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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

25
Jul22

Quer saber o que pode acontecer se Bolsonaro for reeleito? Olhe para a Índia

Talis Andrade

O primeiro ministro da Índia, Narendra Modi, e Jair Bolsonaro durante cerimônia do Dia da República da Índia.

O primeiro ministro da Índia, Narendra Modi, e Jair Bolsonaro durante cerimônia do Dia da República da Índia. Foto: Alan Santos/PR

 

 

Em 20 anos, a Índia foi de promessa democrática ao um regime autoritário que proíbe dissidentes e trata minorias religiosas como cidadãos de segunda classe

03
Jun22

A biografia do covarde

Talis Andrade

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  • por Ruy Castro

 

Há dias, neste espaço (12/5), comparei Jair Bolsonaro àquele menino covarde que chuta um coleguinha pelas costas e, quando este reage, corre e vai pedir socorro ao irmão mais velho, chorando e dizendo-se agredido. Um garoto desses, se renitente na prática, será uma ameaça em adulto. No futuro, deem-lhe poder e um irmão mais velho —as Forças Armadas— e você terá Jair Bolsonaro.

Tenho alguma experiência na produção de biografias e me pergunto se e quando farão uma biografia à altura (ou à baixeza) de Bolsonaro. Primeiro será preciso encontrar um autor capaz de superar a revolta e repugnância que o personagem inspira, a fim de conferir ao trabalho a objetividade que a biografia exige. Depois, vencer a resistência das fontes de informações —muita gente sabe de horrores sobre ele, mas quantos se atreverão a contar? Bolsonaro é vingativo, sua índole é a do cão hidrófobo e, mesmo enjaulado e de focinheira, ainda terá força nos próximos anos para ir à forra contra quem o desagradar. Ou alguém duvida de que, mesmo sem ele, agentes avulsos de sua hidrofobia continuarão ativos?

Sempre acreditei que apenas a pessoa morta deveria ser biografada, e por um motivo óbvio: o de que só então sua história estará completa. Mas, no caso de Bolsonaro, é urgente a exceção. É preciso expô-lo o mais depressa possível, antes que a escalada de seu banditismo torne irrelevantes vilanias precoces. Tudo deve ser apurado, desde sua infância de menino covarde no interior de São Paulo até seu arrebatamento em desfilar de moto com 500 homens às suas costas, um deles atracado-lhe à garupa.

Informo desde já que não farei essa biografia. Ela exige um profissional mais jovem, com disponibilidade total e heroica determinação para chafurdar na merda.

Mas coloco-me à disposição para orientar, dar palpites e aconselhar a que se trabalhe de máscara, com o nariz tapado.

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TRIBUNA DA INTERNETImage

TRIBUNA DA INTERNET

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Covarde, Bolsonaro troca vidas por votos no Congresso | Partido dos  TrabalhadoresA mídia internacional e o risco Bolsonaro - Sinpro GoiásDesta vez exageraram com Bolsonaro! - OrlandoPassos.comNáufrago da Utopia: CARLA JIMÉNEZ: "BOLSONARO NÃO TEM HONRA NEM RESPEITO,  TEM ATITUDES DE UM COVARDE, DE UM SABOTADOR NACIONAL"

02
Jan22

"Corrupção do Judiciário é a mais grave de todas", diz Alfredo Attié

Talis Andrade

www.brasil247.com - Alfredo Attié, Sergio Moro e Deltan DallagnolAlfredo Attié, Sergio Moro e Deltan Dallagnol

 

“Se o Judiciário se corrompe, então nós estamos diante de um problema seríssimo, que não pode se repetir”, enfatiza o desembargador

 

247 - O desembargador Alfredo Attié, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), afirmou à TV 247 que a confissão do ex-juiz parcial Sergio Moro, de que usou a Lava Jato para combater o PT, e não a corrupção, representa a corrupção dentro do Poder Judiciário e merece investigação.

“É preciso que tudo isso que foi feito pelo Moro, pelo Ministério Público e Polícia Federal, nesta grande armação que foi o lavajatismo, mereça investigação por meio de processos administrativos e judiciais. A gente precisa de muito Direito agora, para evitar que tudo isso que aconteceu no Brasil, que gerou esse governo horroroso - que nós estamos sofrendo ainda - volte a acontecer”, pontua.

Attié destacou que julgado suspeito pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Moro não agiu como juiz, mas como parte. Alguém que estava interessado no destino dos processos que encabeçava. 

“A vara que ele [Moro] estava foi julgada pelo STF como uma vara que não tinha competência, jurisdição para julgar aqueles casos. Uma jurisdição que é chamada tradicionalmente como uma jurisdição de exceção. Ou seja, alguém diz que vai julgar mas não tem competência para isso”, esclarece. 

O desembargador destaca ainda que a suspeição se perpetuou no interior do Judiciário, pois no julgamento do recurso feito contra a sentença do triplex do Guarujá, em que o ex-juiz Moro foi considerado suspeito e incompetente, foram feitos elogios a ele, inclusive, vindo de desembargador que à época era o presidente daquele tribunal e que não participava do caso. 

“Isso significa a corrupção do sistema Judiciário. O termo corrupção se adapta exatamente a isso. Não é aquela coisa mesquinha de que todo mundo pensa ou fala sobre corrupção. A corrupção é o abuso do poder, e quando esse abuso se dá por um juiz, pelo Judiciário ou pelas pessoas que estão ligadas ao Judiciário, é o maior escândalo, pois o Judiciário é o lugar onde todo mundo tem que confiar quando sofre uma violência, lesão ou abuso”, completou.

Como se sabe, depois da Lava Jato, o país viu a economia encolher. Segundo levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estudos Estatísticos e Socioeconômicos), o Brasil perdeu 4,4 milhões de empregos e houve um desinvestimento de mais de R$ 170 bilhões. 

A maior empresa de engenharia brasileira, a Odebrecht, quase foi levada à falência e a Petrobrás perdeu valor. O Brasil era a sexta economia do mundo e não está mais nem entre as dez maiores.

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30
Jan21

Ruy Castro: Bolsonaro rebaixou o Brasil ao nível de estrebaria de quartel

Talis Andrade

 

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247 - Em sua coluna publicada no jornal Folha de S.Paulo, o escritor Ruy Castro afirma que Jair Bolsonaro foi "quem rebaixou o Brasil ao nível de estrebaria de quartel, ao inundar os lares com um vídeo sobre golden shower, chamar um jornalista para a briga ('Minha vontade é encher a sua boca de porrada!') e ejacular mais palavrões numa reunião ministerial do que em todas as reuniões ministeriais somadas desde 1889".

No texto, Ruy Castro destaca que, "desde sua posse, Jair Bolsonaro já foi chamado de cretino, grosseiro, despreparado, irresponsável, omisso, analfabeto, homófobo, mentiroso, escatológico, cínico, arrogante, desequilibrado, demente, incendiário, torturador, golpista, racista, fascista, nazista, xenófobo, miliciano, criminoso, psicopata e genocida". 

"Nenhum outro governante brasileiro foi agraciado com tantos epítetos, a provar que a língua é rica o bastante para definir o pior presidente da história do país. Mas é inútil, porque nada ofende Bolsonaro. Ele se identifica com cada desaforo".

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11
Jun20

Insensibilidade de Bolsonaro produz insensibilidade numa parte da população

Talis Andrade

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II - Coronavírus: Falta de empatia de Bolsonaro com mortes por covid-19 parece psicopatia

 
Juliana Gragnani entrevista Maria Rita Kehl
 
 

BBC News Brasil - E como as pessoas estão lidando com a pandemia? Há um sentimento generalizado de medo?

Kehl - Não há um só padrão. Por exemplo, se nós temos um presidente da República que diz que é uma "gripezinha", e que diz "lamento, todo mundo morre", embora esteja havendo uma pandemia e muitas pessoas estejam morrendo porque estão acreditando que podem ir pra rua, meu temor é que não seja só uma insensibilidade que machuca - porque machuca, evidentemente. Mas que seja uma insensibilidade que produz essa insensibilidade numa parte da população.

Porque esse mecanismo de defesa - quer dizer, no caso do presidente acho que é pura canalhice, mesmo - pode se tornar um mecanismo de indiferença, de desidentificação, "não é comigo", "não vou lamentar pelos outros porque acontece com os outros, mas não está acontecendo comigo nem com meus familiares".

Nesse momento, a solidariedade é tão necessária, nem que seja apenas simbólica, mandando cartas para os jornais, mandando dinheiro para lugares que fecharam, para alguém na rua com fome. Isso também é jeito bom de diminuir nossa angústia. "Diante desse horror que está acontecendo, posso fazer alguma coisa para os vivos?"

Essa é uma das reações que, embora seja generosa, também é egoísta porque nos tranquiliza um pouco. Você pode sentir que está preso em casa, mas está ajudando alguém. Tem esses dois lados. Sem solidariedade, sobra a barbárie.

Porque daí é um salva-se quem puder e dane-se quem não puder se salvar ou quem está correndo mais risco. É muito horroroso. Eu não sei nem qualificar direito o quanto isso é horroroso.

 

BBC News Brasil - Nesta semana, com mais de 30 mil mortos no Brasil, o presidente Bolsonaro disse: "Lamento todos os mortos, mas é o destino de todo mundo". O que isso revela sobre ele?

Kehl - Falta de empatia é o mínimo. É muito difícil fazer diagnóstico de alguém que não conhecemos, a gente já erra o diagnóstico de quem está no nosso consultório, no nosso divã. Imagina de alguém sobre a qual só temos notícias pelos jornais. Mas a minha impressão desde a campanha é que ele está mais próximo daquilo que a gente chama de um psicopata.

Um psicopata não é necessariamente um serial killer (um assassino em série). Digo porque geralmente quando aparecem essas figuras a imprensa começa a noticiar que são psicopatas. São pessoas que não têm divisão subjetiva. Divisão subjetiva significa "bom, eu corri demais, atropelei aquela criança", justifico dizendo que minha mãe estava doente, mas ao mesmo tempo eu me sinto angustiada. Mesmo quando fazemos algo muito ruim, como esse exemplo horroroso de atropelar uma criança, algo em nós não nos deixa em paz. E mesmo quando é uma coisa que a gente faz movida pela raiva. Você envenena o cachorro do vizinho que não te deixa dormir. Alguma coisa em nós sofre, mesmo pessoas más, sem consciência, egoístas, alguma coisa em nós sofre. O fato de ter que justificar já mostra que não é tão tranquilo quanto parece.

Vou dar só a definição do que é um psicopata para as pessoas pensarem se isso tem a ver com essa figura que ocupa a Presidência: o psicopata não tem essa divisão que diz: "Eu fiz, mas não deveria ter feito". "Eu fiz porque eu fui obrigada, mas eu sinto alguma culpa". Ele não tem. Ele não tem nenhuma empatia com o outro.

Essa resposta [sobre os mortes por coronavírus] é de um tal grau de impiedade… Não é só que ele não tem estatura para ser presidente do Brasil, isso a gente já sabe desde o começo, quando ele não comparecia a debates e xingava as pessoas. Ele não tem estatura humana naquilo que a gente considera que são alguns traços mínimos para você ser considerado um homem. Um homem humano.

BBC News Brasil - E qual é a importância, para uma sociedade, que seu líder lamente os mortos do país?

Kehl - Os gestos simbólicos são muito importantes. Vou fazer uma porcentagem meramente imaginária: é como se 30% para nós fossem questões materiais, como comer, morar, por exemplo, e 70% fosse esse outro campo que é o simbólico, que é o das trocas de linguagem, expressões, dos laços que se formam. O que distingue o humano de qualquer outra espécie é a capacidade da linguagem. E a linguagem é tudo o que dispomos quando não dispomos de mais nada.

As pessoas que ficaram em campos de concentração conseguiram escrever diários e livros. Algo como: "Eu estou aqui em condições subumanas, desumanas, mas eu ainda sou um ser humano". O que distingue o humano é isso, é a capacidade de registrar simbolicamente alguma coisa sobre sua vida e comunicar simbolicamente alguma coisa sobre sua vida ou a vida coletiva, o entorno.

Bolsonaro usa outros gestos simbólicos que não é o lamento. Diz algo como: "não é problema meu". E não é só não lamentar, é não fazer atos com consequências para diminuir a pandemia.

Meu temor é que a sociedade brasileira se torne menos solidária. Não que antes ela tenha sido muito solidária: o Brasil foi o último país livre a abolir a escravidão, por exemplo. Tivemos 300 anos de escravidão. E quando acabou escravidão também não houve teve nenhuma reparação. Temos uma população afrodescendente muito mais pobre porque seus bisavós, quando acabou a escravidão, foram jogados na rua. Coisas horríveis que estão no nosso DNA histórico, que já é uma sociedade menos generosa com o outro…

No entanto, a presença simbólica, o discurso, os atos de quem governa a sociedade produzem diferença. Quando o governo Lula criou o Luz Para Todos ou as cotas nas universidades, por exemplo. Foi uma coisa importantíssima, como forma tardia mas bem-vinda de reparação da desigualdade causada pela escravidão. Foi um ato que produz solidariedade.

Os gestos simbólicos daquele governo foram de inclusão, de promover igualdade, de promover a solidariedade, muito diferente dos gestos simbólicos desse governo de agora. (Continua)

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