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09
Mar19

Vaticano faz em Manaus reunião preparatória para Sínodo da Amazônia, criticado por governo Bolsonaro

Talis Andrade

sínodo amazonia.png

 

Por RFI
 

A Igreja católica está preocupada com a preservação do planeta e organiza a partir desta quinta-feira (7) duas reuniões para discutir o desenvolvimento sustentável. A primeira começou nesta manhã no Vaticano e vai durar até 9 de março. A segunda acontece em Manaus e é uma reunião preparatória para Sínodo da Amazônia, previsto para outubro e que provoca polêmica com o governo Bolsonaro.

Gina Marques, correspondente da RFI em Roma

A conferência no Vaticano “As religiões e os objetivos do desenvolvimento sustentável: ouvir o grito da terra e dos pobres” propõe um diálogo inter-religioso para estabelecer objetivos de como ajudar a salvar o meio ambiente. Participam representantes da Organização das Nações Unidas para e Agricultura e Alimentação (FAO), além de religiosos da Comissão Justiça, Paz e Integridade da Criação entre outros. A finalidade é reforçar o empenho das religiões e o envolvimento da sociedade civil na preservação do meio ambiente.

Em Manaus, ocorre o seminário de preparação para Sínodo da Amazônia previsto para outubro. O tema central dos dois dias de debates, abertos ao público, é a preservação ambiental da Amazônia.

As duas reuniões recordam a encíclica do papa Francisco Laudato si', na qual ele critica o consumismo e desenvolvimento irresponsável e faz um apelo à mudança e à unificação global das ações para combater a degradação ambiental e as alterações climáticas.

Críticas do governo brasileiro

Recentemente o governo brasileiro criou polêmica com a realização do Sínodo da Amazônia. O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, disse em fevereiro que ONGs estrangeiras e chefes de Estado de outros países não devem dar "palpite" na Amazônia brasileira.

Não houve um comunicado oficial do Vaticano respondendo ao governo do Brasil. A Santa Sé não entra neste tipo de polêmica. Já o bispo de Marajó, no Pará, dom Evaristo Spengler, afirmou que não cabe ao governo brasileiro monitorar os debates da Igreja. Segundo ele, a igreja “não é neutra”, o que não significa que tenha partido. Dom Evaristo declarou que “a igreja está do lado dos mais fracos, dos mais pobres, dos ribeirinhos e dos indígenas”.

O bispo criticou também os interesses econômicos do governo brasileiro. De acordo com ele, existem dois modelos de desenvolvimento: o sustentável e o predatório. Sobre o Brasil, ele falou que “estão incentivando um modelo predatório, que extrai as riquezas da floresta e deixa a população na pobreza”. Além disso, o governo brasileiro “quer construir hidrelétricas, abrir rodovias e permitir o avanço do agronegócio e das mineradoras”.

Vale lembrar que o papa Francisco anunciou o seminário em 2017, muito antes da eleição de Jair Bolsonaro. O Sínodo da Amazônia vai ocorrer de 6 a 27 de outubro deste ano. O Sínodo da Amazônia preocupa o governo de Bolsonaro, que teme que suas políticas contra a demarcação de terras indígenas e ONGs que combatem as mudanças climáticas sejam questionadas durante o encontro.

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Preparativos para o Sínodo da Amazônia

Na semana passada, o Vaticano já havia organizado em Roma um seminário preparatório para o Sínodo de outubro. Foram três dias de debates sobre a Amazônia que contaram com a participação do cardeal Cláudio Hummes, que é presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica, e do bispo de Marajó, Dom Evaristo Spengler. O Sínodo é para a Amazônia, mas sua preservação ou destruição tem repercussão mundial.

Nove países compartilham a Pan-Amazônia: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa. Nesta região, importante fonte de oxigênio para toda a Terra, concentra-se mais de um terço das florestas primárias do mundo. É uma das maiores reservas de biodiversidade do planeta, abrigando 20% da água doce não congelada.

Neste imenso território vivem cerca de 34 milhões de pessoas, das quais mais de 3 milhões são indígenas, pertencentes a mais de 390 grupos étnicos. Povos e culturas diferentes como afrodescendentes, camponeses, colonos, vivem em uma relação vital com a vegetação e as águas dos rios.

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11
Mai18

França encontrou uma montanha de ouro no coração da Amazônia

Talis Andrade

Macron apoia mineração

diz Le Monde

 

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Tem ouro na Venezuela, tem ouro nas Guianas, tem diamantes tem, só não tem no Brasil que deixou de ser um país abençoado por Deus. 

 

A Lava Jato foi criada para investigar o tráfico de diamantes e de drogas, mas como não encontraram nenhuma pedrita de diamantes nem de craque, prefiram ir na conversa do rei dos doleiros, Alberto Youssef, que traçou o mecanismo da operação, desde que ele fosse perdoado de todos os crimes praticados no passado, no presente e no futuro. No passado porque era freguês de delação premiada dada a mão cheia pelo Sergio Moro.

 

RFI - “Montanha de ouro” é o nome do núcleo de mineração, situado, segundo o jornal Le Monde desta segunda-feira (30), no coração da floresta amazônica da Guiana, na fronteira com o Brasil.

 

Segundo o correspondente de Le Monde em Cayenne, antes do presidente francês Emmanuel Macron deixar a Guiana, em 26 de outubro, o Ministro da Ecologia da França [“Transição Ecológica”], Nicolas Hulot, havia insistido “longamente com Macron sobre as ameaças para o Meio Ambiente de um projeto de mineração gigantesco no coração da floresta amazônica”, batizado como “Montanha de ouro”.

 

Administrado por um consórcio russo-canadense, o projeto polêmico ameaça diretamente duas “reservas biológicas excepcionais”, segundo o vespertino francês. Ainda segundo o jornal, os defensores da ecologia e as associações locais exigem o fim imediato da mineração.

 

“O ministro da Transição Ecológica não parece ter sido ouvido”, afirma Le Monde. O presidente francês Emmanuel Macron se disse favorável ao projeto de mineração durante entrevista à televisão francesa, no dia 27 de outubro, como relata o jornal: “É um projeto que, eu penso, em suas bases pode ser bom para a Guiana”, disse Macron.

 

O presidente francês, segundo Le Monde, enunciou “exigências e algumas restrições” ao projeto, como a necessidade de se adaptar às “regras de mina responsável”, a “excelência de critérios ecológicos”. “É necessário que a Guiana tenha uma justa contrapartida, é indispensável manter um controle estrito do projeto e favorecer o emprego local”, disse Macron, citado pelo jornal.

 

Presidente francês sempre apoiou o projeto de mineração

 

Le Monde lembra que, em passagem no local da mineração em 2015, quando ainda era ministro da Economia da França, Emmanuel Macron já havia manifestado seu apoio ao garimpo. Segundo o jornal, ele em plena campanha eleitoral, em dezembro de 2016, ele voltou à mineração, na Guiana, e “reiterou seu compromisso com o projeto “Montanha de ouro”, desde que “baseado no respeito ao Meio Ambiente e ao desenvolvimento sustentável”.

 

O periódico conta que o garimpo se encontra “a 125 km de Saint-Laurent-du-Maroni, no oeste da Guiana, em plena floresta, longe de zonas habitadas, entre duas reservas naturais de biodiversidade excepcional”.

 

Associações locais, nacionais e internacionais conseguiram mais de 193 mil assinaturas numa petição contra a “Montanha de ouro”. Elas denunciam, segundo Le Monde, “um monstro industrial de 190 km² de concessões, que prevê um buraco de 2,5 km de extensão, 500 metros de largura e 400 metros de profundidade, com uma usina de tratamento de minerais por meio de materiais tóxicos”.

 

 

 

 

 

 

 

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