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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

03
Jun22

Em desespero, Bolsonaro pode baixar decreto de calamidade pública

Talis Andrade

 

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por Helena Chagas

O desespero com as pesquisas que apontam o crescimento da dianteira de Lula em relação a Jair Bolsonaro pode fazer o governo tomar uma das decisões mais estapafúrdias do mandato do capitão (e olha que são muitas): baixar um decreto de calamidade pública sem calamidade. O objetivo é usar esse mecanismo para gastar recursos fora do orçamento, emitindo créditos extraordinários para subsidiar os combustíveis e descumprir a regra do teto. Em tese, e sobretudo na mente dos articuladores do Planalto, essa medida teria o poder de frear os seguidos aumentos e deter o desgaste eleitoral de Bolsonaro - raciocínio duvidoso.

Mas o sonho é livre e cada um tem o direito de alimentar as esperanças que quiser. Só que não às custas do erário, driblando as regras eleitorais e jogando a conta para o futuro governo - que, sabe-se, dificilmente será de Bolsonaro. Não é errado tentar baixar, ou ao menos frear, preços de combustíveis que sacrificam a população. O problema é o uso de subterfúgios que encobrem a falta de coragem do governo de abordar o problema em sua raiz: a política de preços dolarizada da Petrobras.

A alquimia dos bolsonaristas da política e da economia - que brigam entre si e não acham solução - para tentar resolver essa questão com atalhos paliativos só resultou ate agora em bate-cabeças. Na Câmara, aprovou-se projeto tabelando o ICMS dos estados que poderá resultar na retirada de recursos para a educação - e essa descoberta pode inviabilizar a matéria no Senado.

Resta a desfaçatez de se decretar calamidade, um recursos para pandemias e guerras - como ocorreu em 2020 - com o propósito unicamente eleitoreiro. O suposto motivo seria a guerra da Ucrânia e o risco de escassez do diesel - que é uma possibilidade, mas absolutamente não ocorreu. Obviamente, a medida, que teria que ser aprovada pelo Congresso do Centrão, estaria sujeita a ser suspensa pelo TSE ou até pelo STF, diante da falta de base legal e da constatação de que tem motivação unicamente eleitoreira.

Uma correção: não se pode desconhecer calamidades brasileiras como a pobreza, a fome, a violência da polícia responsável pelas chacinas e outras. Mas essas estão aí há tempos e nunca inspiraram gestos não eleitoreiros desse governo. Na prática, a calamidade é eleitoral, e é só de Jair Bolsonaro.
 

ImageCharge do Zé Dassilva: Orçamento secreto | NSC Total

Charge do Zé Dassilva: secreto | NSC Total

Orçamento transparente | A Gazeta

Senador bolsonarista quer investigar Bolsolão, que teve até taxa de  fidelidade - CUT - Central Única dos Trabalhadores

Bolsonaro nega orçamento secreto, mas não descarta problema | Jornal Alto  Vale Online

Miséria é miséria em qualquer canto
Riquezas são diferentes
Índio, mulato, preto, branco
Miséria é miséria em qualquer canto
Riquezas são diferentes
Miséria é miséria em qualquer canto
Filhos, amigos, amantes, parentes
Riquezas são diferentes
Ninguém sabe falar esperanto
Miséria é miséria em qualquer canto
Todos sabem usar os dentes
Riquezas são diferentes
Miséria é miséria em qualquer canto
Riquezas são diferentes
A morte não causa mais espanto
Miséria é miséria em qualquer canto
Riquezas são diferentes
Miséria é miséria em qualquer canto
Fracos, doentes, aflitos, carentes
Riquezas são diferentes
O sol não causa mais espanto
Miséria é miséria em qualquer canto
Cores, raças, castas, crenças
Riquezas são diferenças
A morte não causa mais espanto
O sol não causa mais espanto
A morte não causa mais espanto
O sol não causa mais espanto
Miséria é miséria em qualquer canto
Riquezas são diferentes
Cores, raças, castas, crenças
Riquezas são diferenças
Õ Blésq Blom
Õ Blésq Blom
É na tela de cinema
É na tela de cinema
Õ Blésq Blom
Õ Blésq Blom
É na tela de cinema
É na tela de cinema
É noite de blackout
É noite de blackout
É noite de blackout
É noite de blackout

 

12
Mai22

Bolsonaro não conseguiu desmoralizar a urna eletrônica

Talis Andrade

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Por Helena Chagas /Jornalistas pela Democracia

Desde que foi eleito - e pelo atual sistema de votação -, Jair Bolsonaro vem se dedicando a denegrir a Justiça Eleitoral e desmoralizar a urna eletrônica, apontando supostas fraudes que nunca conseguiu comprovar. Como água mole em pedra dura tanto bate até que fura, em setembro do ano passado, a popularidade da urna chegou a níveis desconfortáveis, chegando a um percentual de desconfiança que batia perto dos 30%.

Ter um terço do eleitorado desconfiando da urna, com um presidente golpista questionando o voto eletrônico dia sim, outro também, alarmou o então presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, que encomendou duas campanhas publicitárias de valorização do voto e do sistema eletrônico. Cerca de seis meses depois, as pesquisas estão deixando claro que o brasileiro recuperou boa parte de sua confiança nas urnas - e talvez isso explique a nova investida de Bolsonaro contra elas, instrumentalizando os militares na linha de frente de seu combate tresloucado.

O levantamento Genial/Quaest divulgado nesta quarta mostra que o percentual dos que dizem não confiar nas urnas caiu para 22% - um número que não é pequeno, mas que coincide com parte do eleitorado bolsonarista e não chega a ameaçar a democracia. A soma dos que dizem "confiar  muito" e "confiar um pouco" na urna eletrônica cresceu de 70% para 75% (40% muito, 35% um pouco) de setembro para cá, pelo mesmo instituto, indicando uma recuperação de imagem.

Não sabemos ainda o que mais Bolsonaro e seus operadores verde-oliva vão aprontar contra a urna. Mas a cruzada bolsonarista contra as Cortes superiores do Judiciário - STF e TSE - não vem sendo aprovada pela maioria da população e pode resultar em perdas eleitorais. A mesma pesquisa aponta que 45% das pessoas consideram errado o perdão dado pelo presidente da República ao deputado Daniel Silveira, contra 30% que acharam certo.

Este último índice, não por acaso, coincide com o eleitorado de Bolsonaro - que, pelo que se vê, late, assusta e faz muito barulho, mas continua confinado na própria bolha.

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12
Abr22

Janot e Deltan devem R$ 2 mi ao MP. Haja vaquinha…

Talis Andrade

Vereadores aprovam reajuste das diárias . – Jornal A Malagueta14º e 15º salários: mordomia sem prazo para terminar

por Fernando Brito

- - -

Lauro Jardim anuncia em O Globo que o ex-procurador Geral da República, Rodrigo Janot, e o chefe da autodenomidada Lava Jato, Deltan Dallagnol, foram condenados pelo Tribunal de Contas da União, a devolverem cerca de R$ 2 milhões em diárias e passagens pagas indevidamente a integrantes da operação também autodenominada de Liga da Justiça.

A coisa funcionava assim: em lugar de lotados no Paraná, diversos procuradores, duante cinco anos, supostamente “viajavam” e “hospedavam-se” no Paraná, embora tivessem moradia – na maior parte do tempo também paga com o “auxílio-moradia” dado a procuradores, e recebiam em separado por isso, livres de Imposto de Renda. 

Os maiores gastos foram com Antonio Carlos Welter, que recebeu R$ 506 mil em diárias e R$ 186 mil em passagens;Carlos Fernando dos Santos Lima, que recebeu R$ 361 mil em diárias e R$ 88 mil em passagens; Diogo Castor de Mattos, com R$ 387 mil em diárias;Januário Paludo, com R$ 391 mil em diárias e R$ 87 mil em passagens; e Orlando Martello Junior, que recebeu R$ 461 mil em diárias e R$ 90 mil em passagens.

Esta decisão havia sido tomada, de forma singular, pelo relator do caso no TCU, Bruno Dantas e, agora, foi confirmada por unanimidade.

Ela pode tornar Dallagnol inelegível, pois a lei diz que magistrados e membros do Ministério Público que tenham pedido exoneração ou aposentadoria voluntária na pendência de processo administrativo disciplinar” estarão inelegíveis pelo prazo de oito anos, no caso de condenação.

A menos, claro, que Deltan recorra, outra vez, à “vaquinha ” que promoveu para alegadamente pagar a indenização por dano moral ao ex-presidente Lula, agora para indenizar a União pela farra de passagens e diárias que mandou pagar à sua turma.

Geuvar
@GeuvarGeuvar
Duvidêodó!
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Escreveu Helena Chagas: "Rápido no gatilho, o relator João Pedro Gebran mostrou estar ali para dar o troco nos que vêm limitando decisões da Lava Jato. Além de pedir o aumento da pena de Lula para 17 anos, recusou o pedido de anulação da sentença". 
Para Bolsonaro se eleger, Gebran foi favorável ao golpe eleitoral de 2018 de Lula apodrecer na cadeia.

 

Pode ser um desenho animado de uma ou mais pessoas e textoOs três juízes do TRF4: nada viram, nada leram e nada sabem - Brasil 247
O DE me ensinou o que é Limited hangout! Quem mais tá sentindo saudades, daquele branquelo azedo, aí?
 
03
Abr22

Moro pode ser candidato a deputado estadual, jamais à Presidência, diz União Brasil

Talis Andrade

 

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Sergio Moro é apontado por lideranças do Phodemos como traidor. Tem dois domicílios eleitorais? 

 

Redação 247 Brasil

- - -

O União Brasil combinou com ex-juiz Sergio Moro, julgado parcial e suspeito e incompetente pelo STF: poderá ser candidato até a deputado estadual em São Paulo, mas jamais a presidente.

A decisão foi publicada depois de um encontro do ex-juiz com a senadora Simone Tebet, cotada para ser candidata a presidente pelo MDB.Image

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Sergio Moro foi praticamente expulso do Phodemos, porque articulou sair candidato a senador pelo Paraná, onde reside, no lugar do seu principal protetor senador Álvaro Dias, que tenta a reeleição. 

Sergio Moro candidato a deputado estadual em São Paulo será uma enganação. Uma empulhação. Uma burla. Para ser candidato necessita apresentar ao Tribunal Regional Eleitoral documento falso de residência. De residente no Estado de São Paulo. Talvez algum recibo de salário da Alvarez & Marsal, empresa dos Estados Unidos que faturou e fatura rios de dinheiro com as empresas quebradas pela Lava Jato, braço dos serviços de inteligência e espionagem do Tio Sam. Ou recibo de moradia em hotel ou condomínio de luxo em São Paulo capital.  

Escreve Bruna Oliveira: De acordo com o artigo 304 do CP, constitui delito o fato de “fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem os artigos 297 a 302” do CP (falsificação de documento público, falsificação de documento particular, falsidade ideológica, falso reconhecimento de firma ou letra, falsidade ideológica de certidão ou atestado, falsidade material de atestado ou certidão e falsidade de atestado médico). O objeto da tutela penal é a fé pública, proibindo o tipo penal o uso de documentação falsa.

No documentário, que prova o enriquecimento de Moro, o jornalista Joaquim de Carvalho mostra a rica e luxuosa moradia, em Curitiba, do ex-chefe da autodenominada Liga da Justiça do Paraná. A escandalosa demonstração de riqueza de um juiz federal, considerado suspeito, incompetente e parcial pelo Supremo Tribunal Federal - STF, e ladrão, pela imprensa livre e adversários políticos.

Sergio Moro é apontado por lideranças do Phodemos como traidor. Depois de ser recebido como pré-candidato a presidente e ter usado verba pública para se promover, Moro assinou na quinta-feira, 31/03, ficha de filiação ao União Brasil.Sergio Moro assina filiação ao partido União Brasil em evento em São Paulo ao lado do vice-presidente do partido, Junior Bozzella — Foto: Reprodução/GloboNews

Em nota publicada nas redes sociais pouco depois, Moro declarou que abriu mão da candidatura à presidência ao mudar de sigla.

"Para ingressar no novo partido, abro mão, nesse momento, da pré-candidatura presidencial e serei um soldado da democracia para recuperar o sonho de um Brasil melhor", disse Moro, em nota oficial.
 

No comunicado, Moro declarou ainda que a mudança de partido ocorre para "facilitar as negociações das forças políticas de centro democráticoem busca de uma candidatura presidencial única".Segundo o deputado e vice-presidente do União Brasil, Junior Bozzella (foto), Moro mudou o domicílio eleitoral para São Paulo e se colocou à disposição do partido, que vai definir o “lugar pertinente onde ele possa se encaixar”.

“Ele estava habilitado a concorrer a diversos cargos, trouxe o domicílio eleitoral pra São Paulo. Ele vem pra somar, tem 10% nas pesquisas”, disse Bozzella.

 

 

08
Mar22

Moro vira pó junto com Nova Política

Talis Andrade

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por Helena Chagas /Jornalistas pela Democracia

A expressão "deu com os burros n'água" trai a idade da gente, mas não consigo pensar em outra melhor para definir o que aconteceu com aquela turminha da "nova política" que se vendia a peso de ouro em 2018. Virou pó. Simbolizando essa decadência, estão aí os episódios envolvendo os deputados Arthur do Val, flagrado em afirmações sexistas que até Bolsonaro considerou asquerosas, e Kim Kataguiri, que foi parar numa polêmica em torno do neonazismo.

Mamãe Falei e Kataguiri são apenas sintomas de um processo mais profundo de esvaziamento do MBL, movimento de direita que lançou essa turma e hoje não representa mais do que uma fatia muito pequena da sociedade. A eleição de Bolsonaro, seus desmandos, a situação do país e, sobretudo, os fatos revelados pela Vaza Jato - mostrando o lado político oculto da Lava Jato e reabilitando o ex-presidente Lula - mostraram que, acima de tudo, a "nova política" não existe.

Politicamente, o maior prejuízo da coincidência desastrosa que expôs Kataguiri e Mamãe Falei vai para a candidatura do ex-juiz Sergio Moro. O candidato do Podemos já não ia bem das pernas, isolado no Podemos, que não conseguiu atrair nenhum outro partido para fazer federação ou se coligar.   A única aliança obtida até hoje era, justamente, com o  MBL - e agora não vale mais um tostão furado.

Sem apoios externos e sem palanques - Mamãe Falei tirou mais um neste fim de semana, em SP - deve se intensificar o processo de corrosão política da candidatura Moro. Dentro do Podemos, é grande a pressão para que Moro seja abandonado na beira da estrada, ou seja, que o partido desista de ter candidato e use todo o rico dinheirinho do fundo eleitoral nas campanhas para os legislativos. A sete meses da eleição, as apostas no mundo político são de que Sergio Moro vai acabar deputado federal.ImageFabio Souza Petista🚩

@fdesouzaalves

Depois de 4 anos será que o Estado de São Paulo vai aprender votar com o cérebro???? Meu Deus que vergonha morar num estado onde essa cambada louca tem mandato.🤮Image

Chumbinho 🇧🇷 🇨🇺🚩🇮🇹🇹🇷
@Chumbinho69·
Povo não perdoa...kkkkkkkkImage
Humor Político
@HumorPoliticobr
10
Fev22

Bolsonaro está armando milícias eleitorais

Talis Andrade

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Por Helena Chagas /Jornalistas pela Democracia

O projeto de lei que os bolsonaristas estão pressionando para aprovar no Senado permitindo aos colecionadores de armas portá-las nas ruas - memo que sejam escopetas - e a medida provisória anunciada pelo ministro da Justiça para dar anistia aos proprietários de armas ilegais não se destinam apenas a dar mais um agrado ao eleitorado brucutu de Jair Bolsonaro. Fazem parte de uma estratégia maior do presidente da República para tumultuar as eleições de 2 de outubro.

O próprio Bolsonaro, fazendo pela enésima vez algo que um chefe da nação nunca deveria fazer, foi a um stand de tiro no último fim de semana para espalhar imagens em que portava uma arma e atirava - seu desempenho não foi tão eficiente assim, mas o exemplo nefasto chegou aonde ele queria. Ainda fez o assunto render respondendo a um internauta que notou sua fraca performance dizendo que o acertaria fácil porque é "gordinho".

Bolsonaro sempre defendeu e agiu revoltantemente a favor do armamento da população. A violência aumentou a olhos vistos, multiplicando os assassinatos por armas de fogo, as mortes por balas perdidas, episódios lamentáveis como o do sujeito que acordou, atirou e matou um vizinho em seu portão porque o confundiu com um ladrão. Só isso já torna criminosa a atitude do governo que estimulou o armamento.

Mas vem coisa pior. Vai ficando claro, há tempos, que Jair Bolsonaro, forte candidato à derrota na reeleição, terá o tumulto como estratégia. Na campanha, no dia da eleição, no dia seguinte, recusando-se a reconhecer os resultados. Percebeu, porém, que não terá as instituições a seu lado.

As Forças Armadas, embora não gostem de Lula, vêm dando seguidos sinais de apoio à legalidade democrática.  O Judiciário, STF à frente, também vem dizendo repetidamente que não aceita golpes.

O TSE chamou um ex-ministro da Defesa, Fernando Azevedo, para dirigir os trabalhos, com a autoridade e a liderança de alguém que poderá acionar os militares para garantir a lei e a ordem na eleição. Os políticos aliados do Centrão também não vão entrar na reação golpista - até porque, pelo que se conhece de sua natureza, muitos já terão pulado para o barco de Lula a essa altura.  

Diante desse isolamento, Bolsonaro está tentando formar sua própria milícia armada. Não se contenta apenas com as milícias digitais que o ajudaram a vencer em 2018 com todo o tipo de trapaça e fake news. Quer ter seu próprio exército na rua, agredindo, ameaçando e tumultuando, na tentativa de provocar uma convulsão social  que sirva de pretexto a medidas de força.

A lógica indica que não passará. Mas as instituições precisam se antecipar e coibir medidas e projetos que Bolsonaro tenta, à luz do dia, empurrar goela abaixo da sociedade.

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A Beatrix von Storch de Porto Alegre

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01
Fev22

A meta-narrativa da candidatura Moro – de herói a vilão

Talis Andrade

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por Helena Chagas

- - -

Na Análise Crítica da Narrativa, um dispositivo teórico-metodológico bastante usado nas pesquisas em comunicação e linguística, as narrativas (ou “estórias”) são estudadas em três planos: o da expressão, que trata basicamente da linguagem, suas figuras e recursos; o plano da história, que busca desvendar os jogos de poder e a dinâmica social por trás do enredo; e o plano da meta-narrativa, aquele que evoca no leitor-espectador o simbólico, o imaginário cultural, as fábulas que evocam valores éticos e morais. Foi nesse último plano que o ex-juiz Sergio Moro sempre buscou transitar e construir sua persona política.

Com a ajuda da mídia, das instituições e de outros setores, construiu e cultivou por um bom tempo uma imagem de herói. Ela começou a sofrer danos com a eclosão da Vaza Jato, em junho de 2019, e ruiu de vez quando o STF, dois anos depois, considerou Moro um juiz parcial e anulou todas as suas decisões no caso Lula. A essa altura, ele já havia completado a metamorfose, transformando-se de vez em político, passara pelo Ministério da Justiça de Jair Bolsonaro, do qual saiu atirando e com o propósito claro de rachar a direita bolsonarista.

Segundo as pesquisas, o ex-juiz não era mais, para a maioria da população, o “herói” da Lava Jato. Mas ainda conservava para alguns os predicados de um combatente da corrupção – que não é mais considerada o maior problema do país mas sensibiliza setores da classe média e de maior escolaridade. Essa fase foi até o início da pré-campanha eleitoral, na qual – sabe-se lá por que – resolveu mergulhar. Na ocasião em que se filiou ao Podemos, Sergio Moro podia não ser mais aquele grande herói no enredo colocado, mas nem por isso era o vilão. Ainda.

A ambição presidencial poderá levar o ex-juiz da Lava Jato a mudar mais uma vez de papel, expondo atos controversos e suspeitos a ele atribuídos nesse roteiro. Com tantos escritórios no Brasil e nos Estados Unidos, ele tinha logo que ir trabalhar para a Alvarez & Marsal, aquela empresa contratada para trabalhar na administração da recuperação judicial da Odebrecht e de outras empreiteiras condenadas pelo próprio Moro na Lava Jato?

Por mais que tente explicar, com datas e documentos sobre CNPJs separados da empresa, Moro já caiu aí. Antes de tudo, pela obviedade da questão ética – que já o deixa em situação para lá de desconfortável numa campanha. Vai ficar difícil convencer o público de que, como se diz à boca pequena, ele não estava ali para servir, com sua presença, como uma espécie de “garantia” da A & M a clientes para investirem em negócios envolvendo ativos dessas empreiteiras.

O papel do vilão, porém, pode ficar mais convincente ainda no enredo após o ato mais recente: a revelação de Sergio Moro de que recebeu R$ 3,5 milhões da Álvares & Marsal no ano em que trabalhou lá. É algo equivalente a um salário de R$ 300 mil mensais, num país em que o salário mínimo mal ultrapassa os R$ 1.100,00 – isso quando o sujeito tem emprego de carteira assinada.

A narrativa das campanhas eleitorais não é escrita apenas pelos que tentam se fantasiar de herói. Seus adversários, apontando contradições e fragilidades, costumam atacar com armas que ferem de morte as biografias dos incautos. E quem escreve o gran finale, o eleitor, vem mostrando por enquanto, pelas pesquisas, que não está mais disposto a engolir enredos fakes como o de 2018. Como disse alguém muito conhecido na semana passada, nessa novela os heróis estão se transformando em bandidos e os bandidos em heróis...

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10
Jan22

Por que raios Lula precisa de um 'guru' na economia?

Talis Andrade

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por Helena Chagas

Por que raios um sujeito que já governou o Brasil por dois mandatos, e saiu do segundo com mais de 80% de aprovação, elegendo a sucessora, precisa de um "guru" na economia? A lógica indica que essa pessoa - que, além disso tudo, emergiu de 580 dias de cadeia para a liderança nas pesquisas - não precisa de gurus. Ou melhor, quem está mais para guru é  ele mesmo, ao menos mais do que para seguidor.

A pressão de alguns setores, sobretudo da mídia, para que Lula revele logo o nome de seu futuro superministro da Economia - mais provavelmente, da Fazenda - só mostra que estão usando as ferramentas erradas para analisar as eleições de 2022, em tudo diferentes das de 2018, 2024, 2010, 2006 e, sobretudo, 2002, quando Lula se elegeu pela primeira vez.   

Não temos mais no cenário, liderando as pesquisas, um desconhecido que precisa se explicar, ou apresentar cartas para acalmar o mercado e as elites, garantindo que não vai chutar o pau da barraca fiscal e nem dar calote na dívida. Isso ele já mostrou, na prática, que não faz - como não o fez em oito anos de governo, durante os quais o empresariado e o mercado passaram muito bem, obrigado.

Por razões políticas, não interessa a Lula, a nove meses da eleição, dar detalhes - que, ao que parece ainda nem tem - de seu programa de governo. Tem deixado claro que a embocadura será o social, que aposta no papel do investimento público para gerar emprego e crescimento, que vai revogar medidas liberais que, claramente, foram tomadas na hora errada - como o teto de gastos e a reforma trabalhista.

Tem, a seu favor, mudanças de foco que se verificam em outros países, como a Espanha, com sua iniciativa de mudar as regras trabalhistas, e até os Estados Unidos de Joe Biden, com seu inédito investimento de recursos públicos no bem estar da população. Mas daí a achar que Lula vai enveredar pela irresponsabilidade fiscal vai um longo caminho.

É só ouvir o que tem dito o próprio em todas as ocasiões em lembra os ensinamentos da mãe, D. Lindu, que todo mês controlava o orçamento familiar para não deixar ninguém gastar mais do que podia. Lula no governo foi assim e assim será, porque o pragmatismo está em sua essência. 

Não existem dois Lulas nesta eleição - um Dr. Jeckill obediente às regras fiscais e um Mr. Hide radical de esquerda que vai tocar fogo no circo. Trata-se do mesmo sujeito que governou o país de 2003 a 2010, e distribuiu renda e melhorou a vida de milhões de brasileiros ao mesmo tempo em que obtinha superávits e acumulava  alto nível de reservas.

A narrativa montada por setores do mercado e da mídia de que é preciso cautela com o petista e ver, antes de tudo,  "qual Lula" assumirá em 2023 se vencer a eleição, é uma grossa mistificação. Uma tentativa de resgatar fantasmas e medos do passado para tentar tumultuar um novo cenário, quem sabe com o objetivo de ajudar personagens que, esses sim, representam a incerteza total, e não apenas em questões relacionadas à economia, mas à própria democracia.

Quem tem que se explicar, e botar de pé um programa de governo, é, por exemplo, Sergio Moro - que, até agora, muito acenou para as elites conservadoras repetindo clichês como "reformas"e etc, mas que não apresentou uma só proposta coerente com começo, meio e fim.

Charges | Brasil 247

21
Dez21

Nossas crianças merecem vacina e democracia

Talis Andrade

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"Em qualquer tribunal de direitos humanos, o que o governo brasileiro está fazendo seria julgado crime"

 

por Helena Chagas

- - -

O Brasil registrou mais de 3.000 mortes de crianças e adolescentes por Covid. Entre as que não morreram, muitas tiveram sequelas, algumas graves e debilitantes. Não é preciso fazer pesquisa para saber que o sonho de cada mãe e avó (já vacinadas) no Brasil hoje é dar imunidade a seus filhos e netos entre cinco e 11 anos. Boa parte delas, entre as quais me incluo, trocaria de bom grado sua imunização pela delas.

Mas Bolsonaro-Herodes não quer vaciná-las - pior que isso, ao criar obstáculos e impedimentos através de seu Ministério da Saúde, não quer dar a suas famílias o direito de decidir se vacina ou não. Em qualquer tribunal de direitos humanos, o que o governo brasileiro está fazendo seria julgado crime.

Esse crime está sendo acompanhado de outros, entre os quais as ameaças e intimidações aos dirigentes da Anvisa que aprovaram a vacinação infantil. O que nos leva novamente à perplexidade: em qual país do mundo ouviu-se falar de funcionários públicos que pediram proteção e garantias de vida à Polícia de Estado contra seu próprio presidente da República?

Parece piada: o pessoal da Anvisa, sem ter a quem mais se queixar, está pedindo proteção à PF controlada por Bolsonaro, que dificilmente vai prender os bolsominions responsáveis pelas ameaças. Se o Supremo Tribunal Federal, que na era Bolsonaro começou a ter inevitáveis funções executivas de governo, não entrar de sola no caso, nada feito. Não teremos vacina infantil e nem proteção para os dirigentes da Anvisa, que mostraram coragem e dedicação a suas funções

Acima de tudo, o episódio nos assusta pela simples constatação de que nós, brasileiros, estamos absolutamente desprotegidos contra os desmandos do Estado, representado hoje por um governante que dispensa adjetivos. É um sentimento que as novas gerações não conhecem - e que nós, as mais antigas, não gostaríamos de recordar.

O episódio Anvisa, e todas as perseguições que o governo Bolsonaro vem promovendo contra os que cumprem seu dever como servidores do Estado, trazem lembrança de outras perseguições e do medo infundido aos cidadãos de bem nos tempos da ditadura militar. A pior sensação talvez seja a de impotência e a de não ter a quem recorrer. Resta à turma da Anvisa se queixar ao bispo - ou à Polícia Federal do Paraguai, quem sabe.

Fica a lição para quem ainda pensa em apoiar a reeleição desse estado de coisas. Nossas crianças merecem vacina e democracia.

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21
Dez21

Bolsonaro comanda máquina mortífera no Palácio do Planalto, diz Cristina Serra

Talis Andrade

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Helena Chagas: "Bolsonaro age como Herodes"  (vídeo) 

 

247 – "Enquanto políticos, juristas e analistas em geral discutem se o que Bolsonaro comanda é genocídio, extermínio, mortandade ou carnificina, o criminoso ri da discussão semântica, dobra a aposta e ataca outra vez. Agora, nega vacinas para crianças. O massacre de 620 mil brasileiros nos cemitérios não basta. O vírus pede mais sangue, e Bolsonaro se dispõe a despachar a encomenda", escreve a jornalista Cristina Serra, em sua coluna na Folha de S. Paulo.

"No costumeiro estilo miliciano, ele expande a truculência e parte para cima da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que autorizou a imunização para crianças entre 5 e 11 anos. Até pouco tempo atrás parceiro do delinquente em protesto negacionista e, hoje, ao que parece, distanciado do Planalto, o diretor-presidente da Anvisa, Barra Torres, pediu proteção policial para servidores e diretores da agência, tamanha a gravidade das ameaças. Não é só a Anvisa que recomenda a imunização para os pequenos. A OMS, países da União Europeia, Estados Unidos e vizinhos aqui na América Latina fazem o mesmo. Mas o Ministério da Saúde é comandado pelo sabujo Marcelo Queiroga, que diz precisar de mais tempo para estudar o assunto e que só irá decidir em janeiro, depois de uma consulta popular. Daqui a pouco vai dizer que a vacinação precisa ser decidida em plebiscito", escreve ainda a jornalista.

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  76. O
  77. N
  78. D
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