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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

11
Out22

Alguém precisa parar Damares Alves

Talis Andrade

Image

 

E o povo, já pergunta com maldade/onde está a normalidade?/Onde está a normalidade?  

 

por Denise Assis

- - -

Peço licença ao mestre Noel Rosa para parodiar a sua magistral composição: “Onde está a honestidade?”. Primeiro, porque perguntar pela honestidade a esta altura desse governo é jogar palavras ao vento. Segundo que, sim, há algo de anormal nas figuras que compõem ou compuseram esse governo que aí está e quer continuar, mesmo que as pesquisas apontem que 51% da população o rejeite.  

Lamentavelmente, os 49% que o toleram, o fazem a tal ponto que passam por cima de situações inarredáveis: o potencial canibalismo do chefe de governo e a perversão de sua ex-ministra da família, da mulher, ou seja lá do que for que ela não deveria conduzir, (Damares Alves foi Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos) porque não tinha, não tem e não terá nunca perfil para a pasta. A ex-ministra, independente dos traumas sofridos – e principalmente por eles – deveria estar em tratamento psicanalítico, a fim de fechar suas feridas, e não contaminando discursos públicos com suas neuroses advindas dos abusos na infância. (Relatados pela própria).

Ao contrário disso, lhe deram poder para falar a uma plateia onde havia crianças. Sem o menor equilíbrio, usando de fantasias que são suas, (e não da esquerda, como atribui), poluiu a ingenuidade e a pureza das crianças presentes, descortinando para elas um mundo de perversidades (e perversões que são suas), prematuramente. Quantas delas chegaram em casa querendo saber dos pais o que era aquilo que ouviram? Quantas não saíram de lá apavoradas, com medo de perder os dentes para o tal do “sexo oral”? Quantas irão espremer os pais em busca de uma explicação precoce para essas novidades de que jamais tiveram notícia?  

O que estou aqui falando tem base em relatos pessoais. Tanto do presidente quanto de sua ministra. Há registros das falas de Damares e vídeos da revelação de Bolsonaro. Portanto, TSE, sua decisão (de mandar a campanha do PT retirar do seu programa o vídeo a respeito), embora deva ser acatada, é o que diz a lei, é questionável porque cassa o direito dos cidadãos de saberem como pensa e quais os valores do seu governante.

E o que é a normalidade? Haverão de me perguntar. Não sei. Só sei é que deveria haver decoro e regras para se ocupar cargos no alto escalão, compatíveis com o comportamento médio da população.

E se aqui a fala de Bolsonaro não reverberou, lá fora estarreceu editores dos grandes veículos, que estamparam em suas páginas o potencial canibalismo do presidente do Brasil. O fato de ter admitido que poderia fazer um gesto de tal natureza, já bastaria para ser, sim, notícia, e não “fake News”, como quer o TSE. Fake News, senhores do TSE, é deixar alguém atribuir a outros as suas fantasias sexuais ou fazer acusações sem provas. Aliás, mais que fake News, é a perversidade sendo esparramada indistintamente. 

Alguém precisa parar Damares Alves, pelo bem das nossas crianças, às vésperas de comemorar o seu dia. Moralismo? Não. Prudência.   

19
Set22

Carta aberta aos meus parentes e amigos evangélicos

Talis Andrade

Evangélicos não podem continuar apoiando o governo Bolsonaro

 

Caros parentes e amigos evangélicos

Nossa divergência tinha sido de fundo político – eu não podia aceitar que evangélicos – gente que diz seguir a Bíblia e se diz contra a corrupção e pelo Bem – tivessem apoiado um candidato, cujo bandeira eleitoral era francamente contrária aos preceitos bíblicos de Moral, de Honestidade, de Respeito Humano, da Dignidade e Igualdade das Pessoas, do Respeito à Natureza e por aí afora.

 
Por Rui Martins
Essa divergência se agravou porque, nestes três anos e meio de governo Bolsonaro, vocês mantiveram o mesmo apoio, fazendo-se cegos e surdos à necessidade de separar o joio do trigo, no dizer de uma parábola que conhecem melhor que eu.
 
Imagino que agora, com a revelação desse escândalo com três pastores envolvendo o Ministério da Educação, possamos rediscutir e restabelecer o diálogo.
 
Como já deixei claro, nunca coloquei em debate vocês e outros familiares e amigos por serem evangélicos. A questão da opção religiosa é individual e cada um tem a liberdade de crer ou ser o que achar melhor para si.
 
Minha divergência vinha do fato de achar um absurdo vocês e as entidades dirigentes dos evangélicos apoiarem um candidato à presidência que, exceto o nome Messias, nada tinha de evangélico.
 
Um apoio em troca de vantagens, verbas, cargos e ministérios.
 
Ora, gente de Deus não faz acordo com o Diabo, existem numerosos versículos bíblicos a esse respeito.
 
Alguns líderes evangélicos já se pronunciaram porque – e sobre isso já escrevi mesmo artigos – o evangelismo brasileiro de uma maneira geral vai ter além da cobrança terrena a “cobrança divina” , podemos dizer, por ter se envolvido com corruptos e com políticos desonestos, em lugar de usar os templos e os cultos e as pregações apenas para falar do Evangelho e não para fazer propaganda política em favor de pessoas.
 
Foi um enorme êrro, que vai ter um custo em termos de perda da imagem e da credibilidade no Brasil.
 
Mas, é claro, pode ser que, ouvindo só a propaganda do governo nas rádios, tvs e Internet, vocês prefiram continuar acreditando nos pastores e, por tabela, no presidente Bolsonaro.
 
Se vocês, se seus líderes fizerem isso, não preciso ser profeta para dizer que o estrago dentro das igrejas será bem maior, pois a falta de credibilidade gerará a descrença.
 
Na vida, as vezes temos a chance de corrigir erros cometidos.
 
É sua chance, de sua igreja, do seu pastor.
 
E se fizerem isso voltarei a respeitá-los.
 
Uma abraço fraterno de quem acredita num mundo melhor.
Rui Martins.
 
(Carta publicada também no Facebook e Youtube. A versão vídeo está em  https://youtu.be/VC-51al5bgk )

Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro Sujo da Corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A Rebelião Romântica da Jovem Guarda, em 1966. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

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