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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

04
Set21

Nazistas, fascistas e tanques não impedirão a chegada da primavera

Talis Andrade

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por Abdael Ambruster

O mundo assiste perplexo o que se passa no Brasil, mais de meio milhão de mortos pelo COVID-19, a fome que volta a assolar os lares dos brasileiros, o desemprego aumentando e, enquanto isso, a Republica é corroída pela ferrugem não só dos tanques que “desfilaram em Brasília, mas pela ferrugem do autoritarismo, incompetência, corrupção, negacionismo, fundamentalismo e, NAZISMO. Sim isso mesmo, o presidente da república não é mais um fascistóide, que faz do apito de cachorro um aceno para a sua turba ensandecida, é um admirador do nazismo já devidamente identificado graças aos esforços de uma mulher de coragem, Dra Adriana Dias professora da UNICAMP, que há décadas se dedicada a identificação e desmantelamento de células nazistas no Brasil.

Eis que o que há de pior da humanidade se faz presente na representação do mandatário da nação, uma pessoa com profundas ligações com o nazismo, não bastava ser homofóbico, preconceituoso, intolerante, misógino, sim, tinha que ser nazista.

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Um pouco de história nunca é demais, não podemos esquecer que o Brasil tinha a segunda maior célula nazista fora da Alemanha nazista nos anos 30 do século passado, não podemos esquecer que o país tinha o partido Integralista com quase um milhão de filiados, uma cópia tupiniquim do fascismo de Mussolini, também nos anos 30 do século passado.

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A semente do mal não desapareceu com a morte de Hitler e Mussolini, canalhas também envelhecem, aqueles jovens que faziam parte destes dois partidos do ódio no Brasil, se transformaram em “respeitáveis” senhores de “certa tradicional família brasileira” e o ódio foi passado de geração pra geração.

Importante ressaltar que a semente da nossa polícia e política de segurança pública, além de ter sido regada pelos 400 anos de política escravocrata com o racismo ainda hoje pulsante, também foi regada pelo esgoto do nazismo, Filinto Muller, chefe da polícia política de Getúlio Vargas foi pra Alemanha Nazista se encontrar com Heinrich Himmler, chefe da Gestapo e da SS para trazer ao Brasil, as dicas odiosas para que pudesse adotar em sua polícia política.

Jair Bolsonaro jamais disfarçou a sua admiração por Hitler, não foi a toa que Roberto Alvim, que foi receber unção na Igreja Bola de Neve em dezembro de 2019, e o seu ministro da cultura, decidiu fazer aquele famoso vídeo imitando o Goebbls, não é a toa que as células nazistas no Brasil aumentaram muito em comparação com os anos anteriores. Hoje, segundo Adriana Dias, a corajosa brasileira que desnudou a face nazista de Bolsonaro, já foram identificadas 530 células, sendo que em 2020 eram 441 e em 2018 eram apenas 89.

O que leva pastores, apóstolos e bispos de igrejas como Renascer, Bola de Neve, Universal, Igreja Mundial, Igreja Internacional e outras denominações, apoiarem um governo que nunca disfarçou o seu tom autoritário e preconceituoso? Será que não é a toa,  ai vamos a mais uma aula de história, que a maioria dos evangélicos na Alemanha apoiaram a ascensão do nazismo e, levaram a prisão e morte de outros evangélicos que se opunham a política de Adolf Hitler. Fica o alerta.

No dia de ontem, 10/08, quando tanques desfilaram sobre Brasília, não foi apenas em cima do asfalto que desfilaram suas enferrujadas esteiras, foi em cima da República, sobre as instituições, STF,  Congresso e nas próprias forças armadas e,  no luto de mais de meio milhão de famílias que perderam o seus entes queridos sob a égide de um governo fadado ao fracasso. Estas esteiras também passaram por cima  do luto de milhares de famílias vítimas de décadas de uma política militarizada e ultrapassada de segurança pública que vitimou corpos pobres, pretos, periféricos, femininos, LGBTQIA+ e originários da nossa nação.

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Mas a República haverá de resistir ao assalto de fascistas, nazistas e fundamentalistas, o povo brasileiro e o Partido dos Trabalhadores resistirão firmes. Para tentar destruir o PT, arruinaram  o país, impitimaram uma mulher honesta, prenderam um homem inocente  e, levaram o país a uma era de trevas, fome e morte.

No entanto, o alvorecer da esperança está chegando, os tanques podem passar por cima de duas ou três flores, mas jamais impedirão a chegada do alvorecer da nova  primavera, os seus dias como presidente estão acabando Bolsonaro, os dias de terror que você, seus filhos e toda sua súcia impuseram a nação, ao meio ambiente e em razão disso, ao mundo de um modo geral, estão com os dias contados.

24
Jul21

“Bolsonaro veio para roubar, matar e destruir”, dizem evangélicos progressistas em manifesto

Talis Andrade

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As maiores igrejas evangélicas continuam a apoiar o Presidente brasileiro Alexandre Cassiano/EPA/HANDOUT

 



Coligação de evangélicos identificados com a esquerda é minoritária, mas as sondagens mostram que o Presidente já perde para Lula entre os brasileiros que seguem esta confissão

 

29
Mai21

Livro revela os pecados da Igreja Universal

Talis Andrade

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Quando foi lançado, em 1995, o livro Nos bastidores do Reino, do ex-pastor Mário Justino, provocou um terremoto na Igreja Universal do Reino de Deus, que enfrentava uma crise institucional, com seu líder – o “bispo” Edir Macedo – envolvido em denúncias graves e debatendo-se com as consequências de uma prisão. Justino chegara a um posto importante na hierarquia da igreja e, desencantado, decidira contar a história de sua vida junto aos principais dirigentes. A igreja conseguiu na justiça a proibição do livro, 22 dias depois de ele ter chegado às livrarias.

É este livro que a Geração Editorial relança agora, com todo o seu conteúdo explosivo, uma nova apresentação do autor e a íntegra da decisão judicial que o liberou. Como escreveu o publisher Luiz Fernando Emediato na apresentação, “este é um livro sobre crimes, purgação e redenção – um livro transformador. Mais que desvendar os segredos da Igreja Universal do Reino de Deus e de alguns de seus  “pastores”, seu autor conta a história de um ser humano – ele mesmo – que sonhou com o paraíso, visitou o inferno e de lá saiu vivo e renovado”.

A reedição transcreve a íntegra da decisão da mesma juíza que o proibiu, Daise Fajardo Nogueira Jacot. Ela reviu sua decisão e concluiu não ter encontrado no relato de Justino nenhuma calúnia, injúria ou difamação.

“O escritor não se voltou contra a Igreja nem contra a religião, mas tão-somente denunciou comportamentos, aliás já antes denunciados por outros dissidentes, por intermédio de vários outros meios de comunicação”, afirma a juíza. Na decisão em que revoga a censura, Daise Jacot ressalta também que nenhum dos pastores e bispos citados foi à Justiça exigir reparação. E que Justino escreveu a obra nos limites de sua “liberdade de manifestação de pensamento e expressão”.

A Igreja Universal tentou de todos os modos impedir a circulação do livro. Primeiro – ao saber que seria lançado – ofereceu ao autor, por intermédio de um advogado, um milhão de dólares para ele desistir. Diante da negativa, ofereceu a mesma quantia à editora, para ela “engavetar” o livro até Justino morrer (ele estava com teste positivo para HIV, numa época em que ainda não havia o coquetel anti-Aids).

Qual era o temor do ”bispo” Edir Macedo e seus seguidores? “Eles eram revelados em toda a sua miserável humanidade”, diz Emediato. “Pessoas comuns, cruéis, gananciosas, vendendo ilusões principalmente para pobres e se divertindo, nos bastidores, com a ingenuidade das pessoas que estavam enganando. Mas eles venceram, naquela época, e continuam vencendo. Em 25 anos o império cresceu. A “Igreja” cresceu não só do ponto de vista do negócio, mas também criou braços no Congresso, na economia, nos meios de comunicação. Um verdadeiro polvo.”

O livro tinha chegado à editora encaminhado por Marcelo Rubens Paiva, acompanhado de um prefácio entusiasmado. “Ninguém será o mesmo depois de conhecer os detalhes da vida de Mário Justino, mas vale a pena correr o risco”, avisou o autor de Feliz ano velho.

Mais que um simples livro de “denúncias”, Nos bastidores do Reino é um profundo mergulho nos abismos humanos. Inocente, cheio de fé e boa vontade, aos 15 anos o autor trocou os estudos e a casa dos pais pela Universal. Negro, inteligente, casado, dois filhos, ele conquistou os chefes da igreja com sua facilidade de expressão e os fiéis com a Bíblia na mão. Transformou-se num grande motor de arrecadação.

Conheceu a opulência, levou vida de rico – mas logo percebeu a ilusão. Não eram a fé e o amor cristão que moviam a “igreja”, que “nada mais era do que uma empresa com fins lucrativos”. E abre o jogo: “Sexo, dinheiro e drogas se confundem, no mesmo púlpito, com orações e salmos de Davi”.

Com suspeita de ter o vírus da aids, Mário Justino sentiu a dor do abandono: Macedo não o amparou. A família foi dilacerada. Desceu ao inferno na Terra. Viveu nas ruas de Nova York, ao lado de mendigos e marginalizados – um doente e drogado condenado à morte. Com desejos de vingança,   comprou uma arma e pensou em matar Edir Macedo. Teve-o na mira, mas não apertou o gatilho.

“Tinha a oportunidade de estourar-lhe os miolos, mas por alguma razão hesitava em fazê-lo”, ele relembra.

O livro teve grande repercussão logo depois de lançado, com notícias sobre suas revelações no Brasil e no exterior. Uma edição foi lançada em Portugal e circulou também na África, onde a Universal estava presente. “A descrição esmiuçada de seu calvário pessoal, com os devidos nomes aos bois, é prova suficiente da sinceridade do autor”, escreveu Barbara Gancia na Folha de S. Paulo. “Em qualquer país sério, essa obra serviria, no mínimo, como estopim para algum tipo de investigação pública”, completou.

“Quando escrevi Nos Bastidores do Reino, em um período de dois meses, em 1993, aos 28 anos, havia em mim certa urgência de contar a história”, diz o autor em nota na reedição do livro. “Com o resultado de um exame de laboratório nas mãos, eu achava que meus dias haviam sido abreviados e que não chegaria aos 30 anos de idade. Pensando assim, eu corria contra o tempo para tentar repor a minha verdade”, acrescenta. Ele completa: “E dessa forma nasceu este livro: como um grito urgente da alma — um desnudamento que, fosse hoje, aos 55 anos, sem o mesmo ímpeto da juventude, talvez não tivesse o ânimo de fazê-lo”.

Qual era o temor do ”bispo” Edir Macedo e seus seguidores? “Eles eram revelados em toda a sua miserável humanidade”, diz Emediato. “Pessoas comuns, cruéis, gananciosas, vendendo ilusões principalmente para pobres e se divertindo, nos bastidores, com a ingenuidade das pessoas que estavam enganando. Mas eles venceram, naquela época, e continuam vencendo. Em 25 anos o império cresceu. A “Igreja” cresceu não só do ponto de vista do negócio, mas também criou braços no Congresso, na economia, nos meios de comunicação. Um verdadeiro polvo.”

O livro tinha chegado à editora encaminhado por Marcelo Rubens Paiva, acompanhado de um prefácio entusiasmado. “Ninguém será o mesmo depois de conhecer os detalhes da vida de Mário Justino, mas vale a pena correr o risco”, avisou o autor de Feliz ano velho.

Mais que um simples livro de “denúncias”, Nos bastidores do Reino é um profundo mergulho nos abismos humanos. Inocente, cheio de fé e boa vontade, aos 15 anos o autor trocou os estudos e a casa dos pais pela Universal. Negro, inteligente, casado, dois filhos, ele conquistou os chefes da igreja com sua facilidade de expressão e os fiéis com a Bíblia na mão. Transformou-se num grande motor de arrecadação.

Conheceu a opulência, levou vida de rico – mas logo percebeu a ilusão. Não eram a fé e o amor cristão que moviam a “igreja”, que “nada mais era do que uma empresa com fins lucrativos”. E abre o jogo: “Sexo, dinheiro e drogas se confundem, no mesmo púlpito, com orações e salmos de Davi”.

Com suspeita de ter o vírus da aids, Mário Justino sentiu a dor do abandono: Macedo não o amparou. A família foi dilacerada. Desceu ao inferno na Terra. Viveu nas ruas de Nova York, ao lado de mendigos e marginalizados – um doente e drogado condenado à morte. Com desejos de vingança,   comprou uma arma e pensou em matar Edir Macedo. Teve-o na mira, mas não apertou o gatilho.

“Tinha a oportunidade de estourar-lhe os miolos, mas por alguma razão hesitava em fazê-lo”, ele relembra.

O livro teve grande repercussão logo depois de lançado, com notícias sobre suas revelações no Brasil e no exterior. Uma edição foi lançada em Portugal e circulou também na África, onde a Universal estava presente. “A descrição esmiuçada de seu calvário pessoal, com os devidos nomes aos bois, é prova suficiente da sinceridade do autor”, escreveu Barbara Gancia na Folha de S. Paulo. “Em qualquer país sério, essa obra serviria, no mínimo, como estopim para algum tipo de investigação pública”, completou.

“Quando escrevi Nos Bastidores do Reino, em um período de dois meses, em 1993, aos 28 anos, havia em mim certa urgência de contar a história”, diz o autor em nota na reedição do livro. “Com o resultado de um exame de laboratório nas mãos, eu achava que meus dias haviam sido abreviados e que não chegaria aos 30 anos de idade. Pensando assim, eu corria contra o tempo para tentar repor a minha verdade”, acrescenta. Ele completa: “E dessa forma nasceu este livro: como um grito urgente da alma — um desnudamento que, fosse hoje, aos 55 anos, sem o mesmo ímpeto da juventude, talvez não tivesse o ânimo de fazê-lo”.

MÁRIO JUSTINO nasceu em São Gonçalo, RJ, em 1965. Foi colunista freelancer do jornal ”The Brasilians”, voltado para a comunidade brasileira em Nova York, onde ainda vive e trabalha na área social

 

Mário Justino, que vive em Nova York como exilado político, não pensa mais em vingança. “A princípio, este livro pretendia ser uma denúncia, um clamor por justiça, mas, à medida que foi sendo concebido, foi assumindo a forma daquilo que realmente é: a trajetória de alguém que, buscando o desconhecido, encontrou a si mesmo”, escreveu ele no novo prefácio. (Por Luiz Fernando Emediato, editor da Geração Editorial. Texto publicado in Direto da Redação, um fórum de debates publicado no Correio do Brasil pelo jornalista Rui Martins)

26
Mai21

Lava Jato força a barra para processar jornalistas em Curitiba e com juízes alinhados à operação

Talis Andrade

 

VALE ATÉ ENDEREÇO FALSO

 
por Rafael Neves /The Intercept
 

Procuradores da extinta força-tarefa Lava Jato, no Paraná, estão usando uma via jurídica questionável para processar jornalistas e veículos de imprensa que criticam a operação. Nos últimos dois anos, eles foram à justiça pelo menos oito vezes para cobrar indenizações por danos morais e até exigir que reportagens fossem retiradas do ar.

Os oito processos foram movidos por três procuradores. O campeão de ocorrências é Januário Paludo, um dos veteranos da Lava Jato, que abriu quatro ações em julho do ano passado. Também estão na lista o ex-chefe da força-tarefa, Deltan Dallagnol, autor de três processos, e o procurador Diogo Castor de Mattos, que entrou com uma ação.

Todos os casos tramitam no Juizado Especial Cível de Curitiba, criado para tratar das chamadas pequenas causas – direitos do consumidor, por exemplo. Nenhuma das empresas e pessoas processadas têm sede ou domicílio em Curitiba, mas a concentração das ações na capital paranaense dá aos procuradores uma série de vantagens sobre os acusados. Eles venceram todos os casos julgados até agora.

Nesse tipo de processo, o réu era obrigado a ir pessoalmente à audiência – apenas em abril do ano passado, com o início da pandemia, uma lei passou a autorizar videoconferências. Não fosse pela covid-19, todos os jornalistas seriam obrigados a viajar até Curitiba para prestar depoimento, enquanto os procuradores estão a poucos quilômetros do tribunal.

O apreço dos juízes do Paraná – uma categoria profissional já habitualmente conservadora num estado que é ele mesmo profundamente alinhado à direita – pelo trabalho dos colegas da Lava Jato é grande e notório.

A associação que reúne os juízes estaduais, a Amapar, publicou e ratificou notas públicas em defesa da operação, ainda que os procuradores e juiz envolvidos no caso fossem federais. Numa delas, de 2017, afirma que a Lava Jato é “um marco no processo civilizatório do Brasil e por isso qualquer tentativa de obstrução contra ela não será permitida”.

Alguns juízes têm histórico de decisões em favor de integrantes da Lava Jato. Caso, por exemplo, de Nei Roberto de Barros Guimarães que, em 2016, mandou censurar um blog a pedido da delegada Erika Marena, à época integrante da força-tarefa da Lava Jato na Polícia Federal. A decisão dele foi derrubada mais tarde.

Atualmente, está sobre a mesa de Guimarães um processo do procurador Deltan Dallagnol contra o jornalista Reinaldo Azevedo, um crítico contumaz da operação.

Já o juiz Telmo Zaions Zainko, que condenou o jornal Zero Hora a indenizar o procurador Januário Paludo por alegados danos morais, ostenta em seu perfil no Facebook uma foto em apoio à eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, com direito ao slogan do presidente de extrema direita sob seu rosto. A Lava Jato foi uma das bandeiras da eleição de Bolsonaro.

Um ano antes, Zainko havia compartilhado um abaixo-assinado pedindo o impeachment do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, um dos alvos prediletos da operação. Em 2016, pediu assinaturas em outro que apoiava Sergio Moro e os procuradores da Lava Jato.

Postagem de outubro de 2018 do Facebook do juiz Telmo Zaions Zainko: ele condenou o jornal Zero Hora a indenizar Januário Paludo por "danos morais".

Postagem de outubro de 2018 do Facebook do juiz Telmo Zaions Zainko: ele condenou o jornal Zero Hora a indenizar Januário Paludo por “danos morais”. Foto: Reprodução/Facebook

 

Em tese, nem todos os membros da Lava Jato poderiam ter aberto esses processos na capital do Paraná. É o caso de Januário Paludo. Sem residência fixa em Curitiba, já que mora em Porto Alegre, Paludo chegou a criar um endereço profissional falso, num número que não existe numa das principais ruas do centro da cidade.

Ao abrir processos em Curitiba, os procuradores se beneficiam também do bom trânsito e dos relacionamentos na pequena comunidade jurídica da cidade. Dallagnol viu dois de seus processos caírem nas mãos de juízas com quem já tinha contato. Uma delas, que o convidou em junho de 2018 a dar uma palestra no exterior, declarou-se suspeita e deixou o caso. A outra, porém, manteve-se no processo mesmo sendo casada com um colega de Dallagnol no Ministério Público Federal, o MPF.

 

Os processos dos procuradores da Lava Jato em Curitiba

Embora a lei permita que processos por danos morais como esses corram no juizado especial, o uso do instrumento para cobrar retratações da imprensa é condenado por juristas. “O juizado especial existe para as pequenas causas. Contempla demandas como briga de condomínio, reclamação de produto comprado que não chegou, coisas assim. Mas jamais deveria contemplar demandas que têm como fundamento a Constituição”, argumenta o advogado Alexandre Fidalgo, especializado em direito da comunicação e liberdade de imprensa.

“Quando eu falo de liberdade de expressão, de direito à crítica, ou do debate entre a liberdade e a privacidade, estou falando de temas complexos, do equilíbrio entre esses valores. E o juizado especial, pela sua característica, não comporta esse tipo de enfrentamento”, sustenta. Para o jurista, esses processos devem correr nas varas cíveis da justiça comum.

Fidalgo lembra que o juizado especial dá apenas duas chances de recorrer. Quem é condenado só pode apelar à Câmara Recursal, um colegiado de três juízes. Se a sentença for confirmada, resta ao réu apenas um recurso extraordinário ao Supremo Tribunal Federal, o STF.

A Associação Brasileira de Imprensa, a ABI, mais antiga instituição de defesa do jornalismo do país, recorreu ao STF contra a tática usada pela Lava Jato e por outras instituições – como a Igreja Universal do Reino de Deus – para perseguir críticos. A ação direta de inconstitucionalidade 6792 aguarda julgamento.

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Januário Paludo informou como endereço um número que não existe na principal rua do Centro de Curitiba. Em quatro processos diferentes. Foto: Reprodução

 

O endereço inventado de Paludo

Num espaço de dois dias em julho do ano passado, o procurador Januário Paludo processou Folha de S.Paulo, UOL, Valor Econômico e Zero Hora. Duas das ações foram abertas pelo mesmo motivo: reportagens da Folha e do Valor, de dezembro de 2019, afirmavam que ele tinha virado alvo de investigação criminal no Superior Tribunal de Justiça, o STJ.

As investigações foram abertas, segundo as reportagens, para apurar as ligações entre o procurador e o doleiro Dario Messer, delator da Lava Jato. Messer chegou a declarar, em depoimento, ter pago propina a Paludo, mas voltou atrás e negou a versão inicial.

A revelação dessa suspeita, feita pelo UOL no mês anterior, também foi alvo de um processo de Paludo. Nesse e nos outros dois casos, o procurador pediu ao juizado que os portais de notícias não só fossem obrigados a indenizá-lo, mas também a retirar do ar o conteúdo e ainda publicar, em seus sites, a decisão judicial. Até o momento, nenhum veículo foi condenado a fazer isso, e todas as reportagens continuam públicas.

Ocorre que Paludo é procurador regional da República na 4ª Região, cuja sede fica em Porto Alegre, e foi apenas cedido à força-tarefa em Curitiba. Como não tem moradia fixa na capital paranaense, o veterano da Lava Jato inventou um “endereço profissional” na cidade para poder se servir dos serviços do Juizado Especial da cidade.

O tal endereço sequer existe. Paludo afirmou trabalhar na rua XV de Novembro, a principal do centro da cidade, no número 850. Não há, no entanto, nenhum imóvel com esse número. Há uma loja no número 852 e, ao lado dela, um hotel com o número 830 – onde a força-tarefa concedeu entrevistas coletivas à imprensa nos tempos áureos da operação.

Num dos processos, contra o UOL, Paludo foi questionado pela juíza Roseana Assumpção, que pediu a ele um endereço residencial. O procurador então informou o endereço da sede do Ministério Público Federal, o MPF, também no centro de Curitiba, mas a magistrada não aceitou o embuste e encerrou o caso sem analisar o conteúdo. Paludo, no entanto, apelou a uma turma recursal, que aceitou o endereço da sede do MPF – que também é usado por Dallagnol em suas ações – e recolocou o processo em andamento.

Advogada de Januário Paludo é esposa de delegado que trabalhou na Lava Jato e comandou a Polícia Federal no Paraná.

Segundo a advogada Allyne Flores de Lima, que representa Paludo nos processos, o registro do endereço falso havia sido um erro de digitação. É um caso curioso de um erro de digitação idêntico, repetido em quatro diferentes processos. Perguntei à defensora qual o correto, já que nenhum número na XV de Novembro é residência ou local de trabalho de Paludo. Ela não me respondeu. Afirmou simplesmente que “o endereço está regularmente registrado nos autos dos processos”.

A advogada defendeu, ainda, que o assunto tratado nos processos é de competência do Juizado Especial, tanto que a turma recursal deu razão a Paludo e manteve os processos nesse foro.

Já o Tribunal de Justiça do Paraná, a quem encaminhamos questões aos juízes citados nesta reportagem, informou que “não dá declarações acerca das razões de decidir de seus magistrados”. O órgão afirmou, ainda, que a lei determina que cabe aos réus alegar incompetência territorial, mas nenhum deles – jornalistas ou empresas de comunicação – fez isso.

Na decisão em que permitiu a Paludo manter os processos em Curitiba, a turma recursal avaliou que a lei dos juizados especiais “não apresenta um conceito acerca de domicílio”. Considerando que as ações de Paludo são relativas à profissão dele, o colegiado entendeu que o lugar onde a profissão é exercida deve ser reconhecido como domicílio.

A advogada de Paludo tem um sobrenome familiar a quem conhece a fundo a Lava Jato. Alynne é esposa do delegado Luciano Flores de Lima, da Polícia Federal – responsável por bater à porta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando ele foi conduzido coercitivamente a depor.

Quando a advogada protocolou os processos de Paludo no Juizado Especial do Paraná, em julho de 2020, havia apenas um mês que o marido dela havia deixado o comando da Polícia Federal no estado, cargo ao qual fora guindado pelo então ministro da Justiça bolsonarista, Sergio Moro.

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Deltan Dallagnol durante uma das dezenas de entrevistas coletivas da Lava Jato: autor de três processos e próximo de julgadoras. Foto: Heuler Andrey/AFP via Getty Images

 

Juíza pediu palestra a Dallagnol

Para Deltan Dallagnol, processar desafetos em Curitiba significa ficar mais próximo dos responsáveis pelos julgamentos. Em setembro do ano passado, a juíza Sibele Lustosa Coimbra, do 6º Juizado Especial Cível de Curitiba, condenou o jornalista Reinaldo Azevedo a indenizar Dallagnol em R$ 35 mil por críticas feitas em 2017.

A magistrada é casada com Daniel Holzmann Coimbra, que trabalha com Dallagnol no MPF do Paraná. Foi o próprio Azevedo que chamou atenção para o laço entre Dallagnol e Coimbra e questionou se a juíza não deveria ter se declarado suspeita. Em nota à imprensa enviada logo depois, o procurador negou ter amizade com ela e o marido.

O advogado Eduardo da Silva Mattos, que representa Dallagnol nos processos, me disse que o procurador “jamais teve relacionamento” com a juíza Sibele Coimbra, e que só soube que ela era casada com um procurador do MPF quando o assunto chegou à imprensa.

Mattos afirmou ainda que o caso “não se enquadra em qualquer hipótese legal de impedimento ou suspeição”, e que essa questão já foi analisada no processo. Não é verdade. O Tribunal de Justiça ainda não julgou um recurso em que Reinaldo Azevedo pede a suspeição da magistrada.

Outro processo de Dallagnol, desta vez contra o ator e militante petista José de Abreu, foi entregue em fevereiro de 2020 a Flávia da Costa Viana, outra juíza conhecida do procurador. Quase dois anos antes daquilo, em junho de 2018, Viana convidou Dallagnol para dar uma palestra na Colômbia. Como não podia ir, o procurador buscou atendê-la consultando a equipe da Lava Jato por meio do Telegram:

 
19 de junho de 2018 – Chat Filhos do Januário 2

Deltan Dallagnol – 12:33:14 – Caros, alguém aceita ir para Bogotá, Colômbia, fazer palestra? Já falei que não posso e ajustei para chamar outro colega da LJ: [11:36, 18/6/2018] Flavia Viana Juiza TJPR: Prezado Dr. Deltan, primeiramente me identifico: meu nome é Flavia da Costa Viana, sou juíza de Direito aqui no PR e amiga da Fernanda Karam Sanches – que me deu seu telefone. Peço desculpas por entrar em contato por whatsapp, mas há uma certa urgência. Explico: estou na diretoria internacional da AMB e também da AMAPAR e, na qualidade de presidente da União Internacional de Juízes de Língua Portuguesa, estou auxiliando na organização de um Seminário sobre Corrupção a ser realizado nos dias 6 e 7 de setembro em Bogotá, Colômbia. Os organizadores são a Federação Latino-americana de Magistrados e o grupo ibero-americano da União Internacional de Magistrados – nos mesmos moldes do Seminário sobre Corrupção que se realizou em Lima, em fevereiro de 2017, para o qual convidei o juiz Sérgio Moro. A Fernanda Karam comentou comigo que, no início do ano, vcs conversaram e que haveria interesse de sua parte em participar desse evento como palestrante. Em virtude de alguns problemas internos, apenas agora a associação colombiana de juízes confirmou a possibilidade de realização do Seminário. E, como já estamos no meio de junho, não dispomos de muito tempo. Essa é a razão da urgência acima referida. Portanto, eu lhe pergunto se haveria interesse de sua parte em proferir a conferência inaugural neste Seminário. Em seguida, enviarei alguns links para que tenha mais informações sobre as instituições mencionadas. Fico no aguardo e desde já agradeço, Flávia da Costa Viana [11:36, 18/6/2018] Flavia Viana Juiza TJPR: https://www.iaj-uim.org/ [11:36, 18/6/2018] Flavia Viana Juiza TJPR: http://uijlp.org/novo/ [11:37, 18/6/2018] Flavia Viana Juiza TJPR: http://www.flammagistrados.org/
Paulo Roberto Galvão – 12:47:47 – Feriado… Iria só em última hipótese
 

Nos dias que se seguiram, Dallagnol ainda fez outras tentativas de convencer algum membro da força-tarefa a comparecer, mas ninguém se deixou seduzir pela proposta.

Mais de uma semana depois, quem finalmente aceitou o convite foi o procurador Vladimir Aras, ex-chefe de cooperação internacional do MPF em Brasília.

Em dezembro de 2020, quase um ano depois do início do processo, a juíza Flávia Viana declarou-se suspeita e repassou o caso a uma colega. Na decisão, citou artigo do Código de Processo Civil que prevê a suspeição dos magistrados, mas não especificou o motivo – o que não é obrigada a fazer.

É desse ambiente que sairão, nos próximos meses, novas decisões em processos movidos pelos protagonistas da Lava Jato contra seus críticos.

16
Set20

MP está convencido que o prefeito usava a Igreja Universal para lavar o dinheiro roubado

Talis Andrade

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CRIVELLA CHEFÃO DO QG DA PROPINA

As trocas de mais de 1.949 mensagens interceptadas pela polícia entre o empresário e lobista Rafael Alves e o prefeito Marcelo Crivella, além da conversas entre Rafael e o ex-marqueteiro do prefeito, Marcelo Faulhauber, não deixam dúvidas das ligações estreitas do prefeito com o “Quartel General” da Propina, instalado numa sala da Riotur, órgão dirigido até março deste ano por Marcelo Alves, irmão de Rafael. Todas as empresas que tinham interesses na administração pública do Rio tinham que se entender – leia-se pagar propina – com Rafael no QG.

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Durante uma operação de busca e apreensão da polícia realizada em março, na primeira fase da Operação Hades, Rafael Alves, tinha quatro celulares: o que entregou voluntariamente, dois apreendidos no carro na garagem e um escondido sob uma pilha de roupas, encontrado somente quando tocou durante a operação. Para surpresa de todos era o prefeito Marcelo Crivella, que ligou as 7:30h da manhã para o comparsa perguntando o que estava acontecendo na Riotur, onde outra ação policial se desenrolava.

Somente uma empresa investigada por sua ligação com o “QG da Propina”, a Assim Saúde, pagava de propina para o esquema de Marcelo Crivella R$ 1,5 milhão por mês para intermediar o fornecimento de planos de saúde a servidores municipais, afirma o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). O contrato da Assim Saúde com a prefeitura era de R$ 210 milhões. Denúncia aponta que pagamento da propina foi negociado por Rafael Alves.

A abertura do histórico de ligações dos aparelhos confiscados mostrou que entre maio de 2016 e março deste ano, o prefeito e o empresário trocaram 1.949 mensagens, prova da ligação entre ambos e da extensão do esquema pelo qual são investigados. A comunicação entre os dois muitas vezes era cifrada, dificultando a compreensão de terceiros. Boa parte do conteúdo dos celulares foi apagada, mas os investigadores conseguiram recuperá-la.

Toda a investigação começou na Operação Câmbio Desligo, que prendeu o doleiro Sérgio Mizrahy. Ele disse em depoimento que não sabia se o prefeito carioca estaria envolvido no “QG da Propina”. Mas informou que as “empresas que tinham interesse em fechar contratos ou tinham dinheiro para receber do município procuravam Rafael, com quem deixavam cheques. Em troca, ele intermediaria o fechamento de contratos ou o pagamento de valores que o poder municipal devia a elas”, afirmou Mizrahy.

A operação Hades começou no dia 10 de março, quando foram expedidos 17 mandados de busca e apreensão com base nos depoimentos do doleiro. Foi nesta operação que Crivella ligou para Rafael e acabou falando com o delegado. Na última quinta-feira (10), já de posse de informações mais robustas sobre a participação de Crivella no esquema, foi feita a operação de busca e apreensão na sede do governo e na residência do prefeito.

LAVAGEM NA UNIVERSAL

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Paralelo às investigações do QG da propina, o Ministério Público detectou, através de um relatório do antigo COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), uma movimentação suspeita da Igreja Universal, dirigida pelo Bispo Macedo, que seria tio ou primo de Marcelo Crivella, de R$ 5,9 bilhões. Numa das mensagens Rafael ao marqueteiro de Crivella, ele aparece dizendo que seria capaz de revelar às autoridades “todos os esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro que ocorrem no governo”, com a “direta participação de Marcelo Crivella, sua família e a igreja”.

Com isso nas mãos, o MP tem fortes suspeitas de que Crivella esteja usando a Igreja Universal para lavar dinheiro. A suspeita veio depois da seguinte troca de mensagem de Rafael. “Nego destrói um político. Eu mexo com uma igreja”, diz. Depois, ele prossegue, segundo os investigadores: “só não quero que mexa com meu irmão ou seja meu espaço”. Por fim, Rafael Alves afirma: “Fazendo isso eu destruo ele igreja. etc.”

As mensagens revelam também que Rafael e Crivella tiveram períodos de desavenças. Rafael não aceitava quando tinha dificuldades em emplacar seus negócios junto à Prefeitura. Em uma outra ocasião, o lobista e operador de Crivella escreveu que o prefeito é “1 falso de duas caras, que na frente é uma coisa e por trás é outra”. Também se irritou com a possibilidade de o irmão deixar a Riotur. Marcelo foi exonerado depois da 1ª fase da operação Hades.

Em um outro episódio uma descoberta irônica. Crivella também era “zero um”. Em uma troca de mensagens com o doleiro Sérgio Mizrahy, em 2018, o lobista Rafael Alves, faz cobranças sobre o atraso de um determinado pagamento e se inspira em Bolsonaro dizendo que o valor seria direcionado ao “Zero Um”. Para o Ministério Público do Rio de Janeiro, o “Zero Um” neste caso não é Flávio, mas sim o prefeito Marcelo Crivella. “Já não é a primeira vez que isso acontece. Isso é vacilo! Parada para o Zero Um. Vamos aguardar”, escreveu Rafael Alves.

JUÍZA DERRUBOU SIGILO DA INVESTIGAÇÃO

Em seu despacho autorizando a operação, a desembargadora Rosa Helena Penna Macedo Guita, do Primeiro Grupo de Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça fluminense, detalhou as suspeitas que recaem sobre prefeito, apontando ‘não só a ciência, mas a anuência e suposta participação’ do mesmo em um esquema criminoso que segundo o Ministério Público do Rio ‘atua sobre praticamente todas as áreas da Prefeitura’ – necessitando dessa maneira do Chefe do Executivo Municipal. A juíza também decidiu tirar o sigilo do processo que investiga Crivella.

O despacho que abriu a ofensiva na última semana lembra que a primeira operação que mirou o ‘QG da propina’, a ‘Hades’, Crivella não foi alvo de buscas, uma vez que não se dispunha, ainda de indícios robustos de sua participação no esquema criminoso investigado.

No entanto, seu relacionamento ‘patente ‘com Rafael Alves, apontado como gerente do QG da propina, levou os investigadores a entenderem que o prefeito não ‘só anui com os esquemas criminosos, mas deles participa, chegando, inclusive, a assinar pessoalmente documentos a fim de viabilizar os negócios do grupo criminoso’.

O Ministério Público apontou que no dia da primeira fase ostensiva das investigações, Crivella ligou para Rafael Alves para perguntar sobre um mandado de busca que era cumprido na Riotour. No entanto, o telefonema foi atendido pelo delegado que estava na residência do empresário também cumprindo ordem judicial na referida operação.

TELEFONE ESCONDIDO TOCOU: ERA CRIVELLA

Tal aparelho, segundo a desembargadora Rosa Helena, foi encontrado escondido sob uma pilha de roupas, dentro do quarto de Rafael Alves, e ‘continha enorme quantidade de dados comprometedores’. No celular foram encontradas 1.949 mensagens trocadas entre o empresário e Crivella, ‘muitas delas contendo linguagem cifrada, deixando transparecer que seu conteúdo não poderia ser tratado por meios de comunicação convencionais, e via de regra terminavam com marcações de encontros presenciais, seja em prédios da Prefeitura, seja na residência do Prefeito’.

“O teor das conversas entabuladas pela dupla em muitas vezes ganha tom alarmante, escancarando que Rafael Alves tem clara ascendência sobre o Prefeito Marcello Crivella, a ponto de exigir, incisivamente, que o ouça antes da tomada de qualquer decisão”, registra a decisão.

Segundo Rosa Helena, as conversas identificadas no celular de Rafael mostram que o empresário tratou da campanha eleitoral de Crivella como uma “banca de negócios da qual pretendia colher frutos, que, segundo ele mesmo afirmou, não se traduziriam na obtenção de cargos ou status e sim no ‘retorno do investimento’ por ele realizado”. “Em outras palavras, pretendia obter retorno financeiro por meio de sua influência na Prefeitura do Rio de Janeiro, o que evidentemente só é possível mediante a prática de crimes”, frisa ainda a magistrada.

O despacho da desembargadora registra ainda que a suposta conivência de Crivella com os planos de Rafael Alves é ‘nítida’, tendo em vista as diversas ocasiões em que o prefeito tomou atitudes caracterizadas como ‘esdrúxulas’ a pedido de seu apoiador de campanha. Rosa Helena destaca que o ‘ilegítimo porém inegável poder de mando de Rafael Alves sobre o grupo criminoso é notório’. O empresário é chamado de ‘homem bomba’ por outros integrantes do grupo criminoso – ‘em expressa alusão aos seus conhecimentos sobre o funcionamento de toda engrenagem criminosa que envolve o Prefeito e os demais membros da organização’.

“Tanto que é conhecido como ‘Trump’ e garganteia seus feitos aos mais diversos interlocutores, que não se acanham em lhe pedir favores a serem concretizados, em grande parte das vezes, pelo próprio Prefeito, que estranhamente parece ceder placidamente às suas solicitações, inclusive a fim de favorecer empresários específicos, autorizando a burla à ordem cronológica de pagamentos devidos pelo Tesouro Municipal”, registra a decisão da desembargadora.

O carro onde estavam os dois celulares apreendidos pela polícia havia também joias, relógios e uma bolsa com R$ 50 mil. Para o Ministério Público, seria “uma espécie de veículo de fuga”, ou seja, pronto para permitir que Rafael fugisse. Ele alegou que tudo dentro do veículo era de Shanna Harrouche Garcia, sua ex-mulher e filha do bicheiro Waldemir Paes Garcia, o Maninho. Ao que parece, ele percebeu que já não havia garantias de que Crivella pudesse protegê-lo.

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27
Fev20

Bolsonaro se diz perseguido pela imprensa. Mas Band, SBT, Record e Rede TV estão ao seu lado.

Talis Andrade

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por João Filho
The Intercep

JAIR BOLSONARO GOSTA de se colocar como perseguido pela imprensa brasileira. Todos os dias ele está na frente do Planalto atacando jornalistas sob os aplausos de fanáticos sempre dispostos a puxar seu saco. Mas o fato é que o governo e uma parte importante da imprensa estão de mãos dadas.

Pelo menos quatro emissoras de TV têm abdicado de fiscalizar o poder para se prestar ao papel de assessoria de comunicação do governo. No desfile de Sete de Setembro, Bolsonaro convidou para o camarote de autoridades os donos do SBT, Record e Rede TV — três empresas que estão bastante satisfeitas com o desempenho da extrema direita no poder. A tática governista é acusar a Globo de perseguição, enquanto paparica outras emissoras.

Motivos para isso não faltam. O governo mudou a lógica da distribuição de verbas publicitárias para as TVs abertas. Antes, o critério era distribuir mais verbas para as maiores audiências. Agora, simplesmente não há mais nenhum critério objetivo. O governo decide a seu bel prazer como se dará a distribuição.

A Globo, que tem a maior audiência, passou a receber menos que Record e SBT, emissoras que estão afinadas com o bolsonarismo desde a campanha eleitoral. A emissora recebeu 48,5% das verbas publicitárias em 2017. Em 2019, 16,3%. No mesmo período, a Record passou de 26,6% para 42,6%, enquanto o SBT passou de 24,8% para 41%. As verbas destinadas à campanha pela reforma da previdência, da qual a Globo ficou de fora, se concentraram em 91% para Record, Band e SBT. Os apresentadores prediletos de Jair Bolsonaro, como Ratinho e Datena, foram escolhidos para divulgar a campanha.

A promiscuidade da relação entre redes de TV e o bolsonarismo já começa na figura do empresário que comanda a Secom, Fábio Wajngarten. Ele, que é o responsável pela distribuição de verbas de publicidade, é sócio de uma empresa que recebe mensalmente dinheiro das mesmas emissoras de TV e agências que são clientes do governo. Wajgarten disse que consultou a CGU sobre o possível conflito de interesses antes de assumir a pasta, o que é mentira. A própria CGU afirmou que não foi consultada. São os critérios subjetivos desse sujeito que norteiam a distribuição das verbas publicitárias do governo.

As quatro emissoras queridinhas do governo têm se revezado em estender o tapete vermelho para o bolsonarismo desfilar. Além de entrevistas exclusivas — todas, sem exceção, desviando das perguntas mais espinhosas —, Bolsonaro e seus parentes vira-e-mexe aparecem nos programas de auditório dessas emissoras, sempre muito felizes e descontraídos, muito diferente dos cães raivosos nos quais se transformam quando são confrontados pelo jornalismo.

No SBT, a adulação ao governo de extrema direita é explícita. Na semana passada, Sílvio Santos determinou a volta do programa Semana do Presidente, criado nos anos 70 para bajular os presidentes da ditadura militar. Ratinho, que tem um filho governador aliado de Bolsonaro, nunca perde uma oportunidade para levantar a bola do governo federal em seu programa de entretenimento. O apresentador, que sempre tratou de política em seus programas com viés anti-esquerdista, jamais perde a chance de puxar o saco do presidente. Antes mesmo de Bolsonaro tomar posse, Ratinho dedicou um bom tempo do seu programa para atacar jornalistas que criticaram a escolha dos ministros. Coincidência ou não, durante o mandato o apresentador do SBT recebeu, sozinho, quase R$ 1 milhão do governo federal em troca de elogios à reforma da previdência.

A fidelidade canina da Record ao projeto da extrema direita já é mais do que conhecida. O bilionário Edir Macedo colocou até a Igreja Universal na campanha eleitoral de Bolsonaro e hoje coloca o jornalismo da emissora para engraxar as botinas do ex-capitão. A Record é hoje a emissora que mais recebe verbas do governo. O crescimento do faturamento publicitário da Record junto à Secom no primeiro trimestre do ano passado foi de 659%, valor já considerando a variação da inflação no período. O fato da emissora do bispo ter se tornado praticamente a casa oficial da extrema direita brasileira na TV não chega a surpreender.

Na Band, os apresentadores Datena, cotado para ser prefeito de São Paulo com apoio de Bolsonaro, e Milton Neves, amigo particular da família de Fábio Wajngarten, também engordaram seus cofres com dinheiro de propaganda do governo federal. Esses apresentadores populares realmente não têm do que reclamar da extrema direita no poder.

Milton Neves@Miltonneves

Fábio Wajngarten, de amarelo, foi fundamental para Bolsonaro!

Ver imagem no Twitter

Os donos da Rede TV, que recebeu um aumento exponencial de verbas do governo federal, têm se mostrado bolsonaristas fiéis e atuantes. Marcelo de Carvalho, que é sócio, vice-presidente e apresentador de programas da emissora, tem atuado como um aguerrido militante. Deve ser apenas uma coincidência o fato desse apoio ter vindo depois do governo aumentar exponencialmente as verbas da emissora.

Como se já não bastasse a visibilidade que o então deputado Jair Bolsonaro ganhou durante anos no Superpop, agora o próprio dono da emissora sai em defesa do seu governo. No desfile de Sete de Setembro, que assistiu ao lado do presidente, o dono da Rede TV praticamente confessou indiretamente a sua vassalagem ao falar sobre as costumeiras quebras de protocolo do presidente durante o desfile: “acho muito bonito. É um resgate da aproximação entre o governante e a população”.

Mas Carvalho foi bem mais longe que isso. Ele tem seguido à risca um mandamento sagrado da cartilha bolsonarista: atacar jornalistas que ousam criticar o governo. O empresário foi ao Twitter chamar de “ataque” uma reportagem sobre o escancarado conflito de interesses de Wjangarten na Secom. Ou seja, temos aqui um barão da mídia endossando a narrativa bolsonarista que coloca o presidente como um perseguido pela mídia. Fez isso para defender a permanência no cargo de um empresário que tem sido muito generoso com a sua emissora.

Marcelo de Carvalho@MarceloCRedeTV

O Ataque da Folha a Fábio Wajngarten é um exemplo do porque gente de bem em sua grande maioria não ingressa no governo. Então ficamos por tantos anos com lixo, gente sem moral, desqualificados e incompetentes. Obviamente com algumas louváveis exceções.

 

Carvalho também fez questão de se posicionar sobre o ataque de Hans River à jornalista Patrícia de Campos Mello. Claro que ele seguiu o que manda o bolsonarismo e chamou de “ïmpecável” uma narrativa que já era comprovadamente mentirosa.

Marcelo de Carvalho@MarceloCRedeTV

Impecável impecável narrativa do @filipebarrost sobre a tentativa da Folha de melar a eleição quase certa de @jairbolsonaro e esconder que a fábricação de mensagens era na verdade do PT. LEIAM O THREAD TODO vale a pena. https://twitter.com/filipebarrost/status/1227699790185746434 

Filipe Barros@filipebarrost
 

Segue minha análise da matéria da @camposmello na @folha:

1. A narrativa que a Folha de S. Paulo tenta emplacar agora, de modo a parecer que não mentiu, é dizer que a matéria à qual Hans River se referiu era a de 2 dezembro de 2018, quando, na verdade, a primeira matéria 👇🏻

 

Mas o melhor presente que a Rede TV deu para Bolsonaro foi colocar o pernambucano Sikêra Júnior em rede nacional. Ele é um apresentador que cobre o mundo cão e que foi forjado na escola Datena de jornalismo — aquela que ajudou ao longo dos anos a disseminar a ideologia reacionária que hoje embala a extrema direita no poder. Sikêra usa a surrada fórmula televisiva que mistura jornalismo sensacionalista com humor vulgar. Esse modelo de programa infesta as tardes na programação televisiva do país. Além de reforçar diariamente a ideologia do “bandido bom é bandido morto”, o humor e o jornalismo do apresentador só trabalham com viés anti-esquerdista.

Assim como seu patrão, Sikêra não se furta em defender Bolsonaro das críticas da imprensa. A defesa do governo não é discreta, mas ostensiva. Em programa de outubro do ano passado, dedicou boa parte do programa repercutindo a narrativa bolsonarista e detonando a Globo.

Assim que o apresentador foi alçado à condição de nova estrela nacional da programação da Rede TV, a família Bolsonaro passou a compartilhar seus vídeos nas redes sociais. No começo deste mês, Eduardo Bolsonaro compartilhou um vídeo em que o apresentador comemora a morte de criminosos que trocaram tiros com a polícia.

Eduardo Bolsonaro🇧🇷@BolsonaroSP
 

Sikera 1.000 vezes! https://twitter.com/Ivanavanab/status/1224855672803811329 

Ivana 🇧🇷🇮🇱🧂🐸👉🏻@Ivanavanab
 

Noticiando a morte de um bandido em rede nacional:

GLOBO vs. SIKERA JÚNIOR

Entendeu porque o @sikerajr é um sucesso?!
🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣#AlertaNacional

Vídeo incorporado

Depois foi a vez do presidente da República compartilhar outra vulgaridade de Sikêra. Cumprindo o script bolsonarista de ataque às minorias, o apresentador acusa duas mulheres lésbicas, que ainda eram apenas suspeitas, de terem matado uma criança. Ele ainda usou o fato para debochar das esquerdas e da luta contra a homofobia, usando termos conhecidos do glossário bolsonarista.

Jair M. Bolsonaro@jairbolsonaro

- Para onde estávamos indo...
- @sikerajr

Vídeo incorporado
 

Passado mais de um ano de mandato, a relação do governo de extrema direita com as emissoras de TV não poderia estar melhor. Tirando a Globo, que parece ser o único canal que pode dizer que está fiscalizando o governo Bolsonaro, mas que não chega perto daquela volúpia vista contra outros governos. Apesar de ter virado a grande algoz do governo na boca dos bolsonaristas, a agenda ultraliberal de Paulo Guedes acalma os ânimos da Família Marinho.

A relação promíscua entre o governo e as emissoras de TV não é uma questão de opinião, mas um fato confirmado pelo caso Wajgarten. Os empresários de TV estão com tanta moral com o presidente, que nessa semana se juntaram para pressioná-lo a dar mais verba. Wjangarten organizou uma reunião para que os empresários pudessem convencer Bolsonaro a voltar com os lucrativos sorteios de prêmios na TV. E convenceram. O presidente já está articulando uma medida provisória para atender o pedido dos seus aliados.

Os barões da mídia estão contribuindo para a naturalização e a consolidação do projeto bolsonarista de destruição da democracia. É importante lembrar que as TV operam sob uma concessão pública, mas desenham sua programação para atender interesses privados e difundir uma ideologia reacionária. Quando Bolsonaro disser que é perseguido pela mídia, lembre-se que quase todas as grandes emissoras da TV aberta estão ao seu lado. E lucrando muito com isso.

moro olavo tv globo pato fiesp bolsonaro TUTUBARAO

 

13
Fev20

Record, Globo e o "capitão Adriano"

Talis Andrade

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Por Pedro Simon Camarão
Fundação Perseu Abramo

Domingo é o dia em que as principais emissoras de TV apresentam suas revistas eletrônicas. Na TV Globo, é o Fantástico. Na Record, o Domingo Espetacular. Ambos os programas exibiram reportagens sobre a morte do ex-policial militar carioca Adriano Magalhães da Nóbrega. Adriano é ex-capitão do Bope do Rio de Janeiro e foi expulso da corporação em 2014. Ele era procurado porque integrava um grupo de assassinos profissionais identificado como Escritório do Crime e ainda seria dirigente de um grupo de milicianos que explora a comunidade da Muzema, na zona Oeste do Rio de Janeiro.

Muita gente deve saber que Adriano da Nóbrega não é apenas um miliciano carioca. O Escritório do Crime é o grupo acusado pela execução da vereadora do PSOL (RJ) Marielle Franco, crime que continua sem solução mais de um ano após ter ocorrido. Embora tenha sido citado nas apurações sobre a morte de Marielle, o miliciano não é apontado como um dos suspeitos. O que levou o ex-capitão do Bope aos noticiários mais recentemente foi a sua ligação com o clã Bolsonaro. O atual senador, Flávio Bolsonaro, prestou homenagens ao policial com moções de louvor na Assembleia Estadual do Rio de Janeiro quando ainda era deputado estadual. A primeira foi em 2003. O comportamento do miliciano foi elogiado por Flávio Bolsonaro. A segunda foi em 2005. Flávio concedeu a medalha Tiradentes ao PM, a mais alta honraria da Alerj. Na época da homenagem Adriano estava preso acusado de assassinar um guardador de carros que denunciou a ação de milicianos.

A ligação de Adriano com os Bolsonaro vai além. A mãe e a esposa do miliciano foram empregadas por Flávio Bolsonaro como assessoras parlamentares. As duas são investigadas por participação no esquema de “rachadinhas” que seria articulado por outro assessor de Flávio, o Fabrício Queiroz. De acordo com as investigações, Adriano também receberia parte do dinheiro do esquema.

Todos os fatos elencados até aqui, certamente, são de interesse público, objetivo fundamental do jornalismo. Entretanto, constam apenas na reportagem apresentada pela TV Globo. A reportagem exibida pelo Fantástico durou cerca de 5 minutos, mas não exibiu a imagem de Flávio Bolsonaro, apenas mencionou o senador. Já a foto de Fabrício Queiroz foi exibida. A reportagem do Domingo Espetacular teve apenas 2 minutos e não fez qualquer menção ao clã Bolsonaro. Nada. O programa apenas indicou que o miliciano poderia ter ligação com o assassinato da vereadora Marielle Franco.

É óbvio que os interesses políticos de cada uma das emissoras influenciam o conteúdo dos programas jornalísticos. Nesse caso, fica evidente que a TV Globo, emissora que vem sendo atacada por Jair Bolsonaro desde o período eleitoral em 2018 e que perdeu enormes quantias de verba publicitária estatal desde o início do atual governo, tenta gerar desconfiança sobre o clã Bolsonaro. É bem verdade que não é necessário fazer qualquer “malabarismo” no texto. Os fatos são fortes. Por outro lado, a TV Record, emissora que vem recebendo mais verba do governo e que é de propriedade de Edir Macedo - líder da Igreja Universal que declara apoio incondicional a Jair Bolsonaro -, não toca no assunto e priva sua audiência do direito de se informar.

A diferença de abordagem mostra que os veículos de informação constroem sentidos completamente diferentes sobre os mesmos fatos. O tema tratado aqui é apenas um. Diariamente, Globo e Record, bem como as outras empresas de comunicação, apresentam as notícias de acordo com seus próprios interesses.

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30
Jan20

Bolsonaro da dinero a medios amigos

Talis Andrade
 Un estudio en Brasil revela la distribución discrecional de publicidad estatal
 

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El gobierno del presidente ultraderechista brasileño, Jair Bolsonaro, está privilegiando alevosamente con los fondos públicos de la publicidad a tres empresas de televisión que funcionan como su sostén, en una reproducción de un modelo totalmente discrecional, como el de Argentina y otros países, según un estudio publicado en medios no convencionales.
 
El trabajo, difundido en el espacio Tijolaço, un medio que agrupa a comunicadores progresistas, muestra que las cadenas Bandeirantes, STB y Record se vieron beneficiadas con un incremento de los fondos públicos, que administra la Secretaría de Comunicación Social, durante 2019, el año en que empezó la gestión de Bolsonaro. Las tres tuvieron subas en comparación con 2018.
 
La nota, firmada por Fernando Brito, deja en evidencia una paradoja muy singular para la realidad brasileña: el grupo Globo, el más grande del país, y que fue decisivo para la gran operación política y judicial que causó el derrocamiento de la presidenta Dilma Rousseff y el encarcelamiento y proscripción de Luiz Lula da Silva, es el más perjudicado.
 
El texto dice que se verifica un “inexplicable favoritismo” del gobierno por las cadenas Record y Bandeirantes en la publicidad estatal. “Gústese o no de Globo”, escribe Brito, las cifras muestran que ese grupo, si bien está en un período de retroceso, “todavía retiene poco más de la mitad de la audiencia” en el total nacional.
 
Agrega que las decisiones para publicitar en una u otra estación se adoptan básicamente según el número de personas que verán el mensaje, un criterio que sin embargo es discutido en Brasil y otras partes del mundo, donde esa ecuación es puesta en discusión con la necesidad de que los Estados se comprometan en la existencia y desarrollo de una amplia gama de medios, no solo los convencionales y comerciales, como lo establecen los estándares internacionales reivindicados por la Organización de Naciones Unidas para la Educación, la Ciencia y la Cultura (UNESCO).
 
Brito expresa de hecho que puede haber “variaciones” en el parámetro por él enunciado, por ejemplo cuando se hacen “recortes de públicos” a los que se desea alcanzar específicamente.
 
El texto, que cita una publicación previa de Folha de São Paulo, destaca los beneficios recibidos por el grupo del obispo Edir Macedo, fundador de la Iglesia Universal del Reino de Dios, convertida en una corporación para la intervención política, económica y comunicacional, aliada del presidente ultraderechista, racista y misógino, y propietaria del grupo mediático Record.
 
Esta empresa tiene una porción publicitaria estatal que multiplica al menos por cuatro lo que le correspondería recibir en términos de volumen de audiencia en comparación con la que Globo reúne.
 
Globo, con su red nacional de televisión, sus periódicos, radios, revistas y espacios en internet, fue crucial para el desplazamiento del poder del Partido de los Trabajadores, al que combatió en todas sus gestiones. Sin su accionar, la denominada operación Lava Jato no habría llegado a los resultados que obtuvo, en especial las causas, sentencias y proscripción de Lula da Silva, favorito indiscutible para ganar las elecciones de 2018, que depositaron al neofascista Bolsonaro en el poder.
 
Es que, como ocurrió también en Argentina, en ocasiones Globo lanzaba versiones y acusaciones de corrupción contra dirigentes del PT con las cuales los jueces, muy especialmente Sergio Moro -hoy ministro de Justicia de Bolsonaro-, lanzaban pesquisas, investigaciones y requisitorias a la vez ampliamente difundidas por el sistema mediático. A veces era al revés: Moro hacía llegar sospechas y acusaciones a Globo, para que las amplificara a escala nacional.
 

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13
Jan20

EDIR MACEDO, UMA VIDA DE REI DOS REIS

Talis Andrade

Quando Jair Bolsonaro anuncia fornecimento de luz gratuita para os templos evangélicos, importante lembrar que também são residências de pastores e bispos, como é caso de Edir Macedo que reside no Templo de Salomão com100 000 metros quadrados de área construída. É a maior igreja do Brasil.

Na cobertura do prédio, a residência oficial de Edir e sua mulher, Ester, esconde um suntuoso palácio. Nos 1 000 metros quadrados há piscina coberta e jardim de inverno. Não existe fechadura na porta de entrada, cuja abertura se dá com um cartão magnético típico de hotéis. A filha Cristiane e seu marido, o bispo Renato Cardoso, ficam em um apartamento de 200 metros quadrados logo abaixo da residência do pai. Ao todo, cinquenta moradias estão localizadas acima do altar. Elas são destinadas a pastores da alta cúpula e visitantes.Segundo andar do apartamento do bispo Edir Macedo, com hall íntimo; closet; suíte máster; sauna privativa com piso em mármore thassos; varanda em mármore travertino; escritório e sala de tv em mármore crema marfil.

Segundo andar do apartamento do bispo Edir Macedo, com hall íntimo; closet; suíte master; sauna privativa com piso em mármore thassos; varanda em mármore travertino; escritório e sala de tv em mármore crema marfil

Áreas internas e externas que conectam a torre A com a torre B do Templo de Salomão. Local inclui quadra de grama sintética; playground; academia; sala de jogos 1 e 2; sanitários masculino e feminino; duas saunas; duas salas de hidromassagem; dois vestiários

Áreas internas e externas que conectam a torre A com a torre B do Templo de Salomão. Local inclui quadra de grama sintética; playground; academia; sala de jogos 1 e 2; sanitários masculino e feminino; duas saunas; duas salas de hidromassagem; dois vestiáriosBild könnte enthalten: Nacht, Text „Você tava achando a sua CONTA DE LUZ CARA??? Agora, imagina dessas igrejas que você vai ajudar a pagar... Esquerda Poética“

O Ministério da Economia confirmou que a concessão de subsídio para a conta de luz de templos religiosos está em estudo nas áreas técnicas da pasta, informa o Estadão.

Segundo o jornal, Jair Bolsonaro pediu ao Ministério de Minas e Energia que elaborasse uma minuta de decreto para permitir descontos nas tarifas de energia de igrejas de grande porte.

Embora a proposta vise beneficiar templos religiosos de forma ampla, os evangélicos são o alvo da medida –a bancada desse segmento é hoje a principal base de sustentação do governo, e Bolsonaro tem atendido às suas reivindicações desde que assumiu a Presidência.

Muitos templos já anunciaram a disposição de ajudar o presidente a coletar as quase 500 mil assinaturas necessárias para criar a Aliança pelo Brasil.Bild könnte enthalten: Text „Beta Bastos @robertabastosn COMO FAÇO PARA REGISTRAR MINHA CASA COMO IGREJA EVANGÉLICA? NÃO ESTOU MAIS A FIM DE PAGAR NEM IPTU NEM ENERGIA ELÉTRICA 9:19 11 jan 20 Twitter for Android“

Por José Roberto Torero

Diário, eu quero ser luz, raio, estrela e luar.

Peralá! Deixa eu explicar melhor, senão parece música do Wando.

É que eu quero ser a luz para as igrejas evangélicas. Ou, pelo menos, quero dar luz de graça para elas.

Tanto que eu propus que os templos de grande porte não paguem mais conta de luz. Ou então que paguem só uma merrequinha.

É claro que alguém vai ter que arcar esse subsídio. E é claro que o mico vai parar nas contas residenciais. Sabe, vai ser até bonito ver um monte de ateu, umbandista e católico pagando a conta da Bispa Sônia.

E eu preciso puxar o saco dos evangélicos, pô!

Essa gente acredita em tudo o que Malafaia fala, em tudo que o Edir diz.

Pensa bem, Diário, se um cara é trouxa a ponto de dar dinheiro pra eles, não vai dar o voto dele pra mim? Claro que vai!

Por isso que eu já dei aval para manter os incentivos fiscais para igrejas até 2032. E também dei uma rasteira nos pernetas e liberei as igrejas de realizar adaptações para acessibilidade em áreas destinadas ao altar e ao batistério.

O que eu quero que os pastores cantem para mim: “Você é luz, raio, estrela e luar! Manhã de sol, meu iaiá, meu ioiô…”

11
Jan20

A guerra virtual: fake news x memes, o humor contra o ódio, a vida contra a morte

Talis Andrade

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Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho e para o Jornalistas pela Democracia

O desenho é bem simples: mostra o prédio-sede do Ministério da Educação em Brasilia com a fachada alterada para “Miniztério da Educassão”.

Precisa dizer mais? Quem assina é o chargista Zé Dassilva, que eu ainda não conhecia. Bombou em todos os grupos das redes.Image

Saem os comentaristas políticos e entram os humoristas, que estão tomando conta das redes sociais, na guerra contra as fake news e do ódio desse governo de mentira.

A luta é desigual porque os novos chargistas e humoristas da internet são amadores e enfrentam uma milícia bem armada, movida por robôs e muito dinheiro, para propagar as fake news do capitão e inventar outras.

Com poucas palavras e muita criatividade, vejo com alegria o surgimento desta nova geração que enfrenta com estilingue a tropa de choque do boçalnarismo em marcha.

Por uma feliz coincidência, estamos comemorando estes dias os 50 anos do “Pasquim”, o semanário humorístico que, mesmo sob censura, mais azucrinou os poderosos da época da ditadura militar.

Nenhum editorial ou colunista político tem a força dos traços de Aroeira e Miguel Paiva, dois remanescentes daquela época, que voltaram com a corda toda no Brasil 247, onde fazem parte do grupo Jornalistas pela Democracia, ao qual também pertenço.

Levo horas para escrever um texto que eles resumem num quadrinho para detonar os poderosos e ridículos neofascistas do atual governo.

A ofensiva contra o Porta dos Fundos mostra como os humoristas do traço ou do vídeo estão incomodando esta súcia de imbecis que agridem a democracia e o vernáculo.

O personagem da semana nos memes foi esta aberração chamada Abraham Weintraub, o “imprecionante” analfabeto funcional, sem caráter e seu noção, que está destruindo a Educação brasileira.

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Não sei como ainda não bateram em Darci Ribeiro, outro educador mundialmente admirado que foi cassado pelos militares e lutou contra eles até o último sopro de vida.

Vai ver que nem sabem de quem se trata porque eles não têm o hábito da leitura e odeiam o conhecimento.

Os mais antigos já diziam que rir é o melhor remédio. Em seu site “O Nocaute”, o jornalista e escritor Fernando Morais, ex-secretário da Educação de São Paulo, também se deu conta disso e abre cada vez mais espaço para o humor.

Outro grande jornalista e escritor, Humberto Werneck, dono de uma imperdível coluna no Estadão, agora se comunica por memes fantásticos que recolhe nas redes sociais, e escreve cada vez menos no nosso grupo da Confraria de Litros, criada por Frei Betto, com uma turma que vive das palavras escritas, tão vilipendiadas pelo capitão presidente.

Quando as palavras perdem a força e o sentido, desenhar pode ser uma saída para que eles nos entendam.

Enfim, não adianta chorar o leite derramado.

Fustigar o poder com humor ainda é a melhor forma de não enlouquecermos de vez neste grande hospício em que o país foi transformado.

Viva o humor, viva os humoristas, abaixo a censura!

Vida a vida, abaixo a morte!

Bom fim de semana a todos.

Parafraseando Nelson Rodrigues, os cretinos fundamentalistas escolheram o grande Paulo Freire, um dos maiores educadores do século passado no mundo, como alvo principal, sem saber a importância da “Pedagogia do Oprimido” na formação de gerações de brasileiros.

Ou exatamente por isso ele foi preso e exilado pela ditadura de 1964, e continua sendo combatido mesmo depois de morto, por esses completos idiotas que assumiram o poder pelo voto.

Piores que eles são os que votaram nesta canalha, porque estes vão continuar infernizando o país, mesmo depois que Bolsonaro se for.

Não sei como ainda não bateram em Darci Ribeiro, outro educador mundialmente admirado que foi cassado pelos militares e lutou contra eles até o último sopro de vida.

Vai ver que nem sabem de quem se trata porque eles não têm o hábito da leitura e odeiam o conhecimento.

Os mais antigos já diziam que rir é o melhor remédio. Em seu site “O Nocaute”, o jornalista e escritor Fernando Morais, ex-secretário da Educação de São Paulo, também se deu conta disso e abre cada vez mais espaço para o humor.

Outro grande jornalista e escritor, Humberto Werneck, dono de uma imperdível coluna no Estadão, agora se comunica por memes fantásticos que recolhe nas redes sociais, e escreve cada vez menos no nosso grupo da Confraria de Litros, criada por Frei Betto, com uma turma que vive das palavras escritas, tão vilipendiadas pelo capitão presidente.

Quando as palavras perdem a força e o sentido, desenhar pode ser uma saída para que eles nos entendam.

Enfim, não adianta chorar o leite derramado.

Fustigar o poder com humor ainda é a melhor forma de não enlouquecermos de vez neste grande hospício em que o país foi transformado.

Viva o humor, viva os humoristas, abaixo a censura!

Vida a vida, abaixo a morte!

Bom fim de semana a todos.

Vida que segue. 

 

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