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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

26
Dez21

A guerra do Brasil e a naturalização da barbárie

Talis Andrade

Chacina no Salgueiro e balsas do garimpo ilegal no Rio Madeira: duas cenas recentes se somam à galeria da barbárie bolsonarista

 

Por Marco Aurélio Weissheimer / Extra Classe

Quando estamos em meio a um turbilhão de acontecimentos, é difícil ter uma percepção clara sobre as suas implicações e sobre a direção na qual ele nos coloca. O Brasil, mesmo antes do início da pandemia, já vivia um cenário dessa natureza, a partir da eleição de um governo de extrema-direita, em uma aliança sinistra entre militares, agronegócio e sistema financeiro, entre outros setores. O discurso de violência, preconceito e discriminação, emulado pelo presidente eleito, já era claro e explícito desde a campanha eleitoral. Logo, não foi surpresa para ninguém. Os aliados e cúmplices de toda a violência e violação de direitos que se seguiriam ao início deste governo jamais poderão dizer que “não sabiam”. Sabiam, sabem e seguem justificando atos diários de barbárie e violência.

Em um artigo publicado em outubro de 2018 (A barbárie está autorizada. O horror saiu do armário), o antropólogo Luiz Eduardo Soares antecipou, em tom profético, o que estava por vir. Soares chama atenção para o simbolismo do gesto de dois homens brancos, os então candidatos a deputado federal Daniel Silveira e a deputado estadual Rodrigo Amorim; ao lado do candidato ao governo do Rio de Janeiro Wilson Witzel, que rasgaram uma placa de rua com o nome de Marielle Franco, vereadora do PSol assassinada na capital fluminense, morte cujos mandantes até hoje não foram identificados. Fizeram da placa, escreveu Soares, “uma lápide e da lápide partida o símbolo do esquecimento. Isso se chama profanação e promove a segunda morte de Marielle”.

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O horror como método

Esse foi apenas um dos tantos sinais que indicavam o que estava por vir. Lembrando que “grande parte de nossas vidas é regida pelo que é invisível – emoções, afetos, expectativas, desejos, memórias, fantasias”, o antropólogo assinalou que, na política, não é diferente: “Por isso, não é preciso incluir no programa de governo referências a um plano de extermínio, não é preciso apresentar publicamente um programa genocida. Não é necessário exaltar a violência e o preconceito, ou incitar o ódio, explicitamente – ainda que isso tenha sido feito. O que põe em circulação a barbárie não está nos argumentos racionais da candidatura ou em suas propostas de políticas públicas. A mensagem já foi passada à sociedade. E a mensagem se resume a uma autorização. Autorização à barbárie. A morte foi convocada. A barbárie está autorizada. O horror saiu do armário”.

Passados mais de três anos, os atos de barbárie são tantos no Brasil que quase já se incorporaram à nossa rotina. O “quase” não se aplica às populações que são alvo diário desses crimes (homens, jovens e meninos negros, mulheres, jovens e meninas negras em sua maioria, moradores de periferia, povos indígenas, pequenos agricultores, população LGBT, estudantes, trabalhadores…a lista é extensa). A situação é tanto mais dramática, na medida em que esse caráter diário da barbárie provocou uma certa naturalização desse cenário. A “sociedade” brasileira (expressão que vai entre aspas pois precisa ser melhor descrita) está anestesiada pela violência, o que não diminui em nada o crime da cumplicidade para com o que está ocorrendo no Brasil.

No final de novembro deste ano, mais duas imagens se somaram à galeria da barbárie bolsonarista brasileira. A “descoberta” de dez mortos em um mangue dentro do Complexo do Salgueiro, no Rio de Janeiro, que, segundo a Polícia Militar, foram mortos em um confronto durante uma “operação de estabilização”. Os corpos apresentavam sinais de tortura e de execução. Segundo o programa Fantástico, da Rede Globo, os policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) dispararam mais de 1.500 tiros na “operação de estabilização”. Justificando a ação policial, o governador daquele estado, Cláudio Castro, afirmou: “Coisa boa não estavam fazendo”.

A segunda cena foi a da invasão de centenas de balsas de garimpo ilegal Rio Madeira adentro, na Floresta Amazônica. A prática de garimpo ilegal na região, inclusive dentro de terras indígenas, não é uma novidade exatamente, mas ganhou força nos últimos dois anos com o enfraquecimento da fiscalização e com os discursos e as ações de apoio a essa atividade ilegal por parte do governo Bolsonaro.  São cenas da guerra em curso no Brasil, uma guerra contra o povo brasileiro, que está sendo atacado pelo exército bolsonarista e sua aliança macabra, que reúne militares, fazendeiros, pecuaristas, garimpeiros, banqueiros, parlamentares, prefeitos e governadores cúmplices dessa barbárie.

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19
Nov21

Peça francesa "Condor" expõe sequelas da ditadura brasileira

Talis Andrade
 
 A peça Condor, de Frédéric Vossier, dirigida por Anne Théron, interpretada por Frédéric Leidgens e Mireille Herbstmeyer, fica em cartaz até 28 de novembro no MC93 de Bobigny, na periferia de Paris.
A peça Condor, de Frédéric Vossier, dirigida por Anne Théron, interpretada por Frédéric Leidgens e Mireille Herbstmeyer, fica em cartaz até 28 de novembro no MC93 de Bobigny, na periferia de Paris. © Jean Louis Fernandez

A peça "Condor", em cartaz no teatro MC93 de Bobigny, na periferia de Paris, faz referência à operação criada em 1975 pelas ditaduras da América Latina para reprimir os opositores aos regimes militares. A campanha de repressão foi promovida por seis países, Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Brasil, mas no texto francês ela é simbolizada por um diálogo entre uma irmã e um irmão que escolheram campos opostos durante a ditadura brasileira.

"Condor", do francês Frédéric Vossier, é dirigida por Anne Théron. Em cena, apenas dois atores. Mireille Herbstmeyer interpreta Anna, a ex-revolucionária, torturada, que 40 anos depois procura o irmão, que ficou do lado dos militares. Paul, o torturador, é interpretado por Frédéric Leidgens. A peça é um confronto intenso entre quatro paredes que faz ressurgir, no espaço de uma noite, lembranças de uma juventude comum e de um traumatismo impossível de esquecer. Para a diretora Anne Théron, Condor fala da resiliência de uma mulher atormentada.

"O que me interessou foi o percurso de uma mulher, a pequena história na grande História. Desde a primeira vez que o li, disse que era um pesadelo psíquico e político. O que me interessou foi a complexidade, a tensão dessa história. Somos como ela, que pergunta o tempo todo para o irmão: mas quem é você? E ele responde sempre: por que você veio? O que me interessou também foi que eu pensava, como a maioria dos franceses, que a operação Condor era a Argentina e o Chile. E descobri que ela aconteceu também no Brasil, e eu ignorava. Foi um mergulho no horror", explica.

A peça "Condor" é interpretada por Mireille Herbstmeyer e Frédéric Leidgens.
A peça "Condor" é interpretada por Mireille Herbstmeyer e Frédéric Leidgens. © Jean Louis Fernandez

A história se passa no presente, mas mistura realidade, delírios e lembranças antigas. O texto é repleto de não-ditos. A trama se revela aos poucos, de maneira fragmentada, e um espectador pouco familiarizado com o desenrolar dos fatos na América Latina pode ficar um pouco perdido. Mas a montagem e direção de Anne Théron, que utiliza com perspicácia efeitos sonoros e de vídeo, recria a atmosfera opressora dessa "noite de horror". A diretora escolheu um cenário que simboliza a reclusão. O apartamento do irmão Paul é representado por um bunker semidestruído e enterrado na areia.

"Nada é exótico ou folclórico, mas fundamental. Isto é, a luta de uma mulher para superar um traumatismo. Um confronto sobre uma visão de mundo radicalmente diferente. Não acho que isso faça referência unicamente ao Brasil. Mesmo no texto da peça, a personagem diz Brasil, Brasil, mas poderia ser em outro lugar. É uma história de tortura, de duas visões de mundo que se enfrentam, e o que é mais violento é que isso acontece na mesma família", diz Anne Théron.

 
A diretora da peça "Condor", Anne Théron.
A diretora da peça "Condor", Anne Théron. © Adriana Brandão/RFI

Dilma Rousseff

A atriz Mireille Herbstmeyer relaciona a personagem de Anna com o percurso da ex-presidente brasileira Dilma Rousseff: “Faço parte de uma geração que conheceu o fluxo de refugiados políticos latino-americanos na França. Sem conhecer os detalhes da história, vi vários documentários como a conferência de Dilma Rousseff sobre essa espécie de reconciliação. Pensei muito nela. Em um momento dado, ela para de falar, e sentimos que ela é imbuída por alguma coisa. Um instante de verdade magnifico.  Foi interessante ver o testemunho das vítimas e dos torturadores."

Na peça, o personagem do irmão Paul diz que não fez mal a ninguém, que só queria que o mundo fosse melhor. O ator Frédéric Leidgens faz um paralelo com a atitude de criminosos nazistas: “Li há pouco tempo uma biografia um pouco romanceada sobre a vida do nazista Mengele (o médico nazista Josef Mengele que morreu em São Paulo sem nunca ter sido capturado e julgado) na Argentina e no Brasil. Ele consegue escapar, é isso é atroz. É uma imagem bastante justa deste tipo de criminoso, como Paul, que no fundo não reconhece nunca seus atos. A confissão é impossível. Não é para desculpá-los, mas esse tipo de gente não poderia continuar vivendo se reconhecessem o que fizeram.”

Anne Théron (centro), com os atores Frédéric Leidgens e Mireille Herbstmeyer.
Anne Théron (centro), com os atores Frédéric Leidgens e Mireille Herbstmeyer. © Adriana Brandão/RFI

A história se repete

O tema da peça Condor, que fala da polarização da sociedade latino-americana de 40 anos atrás, volta com força a atualidade não só no Brasil, mas em vários outros países. Essa repetição da história impressiona a diretora Anne Théron:

"É assustador a que ponto a história se repete. Vou dizer uma coisa de uma grande banalidade: não aprendemos nada! Repetimos os mesmos erros. É impressionante quando me propuseram esta peça para dirigir, foi antes das eleições no Brasil e no momento que comecei a montagem Bolsonaro foi eleito. Não sei como explicar, foi como um pesadelo. Me disse: não é possível", lembra a diretora.

A peça Condor, de Frédéric Vossier, dirigida por Anne Théron, fica em cartaz até 28 de novembro no MC93 de Bobigny, na periferia de Paris.

 
13
Nov21

Bolsonaro e Moro são símbolos de um retrocesso sem precedentes

Talis Andrade

Moro e Bolsonaro: juntos contra o povo e contra o BrasilMoro e Bolsonaro: juntos contra o povo e contra o Brasil

 

por Ricardo Melo /Jornalistas Livres

“Vim para destruir”, disse JMB (dito Bolsonaro) logo após assumir de modo fraudulento o Planalto. Talvez tenha sido a única frase mais ou menos sincera emitida pelo sujeito que há três anos faz campanha pela própria reeleição.

Tirando os poderosos de sempre, nenhum setor do país escapou da sanha anti-Brasil estampada em seu verdadeiro lema de governo.

O ato mais recente foi liquidar o Bolsa Família, responsável por tirar da miséria extrema milhões e milhões de brasileiros e elogiado no mundo inteiro por quem se interessa em preservar vidas.

Em seu lugar, oferece-se um tal Auxílio Brasil, que não tem verbas, reduz o número de brasileiros atingidos e, de prático, tem apenas data de duração: só até as eleições do ano que vem.

Dispensável listar extensamente o prontuário de JMB na sua trajetória de horrores. O desemprego sangra cada vez mais famílias. A inflação voltou à toda, principalmente para os mais pobres. Combustível começa a ser comprado em doses, não litros, tamanha a alta de preços.

Na educação, todos os programas vêm sendo dinamitados impiedosamente, do ensino básico ao superior, a ponto de três dezenas de funcionários da área pedirem demissão a poucos dias da realização do Enem.

O setor cultural virou um feudo do obscurantismo mais rasteiro, tendo à frente um ator secundário de um seriado juvenil da rede Globo.

O “melhor ministério da história” anunciado por JMB é uma soma de nulidades; há até um astronauta travesseiro na Ciência e Tecnologia. A Saúde está entregue a quem se dispuser a trocar Hipócrates por hipócrita. Os exemplos são vários. De muitos nem se ouve falar. Quando se ouve nunca é coisa boa.

A cereja deste bolo mofado, claro, é o superministro da economia. Saudado como “Posto Ipiranga”, revelou-se rapidamente um frentista fajuto que vende gasolina batizada.

A economia está aos pedaços, a indústria desaba a cada novo indicador, salários são achatados e o sr. Paulo Guedes foge de dar esclarecimentos sobre seus negócios suspeitos no exterior.

Combate à corrupção? JMB, estrategista de ‘rachadinhas”, não perde uma oportunidade para mexer peças no Judiciário a fim de safar ele e a famiglia da cadeia.

Os aviões da FAB viraram Uber gratuito para amigos do rei, da rainha Michelle e de ministros –gratuito para eles, não para o povo que paga a conta.

Cargos são abertos no exterior para médicos amigos. A “primeira filha” fura fila em escolas militares. Para encobrir delitos, fácil: baixa-se uma portaria determinando sigilos centenários.

Não bastasse tudo isso, o presidente incorruptível, que já circulou por oito partidos, filia-se a uma legenda dirigida por um ex-condenado e ex-presidiário renegado pela própria ex-mulher.

Tudo isso já serviria de ficha capaz de levar qualquer cidadão ao xadrez. Mas o maior dos crimes são as mais de 600 mil mortes provocadas por sabotagem, negociatas, negacionismo e charlatanices durante a pandemia da Covid.

Crime contra a humanidade como concluiu a CPI. Discussões semânticas à parte, é tão ou mais grave que genocídio.

 

Moro: whisky paraguaio

Nessa situação de calamidade, ressurge das cinzas gente como Sergio Moro, braço direito de JMB na eleição de 2018.

Foi ele, junto com o supreminho tribunal federal, que impediu Lula de disputar o pleito com base num processo sem provas.

Como se os brasileiros fossem uma manada de jumentos, Moro tenta aparecer repaginado com a mesma autenticidade de um whisky paraguaio. Sua bandeira, tão previsível quanto a de todos dos que não têm nada a propor: “combate à corrupção”.

Logo ele, símbolo da maior das corrupções: manipular o Judiciário de forma torpe com fins políticos, criando em torno dele uma gangue de malfeitores para montar processos sob encomenda.

Agora o sujeito fala contra “rachadinhas” (não sabia que elas existiam quando aceitou um cargo neste governo?) e numa força-tarefa contra a pobreza.

Só se for contra a “pobreza” dele e da própria turma. Que tal se Moro começasse por devolver o indecente auxílio-moradia do qual se beneficiou durante tanto tempo, além de tantos outros penduricalhos que engordam o caixa da sua moçada?

Não à toa filiou-se ao “Podemos”, mais conhecido como “Perdemos”.

No Brasil tudo é imprevisível. Mas, a julgar por este tipo de adversários, mesmo se jogar parado Lula ganha fácil.

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10
Nov21

Sérgio Moro e Deltan Dallagnol nunca fizeram política, mas canalhice e devastação do Brasil

Talis Andrade

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Os canalhas Moro e Dallangnol são políticos desde sempre e o partido deles é a lava jato, organização criminosa e golpista formada desde os interesses imperialistas e mafiosos de poderosos grupos imperialistas, de olho no nosso petróleo

 

por Dom Orvandil

 

Prezada Professora Mirian Preto

Cruz Alta, RS.

Novamente nos encontraremos nesta quarta feira no Programa Leitura Profética.

Com esta carta objetivo refletir contigo sobre a dividida que significa a horrorosa e nojenta participação de Sérgio Moro e de seu comparsa Deltan Dallagnol no processo eleitoral como candidatos nas próximas eleições.

Desde já nos é claro que Moro e Dallagnol jamais entrarão para a política, como desinformadamente se alardeia por aí.

A ignorância sobre o que é política, confundindo isto com filiações partidárias e candidaturas eleitorais, leva à confusão de que os pilantras lavajatistas ingressam na vida política ao se disporem a oficializar candidaturas, seja lá ao que for.

Nada, os canalhas Moro e Dallangnol são políticos desde sempre e o partido deles é a lava jato, organização criminosa e golpista formada desde os interesses imperialistas e mafiosos de poderosos grupos imperialistas, de olho no nosso petróleo.

Desde os gregos se sabe que política é a arte de debater e de decidir sobre os interesses em conflitos na cidade estado, depois nos impérios, nas repúblicas, nas nações e supranacionalmente pelo imperialismo.

De um lado, a política dominante defendia os interesses da tirania no massacre dos escravos e na extração de suas riquezas no sustento das orgias a que sempre se entregaram as elites na sua maldade.

Os setores dominantes e preguiçosos nunca titubearam em usar instituições como o estado, desde sua origem como cidade, até chegar à complexidade moderna, as instituições de ensino como privilégios na formação de suas descendências e o judiciário, com todas as leis a proteger a tirania, a exploração, as mentiras e as máscaras das maldades dos atores do horror.

Em Atenas a elite usou o judiciário para caluniar e matar Sócrates, que nunca morreu em sua obra filosófica. Em Jerusalém  o império romano usou a pretoria e a religião para destruir e matar Jesus, que renasceu na páscoa de um mundo justo. Em Minas e no Rio de Janeiro a mídia, a religião e o judiciário serviram para martirizar Tiradentes, que vive na luta pela libertação e independência do Brasil.

Portanto, política é síntese de atos humanos que representam o lado que cada pessoa assume. Os canalhas Sérgio Moro e Deltan Dallagnol alinham-se na perspectiva política dos tiranos, mentirosos, assassinos e mafiosos, sempre a favor dos mais poderosos e obscuros negócios.

Moro e Dallagnol, dirigentes do partido golpista lava jato, não entram para a política coisa nenhuma. Sempre foram da pior política possível.

A essa dupla e a toda a gangue lavajatista se deve escumalhas hediondas como os golpes mensalão, o impeachment da Presidenta Dilma Rousseff, a  prisão  do ex Presidente Luiz Inácio Lula da Silva para  eleger o fakeada sua excrescência miliciana genocida Jair Bolsonaro, a miséria dos ossos secos e sem carne, da fome, do desemprego, da destruição da Petrobras, do rebaixamento dos melhores intelectuais da engenharia naval e do petróleo, como também a ascensão do nazifascismo, retirando dos esgotos fétidos o que há de pior no povo brasileiro.

Os canalhas de Curitiba sempre agiram politicamente na busca corrupta de nacos no poder econômico do capitalismo neoliberal decadente. Inscrições em partidos balcões de negócios e golpistas e candidaturas são apenas estações de passagem do trem desgovernado desses demônios. Se, por desgraça e estupidez de cociente eleitoral, se elegerem nada mais farão nos cargos ocupados do que oficializarem a tirania, a grossa sujeira e golpes que sempre praticaram. No rastro de tudo isso alinhava-se sucessão de crimes, de roubos e de corrupção.

Por outro lado, na luta política, que não ocorre somente com filiações partidárias e disputas eleitorais, é preciso que os escravos, os que catam comida nos lixos,  carne nos ossos que os canalhas da politica da tirania nos oferecem, @s trabalhadores/as de todas as atividades, vocações e dons nos organizemos na militância permanente, intensa, mobilizada em massa, no enfrentamento da canalhice lavajatista, neoliberal, imperialista, capitalista e mafiosa,  transformando o conteúdo do poder.

O atual conteúdo é o neoliberal,  que dá cria monstros como os canalhas aqui em pauta e a tantos outros que se escondem às sombras e nos subterrâneos imorais. É preciso impor o conteúdo que os gregos primitivamente chamavam de “tikós” – politikós – ou política do bem comum.

Esse bem comum não pode jamais contar com monstros na prática de monstruosidades como os lavajatistas fizeram e fazem. Esse bem comum hoje se chama democracia socialista.

Esse é o nome do paradigma econômico e político duro com a tirania e a injustiça, mas inclusivo e fraterno com toda a classe trabalhadora nas relações dignas de quem realmente produz e transforma o planeta.

Abraços proféticos e revolucionários,

Dom Orvandil.

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18
Out21

Relatório da CPI da Covid já nasce histórico

Talis Andrade

 

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Reinaldo Azevedo no Twitter
 
 
Reinaldo Azevedo
Bolsonaro diz chorar no banheiro. P q não ri um pouco de satisfação com a queda de contaminações e mortes? Porque teria de admitir a efetividade das vacinas. Espinosa ficaria espantando: Bolsonaro é destituído de “afetos de alegria”.

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CPI não pode ter medo do que achou.

Os senadores responsáveis da CPI não podem se intimidar diante do que viram. Bolsonaro devia e podia ter tomado medidas contra a Covid-19 e se absteve. Não cumpriu a obrigação do "cuidado e da vigilância" e criou o risco do resultado que se vê.

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A CPI executou exemplarmente o seu trabalho. Agora, cabe ao Ministério Público fazer o que deve, muito particularmente à PGR nos casos com foro especial. A terra de experimentalismo e horror homicida em q se converteu o Brasil ficou plenamente caracterizada.

Bolsonaro chama Renan de bandido. Esperado. Dos 11 crimes apontados, o + evidente é o do Art. 267 do Cod.Penal: Bolsonaro CAUSOU epidemia a cada vez q estimulou pessoas - e o fez ele mesmo - a praticar atos pró-patógenos. Qdo. menos, dolo eventual. 10 a 15 anos a cada estímulo!

E, sim, Bolsonaro incidiu, praticamente todos os dias, no Art. 268: INFRINGIU DETERMINAÇÃO DO PODER PÚBLICO PARA IMPEDIR PROPAGAÇÃO DE DOENÇA CONTAGIOSA. Infringiu até lei que ele próprio sancionou. PENA: de um mês a um ano por infração. Só nesse caso, já somaria uns 30 anos.
 

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01
Out21

Doentes atrapalham a economia

Talis Andrade

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por João Paulo Cunha

- - -

Em meio a tantos absurdos que se somam a cada dia, foi revelado de forma quase natural a raiz de tanto horror no combate à pandemia pelo governo federal: doentes fazem mal à economia. 

Depois de uma sequência de inépcia, descaso, militarização, charlatanismo, falta de empatia, desprezo à ciência, crueldade, corrupção e outros crimes, a verdade final foi dita com todas as letras. Havia um pacto, uma aliança, uma estratégia ditada a partir da economia. Ou melhor, como foi explicitado, do Ministério da Economia. As digitais de Paulo Guedes não estão apenas nas planilhas dos péssimos números das finanças públicas, mas nas quase 600 mil vidas perdidas.

Todos devem se lembrar da antiga e insensata disputa apresentada entre a dimensão sanitária e econômica da pandemia. Parecia que havia se estabelecido um dilema entre sanitaristas e economistas, sobre a melhor forma de enfrentar a doença e suas consequências para a sociedade. Na falsa contraposição, um lado não se importava com as baixas para os negócios e empregos; o outro não tinha sensibilidade para a dor das famílias. O desprezo pelas ciências da vida se escorava numa preocupação com a vida material. Chegou-se a dizer que padeceríamos de mais mortes por desemprego e suicídio do que pelo vírus.

Na verdade, a divisão foi apresentada pelo governo federal como anistia para sua ação negacionista no combate à doença, que apostava na morte como saída biológica inevitável, travestida na ideia de imunidade coletiva ou de rebanho. Por isso não cabia investir em testes, vacinas, atendimentos e medidas não farmacológicas. Era só deixar a morte fazer seu trabalho saneador e suspirar um desumano: “e daí, todo mundo morre um dia”. Há um componente sadomasoquista no fascismo. De um lado, defende-se o extermínio dos fracos; de outro, submete-se ao poder como forma de se sentir próximo a ele. O fascista é antes de tudo um covarde.

O que vem sendo revelado nos últimos dias é mais grave e profundo. Não houve apenas uma abordagem equivocada em termos científicos, mas um plano traçado estrategicamente para que chegássemos aonde chegamos. As mortes por covid-19 não foram uma consequência, mas um instrumento utilizado com método. Além do Ministério da Saúde, foram convocados tanto alguns profissionais da área, como falsos profetas do tratamento precoce, como empresas e planos de saúde. A ordem foi dada: matem os brasileiros doentes porque eles fazem mal aos negócios. O comando foi assassino, mas travestido de liberalismo.

Progressão do terror

Frente a isso, a incompetência gerencial, a falta de uma política consequente e até os esquemas de corrupção traçados para a compra de vacinas, com toda sua gravidade, são ações de criminosos menores e até certo ponto medíocres. Há uma progressão de terror entre um burocrata, comerciante ou deputado que combina a compra de insumos com propina e um dirigente de plano de saúde que mata seus pacientes para fechar as contas e nutrir a falsa esperança de que está tudo bem e que já passou a hora de sair às ruas. No primeiro caso a morte é uma consequência hedionda, no segundo é o motivador da ação.

O que a CPI da covid revelou nos últimos dias, com os procedimentos experimentais que só encontram paralelo no nazismo, praticados pela Prevent Senior, além de estarrecedor é metódico. E coletivo, já que defendidos, entre outros, por Nise Yamaguchi e Paolo Zanotto (e até Anthony Wong, mártir da própria infâmia) e financiado por empresários como Luciano Hang. 

O que foi feito, às custas da vida de pessoas que pagaram para receber atenção, é exatamente o cumprimento do que foi chamado de “pacto”, a partir de uma demanda do Ministério da Economia. Vale tudo no campo sanitário para devolver a dinâmica dos negócios e fazer girar a roda da economia, dos tratamentos ineficazes à falsa sensação de segurança conferida por eles. De quebra, se abre uma franja de oportunidades para empresários inescrupulosos dispostos a lucrar com a pandemia.

No entanto, não se trata apenas de um projeto genocida para salvar a vida material, mas de um programa que visava também aumentar os ganhos da operadora disposta a levar esse alinhamento à frente. Um prêmio macabro pela subserviência ao poder e indigência ética na condução de seu negócio. Em outras palavras, além de contribuir para o propósito de criar uma impressão de normalidade para empurrar as pessoas para as ruas e o contágio, a Prevent Senior agia em nome de seus próprios interesses econômicos.

Em primeiro lugar, apresentando-se como opção de baixo custo para seus clientes. Em seguida, pela busca de protagonismo em protocolos que utilizavam tecnologias e medicamentos ineficazes e perigosos. Para isso, criou falsos procedimentos de pesquisa, deturpou dados e pretendia se lançar como alternativa assistencial reconhecida mundialmente. Para levar adiante esse projeto, usou pacientes como cobaias, encurtou tratamentos e tirou pacientes graves de respiradores. Há uma relação entre a morte e a liberação de leitos.

Não se sabe onde se localiza a maior desumanidade, se na obediência aos interesses de Guedes e do mercado ou na deturpação da assistência para garantir corte de custos. Nos dois casos, o imperativo da economia era apresentado como um valor e os doentes, sobretudo os mais graves, como um problema a ser retirado do horizonte. Valia tudo: falsear dados de pesquisas, retirar diagnósticos do prontuário, deslocar pacientes da UTI para unidades paliativas sem informação aos responsáveis, fornecer medicamentos inservíveis como alternativa para famílias desesperadas, ameaçar médicos e outros profissionais que não concordassem com a farsa. Falsificar atestados de óbito e praticar eutanásia.

Horror

Como relatou a advogada dos médicos da empresa, Bruna Morato, havia uma aliança direta entre os interesses do Ministério da Economia e a empresa, para que o país “não parasse”. Os profissionais que compuseram o gabinete paralelo, muitos deles com passagens pelo plano de saúde e sedentos de poder e cargos, garantiram que o plano para fazer a economia seguir sem percalços tinha respaldo em decisões técnicas, o que não era verdade e deixava a cada dia um rastro maior de mortes e sofrimento.

O alinhamento entre a economia e a política de saúde executada pelo governo federal, com contribuição criminosa de alguns profissionais ambiciosos e empresas deformadas moralmente, não tem outro nome: horror. Não é incompetência, ganância ou negacionismo. Vai além da política pública, sobrepuja a corrupção, está muito distante da mera ignorância. É um pacto com o mal, no sentido mais profundo da expressão. Não é possível ir mais baixo na escala humana.Image

O que pode acontecer com a Prevent Senior?

 
 
01
Set21

O humano em nós

Talis Andrade

CHARGE – FUNDAÇÃO PALMARES SOB NOVA DIREÇÃO.

 

 

“Senhor Deus dos Desgraçados! Dizei-me vos, Senhor Deus!
Se é loucura… se é verdade
Tanto horror perante os céus?!”

Castro Alves, Navio Negreiro

Em meio a tantas perplexidades com as inconsequências do governo federal, é difícil escolher uma marca para tanta incompetência, tanto ódio, tanta ignorância e tanto descaso pela vida humana. É um repetir constante de desrespeito aos direitos fundamentais que um profundo desânimo nos invade. Está sendo cansativo viver no Brasil hoje. Não tem absolutamente nada de esquerda e direita. É, mais uma vez, uma questão entre civilização e barbárie.

Num regime presidencialista, a figura do presidente tem uma enorme força. E o Presidente Bolsonaro não consegue dar um único exemplo que mereça ser seguido. Devo reconhecer que ele segue uma linha de coerência com tudo que sempre foi: um pústula, um inepto e um desqualificado. E vários de seus seguidores tratam de honrar a herança macabra desse governo fascista que está desmantelando todas as áreas do país.

Uma questão específica causa profunda indignação e revolta:  a postura do presidente da Fundação Palmares em nítida afronta aos direitos dos negros. Um homem asqueroso que tem raiva do mundo e das pessoas. Que aparenta ter ódio de ser negro e sentir vergonha de pertencer à comunidade negra. Que usa o termo “afromimizento” para agredir pessoas negras que ele entende serem de esquerda e, na sua visão tacanha e preconceituosa, têm vocação para “ vitimistas. ”

Um homem que ocupa um cargo que deveria exaltar a raça negra, preservar seus valores e fomentar a cultura. No entanto, ele se dedica a defender a extinção do movimento negro, zomba da estética afro, especialmente dos cabelos, tem ódio declarado às religiões de matriz africana e revela desprezo às mulheres politizadas que buscam um lugar nesta sociedade machista. Uma verdadeira afronta.

A imputação frequente de assédio moral ao presidente Sérgio Camargo e a perseguição política ideológica que ele faz não podem ficar impunes. É lamentável que tenhamos que nos socorrer do judiciário para resolver uma questão que deveria ser deliberada na política. Mas, como a política bolsonarista é representada pelo atraso e pelo mais rigoroso desprezo à dignidade da pessoa, só nos resta aplaudir o Ministério Público do Trabalho, que pediu o afastamento do cargo desse racista predador.Humor Político a Twitter: "Sérgio Camargo https://t.co/9UMB4k5VUY… "

Na verdade, essa figura deplorável segue os passos do presidente a quem ele serve. A descrição dos horrores que ele impõe aos funcionários, covardemente, cria um clima de terror psicológico e humilhação que deve encontrar respaldo e aplauso na “casa de vidro”. O exemplo a ser seguido deve ser a atitude do então deputado federal Bolsonaro, que exaltou a figura do torturador Ustra durante a votação do impeachment da ex-presidente Dilma, que foi barbaramente torturada por esses canalhas.

Quando a política deixa de ser exercida com dignidade por parte do poder executivo e há uma clara subversão dos valores republicanos, infelizmente se torna necessário buscar em outros poderes o equilíbrio para recompor o Estado democrático de direito. Ou pelo menos tentar. Na ausência de uma condução minimamente ética, respeitosa e civilizada, faz-se imperioso afastar o presidente da Fundação Palmares.

Se não em nome dos negros, que ele tanto tenta humilhar, que se faça em nome da esperança de termos de volta um país mais solidário e mais igual. A cada dia que a barbárie impõe seu terror, morre um pouco do que existe de humano em cada um de nós. E essa é uma guerra que não podemos perder, pois ela não é apenas nossa, ela é da humanidade. Com a palavra da poesia de Noémia de Sousa:

“Por que é que as acácias de repente floriram flores de sangue?
Por que é que as noites já não são calmas e doces, por que agora são carregadas de eletricidade e longas, longas?
Ah, por que é que os negros já não gemem, noite afora.
Por que é que os negros gritam, gritam à luz do dia.”

vagabundo do movimento negro. Essa escória maldita - Sérgio Camargo - Blog  do Gilmar - UOL

26
Ago21

CPI, corrupção fardada e o papel da imprensa

Talis Andrade

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por Álisson Coelho /ObjETHOS

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Desde 1979 o Brasil, enquanto nação, tem reafirmado uma decisão fundamental para entendermos o buraco em que nos metemos. Desde a Lei da Anistia temos renunciado coletivamente ao nosso direito de punir aqueles que representavam o Estado pelos muitos crimes cometidos pela ditadura militar (1964-1985). Acreditamos verdadeiramente que esquecer os nossos traumas era a melhor solução para recomeçarmos, algo que qualquer psicólogo diria que é uma péssima decisão. Não há como ler o Brasil de Bolsonaro sem ter esse ponto como premissa fundamental.

Vivemos os efeitos de traumas não superados, lembranças horríveis que vão se alterando até que tenhamos reescrito porcamente nossa história para, então, romantizarmos um período de barbárie. Dentre os muitos efeitos que essa decisão gerou na sociedade brasileira está um mito que começa a cair (ao menos um): o de que não há corrupção em governos militares.

O combate à corrupção foi uma das bandeiras do golpe de 1964 (parece familiar, não?). Demonstrações públicas de honestidade eram alardeadas pelos presidentes fardados, mas por trás das aparências, corruptores e representantes do governo aparelharam a roubalheira começando pelo jogo do bicho até as grandes obras governamentais, passando pelo crescimento vertiginoso das empreiteiras nacionais (ainda mais familiar). A Super tem um bom texto sobre o tema.

A corrupção no Ministério da Saúde veste farda

O monstrengo anticorrupção gestado no Brasil na última década, que de anticorrupção tem pouco, mas de conservador tem muito, aproveitou-se enormemente do mito da honestidade verde oliva. E foi assim que parimos um governo militar eleito pelo voto (em urnas eletrônicas, diga-se de passagem). Nos primeiros dois anos de governo da extrema-direita cada crise havia sido respondida com mais militares nos ministérios, e esses não são nem de longe o problema maior. Os escalões inferiores da máquina pública foram completamente ocupados por militares. São mais de 6 mil fardados ocupando cargos civis no governo Bolsonaro, em funções onde, de fato, as decisões cotidianas do governo são tomadas.

O que a CPI da Pandemia tem conseguido mostrar é que os militares não mudaram em nada desde que deixaram provisoriamente o poder. Ao ocupar a máquina pública tomaram para si os velhos esquemas operados por civis e inovaram, passaram a criar as suas próprias formas de roubar dinheiro público. A corrupção no Ministério da Saúde veste farda.

O que muda

Se os militares mudaram pouco desde o fim da ditadura, é certo que o cenário é bem diferente hoje daquele visto entre 1964 e 1985. E nesse contexto a imprensa tem um papel fundamental. CPIs são, via de regra, shows midiáticos, palanques eleitorais, picadeiros em que senadores, deputados ou vereadores se aproveitam do espaço midiático para garantir alguns votos. No entanto, no meio da cacofonia, do negacionismo e dos silêncios vistos em muitas sessões, as investigações apresentaram um desfile militar ainda mais deprimente do que aquele realizado pela esquadrilha terrestre da fumaça no último dia 10 de agosto.

São sargentos, tenentes, coronéis (muitos coronéis, chega a ser confuso) e até um cabo da PM de Minas Gerais implicados nos escândalos. Sob o comando do general da ativa Eduardo Pazuello, o homem que não entendia a pressa das pessoas por vacinas, militares das mais diferentes forças e patentes negociaram vacinas e propinas com a tranquilidade de quem vê milhares de pessoas morrendo todos os dias. Pensando bem faz sentido, considerando que matar não é exatamente um tabu para os militares.

Até aqui a imprensa tem cumprido um papel importante em amplificar as descobertas da comissão. Sem a censura, que os acobertou durante a ditadura, os militares veem seus crimes estampados no horário nobre. É necessário, no entanto, que o jornalismo aprofunde os indícios que têm sido apresentados. Mais do que jornalismo de investigação, é necessário um jornalismo investigativo que amplie as luzes sobre os desvios de conduta de civis e militares durante a condução das políticas públicas relacionadas à pandemia.

A organização e a reorganização da narrativa

Contar a história da pandemia no Brasil não é e não será tarefa das mais fáceis. Quando iniciada a CPI da Pandemia, a impressão é de que ela serviria apenas para organizar a narrativa dos descaminhos do governo Bolsonaro na (não) condução do combate à Covid. A linha a ser seguida era bastante clara: mostrar o absurdo do investimento no chamado tratamento precoce, a aposta bolsonarista na imunidade de rebanho por contágio, a incompetência na compra de vacinas, a falta de um comando nacional na condução das políticas sanitárias e o descaso mesclado com incompetência do governo na crise de oxigênio em Manaus.

Organizada essa narrativa, tendo ela toda documentada, a CPI já teria cumprido uma missão extremamente importante. Com o passar do tempo, no entanto, a CPI acabou podendo prometer mais. Os indícios de corrupção no governo tiveram duplo efeito. Se por um lado a sociedade passou a dedicar ainda mais atenção às investigações, por outro os senadores parecem ter ficado confusos com a profusão de linhas de investigação.

Essa confusão tem feito com que cada vez menos pessoas falem e acompanhem a CPI nas redes, algo fundamental para dar visibilidade aos trabalhos. É certo que as liminares do Supremo Tribunal Federal que garantem aos depoentes a prerrogativa do silêncio não ajudam, mas é preciso que os senadores que comandam os trabalhos encontrem uma linha de condução mais eficiente.

Chegado o estágio final dos trabalhos da comissão é preciso reorganizar a narrativa, tarefa que compete tanto aos senadores quanto à imprensa. Primeiro, retomando a lista acima dos descaminhos claros e conhecidos, mas que precisam ser documentados e organizados de forma clara para a sociedade. Em seguida, desmembrando os diferentes casos de corrupção, apresentando as provas recolhidas e apontando responsabilidades. A reorganização de todas essas narrativas é fundamental ante o risco cada vez maior de que a sociedade perceba a CPI como perda de tempo e de recursos públicos, algo que já tem sido orquestrado pelas redes bolsonaristas.

Reorganizadas as diferentes narrativas que nos trouxeram até a calamidade em que vivemos, a partir dos dados já disponíveis, a bola volta a ser do jornalismo. É preciso aprofundar as investigações, ir além da função de divulgador de investigações já realizadas. Há farto material já coletado, mas é certo que há muito mais por ser descoberto e essa é uma tarefa também do jornalismo, especialmente em um governo que aparelhou as instituições de investigação do Estado. E que dessa vez nós, enquanto nação, tenhamos a sabedoria de não escolher o esquecimento. Sabemos que os custos de optar por esse caminho são altos demais.

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25
Ago21

Bolsonaro e a grave denúncia de ensaio clandestino da droga proxalutamida no Rio Grande do Sul

Talis Andrade

“ESTUDO” SEM ÉTICA E SEM CIÊNCIA

 

por Leila Salim e Raquel Torres /Outra Saúde

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A denúncia é grave. No Hospital da Brigada Militar de Porto Alegre, pacientes internados com covid teriam sido usados como cobaias para a realização de testes com proxalutamida – a “nova cloroquina” de Bolsonaro – feitos sem autorização da Anvisa e marcados por irregularidades e violações de todo tipo. Os problemas vão desde fragilidades na obtenção do consentimento dos pacientes para participação na “pesquisa” até a ausência de vínculo com a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), passando pela infração das normas sanitárias para uso de medicamentos no Brasil. 

O furo é do Matinaljornal digital de Porto Alegre surgido em 2019. Se confirmadas, as informações darão forma a um novo capítulo dos horrores praticados durante a pandemia no Brasil. 

A extensa reportagem ouviu médicos e pacientes do hospital, fontes próximas aos responsáveis pela condução dos testes e os órgãos públicos que deveriam estar envolvidos em pesquisas desse tipo. As fontes confirmam que os testes irregulares foram conduzidos em março, antes mesmo que a proxalutamida tivesse autorização da Anvisa para ser importada ao Brasil e testada em seres humanos. 

Uma policial militar, cujo nome foi protegido, contou que deu entrada na instituição em estado grave e foi imediatamente abordada por dois capitães-médicos, que lhe propuseram a participação no “estudo”. Zonza e sem tempo hábil para estudar as condições e implicações da proposta, aceitou. E assinou um suposto termo de consentimento, ao qual nunca mais teve acesso. Ela só foi saber o que era e como funcionava o medicamento quando teve alta, voltou para casa, de alta do hospital, e pesquisou por conta própria. E não teve qualquer tipo de acompanhamento pós-internação.

A explicação aos pacientes teria sido que a “pesquisa” buscava um uso off-label (diferente do previsto em bula), para o medicamento. O detalhe é que a proxalutamida nunca foi registrada para uso comercial pela Anvisa e, por isso, sequer tem bula. Ela é considerada um fármaco experimental, já que não teve seu uso comercial aprovado em nenhum país. 

Criada inicialmente para tratar câncer de próstata e de mama em estágios avançados, a proxalutamida atua inibindo os efeitos de hormônios masculinos no corpo. Alguns pesquisadores sustentam a ideia de que a droga poderia frear o avanço do coronavírus no organismo humano, já que ele infecta as células usando moléculas que podem ser estimuladas por esses hormônios. A hipótese, no entanto, é bastante questionada entre a comunidade científica e o medicamento não teve eficácia comprovada

A estimativa é que cerca de 50 pacientes tenham sido submetidos aos testes irregulares. Christiano Perin, major-médico que foi chefe da UTI da instituição até 2016, foi apontado por fontes do Matinal como um dos líderes do experimento. Ouvido pela reportagem, negou. E citou outros dois médicos como responsáveis pela empreitada: o endocrinologista Flávio Cadegiani e o infectologista Ricardo Zimerman, influenciadores conhecidos nas redes sociais por defenderem o “tratamento precoce” e questionarem a eficácia das vacinas. 

Os currículos dos dois têm outra passagem honrosa: a participação na pesquisa que sustentou a criação do famigerado TrateCov, aplicativo do Ministério da Saúde que receitava cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina a esmo e que durou apenas dez dias no ar. 

Cadegiani foi também diretor clínico da Applied Biology – a empresa que registrou a patente do tratamento experimental com a proxalutamida contra a covid-19, e que, portanto, lucraria com a aprovação. No ano passado, segundo a reportagem, foi ele quem representou a empresa, junto a seu presidente, em reunião com o ministro de Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes,  para tentar emplacar o uso do medicamento no combate à covid-19 no Brasil. Para terminar de ligar os pontos: a mesma Applied Biology detém patentes de tratamentos contra a calvície no Brasil. E o TrateCov, curiosamente, incluiu na anamnese dos pacientes com covid perguntas sobre… calvície. Pois é. 

Em tempo: após a publicação da reportagem, o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul abriu inquérito civil público para apurar a existência do ensaio clínico supostamente clandestino, diz a jornalista Malu Gaspar, n’O Globo. A ver.

PARA A LISTA DAS INCERTEZAS

Estudos sobre o desempenho de vacinas contra a Delta têm se multiplicado nas últimas semanas, e ontem o CDC (Centro de Controle e Doenças dos Estados Unidos) divulgou mais um. Os pesquisadores acompanharam cerca de quatro mil profissionais de saúde, socorristas e outros trabalhadores essenciais em seis estados, testando-os semanalmente de dezembro de 2020 a agosto de 2021. E viram sinais de declínio na proteção: ela era de 91% até abril, antes da emergência da Delta, e foi para 66% depois que a variante apareceu no país. Os resultados foram ajustados para fatores como circulação do vírus, frequência de contato social e uso de máscaras, que impactam a efetividade das vacinas.

Quando olhamos para essas novas pesquisas, é preciso atentar para o que exatamente elas estão considerando como uma infecção, como observa Müge Çevik, virologista da Universidade de St Andrews. Os ensaios clínicos usados para testar as vacinas em uso hoje foram desenhados para medir a eficácia contra doença sintomática, e é a isso que se referem aqueles valores de eficácia que tínhamos no começo das campanhas vacinais. Já os estudos de vida real, com milhões de pessoas vacinadas, permitem avaliar como os imunizantes estão se saindo em determinadas populações, em determinados lugares, e também trazem informações valiosas sobre a proteção contra hospitalizações e mortes.

No trabalho divulgado pelo CDC, os números encontrados se referem tanto a infecções sintomáticas como assintomáticas. Claro, isso também era verdade no começo do estudo, quando se observou que os vacinados tinham 91% menos chance de ter um teste positivo. No entanto, após a emergência da Delta (quando a queda foi observada), 95% das infecções detectadas nos não-vacinados foram sintomáticas, enquanto, no grupo vacinado, foram 75%. Para o período anterior à Delta, essas proporções não são informadas. Além disso, os autores afirmam que os resultados devem ser interpretados com cautela, porque o período do estudo que envolveu o predomínio da Delta foi curto e porque o número geral de infecções foi pequeno. Essas observações não significam que a pesquisa não seja importante, mas que seus resultados não são definitivos.

Os autores também ressaltam que os dados não deixam claro se a possível queda na proteção foi causada pela Delta ou pelo tempo decorrido desde o início da vacinação. E, também em relação a isso, faz diferença levar em conta se estão sendo avaliadas infecções com e sem sintomas, aponta Cevik: “A proteção contra doenças sintomáticas é mais fácil de se obter do que contra infecções, porque, enquanto os anticorpos neutralizantes diminuem ao longo do tempo, a imunidade protetora fornecida pelas células T e B de memória é preservada e deve ser de longa duração”.

De acordo com ela, as evidências até agora mostram que o desempenho das vacinas da Pfizer/BioNTech, Moderna e AstraZeneca continua alto contra hospitalizações e infecções sintomáticas causadas pela Delta, ainda que, para doença sintomática, haja de fato um declínio em comparação com a variante Alfa.

UMA AJUDINHA DE RICARDO BARROS

Emanuel Catori, sócio da Belcher Farmacêutica, reconheceu ontem que foi Ricardo Barros quem o ajudou a ter aceso ao Ministério da Saúde. A Belcher tentou vender à pasta 60 milhões de doses da vacina Convidecia, do laboratório chinês CanSino – e no dia 4 de junho uma intenção de compra foi assinada pelo secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Correia de Medeiros.

À CPI, o empresário disse que o líder do governo Bolsonaro na Câmara convidou a Belcher para participar de uma reunião na sede do Ministério, com Marcelo Queiroga. Mas ele negou ter sido beneficiado por Barros, afirmando que, naquele encontro, havia também outros empresários. Além disso, repetiu a versão de Barros de que a reunião não foi sobre vacinas. Segundo Catori, na época ele ainda não representava a CanSino e tratou apenas da venda de medicamento antiviral. Bom…  Quatro dias depois da reunião, a Belcher assinou o contrato para representar o laboratório no Brasil.

Tem mais. Catori afirmou aos senadores que as tratativas com o laboratório não chegaram a envolver os termos da remuneração – e o contrato foi rompido antes que o assunto viesse à baila. Mas não é o que diz o fabricante: “Eu posso confirmar que a Belcher vinha negociando uma comissão com base em número de doses, que nós estávamos tentando trazer para proporções aceitáveis e realistas”,  garante Pierre Morgon, vice-presidente de Negócios Internacionais da farmacêutica chinesa CanSino, ao Valor

ACABAR COM ISSO DAÍ

Jair Bolsonaro entrou com uma ação no STF contra a lei que determina a indenização de profissionais de saúde que tenham ficado  incapacitados permanentemente pela covid-19. Hoje, a regra é que sejam pagos R$ 50 mil a esses trabalhadores; no caso de óbito, o valor é direcionado aos dependentes. 

O projeto foi aprovado pelo Congresso no ano passado, mas já na época Bolsonaro o vetou integralmente, como comentamos aqui. Em março deste ano, os parlamentares conseguiram derrubar o veto e a lei foi promulgada, passando a valer imediatamente. A ação, apresentada ontem pela Advocacia-Geral da União, alega que a lei trouxe insegurança jurídica e criou despesas sem estimativa de custos.

Cerca de 50 pessoas internadas no hospital público em março deste ano teriam recebido a droga. Foto: Osmar Nólibus / BM. Transcrito do Combate

 

24
Jul21

Senador sobre mulher que apanhou de policial: “eu sei lá o que ela tava fazendo para merecer dois tapa” (vídeo)

Talis Andrade

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Agência Saiba Mais - Em vídeo que está sendo compartilhado em grupos de WhatsApp, o capitão da PM Styvenson Valentim (Podemos-RN), que foi eleito senador na onde direita volver de Bolsonaro, diz que a mulher agredida por um policial militar no Rio Grande do Norte, neste mês de julho, pode ter merecido a agressão. Os policiais que participaram da operação já foram afastados por determinação da governadora Fátima Bezerra, e a Polícia Militar, que existe para servir e proteger o povo, abriu inquérito administrativo para apurar a conduta dos agentes odientos.

A frase completa do capitão está transcrita a seguir, com todos os erros (linguísticos, morais, éticos e humanos):

“Me pegaram em uma entrevista e disseram: capitão o caba deu na mulher com uma criança… e não sei nem o que, não sei nem o que…. e eu disse: amigo, eu num tava na ocorrência. Eu num tava. Eu não sei como foi. Como eu vou dar uma explicação de uma coisa que eu… Pelo vídeo aí, eu tô vendo que ele está dando dois tapa na mulher… uns tapa aí bom, na mulher. Agora, eu sei lá o que essa mulher fez para merecer os tapa, porra. Será se ela estava calada, rezando… o Pai Nosso para levar dois tapa? Eu num sei, porra… eu num sei!”

Vivi Reis deputada federal
NOJO! O senador Styvenson Valentim (PODEMOS/RN), saiu em defesa do agressor Dj Ivys e afirmou que não pode julgar um homem que agride uma mulher se não souber o que a mulher fez pra “merecer uns BONS TAPAS”. O machismo, a misoginia e a violência são regras do bolsonarismo!
 
 

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