Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

09
Nov20

Até prevista posse de Biden, serão meses concedidos a um presidente ensandecido

Talis Andrade

tirinha trump fraude.jpg

 

 

por Janio de Freitas

- - -

Tirar Donald Trump da presidência com um impeachment veloz é o único meio de talvez evitar o que seria seu maior feito: aproximar ainda mais os Estados Unidos de uma convulsão. A tensão exibe nível muito alto para uma sociedade já levada, por longa elaboração, a condições potencialmente conflituosas e agora submetidas a estímulos descontrolantes.

Até a prevista posse de Joe Biden em 20 de janeiro, serão mais de dois meses concedidos a um presidente ensandecido, que acusa de roubo e corrupção o sistema eleitoral e avisa o país de que resistirá “até o fim”. Não expõe nem indícios do que acusa e não diz qual é “o fim” em sua disposição. É certo, porém, que conhece os perigos implícitos na atitude que incita o segmento da população armado, violento e numeroso —os seus seguidores extremados.

Com Trump ainda na presidência, serão dias em que dele, do seu desatino ambicioso, poderá projetar-se qualquer ato de uma mente transtornada e, apesar disso, poderosa.

Quem é capaz de fazer expulsar para o México centenas de crianças sem os pais, de várias nacionalidades e sem parentes no destino — fato anterior ao choque da derrota eleitoral e agora revelado pelo jornal The New York Times — ficaria muito bem entre os criminosos do nazismo. É capaz de tudo.

Há quase 70 anos, ou desde que iniciadas as reações do nosso tempo à discriminação dos negros, são periódicos os levantes contra a opressão racista e a liberdade combinada com impunidade para os crimes oficiosos contra não brancos.

Mas, como contemporâneo e profissional de atenção a esse período, não me consta fase alguma de extremismos tão difundidos nos Estados Unidos, como atestam as chamadas redes sociais. Nem de divisão da sociedade nas proporções atestadas pelas urnas recentes.

Observar que metade dos eleitores americanos, no maior comparecimento da sua história, deseje a permanência da mente de Trump na presidência da “América” é, com a melhor clareza, desmentir o caráter exemplar da democracia americana.

A propaganda fez o mundo adotar a ilusão. Com discriminação racial não seria construída uma democracia. Sobre essa deformação duradoura, o que se mostra nos Estados Unidos não é a diversidade democrática de opinião.

Amostra apressada, já na segunda noite da contagem eleitoral a polícia da Filadélfia recebeu a denúncia de que homens armados dirigiam-se ao centro de apurações. Pôde prender dois deles.

Nos anos Trump, a preferência por fuzis, entre os militantes armados, foi substituída pela compra de metralhadoras. Armas de ataque, metralhadoras de todos os tipos, motivando a criação de lojas especializadas. As milícias políticas de brancos proliferam nos últimos anos como nunca, com campos de treinamento também para mulheres e mesmo crianças.

Do desafio de Trump às instituições do país que preside até à nova saturação das humilhações não brancas, os prenúncios transbordam. Não é vazio o temor que jornais e televisões noticiam com avareza, com seu velho pretexto das razões de Estado. A elevação de Trump já era sinal suficiente de degeneração. Ele agiu para confirmar o sinal e age para levar a degeneração até o fim.

tump mais quatro.jpg

 

24
Set19

Motorista da Kombi nega tiroteio: só PM é que atirou em Ágatha

Talis Andrade

portakombi.jpg

 

por Fernando Brito

---

A Folha revela o teor do depoimento do motorista que dirigia a Kombi onde foi baleada para morrer a menina Ágatha Félix.

A versão de que foi a “guerra do tráfico” apontada pelo general Hamílton Mourão, presidente da República em exercício, é completamente desmontada. Ou seja, é totalmente falsa.

(…)a rua estava movimentada, mas não havia sinais de confronto ou violência. Caso contrário, ele não teria estacionado ali.
O casal e duas crianças desceram, deram a volta e abriram o porta-malas para tirar suas bolsas e mochilas. Só restaram Ágatha e a mãe no banco traseiro. O motorista também desembarcou e, no mesmo momento, viu uma moto com dois homens sem camiseta passando em alta velocidade.
Foi quando ele avistou um dos quatro policiais militares que estavam no local — dois de cada lado da rua — disparando dois tiros seguidos: pá, pá. Pensou que o agente havia atirado para cima, para intimidar, mas percebeu que esse não era o caso quando olhou para dentro da kombi e a mãe de Ágatha começou a gritar.

As declarações foram dadas pelo motorista nos momentos seguintes ao assassinato, ao depor na Delegacia de Homicídios. Ontem, no enterro de Ágatha, revoltado, José Carlos Soares, de 48 anos, gritou, diante de todos, que era mentira a versão que apontava um tiroteio com bandidos que havia provocado a morte da menina.

“Mataram inocente. Não teve tiroteio nenhum, foi dois disparos que ele deu. Falou que foi tiroteio de todos os lados, é mentira! Mentira!”, ele gritou emocionado diante das câmeras no último domingo (22), durante o enterro de Ágatha, segundo a Folha.

A perícia feita hoje cedo em seu carro é consistente com o relato: o banco onde a menina e sua mãe estavam sentadas tem um perfuração a bala, mas não a lataria do veículo, indicando que a mala do veículo estava aberta, como ele descreveu.

Por mais que intimidem as pessoas e desejem dar “sumiço” a declarações e declarantes, já não há como evitar a conclusão de que a polícia atirou – pelo que querem chamar agora de “medo, surpresa ou violenta emoção” -, seguiu os conselhos do governador de “mirar na cabecinha” e, afinal, acertou a garotinha.

witzel morte .jpeg

 

17
Ago19

Xico Sá a Witzel: canalha matador de pobres

Talis Andrade

bala perdida.jpeg

 

 

247 - O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), já ultrapassou todos os limites do discurso de ódio em seus pouco mais de sete meses de mandato - se é que há algum limite para o ódio. Numa reação legítima, o jornalista Xico Sá chamou Witzel de "canalha matador de pobres" em sua conta no Twitter.

Wilson Witzel@wilsonwitzel

Hoje é o dia da minha mãe, dona Olívia, que completa 78 anos. Estamos juntos para celebrar a vida e tudo que ela me ensinou. Mesmo sem concluir o ensino primário, ela me disse uma frase sábia: “meu filho, na vida não tem atalho; é muito estudo, e muito trabalho”.

Ver imagem no Twitter
xico sá@xicosa
 

Vc é um canalha matador só de pobres, Deus vai te fuder

 

Nesta semana, Witzel culpou grupos que atuam em defesa dos direitos humanos pelas mortes de cinco jovens inocentes em comunidades nos últimos dias. Ele ainda chamou os militantes da área de ‘pseudodefensores’.

“Esses pseudodefensores de direitos humanos não querem que a polícia mate quem está de fuzil. Porque se não mata quem está de fuzil, quem morre são os inocentes. Os cadáveres desses jovens não estão no meu colo, estão no colo de vocês, que não deixam os policiais fazerem o trabalho que tem que ser feito”, acusou.

O governador também duvidou da autenticidade de 1.500 cartas escritas por crianças que relatam, por meio de desenhos e textos, como os moradores de comunidades são abordados pela polícia.

duke witzel atirador.jpg

 

Vale lembrar que o governador do Rio causou intensa polêmica por ter participado de uma ação da polícia que atirou contra moradores em Angra dos Reis de um helicóptero e, durante a campanha, pousou ao lado de candidatos que quebraram uma placa em homenagem à vereadora assassinada Marielle Franco.

 

 

22
Jun18

E se as crianças presas fossem americanas?

Talis Andrade

 

massacre de herodes.jpg

 

 

por Fernando Brito

===

 

Finalmente, da metade da capa para baixo, ganha algum – e ainda muito pouco – destaque na Folha o fato de haver crianças brasileiras presas – e são ao menos 49, em lugar das oito informadas ontem – por seus pais estarem sendo processados por imigração ilegal aos Estados Unidos.

 

A imprensa e a diplomacia brasileira, diante do caso absurdo, não fazem mais que miar lamentos e preferem destacar a “ordem” de Donald Trump para que sejam reunidas aos pais – e sigam presas, portanto. No máximo, uma nota do Itamaraty dizendo que o episódio “é uma prática cruel e em clara dissonância com instrumentos internacionais de proteção aos direitos da criança”.

 

Tão pouca é a reação que candidato do fascismo por estas bandas não se acanha em, nos jornais, estar mendigando uma audiência para prestar vassalagem a Donald Trump.

 

Basta aos amigos e amigas imaginarem, para que se tenha ideia do absurdo que é isso, se uma, apenas uma, criança norte americana estivesse detida num abrigo com grades e telas, posta a dormir num colchonete em uma quadra de esportes ou em barracas de lona, como se viu nas fartas fotografias distribuídas pelas agências de notícias.

 

E separadas dos pais, também presos, por uma distância maior que a entre Porto Alegre a Manaus, em linha reta, como registra a Folha:

 

A reportagem da Folha (…) identificou a localização das 15 instituições que receberam os brasileiros. A maior parte das crianças está na região de Chicago, que concentra 29 delas. Oito estão no estado fronteiriço do Arizona, sete, no Texas, e duas, na Califórnia. Também há menores brasileiros em instituições da Flórida e de Nova York. Os pais, por outro lado, estão em prisões federais próximas à fronteira –ou seja, a até 3.500 km de distância dos abrigos. Na maior parte dos casos, eles não sabiam do paradeiro das crianças até que o consulado brasileiro fizesse contato.

 

_aziz trump criança exílio.jpg

 

 

Imagine o desespero de crianças que, algumas, têm apenas cinco anos de idade.

 

 

Faltaria pouco para nos ameaçarem com os marines, não é? No mínimo, nosso embaixador em Washington teria sido chamado a dar explicações e exigir a repatriação de pais e filhos.

 

Mas agora o “problema” parece estar “resolvido”, com as crianças “podendo” ficar presas com os pais!

 

Se alguém precisava de uma “ilustração” prática do que é o “complexo de vira-latas”, aí está: os pais pegos pela “carrocinha” e os filhotes levados com eles para o canil.

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub