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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

25
Set22

O medo (por Gustavo Krause)

Talis Andrade

O eleitor vai se contrapor ao medo, instrumento de controle da liberdade

 
 
por Gustavo Krause
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“Viver é negócio muito perigoso…[…] O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria. Aperta e daí, afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”. Guimarães Rosa falava, fluentemente, alemão, francês, inglês, espanhol, italiano e esperanto. Lia sueco, holandês, latim e grego, bem que podia escolher qualquer idioma para escrever. Brasileiramente, escolheu a língua-mãe, o português, mas foi o autor de uma revolução linguística.
 

Criou quase uma dezena de milhar de neologismos e, segundo os estudiosos, 30% do léxico de Rosa não está dicionarizado. A primeira leitura de “Grandes Sertões: veredas” exige esforço na busca dos significados, depois, o leitor viaja do regional para universal, uma fusão de sentimentos, de sabedoria com gosto de carne seca e rapadura para os da banda de cá.

O que mais me sensibilizou foi a reflexão existencial que propõe coragem para enfrentar o vaivém da vida. É exatamente esta virtude de que necessitamos no processo político-eleitoral para sair de casa e exercer o poder-dever do voto.

O que deveria ser um ato praticado, em clima de paz e esperança que ratifica a democracia e fortalece o plebiscito cotidiano que forja a nação, transformou-se num ambiente de insegurança e de medo, decorrente do aprofundamento da radicalização, sobretudo, da violência política que permeia a sociedade brasileira.

O processo vem se agravando, mundo afora, e foi objeto da obra magistral de Manuel Castells “Redes de indignação e esperança na era da Internet” que analisa em profundidade as manifestações ocorridas com um posfácio dedicado ao Brasil de 2013.

A voz das ruas deixou uma clara e contundente mensagem: “vocês não nos representam”: grave abalo nas democracias liberais por conta da descrença e do ressentimento em relação ao estabilishment.

Resultado: as líderanças populistas e autocráticas encontraram o ambiente fértil para as mensagens messiânicas.

No Brasil, o Presidente surfou na onda, desafiou instituições, desrespeitou pessoas. Sua contraparte, Lula, reaparece com promessas de paz e amor: “um museu de grandes novidades”(crédito para Cazuza em “O tempo não para”).

Nós vamos ofertar à democracia o que ela quer de nós: coragem cívica. Em troca, a democracia vai, como escreveu Guimarães Rosa, “desinquietar” os exaltados, garantir liberdade, direitos fundamentais e paz social.

O eleitor terá a palavra final. E vai contrapor ao medo, instrumento de controle da liberdade, a virtude da coragem que se mantém entre dois abismos: a covardia e a temeridade.

20
Set22

A Rainha republicana

Talis Andrade

Multidões se reúnem no Horse Guards Parade antes da procissão cerimonial do caixão da rainha Elizabeth II do Palácio de Buckingham ao Westminster Hall

 

por Gustavo Krause

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A Rainha Elisabeth II recebeu justas homenagens ao assumir a imortalidade conquistada por longo e virtuoso reinado composto pelos países da Commonwealth, quinze dos quais como chefe de Estado.

Adjetivar a Monarca como republicana soa como uma contradição em termos. Porém, breve incursão na Teoria das Formas de Governo demonstra que o atributo se aplica perfeitamente à Majestade britânica.

Tomando-se como ponto de partida a célebre discussão entre os persas Otanes, Megabises e Dario, imaginada pelo historiador Heródoto (século V a.C), passando pela A República (Politeia) de Platão (427-347 a.C,), pela teoria clássica das seis formas de governo de Aristóteles (384-322 a.C) em Política, chega-se à classificação de Maquiavel (1469-1527).

O gênio criador do filósofo florentino introduziu a palavra “Estado” para indicar que os gregos chamavam de polis e os romanos, res publica, ao afirmar categoricamente: “Todos os Estados que existem e já existiram são e foram sempre repúblicas ou monarquias (principados)”.

O romano Cícero (106-43 a.C), em obra clássica, adotou como equivalente à Politeia, a Res Publica, conceito que separava a “coisa pública” da “coisa privada”. Ao longo da história, o conceito de República incorporou como fundamentos o método democrático de escolha dos governantes em oposição à forma monárquica em que o poder, exercido de forma absoluta, era bem de família ou “direito divino” dos reis.

Lord Acton (1834-1902) imortalizou a frase: “O poder tende a corromper e o poder absoluto corrompe absolutamente, de modo que os grandes homens são quase sempre homens maus”. A realidade ratifica a sábia reflexão.

O desafio histórico é democratizar o acesso e assegurar a alternância pacífica do poder, garantir a liberdade e a igualdade de todos perante a lei.

Para tanto, a virtude cívica, em falta no Brasil, é o fundamento da República que, segundo Montesquieu, (1689-1755) “é o amor que, exigindo a preferência contínua do interesse público, em oposição ao privado, produz todas as virtudes particulares, as quais não são mais do que essa preferência”.

Na renúncia a si mesma a Monarca se fundiu com o ideal republicano. Não foi maior nem menor do que as instituições porque compreendeu a síntese entre tradição e modernidade e o equilíbrio do poder simbólico frente ao poder real do sistema parlamentarista.

Elisabeth II herdou o trono, mas reinou com o consentimento da população. A tarefa do Rei Charles III é construir o consenso, para assegurar longevidade à Monarquia.

 
11
Set22

A outra independência

Talis Andrade

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Os tempos são sombrios, mas o futuro é uma questão em aberto que depende das nossas escolhas

por Gustavo Krause

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O Bicentenário da Independência do Brasil inspirou o lançamento e relançamento de obras sobre o evento histórico. Atento ao curto espaço, dediquei algumas reflexões ao livro Adeus Senhor Portugal (Ed. Companhia das Letras) de Rafael Cariello e Thales Zamberlan Pereira e ao relançamento de A outra Independência: O Federalismo Pernambucano de 1817 a 1824 (Todavia) de Evaldo Cabral de Mello.

Ambos se distanciam da historiografia clássica marcada pela visão riocêntrica e centralista. Cariello e Zaberman enfatizam a crise fiscal que mobilizou a nascente “cultura política”, arejada pelas ideias iluministas e pela agonia do absolutismo.

De um lado, gastos extravagantes, uma burocracia parasitária e a corrupção emergente (relatório de Cailhé de Geine para o Intendente Paulo Fernandes), provocavam “ódio” e “cega prevenção” na opinião pública; de outra parte, as províncias do norte, notadamente Pernambuco, financiavam o déficit fiscal do erário e a iluminação do Rio de Janeiro, extorquindo impostos sobre a produção algodoeira.

Com precisão, os autores descrevem o cenário que precedem revoluções liberais: “gastos do governo, déficits crescentes, empréstimos do erário ao Banco do Brasil, emissão descontrolada de papel-moeda, inflação, aumento dos preços e serviços – aluguéis e alimentos – perda de poder de compra das famílias e falta de pagamento por parte do governo”.

Sobre a obra de Evaldo Cabral de Mello, a prefaciadora, Heloísa Starling, afirma: “A Outra Independência é um livro fundador: revela a existência, entre 1817 e 1825, uma alternativa concreta ao processo de emancipação como empresado no Rio de Janeiro”.

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O autor identifica esta alternativa no “ciclo revolucionário da independência” que continha um projeto de País: emancipado, republicano e autonomista. É injusta a pecha separatista imputada a Pernambuco. O ideal de autonomia preconizava a ampliação do poder local, opondo-se à matriz centralizadora e autoritária consagrada na constituição outorgada pelo Imperador: déspota no Brasil e liberal em Portugal.

As lutas libertárias de 1817 e 1824 – a “Revolução dos Padres” e a Confederação do Equador – foram severamente reprimidas, porém, imortalizadas em Frei Caneca. Além do sangue derramado, o território pernambucano foi esquartejado com a perda das comarcas de Alagoas e do São Francisco.

O baiano Cipriano Barata, notável defensor da liberdade, observou: “É certamente Pernambuco a província […] mais ciosa de sua liberdade e por isso a mais abundante de sucessos políticos e a mais capaz de servir de farol ao espírito público do Brasil inteiro”.

No presente, os tempos são sombrios, mas o futuro é uma questão em aberto que depende das nossas escolhas.

04
Set22

Nem tudo que reluz é ouro

Talis Andrade

Gustavo Krause e a Amazônia | João Alberto Blog

 

por Gustavo Krause

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Em política, o que parece é mesmo não sendo e as versões superam os fatos. Na disputa eleitoral, os candidatos são treinados, maquiados, para ajustar o discurso político às expectativas do eleitorado. Vale tudo na batalha de percepção. É preciso cautela: o brilho pode não ser ouro 18.

O show midiático não chega a ser um baile de máscara, um festival de mentiras, mas é o espaço onde a aparência vale mais do que a essência dos competidores.

No entanto, não custa alinhar conceitos, princípios e, até mesmo, virtuosos conselhos sobre a conquista e a manutenção do poder.

Unir na mesma cabeça sabedoria e poder é o ideal platônico. O afamado, incompreendido e difamado, Maquiavel (1469-1527) advertia: “O Príncipe deve aconselhar-se, mas quando ele próprio e não outrem, o julgue conveniente […] Daí se conclui que bons conselhos nascem da sabedoria do Príncipe, e não que a sabedoria nasça dos bons conselhos”.

No Testamento Político, o notável iluminista Maurício de Nassau (1604-1679) nos legou um atualíssimo preceito: “Devem Vossas Senhorias abster-se de lançar novos impostos, pois tributos geram indisposições no povo”.

O Cardeal Mazzarino (1602-1661), Primeiro-Ministro da França, sucessor do Cardeal Richelieu, em 1643, escreveu no Breviário dos Políticos 15 axiomas, entre eles, “O centro vale mais que os extremos” e cinco regras: “1. Simula. 2. Dissimula. 3. Não confies em ninguém. 4. Fala bem de todo mundo. 5. Prevê antes de agir”.

Apesar do tempo histórico, as reflexões permanecem válidas. Neste sentido nada mais justo do que mencionar trechos atualíssimos das duas cartas do estadista Pedro II para a filha Isabel, regente, de março de 1876 a setembro de 1877, por conta da viagem do Imperador aos EUA, Canadá e Europa.

Eis os “conselhos”: “Sem educação generalizada nunca haverá boas eleições […] Escuso observar que as estradas são o mais importante melhoramento material […] Veja se as obras existentes não param, ainda que não possam ir todas depressa, conforme permitam os recursos do Tesouro […] A magistratura vem provocando bastante queixas. Muito escrúpulo na primeira escolha […] Todos os negócios importantes não devem ser resolvidos, sem serem primeiro examinados, em conferência dos ministros, e depois em despacho com o imperador […] Reprovo a despesa que se faça por conta do ministério com a imprensa […] Os ataques ao imperador não devem ser considerados pessoais, mas apenas manejo ou desabafo partidário”.

No Brasil, a eleição caminha entre um presente angustiante e um “museu de grandes novidades”.

 
 
28
Ago22

O eleitor e o militante (por Gustavo krause)

Talis Andrade

O desejo, a conjuntura e a luta de classes – Blog da Boitempo

 

O militante é perigoso: propaga a intolerância e o fanatismo. Porém, o eleitor, crítico e vigilante, tem apoiado o regime democrático

 

O indivíduo para chegar ao status de cidadão eleitor percorreu longo e sofrido caminho. Dominado pelo poder, foi súdito, vassalo, servo, escravo, mercadoria até que revoluções libertárias e avanços civilizatórios transformaram seres oprimidos em pessoas que, em tese, passaram a ter o poder ou o poder-dever de eleger seus representantes nos governos democráticos.

Não está em discussão o nível ou a qualidade dos regimes representativos. Em tese, a passagem de súdito para a condição de cidadão assegurou a participação e proteção das pessoas quanto aos abusos do poder. O eleitor passou a ter um valor real no jogo da política.

No entanto, a cada eleição, o cidadão, liberto da servidão, passou a ser objeto do desejo e do crescente assédio dos competidores. O ambiente eleitoral virou uma arena em que o diálogo deu lugar à estridência das acusações, desaforos e ao mais poderoso dos argumentos que vem, literalmente, dos fundos.

Em todo embate político ou luta por causas, aparecem os militantes que assumem um destacado papel. Todo militante é chato. A chatice do militante é barulhenta, agressiva e onipresente. Qualquer que seja o sufixo ismo que defina doutrinas, o militante encarna a verdade absoluta e o ideal da perfeição. É insuportável.

Quem leu “O Tratado Geral dos Chatos” (Guilherme de Figueiredo, Ed. Civilização Brasileira, 1963), chega à conclusão de que todo ser humano tem uma propensão natural a ser chato. O alcance e o sabor da obra devia ser um capítulo da teoria de Darwin que, até hoje, chateia os adeptos do criacionismo. Ninguém escapa. É uma tipologia numerosa, com imenso e diversificado campo de ação.

O autor não poupa ninguém. Enuncia, inclusive, o axioma de Herodes: “Toda criança é chata” (exceto as nossas rsrs). Na extensa classificação, o militante se enquadra entre os chatos catequéticos aqueles que procuram converter no proselitismo que pregam (política, religião, dietas), se possível, a humanidade inteira.

O eleitor está sob o bombardeio, inclusive, dos militantes tecnológicos, linkados na WEB, o ciberespaço, com artefatos chatíssimos (porém, úteis, eis a questão), linguagem própria e uma rede de mídias sociais onde o máximo virtual pode criar a pós-verdade ou a transmentira.

O militante é perigoso porque propaga a intolerância e o fanatismo, impulsionado pelas mídias sociais. Porém, o eleitor brasileiro faz parte de um universo mais amplo, uma cidadania crítica, vigilante e uma sociedade civil que, reiteradamente, têm dado provas de que está mobilizada no apoio ao regime democrático.Arquivos As charges do Mauro Iasi - Universidade à Esquerda

 
15
Ago22

A consolidação da democracia

Talis Andrade

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As manifestações do dia 11 são as vozes conscientes e altivas da sociedade em favor dos valores democráticos

 

 

por Gustavo Krause

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A democracia brasileira entrou definitivamente na agenda eleitoral. De um lado, o conjunto de forças dá sustentação política às explícitas ameaças do Presidente Bolsonaro às instituições democráticas e, de outro, ampla mobilização social defende a integridade do sistema e a obediência ao Estado Democrático de direito.

Cabe a indagação: este conflito é sinal de vigor ou sintoma de fraqueza do nosso capital cívico? Este conceito tem sido objeto de construção teórica e empírica como o lastro de valores, princípios que contribuem com a coesão social, a força das instituições, uma cultura de tolerância e respeito à diversidade ao longo de gerações.

Na curta existência, é possível afirmar que a democracia brasileira foi o regime mais testado no mundo: dois impeachments, enorme desigualdade social, crise sanitária, e devastadores escândalos de corrupção. Resistiu. Um sinal de vigor.

Agora, vive um novo teste em ambiente de desconfiança e conflitos. “A democracia está inscrita na história – não é um fato político consumado […] Isso quer dizer que está sempre em movimento[…] Nunca está garantida”, afirma Heloísa Starling no posfácio de “1822”, obra de Laurentino Gomes.

Em “Transição e Consolidação da Democracia”, J.Linz e A. Stepan citam a interação de cinco grandes campos para considerar a democracia consolidada: a sociedade civil; a sociedade política; o estado de direito; a gestão pública, a sociedade econômica (mercado instucionalizado).

Pelo visto, o Brasil avançou. Não é, ainda, uma democracia consolidada. Porém, a sociedade como um todo e suas organizações representativas têm exercido um notável papel, ao colocar de lado diferenças ideológicas, político-partidárias, para unir o Brasil em torno de valores e instituições democráticas na defesa de reiteradas ameaças autoritárias.

A iniciativa da cidadania vem se expressando em cartas subscritas por diversas organizações e centenas de milhares de cidadãos. Com desdém, o Presidente chamou de “cartinhas” subestimando a força das ideias, expressas em palavras que fundam ou refundam momentos decisivos na história.

07
Ago22

Amazombras (por Gustavo Krause)

Talis Andrade

 

A Amazônia não precisa de estatal. Basta um Presidente que não permita que a lei e a imagem do Brasil sejam pisoteadas pela “boiada”

 

 

O PSB, partido do vice Geraldo Alckmin, propôs a criação de mais uma estatal – Amazombras – que seria responsável por articular instituições de pesquisa, militares e universidades para o aproveitamento econômico da região.

A proposta revela a imperiosa necessidade de debates públicos. O eleitor tem o direito de avaliar o que os candidatos pensam e como pretendem enfrentar os grandes desafios do país. Dar um basta aos candidatos/postes e ao estelionato eleitoral.

No caso específico, boas intenções podem resultar em consequências indesejáveis. O Brasil tem um vício original: o empreendimento colonizador seguia a cartilha do mercantilismo estatal e as Ordenações Manuelinas que, segundo Jorge Caldeira na obra magistral, “História da Riqueza no Brasil”, “nada tinha a ver com universalidade ou igualdade. Tratava-se apenas da organização da desigualdade”.

Ao longo do processo histórico, o traço dominante foi “estado demais e cidadania de menos”. É um equívoco, no entanto, debitar nossos problemas a acessos de estadofobia. Neste sentido, é importante registrar que a modernização conservadora da “Era Vargas” foi viabilizada pelo nacional desenvolvimentismo, tracionado por investimentos estatais em áreas consideradas estratégicas.

O Estado agigantou-se nas auroras democráticas e nos surtos autoritários. Celebrou um pacto perverso com a política clientelista e com a rigidez ideológica. Apesar dos avanços da desestatização, segue confirmada a profecia de Roberto Campos “Uma vez criada a entidade burocrática, ela, como a matéria de Lavoisier, jamais se destrói, apenas se transforma”.

Segundo dados da Secretaria do Tesouro e de Coordenação e Governança das Empresas Estatais, a União ainda detém participações em 429 empresas, assim distribuídas: controle direto 46 sendo 19 dependentes de recursos do tesouro (R$ 24,5 bilhões de aporte em 2021); controle indireto, 85; minoritária direta, 54 e minoritária indireta, 244.

Ora, a questão amazônica para ser enfrentada não precisa de estatal, é suficiente que o Presidente da República compreenda a dimensão global da sustentabilidade ambiental e não permita que a lei e a imagem do Brasil sejam pisoteadas pela “boiada”. A Amazônia é a prioridades das prioridades.

Para vencer a brutalidade da ignorância, vale a leitura de um trecho da carta do Chefe Seattle à proposta de compra da terra indígena pelo Presidente dos Estados Unidos (1854): “A terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra […] O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um dos seus fios. Tudo que fizer ao tecido, fará a si mesmo”.Ricardo Salles “passando a boiada”: ministro do Meio Ambiente muda leis na  pandemia - Amazônia LatitudeBolsonaro vai passando a boiada da destruição - 16/06/2022 - Cláudio Hebdô  - FolhaCampanha cobra posição de empresas que estariam apoiando o | Política

Gilmar Fraga: sem novidade | GZH

TRIBUNA DA INTERNET

MPF cobra Justiça Federal no DF por decisão sobre afastamento de Ricardo  Salles - Flávio Chaves

TRIBUNA DA INTERNET5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente: data para reflexão e ação -  Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e RegiãoCharge: Salles deixa o Ministério - Blog do AFTM

CHARGE 2019 - AMAZÔNIA ACONTECE

Amazônia em chamas

Charges: Amazônia Nada Legal!UNIFENAS 2019: A charge acima apresenta um enfoque crítico sobre o avanço  da atividade pecuarista no espaço amazônico - INDAGAÇÃO

Gilmar Fraga: queimando o filme em Dubai na cara de pau... | GZH

 

Confira a charge de Miguel Paiva desta sexta-feira

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31
Jul22

Medicina e economia

Talis Andrade

Krause diz que PSB está usando antipetismo de forma cínica e prega "voto de  protesto" - Blog do Ricardo Antunes

 

No Brasil, médico já foi ministro da fazenda, uma esbórnia; general, ministro da saúde, uma tragédia

 

 

por Gustavo Krause

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Recentemente, três livros ajudaram a compreensão da minha extensa ignorância.

O primeiro é de autoria do renomado economista André Lara Resende – Camisa de Força Ideológica – que questiona o dogmatismo fiscalista e a ortodoxia monetária sem meias palavras: “Sem um Estado competente e responsável não há como pensar em desenvolvimento, agora com a obrigação de ser socialmente inclusivo e ambientalmente sustentável […] É imperativo encontrar uma forma de governança que impeça o mau uso pelo Estado do seu papel de credor primário, da sua faculdade de criar crédito sem lastro, mas que ao mesmo tempo não o impeça de investir no aumento da produtividade e do bem-estar". 

 

.CAMISA DE FORÇA IDEOLOGICA: A CRISE DA MACROECONOMIA - 1ªED.(2022) - Andre  Lara Resende - Livro

 

Ao debate, acrescenta “Uma radicalização impaciente que ameaça até mesmo as instituições e a democracia”.

O segundo livro – Para NÃO esquecer. Política públicas que empobrecem o Brasil – não é uma provocação. Pelo contrário, tem conteúdo enciclopédico; é obra de interesse público, gratuitamente disponível (Iniciativa do Insper, Brava, Autografia) e pedagogicamente instrutivo pela amplitude dos 25 capítulos, análises de 33 especialistas, sob a organização do Professor Marcos Mendes que “foca o que deu errado, o que temos de evitar, tarefa fundamental para acertarmos o passo para um futuro maior”.Em novo livro, economista Marcos Mendes trata da repetição de erros nas  políticas públicas

Em seguida, ao iniciar a leitura de A Economia Desumana, obra parceira do economista político David Stuckler, da Universidade Bocconi, Milão, com o epidemiologista Sanjai Basu, me deparei com a frase de autoria do médico alemão, prolífico escritor e reformador social (pai da patologia), Rudolf Virchow (1821-1902) “A medicina é uma ciência social e a Política não é outra coisa senão a medicina em grande escala”.A ECONOMIA DESUMANA | Livraria Martins Fontes Paulista

 

Em 1848, recebeu a tarefa do governo da Prússia para investigar um surto de tifo numa região rica em carvão mineral e habitada por trabalhadores miseráveis. Em tom desafiador, produziu um relatório de 190 páginas, afirmando que a solução não era eliminar piolhos, matar ratos. Além das recomendações sanitárias, propôs reformas políticas, sociais, educacionais, bastante atuais: “A boa saúde não começa em hospitais e clínicas; ela inicia nas nossas casas, bairros, na alimentação, no ar que respiramos, na segurança das nossas ruas”. Para Virchow, a proximidade entre médico e população é um remédio universal.

No clima de um debate eleitoral sério sobre o futuro do País, os livros fortaleceriam o debate público, reiterando a lição de que escolhas têm consequências. E, sobre o assunto, serviria de alerta para os eleitores: no Brasil, médico já foi Ministro da Fazenda, uma esbórnia; general, Ministro da Saúde, uma tragédia.

 

 

 

24
Jul22

A fome (por Gustavo Krause)

Talis Andrade

ossos de boi vendidos em açougue

Arma das lideranças autoritárias, a fome escraviza estômagos vazios e elimina liberdades desprotegidas

 
por Gustavo Krause
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A memória, de vez em quando, recorda: “o almoço está servido; o jantar está na mesa”; “coma o lanche na hora do recreio”.

A hora das refeições era um momento especial de reunião familiar: primeiro ato da educação doméstica, recomendações e limites. Hábitos de classes sociais que realizavam, pelo menos, três refeições diárias.

Mas o tempo foi rodando na pata dos automóveis, na turbina dos aviões; trouxe junto o complexo universo dos chips e algoritmos; operou profundas revoluções nos costumes, nos padrões de consumo e produção à custa de graves passivos sociais e ambientais.

O mundo virou de ponta-cabeça. A convocação “a janta ou o almoço estão na mesa” sumiu. O tempo aligeirou-se. O “fast food” entope o estômago e, sem cuidados nutricionais ou dietas de alimentos considerados profanos, a geração saúde viu o Índice de Massa Corporal (IMC) saltar do incômodo sobrepeso para a grave doença da obesidade.

Em dez anos, o relatório do GBD (publicado, em 2019, na revista Lancet) revelou que o maior fator de risco de morte no Brasil mudou de desnutrição para o alto Índice de Massa Corporal – IMC. Conclusão: o brasileiro está comendo pior e vivendo a mais severa forma de insegurança alimentar, a fome.

Dependendo do critério, os dados sobre a fome divergem. Segundo a Professora Renata Motta em “Efeitos da pandemia na alimentação e na situação de segurança alimentar no Brasil” indicam que 125 milhões de brasileiros sofreram algum grau de insegurança alimentar (2021). Por sua vez, o retorno do Brasil ao Mapa da Fome (ONU) se deu pela constatação de fome crônica de 4,1% da população acima da média global 2,5%.

A fome, crônica e estrutural, é uma doença produzida pela Política. Nada a ver com a produção de alimentos e a profecia escatológica de Malthus. O grande pernambucano Josué de Castro, em a “Geografia da Fome” (1946), obra clássica sobre o tema, desnaturalizou o problema da fome ao apontar como elementos determinantes fatores geográficos, ecológicos, biológicos e, sobretudo, políticos.

“Vivemos um mundo de opulências sem precedentes”, assim Amartya Sen (1933 e Nobel de Economia em 1988) inicia o magnífico livro “Desenvolvimento como liberdade” (Companhia das Letras, 2000) e complementa: “Vivemos igualmente em um mundo de privação, destituição e opressão extraordinárias […] persistência da pobreza, fomes coletivas e fomes crônicas […] violação de liberdades políticas elementares e liberdades formais básicas […].

Os apetites eleitorais, em disputa, sabem que a tirania escraviza o estômago vazio e as liberdades desprotegidas.

17
Jul22

A ineptocracia

Talis Andrade

 

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O discurso, o gestual, a mensagem simbólica de Bolsonaro contribuíram para o atual ambiente de intolerância e conflito

 
 
por Gustavo Krause
 

Clima tenso é o estado natural das competições. Nas eleições, a disputa é a ambicionada taça do poder.

Neste jogo, emerge o que temos de nobre e perverso. Nobre é confiar a outrem a capacidade de agir em nome de legítimos interesses individuais e coletivos. Perverso é o comportamento afrontoso às instituições, às regras do jogo e ao uso criminoso da violência no ambiente democrático.

O Observatório da Violência Política e Eleitoral da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Unirio) registrou no primeiro semestre deste ano 214 casos de violência política, 32% maior do que 161 episódios (ameaças, homicídios, atentados e agressões físicas) no mesmo período do ano eleitoral de 2020.

O levantamento revela que a violência se espalha pelo território nacional e por vários partidos, atingindo de forma mais significativa integrantes do PSD, 19 episódios, Republicanos, 18, PT e PL, 17, no primeiro semestre.

A retórica eleitoral reacenderá os assassinatos brutais da vereadora Marielle Franco, do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira. O misterioso caso de Celso Daniel virá à tona assim como o atentado ao então candidato Bolsonaro.

O que virá pela frente? Mais ódio. No sábado 09/7 o bolsonarista Jorge Guaranho invadiu a festa de aniversário e “fuzilou” o lulista Marcelo Arruda, em Foz do Iguaçu. Em Diadema, Lula agradeceu ao ex-vereador Maninho de PT que, em 2018, reagiu às ofensas do empresário Carlos Alberto Betoni e foi condenado por tentativa de homicídio.

Ao longo do mandato, o Presidente Bolsonaro não buscou construir uma cultura de paz. Pelo contrário, o discurso, o gestual e a mensagem simbólica contribuíram para o atual ambiente de intolerância e conflito.

No plano institucional, constitucionalizado o populismo fiscal, os poderes instauram uma forma degenerada de governo: a INEPTOCRACIA, título de autoria incerta entre o filósofo francês Jean D’Ormesson (1925-2017) e Ayn Rand (1905-1982), filósofa americana de origem judaico-russa, que definiu: “Quando você perceber que, para produzir precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho e que as leis não nos protegem deles, mas pelo contrário, são estes que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada e a honestidade se converte em auto sacrifício; então poderá afirmar, sem temor de errar, que sua sociedade está condenada”.

É difícil aceitar que a realidade supera uma charge”, diz o cartunista  Benett - Portal IMPRENSA - Notícias, Jornalismo, Comunicação

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