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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

05
Mai18

Prisão dos doleiros Rezinski acabou com a candidatura de Huck a presidente

Talis Andrade

Luciano Huck com Roberto Rezinski.jpg

Casais Luciano Huck e Roberto Rzezinski 

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Accioly, Rzezinksi e respectivas senhoras
 

DCM - A lista de amigos e sócios do empresário Roberto Rzezinski inclui Luciano Huck, Alexandre Accioly, laranja de Aécio e parceiro de Huck na academia Bodytech, o ex-jogador Ronaldo, o ex-técnico Bernardinho et caterva.

 

Rzezinski foi preso na quinta sob suspeita de ter recorrido ao esquema de Vinicius Claret e Cláudio Barbosa, delatores da Operação “Câmbio, Desligo”, os chamados “doleiros dos doleiros”.

 

Robertinho e o irmão gêmeo Marcelo trocaram, entre 2011 e 2017, US$ 12 milhões de dólares depositados em contas no exterior por reais em espécie no Brasil.

 

Em 2010, o casamento com Wanda Grandi, ex-assistente de palco de Huck, foi uma espécia de reunião da máfia, com mais gente hoje enrolada na Justiça do que patê de foie gras.

 

wanda grandi-e-roberto rezinski.jpg

 

Caras - Desde que trocaram o primeiro beijo, em abril do ano passado, o empresário Roberto Rezinski e a atriz Wanda Grandhi apaixonaram-se. Quatro dias depois, o casal tatuou a inicial do nome do outro no corpo. Em uma semana, eles viajaram para NY. E em vinte dias estavam morando juntos no apartamento do empresário, na Barra, Rio (foto).

Marcelo e Roberto com o ex-sócio Ronaldo Fenômen

Marcelo e Roberto Rezinski com Ronaldo Fenômeno  

 

Além dos irmãos Rezinski doleiros, Huck tem ligação direta com o ex-governador Sergio Cabral: a doação de um terreno no paraíso.

 

Escreve Kiko Nogueira:

 

A mansão de Huck em Angra não existiria sem um decreto de Cabral e a “maricultura” da Paraty House dos Marinhos

 

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Huck entre Cabral e a mulher, Adriana Ancelmo

 

Em fevereiro, o Ministério Público Federal enviou um pedido à Justiça para manter a condenação de Luciano Huck por “se apoderar de um bem da sociedade” em sua mansão em Angra dos Reis.

 

Como contou Helena Stephanowicz na Rede Brasil Atual, a Procuradoria Regional da República da 2ª Região defende, no STJ, a rejeição de um recurso de Huck por tratar-se apenas de “medida de inconformismo, caracterizando mera insatisfação do réu com a sentença”.

 

A juíza Maria de Lourdes Coutinho Tavares havia condenado o apresentador a pagar 40 mil reais por cercar com boias e redes a faixa costeira ao longo de sua casa na Ilha das Palmeiras. Tudo sem autorização ambiental.

 

Na terça, dia 17, o Ministério Públicod Federal do RJ solicitou a execução da sentença, já que todas as opções de recursos foram esgotadas.

 

Ele alegava que havia “o propósito de exercício futuro de atividade de maricultura” — ou seja, a criação de mariscos.

 

Não por coincidência, é a mesma desculpa usada pelos Marinhos para manter a Paraty House longe de estranhos. Uma paisagista que trabalhou lá escreveu um depoimento ao DCM.

 

“A maricultura dos Marinhos segue a mesma característica da de Luciano Huck”, disse.

 

“No caso da Paraty House, o que se fez foi uma fazenda marinha de fachada para impedir acesso das pessoas e embarcações à praia. As lanternas [estruturas onde os moluscos ficam armazenados] possuíam 4-6 animais completamente abandonados. Em suma, era uma aquicultura mentirosa.”

 

Huck também foi favorecido, em seu empreendimento, pelo então governador Sérgio Cabral. Reproduzo abaixo trechos de uma reportagem do Estadão de janeiro de 2010 sobre a “Lei Luciano Huck”.

 

PS: não consta que Huck tenha visitado Cabral na prisão.

 

“Alvo de ação civil pública movida pelo município de Angra dos Reis em outubro de 2007 por supostos danos ambientais e construções irregulares em sua casa de veraneio, o apresentador de TV Luciano Huck é representado pelo escritório de direito do qual é sócia a primeira-dama do Rio, Adriana Ancelmo Cabral.

 

Seu marido, o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), editou, em junho do ano passado, o Decreto 41.921, que alterava a legislação da Área de Proteção Ambiental (APA) de Tamoios, na Baía de Ilha Grande.

 

A medida, cuja constitucionalidade é questionada no Supremo Tribunal Federal (STF) pela Procuradoria-Geral da República, beneficiaria proprietários de residências consideradas irregulares na região — caso de Huck e sua casa na Ilha das Palmeiras.

 

Ambientalistas contrários às mudanças determinadas por Cabral se referem ao decreto conhecido como “Lei Luciano Huck”. Na Ação 2007.003.020046-8, que tramita na 2ª Vara Cível de Angra, o apresentador é representado por dois integrantes do escritório Coelho, Ancelmo e Dourado Advogados.

 

O município obteve liminar, em maio de 2008, que obrigou Huck a paralisar as obras em sua casa, que incluíam a construção de bangalôs, decks, garagem de barcos e muro para criação de praia artificial, “o que pode ocasionar danos ambientais irreversíveis, assim como agravar os já existentes”, conforme despacho do juiz Ivan Pereira Mirancos Junior.

 

Desde domingo, o Estado vem mostrando a atuação da primeira-dama e de seu escritório de advocacia em ações judiciais, como a defesa do Metrô Rio e do grupo Facility, um dos maiores fornecedores do governo Cabral.

 

Procurado, o governo do Estado indicou Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para comentar o caso. Cabral e Adriana estão em Londres, na Inglaterra, e não foram localizados.

 

Em nota, o Inea informou que a licença ambiental para a casa de Luciano Huck foi concedida em junho de 2004 e o Estado “desconhece a existência de ação do município de Angra contra o apresentador e os motivos que fizeram com que o município movesse a ação citada”. Segundo o Inea, Huck nunca fez pedido ao Estado com base no decreto.

 

O polêmico Decreto 41.921 teria sido originalmente elaborado na Secretaria da Casa Civil, e não por órgãos ambientais do Estado do Rio, segundo servidores que atuam no setor.

 

Segundo o Inea, a informação não é verdadeira. “O decreto foi elaborado pela Secretaria do Ambiente e encaminhado à Casa Civil unicamente para a assinatura do governador e publicação.”

 

 
 
28
Jan18

Quem sabe os nomes dos proprietários das ilhas brasileiras?

Talis Andrade

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Em qualquer enciclopédia o ensinamento de que o Brasil quase não tem ilhas oceânicas, marítimas ou fluviais. Recentemente, a Wikipédia passou a informar o óbvio:  "Com um litoral e uma rede fluvial tão imensos, a quantidade de ilhas e arquipélagos consequentemente não poderia ser pequena. Desse modo, a listagem foi arranjada segundo as unidades federativas nas quais as ilhas estão localizadas, como também doutras formas".

 

Pode fazer a leitura. As ilhas continuam desaparecidas. Igualmente é "válido mencionar a grande dificuldade que se tem na compreensão do fenômeno da propriedade pública e privada no Brasil e suas implicações, não por qualquer outro motivo, senão pela enorme complexidade e obscuridade da legislação brasileira, que, assim como no caso em tela, se apresenta em tantas outras áreas do Direito pátrio". 

 

Enquanto o presidente Lula da Silva não pode possuir um sítio, o ex-presidente José Sarney é dono de uma ilha no Maranhão.

 

O candidato a presidente Luciano Huck é proprietário de uma mansão na Ilha das Palmeiras, em Angra dos Reis, litoral sul do Rio de Janeiro. Foto de capa hoje na Folha de S. Paulo com a seguinte legenda: "Costa Verde cresce com casas de luxo e iates". O palacete praeiro de Huck foi uma concessão do governador Sérgio Cabral, e sem licença ambiental.

 

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Volto a perguntar:

Quem fiscaliza a posse de ilhas e as clandestinas praias particulares?

 

A privatização das praias brasileiras acontece de maneira cada vez mais acelerada. Sob as vistas grossas dos governantes e Judiciário.

 

 

Recentemente, blogueiros denunciaram a praia da família Marinho em Paraty — RJ, encravada no melhor ponto da Mata Atlântica brasileira. Para ser erguida hoje, de acordo com o portal DCM, a mansão custaria cerca de R$ 8 milhões, pelas dificuldades técnicas e qualidade do material, cerca de R$ 6 mil por m² e poderia ser vendida por algo em torno de 20 a 80 milhões com o terreno.

 

Quantas praias possuem os irmãos Irineu, João e José Marinho? 

 

 

 

 

 

04
Dez17

Escravistas, terroristas, autocratas, anti-semitas e colonialistas da França e Brasil

Talis Andrade

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Henrique Meirelles, ministro da Fazenda de Temer, um escravista. Inspirou, ajudou a redigir a reforma trabalhista de Michel Temer, que estabelece uma jornada de oito horas mais quatro extras de trabalho gratuito, e sempre defendeu o mínimo do mínimo como salário, aposentadoria e pensão para o povo em geral. Dupla nacionalidade, invertido colonialista considera o Brasil quintal do império. Capaz de dar que nem vaca nova. De oferecer, a preço de banana, as riquezas do Brasil. Por ser de sua natureza, de adestrado empregado de banco estadunidense, adepto da política de entregar as empresas estatais em leilões quermesses à Fernando Henrique. Coluna do meio, eleito deputado federal pelo PSDB renunciou o mandato para servir ao PT, como presidente do Branco Central. Presidente do conselho da JBS articulou o golpe de todo o poder ao PMDB. O impeachment de Dilma Rousseff foi tramado pelo presidente do diretório nacional do PMDB Romero Jucá, pelo presidente de honra do partido José Sarney, e votado pelo presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e pelo presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL).

 

Ciro ajudou a eleger o patrão governador, e Tasso Jereissati (PSDB), eleito em 1986, indicou Ciro como sucessor, em 1990. Em 1998, Ciro reelegeu Tasso para o segundo mandato. Esse troca-troca, vendido como combate ao coronelismo no Ceará. A dupla continuou com o jogo. Beni Veras (PSDB) foi governador de 2002 a 2003, Lúcio Alcântara (PSDB) de 2003 a 2007. O jogo não terminou, Ciro elegeu a esposa Patrícia Saboya e Tasso senadores, e o irmão CId governador desde 2007. Faz o mesmo nepotismo eleitoral de Bolsonaro, de Sérgio Cabral, de Sarney, de Fernando Bezerra Coelho, de Lobão, de César Maia & outros que elegem os filhos. Principalmente os senadores que indicam parentes como suplentes.

 

Bolsonaro, racista, homofóbico, anti-semita quando faz a apologia da ditadura nazi-fascista de 64, defensor de cruéis torturadores. Para lavar tanto sangue escolheu as águas do Rio Jordão para se batizar evangélico. Rancoroso antisemita foi Lutero. Protestantes e papas queimaram judeus e árabes como heréticos.O conceito de anti-semita equivale ao de anti-árabe. Para apagar a ascendência árabe de pai e mãe, Temer foi a Israel buscar um anônimo judeu para presidir o Banco Central, cargo tradicionalmente entregue a estrangeiros e dupla-nacionalidades.

 

Huck mexe seu caldeirão para fazer dinheiro para ele e os patrões irmãos Marinho. De Sérgio Cabral ganhou um pedaço de ilha para construir um afastado palácio, que o povo para ir lá tem que ser de navio ou helicóptero. É uma mistura de Doria com Faustão, outros dois candidatos a presidente de um Brasil acéfalo, com um slogan de um gerente para governar que elegeu, nas últimas eleições de 2016, várias nulidades como prefeito, legalizando e consolidando o golpe de Temer.

 

Marina Silva uma das três mal-amadas de Lula junto com Heloísa Helena, candidata derrotada à presidente, e Marta Suplicy, outra que ambiciona o cargo. Todas três só conseguiram ser vitoriosas pelo PT. Marina uma farsa. Jamais foi seringueira, empregada doméstica, nem teve todas as doenças das curas milagrosas que propaga. Embora seja verdade que desistiu de embarcar no avião que explodiu com Eduardo Campos. Para cada eleição que se candidata à presidenta funda um partido político. Sempre com a bandeira de madrinha da Amazônia bancada pelos exploradores de imensos latifúndios, inclusive o marido denunciado como traficante de madeira nobre.

 

Lula foi preso como terrorista pela ditadura militar de 64. Também acusado de anti-semita por ter dito, em uma entrevista quando operário, que admirava Hitler.

 

 

24
Out17

Fartura de candidatos a presidente nos palácios, igrejas, quartéis e palcos

Talis Andrade

Qual animador e apresentador de programa de televisão é o melhor candidato a presidente do Brasil?

 

Depois do lançamento de Luciano Huck por ele mesmo, aparece um tal de Chico Barney, colunista do Uol, para perguntar e responder mais besterol:

 

"Luciano Huck? Que nada! O povo quer Fausto Silva presidente".

 

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Para suceder a bela Marcela de Temer, as belas Luciana Cardoso de Faustão e Angélica de Huck, nas férias recatadas em Veneza. Ô canseira de vida!

 

 

Huck, Faustão, Xuxa, Ratinho, Datena, Ana Maria Braga, Bial, Tiririca, Alexandre Frota, Lobão e outros do mesmo circo são todos uma cousa só. Nenhum é melhor do que o outro. Nenhum. Juntos ou separadamente estiveram ou continuam no mesmo palco. Têm as mesmas promessas, e o mesmo hino de campanha.


Prometem "um novo tempo que começou" com Temer. E juram que "nesses novos dias, mais alegrias serão de todos é só querer". E garantem: "Todos os nossos sonhos serão verdade, a ponte do futuro já começou. Hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa, é de quem quiser, quem vier". Que venha o povo bobo da TV Globo.

 

O Dória prefeito de São Paulo também faz parte dessa lista de candidatos profanos. Também não são santos Bolsonaro, da bancada da bala da Câmara dos Deputados,  Ciro Gomes, o patrão dele coronel senador Tasso Jereissati, Henrique Mei reles ministro do salário mínimo do mínimo e da reforma trabalhista escravocrata. 

 

Em oposição aos artistas circenses, temos o católico da TFP,  governador Geraldo Alckmin, e os evangélicos com Edir Macedo, dono da Igreja Universal do Reino de Deus. 

 

A campanha presidencial promete virar uma feira ou pastoril.

 

Ou pode terminar em um filme de terror com Michel Temer candidato, e a escuridão macabra da constante ameaça de uma intervenção militar.

 

 

 

 

 

23
Out17

I - Pequenas biografias de riquezas repentinas, Armínio Fraga

Talis Andrade

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Armínio, o Fraga, um clone de Henrique Meire les.

 

 

Fraga colocou o duplo dele na presidência do Banco Central. Um desconhecido cidadão de Israel, Ilan Goldfajn, que saiu de Haifa onde nasceu, direto para o Brasil de Michel Temer, o pequeno ditador vassalo e entreguista.

 

Fraga vale em ruindade dois indivíduos como Dória e Huck, que são duas barras da pesada.
Tudo uma questão de aceitar que a maldade tem medida.

E peso.

 

Fraga é tão ruim. Que avalia o Brasil pagar um salário mínimo alto demais para as posses das multinacionais, para a ganância dos piratas, inclusive dos agiotas banqueiros.

 

Fraga tem cara de pamonha, mas é mais sabido, mais ardiloso, mais sacana que uma legião de demônios.

 

Ninguém sabe como ficou rico assim de repente. De empregado de um terrorista internacional, de olheiro do especulador George Soros, a bilionário.


De bancário, que era, virou banqueiro.
Talvez a passagem pela presidência do Banco Central, nos tempos de Fernando Henrique presidente do Brasil, explique.

 

Quicá.

 

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17
Jul17

A condenação de Lula e a imparcialidade de Moro

Talis Andrade

por João Filho

 

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UM DIA APÓS a aprovação de uma reforma trabalhista sem a participação dos trabalhadores, o juiz herói Sérgio Moro condenou a 9 anos e meio o maior líder sindical da história do país. O ex-presidente foi condenado por lavagem de dinheiro e corrupção passiva no caso do Triplex, um desfecho óbvio de um roteiro manjado.

 

A sentença se debruçou longamente sobre as provas frágeis apresentadas pela Ministério Público, mas ignorou completamente as provas da defesa. A imparcialidade de Moro vem sendo questionada durante o processo por parte significativa da opinião pública e o conteúdo da sentença contribui para reforçar essa percepção. Não é para menos. Desde o início do processo, o juiz foi visto em eventos públicos organizados por tucanos, pela Globo, pela Isto É, pelo Lide de Doria. Enfim, talvez seja mera coincidência, mas Moro só confraterniza com inimigos declarados de Lula.

 

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... com Michel Temer 

 

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 ... com o senador José Serra

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... com Doria, prefeito de São Paulo, candidato a presidente 

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... com Luciano Huck candidato a presidente

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 ... com Alckmin candidato a presidente e Temer e sempre Temer 

 

Recheada de “poréns” e “entretantos”, a sentença mostra um Moro inseguro, vacilante, preocupado em justificar a ausência de provas materiais e em se defender das acusações de parcialidade — como se isso coubesse a um magistrado. No quesito surrealismo, alguns trechos deixam o powerpoint do Dallagnol no chinelo e demonstram o papel de acusador que o juiz assumiu para si:


“Não se trata aqui de levantar indícios de que o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua esposa Marisa Letícia Lula da Silva eram os proprietários de fato do imóvel consistente no apartamento 164-A, triplex, do Condomínio Solaris, no Guarujá.”

 

Aqui temos um juiz explicando que não está levantando indícios, algo que seria absolutamente desnecessário, já que é algo que foge às suas atribuições. Há algo de errado quando um julgador precisa explicar na sentença que não está cumprindo o papel de promotor.

 

“Em síntese e tratando a questão de maneira muito objetiva, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não está sendo julgado por sua opinião política e também não se encontra em avaliação as políticas por ele adotadas durante o período de seu Governo (…)Também não tem qualquer relevância suas eventuais pretensões futuras de participar de novas eleições ou assumir cargos públicos.”

 

A necessidade hercúlea de Moro em se defender das acusações de que pretende tirar Lula das próximas eleições é reveladora. Desde quando um juiz deve esse tipo de satisfação? Por que não se ater unicamente aos fatos que envolvem o processo? Se Lula faz política em cima do processo, Moro jamais poderia fazer. Os motivos são óbvios.

 

“Essas condutas são inapropriadas e revelam tentativa de intimidação da Justiça, dos agentes da lei e até da imprensa para que não cumpram o seu dever. Aliando esse comportamento com os episódios de orientação a terceiros para destruição de provas, até caberia cogitar a decretação da prisão preventiva do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entretanto, considerando que a prisão cautelar de um ex-Presidente da República não deixa de envolver certos traumas, a prudência recomenda que se aguarde o julgamento pela Corte de Apelação antes de se extrair as consequências próprias da condenação. Assim, poderá o ex-Presidente Luiz apresentar a sua apelação em liberdade.”

 

Moro considera “tentativa de intimidação” o fato dos advogados de Lula recorrerem à Justiça contra ele por abuso de autoridade, uma ação absolutamente legítima. Não cabe a um juiz desqualificá-la dessa forma em uma sentença.

 

Moro ainda afirma que poderia cogitar a prisão de Lula tendo como base uma declaração de Léo Pinheiro em delação premiada em que afirma que teria sido orientado pelo ex-presidente a destruir provas. Essa declaração não foi sustentada com provas — fato fundamental para validação de uma delação premiada — e, sozinha, jamais poderia justificar a prisão por obstrução de justiça. Mas Moro escreveu na sentença que pretendeu evitar “certos traumas” que a prisão de um ex-presidente da República poderia causar. Eu pensei que todos fossem iguais perante a lei e que o juiz julgasse com base unicamente com base nas provas do processo, mas Moro confessa, ainda que indiretamente, que norteia seu trabalho a partir de cálculos políticos. Não podemos nos dizer surpresos.

 

“Por fim, registre-se que a presente condenação não traz a este julgador qualquer satisfação pessoal, pelo contrário. É de todo lamentável que um ex-Presidente da República seja condenado criminalmente, mas a causa disso são os crimes por ele praticados e a culpa não é da regular aplicação da lei. Prevalece, enfim, o ditado “não importa o quão alto você esteja, a lei ainda está acima de você” (uma adaptação livre de “be you never so high the law is above you”).”

 

Agora esqueçamos a cafonice anglo-saxã entre parêntesis e nos concentremos na satisfação pessoal de Moro, que ele próprio considerou adequado trazer para a sentença. Quando um juiz precisa precisa explicar que não está julgando com base na sua satisfação pessoal é porque está julgando com base na sua satisfação pessoal. Claro, eu não tenho provas materiais para afirmar isso, porém, entretanto, pelo conjunto de indícios dessa sentença e pelas manchetes e capas de revistas, acredito que a satisfação pessoal de Moro já não cabe dentro dele. Quando um juiz vê sua imparcialidade sendo questionada publicamente, ele deveria se considerar impedido de julgar para que dúvidas dessa natureza não prejudicassem o processo, e não ficar se explicando infantilmente em sentença.

 

Houvesse provas substanciais para a condenação de Lula, Moro mataria a cobra e mostraria, orgulhoso, o pau. Mas elas não aparecem na sentença. O interminável titubeio e a necessidade de se justificar revelam um juiz preocupado em se defender politicamente e provar sua imparcialidade. Bom, faltou combinar com a materialidade dos fatos.

 

Depois de ter uma presidenta eleita arrancada do poder, os brasileiros agora veem o candidato favorito para 2018 sendo expulso da disputa eleitoral após uma condenação sem nenhuma prova material. Por outro lado, grandes nomes governistas como Aécio e Temer gozam de liberdade e continuam ocupando seus cargos mesmo diante de uma pororoca de provas. Obviamente, as circunstâncias são diferentes, mas, na prática, é essa a aberração que o país vive.

 

Numa época em que se vive a judicialização da política, o que vemos é a balança da Justiça pendendo a favor da turma do Grande Acordo Nacional — aquela que pretendia tirar Dilma do poder e fazer um pacto com Supremo, com tudo. Políticos comprovadamente corruptos seguem no comando da nação, sendo julgados por aliados políticos, enquanto um ex-presidente sem cargo público há quase 8 anos pode ir para a cadeia com base num roteiro traçado por um juiz que claramente rivaliza com o réu e que baseou sua decisão apenas em delações e indícios. E há quem continue dizendo que as instituições estão funcionando normalmente. Funcionando pra quem?

 

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