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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

08
Fev20

Veja aponta que procuradores de Curitiba receberam dinheiro de traficante

Talis Andrade

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Procuradores do Ministério Público Federal do Paraná (MPF-PR), órgão responsável pelas denúncias da Lava Jato em primeira instância, também receberam dinheiro de Dario Messer, conhecido como o "doleiro dos doleiros". Ele já havia pago propina ao procurador Januário Paludo, que inspirou o grupo no Telegram "filhos de Januário" e fez vários ataques ao ex-presidente Lula. A informação é da coluna Radar. Membros do Rio de Janeiro (MP-RJ) estão constrangidos com o inquérito, e com o pedido desavergonhado, corruto, inconveniente de propina. 

A vida de luxo do intocável Messer era bem paga. Escrevem os jornalistas Chico Otavio e Thiago Prado na revista Época:

"Desde os anos 90, a cobertura de Dario Messer na Avenida Delfim Moreira, no Leblon, o metro quadrado mais caro do Brasil, foi palco de festas que misturavam os mundos do samba, do futebol e da política. A última delas, memorável para quem participou, ocorreu no ano passado [2018], meses antes da Operação Câmbio, Desligo, que ordenou sua prisão. O doleiro abriu o terceiro andar do apartamento para a despedida de solteiro do filho Dan, de 27 anos. A celebração para 80 convidados foi marcada por champanhe Veuve Clicquot e charutos Gurkha Black Dragon, itens costumeiros em seus rega-bofes para a elite carioca.O tríplex do doleiro no Leblon (segundo prédio à esquerda) foi palco de festas regadas a champanhe e charutos. Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo

O tríplex (de três andares) do doleiro no Leblon (segundo prédio à esquerda) foi palco de festas regadas a champanhe e charutos. Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo



Reportagem de Chico Otavio, Daniel Biasetto e Juliana Castro (jornal O Globo) historiam a lucrativa parceria de Messer com o ex-presidente do Paraguai Horacio Cartes: envolve tráfico de moedas, de drogas, de cigarros, de armas. Messer era o chefe da máfia judia, assim como Alberto Youssef era chefe da máfia libanesa. Essas máfias elegiam de deputados a presidente da República no Cone Sul da América Latina. 

É exemplável a parceria de Youssef com o deputado federal José Mohamed Janene no Paraná (1955/2010). 

Os diálogos de Dario sobre a propina ocorreram em 2018 e foram obtidos pela Polícia Federal do Rio de Janeiro durante as investigações que basearam a operação Patrón, última fase da Lava Jato do Rio.

Nas conversas obtidas pela PF, Messer fala a sua namorada, Myra, sobre o andamento dos processos que responde e diz que uma das testemunhas de acusação contra ele teria uma reunião com Paludo. Depois, afirma à namorada: "Sendo que esse Paludo é destinatário de pelo menos parte da propina paga pelos meninos todo mês."

De acordo com as investigações, os "meninos" são Claudio Fernando Barbosa de Souza, o Tony, e Vinicius Claret Vieira Barreto, o Juca. Os dois trabalharam com Messer em operações de lavagem de dinheiro investigadas pela Lava Jato do Rio. 

Em depoimento prestados em 2018 à Lava Jato no MPF-RJ, Juca e Tony disseram ter pago US$ 50 mil (cerca de R$ 200 mil) por mês ao advogado Antonio Figueiredo Basto em troca de proteção a Messer na PF e no Ministério Público. Basto já advogou para o doleiro.

Levaram 29 anos para prender Messer. Por trás dessa prisão está o aborto do impeachmente do atual presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, em meio a uma crise política detonada pela assinatura de um acordo enérgico com o Brasil. 

Um acordo de 200 milhões de dólares para compra de energia da empresa estatal hidrelétrica binacional de Itaipú.  Acordo meio secreto que ameaçava Benítez e, na rasteira do escândalo, poderia também derrubar Bolsonaro. Não deu outra: Bolsonaro, Moro e Bretas armaram para enfraquecer Cartes (Brasil chegou a pedir a prisão dele, em novembro último).  

A oposição esquerdista do Brasil para derrubar Bolsonaro e do Partido Colorado de Cartes é para inglês ver. 

O acordo de 200 milhões de dólares envolve o senador major Olímpio, e os empresários da Leros, Kléber Ferreira da Silva e Adriano Tadeu Deguirmendjian. Uma série de reportagens de autoria de Mabel Rehnfeldt, do jornal paraguaio ABC, mostrou que a dupla tinha por trás deles Alexandre Giordano, filiado ao PSL e suplente do senador Major Olímpio, do PSL-SP.




06
Dez19

Xadrez das suspeitas sobre os filhos de Januário, por Luis Nassif

Talis Andrade

É nesse clima de absoluta promiscuidade, de falta ampla de transparência, que começaram a vicejar as suspeitas de uso abusivo do poder

O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente.

Lord Acton

Capítulo 1: a denúncia

A denúncia de pagamento de propinas a um procurador da Lava Jato de Curitiba surgiu da Operação Patron, última etapa da Lava Jato no Rio de Janeiro. Portanto, não foi levantada por adversários da operação. As informações são de reportagem da UOL.

Duas evidências consolidaram as suspeitas:

Desde janeiro de 2018, a Lava Jato Rio investigava as suspeitas de corrupção levantadas nos depoimentos dos doleiros. A mensagem de Messer foi capturada apenas após sua detenção, em 30 de julho de 2019.

No seu depoimento, Juca Bala informou que os pagamentos foram feitos de 2005/2006 até 2013 a dois advogados do doleiro Clark Setton, um dos quais era Figueiredo Bastos, até então um advogado obscuro que se tornou estrela das delações premiadas em Curitiba, ao lado do colega Adriano Bretas.

Na coletiva sobre a operação, em 2018, a Polícia Federal se recusou a participar, alegando ordens de Brasília.

No período em que as supostas propinas eram pagas, ainda não existia a Lava Jato, mas o grupo de Curitiba, procuradores e delegados, já estavam fortemente consolidados em torno da primeira das operações, o caso Banestado.

 

As delações de Tony e Juca resultaram em dezenas de anexos analisados pelos procuradores Eduardo Ribeiro El Hage e Rodrigo Timóteo Costa e Silva, do MPF do Rio de Janeiro.  As informações sobre Paludo foram consolidadas em um relatório e remetidas à Procuradoria Geral da República dias atrás.

Na coletiva de 2018, em que anunciaram a Operação, os procuradores sabiam que estavam diante de uma operação explosiva. Trataram-na como “a maior operação de lavagem de dinheiro desde a Operação Banestado”.

Segundo o procurador Eduardo El Hage, coordenador da força tarefa da Lava Jato no Rio: “Se pensarmos que a Operação Lava-Jato em 2014 começou com a colaboração de um doleiro, podemos prever o que será dessas prisões dos doleiros que estão sendo feitas hoje. O potencial realmente é explosivo. Temos provas substanciais contra todos eles. A peça está bem robusta. Esperamos que, no futuro, tenhamos outros desdobramentos da operação de hoje”.

Segundo os delatores, a contrapartida das propinas seria as autoridades fecharem os olhos para as atividades das famílias de Marcos Matalon e Dario Messer, em torno das quais operavam outros 15 doleiros.

Os fatos corroboravam as suspeitas. Apesar de ser conhecido como o “doleiro dos doleiros”, Messer passou praticamente incólume por todas as operações, incluindo a do Banestado, a mais abrangente sobre o mercado de doleiros. E, até alguns meses atrás, era figura carimbada nas praias do Leblon, no Rio de Janeiro.

Capítulo 2: a prisão de Messer

No dia 3 de maio de 2018 foi deflagrada a Operação Câmbio, Desligo, desdobramento da Operação Calicute, da Lava Jato Rio. Foram cumpridos 44 mandados de prisão preventiva e 4 de prisão temporária.

Messer e seus doleiros operavam a partir do Uruguai, com enormes dificuldades para extradição. Os ventos começaram a mudar no início de 2018. O Uruguai conseguira sair do enquadramento de paraíso fiscal. Para evitar que fosse reenquadrado, aceitou cooperar com as autoridades brasileiras. Através dessa cooperação, foram presos dois doleiros ligados a Messer, Barbosa e Claret.

Messer foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol. Mas não foi encontrado nem na mansão paraguaia nem na cobertura do Leblon. Nem sua ex-esposa Rosane foi encontrada. A Polícia Federal encontrou apenas quilos de papel triturado, indicando que ele fora alertado pouco antes da deflagração da Operação Câmbio, Desligo.

Presos, Barbosa e Claret aceitaram a delação premiada. Contaram que Messer era o cabeça dos negócios, tendo direito a 60% dos lucros com a lavagem. Até 2013, tinha um banco em Antiqua e Barbado, o EVG, para atender a clientela.

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Dario Messer

 

No inquérito da operação, o nome Messer foi mencionado 677 vezes, incluindo o de Rosane Messer. Diego Candolo era o doleiro responsável por pagamentos a Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró. E Diego trabalhava diretamente com Dario Messer. Era incompreensível não ter sido incomodado pela Lava Jato de Curitiba.

Foi pedida sua prisão pela Lava Jato Rio, mas ela só ocorreu no dia 31 de julho de 2019, em São Paulo. Messer foi detido no bairro Jardins, na zona oeste de São Paulo, de acordo com a Polícia Federal.

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Dan Wolf Messer

 

Com a operação, a família de Messer fechou acordo de delação premiada. Foi aplicada multa de R$ 270 milhões de reais a Dan Wolf Messer, filho de Dario. As multas totais chegaram a R$ 370 milhões.

Na entrevista que deu sobre a prisão de Messer, o procurador regional da República José Augusto Vagos foi indagado porque outras operações não tinham conseguido capturar Messer. A resposta foi objetiva: “Devido ao seu poder econômico e sua influência no submundo do crime”.

As operações anteriores foram a Banestado e a Lava Jato de Curitiba. Como o poder econômico e a influência de Messer garantiram que passasse incólume por elas?

E, aí, se entra em um campo nebuloso, o do poder absoluto conferido à Lava Jato de Curitiba, pelo qual todos os pecados podiam ser perdoados.

Capítulo 3: a poderosa República de Curitiba

A Lava Jato começou em 2014, mas sua equipe – incluindo o procurador Januário Paludo, atuou no caso Banestado. Naquela Operação, os alvos principais foram os doleiros do período.

O maior deles, Dario Messer, saiu incólume. O doleiro detido foi Alberto Yousseff, peixe pequeno perto de Messer. Sua delação mirou um concorrente de Messer, Antônio de Oliveira Claramunt, o Toninho Barcelona.

Yousseff saiu do acordo com um patrimônio entre US$ 20 milhões e US$ 25 milhões. Logo voltou ao mercado. Intrigado com o renascimento rápido do doleiro, o delegado federal Gerson Machado decidiu investigar e indagou dele a razão de ter preservado o patrimônio. Sua resposta foi a de que nenhuma autoridade havia lhe perguntado. Gerson Machado alertou pessoalmente o juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol. Nada fizeram. Yousseff continuou na ativa até 2014. Messer permaneceu intocado.

Os anos de cooperação na Banestado, mais a blindagem da mídia, forjaram um grupo de delegados e procuradores com poderes absolutos, que não mais respondiam aos comandos de Brasília. Sem nenhuma espécie de controle externo, sem nenhuma prática de compliance, ser honesto ou não passou a depender da convicção pessoal de cada um, não de modelos de controle e regulação.

Dentro da PF, quem ousasse questionar os métodos do grupo era imediatamente esmagado pela reação da própria PF, dos procuradores e do juiz Sérgio Moro. Foi o que aconteceu com o delegado Gerson Machado, pressionado de tal maneira que soçobrou vítima de uma depressão profunda e de uma tentativa de suicídio.

O mesmo ocorreu no episódio dos dois grampos clandestinos colocados no fumódromo e na cela do doleiro Alberto Yousseff.

Os grampos foram localizados no dia 30 de março de 2014. Houve uma sindicância presidida pelo delegado Maurício Moscardi Grillo que concluiu que o aparelho era antigo e não funcionava. O resultado da sindicância foi aceito pelo juiz Sérgio Moro.

Os grampos foram colocados na cela por ordem do delegado Igor Romário de Paula, chefe da Delegacia Regional ao Crime Organizado e de sua esposa Daniele Gossenheimer Rodrigues, chefe do Núcleo de Inteligência Policial. Quem colocou foi o agente Dalmey Fernando Werlang, 32 anos na PF, especialista em monitoramento.

Quando a história se tornou pública, Dalmey constatou que não havia autorização judicial para a colocação do grampo. Convocado pela CPI da Petrobras, reiterou esse questionamento.

A reação do MPF se deu através do procurador da República do Paraná, Daniel Holzmann Coimbra, um dos responsáveis pelo controle externo da PF. Em vez de investigar as denúncias, Holzmann acusou o delegado Mário Fanton e o agente Dalmey de serem “dissidentes” e de caluniarem colegas de trabalho. A representação foi vazada para o jornal Estado de São Paulo antes mesmo de ser protocolada na 1a Vara Federal. A denúncia foi rejeitada pelo juiz Danilo Pereira Junior, da 14ª Vara Federal de Curitiba.

A ação da PF contra os delegados profissionais, taxados de “dissidentes” foi extensamente coberta por um trabalho excepcional do repórter Marcelo Auler.

Os Policiais Federais envolvidos nos dois casos compõem, hoje em dia, o comando maior da Polícia Federal de Sérgio Moro.

A blindagem da mídia

O segundo ponto de blindagem foi o apoio integral dado pela mídia, que se transformou em mera repassadora de releases da Lava Jato.

A denúncia da suspeita de suborno do procurador Januário Paludo, apesar de divulgada pela UOL, por exemplo, foi vetada pelo Globo, Estadão e Folha, porque a Lava Jato se tornou um instrumento de política estreita.

É nesse quadro, de poder absoluto, sem estar submetida a nenhuma forma de controle, até que o Supremo Tribunal Federal se levantasse, que a Lava Jato passou a recorrer abundantemente ao instituto da delação premiada, podendo definir livremente perdão e punição e valor das multas aos réus.

A opinião pessoal dos procuradores poderia fazer uma multa de US$ 15 milhões cair para um terço ou vice-versa. Ou poderia incluir ou excluir suspeitos de um inquérito.

Esse modelo permitiu criar o mais rentável campo da advocacia do período, o dos advogados especializados em delação premiada, cujo único atributo era ter a confiança dos procuradores da Lava Jato. A maior ou menor simpatia por um advogado, o tornaria cobiçado pelos réus, dispostos a pagar honorários milionários para amenizar sua situação.

É nesse clima de absoluta promiscuidade, de falta ampla de transparência, que começaram a vicejar as suspeitas de uso abusivo do poder.

Capítulo 4: a milionária indústria da delação premiada

Com blindagem total, tendo direito de atropelar os limites legais sem serem questionados, com a imprensa sendo transformada em mera repassadora de releases, e sonegando qualquer informação contrária, a Lava Jato começa a negociar as delações premiadas.

Ao longo de todo o período, as negociações foram amplamente subjetivas. Nada era questionado, despertando inúmeras suspeitas quanto aos critérios adotados.

Messer x Meinl Bank

Segundo o advogado Tacla Duran, Dario Messer tinha acesso direto aos sistemas da Odebrecht, usando o codinome Flexão.  Marco Bilinski, Vinícius Borin e Luiz França também eram operadores da Odebrecht, através do Meinl Bank. Eles teriam movimentado US$ 2,6 bilhões até 2014, exclusivamente para a Odebrecht. Já Dario Messer teria movimentado US$ 1,6 bilhão para vários clientes .

Bilinski, Brin e França recebiam 4% sobre as operações da Odebrecht feitas através do banco.

Com a movimentação de 1,6 bilhão de dólares, a comissão do grupo foi de cerca de 64 milhões de dólares. O banco recebia mais 2% pela movimentação oficial do dinheiro, o que representaria mais 32 milhões. No total, portanto, estima-se que os três, mais Olívio Rodrigues, o quarto sócio — além dos dois sócios ocultos — receberam 96 milhões de dólares de comissão, o que corresponde a 326 milhões de reais.

  • A Lava Jato de Curitiba multou os proprietários do Meinl Bank em R$ 1 milhão por cabeça, ou R$ 3 milhões no total. E a 8 anos de reclusão da seguinte maneira: 1 ano em regime aberto diferenciado, devendo se recolher em casa das 20 hs às 6 da manhã; 6 meses em regime aberto, com recolhimento integral apenas nos finais de semana e feriados, mas sem a necessidade de uso da tornozeleira eletrônica; de 3 a 6 anos com prestação de serviços à comunidade à razão de 6 horas por semana.
  • Já a Lava Jato do Rio multou a família Messer em mais de R$ 350 milhões.

A desproporção era evidente.

Caso João Santana

João Santana e Mônica Moura foram condenados por Sérgio Moro a 7 anos de prisão. Ficaram cinco meses presos e passaram para regime domiciliar onde ficarão um ano e meio.

A partir de abril de 2019, poderão circular, tendo apenas a obrigação de se recolher à noite, aos finais de semana e feriados, além de prestar 22 horas semanais de serviços à comunidade, por mais um ano e meio. Na terceira fase, permanecerão nessas condições por mais um ano, mas já sem a tornozeleira.

Segundo declarações da Tacla Duran, Mônica deixou de declarar duas contas offshore e uma conta laranja. E os procuradores fizeram vista grossa.

As transferências internacionais são realizadas pelo sistema Swift, que exige informações obrigatórias, como os dados bancários dos beneficiários de transferência (banco, agência e conta) e o Código Swift do banco destinatário da remessa – o Standard Chartered Bank Limited. Para confirmar a informação, bastaria a Lava Jato ter solicitado dados do banco correspondente americano, que registrou a operação e expediu o Swift. Nada foi feito.

Seu advogado era Rodrigo Castor de Mattos, irmão do procurador Diogo Castor de Mattos, integrante da força-tarefa da Lava Jato.

O maior feito de Rodrigo Castor de Mattos foi no dia 17 de agosto de 2017, quando conseguiu do juiz Sérgio Moro a liberação de R$ 10 milhões para o casal Santana, de uma conta na Suíça.

No despacho, dizia Moro:

A Defesa juntou elementos aptos a demonstrar de que concordou com a repatriação e o perdimento dos valores bloqueados na Suíça, de USD 21.657.454,03, e que assinaram todos os documentos necessários à efetivação dessas medidas. O MPF confirmou que os acusados tomaram as providências necessárias para a repatriação e perdimento dos valores mantidos na Suíça. 

(…) Não é justo, a ver do Juízo, penalizar os colaboradores, que fizeram a sua parte no que se refere ao acordo, retendo em bloqueio judicial valores que não foram perdidos no acordo de colaboração.

(…) Resolvo, considerando os dois argumentos opostos, liberar parcialmente o valor bloqueado, especificamente dez milhões de reais, a serem transferidos da conta 650.005.86400410-4 para conta a ser indicada pelos acusados e seus defensores.

Obviamente tal soma não se destinava ao sustento do casal. Em prisão domiciliar, poderiam receber R$ 100 mil por vez.  Era evidente que os R$ 10 milhões se destinavam ao pagamento de honorários dos advogados, justamente Rodrigo, irmão do procurador Diogo, da Lava Jato.

A Procuradoria da Lava Jato nada falou contra a decisão. O veto veio da Procuradoria da Fazenda que considerou “descabida” a decisão de Moro. Após a manifestação da Fazenda, Moro voltou atrás.

Em circunstâncias similares, Moro negou a liberação de R$ 1,8 milhão ao ex-Ministro Antônio Palocci, para pagamento de impostos.

O caso Zucolotto

O episódio mais grave, e documentado, foi o de Carlos Zucolotto com o advogado Tacla Duran. Zucolotto enviou uma mensagem a Tacla propondo redução de sua multa de US$ 15 milhões para US$ 5 milhões. US$ 5 milhões seriam pagos por fora, a título de honorários.

Dez dias depois da conversa, Tacla recebeu e-mail dos procuradores Carlos Fernando Lima e Roberson Pozzobon, com a proposta de delação.

Segundo Tacla, o esquema seria simples. Na sentença, seria mencionada a multa de US$ 15 milhões e indicada uma conta sem reservas. No acordo estaria definido que, não encontrando fundos na conta, a multa seria reduzida paa US$ 5 milhões.

Moro e a esposa Rosangela – que já havia trabalhado no mesmo escritório de advocacia de Zucolotto – saíram publicamente em defesa do amigo.

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É nesse quadro de ausência absoluta de compliance que surge o caso Dario Messer, e as suspeitas de suborno a policiais e procuradores, visando fechar os olhos para sua atividade.

Capítulo 5: a auto-regulação das corporações

Como fica agora? Com todo esse histórico de falta de transparência, de critérios mal explicados para os acordos de delação, de falta de resposta às suspeitas mais graves, como as formuladas por Tacla Duran, como se comportará o MInistério Público Federal, à luz dessas novas suspeitas?

Terá condições de se impor uma auto-regulação, que paire acima da solidariedade corporativa? Sem sonegar a Paludo a presunção da inocência e o direito à plena defesa, conseguirá submeter o caso a uma investigação isenta? Ou se entregará ao corporativismo mais abjeto, como foi o caso dos delegados da Polícia Federal de Curitiba?

Em jogo está não o futuro da Lava Jato, mas o da própria respeitabilidade do MPF. A República de Curitiba se apropriou de um poder maior que o do próprio MPF e da PGR. É hora do rio voltar ao seu leito normal, mesmo que expondo os detritos desses tempos de libação.

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Caro Nassif, acho que só faltou uma informação: a de que Messer foi preso logo após o escândalo da Itaipu envolvendo diretamente Bolsonaro. Na época foi visto como uma espécie de "queima de arquivo", tentativa de calar alguém que poderia entregar os negócios feitos no Paraguai. Preso, ou seja, controlado, suas delações respingam em Curitiba e silenciam completamente sobre suas conexões paraguaias. Acho que falta esse capítulo para o quadro ficar mais completo.

O silêncio cúmplice e desonesto da grande mídia a respeito desse escândalo revela que vai ser difícil ele resultar em uma investigação séria. Esperar o que da PF que, hoje, demonstra obedecer cegamente a Moro? E do próprio MPF? Para todos, mídia, PF e MPF, com o apoio incondicional de, ao menos, instâncias inferiores da "justiça", o mais importe é manter intocada a Operação Delenda Lula e o PT. Para isso é imprescindível que todos os envolvidos continuem parecendo vestais imaculadas aos olhos do público, anestesiado pela opinião publicada.

— Edson J
 
 

 

01
Dez19

Pimenta: Paludo é a ponta do iceberg; se Messer fizer delação, membros da Lava Jato e advogados de estimação de Moro e Dallagnol serão presos

Talis Andrade

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Carlos Zucolotto, acusado por Rodrigo Tacla Durán, ex-advogado da Odebrecht, de intermediar esquema de propinas a membros da Lava Jato, reaparece ao lado de Sergio Moro na véspera da conversa do doleiro Dario Messer, envolvendo Januário Paludo, vir a público. No topo, Messer com o ex-presidente do Paraguai, Horário Cartes, que fez sua fortuna no contrabando de cigarro e no narcotráfico. Fotos: Lula Marques/Agência PT e reprodução de redes sociais

 

Delação de doleiro pode levar à cadeia membros da Laja Jato e amigos de Moro, afirma Pimenta

VioMundo - O líder do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (RS), alertou ontem (30) que toda a turma da Lava Jato poderá ir para a prisão, caso o doleiro Dario Messer – considerado o doleiro dos doleiros – faça uma delação premiada.

“Se o doleiro dos doleiros fizer uma delação essa turma da Lava Jato e os advogados de estimação de Moro e Dallagnol serão todos presos. Paludo é a ponta podre do iceberg da Farsa Jato”, escreveu o parlamentar no Twitter.

O comentário de Pimenta foi feito a propósito de denúncia publicada ontem pelo UOL , segundo a qual Dario Messer admitiu propina ao procurador da Operação Lava Jato Januário Paludo, um dos mais antigos membros da força-tarefa de Curitiba.

Propinas para a Lava Jato

De acordo com reportagem especial do jornalista Vinícios Konchinski, a Polícia Federal do Rio de Janeiro obteve conversas em que o doleiro fala à sua namorada, Myra Athayde, sobre o andamento dos processos que responde.

Messer diz que uma das testemunhas de acusação contra ele teria uma reunião com Januário Paludo. Depois, afirma ela: “Sendo que esse Paludo é destinatário de pelo menos parte da propina paga pelos meninos todo mês”.

“A #LavaJato é uma máfia de criminosos que usaram cargos públicos e a estrutura do Estado brasileiro para enriquecer e para implantar um projeto político de extrema-direita no Brasil. Denunciei inúmeras vezes a indústria das delações”, escreveu o deputado.

Pimenta recordou que em 2018, quando surgiram as denúncias da indústria das delações da Lava Jato, pediu a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. “ Consegui as assinaturas mas a pressão de Moro, Dallagnol e cia conseguiu impedir. Será que eu estava errado ?? Covardes, moralistas sem moral serão desmascarados”, afirmou.

O líder do PT recordou que ele e o ex-deputado federal e ex-presidente da OAB no Rio de Janeiro, Wadih Damous (PT) sempre afirmaram que havia um “lado oculto da Lava Jato (que ) envolvia muito mais coisas que as palestras do DD [Deltan Dallagnol] e o conluio entre Moro e os Golden Boys de Curitiba. (…) Se o doleiro dos doleiros fizer uma delação, essa turma da Lava Jato e os advogados de estimação de Moro e Dallagnol serão todos presos. Paludo é a ponta podre do iceberg da Farsa Jato”.

Paulo Pimenta@DeputadoFederal
 

O ESQUEMA CRIMINOSO DE DELAÇÕES DA LAVA JATO

Adriano Quadros de Andrade, ex-executivo da OAS, denunciou a indústria de delações forjada por Sergio Moro e a turma da #LavaJato para enriquecer um punhado de pessoas e garantir a impunidade.

Vamos levar essa denúncia ao STF!

Vídeo incorporado
30
Nov19

Lava Jato escreve meia-verdade quando nega a propina de Januário Paludo

Talis Andrade

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Transcrevo do ConJur

Conhecido como o "doleiro dos doleiros", Dario Messer disse a sua namorada, em uma conversa interceptada pela Polícia Federal, que pagou propina mensal ao procurador Januário Paludo, integrante da força-tarefa da "lava jato" no Ministério Público Federal do Paraná. A propina, segundo o doleiro, seria para evitar que ele fosse investigado.

Os diálogos entre Messer e a namorada foram revelados neste sábado (30/11) pelo UOL. Segundo a reportagem, a conversa ocorreu em agosto de 2018 e foi obtida pela Polícia Federal do Rio de Janeiro. Em um relatório produzido em outubro, a PF classificou o fato como "grave" e cobrou providências. O documento já foi enviado à Procuradoria-Geral da República.

Na conversa, Messer diz à namorada que uma testemunha de acusação de um dos processos contra ele teria uma reunião com Paludo. "Sendo que esse Paludo é destinatário de, pelo menos, parte da propina paga pelos meninos todo mês", afirmou o doleiro. Os meninos citados por Messer, segundo o UOL, seriam seus auxiliares em operações de lavagem de dinheiro e que, hoje, se tornaram delatores da "lava jato".

Januário Paludo é um dos mais antigos integrantes da força-tarefa da "lava jato" e também um dos mais experientes. Atuou no caso Banestado nos anos 90. O nome dele apareceu algumas vezes na "vaza jato", série de reportagens com conversas privadas de procuradores que atuam na operação. Em uma delas, Paludo desdenhou do pedido do ex-presidente Lula para deixar a prisão e acompanhar o velório do irmão. "O safado só queria viajar", disse.

Em nota, o MPF-PR repudiou "suposições infundadas contra o procurador". "A ação penal que tramitou contra Dario Messer em Curitiba foi de responsabilidade de outro procurador que atua na procuradoria da República no Paraná, o qual trabalhou no caso com completa independência. [Tem procurador sem independência?] Nem o procurador Januário Paludo, nem a força-tarefa atuaram nesse processo", diz a nota. [Outro procurador, qual? Por que esconder o nome? Certamente um amigo íntimo de Paludo]

Ainda segundo o MPF, Messer é alvo de investigação na "lava jato" do Rio de Janeiro, "razão pela qual não faz sequer sentido a suposição de que um procurador da força-tarefa do Paraná poderia oferecer qualquer tipo de proteção". [A proteção paga por Messer - safadezas de banqueiro - foi para não ser investigado na lavagem e remessa de grana via BanEstado - Banco do Estado do Paraná, que foi levado à falência, e depois doado]

Por fim, os integrantes da força-tarefa afirmam ter plena confiança no trabalho de Paludo, "pessoa com extenso rol de serviços prestados à sociedade e respeitada no Ministério Público pela seriedade, profissionalismo e experiência". [Ninguém nega a experiência. Paludo, Carlos Fernando dos Santos Lima, Sergio Moro estiveram em ação, e juntos, sempre juntinhos, nas investigações do BanEstado e Lava Jato, e prenderam e julgaram os principais doleiros do Brasil, a exemplo de Alberto Youssef, chefe da máfia libanesa dos tráficos de moedas, pedras preciosas, cocaína, e dos 'meninos' de Dario Messer. Por vontade do trio - Paludo, Santos Lima, Moro - que comandou as operações do BanEstado e da Lava Jato de Curitiba - nenhum doleiro estaria hoje preso. Protecionismo, ou sorte grande de quem chora na barriga da mãe?

Misteriosa e inesperada prisão de Dario Messer

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Escreve Jeferson Miola, agosto de 2018:

O “doleiro dos doleiros” do Brasil, como Alberto Youssef – o doleiro-delator íntimo do Moro, dos procuradores e dos policiais da Lava Jato – se refere a Dario Messer, foi o alvo principal da operação “Câmbio, Desligo!”, executada pela Polícia Federal em 3 de maio, depois das delações dos doleiros Vinícius Claret e Cláudio Barbosa. Dario Messer, provavelmente avisado que seria alvo de mandado de prisão preventiva, conseguiu fugir e não foi encontrado nos endereços conhecidos no Brasil naquele dia da operação Câmbio, Desligo!. A prisão do doleiro era tida como líquida e certa, tanto que o jornalista tarimbado e dono de fontes privilegiadíssimas d´O Globo, Lauro Jardim, no dia da operação anunciou que “Dario Messer, alvo principal da operação da Lava-Jato de hoje, e finalmente preso, é um personagem ligado aos escândalos nacionais desde o caso Banestado”. Aventou-se a hipótese de que Dario Messer pudesse estar escondido na sua mansão no Paraguai, porém lá também não foi encontrado. Joaquim Carvalho, em minuciosa reportagem no Diário do Centro do Mundo, cita que “Antigos aliados acreditam que ele esteja em Israel, onde também tem cidadania, por ser judeu. Messer não foi o único a escapar. O doleiro René Maurício Loeb fugiu do Rio de Janeiro para a Europa a bordo de um navio de luxo, semanas antes da operação ser deflagrada”. A fuga e o desaparecimento de Dario Messer adquire ainda maior relevância e valor investigativo depois da denúncia feita por doleiros acerca da existência de esquema mafioso mediante o qual o advogado Antônio Figueiredo Basto recebia US$ 50 mil dólares mensais como “taxa de proteção” para garantir que “eles [doleiros] seriam poupados nas delações decorrentes do caso Banestado, que correu na jurisdição de Sergio Moro” [DCM]. Esse mesmo advogado é considerado o especialista em delação premiada no Brasil – ou da indústria da delação, como o GGN e o DCM vêm investigando – cuja experiência inaugural foi a delação premiada de Alberto Youssef no rumoroso caso Banestado, conduzido pelo procurador Carlos Fernando dos Santos Lima e pelo juiz Sérgio Moro. Na coluna d´O Globo de 6 de maio de 2018, o taribado Lauro Jardim publicou a nota “Tudo errado”, com a notícia errada de que Dario Messer tinha sido“preso na quinta-feira passada”. É difícil imaginar tamanha “barrigada” jornalística de profissional bem abastecido de informações e depois de 3 dias do fato consumado! Houve alguma falha na linha direta de comunicação Globo-Lava Jato – só não se conhece o motivo para tal falha.

Com Dario Messer acontece de tudo. Tudo de bom. Não é proteção divina, mas bem que dá para acreditar nos santos. Messer teve outras fugas anunciadas. Para parar qualquer investigação jornalística foi inclusive noticiada sua morte. Também Youssef teve a morte propagada na imprensa. Também Janene, amigo do pai de uma juíza amiga de Moro, que terminou morto de verdade. A prisão de Messer, chefe da máfia judia, vai além da proteção de um Taludo, fez parte de uma armadilha para pegar uma caça maior. Nada mais nada, nada menos que um ex-presidente do Paraguai. Uma operação internacional com cheiro de vingança. Escrevi no dia 19 último, confira aqui

Sergio Moro e os procuradores da "organização criminosa" da Lava Jato sempre livraram as caras de Messer, de Youssef & outros doleiros. Durante as prisões do BanEstado e no início da Lava Jato, as autoridades dessas operações espalharam o boato de que Messer estava morto. O pedido de prisão de Cartes, o voto do partido que ele comanda, o Colorado, decide o impeachment do atual presidente do Paraguai Mario Abdo Benítez, no caso Itaipu, que envolve o presidente Jair Bolsonaro, o partido PSL, o senador major Olímpio. Vide aqui e links, o segundo maior escândalo de roubalheira, que o primeiro foi a construção da usina, 1975/82, pelas ditaduras dos dois países. O serviço de propaganda de Bretas Informa: "Messer estava foragido desde maio de 2018, quando foi deflagrada a Operação Câmbio Desligo. De acordo com as investigações, doleiros movimentaram US$ 1,6 bilhões em 52 países. A ação que tem Cartes,  amigo íntimo do senador Perrella como alvo, pretende  cumprir 37 mandados judiciais expedidos por Bretas em Búzios (RJ), São Paulo e em Ponta Porã (MS), na fronteira com o Paraguai. São 16 mandados de prisão preventiva, 18 de busca e apreensão e 3 de prisão temporária. O ex-presidente paraguaio é um empresário considerado um dos mais ricos do seu país. A eleição dele em 2013 representou o retorno ao poder do Partido Colorado, que dominou a política local durante 60 anos, contando com os mais de 30 anos da ditadura de Alfredo Stroessner. O executivo preside o Grupo Cartes, um conglomerado de empresas que produzem bebidas, cigarros e charutos, roupas e carnes. Também faz o gerenciamento de centros médicos.]

Rede Brasil Atual informa: Na troca de mensagens, Messer segreda a Myra sobre o andamento dos processos pelos quais responde e afirma que uma das testemunhas de acusação contra ele faria uma reunião com Januário Paludo, afirmando: “Sendo que esse Paludo é destinatário de pelo menos parte da propina paga pelos meninos todo mês”. A PF aponta que os “meninos” mencionados por Messer são Claudio Fernando Barbosa de Souza, o Tony, e Vinicius Claret Vieira Barreto, o Juca, que trabalharam com o doleiro em operações de lavagem de dinheiro e que, mais tarde, se tornaram delatores.

Juca e Tony, em depoimentos prestados ao Ministério Público Federal (MPF) do Rio de Janeiro, afirmaram ter pago US$ 50 mil (aproximadamente R$ 210 mil) mensais ao advogado Antonio Figueiredo Basto em troca de proteção a Messer tanto na Polícia Federal como no Ministério Público.

“Que Enrico [Machado, apontado como sócio de Messer] passou a dizer que o escritório deveria pagar US$ 50 mil por mês para fornecer uma proteção a Dario e as pessoas ligadas ao câmbio”, afirma Tony na delação. “Que essa proteção seria dada pelo advogado Figueiredo Basto e outro advogado que trabalhava com ele, cujo nome não se recorda.”

Segundo o Uol, a força-tarefa da Lava Jato do Paraná declarou que “essas ilações já foram alvo de matérias publicadas na imprensa no passado e, pelo que foi divulgado, os fatos apontam para suposta exploração de prestígio por parte de advogado do investigado [Figueiredo Basto]”. De acordo com a força-tarefa, Paludo prefere não se manifestar.

Os “filhos de Januário”

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Januário Paludo integra a Lava Jato desde sua criação, em 2014, e é um de seus membros mais influentes. O fato de ser o mais experiente fez com que um dos grupos de Telegram que contém mensagens reveladas pela Vaza Jato se chamasse “filhos de Januário”.

O procurador é tido como conselheiro do coordenador-chefe Deltan Dallagnol. Nesta semana, saiu em defesa do amigo por conta da advertência recebida pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) em função de Dallagnol, em entrevista, ter dito que havia uma “panelinha” no STF. Em rede social, afirmou que “ninguém deve ser punido pelo legitimo exercício do direito à livre manifestação e expressão”.

Em 10 de novembro, pela mesma rede, Januário atacou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Insuflar manifestos radicais como os que ocorrem no Chile não é só abominável como atenta contra o estado democrático e a garantia ao sagrado direito à livre expressão. O cárcere não lhe serviu de lição”, declarou, se referindo ao discurso proferido por Lula em São Bernardo do Campo, após sua saída da prisão.

Segundo mensagens reveladas pelo The Intercept, em 24 de janeiro de 2017, o procurador escreveu: “Estão eliminando testemunhas”, referindo-se à internação da esposa de Lula, Marisa Letícia, que tinha sofrido um acidente vascular cerebral (AVC). Já em 2019, ele afirmou que “o safado só queria viajar”, aludindo ao pedido da defesa do ex-presidente para que saísse da prisão para acompanhar o enterro do irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá.

 

 

 

 

19
Nov19

Bretas pede a prisão de Cartes que é amigo de Messer o elo entre Lava Jato e BanEstado

Talis Andrade

Bretas amigo de Moro pede a prisão de Cartes, cujo voto aprova o impeachment do presidente do Paraguai Mario Abdo Benítez amigo de safadezas de Bolsonaro, senador Major Olímpio e outros figurões das repúblicas bananeiras do Paraguai e Brasil

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As duas caras do doleiro dos doleiros Dario Messer

 

O ex-presidente do Paraguai Horacio Cartes é alvo de mandado de prisão preventiva da Operação Lava Jato que ocorre nesta terça-feira (19). A suspeita é que tenha ajudado na fuga de Dario Messer, considerado o doleiro dos doleiros. A decisão é do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, e Cartes terá o nome inserido na difusão vermelha da Interpol. O ex-mandatário, que atualmente ocupa o cargo de senador vitalício, governou o País vizinho de 2013 a 2018 e pertence ao Colorado, partido conservador. 

Que lorota boa do Bretas, sócio de Sergio Moro, nos conchavos políticos do golpe que derrubou a presidente Dilma Rousseff, prendeu o ex-presidente Lula da Silva e elegeu Jair Bolsonaro, cuja posse foi assistir, pegando bigu no avião do governador do Rio de Janeiro.

Para a imprensa, Dario Messer, máfia judia, era o elo perdido entre o assalto ao BanEstado do Paraná e a Lava Jato também do Paraná, junto com o doleiro Alberto Youssef, mafia libanesa.

Dario Messer, com banco sediado no Rio de Janeiro, foragido da polícia desde os tempos gordos das privatizações de Fernando Henrique, foge do Brasil e o culpado é o presidente do Paraguai. 

Narra o jornal El País: "É difícil mencionar um escândalo de corrupção brasileiro no qual Messer não tenha ajudado a azeitar as negociações e pagamentos. Segundo informações do Ministério Público Federal, ao menos 1 bilhão de dólares teriam sido movimentados pelo doleiro entre 1998 e 2003. Mas o nome de Dario veio à tona a partir das investigações do caso Banestado (antigo Banco do Estado do Paraná), ocorrido na segunda metade dos anos de 1990 e que envolveu remessas de dinheiro ilegais para o exterior via contas correntes, onde Alberto Youssef, o mesmo que deu o ponto de partida à Lava Jato, era personagem central.  O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito que apurou o escândalo do banco paranaense recomendou, em 2004, o indiciamento de Messer por sua atuação no envio de valores para outros países. A menção ao seu nome o elevou ao status de gigante do setor." Messer sempre foi o intocável.

Acrescentam os jornalistas Gil Alessi e Santi Carneri: Na condição de doleiro mor no Brasil, Messer servia como fiador de transações realizadas por outros doleiros menores, fazendo com que, ainda que indiretamente, ele tivesse participação em centenas de operações ilegais. Por isso as autoridades brasileiras o consideram uma espécie de “instituição financeira” própria. Segundo a revista Veja, por exemplo, o doleiro Benjamin Katz, tido como um dos operadores do ex-deputado Eduardo Cunha, era cliente de Messer. Ele também teria participado do esquema que lavou dinheiro para o ex-governador do Rio Sérgio Cabral.

O ofício de intermediar remessas, empréstimos e pagamentos no exterior escapando do radar do fisco e sem ser detectado pelas autoridades foi aprendido com o pai, o polonês Mordko Messer, considerado um pioneiro no ramo dos doleiros e morto em data desconhecida. A família chegou a ser dona de um banco, o Dimensão, e possui casas de câmbio e outros empreendimentos no Brasil, Paraguai e os Estados Unidos. É proprietária de um apartamento de dois quartos no Upper East Side, em Manhattan, um dos bairros mais nobres de Nova York.

Sergio Moro e os procuradores da "organização criminosa" da Lava Jato sempre livraram as caras de Messer, de Youssef & outros doleiros. Durante as prisões do BanEstado e no início da Lava Jato, as autoridades dessas operações espalharam o boato de que Messer estava morto.

O pedido de prisão de Cartes, o voto do partido que ele comanda, o Colorado, decide o impeachment do atual presidente do Paraguai Mario Abdo Benítez, no caso Itaipu, que envolve o presidente Jair Bolsonaro, o partido PSL, o senador major Olímpio. Vide aqui e links, o segundo maior escândalo de roubalheira, que o primeiro foi a construção da usina, 1975/82, pelas ditaduras dos dois países.

O serviço de propaganda de Bretas Informa: "Messer estava foragido desde maio de 2018, quando foi deflagrada a Operação Câmbio Desligo. De acordo com as investigações, doleiros movimentaram US$ 1,6 bilhões em 52 países.

A ação que tem Cartes,  amigo íntimo do senador Perrella como alvo, pretende  cumprir 37 mandados judiciais expedidos por Bretas em Búzios (RJ), São Paulo e em Ponta Porã (MS), na fronteira com o Paraguai. São 16 mandados de prisão preventiva, 18 de busca e apreensão e 3 de prisão temporária. 

O ex-presidente paraguaio é um empresário considerado um dos mais ricos do seu país. A eleição dele em 2013 representou o retorno ao poder do Partido Colorado, que dominou a política local durante 60 anos, contando com os mais de 30 anos da ditadura de Alfredo Stroessner.

O executivo preside o Grupo Cartes, um conglomerado de empresas que produzem bebidas, cigarros e charutos, roupas e carnes. Também faz o gerenciamento de centros médicos."

 

 

 

 

10
Ago19

O escândalo de Itaipu ainda vai assombrar o presidente do Paraguai. E Jair Bolsonaro

Talis Andrade

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Dario Messer

por Murilo Matias

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O recuo de última hora do Partido Colorado, o MDB paraguaio, salvou o pescoço do presidente do país, Mario Abdo Benítez. Por causa de um acordo secreto, mal explicado e prejudicial ao Paraguai, assinado com o brasileiro Jair Bolsonaro, Benítez corria sério risco de sofrer impeachment. Segundo o acerto, desconhecido pelo Congresso e pela população, Benítez e o vice paraguaio, Hugo Velázquez, assinaram uma revisão do tratado da Usina de Itaipu que geraria um prejuízo calculado entre 200 milhões e 300 milhões de dólares aos cofres públicos. A desistência dos parlamentares colorados de apoiar o processo de cassação deu uma sobrevida à dupla, não se sabe até quando. “Tivemos muitos governos entreguistas, mas nenhum se atreveu a lesar a nossa soberania de maneira tão grave”, afirma o deputado Ricardo Canese, um dos representantes dos vizinhos no Parlamento do Mercosul.

O acordo não é um problema apenas para o Paraguai. As investigações têm potencial para atingir a empresa Leros, que explora jazidas de diamante e nióbio no Brasil e estava interessada em adquirir excedentes de energia gerados pelo lado paraguaio de Itaipu. Um dos representantes da Leros é Alexandre Giordano, suplente do senador Major Olímpio, filiado ao PSL e líder do governo Bolsonaro.

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Leia entrevista de Ricardo Canese aqui: O impeachment depende do Partido Colorado "que responde ao ex-presidente Horácio Cartes, e deu a entender que votaria pelo afastamento, mas eles voltaram atrás. Tanto na Câmara quanto no Senado são necessários dois terços dos votos". Cartes mudou o voto Colorado depois que Bolsonaro mandou prender Dario Messer, o "doleiro dos doleiros", considerado o elo perdido entre as operações BanEstado e Lava Jato. De Messer se dizia, para não prende-lo: está com o presidente de Israel, está com o presidente do Paraguai. Eta figura misteriosa protegida da Lava Jato.

09
Ago19

"Itaipugate" não pode ser abafado

Talis Andrade

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Por Tereza Cruvinel


A condescendência da mídia brasileira para com Bolsonaro não pode chegar ao ponto de ignorar, ou relegar a notas e registros secundários, a gritante suspeita de que haja uma grossa história de corrupção, envolvendo a própria família do presidente, na crise política que agita o Paraguai, por conta do acordo secreto sobre a divisão da energia de Itaipu. Lá, o presidente Mario Abdo Benítez voltou a enfrentar o risco de impeachment. Aqui, o PT pediu ontem à Procuradoria Geral da República a abertura de investigações contra Bolsonaro, o chanceler Ernesto Araújo e o presidente brasileiro de Itaipu, general Luna e Silva, mas isso também será ignorado ou jogado aos pés de página.

Pela mídia grande, Bolsonaro não é corretamente qualificado como de extrema-direita, como fazem, referindo-se a ele, veículos de todo o mundo. Produz mentiras diárias e não é chamado de mentiroso. E mesmo declarando ostensivamente que usa o aparelho de Estado para se vingar da mídia, dela não recebe a nomeação correta de seu ato: prevaricação. Ele mesmo confessou: “No dia de hoje, eu retribuí parte daquilo que grande parte da mídia me atacou”. Truncado, mas compreensível. A retribuição foi a assinatura de MP que subtrai dos jornais a receita obtida com a publicação anual de balanços, providência a que estão obrigadas as empresas de capital aberto. Bolsonaro as presenteia com a publicação gratuita dos balanços no Diário Oficial da União. Ou seja, faz cortesia com o dinheiro público para se vingar, para satisfazer seu interesse pessoal. Prevarica, além de atentar indiretamente contra a liberdade de imprensa ao tentar interferir na saúde financeira das empresas do setor. Não vi, entretanto, a tal MP ser condenada com o necessário rigor, pela gravidade que encerra. 
 
Mas voltemos às trutas do lago de Itaipu. Em Assunção a história está na boca do povo, nos blocos que andam pelas ruas pedindo o impeachment do presidente Mario Abdo Benitez e de seu vice Hugo Velásquez. No início da semana a providência foi abortada pela anulação do acordo secreto de 24 de maio, mas ontem alguns partidos de oposição voltaram a protocolar o pedido de julgamento político do presidente, do vice e do ministro da Fazenda Benigno López. Mas sem o apoio do partido do ex-presidente [Horacio] Cartes, Honor Colorado, não dispõem, de maioria para aprovar o pedido na Câmara paraguaia. Por ora, porque lá a situação política vai escapando ao controle do governo. Quando há fato jurídico, e tem povo na rua, a maioria acaba se formando. [Dario Messer, o doleiro dos doleiros, o elo perdido entre a Lava Jato e o BanEstado, ser preso pela Polícia Federal de Sergio Moro constitui inusitado e inesperado milagre. A Lava Jato chegou a prender 70 doleiros de uma só vez, e Messer conseguiu escapar como sempre aconteceu]

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Lá, já não acusam a trinca apenas de assinar um acordo lesivo ao Paraguai, mas de participação direta numa operação obscura que visava favorecer a empresa brasileira Léros, interessada em comprar o excedente da energia contratada pelo Paraguai. 

Para isso, subtraiu-se do acordo a exclusividade da estatal Ande (Administradora Nacional de Eletricidade) na revenda. Uma Vazajato paraguaia revelou mensagens de whatsapp entre Benítez e o ex-presidente da Ande, Pedro Ferreira, explicitando que o presidente acompanhou de perto as negociações, que declarou-se pressionado pelo governo brasileiro a aceitar o acordo, e que, por sua vez pressionou Ferreira a aceitar o acordo. O presidente da Ande se recusou e deixou o cargo, dando início à crise.

Está na boca de todos, no país vizinho, o nome do advogado José Rodriguez González, que participou das tratativas como assessor jurídico do vice-presidente Velásquez mas defendia, de fato, os interesses da Léros, representada nas sombras por Alexandre Giordano, que vem a ser suplente do senador Major Olímpio, do PSL, que é líder do Bolsonaro no Senado.

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O resumo do negócio é simples: o Brasil obrigou o Paraguai a contratar pra si um volume maior de energia, superior à sua própria necessidade. Ao mesmo tempo, privou a Ande da exclusividade da revenda ao Brasil, abrindo caminho para a entrada da Léros no negócio.

Em toda esta lambança, pelo menos uma coisa exige esclarecimento cabal: qual é a relação entre a família Bolsonaro e a empresa comercializadora Léros. Pois quando se referem a ela, nas mensagens vazadas, autoridades paraguaias se referem claramente a ligações com a “família presidencial”.
 
04
Ago18

O que o Paraguai tem a ensinar ao STF

Talis Andrade

 

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Manchete mentirosa de um jornal golpista

por Ayrton Centeno

 

Aconteceu fato ao qual ninguém prestou muita atenção. Muito menos nosso jornalismo, aquele que Mino Carta considera "o pior do mundo", do qual, em tese, deveríamos nos nutrir mas nos alimenta com lixo tóxico. A imprensa viu mas fez que não viu. Ou viu mas deu ao assunto destaque zero. Talvez por evocar episódio similar passado no Brasil em 2016, do qual ela, a mídia empresarial, participou com incontrolável faceirice.

 

Ocorreu no Paraguai, país ao qual ninguém presta também muita atenção, exceto quando um figurão, como o médico Roger Abdelmassih, acusado de estuprar dezenas de pacientes, lá resolve se refugiar.

 

Na semana passada, após cinco anos de cárcere, 11 agricultores sem terra foram libertados. A decisão foi do supremo tribunal -- fenômeno que deveria nos estarrecer: o supremo deles funciona!

 

Alguns estavam condenados a penas de 30 anos. O procurador Jalil Rachid, espécie de Dallagnol paraguaio, denunciou-os por associação criminosa, homicídio e invasão. Haviam ocupado terras improdutivas no distrito de Curuguaty. Na desocupação, houve balaceira que resultou na morte de seis policiais e 11 agricultores de junho de 2012. Vendeu-se a lenda de que 60 sem terra, 25 deles mulheres e crianças, teriam aberto fogo contra 324 policiais armados de metralhadoras e granadas e apoiados por helicóptero.

 

A propriedade, conhecida como Marina Cué, também era ambicionada pela empresa Campos Morombi, cujas plantações de soja a cercam. Conta El País que o primeiro dos libertados a sair pelo portão de Tacumbu, a maior penitenciária do país, foi Néstor Castro, 36 anos. Caminhou entre canetas e câmeras para tocar a cabeça da filha e abraçar a mulher. "Não somos responsáveis (pelas mortes) e nunca o fomos", disse.

 

Castro e seus dez companheiros acabaram absolvidos porque a corte não encontrou relação direta deles com as mortes. As armas, que supostamente portavam, não foram disparadas. No Paraguai, portanto, não basta convicção para condenar. Existem ainda essas nações pitorescas onde se exige a existência de prova, essa velharia, para mandar alguém apodrecer na cadeia.

 

A chacina correu o mundo, denunciada pela Oxfam e a Anistia Internacional, como uma sangrenta maracutaia visando promover o fim do governo de Fernando Lugo, acusado de instigar a resistência dos agricultores, o que nunca se confirmou. Ele também cogitava tributar as exportações de soja, negócio de grandes conglomerados como o Campos Morombi. Bastou para seus inimigos deflagrarem um processo de impeachment a jato no Senado no qual Lugo teve somente 24 horas para se defender.

 

No Brasil, tal ode ao vapt-vupt só seria emulada pelo revisor do processo de Lula no TRF4 que leu 250 mil páginas em seis dias. Devorou duas mil páginas por hora, sem dormir, durante seis dias. Proeza que a indústria farmacêutica deveria reivindicar, afirmando sua utilidade na agilização da justiça pátria. E um prodígio a ser festejado pelo Livro Guiness dos Recordes, o que injetaria novo alento na auto-estima nacional, ora residindo abaixo do rabo do cachorro.

 

Lugo atribuiu o golpe ao então candidato do Partido Colorado, Horacio Cartes. Uma das maiores fortunas do país, depois presidente, Cartes reluziu nos documentos confidenciais vazados pelo Wikileaks, aparecendo vinculado ao narcotráfico. Foi investigado, ainda, pelos EUA, na operação Coração de Pedra, relativa à lavagem de dinheiro.

 

Na América do Sul, vários governos perceberam que o impeachment de Lugo era tão legítimo quanto o uísque paraguaio. E trataram a jogada com o nome mais curto: golpe. Até a Organização dos Estados Americanos, OEA, identificou um caso de "juízo sumário" sem direito à defesa adequada. Era a reprise, ainda mais grotesca, do acontecido com Manuel Zelaya, em Honduras, em 2009.

 

Nos dois casos – Paraguai e Brasil – a receita do golpe teve como ingredientes básicos o legislativo e o judiciário, ambos fermentados pela mídia. A diferença é que, do outro lado da fronteira, a máxima instância corrigiu a barbeiragem, mostrando-se menos folclórica e mais rápida. Para desgosto de Rachid, embora o procurador tenha sido acariciado por Cartes, ganhando o cargo de vice-ministro de segurança.

 

O fato é que o Paraguai facilitou a vida do STF. Nossas excelências não precisam mais observar as cortes europeias em busca das luzes que lhes faltam. Basta olhar para o lado e aprender, enfim, como cumprir o seu papel. Já passou da hora.

 

24
Jun18

Dario Messer, chefe da mafia judia, também quer as benesses da delação mais do que premiada

Talis Andrade

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BANESTADO – de longe o maior caso de corrupção de todos os tempos: mais de 134 bilhões! De dólares!

 

Dario Messer, o 'doleiro dos doleiros', e Alberto Youssef, 'rei dos doleiros', atuaram paralelamente como capos das máfias judia e libanesa no assalto ao BanEstado, no Mensalão e na Lava Jato, sempre tendo Sergio Moro como juiz santo protetor.

 

Youssef foi três vezes julgado por Moro, e três vezes salvo, sendo que, na segunda vez, ino-cen-ta-do como traficante de drogas. A quadrilha de Youssef foi presa com 700 quilos de cocaína, doutra vez com 1,3 tonelada.  

 

Conto sobre os sete folegos de Youssef aqui. Que o juiz Sergio Moro considerou que não havia provas que mostrassem a participação de Youssef de "forma revelante" para o tráfico.

 

Dario Messer, mais o pai, dono de um banco no Brasil, também esteve ligado ao tráfico, como associado do presidente Horacio Cartes do Paraguai, que respondia inquérito no Brasil por contrabando de cigarros. Cartes também associado ao senador Perrella do helicoca, capturado com 445 kg de pasta de coca. 

 

Esquisitamente a Lava Jato foi criada para investigar os tráficos de drogas e diamantes. Uma investigação que prendeu o traficante de drogas Rene Luiz Pereira, que tinha ligação com o traficante de diamantes Carlos Habid Chater, que tinha ligação com o traficante de moedas Alberto Youssef, velho conhecido de Moro. 

 

Youssef foi preso no Maranhão. Estava em São Luís para fazer o pagamento de R$ 1,4 milhão a João Abreu, então secretário da Casa Civil do governo de Roseana Sarney (PMDB). Nunca respondeu por este crime. Tem mais: a espalhafatosa Polícia Federal plantou na imprensa nacional a seguinte manchete: "Doleiro de Londrina é preso e tem hotel sequestrado pela Justiça". Que mentira! Que lorota boa!

 

As multas, os bens sequestrados, as propinas, a grana dos delatores lavado pela lava jato, tudo um faz de contas que ninguém faz as contas. Disse Lenio Luiz Streck: "Sempre fico com uma pulga atrás da orelha quando um delator diz: entreguei 40 milhões (é um exemplo) para fulano. Eu penso: mas ninguém lhe pergunta como ele fez isso? Mandou um motoboy? Mandou para um banco? Mandou para o exterior? E se entregou em cash, como ele arrumou esse ervanário, se qualquer retirada de banco acima de dez mil exige burocracia? Enfim, criou-se um mundo de ficções".
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PROPAGANDA ENGANOSA. Espia um dos imóveis sequestrados de Alberto Youssef solto em São Paulo, podre de rico, em uma vida de luxo e luxúria 

 

Preso no Maranhão, Youssef pediu para ir para a Curitiba, e foi, e lá parou as investigações dos tráficos de drogas e diamantes. Foi assim que a Lava Jato começou a operação para salvar a Petrobras do quadrilhão do PMDB, formado por Michel Temer, Henrique Alves, Eduardo Cunha, três ex-presidentes da Câmara dos Deputados. 

 

A Lava Jato orquestrou o golpe que derrubou Dilma Roussef, e colocou na presidência Temer, que entregou a Petrobras e o Pré-Sal de volta ao PSDB de Fernando Henrique, a Pedro Parente amigo de Moro, que terminou homenageado em Nova Iorque pela empresa Lide do tucano Dória, com patrocínio da Petrobras. 

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UMA NOITE DE GALA. Pedro Parente e o casal Moro em Nova Iorque 

 

 

O pesadelo de Sergio Moro: Dario Messer negocia acordo para se entregar

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 DARIO MESSER, 'doleiro dos doleiros', título dado por Alberto Youssef

 

Dario Messer, conhecido como ’doleiro dos doleiros’, quer se entregar às autoridades. "Foragido há quase dois meses e com ordens de prisão do Brasil e do Paraguai, o doleiro Dario Messer se diz disposto a colaborar com a Justiça, mas quer negociar condições para que possa se entregar. Sobretudo, espera ter a possibilidade de responder aos processos em liberdade", informa o jornalista José Marques, na Folha de S. Paulo. "Dario está aberto e quer falar tudo o que sabe, mas não quer ter a faca no pescoço", diz José Marcondes de Moura, advogado brasileiro de Messer.

 

Leia artigo do duploexpresso.com sobre as ligações entre Messer, Moro e PSDB:

 

Vale lembrar que, assim como no caso “Banestado”, apesar de novamente denunciado, Dario Messer, “estranhamente”, mais uma vez passou ileso – quase incógnito – pelo “Mensalão”.

 

Ironia: no “Mensalão”, mais uma vez, os nomes “Messer” e “Moro” voltam a se cruzar. Ainda que tangencialmente. Isso porque o juiz paranaense participou, como assistente, do julgamento no STF. Diz-se mesmo que teria chegado a redigir votos da Ministra Rosa Weber. Inclusive aquele, escandaloso, que condenou José Dirceu – sem provas – sob a alegação de que “a doutrina [a literatura jurídica] assim permite”.

 

[nota: apenas segundo esse ghost writer!]

 

Em 2015, no início da Lava Jato, Messer muda-se para o Paraguai. Nesse país, muito próximo do atual Presidente, goza de “santuário”.

 

Pergunta:

 

– Terá sido Messer alertado por alguém da Operação Lava Jato a fazer essa sua mudança – repentina – para o Paraguai?

 

– E a também, ao mesmo tempo, despachar parentes próximos para Israel?

 

A mudança de endereço de Messer para o Paraguai é, contudo, apenas parcial: visa apenas a proteger a sua pessoa. Isso porque embora no Paraguai resida, o centro de suas operações continua sendo o Uruguai. País esse que serve de base das operações da família Messer desde os tempos do pai de Dario, Mordko Messer. É certo, contudo, que segue sendo fácil supervisionar as operações do Paraguai, uma vez que um voo entre Assunção e Montevideo leva pouco mais de 1h. Reuniões presenciais, a salvo de interceptações, não seriam tão fáceis caso Messer tivesse seguido a família rumo a Israel, certo?

 

Chegamos então a 2017 e a novo escândalo: o FIFAgate. Mais uma vez Messer é “estranhamente” poupado. Para além de menção solta na imprensa esportiva, não houve nenhum destaque para o fato de representantes da gigante Nike terem mencionado o nome de Messer em depoimento ao FBI, nos EUA, em agosto de 2017.

 

Notem que, ao longo dos anos, Messer seguiu operando sem ser incomodado pela Justiça americana – seja no Brasil, seja no Paraguai. Vale lembrar que no país de residência atual, o Paraguai, até base militar americana há!

 

Há indícios, segundo nossas fontes, de que, em troca do salvo conduto de que goza, Messer seja informante das agências de inteligência americanas. Ainda mais atuando no que os americanos sempre consideraram um local “sensível” para o fluxo de dinheiro frio: a tríplice fronteira Brasil-Argentina-Paraguai. Com parentes abrigados em Israel, possivelmente a “cooperação” também se estenda à inteligência do país.

 

Aliás, vale ressaltar que parentes de Messer se mudaram para Israel (justamente!) no mesmo ano em que Messer partia para o Paraguai: 2015. Largaram para trás, no Brasil, carreiras promissoras no mundo da finança. Sim, na finança, é claro. Afinal, diz o ditado que “um fruto não cai longe da árvore” (que o gerou), não é mesmo?

 

Homem bomba, Messer é o maior pesadelo de Sergio Moro. Fonte primária nos revela, por exemplo, que nas reuniões de cúpula da Odebrecht, ainda no início da Lava Jato, dizia-se que havia alguém que, com muita facilidade, poderia parar Sergio Moro em dois tempos.

 

Não outro que…

 

– … Dario Messer!

 

E é neste ponto que a narrativa de lá, da Odebrecht, casa com o que ouvimos de fontes nossas na inteligência europeia: para além de convicções “ideológicas” e cooptação financeira via “palestras”, o que teria tornado Sergio Moro um “operador” dos interesses americanos no Brasil seria o fato de o juiz, já havia muito, ser refém da inteligência americana. Afinal, os americanos têm também em seu poder o dossiê “Banestado”. Possivelmente, inclusive, em virtude da parceria com o próprio Dario Messer. Assim, desde o início da Lava Jato, conseguem empurrar Sergio Moro no sentido que determinam.

 

Isso explicaria, por exemplo, o esforço “heterodoxo” e (extremamente) artificial para trazer denúncias de corrupção na Petrobras, empresa sediada no Rio de Janeiro, para Sergio Moro, no Paraná. Usaram para tanto um velho conhecido, também de Banestado: Alberto Yousseff.

 

Mera coincidência?

 

Yousseff que, figurinha carimbada no submundo dos doleiros, pode até mesmo ter sido plantado no “esquema” que rolava na Petrobras. Isso porque, bastante antigo, era de conhecimento não apenas da classe política como também de todo submundo de “operadores” e doleiros. Um círculo, afinal, bastante restrito, em que todos se conhecem. “Operam” ora concorrendo ora, inclusive, em consórcio, quando as operações são grandes demais.

 

Como sabemos todos a esta altura, com direito inclusive a vazamentos para o Wikileaks, o “esquema” na Petrobras também era de conhecimento de outro ator chave nessa história toda:

 

– A inteligência dos EUA.

 

Sim, a mesma que alimenta – e dirige – Sergio Moro.

 

E foi assim, através da “fortuita” (?) – e claramente marginal! – participação de Yousseff num esquema de décadas, que a jurisdição sobre a Petrobras (“carioca”) foi atraída para alguém que os americanos já tinham no Bolso: Sergio Moro, o juiz do Paraná.

 

Pensem comigo:

 

– De repente, as múltiplas estadias de Moro nos EUA – após o enterro do caso Banestado – podem ganhar um novo significado, não é mesmo?

 

Os tais cursos de “treinamento” em “lavagem de dinheiro”, para além da fachada – que provavelmente até existia, deviam contar “ademais” com, digamos… hmmm… “cadeiras” e “créditos” suplementares – clandestinos! – ministrados pela inteligência americana

.

A propósito, vale lembrar que mesmo hoje, num mundo em que não há como garantir sigilo absoluto de comunicações remotas (nem mesmo de chefes de Estado), as mais que frequentes idas de Sergio Moro aos EUA sempre chamaram a atenção do público atento ao noticiário da Lava Jato. O álibi de “palestras” – pagas não se sabe por quem… – pode perfeitamente mascarar o verdadeiro objetivo: o recebimento, seguro, de instruções. Bem como de “dicas”, documentos e gadgets de espionagem.

 

(como, por exemplo, aquele que, em um par de horas apenas!, triou e degravou o grampo – ilegal – na conversa entre a Presidente Dilma e o Presidente Lula?


Quando, na sequência, o “juiz” Sergio Moro entregou – ilegalmente! – o seu login e senha no sistema da Justiça Federal ao jornalista Matheus Leitão, filho da também jornalista Miriam Leitão, para que Matheus, no lugar de Moro (!), fizesse o login e baixasse o áudio, para que esse fosse, ato contínuo, transmitido ao vivo na Globonews, causando grave perturbação da ordem pública?


Inclusive com “populares” (sic) cercando o Palácio do Planalto e ameaçando invadi-lo?)


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O elo perdido - e explosivo - ligando Lava Jato e Ban$stado

 

Segundo fonte nossa na comunidade de inteligência europeia, os “operadores” do enterro do escândalo do Banestado – de longe o maior caso de corrupção de todos os tempos: mais de 134 bilhões! De dólares! – teriam recebido 0,8% desse montante para operacionalizar o “desmonte”. Por óbvio, entre os “coveiros” necessariamente se encontravam membros do Judiciário. Os “operadores jurídicos” do “enterro” também teriam, portanto, entrado no rateio desse butim.

 

Ou seja: 0,8% dos 134 bilhões de dólares.

 

Nada menos que 1.072 bilhão de dólares!

 

Vale lembrar que o juiz Sergio Moro, na qualidade de juiz de instrução, presidia as investigações então. Leia mais. Texto de Romulus Maia 

05
Mai18

Por que promover Dario Nasser a "doleiro dos doleiros" quando temos Youssef como rei?

Talis Andrade

 

ficha-paraguaya-de-dario messer.jpg

 Ficha paraguaia de Messer

 

No Brasil é importante desconfiar da justiça. Da justiça política da lava jato. Principalmente da justiça apoiada pela imprensa colonialista que promoveu Dario Messer a doleiro dos doleiros. Dario Messer passou pelo BanEstado intocável. Em 2015, foi citado no Mensalão de Joaquim Barbosa. Transcrevo do jornal La Diaria do Uruguai:

 

En una nota publicada el 21 de agosto de 2004, Folha de São Paulo informaba que se expidió un pedido de prisión de Messer durante la operación conocida como Farol da Colina, y el 13 de noviembre de 2009 el diario brasileño Estadão informaba sobre un pedido de prisión cursado por la 4ª Vara Federal de Brasil contra Messer por fraude. Pero Messer no fue apresado. Actualmente está en Paraguay, y tiene buenos vínculos con el presidente de ese país, Horacio Cartes. En una entrevista con el diario paraguayo Última Hora el 19 de diciembre de 2010, Cartes calificó lo sucedido con Messer de “persecución” y se refirió a él como “un amigo al que considero un hermano”.

 

El abogado uruguayo Óscar Algorta informó que conoció Messer en la década de 1980 “por intermedio de su familia, que tenía un banco en Brasil llamado Banco Dimensão”. Messer era también “amigo de un economista muy reconocido en Uruguay, Bernardo Bomsztein, que luego de dejar su tarea en el Banco Central, asesoraba a Lespan SA [Cambio Gales en su momento], al igual que yo”, apuntó Algorta. Sobre las causas pendientes en Brasil contra Messer, Algorta dijo: “No conozco ni creo que haya un juicio contra el señor Dario Messer en Brasil. Su fuente es la prensa. Aseguro que el señor Messer no tiene ninguna causa abierta”.

 

Lavado en Río

 

Otras informaciones involucran a Algorta en la denominada Operación Calicute, la “versión del Lava Jato en Río”, como la calificó O Globo. Ese medio sostuvo que los investigadores de esa operación descubrieron que una secretaria de Algorta, María Esther Campa Solaris, figuraba como titular de una cuenta en el banco Pictet & Cie, con sede en la ciudad de Ginebra, Suiza, donde el ex gobernador de Río de Janeiro Sérgio Cabral habría escondido diez millones de dólares. Algorta sostuvo que esa información no es cierta. “Es imposible que un banco suizo de más de 200 años le abra una cuenta por esa cifra a una persona física que no conoce y a la que nunca trató. Reitero, es imposible. Ninguna persona del estudio tiene cuenta en ese banco”, declaró.

 

 

El fin de semana pasado (marzo de 2017), en el marco de la Operación Calicute, se detuvo en Maldonado y en el aeropuerto internacional de Carrasco a los empresarios Vieira Barreto - conocido como Juca Bala - y Cláudio Fernando Barbosa. Según informó y documentó el 15 de febrero el portal Sudestada, Algorta es director de una offshore panameña, Sabra Holdings, cuyo único accionista es Vieira Barreto. Leer más 

 

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