bolsonaro nem ao conteúdo pornográfico que o presidente publicou no Twitter. É só a velha ladainha moralista que os moralistas gostam de pregar, mas não de cumprir.

Nos perfis do projeto de apresentação do novo partido de Bolsonaro, as palavras “Deus”, “pátria” e “família” são exibidas. Não parece coincidência o fato de esse ser o lema dos integralistas.

 

Inspirados no fascismo italiano, os integralistas são um movimento ultrarreacionário, criado há oito décadas no Brasil para abrigar o ideário fascista. A Ação Integralista Brasileira teve papel fundamental no golpe militar de 64 e hoje apóia o governo Bolsonaro. Durante as eleições, o grupo formalizou apoio à candidatura do ex-capitão e chegou a participar de um ato de campanha na avenida Paulista. Muitos integralistas são filiados ao PRTB de Levy Fidelix, cujo lema da campanha para deputado federal também era “Deus, pátria, família”.

Mas não é só o lema. Tudo na Aliança pelo Brasil lembra os integralistas, desde a estética à ideologia. A defesa dos valores cristãos, a rejeição à democracia liberal, o nacionalismo autoritário — tudo parece ser uma cópia dos integralistas. Não dá nem para chamar de versão moderna do integralismo, porque tudo no bolsonarismo cheira a mofo.

A Aliança pelo Brasil pode ser classificada com tranquilidade como o primeiro partido neofascista do Brasil. Sim, neofascista. Todos os elementos estão ali: o ultranacionalismo, o anticomunismo, a contestação permanente da democracia liberal, a veneração por um líder populista, o discurso autoritário. Será um partido neofascista de cunho religioso e que já nascerá com alguma relevância no jogo político partidário, já que foi criado pelo presidente da República e tem como uma de suas principais bandeiras a exaltação de sua figura. É uma pena que a grande imprensa nacional, que até hoje evita chamar o governo Bolsonaro de extrema-direita, jamais chamará o neofascismo pelo nome.

A democracia brasileira está prestes a fornecer espaço para um partido cujos fundadores ameaçam constantemente a democracia, atacam princípios constitucionais e exaltam os criminosos do regime militar. É um partido que resgatará oficialmente o legado do fascismo brasileiro. O Partido Social Liberal, que foi temporariamente ocupado para a extrema-direita poder entrar na democracia, ficou pequeno. Faltava um partido genuíno, criado para unir todos as tribos neofascistas que desejam exaltar Bolsonaro e o Deus cristão. Não falta mais.

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04
Nov19

Revolta contra Igreja Universal gera morte e crise diplomática em São Tomé e Príncipe

Talis Andrade
Polícia Militar interveio para conter a depredação de templos da Universal em São Tomé e Príncipe

Templo da Universal em São ToméPolícia Militar interveio para conter a depredação de templos da Universal em São Tomé e Príncipe

 

A cúpula da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) tenta conter uma revolta popular que provocou a depredação de vários templos da igreja e a morte de um adolescente em São Tomé e Príncipe, um dos 23 países africanos onde a denominação brasileira está presente.

A crise — que envolveu chefes de Estado africanos, mobilizou congressistas brasileiros e o Itamaraty — pode resultar na expulsão da Iurd de São Tomé e Príncipe, uma ex-colônia portuguesa insular com cerca de 200 mil habitantes no oeste da África.

O imbróglio teve início em 11 de setembro, quando um pastor são-tomense da Universal foi preso na Costa do Marfim, acusado de ser o autor de mensagens que denunciariam supostos abusos da igreja contra funcionários africanos.

O são-tomense preso, Iudumilo da Costa Veloso, virou pastor da Universal em seu país natal, mas foi transferido há 14 anos para a Iurd da Costa do Marfim. Nove dias após ser detido, ele foi considerado culpado pelas mensagens e condenado a um ano de prisão.

Os textos atribuídos a ele acusavam a Iurd de privilegiar pastores brasileiros e discriminar clérigos africanos. Segundo os posts, a Universal impedia muitos pastores africanos de se casar ou os obrigava a fazer vasectomia para que não tivessem filhos — assim, poderiam se dedicar integralmente à igreja.

O autor também acusava bispos e pastores brasileiros de se apropriar de dízimos recebidos pela igreja, além de "humilhar, insultar, esmagar e escravizar os (pastores) africanos". [Transcrevi trechos]

11
Set19

A queda de braço entre a Igreja Universal e as autoridades de Berlim

Talis Andrade

Capital alemã quer impedir que grupo neopentecostal brasileiro adquira uma sede própria na cidade. Subprefeito critica método de captação de doações entre fiéis e diz que falta transparência financeira na igreja

Sede alemã da Igreja Universal do Reino de Deus em Berlim

Sede alemã da Igreja Universal do Reino de Deus em Berlim

 

DW - No coração da praça Leopold, no bairro berlinense de Wedding, que reúne uma alta concentração de imigrantes, fica o imóvel que é alvo de uma iminente disputa entre a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e a prefeitura do distrito Mitte.

A Universal aluga o local desde 2016, mas agora deseja se tornar a proprietária do imóvel, uma imponente igreja neogótica do século 19. O plano, porém, não agradou às autoridades municipais, que agora tentam impedir a transação.

"A presença da Universal não enriquece nosso distrito nem a região", afirmou o subprefeito do Mitte, Stephan von Dassel, do Partido Verde. Dassel afirma que o histórico da Universal e seus métodos são incompatíveis com a região. Na sua opinião, a igreja arrecada doações entre seus fiéis com base em falsas promessas de que, ao entregar o dinheiro, todo os problemas serão resolvidos. Ele ainda critica a falta de transparência sobre a destinação do dinheiro arrecadado.

O braço alemão da Universal está presente em 11 cidades do país, incluindo Frankfurt, Hamburgo, Colônia e Munique. Sua base de fiéis é formada principalmente por imigrantes  brasileiros e africanos falantes do português, mas também alguns alemães e latinos. Sua sede nacional fica em Berlim, na Nova Igreja Nazareth – justamente o imóvel que é alvo da disputa, que foi alugado pela IURD há três anos.

Na praça Leopold, a antiga igreja luterana, tombada pelo patrimônio histórico, se destaca com sua torre de 78 metros de altura. O interior é modesto: no centro do altar há uma cruz e a inscrição em alemão do slogan do grupo religioso "Jesus Cristo é o Senhor". Em algumas janelas, há os típicos vitrais coloridos de igrejas católicas.

Em comparação com os megatemplos extravagantes da Universal no Brasil, a construção pode parecer tímida, mas no contexto arquitetônico da capital alemã, a aparência externa da sede tem uma suntuosidade chamativa.

A Universal local iniciou suas atividades na capital alemã em 2000. Além dos tradicionais cultos, realizados em alemão e português e traduzidos para o inglês, que ocorrem diariamente, o templo possui ainda um centro de ajuda, que propagandeia oferecer assistência a pessoas em busca de apoio ou orientação espiritual.

"Em meu conhecimento, essa ajuda é direcionada para que rapidamente muito dinheiro seja doado para a igreja. Como se os problemas existentes se resolvessem sozinhos por meio destas doações", diz Dassel.

Sonho da sede própria

Depois de anos alugando outros imóveis, a Universal se mudou para a sede atual em 2016. Parecia ter finalmente encontrado um local ideal para fixar raízes na cidade por meio de uma sede própria. Segundo o pastor Ulices Vidal, a transação é necessária para dar continuidade em melhores condições ao trabalho espiritual e social que a Universal afirma promover.

"Estamos para ficar e as pessoas que nos visitam – seja no inverno quando o frio é muito ou no resto do ano – precisam de condições condignas. Nesse aspeto não somos uma igreja diferente de outras", afirmou.

Nova Igreja Nazareth

Universal aluga Nova Igreja Nazareth desde 2016

 

A Universal confirmou que a venda da Nova Igreja Nazareth já conta com o aval do atual proprietário, o grupo religioso Comunidade de Deus da Alemanha, que adquiriu o imóvel do distrito de Mitte em 1993, por 440 mil marcos alemães (aproximadamente 400 mil euros em valores corrigidos). 

Durante anos, o templo foi utilizado pela Comunidade de Deus, até a transferência da sede para outra região. Depois disso, segundo o presidente do grupo religioso, Marc Brenner, houve uma tentativa de encontrar junto com a cidade um destino para o prédio. Segundo ele, as conversas fracassaram, e há três anos o grupo decidiu alugar o imóvel para a Universal.

Brenner afirmou que a igreja está à venda há anos e que ficou surpreso com a atual reação das autoridades, que ameaçam entrar na Justiça para impedir a transação. "Não conseguimos esconder nossa decepção com o desenvolvimento da situação nos últimos anos e nos últimos meses", ressaltou.

Nem a Comunidade de Deus da Alemanha nem a Universal quiseram informar o valor do negócio. Mas considerando a explosão atual nos preços dos imóveis da cidade, com apartamentos de 70 metros quadrados na região da Nova Igreja Nazareth sendo vendidos por cerca de 350 mil euros (mais de 1,5 milhão de reais), o valor negociado deve facilmente passar de 1 milhão de euros.

A Universal deu sinais de que o dinheiro não parece ser um empecilho para a transação. Mas o desejo do grupo brasileiro de possuir uma sede própria em Berlim deve ser alvo agora de uma batalha judicial, na qual, incialmente, o distrito de Mitte larga com vantagem.

Segundo o subprefeito Dassel, o contrato de venda assinado em 1993 com a Comunidade de Deus tem uma cláusula que prevê que o atual proprietário só pode repassar o titulo do imóvel  com o aval da prefeitura.

E o antigo contrato também prevê que, se o atual proprietário efetuar a venda sem essa autorização, o distrito tem o poder de rescindir o acordo da década de 1990 e recuperar a propriedade da Nova Igreja Nazareth somente devolvendo o valor da transação original – algo que hoje seria uma pechincha para a cidade, considerando a valorização dos imóveis na região.

Jair Bolsonaro, Silvio Santos (R) und Edir Macedo

Edir Macedo, fundador da Universal, esteve também ao lado de Bolsonaro nas comemorações

do 7 de setembro em Brasília

 

Segundo Dassel, caso a Comunidade de Deus e a Universal insistam na transação, a subprefeitura deve acionar a Justiça para fazer valer o contrato assinado em 1993. O subprefeito contou ainda que a prefeitura quer recomprar a igreja, independente do avanço ou não do negócio entre os dois grupos religiosos.

Em relação à recusa do distrito e às críticas de Dassel sobre os métodos da Universal, o pastor Vidal afirmou que as autoridades deveriam conhecer o trabalho do grupo brasileiro antes de assumirem posições negativas. "Em vários países e cidades o trabalho da Igreja Universal é muito bem recebido e elogiado. Aqui não será diferente. Cumprimos a lei e queremos operar dentro do sistema e na comunidade", acrescentou.

Mídia e poder

Fundada em 1977, por Edir Macedo, a Universal está presente em mais de 80 países. No Brasil, o grupo religioso comanda um dos maiores conglomerados de mídia do país, além de ter uma ligação com o partido Republicanos, antigo Partido Republicano do Brasil (PRB), legenda do atual prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, sobrinho de Macedo e bispo da Universal.

Macedo nunca escondeu seu desejo de ampliar a influência do grupo e, em um livro lançado em 2008, intitulado O Plano do Poder, chegou a dizer que Deus tinha planos políticos para os evangélicos.

O grupo religioso apoiou abertamente a candidatura de Jair Bolsonaro e permanece como um dos pilares de sustentação do ex-militar. Em 1º de setembro, o presidente chegou a participar de um culto comando por Edir Macedo no megatemplo da Universal em São Paulo. "Se ele [Bolsonaro] for fracassado, nós seremos fracassados como temos sido fracassados por conta dos desmandos, desleixos e injustiças que tivemos nesse país até aqui", afirmou Macedo, durante o culto, logo depois de fazer críticas à imprensa. O bispo esteve também ao lado de Bolsonaro nas comemorações do 7 de setembro em Brasília.

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10
Set19

La censura en Río de Janeiro a un cómic con un beso gay

Talis Andrade

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por Juraima Almeida

No sucedió en un país del Medio Oriente, sino en la turística Río de Janiero, donde inspectores municipales, cumpliendo funciones de Policía Moral a las órdenes del alcalde evangélico Marcelo Crivella –aliado de Jair Bolsonaro y sobrino del dueño de la Iglesia neopentecostal Universal del Reino de Dios, Edir Macedo–, invadieron la Bienal del Libro y comenzaron a recorrer los stands de las editoriales en busca de “escenas de homosexualismo”.

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Hasta uno de los diarios más vendidos de Brasil, Folha de Sao Paulo, respondió a la homofobia del intendente de Río de Janeiro , con una tapa en homenaje al cómic del beso entre dos hombres que el político y exobispo evangélico había censurado en la Bienal Internacional. Crivella ordenó el jueves que se retiraran de los estantes 

de la exposición el cómic de Marvel «VInspectores en la Bienal del Libro de Río (Foto: gentileza Prensalibreonline).engadores, la cruzada de los niños» por considerarlo «inapropiado» para menores.

Que el ultra homofóbico Crivella, obispo de la Iglesia Universal del Reino de Dios, censura un beso gay no podía sorprender a nadie.

«Más que una iglesia, la Universal, que ahora está en decenas de países, es una mafia con vinculaciones con el crimen organizado y el lavado de dinero, que se dedica a recaudar dinero de múltiples formas y que, además de hacer millonarios a sus dueños y sus socios, ha servido para fundar un proyecto político que llevó a varios pastores al Congreso, a los ministerios y a legislaturas provinciales y locales, y, en 2016, conquistó la alcaldía de la Ciudad Maravillosa», señala Bruno Bimbi.

Fue un mega operativo, con toda la pompa, como si buscaran un cargamento con toneladas de cocaína, una bomba, el escondite de una célula terrorista o algo aún más peligroso. Pero buscaban libros. “Libros impropios”, como los calificó el alcalde. El gobierno mandó inspectores a la Bienal para retirar de circulación los libros que tuvieran contenido LGBT. No quedó claro si, luego de identificarlos y decomisarlos, organizarían una quema en alguna plaza pública, como los nazis. A este punto llegó el Brasil de Bolsonaro, señala el periodista Bruno Bimbi.

 

Pero su decisión, que fue calificada por diversas instituciones como un acto de censura, generó el efecto contrario: rápidamente los números de la historieta se agotaron y los internautas inundaron las redes con el hashtag #LeaConOrgullo, en apoyo a la causa de la comunidad LGBT (lesbianas, gays, bisexuales y transgénero).

La Justicia ya condenó el acto de homofobia del intendente y aclaró que las autoridades deben «abstenerse de confiscar obras en función de su contenido, especialmente aquellas que tratan sobre homotransexualidad», y tampoco pueden «suspender la licencia de la Bienal», de acuerdo al fallo del magistrado Heleno Nunes, quien concedió una medida cautelar al constatar una «aparente afronta a los principios constitucionales pertinentes a la libertad de expresión».

«Hay una cierta controversia en los medios por la decisión de la Alcaldía de mandar recoger los libros que tenían contenido de homosexualidad, afectando a un público infantil, juvenil», afirmó Crivella este viernes en un video publicado en su cuenta de la red Twitter. «Lo que hicimos es para defender a la familia. Ese asunto debe ser tratado en la familia, no puede ser inducido, sea en la escuela, en la edición de libros, sea donde sea», justificó.

La Bienal del Libro es uno de los mayores eventos literarios de Brasil. Además de exhibir todo tipo de publicaciones, ofrece charlas, debates y conversatorios con escritores.

La Bienal reivindicó que se trata de un festival «plural» que da «voz a todos los públicos, sin distinción, como debe ser una democracia». «La dirección del festival entiende que, en caso de que algún visitante adquiera una obra que no le agrade, tiene todo el derecho de solicitar un cambio de producto, como prevé el Código de Defensa del Consumidor», subrayaron. Inclusive, están previstos paneles de debate sobre literatura trans y LGBT, añadieron sus organizadores.

A pesar de que el Congreso -de perfil conservador- nunca legisló al respecto, un fallo de la Corte Suprema de Brasil autorizó en 2011 la unión civil entre personas del mismo sexo. Este año el país criminalizó la homofobia, equiparándola al delito de racismo, un paso importante para las minorías sexuales en uno de los países con más asesinatos de personas de la comunidad LGBT del mundo.

Antes del operativo, las autoridades de la Bienal habían recibido una intimación extrajudicial del municipio, avisando que cualquier obra con contenido homosexual debería ser cubierta con una funda negra lacrada e identificada con una advertencia, o bien retirada de circulación. Los inspectores iban con órdenes de decomisar las obras prohibidas. El inédito e ilegal acto de censura e intimidación –Crivella llegó a amenazar con clausurar la bienal, quitándole la licencia para funcionar– fue comunicado, con orgullo, por el propio alcalde, a través de un video publicado en internet.

La historia de superhéroes de 264 páginas en la que dos de sus personajes hombres son novios, llevó al evangélico Crivella a denunciar que la publicación tenía “contenido sexual para menores” y a ordenar que deje de ser exhibida para «proteger a los menores de la ciudad».

Todo comenzó por culpa de un beso. Un simple y hermoso acto de amor, protagonizado por Hulkling y Wiccan, personajes de Los Jóvenes Vengadores, versión juvenil del clásico de Marvel. El cómic donde los superhéroes gay se besan en la boca, «Vengadores: La cruzada de los niños” #9, fue publicado en 2010 en Estados Unidos y llegó a Brasil en 2016. Estaba a la venta en el stand de la editorial Panini Comics. El guionista Allan Heinberg, que trabajó en la obra junto al dibujante Jim Cheung, ya fue nominado para el premio Eisner.

La imagen del beso circuló esta semana por whatsapp y provocó la indignación de los evangélicos brasileños, entre ellos el alcalde carioca. que inmediatamente decidió que ese cómic no podría ser vendido en la Bienal y dijo que la censura era necesaria para “proteger a los menores” de la peligrosísima influencia de un beso gay, porque con los besos heterosexuales no hay problema.

Lo que vino después fue una caza de brujas comandada personalmente por el subsecretario de operaciones de la Secretaría Municipal de Orden Público, coronel Wolney Dias, con los agentes de la Policía Moral del municipio recorriendo los stands para comprobar si, además de la osadía de Hulkling y Wiccan, había algún otro libro o revista a la venta en la Bienal con Así se logró la exhibición del beso de la polémica en todos los puestos de diarios de Brasil

“escenas” de homosexualidad, o, como dice el alcalde, el homosexualismo.

Lo cierto es que la revista con el beso ya se había agotado cuando llegaron los censores: el público corrió a comprarla, algunos por curiosidad, otros como protesta. Según Folha de São Paulo, que hoy reprodujo en su tapa, gigante y a todo color, el beso prohibido, empleados de algunos stands reconocieron que recibieron órdenes para retirar cualquier obra de ese tipo, para evitar problemas.

Tras la inspección «moralizantes», otros stands colocaron en exhibición todas las obras con contenido LGBT que tenían para vender, como forma de protesta, además de emitir duros comunicados de repudio.
El youtuber brasileño Felipe Neto anunció por twitter que había comprado 10 mil libros con temática LGBT a y los distribuiría este sábado en la Bienal de forma gratuita, con un adhesivo que dice: “Este libro es impropio para personas atrasadas, retrógradas y prejuiciosas”.

Los organizadores de la Bienal recurrieron a la justicia y consiguieron una medida cautelar del juez Heleno Ribeiro Pereira Nunes, de la Quinta. Cámara Civil, que prohibía al alcalde “buscar y aprehender” obras en el evento o cancelar su licencia de funcionamiento. Pero el presidente del Tribunal de Justicia de Río de Janeiro, Claudio de Mello Tavares, dictó una nueva cautelar suspendiendo los efectos de la anterior y avalando la censura. Todo el episodio, inclusive con este preocupante aval de la justicia, es revelador del momento político que vive Brasil.

 

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