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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

02
Dez21

Trilogia em quadrinhos une ficção científica, terror e diversão para levar mensagem de resistência e ativismo negro

Talis Andrade

Image

Geuvar Oliveira o entrevistado do Clube da Esquerda neste dia 5 domingo 

 

por Jornal Opção

Rei, alegre, criativo, volátil… As reticências são a melhor expressão da variedade de significados do nome de origem africana MugambiIntensa e versátil também é a obra de história em quadrinhos (HQs), totalmente tocantinense, que leva o mesmo nome e que agora chega ao seu final. A trilogia, caracterizada como de ficção científica e terror, teve seus dois primeiros volumes lançados em 2010 e 2016, e o terceiro em setembro último.

De autoria do quadrinista Geuvar Oliveira, o terceiro capítulo de Mugambi conta a trajetória de um jovem, que veio do futuro para realizar a missão de evitar que um vírus mortal dizime a humanidade.

Em 96 páginas, com o tom regionalista característico dos quadrinhos de Geuvar, a história se passa em três tempos: passado, presente e futuro na Amazônia, tendo como locais de referência Palmas e a Ilha do Bananal.

O protagonista é ilustrado por um personagem negro, maioria no povo brasileiro, diferentemente, porém, dos heróis das histórias nacionais em quadrinhos.

A proposta de Geuvar, com Mugambi, é uma mensagem de empoderamento e ativismo.

Trazemos o negro para o centro das discussões e junto todos os problemas que devem ser discutidos à exaustão, para que haja melhora nas relações internas do país”, declara o artista.Site de quadrinhos

A HQ poderá ser adquirida diretamente pela rede social @gcomicsEditora (Instagram) ou nas lojas especializadas em Palmas. Além disso, 15% dos exemplares da HQ serão destinados para bibliotecas públicas, com o objetivo de fomentar a literatura e cultura na juventude.

Projeto

A organização das publicações dos quadrinhos de Geuvar Oliveira é de responsabilidade da produtora cultural Antônia Iédes Mendes da Silva, também proponente do projeto. E patrocínio do Prêmio Emergência Cultural, via Lei Aldir Blanc, do Governo do Estado do Tocantins, com apoio do Governo Federal – Ministério do Turismo – Secretaria Especial da Cultura, Fundo Nacional de Cultura.

O primeiro volume foi lançado no Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), em Belo Horizonte (MG), em 2015. Já o segundo volume, com recurso do edital Promic, em 2016.

O autor

Geuvar Oliveira, natural do Maranhão, mora no Tocantins desde 1997. É graduado em Letras pela Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), e em Teatro pela Universidade Federal do Tocantins (UFT).

Sua primeira história em quadrinhos, publicada no ano em que chegou ao mais novo Estado do Brasil, a revista Gira, foi baseada na quantidade de girassóis que havia em Palmas. Também é conhecido pela criação das aventuras da Liga do Cerrado, formada pelos super-heróis Homem Suvaco, Maria Paulada, Jeitosa, Homem Pochete, Homem Pichilinga, Senhor Gambiarra e Caryocal.  Geuvar é autor da HQ Viagem ao Centro da Gramática.

Entrevista neste dia 5

A cena política do Brasil dos nossos dias pode parecer confusa, complexa e até esquizofrênica. Movimentos e articulações que não guardam qualquer aspecto de coerência e tanto as personagens como os atores são para lá de controvertidos. A propósito, não é um disparate visualizar todos os acontecimentos como atos de uma peça teatral, de muito mau gosto, diga-se. Melhor, teatro de fantoches.

O convidado do #ClubeDaEsquerda é o cartunista, ilustrador e autor de HQ Geuvar Oliveira, que carrega um traço bem característico em suas charges e não dá desconto na objetividade de seus desenhos: ilustra as jogadas que estariam por detrás, nos bastidores, com riqueza de detalhes e vasta paleta de cores.

 

22
Mar21

CABELOS AZUIS, por Luis Fernando Veríssimo

Talis Andrade

Pode ser uma ilustração de texto

por Luis Fernando Veríssimo

 
Quando as histórias de quadrinhos começaram a ser impressas em cores, notou-se que seus heróis ou tinham cabelos loiros ou, estranhamente, cabelos azuis. Vez que outra aparecia alguém de cabelo preto nas historinhas coloridas, mas era raro. O comum era o azul.
 
Não me lembro de, garoto, dar muita atenção ao fato. Era natural que, além dos seus poderes, os super-heróis também pudessem escolher a cor dos seus cabelos, inclusive o azul, por que não? Só anos mais tarde, me dei conta: cabelos pretos significavam que o personagem era negro ou latino, amarelo ou azul que o personagem era indiscutivelmente branco. Naquele tempo, na América, a distinção racial era importante. Continua sendo, mas confesso que sei pouco sobre o que os super-heróis de hoje têm na cabeça, e de que cor. Talvez ainda seja o azul.
 
Corte rápido. Li que, no ano-novo, o céu de Trancoso, na Bahia, se encheu de aviões particulares querendo descer, a ponto de criar um problema para as autoridades da Aeronáutica. Que, sem entender de hierarquia social e da lista da Forbes, não sabia a quem dar prioridade para o pouso. Felizmente não houve uma tragédia, que eliminaria boa parte do PIB nacional. O pessoal chegava a Trancoso para se divertir em várias aglomerações e quem aparecia com máscara era vaiado e chamado de maricas. As festas atravessaram a noite de ano bom e qualquer um podia entrar, desde que mostrasse prova de ter sonegado impostos no ano que acabava e de saber a senha da elite brasileira. Que - isto pouca gente sabe - é “cabelos azuis”.
 
A senha não significa que a elite brasileira tenha cabelos permanentemente azuis que a identificam e garantem seus privilégios. Os cabelos azuis do código dos ricos significam o mesmo que significavam nas historias em quadrinhos: são fronteiras bem definidas e intransponíveis de classe. E, se você protestar que estas fronteiras protegem uma elite criminosa na sua inconsciência, vai ver é por inveja das festas que eles dão. Sem falar nos aviões particulares.
Pode ser uma captura de ecrã do Twitter de 1 pessoa e texto que diz "Luis Fernando Verissimo @verissimolf "O Brasil é formado por uma classe dominante e uma classe ludibriada" #verissimas #comediasdavidapublica"

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