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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

11
Jul22

Chumbo Quente pelo Observatório de Imprensa - Primeira parte (documentário)

Talis Andrade

Chumbo Quente - 50 anos do Golpe de 64 — HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO

Observatório da Imprensa

 

No dia em que o golpe militar de 1964 completa 50 anos, o Observatório da Imprensa exibido pela TV Brasil levou ao ar o primeiro episódio da série “Chumbo Quente”. Na terça-feira (1/4), o programa examinou o papel da mídia na queda do presidente João Goulart e na instalação do regime de exceção. A imprensa foi uma das protagonistas daquele que se converteu em um dos mais dramáticos e conturbados períodos da história brasileira. Nos pouco mais de 30 meses de governo Jango, grande parte dos jornais cuspiu fogo contra o presidente enquanto poucos serviram de sustentação à política reformista. Nas bancas de jornal de todo o Brasil, em preto no branco, as várias faces da mesma realidade. Retrato de uma imprensa ainda em processo de profissionalização, as publicações dos anos 1960 não escondiam sua ideologia e seguiam a corrente política de seu proprietário. Mesmo que o preço fosse a imparcialidade.

O programa entrevistou uma série de testemunhas daquele período e especialistas no golpe militar, a saber:

>> Alzira Abreu – coordenadora do Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

>> Ana Arruda Callado – jornalista e viúva do escritor Antônio Callado. Trabalhava no jornal Panfleto, de Leonel Brizola.

>> Carlos Chagas – comentarista político. Era repórter em O Globo.

>> Carlos Fico – professor de História do Brasil da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

>> Carlos Heitor Cony – escritor. Era editorialista e colunista do Correio da Manhã.

>> Daniel Aarão Reis – professor de História do Brasil da Universidade Federal Fluminense (UFF).

>> Ferreira Gullar – poeta. Era copidesque na sucursal carioca de O Estado de S.Paulo e presidente do Centro Popular de Cultura da UNE.

>> Fuad Atala – jornalista, autor de Réquiem para um leão indomado, sobre o Correio da Manhã, onde trabalhava na época do golpe.

>> Hélio Fernandes – diretor-responsável do jornal Tribuna da Imprensa.

>> Gilles Lapouge – correspondente de O Estado de S.Paulo em Paris há mais de seis décadas.

>> José Maria Mayrink – repórter especial de O Estado de S.Paulo. Trabalhava em O Globo.

>> Marco Antônio Coelho – em 1964 era dirigente do Partido Comunista Brasileiro e deputado federal.

>> Maria Celina D'Araújo – professora de Ciência Política da PUC-Rio.

>> Milton Coelho da Graça – jornalista, foi diretor de Redação da Última Hora.

>> Milton Temer – jornalista e político, oficial da Marinha cassado em 1964.

>> Moniz Bandeira – cientista político e escritor. Foi asilado no Uruguai, onde conviveu com João Goulart por conta de sua atividade política.

>> Pinheiro Júnior – era repórter da Última Hora e acompanhou a movimentação das tropas de Minas Gerais para o Rio de Janeiro.

>> Wilson Figueredo – era editorialista e chefe de Redação do Jornal do Brasil.

 

A transcrição integral do programa

 

Alberto Dines – Bem-vindos ao Observatório da Imprensa. Com uma liga de chumbo, Gutenberg fez os primeiros tipos móveis e, nos cinco séculos seguintes, o chumbo derretido foi a matéria-prima da tipografia, o antigo sistema de impressão. Com chumbo, fundiam-se letras, palavras, ideias e também se faziam balas, projéteis. Seu peso converteu o chumbo em sinônimo de opressão. Para lembrar os 21 anos de chumbo da ditadura militar e a aviltante censura por ela instaurada, trazemos a imagem do chumbo quente, o perigo liquefeito, enganosamente molhado, mortal. No início, todos os golpes se parecem. Como já acontecera três vezes antes, o golpe de 1964 começou como uma quartelada para depor um legítimo chefe de Estado e, poucos dias depois, já era uma ditadura: acanhada nas primeiras horas, logo ostensiva e em seguida esticada ao longo de 21 anos.

Nossa homenagem a Alberto Dines | Notícias | OBORÉ Projetos Especiais

Alberto Dines: Um golpe preparado e apoiado majoritariamente pela imprensa

 

Este golpe diferencia-se dos anteriores porque ocorreu em plena era da informação – ou da desinformação – foi um golpe preparado e apoiado majoritariamente pela imprensa, logo depois transformada em sua vítima e dócil escrava. Quando, no ano passado, o jornal O Globo surpreendeu a sociedade brasileira ao reconhecer como equivocado o apoio ao golpe de 1964, admitia implicitamente que grande parte da imprensa brasileira, além de apoiar a derrubada do presidente João Goulart, apoiou a ditadura nela incubada. Gesto ímpar, infelizmente sem seguidores, que, no entanto, poderá inaugurar o capítulo da diversidade na história da nossa imprensa.

A unanimidade, além de burra, foi a causadora desta tragédia. Estas edições especiais sobre o golpe de 1964 tentam o modelo de história oral, cruzamento de depoimentos pessoais para reconstituir um período em que a imprensa, além de testemunha, foi também participante.

 

Ferreira Gullar – Tem que apurar o que aconteceu e fazer parte da história do Brasil para as gerações que vêm aí [conhecerem] a verdade desse regime abominável.

 

Maria Celina D’Araújo – As Forças Armadas ficaram com essa mancha, com esse estigma de que assassinaram e torturaram pessoas em nome de alguns ideais políticos.

 

Carlos Fico – O golpe não previa a ditadura militar, mas houve um processo que transformou o golpe em ditadura.

A história política do Brasil se confunde com a história militar. E ambas atropelam a história da imprensa. Até mesmo a Independência tem sido fantasiada como façanha de soldados e o resultado é um tripé desigual, capenga. Incluindo a Proclamação da República até 1964, temos um total de 12 motins, vetos dos quartéis, golpes, contragolpes com quatro derrubadas de chefes de Estado. A imprensa sempre tomou partido, sempre participou e sempre foi punida com empastelamentos, atentados e censura. Nunca havia conspirado. Então veio 1964. Herdeiro do getulismo, João Goulart tem a imagem atrelada às reivindicações sociais e sindicais. Enquanto foi vice de JK, Jango sempre se relacionou bem com jornalistas e donos dos jornais. Quando Jânio Quadros renuncia, em agosto de 1961, Jango está em viagem à China.

 

Wilson Figueiredo – Nem o próprio Jânio Quadros contava que ia renunciar. Ele renunciou por uma distração. Um ato de distração. Acreditou que ninguém ia acreditar, todo mundo acreditou, levou ao pé da letra e o resultado foi o que se viu.

A presidência da República é ocupada pelo presidente da Câmara dos Deputados. Instala-se uma crise política porque os ministros militares são contrários à posse do vice.

Wilson Figueiredo – O Jango não era da corrente que ganhou a eleição, pelo contrário, ele era o perdedor. Então, essa inversão súbita abalou o país e o país ficou meio sem saber o que fazer, qual era o caminho.

Diante da perplexidade que toma o país após a renúncia de Jânio Quadros, a maior parte da imprensa defende o respeito à Constituição e endossa a posse do vice.

 

Fuad Atala – O Correio da Manhã tomou a posição, defendeu a legalidade da posse e assim permaneceu até, realmente, se concretizar. Acompanhou todo o processo daquela viagem que ele fez da China e para o Uruguai, até que ele entrou no Brasil. E o Correio da Manhã sempre defendendo a posse legal.

O Globo pede ao povo que aguarde tranquilamente a normalização da vida republicana e assegura que as Forças Armadas têm a situação sob controle. Abertamente anticomunista, o jornal em pouco tempo começará a questionar se Jango representa uma ameaça. O Diário de Notícias, com enorme penetração no meio militar, também levanta a bandeira da Constituição, mas desconfia da capacidade de governo de Jango. O Estado de S.Paulo é mais radical: contrário à posse de Jango, pede a convocação das Forças Armadas para evitar possíveis golpes subversivos.

 

Carlos Fico – Em 1961, a própria Rede da Legalidade, gerada pelo Leonel Brizola, tinha esse argumento fundamental, que era um argumento que demonstrava a absoluta inconstitucionalidade, a ilegalidade da ação dos ministros militares, porque se o presidente renuncia, assume o vice e ponto final, não há como discutir isso.

O Congresso aprova uma emenda que garante a posse de Goulart sob a condição de que o regime passe a ser parlamentarista. A imprensa vê a solução como uma demonstração de maturidade da democracia brasileira, mas alguns jornais são contrários ao novo sistema. Jango é empossado com poderes limitados. Vai fazer tudo para recuperar o poder total e o plebiscito de 1963 para a escolha do regime de governo será o seu primeiro desafio.

Jango sabe explorar as razões da inoperância do Executivo, o argumento convence a grande imprensa que logo esquece o charme do parlamentarismo e embarca num retorno ao presidencialismo. Um dos maiores presentes oferecidos a João Goulart naquele momento foi a oportunidade de calar Carlos Lacerda, governador da Guanabara.

 

Alberto Dines – Neste velho sobrado construído na Rua do Lavradio estava a Tribuna da Imprensa. Fui testemunha e mensageiro de um significativo presente oferecido pela grande imprensa ao presidente Jango: diante da difícil situação financeira em que se encontrava, o Jornal do Brasil comprou de Carlos Lacerda a sua fogosa Tribuna da Imprensa. Fui incumbido pelos donos do JB a fazer a transição entre a equipe que tocava o jornal e a nova. Recomendação expressa: o habitual ataque de Carlos Lacerda não poderia ser publicado. Em junho de 1962 vim a este prédio para iniciar a transição. Só houve um problema: o artigo de Lacerda com o habitual petardo contra Jango. Fui ao diretor do jornal, Sérgio Lacerda, e lhe passei a recomendação dos novos proprietários: “Lacerda, não”. Mas a “nova” Tribuna sem Lacerda não deu certo e o JB revendeu-a a Hélio Fernandes.

João Goulart tem a aprovação da maior parte dos jornais durante os primeiros meses do mandato. Até mesmo críticos da política de Getúlio Vargas, como o Diário Carioca e o Diário de Notícias, mudam de tom e apoiam Jango.

 

Alzira Abreu – A gente devia lembrar que os jornais tinham uma isenção fiscal de praticamente 70% na importação de papel, e o Jânio Quadros tinha cortado essa isenção. Então os jornais tiveram prejuízos enormes, tiveram que assumir esses 70% a mais para comprar papel no exterior. E o Diário Carioca apoiou João Goulart, inclusive como uma forma para obter recursos do Banco do Brasil para se manter. Da mesma forma, o Diário de Notícias também foi um jornal que apoiou Goulart quase até o final do seu governo.

A mais importante bandeira do governo é o projeto das Reformas de Base, que causa desconforto nas classes dominantes. O carro-chefe é a reforma agrária, que os jornais simpatizantes não engolem. Cresce o medo de que o Brasil siga o exemplo de Cuba e se torne comunista. Recuperado o poder, Jango não consegue exercê-lo, pressionado pelos setores mais radicais.

 

Maria Celina – A partir do momento que o João Goulart passa a concentrar poderes de um presidente, de chefe de Estado e de chefe de governo, ele se torna um alvo muito maior das críticas, da oposição e, ao mesmo tempo, a gente vai ter algumas dificuldades econômicas, de crescimento, de inflação, e que vão ser atribuídas, obviamente, a ele.

A radicalização política é agravada em setembro de 1963, com a Revolta dos Sargentos, em Brasília. O movimento reivindica o direito de sargentos, suboficiais e cabos exercerem mandato parlamentar, o que contraria a Constituição. Para a oposição, o presidente não é suficientemente firme ao enfrentar a revolta. A trégua na Tribuna da Imprensa dura pouco. O jornal volta a ser o adversário mais combativo de João Goulart. No início de outubro, Jango é convencido a calar o governador da Guanabara, Carlos Lacerda. Malogrado o plano de prendê-lo, Jango tenta intervir no Estado da Guanabara, impondo o estado de sítio. Não encontra respaldo nem no seu próprio partido, o PTB.

 

Daniel Aarão – E o Jango, sentindo que ia ser derrotado, se retirou. Retirou a proposta. Mas ali ficou muito evidente que ele namorava a hipótese da permanência no poder com instrumentos de exceção.

Confronto aberto, ostensivo. A imprensa está alinhada contra o governo.

 

Moniz Bandeira – Tinha jornalistas, não vou citar os nomes deles, mas que eu sei que recebiam dinheiro, que eram agentes. E sei da influência que era exercida através das agências de notícias, das agências de publicidade.

A Última Hora é a última trincheira pró-Jango e dá amplo espaço aos seus projetos. Reforça o apoio popular às mudanças e denuncia a movimentação da oposição para derrubar o presidente antes que as reformas fossem executadas.

 

Pinheiro Jr. – Samuel Wainer era visto como uma espécie de eminência parda do governo do Jango. Portanto, tudo que o Jango queira fazer, inclusive as Reformas de Base, que são vistas como as verdadeiras causas desencadeadoras do golpe, a Última Hora deu o mais completo apoio possível.

O Diário Carioca centra a cobertura nos benefícios das reformas e no esforço do Executivo para promover as alterações constitucionais que viabilizam o projeto. Não há jornais moderados, tentando esvaziar a radicalização. Não acalma os ânimos a ideia do governo de iniciar uma série de grandes manifestações populares em vários pontos do país para forçar a aprovação das reformas de base. O primeiro comício será na Central do Brasil, coração do Estado da Guanabara, onde Jango pouco antes tentara intervir.

 

Wilson Figueiredo – Eu me lembro, na Avenida Rio Branco, no dia do comício, 13 de março, aquela multidão compacta que passava rumo à Central do Brasil onde ia haver o comício. Passavam uma agressividade terrível. Acenando para o Jornal do Brasil com ameaças – o que era natural: o clima político estava exaltado.

A Tribuna da Imprensa denuncia a convulsão das massas durante o discurso na Central do Brasil e acusa o presidente de querer se reeleger. Partidário da reforma agrária, o Correio da Manhã critica a radicalização tanto da direita quanto da esquerda. Defende as Reformas de Base, mas diz que o governo promove intranquilidade institucional ao agir de forma leviana e demagógica.

 

Fuad Atala – O Correio da Manhã chegou inclusive a apoiar as reformas de base que ele anunciou no início, mas foi chegando o momento em que começou a se radicalizar e perder um pouco o rumo do controle do governo. Aquele ambiente, realmente convulsionado, assustou o Correio da Manhã. O Correio da Manhã começou a sentir então que o Jango estava perdendo as rédeas do poder.

 

Daniel Aarão – Havia muito medo de que aquelas reformas, se fossem implementadas, iriam mudar completamente o Brasil. Iam virar o Brasil pelo avesso. Era um conglomerado muito heterogêneo e o que cimentava esse conglomerado da espada, da cruz e do dinheiro e com os esses segmentos populares – as Marchas da Família com Deus pela Liberdade são um grande movimento de massa no Brasil – o que cimentava aquilo tudo era o medo.

 

Milton Coelho – Olha o nome que eles deram para a marcha: ela botou quinhentas mil pessoas na rua em São Paulo. Se vê que a insatisfação da classe média, especialmente, era muito grande contra o governo do João Goulart.

 

Daniel Aarão – A imprensa entrou muito porque ela foi contaminada por isso; ela tinha receio, os jornais progressistas acabaram entrando no processo golpista, alguns apoiaram, para logo depois sair fora.

Uma nova revolta nas bases das forças armadas contribui para isolar o governo. Concentrados na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, integrantes da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais comemoram o aniversário da entidade, considerada ilegal. Dois mil revoltosos são liderados pelo Cabo Anselmo. Jango se recusa a punir os marinheiros. O Correio da Manhã alerta para a necessidade de acabar com a intranquilidade causada por medidas demagógicas. Pede que as Reformas de Base não sirvam de pretexto para uma série de aventuras que poderão conduzir a quarteladas e à guerra civil.

 

Milton Temer – Era um embate entre a Última Hora de um lado, O Globo de outro. O Correio da Manhã (era aquele jornal mais intelectualizado) e o Jornal do Brasil eram os jornais que estavam contra o governo, evidentemente, estavam contra o governo Jango, mas não tinham a radicalidade golpista da Marcha com Deus e a Família que O Globo patrocinava. E nem tinham o grau de combatividade, não estavam no contraponto do Última Hora.

A Folha de S.Paulo vê na constante insubordinação das Forças Armadas um fator importante para o agravamento da crise do governo João Goulart. A Tribuna da Imprensa não dá descanso ao governo e explora a quebra de hierarquia nas Forças Armadas e a tensão entre governo e militares. Ninguém estranhou o repentino aparecimento do Cabo Anselmo como líder dos marujos nem as diferenças entre a sua retórica articulada com a dos companheiros marinheiros.

 

Milton Coelho da Graça – O Cabo Anselmo era claramente uma pessoa infiltrada na Associação de Marinheiros e Fuzileiros. Porque tudo que ele fazia ele radicalizava, era tendente para irritar os militares. Ele esteve lá em Pernambuco e fez uma palestra para todos os funcionários. Modéstia à parte, eu virei para os companheiros e disse: “Esse cara é da polícia”.

A combalida base militar do governo João Goulart rui definitivamente em 30 de março. Como convidado de honra, o presidente vai a uma reunião da Associação dos Sargentos e Suboficiais da Polícia Militar, no Automóvel Clube do Rio de Janeiro. A presença do presidente é vista pela cúpula militar como provocação. Para grande parte da mídia, é o último ato do governo Jango.

 

Milton Temer – Achar que a mídia tem só um papel de observadora e registra a história é muito difícil de imaginar nos grandes momentos. Porque ela desempenha um papel fundamental sobre o senso comum, que é a maior parte da população, que é aquela que não está no comício, que é aquela que não está na militância, mas é aquela que constitui a massa crítica eleitoral e a massa crítica da base social.

O governo Jango só investe contra a imprensa uma única vez. No dia 31, às vésperas do golpe, o contra-almirante Cândido Aragão tenta intimidar os jornais com a sua habitual truculência. Sem o conhecimento de Jango. Acompanhado por 30 praças, paralisa a redação de O Globo e sitia o prédio. Empunhando uma metralhadora, vai ao gabinete da direção e avisa que suas ordens devem ser cumpridas. O jornal não circula no dia seguinte. Outro grupo toma a Tribuna da Imprensa, onde Aragão passa algumas horas. O Diário de Notícias também recebe a visita do contra-almirante.

 

Alberto Dines – Aqui na Biblioteca Nacional estão guardadas as coleções do Jornal do Brasil. Na tarde do dia 31, um pelotão de fuzileiros navais, em uniforme de combate e pesadamente armado, chegou ao velho prédio do JB na Avenida Rio Branco e deu alguns tiros para o ar. Queriam os cristais, usados nos transmissores da emissora, para tirar a rádio do ar. Não acharam. Enquanto isso, o Contel [Conselho Nacional de Telecomunicações] informa às rádios e às TVs que o governo federal não admitirá notícias falsas ou alarmistas.

O Correio da Manhã dá um ultimato ao presidente com dois editoriais, publicados na primeira página, que entram para a história política.

Basta! – “Se o Sr. João Goulart não tem a capacidade para exercer a Presidência da República e resolver os problemas da Nação dentro da legalidade constitucional, não lhe resta outra saída senão a de entregar o governo ao seu legítimo sucessor”. (Correio da Manhã, 31/3/1964)

Fora! – “O Sr. João Goulart não pode permanecer na Presidência da República, não só porque se mostrou incapaz de exercê-la, como também conspirou contra ela; como se verificou pelos seus últimos pronunciamentos e seus últimos atos”. (Correio da Manhã, 1/4/1964)

 

Fuad Atala – Ele se comportou de maneira a encontrar uma saída para o Jango. Concluiu que o Jango não tinha mais condição de governar, então propôs ou a renúncia dele ou que o Congresso fizesse o impeachment dele.

Os contundentes textos são escritos pelo grupo de editorialistas comandados pelo veterano Otto Maria Carpeaux e aprovados pela dona do jornal, Niomar Muniz Bittencourt.

 

Carlos Heitor Cony – Eu colaborei, colaborei porque o Edmundo Muniz, que estava como redator chefe, me telefonou e disse: “Eu quero ler para você, para você tomar conhecimento”. Ele leu para mim. Eu disse: “Tá, muito bem, concordo, é o espírito do Correio da Manhã, como bateu violentamente em João Goulart”. Então eu tirei duas ou três coisas, mudei uma vírgula, só. O Edmundo Muniz captou a coisa e o tom; o tom, o conteúdo, propriamente dito, veio do Carpeaux. Não foi uma análise política, foi, realmente, panfleto: “Basta!” e “Fora!”.

Na madrugada do dia 31, tropas deixam Minas Gerais em direção ao Rio de Janeiro. A base militar de João Goulart não reage e o presidente é incapaz de articular resistência ao movimento militar. A Câmara dos Deputados declara a Presidência da República vaga.

 

Ana Arruda – Essa sessão da Câmara foi inesquecível. Porque o Doutel de Andrade, que era um líder do governo, estava discursando, dizendo que esse golpe não ia adiante porque os militares estavam com o Jango. Quando o Adauto Lucio Cardoso pediu um aparte, com aquela elegância do Adauto. “Não dou aparte a udenista nenhum”. O Adauto insistiu. “Meia noite e dois, já estamos em primeiro de abril, pode falar à vontade, deputado”, gozando. Aí o Adauto disse: “Eu queria avisar aos meus colegas da bancada do governo que o general Amauri Kruel já aderiu ao movimento militar e que o presidente João Goulart está saindo do país. Era isso que eu queria dizer, sr. Deputado”. Aí deu aquela loucura. Nós saímos correndo.

 

Moniz Bandeira – O presidente João Goulart, ao chegar ao Rio Grande do Sul, a Porto Alegre, conversou com o general Ladário Telles, que lhe disse não haver condições de resistência. Ele resistiria, mas não garantia a vitória. Jango tomou um avião, passou por outra fazenda dele e depois foi para o Uruguai. Ele sabia que não adiantava, que o golpe viria. Os americanos iam intervir. Seria uma sangreira, o nome que ele usou. “Não, Moniz, não dava para resistir, seria uma sangreira”. O Brasil seria arrasado, desindustrializado, a mortandade imensa. Os americanos estavam dentro do Brasil.

 

Marco Antônio Coelho – Nós, o PCB, éramos oposição ao Jango. Eu lutei contra aquilo, mas aquilo dominou o Plenário do Comitê Central. Portanto, mesmo aqueles que combatiam o golpe de Estado não tinham uma posição correta porque naquele instante o que nós deveríamos fazer seria assumir uma posição frontal de defesa do Jango. Mas, não. Surgiram então vários argumentos: “O Jango está conciliando, é um conciliador, ele não é um revolucionário”. Essa ilusão foi o grande erro da esquerda.

A articulação para derrubar o presidente encontra abrigo em um dos jornais mais tradicionais do país, O Estado de S.Paulo.

 

José Maria Mayrink – Os Mesquita, donos do jornal, conspiraram para derrubar o Jango. Isso começou com o Julio Mesquita Filho, que na época era um dos diretores do jornal. Havia reuniões de civis e militares na casa dele e havia também na casa do Ruy Mesquita.

 

Alberto Dines – A partir de agosto de 1961, os repórteres que cobriam as forças armadas, sem saber, passaram por um intenso aprendizado técnico. Antes, cobriam as solenidades, discursos. Neste final de março de 1964 já eram experts em questões militares. A movimentação de blindados era crucial, tanques só saíam da Vila Militar quando a situação era grave. Na manhã de 31, todos os indicadores apontavam para o regime de prontidão máxima. Mas quem nos deu a notícia da descida da tropa mineira do general Olímpio Mourão Filho foi o repórter Márcio Moreira Alves, que embora trabalhasse para um concorrente, o Correio da Manhã, era querido por todos. Entrou na Redação excitadíssimo, aos berros: “Titio telefonou, Minas está descendo, já estão em Juiz de Fora!”. O “titio” era Afonso Arinos de Melo Franco, recém-empossado como [secretário] do governo de Minas. Dias depois, quando a quartelada assumiu-se como ditadura, Márcio estava na oposição.

No dia 2 de abril, o país já está mergulhado no regime militar que duraria 21 anos. Em poucos dias, Castelo Branco é eleito pelo Congresso Nacional.

Carlos Fico – Eles aí já tentam levar a cabo seus desígnios através de uma argumentação, supostamente legal, constitucional. E daí toda essa preocupação que houve no golpe de encontrar uma forma aceitável do ponto de vista constitucional. A posse do Ranieri Mazzilli, a eleição pelo Congresso do Castelo Branco, aquele ato institucional com uma aparência de juridicidade, tudo isso denota uma preocupação com o erro que foi cometido em 1961.

 

Maria Celina – Conseguiu-se atrair para o movimento golpista os principais chefes militares, Castelo Branco, Costa e Silva, enfim, é tomar o poder sabendo que não havia facções militares que competiriam entre si. O que é surpreendente é que o golpe não foi o golpe, o golpe foi o início de um outro governo. A rigor, a ditadura militar não estava contida no golpe.

Com o golpe, os últimos pilares de sustentação do governo Jango são atacados pelas alas mais radicais. Ao som do Hino Nacional, o prédio da União Nacional dos Estudantes é incendiado.

 

Ferreira Gullar – Eu, naquela época, era presidente do Centro Popular de Cultura da UNE, o CPC. Peguei o telefone e liguei imediatamente para o Vianinha [Oduvaldo Vianna Filho], que era uma das principais figuras do grupo, para ver o que a gente deveria fazer em face daquilo, daquela notícia, que ele apurasse direito. Combinamos que iríamos convocar a intelectualidade de esquerda, os artistas, as várias áreas de música, de teatro, de cinema, para nos reunirmos na sede da UNE, que era onde funcionava o CPC, para discutir o assunto e também tomar uma posição diante do que estava acontecendo.

A redação da Última Hora é depredada. Munidos de pedras e paus grupos antijanguistas tomam a garagem do jornal, disparam tiros e incendeiam carros.

 

Pinheiro Jr. – Quando eu cheguei na Última Hora, voltando de Juiz de Fora, quem estava no comando era o diretor de Redação Moacyr Werneck de Castro, a quem eu disse: “Estou com um material muito interessante sobre os acontecimentos de Juiz de Fora, o que você quer que eu faça?”. Ele falou: “Olha, você não faz nada não, vai embora para casa porque o Carlos Lacerda está na TV Rio incitando o pessoal a vir quebrar a Última Hora. Escrevi a matéria, juntei o filme e coloquei numa gaveta. Quando eu estava descendo e cheguei à Praça da Bandeira, encontrei com a turma que tinha vindo quebrar a Última Hora.

A Tribuna da Imprensa não esconde seu apoio ao movimento golpista. Comemora a queda de Jango e destaca a atuação do governador do Rio de Janeiro, Carlos Lacerda.

 

Hélio Fernandes – No começo, a visão de todo mundo, inclusive minha, era deturpada. Realmente eles lançaram a ideia de que o país estava à beira de cair no regime comunista. A edição de 1º de abril, nós ficamos como todo mundo. Nós não sabíamos bem o que era. Ninguém sabia bem o que era. Todo mundo apoiou, não apoiou. Depois, todo mundo ficou contra, não ficou contra. Então, muita gente apoiou depois, muita gente apoiou muito, cresceu muito, enriqueceu muito, ganhou muitos canais de tudo.

O vespertino muda de tom a partir de julho, quando Carlos Lacerda critica a prorrogação do mandato de Castelo Branco e exige eleições para o ano seguinte. A Tribuna diz que o movimento está desmoralizado e se coloca claramente na oposição.

 

Daniel Aarão Reis – Muita gente, a meu ver, aceitou aquela derrota imaginando que, quando a poeira abaixasse, as coisas se restabeleceriam. Muitos políticos de direita estavam convencidos que as eleições presidenciais de 1965 seriam preservadas. Isso inclusive fez parte do acordo que o Castelo Branco fez com o JK. O JK mobilizava o PSD para apoiar o Castelo com o compromisso da manutenção das eleições em 1965. E muita gente que aceitou a derrota, aceitou “não, não vou lutar porque se eu lutar vou perder, e no final das contas essa coisa toda vai se restabelecer e no ano que vem as coisas voltam à normalidade”.

 

Alzira Abreu – A imprensa pede a subida dos militares, que os militares venham restabelecer a ordem; mas a imprensa, eu estou falando só da imprensa, mas grande parte da intelectualidade pediu, que eram pessoas mais à direita, pediram a vinda dos militares para restabelecer a ordem, não para impor uma ditadura. Depois que os militares assumiram o poder, eles resolveram permanecer no poder. E começa o período da censura, das prisões arbitrárias, isso vai levando os jornais a se afastarem dos militares.

A Folha de S.Paulo, opositora do presidente desde o impasse da posse, apoia a derrubada de Jango. E relembra que advertiu que a postura do presidente, ao se aproximar dos setores mais radicais, deflagraria uma profunda crise político-militar. O jornal endossa a decretação de um ato institucional. Para o jornal, os militares restabeleceram a ordem e a legalidade.

Editorial – “E isto se fez, note-se, com um mínimo de traumatismo graças ao discernimento das nossas Forças Armadas que agiram prontamente para conter os desmandos de um político que, cercado de assessores comunistas, procurava manobrar o país”. (Folha de S.Paulo, 5/4/1964)

O Globo segue a mesma linha e respira aliviado com a saída de João Goulart. Graças aos militares, o país está a salvo da “comunização”.

 

Carlos Chagas – O Roberto Marinho, desde de manhã cedo, estava informado de que estava havendo uma revolução. Mas esqueceu-se, ou não quis, falar para os seus repórteres. Ficou fechado lá na sala dele, até que a secretária dele veio na minha mesa e disse: “O que está havendo em Juiz de Fora?”. Eu disse: “Acho que nada, né?”. Ela disse: “Liga o rádio aí porque tem alguma coisa em Juiz de Fora”. E aí é que nós começamos, já ao entardecer, a ligar o rádio e pegar, em ondas curtas, emissoras de Juiz de Fora, que estavam naquela euforia dizendo: “Juiz de Fora, capital revolucionária do Brasil. Os generais Mourão e Guedes estão na rua, estão já descendo sobre o Rio de Janeiro”. Mas foi uma perplexidade geral porque ninguém sabia de nada.

O Globo vê com entusiasmo a rápida vitória do movimento sem derramamento de sangue e diz que a revolução triunfante deve impedir a infiltração de agitadores comunistas na vida pública.

 

José Maria Mayrink – Eu trabalhava no O Globo. Eu lembro que um colega falou: “Os nossos tanques estão avançando”, eram os tanques que viriam de São Paulo para enfrentar o Jango. E não eram os meus tanques, eu estava torcendo na verdade pelo Jango.

Contrariado por ter um artigo contra Carlos Lacerda vetado, Gilles Lapouge, correspondente de O Estado de S.Paulo em Paris, pede demissão logo depois do golpe. Lacerda é amigo de longa data da família Mesquita. O jornal não aceita a demissão e a celeuma vai parar nas páginas da publicação.

 

Gilles Lapouge – Carlos Lacerda estava em Roma, voltou por Paris e no aeroporto ele falava com os jornalistas franceses. Então, todo mundo compreendeu muito bem que havia qualquer coisa que está se fazendo lá, uma espécie de golpe. Eu disse ao jornal: “Não vou falar daquela conferência da imprensa do Carlos Lacerda porque, primeiro, não gosto muito daquele personagem”. O jornal me disse: “Mas você tem que fazer isso”. Pouco tempo depois, uns dias apenas, o golpe. Então, amigos do Brasil, do jornal, deram detalhes sobre isso e compreendi que era verdadeiramente um golpe militar de tendência fascista. Ora, isto eu não posso aguentar.

 

José Maria Mayrink – O Ruy [Mesquita], por consideração a ele, pela amizade que tinha a ele, mandou um telegrama dizendo por que não tinha publicado a entrevista do Lacerda. Aí o Lapouge escreveu uma carta ao Ruy em que dava as razões dele, e o Ruy respondeu com outra.

 

Gilles Lapouge – Ele me mandou um telegrama para dizer: “A direção não aceita a sua demissão, mas de todo modo você tem que esperar o número de domingo. Vamos responder publicamente à demissão”.

 

José Maria Mayrink – Os Mesquita defendiam o movimento e falavam que era uma coisa que iria durar pouco.

 

Gilles Lapouge – Ele fez talvez 10, 15 páginas com grande conceito sobre a revolução, a ideologia, a práxis, o comunismo, coisa assim. No final da carta dele, ele dizia: “Pedimos a você não ficar demitido, mas você tem que saber – aliás você já sabe, porque tem a lembrança da história de O Estado de S. Paulo – que no dia em que [o movimento militar] atacar o direito do homem, o Estado vai passar para a oposição”.

 

José Maria Mayrink – O Estado rompeu no ano seguinte, em 1965, quando o Castelo Branco, que esperava devolver o poder aos civis com as eleições de 65, então ele se retiraria, e o movimento convocaria eleições diretas para eleger um candidato, certamente de confiança, mas civil.

O Jornal do Brasil não era um jornal de colunistas, era um jornal de informação. Na página de Opinião, três artigos de fundo, sem assinatura, de responsabilidade da direção da empresa. Ao lado, os artigos de Tristão de Athayde e Barbosa Lima Sobrinho, que opuseram-se ao golpe desde os primeiros momentos e jamais foram censurados pela direção. Eram instituições intocáveis. Por isso, em abril de 1965, respondendo a um protesto de Tristão de Athayde, Castelo Branco, já como presidente, telefonou para oferecer satisfações. O pensador agradeceu ao presidente em um bilhete manuscrito.

A extensão da cobertura daqueles 19 dias e a necessidade de oferecer ao leitor uma conexão entre tantos episódios sugeriram um complemento em formato de livro capaz de reproduzir o clima trágico que se prenunciava. O título Os Idos de Março foi emprestado por Shakespeare, com trechos da tragédia inseridos no final. Os relatos vão até 15 de abril, o livro saiu no início de maio. O perfil de Jango escrito por Antônio Callado é arrasador:

“E quando, eventualmente, chegar à Presidência de República um homem de esquerda, Jango talvez reapareça. Como vice”. (Antônio Callado, Os Idos de Março)

 

Ana Arruda – Eu acho muito severo com o João Goulart. Se a gente ler direito, os pecados do João Goulart eram muitos também. Mas, evidentemente, que apontar pecados do João Goulart não significa querer uma ditadura militar. Longíssimo disso.

 

Alberto Dines – Onde é que a imprensa errou? Antes de 31 de março, errou ao adotar o uníssono. Errou ao submeter-se a um cronograma militar sem deixar aberturas políticas para recuos, ajustes e negociações. Jango tinha a seu lado vozes e forças moderadas. A pressa não deixou que fossem ouvidas. A grande imprensa impregnou-se com o clima do “manda brasa” que tanto criticava nos radicais próximos ao presidente. Os dois editoriais na capa do Correio da Manhã, que sinalizaram o início da operação militar, foram disparados por quem não entende de política. Ou de jornalismo. Antes do ultimatum, entre o “Basta!” e o “Fora!” não se ofereceram opções. E, em seguida, quando o Correio da Manhã deu a entender que não concordava com a violência e não admitia uma ditadura, um mínimo de solidariedade corporativa teria abortado o ímpeto da linha dura comandada pelo general Costa e Silva.

 

21
Jan21

Militares, crimes e a tentação autoritária

Talis Andrade

Por Roberto Amaral

O general comandante do exército não gostou do artigo “Na pandemia, exército volta a matar brasileiros”, de Luiz Fernando Viana, (Época. 17.1.2021) e mandou o general chefe do centro de comunicação social do exército responder à revista. O subordinado cumpre à risca o mandato do chefe, e, no melhor (embora canhestro) estilo do velho e expurgado florianismo, ou lembrando os tempos do grotesco marechal Hermes da Fonseca, mais que defender a corporação, supostamente injuriada, desanca o jornalista acusado de blasfêmia e tenta intimidar a revista, ou seja, investe contra a liberdade de imprensa: 

“(...) O Exército Brasileiro exige imediata e explícita retratação dessa publicação, de modo a que a Revista Época afaste qualquer desconfiança de cumplicidade com a conduta repugnante do autor e de haver-se transformado em mero panfleto tendencioso e inconsequente”. 
 
O segundo general, por força do hábito, certamente, se expressa como se estivesse dando ordem a um subordinado. Ora, senhor, não existe "imediata retratação" na democracia: o general comandante que busque na Justiça uma possível reparação, nos termos da lei, como qualquer cidadão pode buscar.
 
Agora, conjecturemos. E se a revista não for acometida de medo e pusilanimidade, que farão os dois generais? Se tal é a pena que pesa como espada de Dâmocles sobre o periódico, que estará reservado ao articulista? Fosse nos idos do Estado Novo, ditadura imposta ao país pelas tropas do ministro da guerra, general Eurico Gaspar Dutra, os militares fechariam a revista e o coronel Filinto Muller prenderia o jornalista nas enxovias do DOPS no Rio de Janeiro. Nos idos da ditadura de 1964, os fardados cassariam os direitos políticos do articulista e o confinariam em Fernando de Noronha, como fizeram com Hélio Fernandes. 
 
Mas que fazer agora, quando o regime ainda é o democrático e constitucional? Ameaçam a livre expressão de pensamento, princípio das democracias ocidentais incorporado à nossa ordem constitucional como direito fundamental desde o primeiro texto republicano. Renunciam ao direito de resposta, que implica a contestação do articulado, e ingressam no campo fácil das ameaças e da intimidação, artifício aliás muito cômodo, embora cediço, para quem pode usar a espada como último argumento.

Em síntese: além de arrogantes, os dois generais atentam contra a Constituição o que constitui crime, pelo qual devem ser representados pelo Ministério Público.

Mas o texto dos generais, ademais de não responder ao artigo indigitado, repito, encerra uma série de imprecisões, ou inverdades, que, de tanto serem repetidas, tomam foros de verdade. Comento algumas delas. Não é certo, por exemplo, que devemos nossa unidade territorial aos militares. A expansão é obra de mamelucos, negros escravizados, índios, e da ação genocida de bandeirantes saídos de São Paulo, mas saídos também da Bahia, de Pernambuco, do Maranhão, do Pará e do Amazonas. Segue-se o povoamento do sertão, obra do povo, a que se reporta Capistrano de Abreu. A integridade territorial, por outro lado, foi obra de nordestinos, na colônia, e de gaúchos na colônia e no império em guerras que consumiram milhares de vidas. No Império foi obra da Regência, confirmada e consolidada na república pela diplomacia do Barão do Rio Branco.
  
É verdade que nossos soldados foram para os campos da Itália, já ao final da guerra (1944), combater as tropas do Eixo, mas é igualmente verdade que fomos à guerra contra a insistente resistência dos generais Eurico Gaspar Dutra, Ministro do Exército, e do todo poderoso general Góes Monteiro, chefe do estado maior da força, como está fartamente documentado. Aliás, na reunião do ministério (27 de janeiro de 1942) que decidiu pela beligerância, a proposta foi apresentada pelo civil Getúlio Vargas, contra o parecer do ministro da Guerra. 
  
De outra parte, há certas e incômodas verdades que os generais não comentam, como a “guerra do Desterro”(1894) e o “ajuste de contas” do sanguinário coronel Moreira César, como não têm uma só palavra sobre o covarde massacre dos beatos de Antônio Conselheiro, para proteger os interesses dos latifundiários da Bahia. Ainda na República, em 1937, lembro o bombardeio do Caldeirão, no Ceará, contra os camponeses do beato Lourenço, evento esquecido à direta e à esquerda. Não sei se a marinha registra com orgulho a Revolta da Chibata, de 1916. 

Estamos falando em fatos recentes, republicanos. Mas não foi diverso o papel do exército no império, sufocando, à custa de muito sangue, as tentativas de independência e republicanismo que caracterizaram, por exemplo a Confederação do Equador (1824), esmagada, como a Revolução Praieira (1849), com a mesma fúria que antes se abatera sobre a Revolução pernambucana de 1817 e que terminou com o fuzilamento do Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo, que passou à história como Frei Caneca e hoje é pranteado como santo e herói.

O articulista da Época a ele não se refere, mas a historiografia séria desqualifica qualquer entusiasmo cívico diante de nosso papel na guerra do Paraguai.

Os militares sustentaram, até a exaustão, em nome dos grandes proprietários, dois impérios, cujas bases radicavam no escravismo e na estagnação, uma das raízes do atraso de hoje. Preferiram, sempre, um país tacanho, de analfabetos e mal alimentados, de deserdados da terra, a tocar nos privilégios da classe dominante, sejam os velhos latifundiários do Império, sejam os grandes fazendeiros da primeira república, seja o empresariado rentista, improdutivo, de nossos dias.
 
O progresso é visto como ameaça, pois pode desestabilizar o statu quo do mando secular.

E os militares brasileiros, a quem a nação deve outros serviços, jamais se notabilizaram na defesa da democracia. Na República a golpearam insistentemente desde as ditaduras dos marechais Deodoro da Fonseca (1889-1891) e Floriano Peixoto (1891-1894) até hoje. Vide o golpe de 1937, arquitetado por Góes Monteiro e operado por Eurico Dutra; o golpe de 1954 operado pelas três forças e que teve no general Juarez Távora um de seus comandantes, a tentativa de golpe contra as eleições de 1955 (que teve entre seus líderes o general Canrobert Pereira da Costa e o brigadeiro Eduardo Gomes); a intentona de 1961, encabeçada pelos três ministros militares e o chefe do estado maior do exército, general Cordeiro de Farias; o golpe de 1964, que nos legou 20 anos de ditadura, com seu rol de cassações de direitos políticos, prisões, torturas e assassinatos, muitos levados a cabo em dependências militares, como o assassinato de Mário Alves Alves de Souza Vieira, no quartel da polícia do exército no Rio de Janeiro, e de Stuart Angel, na base aérea do Galeão.

Sempre na defesa da ordem (pleiteada por todos os privilegiados), dos interesses da grande propriedade da terra, da burguesia e do capital internacional, contra a emergência dos interesses populares, travando o processo histórico. 

O fato é este: até hoje não se fizeram as reformas necessárias para transformar a nação em país soberano, como a reforma agrária pedida desde o primeiro império por José Bonifácio. Aliás, por defender “reformas de base” um presidente da República foi deposto e implantada, pelos militares, uma ditadura, pesadelo que ainda nos assombra.

As democracias não falecem por doença congênita. Jovens ou maduras elas são assassinadas, e só há uma arma capaz de atingi-las mortalmente: a espada, seja empunhada por uma sedição, seja por um golpe de Estado. No Brasil e no mundo o golpe de Estado é a forma que as forças dominantes dispõem para chegar ao poder evitando os percalços de eleições. Ele ou é dado diretamente pelas forças armadas, ou é levado a cabo com seu assentimento cúmplice. Mas em qualquer hipótese nenhum golpe de Estado se sustenta sem o poder militar. No Brasil ele foi agente de todos os golpes de Estado levados a cabo com sucesso. E foi ele que abriu caminho para a aventura do capitão insidioso, e hoje lhe dá proteção. 
 
Os militares, portanto, na medida em que sustentam e participam do comando do governo, até mesmo (e com escandalosa inépcia) na administração da saúde (onde pontifica a estultice de um general da ativa), estão solidários com todos os seus erros e crimes, inclusive os de lesa-pátria, como a política externa que nos transforma em aliados subalternos do império do Norte e seus interesses.
  
Dessa obviedade histórica não podem fugir. Resta-nos supor que as forças armadas ainda conservem – porque nem todos os generais estão ocupando sinecuras no governo – capacidade de reflexão e, antes que seja irremediavelmente tarde, revejam o papel que estão cumprindo, contra a história que pretendem representar, contra os interesses do país e de seu povo, contra a vida e a esperança. 
08
Ago19

GENERAIS DA ARGENTINA, CONDENADOS À PRISÃO PERPÉTUA

Talis Andrade

 

por Helio Fernandes

___

São 36, estavam presos, esperando a fixação da pena. Agora, sabem que é para o resto da vida. Ha 2 anos, num espetáculo em praça publica, com multidões aplaudindo, foram expulsos do Exercito. Continuam torturadores, não mais generais desonrando a farda.
 
Serão redistribuídos por 36 penitenciarias, juntos podem tentar alguma chance de libertação.
 
 
De qualquer  maneira, estarão melhores que os 2 mais importante chefes da ditadura de 1976 a 1983, general Videla e almirante Massera (foto).
 
Expulsos das unidades militares, condenados á perpetua, morreram em celas de 4 por 4, isolados, proibidos de receberem visitas. Videla resistiu 12 anos, Macera 9.
 
Final feliz tiveram os generais - torturadores do Brasil. Depois de 21 anos exercendo o Poder cruel e  assassino, em 1979, definiram o próprio destino com a farsa da "Anistia ampla, geral e irrestrita". Morreram em casa, sem qualquer acusação, perseguição, punição.
 
PS- Organizado, preparado, executado pelo general "presidente" Ernesto Geisel.
 
PS2- Os comandantes dos EUA, que financiaram, dirigiram e mantiveram o golpe no Brasil, Argentina e Chile, mais tarde denunciaram o "presidente" Geisel com documento terrível, oficial, publicado e arquivado.
 
PS3- Geisel recomendava "matar os adversários, mas com cautela".
 
PS4- o grande cineasta Costa-Gavras, fez 3 filmes notáveis sobre ditaduras. "O desaparecido", Chile. "Estado de Sitio, Brasil". "Z", denunciando os generais da Grécia. Rever qualquer desses filmes, consagração da Historia, mesmo pelo seu lado tenebroso.
 
13
Jul19

Um ministro “terrivelmente evangélico” a caminho do Supremo Tribunal Federal

Talis Andrade

Presidente Jair Bolsonaro assiste ao culto semanal da ‘bancada da bíblia’ na Câmara e reitera que, embora o Estado brasileiro seja laico, “nós somos cristãos”

michel banca evangelica bolsonaro.jpg

 

 
 
 
“Lucas, versículo 6.36: ‘Senhor, tem misericórdia de nós’”, lê em seu celular o ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) ao iniciar um discurso. “Muitos são chamados, poucos os escolhidos. Deus escolheu o mais improvável. Salvou-o de um atentado terrível”, proclama, antes de apresentar seu chefe, o presidente do Brasil: “Aqui está o eleito. Simples, alegre, humilde e sobretudo temente a Deus”. E o ultraconservador Jair Messias Bolsonaro – apresentado com seu nome completo – tomava a palavra nesta quarta-feira em um salão da Câmara dos Deputados durante um culto evangélico. O mandatário era o convidado estelar do serviço semanal realizado na Câmara por deputados e senadores da poderosa bancada evangélica. Nunca foram tantos – somam mais de uma centena, um em cada seis parlamentares - nem tiveram tanta influência na cúpula do poder.

 

Porque, entre aleluias, mãos erguidas e ritmos gospel seguidos com ardor, era um ato extremamente político.

“O Estado é laico, mas nós somos cristãos”, afirmou, como em outras ocasiões. Mas nesta quarta-feira, além disso, anunciou à paróquia que, dos dois juízes que pretende nomear para o Supremo Tribunal Federal, “um deles será terrivelmente evangélico”, pegando emprestado um termo cunhado pela “minha querida Damares”. A ministra Damares Alves é uma pastora e advogada que comanda a pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos, aquela do “azul para os meninos, rosa para as meninas”. Transcrevi trechos.

ykenga pastor evangelico.jpg

Para o jornalista Helio Fernandes, o pastor Silas Malafaia será o indicado. 

mariano ministro stf mala.jpg

 

11
Jul19

AS DENÚNCIAS DO INTERCEPT SÃO IRREFUTÁVEIS, INVIOLÁVEIS, IRREVOGÁVEIS

Talis Andrade

i intercept.jpg

 

por HELIO FERNANDES

 

A cada publicação do site, Moro fica moral, jurídica e politicamente,

com a única opção: escolhe ser cremado ou enterrado. (Não cito os

Procuradores, são apenas coadjuvantes). A comunidade espera

ansiosamente, gostando ou não gostando o que o site irá publicar. E

eles não falham e não demoram. Eu mesmo, me  assombro e me estarreço

com o tamanho, a exuberância, o volume, a profundidade e os detalhes

impressionantes de cada matéria publicada e não contestada a não ser

de forma capciosa, jogando a culpa em supostos hackers.

 

Meu depoimento irrefutável e insofismável. Tenho 98 anos de vida, 80

de jornalismo. Pelo menos 40 de ligação e convivência com fontes de

informação. Fui sempre considerado um jornalista bem informado. (Em

1963, fui preso e julgado pelo STF. Motivo: publiquei um documento

confidencial e sigiloso, que o general ministro da Guerra enviou para

12 generais. Como ele tinha foro privilegiado, fui para o STF. Ganhei

de 5 a 4, com voto de desempate do presidente, o bravo Ribeiro da

Costa).

 

Nesses 80 anos em que praticamente cresci e vivi em redações, não

conheço nem conheci nada parecido com o que o Intercept e o Glenn

estão publicando. Matérias quilométricas, com autenticidade

Indiscutível, fatos revelados e publicados, nos mínimos detalhes.

 

Não vou me alongar, basta que eu diga o seguinte: o Intercept é a

consagração do jornalismo. E o que o Gleenen tem publicado, é o auge e

o apogeu da independência, da dignidade e da moralidade do jornalismo.

vaza intercept.jpg

 

08
Jul19

HOJE, há 52 ANOS, morria o ex-"presidente" Castelo Branco

Talis Andrade

castelo.jpg

 

por HELIO FERNANDES

---

Este repórter era DESTERRADO para Fernando de Noronha.
Cassado, preso, desterrado, desarmado, escrevi um livro,
proibido pelos generais que tinham medo de um simples repórter.
Pelo menos leiam o prefacio,jamais publicado.

Foi o próprio repórter e autor que classificou o seu
desterro como a " violência do século no Brasil". Desde 1922, nenhum
cidadão era desterrado, a Constituição proibia.Todas as Constituições
de todas as épocas, proibiam o desterro, confinamento ou que
nome possa ter.

E é ainda o próprio autor, no capitulo em que analisa os artigos que
escreveu sobre a morte do "presidente" Castelo, que afirma:"Meus
artigos sobre o "presidente" não foram frios ou passionais. Foram
lúcidos e coerentes . Tendo escrito diariamente quando ele estava no
poder ditatorial, seria covardia ou omissão, não participar do ato
final.

Não pretendia constituir um ajuste de contas com o passado e sim uma
advertência ou alerta para o futuro. O "presidente" Castelo era um
homem publico,portanto sujeito ao julgamento implacável da Historia.E
que melhor que jornalistas para formarem o dossiê que ha de propiciar
ao futuro historiador, o material indispensável para esse julgamento?
Os mortos particulares podem e devem ser julgados no altar de cada
família. Mas os mortos da vida pública, esses não podem se subtrair ao
julgamento publico. Não se pertencem nem á sua família, caíram no
domínio publico.

Quando ingressaram na vida publica, não só admitiram o inicio do
julgamento sobre as suas realizações ou omissões, como implicitamente
aceitaram o resultado desse julgamento. E o julgamento de um homem
público, não começa com a sua morte. È anterior a ela, se inicia no
exato instante em que começa seu dialogo com a opinião publica.

A opinião contraria deste repórter sobre o "governo" Castelo
Branco,evidentemente não é uma sentença irrecorrível. Como também não
são os elogios que recebeu como ditador.

Elogios e restrições formam o acervo da Historia, que formarão seu
julgamento, esse sim, IRRECORRÍVEL.

 

05
Jul19

Moro, TRIPUDIADO pela oposição, defendido TIMIDAMENTE pela situação

Talis Andrade

pelicano moro descuido vaza.jpg

 

por HELIO FERNANDES

As perguntas foram contundentes, acachapantes, irrespondíveis. E ele
respondeu muito pouco, fugiu totalmente, em quase 8 horas.130
deputados estavam inscritos, só 29 fulminaram o ex-magistrado. Apenas
12 do governo ( desgoverno) fingiram estar a favor. Indispensável: Moro
cancelou o depoimento, afirmou ter uma viagem inadiável.

Realmente viajou. Para os EUA, só ficou lá 48 horas, voltou, remarcou
a ida á Câmara (CCJ). Esses fatos estranhos, junto com as incessantes
idas e ligações com os EUA, alimentaram mais do que sussurros de
bastidores. Três constatações inegáveis, irrefutáveis, irrevogáveis.

1- A lava-Jato foi um sucesso estrondoso, enquanto Moro foi apenas
magistrado. Competente e independente.

2-Tudo isso se modificou, quando o magistrado aceitou convite do
candidato Bolsonaro para jantar na sua casa, só os dois. Como em
qualquer encontro é preciso testemunha, levaram um dos filhos do
candidato, o senador. (Este confirmou tudo e o acordo, "ninguém falou
em ir para o Supremo". O acordo era mais amplo e fascinante). Como
vazou, Moro respondeu aleatoriamente:"Continuarei magistrado, não
farei carreira política". Fez. Dizem que Bolsonaro deve a vitoria ao
guro-ideologo, ao "bispo" Malafaia, ás redes sociais. Nada disso. Deve
a Moro, que eliminou o candidato que ganharia dele, o ex-presidente
Lula.

3- Ha mais de 1 ano os advogados de Lula foram á justiça, denunciando
a parcialidade de Moro, pedindo o seu afastamento do processo. O STF
está com Moro na pauta, julgando-o por PARCIALIDADE. Está programado
para 1 de agosto, quando acaba o recesso.

des moro nando_pelicano.jpg

 

PS- Existem fortes possibilidades dele ser CONDENADO.

PS2- Só que no STF, possibilidade, nada a ver com realidade
ou credibilidade.

12
Jun19

O País estremece com o escândalo da Lava Jato

Talis Andrade

ética vaza jato_lane.jpg

 

 

por Helio Fernandes

___

Enquanto o capitão não se decide e não entra em cena, 
vastíssima discussão sobre as consequencias. O pânico
é total, mas a satisfação não é menor. Contradição,
mas realidade. Existem os que vibram com a anulação
dos julgamentos da famosa operação. E os que se
apavoram com a formação de uma sempre incerta CPI.
A parcialidade dos julgamentos da Lava-Jato, foi 
levantada pelos advogados de Lula, ha mais de 1 ano.
E pediram o afastamento dele do julgamento do
ex-presidente. O que foi negado sumariamente.
Os fatos mostram que estavam cobertos de razão.
E Moro deu razão a eles,afirmando, "não tenho
conclusões e sim ILAÇÕES".
(Isso está claro nos RECEIOS manifestados por ele, 
revelados pelo Intercept. Enquanto apuro, analiso
e escrevo, na pauta da Segunda Turma do STF, está
o julgamento das possíveis "perseguições  e
injustiças" praticadas contra o ex-presidente).
Haja o que houver, nada mais será como antes.

Mas o capitão, para se preservar, pode diminuir
a pressão contra Moro. A ultima palavra é dele.
Por algum tempo. O país tem que esperar.

dino vaza jato.jpg

 

O PAÍS ESTREMECE COM O ESCÂNDALO DA LAVA JATO (2)

 

Dallagnol queria ser PGR, encontrou muitas 
resistências. Agora ficará feliz se mantiver
as regalias,os salários e os privilégios.
Depende do capitão.
Moro vem se desgastando desde que mudou para 
Brasília. Seu objetivo obvio, era ser
supostamente presidenciável, logo depois do
capitão. Jogou fora todo o futuro. Ficará feliz
em se manter como ministro até 2002. E depois,
se aposentar pelo tempo em que atuou como juiz.
Depende do capitão.
Bolsonaro chamou Moro para conversar ontem, 
terça. Imaginem onde foi o encontro? Nas
comemorações de uma das batalhas mais importantes
da estranha Guerra do Paraguai. Quando o general
brasileiro, incentivou suas tropas: "O Brasil
espera que cada um cumpra o seu dever".
Bolsonaro não cumpriu o dele, é bem verdade que 
não é general. Moro ficou ao lado dele, de vez
em quando o capitão sussurrava alguma coisa no
seu ouvido.
Depois "inocentou" Moro, está incondicionalmente 
com ele. Tem apoios fortíssimos nos órgãos de
comunicação, que propagam o silencio. E também a
omissão. O escândalo de Moro-Dallagnol ganhou
a repercussão mundial que merecia. Aqui não saiu
nada.
Mas o escândalo está longe de ter acabado. Ou 
sido soterrado. O espanto com o escândalo foi
muito grande. Eliminá-lo não depende do capitão

O JULGAMENTO QUE PODERIA FAVORECER LULA


A Segunda Turma do STF começou a examinar 
ontem, o HC coletivo que talvez beneficiasse
o ex-presidente. O relator, Lewandowski, votou
para que a questão fosse para o plenário. Vai.
Lula não ficou aborrecido ou revoltado, 
não estava muito interessado. Talvez pudesse
ganhar uns dias de liberdade.
Ele e seus advogados têm esperança no próprio
recurso: anulação da condenação. Apresentam
justificativas irrefutáveis. Ha mais de 1 ano
pediram o afastamento de Moro dos julgamentos
de Lula.
Alegação: PARCIALIDADE.
O STJ negou sem sequer debater a questão. Moro 
foi AUTOR na primeira condenação. CÚMPLICE
na segunda, no TRF-4. Denunciei a excrescência
na época.

ÚLTIMA NOTA
O ministro Marco Aurelio Mello prestou grande 
serviço á opinião pública. Comentando a matéria
altamente  jornalística do site "Intercept".
Sobre o então juiz, Sergio Moro.
Textual: "È inconcebível CONVERSA PRIVADA entre 
juiz e MP".
 
 

 

 
11
Jun19

HA MUITOS ANOS QUEREM ROUBAR A PETROBRÁS DO PATRIMÔNIO NACIONAL

Talis Andrade
 

dalcio petroleo shell .jpg

 



por Helio Fernandes
---


É a maior empresa do país, alvo das mais disparadas e
ilegítimas manobras para "conquistar" a sua propriedade.
FHC, que doou uma parte enorme de empresas através da
famigerada Comissão de Desestatização, não teve coragem de
colocá-la na lista.
Mas tentando desmoralizá-la e se explicar com os 
intermediários, fez proposta que não vingou: trocar o S
final por um Z, daria a impressão de ser outra empresa. É
típico da subserviência e do prazer pela ilegalidade, desse
personagem que desgovernou o Brasil, "80 anos em 8", como
escrevi e identifiquei com ele no poder.
Depois veio o famoso plano duplo. Enriquecer as empreiteiras e empobrecer a Petrobras. Com o ato e o fato que foi a 
maior exibição e montagem de corrupção acontecida no Brasil. Conseguiram a parte inicial do objetivo: roubaram quase 100 bilhões da empresa, (confissão oficial da então presidente) mas a Petrobras continuou impávida, altiva e altaneira,
como a maior empresa do país.
Só que agora, surpreendentemente, para os que pretendem 
ganhar fortunas com a empresa, "caiu do céu "maquiavélica
decisão, autenticando a impropriedade. Ou seja, o mais alto tribunal do país,(o STF) autorizou a Petrobras a VENDER AS
SUBSIDIARIAS sem consultar ninguém.
Em matéria de trapaça ninguém havia imaginado isso. Só que 
como eu escrevi assim que o julgamento acabou, é
indispensável a INTERPRETAÇÃO ou TRADUÇÃO do julgado. Vou
"cobrir" o assunto com a maior intensidade. Hoje quero fazer uma denuncia gravíssima.

rafael guerra do petroleo venezuela pre sal.jpg

 

1- A Petrobras está se movimentando para vender as 
subsidiarias.
2- E um grupo poderoso dentro da empresa, quer considerar o pré-sal como pertencendo a uma subsidiaria.
3- É a maior riqueza da Petrobras.
4- Tenho combatido os leilões da empresa, com preços muito 
abaixo do mercado.
5- Durante muitas administrações, tentavam se justificar: "O pré-sal é para sempre, temos que faturar".
6- Será revoltante se o pré-sal evaporar.
7-Merece manifestação pacifica de rua, como foi feito, (duas vezes) em protesto contra a deseducação.

Bolsonaro-Entregando-a- Petrobras.jpg

 

02
Mai19

MORO, DESGASTE E DESPRESTÍGIO TOTAL E IRRECUPERÁVEL

Talis Andrade

Bozo-e-Moro-2.jpg

 

por HELIO FERNANDES

 

O vice eleito, general Mourão, em uma de suas falas atribuladas e logo

comentadas, afirmou, "Moro foi convidado para ministro, ainda durante

a campanha presidencial". Rigorosamente verdadeiro, me fartei de

revelar isso. Acrescentei: "Moro foi fundamental na eleição do capitão,

excluindo Lula da campanha, com a dupla condenação".

 

Não sabendo se o capitão seria eleito, garantiu, "sou magistrado, não

quero fazer carreira política". Com o capitão obtendo o lugar no

Planalto, não resistiu, a tentação era muito grande. 2 ministérios e a

maior proximidade de se transportar também para o Planalto.Depois do

capitão era ele.

 

Mas errou, cedeu e concedeu tanto e tão subservientemente, que será um

milagre se mantiver os cargos, até que surja uma vaga no STF. Chora

por essa vaga, tem que esperar 1 ano e 9 meses. Bolsonaro, que garante

"intimidade com Deus", pede a Ele que abra a vaga antes.

 

Enquanto isso, o projeto anti-corrupção não sai do lugar na Câmara. E

a própria Câmara quer retirar o COAF da alçada do seu ministério. Moro

nem reage ou protesta, pelo menos protege e esconde, criminosos e

cúmplices, que já deveriam estar investigados e punidos.

Acontece que são mais poderosos do que ele.

 

caixa 2 moro duas caras .jpg

 

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