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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

13
Mai21

Se liguem na catastrófica situação da UFRJ

Talis Andrade

calos latuff consciencia negra.jpg

Marcia Tiburi no Twitter
 
Marcia Tiburi
Mobilização contra o racismo
@coalizaonegra
É hoje!
Se não nos deixam viver em casa, vamos protestar nas ruas!
#13DeMaioNasRuas contra as chacinas e o genocídio!
O povo negro quer viver!

Use máscara, álcool-gel e mantenha-se em distanciamento.

distanciamento.jpgConsulte a agenda nacional de atos: bit.ly/33Elk5m

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Já pensou se fosse um filho seu? O que aconteceu com Fernando, Alexandre e Lucas?
Quote Tweet
Rubens R R Casara
@RCasara
O que fizeram com essas crianças? Os familiares têm o direito de saber.
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@marciatiburi
Toda a solidariedade a deputada atacada mais uma vez pelos covardes e canalhas que não suportam a sua coragem na defesa dos direitos fundamentais, a sua elegância e o seu senso de humanidade.
A deputada Zambeli aplicando táticas de guerrilha indireta, tentando atrapalhar a CPI do genocídio. Que seja feita a investigação e a justiça de que nosso Brasil precisa e que todos os criminosos sejam responsabilizados!
“Era um dia frio e luminoso de abril e os relógios davam 13 horas”.
ATELIÊ ABERTO - Lendo Marcia Tiburi
Ao me formar, em 1984, jamais imaginaria que, em 2021, abriria um texto com a célebre frase de George Orwell: “Era um dia frio e luminoso de abril e os relógios davam 13 horas”.
tendenciasmag.com.br
Marcia Tiburi
Se liguem na catastrófica situação da UFRJ, mais uma do governo corrupto que governa o Brasil
youtu.be/4gmgrmgtyZE via
Professores brasileiros, uni-vos. O que lhes parece uma greve geral em nome da #Ufrj e de todas as universidades atacadas pelo governo neoliberal/fascista no Brasil?
27
Abr21

Desembargador que declarou ilegal greve de professores que não queriam aula presencial morre de Covid-19

Talis Andrade

 

Paulo Ricardo Bruschi também proibiu manifestações próximas das escolas e autorizou desconto no salário dos trabalhadores da educação que estavam paralisados

 
- - -

O desembargador Paulo Ricardo Bruschi morreu na última sexta-feira (23), em Tubarão (SC), vítima de complicações da Covid-19.

Em novembro do ano passado foi responsável por decisão que considerou a greve de professores, que eram contrários ao retorno das aulas presenciais por falta de segurança sanitária, como ilegal.

Posteriormente, considerou a greve dos professores ilegal e autorizou o descontou no salário dos dias paralisados, proibiu o bloqueio das unidades e a realização de manifestação em distância inferior a 450 metros dos locais de ensino, sob pena de multa diária de R$ 100 mil.

Na cidade de Tubarão, 17,6 mil pessoas foram diagnosticadas com a doença e 323 morreram. Desde o início da pandemia, 12.842 faleceram no estado de Santa Catarina vítimas da Covid-19. No total, 863.842 casos já foram confirmados.

 

 

18
Mar20

Movimentos convocam mobilização nas redes e ‘barulhaço’ nesta quarta às 20h30

Talis Andrade

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Ação vai marcar a data que inicialmente previa protestos no país, cancelados por causa da crise com o coronavírus. Greves também serão realizadas

08
Dez18

Greve dos juízes portugueses

Talis Andrade

Os juízes portugueses, de primeira instância, estão em greve de "contestação sobre a proposta de revisão do Estatuto dos Magistrados Judiciais, que os sindicatos consideram estar incompleta, sobretudo em questões remuneratórias."

 

Os leitores do Jornal I  comentam: 

juiz de toga.jpg

 

José Luz: Sufrágio directo dos cidadãos para a nomeação dos juízes!
Acabe-se com esta fantasia de poder soberano não referendado directamente pelos cidadãos para esta corporação privilegiada.
Os juízes são pagos pelos cidadãos e como tal devem ser tratados como servidores públicos e ser exigida produtividade no seu trabalho.
Como consequência do conluio com a classe política do regime corrupto que capturou Portugal, conseguiram uma carreira salarial própria e autónoma das tabelas do funcionalismo público.
De notar que em 25 de Abril de 74, estavam equiparados aos vencimentos dos oficiais superiores e generais das Forças Armadas e que presentemente auferem cerca de 50% mais do que estes.
Se estão mal, façam como os outros cidadãos, mudem-se!

 

Antonio Costa: Já não fazem praticamente nada e com a greve fazem ainda menos. Quer dizer são bem pagos para serem calaceiros e manhosos.

 

 

02
Jun18

Greve: desmonte da Petrobras levou país ao caos

Talis Andrade

Petroleo é nosso. 13 março contra golpe.jpg

 

 

Caminhoneiros tendem a ser conservadores, mas reivindicação é justa. Sob o golpe, política de preços da estatal atende aos desejos dos investidores, não às necessidades do país.

O artigo é de Paulo Kliass, doutor em Economia pela Universidade de Paris 10 e Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal, publicado por Outras Palavras, 24-05-2018.

 

Eis o artigo.

A história das movimentações políticas e reivindicatórias de determinadas categorias sociais carrega consigo uma tendência a apresentar elementos de natureza conservadora e retrógrada. Travestidos de manifestações de protesto contra políticas setoriais, tais movimentos muitas vezes acabam por enganar a opinião pública e provocar crises políticas mais amplas. Em geral, as greves de caminhoneiros tendem a ser um exemplo bem característico desse quadro de confusão.

 

Talvez a mais dramática de todas tenha sido a atuação dessa categoria no Chile, às vésperas do golpe que derrubou o governo de Salvador Allende.

 

Pesquisas de historiadores acabaram por confirmar a profunda articulação existente à época entre as lideranças do famoso “paro patronal” em outubro de 1972 e as forças organizadas pela CIA e os representantes da oposição burguesa e empresarial ao governo da Unidade Popular. Ao mesclar interesses de empresas de carga e proprietários autônomos de caminhões, aquela greve aprofundou um quadro de desabastecimento generalizado pelo país e contribuiu para ampliar a crise políticaque chegou ao assassinato do presidente eleito e a tomada do poder pelos militares.

 

Na nossa vizinha Argentina a categoria também é muito bem organizada e obtém sucessivas conquistas em função de sua capacidade de pressão sobre os governos. As mobilizações ocorrem com periodicidade quase anual e não costumam perdoar os ocupantes da Casa Rosada, seja Cristina Kirchner ou seja Macri, para falar apenas dos mais recentes.

 

Chile, Argentina, Brasil: caminhoneiros em ação

Ao longo dessa semana, o Brasil assiste a mais um capítulo de manifestações organizadas por entidades vinculadas ao setor de transporte de cargas por rodovias. A base objetiva para a ampla adesão ao movimento reside, obviamente, nas elevadas taxas de impopularidade do governo Temer e suas desastrosas opções de política econômica. No caso concreto, estamos falando da estratégia adotada para o setor da energia, em especial a conduta escolhida para a Petrobras.

 

Ao nomear o tucano Pedro Parente para o cargo de presidente do maior conglomerado empresarial brasileiro, Temer fez muito mais do que simplesmente agradecer de forma generosa pelos apoios emprestados pelo PSDB à sua empreitada para assumir o Palácio do Planalto, inclusive com o incentivo decisivo para o sucesso do “golpeachment”. A intenção maior era dar início ao processo de privatização dessa estatal gigante e que atua em área estratégica para a economia e a sociedade brasileiras. Assim, o novo dirigente começou a implementar, logo de início, um caminho de “desinvestimento” na empresa. Na verdade, um termo pomposo e enganador para o procedimento objetivo de venda de ativos do grupo estatal para o setor privado. Em português claro, o substantivo mais adequado para esse crime contra a economia nacional é privatização.

 

Além disso, foi conferida a Parente uma impressionante autonomia para gerir a mudança fatal no processo de exploração das reservas valiosíssimas do Pré-Sal. Atendendo a pleitos das grandes empresas petroleiras estrangeiras, o governo retirou a exclusividade da Petrobras para a tarefa de organizar a retirada do óleo e gásdaquelas camadas profundas. Uma loucura! Afinal, trata-se de uma reserva potencial imensa e não há justificativa que apoie tal iniciativa que prejudica a inserção internacional do Brasil, compromete nossa segurança nacional e reduz de forma sensível o uso adequado dos recursos de tal exploração econômica em um Fundo Soberano para as futuras gerações.

 

Outra linha adotada pelo tucano refere-se ao reforço da narrativa demagógica de evitar o assim chamado “uso político” da Petrobras. Amparado no desgaste de imagem provocado pelos escândalos revelados pela Operação Lava Jato, o governo resolveu dar um verdadeiro cavalo de pau na política de preços praticados pela empresa. Isso significa a adoção de uma paridade automática com as variações do preço do petróleo no mercado internacional. Na prática, a Petrobras passou a aumentar os preços internos praticados nas refinarias apenas em função das mudanças externas.

 

Parente e o desmonte da Petrobras

A retórica utilizada para justificar essa mudança se apoiava no chamado “realismo tarifário” e na condenação da política anterior de contenção de aumentos nos preços dos derivados de petróleo para evitar contaminação inflacionária. No entanto, o fato concreto é que a Petrobras é uma empresa pública atuando em setor estratégico. Assim, nada mais compreensível que os governos democraticamente eleitos adotem políticas para ela. Por exemplo, não é razoável supor que a Petrobras siga de maneira cega ou ingênua as regras das empresas privadas do setor nem mesmo os seus critérios de lucro e retorno financeiro.

 

No entanto, o quadro havia mudado bastante desde quando FHC resolveu internacionalizar a empresa e quase conseguiu transformar seu nome em “Petrobrax”. Afinal, a prioridade absoluta de seu governo era atrair o interesse dos meios dofinancismo internacional para investir em papéis da nossa petroleira na Bolsa de Valores de Nova Iorque. Ao assumir esse compromisso, a partir daquele momento o governo brasileiro estava se sujeitando às regras desse tipo de mercado, onde o interesse único é a rentabilidade especulativa sobre o título e não a contribuição da empresa para o desenvolvimento econômico e social de nosso país.

O presidente da Petrobras, Philippe Reischtul, em

 

Ao mudar a política de preços mais recentemente, Parente terminou por criar uma armadilha de médio prazo para o próprio governo Temer. Afinal, estava claro que os baixos preços do barril do petróleo seriam recuperados em algum momento futuro. Pois a fatura chegou. Em uma primeira fase, foram os sistemáticos reajustes no preço do gás de cozinha, que estão provocando um piora dramática nas condições de vida da maioria da população de baixa renda. Com o desemprego monumental e a redução dos salários, pesquisas indicam que teve início a substituição dessa fonte de preparação de alimentos por lenha nas cozinhas da população mais desprotegida.

 

Gás de cozinha, gasolina, diesel: aumentos sem parar

Os aumentos frequentes nos preços de gasolina e diesel também passaram a pesar nas contas da classe média, além do impacto generalizado nos índices de inflação em razão do uso generalizado dessa fonte de energia pelo Brasil afora. E a população começou a perceber que a tal política de preços só operava para aumentos. Nas inúmeras ocasiões em que o preço do petróleo havia sido reduzido, os efeitos de queda jamais eram sentidos nos postos de gasolina.

 

Apesar de todas as evidências em contrário, o governo seguiu fazendo ouvidos moucos a tais reclamos generalizados de insatisfação com tal estratégia. A situação mudou a partir da semana passada. Com o forte simbolismo de cinco reajustes seguidos nos preços em uma única semana, o movimento dos caminhoneiros ganhou expressão nacional. E foi só a partir de tal pressão que Temer resolveu se mexer. Afinal, estão programadas eleições para o mês de outubro e os candidatos alinhados com o governo não querem saber de ainda mais novidades negativas para carregar como fardo pesado e incômodo em suas campanhas.

 

Assim, é bem provável que aquela bravata toda da “seriedade e competência” da área técnica em não ceder a pressões políticas seja abandonada. As trapalhadas todas de Trump na cena global têm contribuído para uma elevação dos preços do petróleono mercado internacional. Se o governo Temer mantiver essa obstinação burra de manter a equiparação automática, é bem capaz de tenhamos uma explosão ainda mais acentuada aqui dentro.

 

Reajuste automático de preços: política burra

Não faz sentido que o Brasil adote essa política que só se justifica para países que dependem totalmente do petróleo importado. No nosso caso, pelo contrário, somos autossuficientes graças à nossa grande produção interna. Ao longo de 2017, por exemplo, nosso saldo na balança comercial do óleo foi positivo em US$ 3,7 bilhões. Isso significa que exportamos mais do que importamos. O único raciocínio que pode explicar esse tiro no pé da duplinha Temer & Parente refere-se à preocupação com o investidor externo. Sim porque o detentor de ações pode considerar esquisito que a Petrobras deixe de ganhar ainda mais dinheiro com a alta nos preços do barril de petróleo praticada pelo cartel da OPEP. Afinal, isso representa menor valorização do papel nas bolsas e menor participação nos dividendos. Mas e daí?

 

Ora, estamos tratando de uma empresa pública e que deve atender prioritariamente aos interesses da maioria da população brasileira. O fundamental é que os resultados positivos de sua atividade econômica sejam utilizados para aumentar sua capacidade de produção interna, com mais investimentos. A remuneração dos lucros do acionista minoritário nas bolsas estrangeiras não pode ser o fator a determinar, por exemplo, a política de preços.

 

No entanto, por mais uma dessas ironias da História, Temer talvez seja obrigado a ceder ao movimento dos caminhoneiros. Depois de ignorar os pleitos generalizados por mudanças na política de desmonte na empresa, ele pode recuar frente ao poderoso lobby dos empresários da área de transportes. Felizmente no momento atual, os caminhoneiros terminam por verbalizar o sentimento generalizado de descontentamento popular com esse governo, que se desmancha um pouco mais a cada novo dia que passa.

02
Jun18

Tribunal Superior do Trabalho "joga o jogo do capital" denunciam petroleiros

Talis Andrade


"Decisão do TST é para criminalizar e inviabilizar movimentos sociais e sindicais", diz federação dos petroleiros, que aposta em retomada da mobilização. "A defesa da Petrobras é defesa do Brasil"

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A Federação Única dos Petroleiros orientou as entidades sindicais filiadas a suspender a greve de 72 horas iniciada à meia-noite de ontem. A paralisação teve com objetivo acrescentar ao debate da crise dos combustíveis o que é considerado o verdadeiro motivo da insatisfação dos caminhoneiros e da população, que revelou apoio à categoria: a política de preços da Petrobras.


Embora a greve de advertência tivesse cumprido a lei, com informação prévia, tempo determinado e garantia de que não haveria nem desabastecimento, nem risco às operações da companhia, a FUP considera que o Tribunal Superior do Trabalho adotou uma decisão política.


O TST classificou o movimento "abusivo" por antecipação, antes mesmo de começar. Desse modo, diz a FUP, "joga o jogo do capital". As multas diárias de R$ 500 mil saltaram para R$ 2 milhões, acrescidas da criminalização do movimento, com estímulo do tribunal a que a Polícia Federal passasse a perseguir o movimento sindical.


"Essa multa abusiva e extorsiva

 

jamais seria aplicada contra os empresários que submetem o país a locautes para se beneficiarem política e economicamente.

 

Jamais seria imposta aos empresários que entregam patrimônios públicos, aos que destroem empregos e violam direitos dos trabalhadores", afirma nota da federação dos petroleiros.

 

"A decisão do TST é claramente para criminalizar e inviabilizar os movimentos sociais e sindicais."


A FUP considera a suspensão da greve "um recuo momentâneo" para que o movimento, aprovado nacionalmente pela categoria, seja retomado. "Essa grave violação dos direitos sindicais será amplamente denunciada."

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30
Mai18

Petrobras aumenta gasolina na refinarias em meio a crise

Talis Andrade
Pedro Parente promove aumento de 0,74%
 

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crise dos combustíveis ainda não foi solucionada e a Petrobras já anunciou um novo aumento da gasolina nas refinarias, que será de 0,74%, passando para R$ 1,9671 por litro. Em maio, o preço do combustível nas refinarias da Petrobras acumula alta de 9,42% em relação ao mês de abril. O aumento vale a partir desta quinta (31).

 

Os sucessivos aumentos do preço dos combustíveis nas refinarias, que levaram caminhoneiros a realizar paralisações em todo o país, são fruto da política de preços da Petrobras estabelecida por Pedro Parente, empossado presidente da estatal após o golpe de 2016.

 

A política de Parente prevê reajustes dos combustíveis com maior frequência, inclusive diariamente, refletindo as variações do petróleo no mercado internacional e também a oscilação do dólar.

 

Com o preço mais alto, a estatal perdeu mercado e a ociosidade de suas refinarias chegou a um quarto da capacidade instalada. A exportação de petróleo cru disparou, enquanto a importação de derivados bateu recordes.

 

A importação de diesel se multiplicou por 1,8 desde 2015, sendo que apenas dos Estados Unidos se multiplicou por 3,6. O diesel importado dos EUA que em 2015 respondia por 41% do total, em 2017 superou 80% do total importado pelo Brasil.

 

Já nos governos de Lula e Dilma, havia uma preocupação com a estabilidade a longo prazo, que não sujeitava os preços da petróleo às mudanças diárias da taxa de câmbio e do preço internacional dos barris de petróleo. Os aumentos era mais espaçados e planejados.

 

Os governos do PT também aprofundaram a expansão das refinarias de óleo pesado e leve, fizeram investimento na infraestrutura de gasodutos e oleodutos, investiram no desenvolvimento de equipamento nacional como navios e plataformas de petróleo. Todo esse processo permitiu aumentar a produção de petróleo e viabilizar a exploração do pré-sal.

 

Repercussão negativa

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Parlamentares e lideranças do PT destacaram que o aumento do preço da gasolina nas refinarias reflete o desrespeito do governo golpista de Temer com a população brasileira e a incapacidade de resolução de crises.

 

Para o deputado Patrus Ananias (PT-MG), “a produção e o refino de petróleo não podem ser tratados como um simples negócio privado com foco no lucro empresarial e no mercado, como tem ocorrido ilegalmente no país”.

 

Ele destaca que “o Brasil, com a descoberta da província petrolífera do Pré-Sal, tem uma oportunidade única de se tornar autossuficiente tanto em petróleo quanto em combustíveis!”

 

O vice-presidente do PT, Alexandre Padilha, afirmou que “a gente poderia chamar o Pedro Parente (…) de sem noção ao anunciar, em plena crise pelo custo dos combustíveis, aumento no preço da gasolina”. Segundo Padilha, Parente quer garantir o lucro dos acionistas e “está mais preocupado com os investidores de Wall Street, do que com a população brasileira”.

 

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), classificou o aumento como uma afronta ao país.

 

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30
Mai18

Temer sem noção de nada e sem medo do ridículo

Talis Andrade


Quando um governo ilegítimo e fraco - e nada pode ser mais fraco e inerte que o governo de um presidente meramente decorativo - decide adotar medidas de força, deixam de existir limites para o avanço da crise

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Por Eric Nepomuceno

Em quatro dias de tensão máxima, entre terça e sexta-feira (de 22 a 25/5), Michel Temer conseguiu algo insólito: deixou de ser um presidente ilegítimo para assumir definitivamente o rol de presidente decorativo. Ou, como disse alguém, um ex-presidente em exercício.

 

Até os seus capangas no Congresso o atropelaram de forma impressionante. Supostos aliados o criticaram sem cerimônia ou respeito. Num primeiro momento, assumiram o mando numa espécie de parlamentarismo de última hora, e tentaram diminuir para sempre sua figura, adotando medidas de uma torpeza ímpar para solucionar a crise surgida a partir da greve dos caminhoneiros.

 

Outra façanha de Temer, que fez que seu isolamento alcançar níveis olímpicos, foi aplicar com talento único sua absurda capacidade de ridículo. Na última quinta-feira (24/5), enquanto a situação chegava à beira do abismo, o presidente estava no interior do Rio de Janeiro, numa cerimônia de expressão nula, para prestigiar a entrega de automóveis aos conselhos tutelares de menores. Sem pestanejar, afirmou a uma plateia atônita que aquele era “o acontecimento mais relevante” da jornada.

 

Naquela altura, em Brasília, ocorriam coisas que, para sua limitadíssima visão da realidade, eram menos importantes. Por exemplo, uma reunião de vários de seus ministros com os principais dirigentes dos sindicatos patronais de transportes, que atuavam pelas costas dos motoristas autônomos e que representam somente um terço do total de caminhoneiros existentes no país. Tentaram (e conseguiram) fechar um acordo, que, no fim das contas, não foi suficiente para acabar com a paralisação das estradas.

 

Enquanto isso, o aeroporto da capital brasileira informava que só permitiria o pouso de aeronaves com combustível suficiente para partir sem precisar se abastecer no local. Em todo o país se registravam imagens de um caos que se tornava cada vez maior. No Rio, a circulação de ônibus caiu pela metade. Em Recife, capital de Pernambuco, formaram-se filas enormes nos postos, que se estendiam por até dez quadras. Há bloqueios nas estradas de 25 estados, num total de mais de 550 cortes realizados por caminhoneiros autônomos. Nas gôndolas e prateleiras dos supermercados faltam verduras, legumes, carne e leite, e quando há, os preços chegam a ser até cinco vezes mais caros que na semana passada.

 

Contudo, para Michel Temer nada disso é mais importante que a solenidade de entrega de uns 600 automóveis, que na verdade eram a metade do que o seu desgoverno havia prometido aos transportadores.

 

 

A decisão de convocar as Forças de Segurança – leia-se, basicamente, o Exército – para desmobilizar os caminhoneiros parados em todo o país tampouco foi decisão sua: partiu do general Sergio Etchegoyen, um duro entre os mais duros, que comanda o Gabinete de Segurança Institucional, órgão que Dilma Rousseff havia extinto e que Temer ressuscitou.

 

Outro general, Joaquim Luna – o primeiro militar a se sentar na cadeira de ministro da Defesa desde que a carteira foi criada por Fernando Henrique Cardoso, há 20 anos –, assegurou que as Forças de Segurança atuariam “com energia”.

 

Sempre caminhando no rumo de expandir a crise ao máximo, Temer assinou, na tarde de sexta (25/5), um texto que foi entregue aos uniformados: o Decreto de Garantia da Lei e da Ordem, que tem duas funções: a primeira é liberar o Exército para impedir “atos que atentem contra a ordem pública”. Que tipo de ato? Ninguém sabe, exceto os casos óbvios de atirar pedras a soldados. A segunda é assegurar, com um dispositivo legal, que tudo o que se fizer para cumprir a missão até o dia 4 de junho (quando expira a validez do decreto). Por “tudo o que se fizer” entende-se: tudo o que a tropa fizer contra a população.

 

Quando um governo ilegítimo e fraco – e nada pode ser mais fraco e inerte que o governo de um presidente meramente decorativo – decide adotar medidas de força, deixam de existir limites para o avanço da crise.

 

A capacidade extraordinária de Michel Temer e seus bucaneiros de impulsar, e em velocidade recorde, o desmonte das políticas dos últimos 30 anos – inclusive anteriores ao governo de Lula da Silva, embora consolidadas ampla e infinitamente por ele – foi o que provocou o caos que estamos vivendo.

 

Entregar um patrimônio nacional como os campos dos Pré-Sal, outrora nas mãos da estatal Petrobras, diretamente às empresas estrangeiras, teve consequências alucinantes.

 

Ao longo dos oito anos de Lula da Silva, o preço dos combustíveis teve oito aumentos. Nos dois anos de Temer, já são 229. Isso mesmo: 229.

 

Por que Lula, e logo Dilma, trabalharam para conter esse preço? Para não pressionar a inflação, e para incentivar o crescimento da atividade econômica. Para que Temer e quadrilha permitiram uma série absurda de aumentos dos preços? Para atender aos interesses dos seus patrões nacionais e globais.

 

Ainda na noite de sexta-feira (25/5), o pegajoso ministro da Segurança Pública – um ex-militante de esquerda, que, como costuma ocorrer com esse tipo de sujeito, não só se debandou para a direita como inclusive para aquela mais agressiva e reacionária – dizia solenemente que quase metade dos cortes de estrada já haviam desaparecido.

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Entretanto, não desapareceu o risco de que os generais se encantem com a possibilidade de seguir com a série de intervenções.

 

Tampouco desapareceu a imagem concreta de um país desgovernado, e que acelera velozmente na direção do abismo.

 

29
Mai18

TEM CAROÇO NESSE ANGU DE PARENTE NA PETROBRAS

Talis Andrade

Não há outra explicação, que não a suspeita de corrupção da grossa

 

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por Luis Nassif, no GGN

 

A crise do combustível é a comprovação prática dos males do pensamento monotemático na economia, temperado com uma dose excessiva (por isso suspeita) de ideologismo, do qual o presidente da Petrobras Pedro Parente tornou-se o caso mais simbólico.

 

A visão desse pessoal é que, se cada ponto se concentrar na sua própria busca de eficiência, o resultado final será uma economia mais eficiente. A de Parente é mais tosca. Ele lembra CEOs dos anos 90, capazes de comprometer o futuro da empresa apenas para salvar os resultados trimestrais.

 

Especialistas em petróleo sabem que a lógica econômica de uma petroleira reside na interação das diversas atividades que compõem a cadeia produtiva: prospecção, refino, distribuição e transporte.

 

Com uma commodity exposta à volatilidade das cotações, a problemas políticos internacionais e aos problemas internos - administrando um preço-chave da economia – a lógica econômica é reduzir a vulnerabilidade através da integração dos diversos setores.

 

Nem esse princípio foi seguido por Parente, que passou a desmontar a empresa, vendendo-a em pedaços.

 

Pior.

 

Com o petróleo em alta, teoricamente aumentam seus lucros, pelos ganhos com a produção interna e pelo refino. E vice-versa. A queda dos preços do petróleo reduz o valor dos seus ativos. Tanto assim que o grande prejuízo da Petrobras, em 2015, foi decorrente da reavaliação do balanço, em função da redução dos preços dos derivados – que obrigou a reduzir contabilmente o valor dos ativos da empresa – e não da corrupção, conforme foi ventilado na época.

 

Surpreendentemente, Parente definiu a seguinte estratégia, conforme revelado por estudos da Associação dos Engenheiros da Petrobras:

 

1. A partir de outubro de 2016, passou a praticar preços mais altos para os combustíveis, viabilizando a importação de derivado.

 

2. Com essa política, a Petrobras perdeu mercado e a capacidade ociosa das refinarias saltou para 25%.

 

3. Com menos refino, explodiram as exportações de óleo cru e as importações de derivados.

 

4. O maior beneficiado foram os Estados Unidos: enquanto as importações de diesel se multiplicaram por 1,8 desde 2015, a importação de diesel dos EUA dos EUA aumentou 3,6 vezes. Passou de 41% em 2015 para 80% do total de importados pelo Brasil, ao mesmo tempo em que a Petrobras abria mão da refinaria de Pasadena.

 

Os grandes ganhadores foram os “traders” internacionais, dentre as quais o maior é a Trafigura, a gigante que montou o maior esquema de corrupção da história de Angola, estava envolvido até o pescoço com os escândalos da Petrobras e foi surpreendentemente liberada pelos procuradores da Lava Jato e pelo juiz Sérgio Moro.

 

A política de preços de Parente acabou provocando uma crise política de proporções, com o blackout dos caminhoneiros. A saída encontrada pelo governo Temer foi garantir o lucro dos investidores com recursos orçamentários.

 

Primeiro, pensou-se em eliminar os tributos sobre a gasolina; depois, a de ressarcir a Petrobras pela redução de ganhos que viesse a ter com a diminuição dos preços dos combustíveis. Ou seja, o país imerso em uma crise fiscal gigantesca, criando uma enorme conta fiscal para impedir a redução dos dividendos dos acionistas da Petrobras.

 

Não há outra explicação, que não a suspeita de corrupção da grossa.

 

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28
Mai18

Sobre a paralisação dos caminhoneiros e seus mitos

Talis Andrade

 

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por LARISSA JACHETARIBERTI

 

5) (...) Com a mobilização que se potencializou em 21 de maio, uma série de pautas foram levadas para as “estradas”. Dentre os mobilizados nesse primeiro momento estavam autônomos e motoristas contratados. As informações que nos chegam é a de que eles estão deixando passar as cargas perecíveis e os medicamentos e os itens considerados de primeira necessidade.

6) A paralisação continuou e ganhou adesão das transportadoras que prometeram não onerar os funcionários nem realizar cortes salariais ou demissões por causa da greve. Afinal de contas, a redução do preço do Diesel também é do interesse da classe patronal.

7) A greve conta com grande apoio nacional, porque a alta do preço dos combustíveis afeta não só a prestação de serviços, mas a vida de grande parte dos brasileiros.

8) Os sindicatos estão batendo cabeça. De um lado, muitas federações e entidades soltaram nota dizendo que não apoiam a greve e que ela tem características de lockout justamente porque a pauta tem sido capitaneada pelos setores empresariais em nome dos seus interesses. Do outro lado, existem sindicatos de autônomos, como a própria CNTA, o Sindicam de Santos que puxou a paralisação na região do porto, e agora a Abcam, que recentemente se mobilizou na negociação, apoiando o movimento. Segundo nota, o presidente da Abcam esteve em Brasília hoje e depois de uma reunião frustrada disse que a greve dos caminhoneiros continua. A reunião tinha como objetivo negociar a redução da tributação em cima dos combustíveis.

Esse é o cenário geral da mobilização. Ela é composta por uma série de segmentos que conformam o TRC. E, obviamente, suscita algumas questões:

1) Existe uma clara apropriação da pauta dos caminhoneiros por parte da classe empresarial que exerce maior influência nas negociações. Isso significa que, por mais que a greve seja legítima, pode acabar resultando num “tiro pela culatra” a depender dos rumos tomados na resolução entre as partes e as lideranças.

2) Não existe uma pauta unificada, o movimento não é hegemônico, nem do ponto de vista social, nem do ponto de vista ideológico. Existe um grupo de caminhoneiros bolsonaristas, outros que são partidários de uma intervenção militar, outros pedem Diretas Já e Lula Livre. Ou seja, é um movimento canalizado principalmente, pela insatisfação em relação ao preço do Diesel.

3) Em função da grande complexidade e fragilidade das lideranças sindicais de autônomos, o movimento carece de uma representatividade que possa assegurar as demandas da classe trabalhadora, bem como que possa evitar o crescimento dos discursos conservadores e das práticas autoritárias. Enquanto isso, os sindicatos patronais acabam por exercer maior influência, determinando os caminhos da negociação e o teor das reivindicações.

4) Isso se faz notar, por exemplo, no tipo de reivindicação expressada por grande parte dos caminhoneiros que é a redução da tributação em cima do preço do combustível. Ora, todos nós sabemos que o cerne do problema é a nova política de preços adotada pelo governo Temer e pela Petrobras, que atualmente é presidida por Pedro Parente.

5) Novo parênteses sobre o tema: desde o ano passado, a Petrobras adotou uma nova política de preços, determinando o preço do petróleo em relação à oscilação internacional do dólar. Na época, esse tipo de política foi aplaudida pelo mercado internacional, que viu grande vantagem na venda do combustível refinado para o Brasil. Aqui dentro, segundo relatório da Associação de Engenheiros da Petrobras, a nova política de preços revela o entreguismo da atual presidência da empresa e governo Temer, que busca sucatear as refinarias nacionais dando prioridade para a importação do combustível. Tudo isso foi justificado na época com o argumento que era necessário ajustar as contas da Petrobras e passar confiança aos investidores internacionais.

6) É verdade, portanto, que o movimento em si tem uma percepção um pouco equivocada da principal razão do aumento dos combustíveis, mas isso não significa que toda classe dos caminhoneiros não faça essa relação clara entre o problema da política de preços da Petrobras e o aumento dos combustíveis.

7) De fato, portanto, o grande problema nesse momento é saber quem serão as pessoas a sentar nas mesas de negociação. De um lado, existe uma legítima expressão da classe trabalhadora em defesa das suas condições de trabalho e dos seus meios de produção. O aumento do Diesel é um duro golpe entre os caminhoneiros autônomos e a reivindicação da sua redução, seja pela eliminação dos tributos, seja pelo questionamento da política de preços da Petrobras, é legítima e deve ser comemorada.

8) A questão fundamental agora é saber o que o governo vai barganhar na negociação. Retomo, então, a questão da reoneração da folha de pagamento. O governo já disse que haverá uma reoneração da folha e esse é um dos meios de captação de recursos caso haja fim do Pis/Cofins incidindo sobre os combustíveis. Na prática, porem, a reoneração pode ter um impacto sobre os empregos dos próprios caminhoneiros, resultando em demissões.

9) Se houver o fim da tributação no Diesel, conforme inclusão do relator, Orlando Silva (PCdoB/SP), na Medida Provisória, de parágrafo que exclui a tributação, a classe trabalhadora e toda sociedade serão impactadas. Afinal de contas, com redução de receita, haverá, consequentemente, um corte no repasse da verba para a seguridade social, previdência, saúde, etc.

Considerando tudo o que foi dito, expresso meu incomodo com análises e percepções simplistas da esquerda, ou de pessoas que se dizem da esquerda, sobre o movimento. Locaute virou doce na boca dos analistas de facebook. Porque não atende à nossa noção de “movimento” ideal, os caminhoneiros que legitimamente se mobilizaram em nome da redução do preço do diesel estão sendo taxados de vendidos e cooptados, como uma massa amorfa preparada para ser manipulada.

Os “puristas” não entendem a complexidade da categoria, e tampouco atentam para a dificuldade que é promover a mobilização ampla desses trabalhadores, tendo em vista não só a precarização extrema à qual estão sujeitos, mas também à realidade itinerante de seu trabalho. Soma-se a isso o duro golpe que atualmente foi proferido contra as entidades sindicais menores de autônomos, com o fim da obrigatoriedade do imposto sindical. Sinto dizer aos colegas acadêmicos, portanto, que nem sempre nossos modelos de análise social se aplicam a realidade. Não se trata de uma disputa entre o bem e o mau; nem de um movimento totalmente cooptável e ilegítimo; uma massa manipulável e “bobinha”. Por outro lado, também não é um movimento cujos protagonistas tem uma consciência enquanto classe, enquanto categoria. Não é unificado, as pautas são heterogêneas e também voláteis. Por tudo isso, parte desses trabalhadores expressam reações conservadores e, alguns grupos, visões extremistas sobre a política e suas estratégias de luta.

Nada disso, ao meu ver, torna ilegítima a mobilização. Pelo contrário, é um convite para que busquemos entender mais das categorias sociais e para que aceitemos que as mobilizações sociais nem sempre atendem ao nosso critério idealizado de pauta, objetivo e organização.

 

 

 

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