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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

07
Abr21

Atenção: Bolsonaro vai ficar mais perigoso

Talis Andrade

Passageiros circulam em ônibus lotado nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, ao lado de outdoor crítico a Jair Bolsonaro.

Passageiros circulam em ônibus lotado nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, ao lado de outdoor crítico a Jair Bolsonaro.RICARDO MORAES / REUTERS

Se o impeachment não avançar já, preparem-se para algo ainda pior do que o recorde global de mortos por covid-19

 

Primeiro. Não há a menor condição moral de debater a eleição de 2022. É conversa de gente ruim, que ignora o horror diário do Brasil, que em 6 de abril registrou o recorde de 4.195 mortes por covid-19. Jair Bolsonaro precisa ser submetido a impeachment já. Cada dia a mais com Bolsonaro no poder é um dia com menos brasileiros vivos. Mortos não por fatalidade, porque o mundo vive uma pandemia, mas porque Bolsonaro e seu Governo disseminaram o vírus e converteram o Brasil no contraexemplo global.

Estamos no caminho dos 400.000 mortos. Se o Brasil continuar nesse rumo ―como vários epidemiologistas alertam― superaremos o meio milhão. E ainda assim as mortes vão seguir. Se esse extermínio não for suficiente para mover aqueles que têm a obrigação constitucional de promover ou apoiar o impeachment, é importante acordar para uma grande probabilidade. Bolsonaro é uma besta. Acuado e isolado, quase certamente ficará mais perigoso. É urgente impedi-lo antes que um horror ainda maior do que centenas de milhares de mortes aconteça.

Que Jair Bolsonaro não se importa com ninguém, a não ser ele mesmo e seus filhos homens, é claríssimo. Desde sempre, ele frita aqueles que o ajudaram a se eleger, o advogado Gustavo Bebianno poderia dizer se estivesse vivo. E também aqueles que o ajudaram a se manter governando, o general Fernando Azevedo e Silva que nos conte, já que Bebianno não pode mais. Bolsonaro não tem lealdade a ninguém, só lhe importam seus próprios interesses. Mais do que interesses, Bolsonaro tem apetites. Só lhe importam seus próprios apetites.

Bolsonaro gostou, porém, da popularidade e da ideia de ser o líder de um movimento. Bolsonaro, uma mal acabada mistura de cachorro louco com bobo da corte, que sugou os cofres públicos como deputado sem fazer nada de relevante por quase 30 anos, apreciou ser finalmente levado a sério. E isso teve efeito sobre ele, como teria sobre qualquer pessoa.

Bolsonaro se elegeu e começou a governar com generais apoiando-o, justamente ele, um capitão que saiu do Exército pela porta dos fundos, apenas para não ser preso (mais uma vez). Bolsonaro se elegeu e começou a governar com Paulo Guedes, um economista ultraliberal que tinha as bênçãos dessa entidade metafísica chamada “mercado”, que tanto opina nos jornais ―sempre nervosa e com humores, mas raramente com rosto. Bolsonaro se elegeu e começou a governar com o ainda herói (para muitos) Sergio Moro, com sua capa de juiz justiceiro contra os corruptos. Bolsonaro, que só provocava risadas, de repente era ovacionado como “mito”, escolhido para liderar um país.

Era um delírio, em qualquer mente sã, mas o delírio se realizou porque o Brasil não é um país são. Uma sociedade que convive com a desigualdade racial brasileira não tem como ser sã. Uma maioria de eleitores que vota em alguém que diz que prefere um filho morto num acidente de trânsito a um filho gay e que defende em vídeo que a ditadura deveria ter matado “pelo menos uns 30.000” não pertence a uma sociedade sã. Essa sociedade, da qual todos fazemos parte e portanto somos coletivamente responsáveis, gestou tanto Bolsonaro quanto seus eleitores.

Sem jamais perder de vista seus apetites, Bolsonaro acreditou no delírio. A realidade, porém, foi corroendo-o. Finalmente, no terceiro ano de Governo, Bolsonaro descobre-se isolado. De bufão do Congresso, uma imagem com a qual convivia sem maiores problemas, virou “genocida”. A libertação do politicamente correto, que ele anunciou em seu discurso de posse, pode ter liberado vários horrores, a ponto de permitir que um misógino, racista e homofóbico como ele se tornasse presidente. Mas genocídio é um degrau que ainda continua no mesmo lugar. Não dá para fazer piada com genocídio.

Quem ainda tem algo a perder começou a se afastar de Bolsonaro, com as mais variadas desculpas, ao longo dos primeiros anos de Governo. De Jananína Paschoal a Joyce Hasellmann. Do MBL ao PSL, seu próprio partido. E então Sergio Moro se foi e saiu atirando. E, no final de março, chegou a vez dos militares. Bolsonaro quis dar uma demonstração de força, demitindo um general, e seu apoio nos peitos estrelados das Forças Armadas ficou reduzido à meia dúzia, se tanto, de seus generais de estimação. Bolsonaro ainda precisa conviver com o bafo na nuca do vice Hamilton Mourão. Único não demissível, o general sempre dá um jeito de sutilmente avisar ao país (que já levou três vices ao poder desde a redemocratização, um por morte e dois por impeachment) que está ao dispor se necessário for. Mourão está sempre por ali, dando um jeito de ser lembrado.

queda do chanceler Ernesto Araújo foi um ponto de inflexão no Governo Bolsonaro. Porque Bolsonaro foi obrigado a demiti-lo, e Bolsonaro não gosta de ser obrigado a nada. Ele fica ressentido como uma criança mimada e reage com malcriação ou violência, o que em parte explica a mal calculada demissão do ministro da Defesa, o equivalente a uma cotovelada para mostrar quem manda quando sente que já manda pouco. Mas principalmente porque Ernesto Araújo era importante para Bolsonaro. Ele era o idiota ilustrado de Bolsonaro, aquele que deveria dar uma roupagem supostamente intelectual a um Governo de ignorantes que sabem que são ignorantes.

Araújo sempre foi muito mais importante do que o guru Olavo de Carvalho porque era ele o ideólogo do bolsonarismo dentro do Governo e trazia com ele a legitimidade (e o lustro) de ser um diplomata, quadro de carreira no Itamaraty, ainda que obscuro. Seu discurso de posse como chanceler era uma metralhadora de citações para exibir erudição. A peça final era delirante, mas cuidadosamente pensada como um documento de fundação do que o então chanceler anunciava como uma “nova era”. Um delírio. Mas o que é Bolsonaro no poder senão um delírio que se realizou?

Perder Araújo ou, pior do que isso, ser obrigado a chutá-lo contra a sua vontade, significa para Bolsonaro que não há mais o simulacro de um projeto para além de si mesmo e o anteparo que isso representava, não há anseio ou expectativa de ser algo na história. Bolsonaro é agora também oficialmente só ele mesmo. E ele sabe o que é.

Bolsonaro converteu o Brasil num gigantesco cemitério. E essa tem sido uma manchete recorrente em jornais das mais diversas línguas. Seu projeto de disseminar o vírus para garantir imunidade por contágio, um barco furado em que o premiê Boris Johnson embarcou no início da pandemia, mas pulou fora quando o Reino Unido exibiu as piores estatísticas da Europa, deu ao Governo brasileiro o título de pior condução da pandemia entre todos os países do planeta.

Se as reuniões presenciais de cúpula estivessem permitidas, Bolsonaro teria dificuldades hoje em se manter ao lado de algum chefe de Estado com autoestima e preocupação eleitoral para posar para um retrato oficial. O brasileiro é visto como pária do mundo e estar perto dele pode contaminar o interlocutor. No cenário global ele não é mito, e sim mico (com o perdão ao animal que, graças a Bolsonaro, hoje vive muito pior em todos os seus habitats naturais).

Bolsonaro hoje é radioativo e infectou as relações comerciais do Brasil com o mundo. Grandes redes de supermercados, por exemplo, não querem se arriscar a um boicote por vender carne e outros produtos de um país governado por um destruidor da maior floresta tropical do mundo. Ninguém que tem apreço pela imagem de “democrata” quer negociar com alguém cada vez mais colado ao rótulo de “genocida”, especialmente na Europa pressionada por ativistas climáticos como Greta Thunberg e com os “verdes” aumentando sua influência em vários parlamentos.

Na terça-feira, 199 organizações ambientais brasileiras fizeram uma carta pública a Joe Biden alertando sobre o risco que um acordo de cooperação iminente entre os Estados Unidos e o Governo Bolsonaro traria para a emergência climática, os direitos humanos e a democracia. A descoberta de que o Governo Biden mantém há mais de um mês conversas a portas fechadas com o Governo Bolsonaro sobre meio ambiente surpreendeu o mundo democrático. Segundo a carta, as negociações com Bolsonaro —negacionista da pandemia que desmontou a política ambiental brasileira e que foi acusado por indígenas no Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade— contaminam a narrativa de Biden, que prometeu em sua gestão lidar com a pandemia, o racismo, a crise climática e o papel dos Estados Unidos na promoção da democracia no mundo. “O presidente americano precisa escolher entre cumprir seu discurso de posse e dar recursos e prestígio político a Bolsonaro. Impossível ter ambos”, afirma o texto.

Depois de mais de dois anos com Bolsonaro no poder, o Brasil vive um dos piores momentos de sua história. A economia ruiu. O pib brasileiro é o pior em 24 anos. A fome e a miséria aumentaram. A Amazônia está cada vez mais perto do ponto de não retorno. Os quatro filhos homens de Bolsonaro (a filha mulher, lembram, é só o resultado de uma “fraquejada”) são investigados por corrupção e outros crimes. Sua ligação com as milícias do Rio de Janeiro e o cruzamento com a execução de Marielle Franco, ela sim um ícone, se tornam cada vez mais evidentes. Um após outro grande jornal do mundo estampa Bolsonaro como uma “ameaça global” em seus editoriais e reportagens.

Quem ainda permanece ao lado de Bolsonaro hoje? Paulo Guedes, anunciado como superministro para aplacar os tais humores do tal mercado, desde o início do Governo foi apenas um miniministro. O fato de ainda permanecer como titular da Economia de um Governo com o desempenho do atual diz muito mais sobre Guedes do que sobre Bolsonaro. Se fosse uma empresa privada, essas que ele tanto defende, estaria demitido há muitos meses. E não adianta culpar a pandemia, porque vários governos do mundo, inclusive na América Latina, exibiram desempenhos econômicos muito melhores, inclusive porque fizeram lockdown.

Permanecem também os líderes do evangelismo de mercado. É importante diferenciar os evangélicos para não cometer injustiças. Quem apoiou e apoia Bolsonaro e suas políticas de mortes são os grandes pastores ligados ao neopentecostalismo e ao pentecostalismo que converteram a religião num dos negócios mais lucrativos dessa época, e também algumas figuras católicas. Beneficiadas com um perdão de débitos concedido sob a bênção de Bolsonaro, as igrejas acumulam 1,9 bilhão de reais na Dívida Ativa da União, dinheiro este, é importante assinalar, que pertence à população e dela está sendo tirado. Sem compromisso com a vida dos fiéis, esses mesmos pastores e padres abriram os templos na Páscoa, autorizados por Nunes Marques, ministro de estimação de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal, produzindo aglomerações no momento em que o Brasil a cada dia superava o anterior no recorde de mortes por covid-19.

E permanecem também uma meia dúzia de generais de pijama, dos quais os generais da ativa tentam desesperadamente se distanciar para não corromper ainda mais a imagem das Forças Armadas. Há ainda o Centrão, o numeroso grupo de deputados de aluguel que hoje comanda o Congresso, mas que já mostraram que podem mudar de lado, se mais lucrativo for, da noite para o dia, como fizeram com Dilma Rousseff (PT) no passado recentíssimo. É esse rebotalho que resta hoje a Bolsonaro, que já não encontra quadros minimamente convincentes nem para recompor seu próprio Governo.

Bolsonaro, que gostou de ser popular, vê hoje baixas na sua base de apoio, assombrosamente fiel apesar dos horrores do seu Governo ―ou por causa dele. Sua popularidade está em queda. É certo que sempre haverá de restar aquele grupo totalmente identificado com Bolsonaro, para o qual negar Bolsonaro é negar a si mesmo. Esse grupo, ainda que minoritário, é lamentavelmente significativo. Lamentavelmente porque mostra que há uma parcela de brasileiros capazes de ignorar as centenas de milhares de mortes ao seu redor, mesmo quando há perdas dentro de sua casa. Esse é um traço de distorção mental complicado de lidar numa sociedade, mas não é novo, na medida em que a sociedade brasileira sempre conviveu com a morte sistemática dos mais frágeis, seja por fome, por doença não tratada ou por bala “perdida” da polícia.

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Porém, todos aqueles que encontrarem alguma brecha para se desidentificar de Bolsonaro ou para dizer que foram enganados por ele na eleição estão se afastando horrorizados. Como sociedade, precisamos parar de renegar os eleitores arrependidos de Bolsonaro, porque é necessário dar saída às pessoas ou elas serão obrigadas a permanecer no mesmo lugar. Todos têm o direito de mudar de ideia, o que não os exime da responsabilidade pelos atos aos quais suas ideias os levaram no passado.

Bolsonaro se descobre isolado. E se descobre feio, pária do mundo. Nem mesmo líderes de direita de outros países querem vê-lo por perto. Antigos apoiadores, que lucraram muito com ele, vão vazando pela primeira brecha que encontram. Bolsonaro está acuado, como mostrou ao demitir o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva. E Bolsonaro acuado é ainda mais perigoso, porque ele não gosta de perder e tem cada vez menos a perder. Este é um homem, ninguém tem o direito de esquecer, que planejou explodir bombas em quartéis para pressionar por melhores salários. Explodir bombas diz muito sobre alguém. Mas é preciso também prestar atenção no porquê: para melhorar seu próprio soldo. Bolsonaro só age fundamentalmente por si mesmo. Sua vida é a única que importa, como está mais do que provado.

A ideia ridícula de que ele é controlável é isso mesmo: ridícula. E, em vários momentos, também oportunista, para alguns justificarem o injustificável, que é seguir compondo com Bolsonaro. O homem que governa o Brasil é bestial. Se move por apetites, por explosões, por delírios. Mas não é burro. Aliado às forças mais predatórias do Brasil, ele destruiu grande parte do arcabouço de direitos duramente conquistados, um trabalho iniciado por Michel Temer (MDB) antes dele. Também desmontou a legislação ambiental e enfraqueceu os órgãos de proteção, abrindo a Amazônia para exploração em níveis só superados pela ditadura civil-militar (1964-1985). Bolsonaro governa. E, não tenham dúvidas, seguirá governando enquanto não for impedido.

É necessário compreender que Bolsonaro é uma besta, sim, no sentido de sua bestialidade. Mas é uma besta inteligente e com projeto. Poucos governantes executaram com tanta rapidez seu projeto ao assumir o poder. Com exceção do discurso vazio da anticorrupção, Bolsonaro fez e faz exatamente o que anunciou na campanha eleitoral que faria. É por essa razão que isso que chamam “mercado” está sempre prestes “a perder a paciência” com ele, mas como demora... Demora porque sempre pode ganhar um pouco mais com Bolsonaro. Isso que chamam mercado inventou as regras que movem o Centrão. O que vale são os fins e os fins são os lucros privados, o povo que se exploda. Ou que morra na fila do hospital, como agora. O mercado é o Centrão com pedigree. Muito mais antigo e experiente que seu arremedo no Congresso.

Bolsonaro precisa ser impedido já, porque o que fará a seguir poderá ser muito pior e mais mortífero do que o que fez até agora. E precisa ser impedido também pelo óbvio: porque constitucionalmente alguém que cometeu os crimes de responsabilidade que ele cometeu não tem o direito legal e ético de permanecer na presidência. Ter impedido Dilma Rousseff por “pedaladas fiscais” e não fazer o impeachment de Bolsonaro “por falta de condições de fazer um impeachment agora” ou porque “o impeachment é um remédio muito amargo” é incompatível com qualquer projeto de democracia. É incompatível mesmo com uma democracia esfarrapada como a brasileira. E haverá consequências.

O que resta agora a Bolsonaro, cada vez mais isolado e acuado, é olhar para Donald Trump e aprender com os erros e acertos de seu ídolo. Ele seguirá tentando o autogolpe, mesmo com as Forças Armadas afirmando seu papel constitucional. Ele seguirá apostando naqueles que o mantiveram por quase 30 anos como deputado, sua base desde os tempos em que queria explodir os quartéis: as baixas patentes das Forças Armadas e, principalmente, as PMs dos Estados.

Bolsonaro se prepara muito antes de Trump. Se conseguirá ou não, é uma incógnita. Mas aqueles sentados sobre mais de 70 pedidos de impeachment e aqueles que ainda sustentam o Governo vão mesmo pagar para ver? É sério que vão seguir discutindo uma “solução de centro” para a eleição de 2022 e ignorar todos os crimes de responsabilidade cometidos por Bolsonaro? É sério que ainda não entenderam que ele sempre esteve fora de controle porque as instituições que deveria controlá-lo pelo respeito à Constituição abriram mão de fazê-lo?

É sério que vão se arriscar a reproduzir no Brasil, de forma muito mais violenta, a “insurreição” vivida pelo Congresso americano em 6 de janeiro de 2021, quando o Capitólio foi invadido por seguidores inflamados por Donald Trump? Vale lembrar do republicano Mike Pence, vice-presidente no Governo de Trump, e do republicano Mitch McConnell, líder do partido no Senado: deram a Trump tudo o que ele queria, acreditando-se a salvo, até descobrir em 6 de janeiro que também estavam ameaçados. Não se controla bestas.

No Brasil, porém, com uma democracia muito mais frágil, qualquer uma das aventuras perversas de Bolsonaro poderá ter consequências muito mais sangrentas. Posso estar errada, mas acredito que Trump não pretendia que houvesse mortes. Ele é um político inescrupuloso, um negociante desonesto, um mentiroso compulsivo e um showman que adora holofotes, mas não acho que seja um matador. Já Bolsonaro é notoriamente um defensor da violência como modo de agir, que defende o armamento da população e claramente goza com a dor do outro. Bolsonaro acredita no sangue e acredita em infligir dor. Perto de Bolsonaro, Trump é um garoto levado com topete esquisito. E Bolsonaro está se movendo.

Quantos brasileiras e brasileiros ainda precisam morrer?

O Brasil já exibe números de mortos por covid-19 comparáveis a grandes projetos de extermínio da história. E as covas continuam sendo abertas a uma média diária de quase 3.000 por dia. Grande parte dessas mortes poderiam ter sido evitadas se Bolsonaro e seu Governo tivessem combatido a covid-19. Isso não é uma opinião, é um fato comprovado por pesquisas sérias. O sistema público de saúde está colapsado. O sistema privado de saúde também está colapsado. Hoje não adianta nem mesmo ter dinheiro no Brasil. As pessoas estão morrendo na fila, o que também está comprovado. Hospitais privados de ponta estão racionando oxigênio e diluindo sedativos. E as mortes seguem multiplicando-se.

A pergunta às autoridades responsáveis, de todas as áreas, no âmbito público e no privado, é: quantas brasileiras e quantos brasileiros mais precisam morrer para que vocês façam seu dever? Muitos de nós ainda morreremos, mas eu garanto: muitos de nós viveremos para nomear a responsabilidade de cada um na história. Seus nomes serão grafados com a vergonha dos covardes e seus descendentes terão o sobrenome manchado de sangue. Não morreremos em silêncio. E os que sobreviverem dirão o nome de cada um de vocês, dia após dia.

 

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15
Mai20

Greta Thunberg grava vídeo em que pede ajuda para combate ao Covid em Manaus

Talis Andrade

 

A ativista Greta Thunberg gravou um vídeo pedindo ajuda internacional a Manaus e à Amazônia contra a pandemia do novo coronavírus.

"Manaus é o coração do que você conhece como a floresta amazônica. A consequência da morte dos povos da Amazônia e da destruição da floresta amazônica serão globais", diz Greta.

“Manaus é o epicentro da pandemia de Covid-19 na Floresta Amazônica”, declarou o brasileiro João Duccini, no vídeo. Na sequência, a também brasileira Valentina Ruas, de 16 anos, afirmou: “E o seu sistema de saúde não vai colapsar”, “porque ele já colapsou”, concluiu Amália Garcez, de 16 anos. Treze ativistas de diferentes países, como Brasil, Irlanda do Norte, Nova Zelândia, Portugal e Suécia, participaram da gravação. Em português, todos, incluindo Greta, concluem com a mensagem: “salvem a Amazônia”.

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03
Abr20

O futuro está em disputa: pode ser Gênesis ou Apocalipse (ou apenas mais da mesma brutalidade)

Talis Andrade

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II - O vírus somos nós (ou uma parte de nós)

POR ELIANE BRUM

 

Se usamos a palavra guerra, precisamos olhar cuidadosamente para o inimigo. É o vírus, essa criatura que parece uma bolinha microscópica cheia de pelos, quase fofa? É o vírus, esse organismo que só segue o imperativo de se reproduzir? Penso que não. O vírus não tem consciência, não tem moral, não tem escolha. Vamos precisar derrotá-lo em nossos corpos, neutralizá-lo para reiniciar isso que chamamos de o outro mundo que virá. Tudo indica, porém, que outras pandemias acontecerão, outras mutações. A forma como vivemos neste planeta nos tornou vítimas de pandemias. O inimigo somos nós. Não exatamente nós, mas o capitalismo que nos submete a um modo mortífero de viver. E, se nos submete, é porque, com maior ou menor resistência, o aceitamos. Escapar do vírus da vez poderá não nos salvar do próximo. O modo de viver precisa mudar. Nossa sociedade precisa se tornar outra.

O impasse imposto pela pandemia não é novo. É o mesmo impasse colocado há anos, décadas, pela emergência climática. Os cientistas —e mais recentemente os adolescentes— repetem e gritam que é preciso mudar urgentemente o jeito de viver ou estaremos condenados ao desaparecimento de parte da população. E, quem sobreviver, estará condenado a uma existência muito pior num planeta hostil.

Todos os dados mostram que a Terra, esta que segue redonda, está superaquecendo em níveis incompatíveis com a vida de muitas espécies. Esse superaquecimento mudará radicalmente —para pior— o nosso habitat. Todas as informações científicas apontam que é preciso parar de devorar o planeta, que há que se mudar radicalmente os padrões de consumo, que a ideia de crescimento infinito é uma impossibilidade lógica num mundo finito. É um fato comprovado que os humanos, pela emissão de carbono desde a revolução industrial, cortando árvores, queimando carvão e depois petróleo, se tornaram uma força de destruição capaz de alterar o clima do planeta.

Desde o segundo semestre de 2018 adolescentes do mundo inteiro abandonam as escolas toda sexta-feira para gritar nas ruas que os adultos estão roubando seu futuro. Eles dizem: parem de consumir, fiquem no chão, nosso planeta não aguenta mais tanta emissão de carbono. Dizem ainda, literalmente: “vocês estão cagando no nosso futuro”. Greta Thumberg, a jovem ativista sueca, avisou repetidamente: “nossa casa está em chamas”. Acordem.

Está tudo escrito, falado, repetido, documentado. Ninguém pode dizer que não sabe. Bem, Bolsonaro, o maníaco que nos governa, sempre pode, porque diz e desdiz a cada minuto. Mas, sério, quem ainda aguenta falar nesse demente, que está criminosamente aumentando o risco de morte dos brasileiros, a não ser para gritar “Fora!”? Isolemos esse boçal, deixemos Bolsonaro procurando onde estão suas orelhas, aprendendo a como enfiar a máscara no rosto sem tapar os olhos.

O efeito da pandemia é o efeito concentrado, agudo, do que a crise climática está produzindo de forma muito mais lenta. É como se o vírus desse uma palhinha do que viveremos logo mais. Conforme os níveis de superaquecimento global, chegaremos a um estágio de transformação do clima e, por consequência do planeta, para o qual não há volta, não há vacina, não há antídoto. O planeta será outro.

É por isso que cientistas, intelectuais indígenas e ativistas climáticos têm gritado para uma maioria que se finge de surda, para não ter que sair do seu conforto mudando velhos hábitos, que é preciso alterar os padrões de consumo radicalmente, que é preciso pressionar radicalmente os governantes para políticas públicas imediatas, que é preciso combater radicalmente as grandes corporações que destroem o planeta. Mas, como a crise climática é lenta, sempre foi possível fingir que não estava acontecendo, chegando ao paroxismo de eleger negacionistas como Jair Bolsonaro, Donald Trump e toda a conhecida corja de destruidores do mundo. (Continua)

 

16
Dez19

Os sinais do fascismo

Talis Andrade

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Por Laurindo Lalo Leal Filho

Começo com uma citação. Mas não é de nenhum erudito. Diz o seguinte: “ela é uma histérica, ela é uma mal-amada. Vá fumar seu baseadinho lá na Suécia”. “Ela está precisando de um homem, de um macho ou de uma fêmea. Se ela não gosta de homem, que pegue uma mulher” [1]. O autor dessas belíssimas frases é o radialista Gustavo Negreiros, da rádio 96FM de Natal, no Rio Grande do Norte. Ele referia-se à ativista ambiental sueca Greta Thumberg, de 16 anos, que havia feito um discurso em defesa do meio ambiente na reunião da Cúpula do Clima, promovida pela ONU. Até o ano passado o autor dessas agressões verbais ocupava o cargo de Sub Secretário de Turismo do Estado. Por pressão dos patrocinadores da emissora foi demitido.

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Infelizmente é preciso revirar esses dejetos para entender de forma clara a presença de traços do fascismo na conjuntura atual do Brasil e a contribuição dos meios eletrônicos de comunicação, rádio e televisão na sua disseminação. As frases misóginas aqui reproduzidas são apenas um simples exemplo de um conjunto de discursos autoritários transmitidos pelos meios de comunicação ao longo de décadas. Eles sustentam as mais diferentes formas de discriminação, construindo um ideário de separações e de subordinações entre diferentes grupos sociais.

Num livro recente, que tem como título Como funciona o fascismo, a política do nós e eles(LP&M), Jason Stanley, professor de filosofia na Universidade de Yale, descreve um conjunto de estratégias presentes nas formas fascistas de conquistar e manter o poder político. São elas “as referencias ao passado mítico, a propaganda, o anti-intelectualismo, a irrealidade, a hierarquia, a vitimização, a lei e a ordem, a ansiedade sexual, os apelos à noção de pátria e a desarticulação da união e do bem-estar público”.

Diante do dado selecionado a respeito do radialista de Natal, por ser recente e de relativa repercussão nacional, cabe ressaltar uma das referências classificadas pelo autor do livro, a da ansiedade sexual. Ele cita um trecho de um trabalho de Julia Serrano chamado Whipping Girl em que mulheres trans, por escolherem a feminilidade, representam uma séria ameaça às ideologias patriarcais.

Diz ela: “Nossa hierarquia de gênero centrada no homem, dentro da qual se supõe que os homens são melhores que as mulheres e que a masculinidade é superior à feminilidade, não há maior ameaça do que a existência de mulheres trans, que apesar de terem nascido homens e herdado o privilégio de serem homens ‘decidiram’ ser mulheres. Ao abraçar nossa própria feminilidade, nós, em certo sentido, lançamos dúvida sobre a suposta supremacia da masculinidade. Para diminuir a ameaça que representamos à hierarquia de gênero centrada no homem, nossa cultura (principalmente através da mídia) usa, para nos preterir, toda a tática disponível em seu arsenal de sexismo tradicional” [2].

No exemplo citado o sexismo é evidente. E pode ser visto como uma forma de combate, ao que os protofascistas consideram um perigoso ataque à hierarquia de gênero. O protagonismo internacional de uma jovem de 16 anos, contrapondo-se a um sistema global fundado na destruição do meio ambiente, é inconcebível para uma cultura calcada na discriminação de gênero, com nítidos desdobramentos políticos.

No caso brasileiro há uma longa história de imposição de valores e ideias por meio do rádio e da TV numa escala desenvolvida de forma contínua que vai de diferentes tipos e ações de preconceito, passa pelo conservadorismo político e cultural, atinge graus de protofascismo até chegar explicitamente a mensagens fascistas. Formas que atuam juntas e combinadas.

Fico aqui com o conceito de protofascismo, como forma embrionária e rudimentar presentes na formação de uma política de governos fascistas. Junto-me a professora Valéria Fontes da Universidade Federal Fluminense ao afirmar que “o governo que se implantou em 2019, presidido por Jair Bolsonaro, tem viés nitidamente protofascista, lastreado centralmente em um anticomunismo primário, que considera todas as demais forças sociais diferentes de si mesmo como alvos de sua “caça às bruxas”. O lema ‘Deus, pátria e família’, verbalizado por expoentes do novo governo, faz lembrar tanto o velho integralismo (fascismo à brasileira, fundado em 1932 e que desaparece na década de 1970, com seus militantes absorvidos por outros partidos) quanto a divisa da hiper reacionária Tradição, Família e Propriedade (católica), que renasce das cinzas após essas eleições, tendo um grupo paramilitar realizado rituais de destruição de bandeiras antifascistas em universidades públicas. O caráter do novo governo não significa que tenha sido implantado no Brasil um ‘regime fascista’, mas evidencia que há tendências fortes nessa direção, e os seus desdobramentos dependerão do quadro de resistência e enfrentamento nacional, assim como das tensões internacionais” [3].

A mídia eletrônica foi decisiva para a capilarização dessas tendências protofascistas e a raiz desse processo está no modo como foi instalado e se consolidou o sistema eletrônico de comunicação social no Brasil. Calcado no modelo estadounidense, mas sem nenhum dos controles existentes naquele pais, por aqui eliminou-se o caráter público da informação, da cultura e do entretenimento, razão de ser dessas mídias, entregando-as ao mercado.

Os espaços públicos por onde circulam as ondas de rádio e TV foram privatizados. Embora regidos por ordenamentos legais que têm no seu cerne a figura da concessão desses espaços pelo Estado, na prática eles foram entregues sem maiores exigências a grupos privados de comunicação que perpetuaram suas posses. Como regra geral donos de jornais obtiveram concessões de emissoras de rádio e, com o advento da televisão, tornaram-se concessionários dessa nova mídia, alegando ser ela uma mera extensão do rádio. A revisão periódica dessas concessões, determinada pela Constituição de 1988, tornou-se mera formalidade, perpetuando-as entre os seus detentores históricos.

É preciso deixar claro que essas concessões são feitas pelo Estado, através dos governos de turno, em nome da sociedade. Dessa forma, caberia à sociedade através de mecanismos institucionais, acompanhar e avaliar a qualidade dos serviços prestados pelos concessionários. Tímidas propostas nesse sentido, realizadas por parlamentares, não prosperaram e aqueles que tomaram essas iniciativas passaram a ser alvo de perseguição jornalística.

Não apenas na questão das concessões a Constituição é desrespeitada. Ela inovou ao ter inserido em seus capítulos um dedicado exclusivamente à Comunicação Social. Se transformados em lei e aplicados, seus dispositivos teriam democratizado a comunicação e aprofundado, enquanto houve tempo, a democracia brasileira. Um deles impedia a existência de monopólios e oligopólios no setor, regra nunca cumprida, permitindo que um pequeno número de famílias controle praticamente todo a comunicação no país.

Esse poder foi conquistado devido a essa falta de regulação, possibilitando ao setor operar dentro da lógica da acumulação capitalista, como se fosse um segmento da economia, cuja mercadoria comercializada não tivesse características peculiares. Informação, cultura e entretenimento são produtos que não se esgotam no simples consumo por carregarem dentro de si ideias, valores, modos de vida, visões de mundo. Daí a necessidade de terem tratamento especial, capaz de garantir a oferta da maior diversidade possível, dando ampla liberdade de escolha ao receptor.

No Brasil, o Estado sempre se manteve omisso em relação a essa necessidade e seguidos governos procuraram contemporizar com os grupos de comunicação, temendo a força por eles conquistada.

A chegada ao poder de um governo com fortes traços protofascistas é resultado, em grande parte, do quadro demonstrado até aqui. O compromisso dos grandes grupos de comunicação sempre foi com os interesses das oligarquias nacionais, articuladas e quase invariavelmente subordinadas ao grande capital internacional. Qualquer tentativa de rompimento dessa lógica passava a sofrer ataques virulentos e desestabilizadores.

Foi assim em 1954 com a morte do presidente Vargas, em 1964 com deposição do presidente Goulart e em 2016 com o golpe parlamentar contra a presidenta Dilma. Só não vitimou o presidente Lula porque suas políticas de inclusão social lhe garantiram um apoio popular capaz de neutralizar os ataques dos meios de comunicação.

A etapa mais recente desse processo de desestabilização posto em prática pela mídia tem como componentes centrais a sua articulação com o Judiciário e a campanha de criminalização da política. Pela primeira vez na história brasileira ministros do Supremo Tribunal Federal tornaram-se pop stars ganhando capaz de revistas, manchetes de jornais e generosos espaços no rádio e na televisão.

Um deles foi chamado de “o menino pobre que mudou o Brasil” [4] por chefiar a operação judicial denominada pela mídia de “Mensalão”, termo de fácil compreensão popular, cuja formulação está mais no nível da propaganda do que do jornalismo. Técnica publicitária que se repetiu com a expressão Lava Jato, capaz de tornar-se emblema de uma operação inédita no país de articulação entre a mídia e setores do Judiciário.

Explicitada por seu mentor, o então juiz Sérgio Moro, em artigo no qual deixava claro que a operação só teria êxito se houvesse forte apoio popular obtido através dos meios de comunicação. Tentava reproduzir no Brasil a relação do judiciário italiano com a mídia, no curso da operação que ficou conhecida como “mãos limpas”, naquele país. E assim foi feito.

No caso brasileiro, descobriu-se depois, com a revelações do site The Intercept Brasil, que os processos e as prisões por corrupção serviram apenas como ornamento para os objetivos reais da operação. Tratava-se de fato de um conjunto de ações destinado a criminalizar a política, alijando dela atores inconvenientes, e a frear o início de uma participação mais robusta do Brasil no cenário econômico internacional, como mostra recente artigo do economista Márcio Pochmann no site Carta Maior.

Diz ele: “Estranha coincidência: a descoberta do pré-sal colocaria o Brasil na Opep, empreiteiras brasileiras respondiam por mais de 3 por cento do setor de construção no mundo; Embraer despontava na aviação comercial, submarino nuclear e indústria em alta. Tudo isso ruiu com a Lava Jato”. E prossegue: “a retórica do Brasil acima de tudo se desmancha na concretude da continência para a bandeira dos EUA, do Trump como guru, da Embraer para a Boieng, de Alcântara para a NASA, do petróleo do pré-sal da Petrobras para as estrangeiras ExxonChevron e muito mais” [5].

O título do artigo publicado no site Carta Maior é longo, mas significativo: “Pochmann passeia o drone sobre a montanha desordenada de ruínas onde antes havia um pais em construção. Na placa: ‘Demolidora Moro & CIA”. Sob o manto do combate à corrupção escondiam-se os reais objetivos da Lava Jato. Os ataques por ela proporcionados à soberania nacional não faziam e nem fazem parte das pautas dos veículos hegemônicos de comunicação no Brasil.

O surrado argumento da luta contra a corrupção foi usado de forma indiscriminada, repetindo a mesma ladainha utilizada em outras ocasiões aqui no Brasil e em outras partes do mundo por grupos e partidos de direita contra governos populares. “Mascarar a corrupção sob o disfarce da anticorrupção é uma estratégia marcante da propaganda fascista”, diz o professor Stanley” [6].

A supervalorização da Lava Jato, sem nenhuma observação crítica, se associou e contribuiu para a criminalização da política, abrindo caminho para aventureiros, como já havia ocorrido e continua a ocorrer em outros países. Nas últimas eleições presidenciais, depois de apoiar o golpe e a prisão política do ex-presidente Lula, a mídia viu-se sem um candidato que pudesse chamar de seu. Os nomes colocados como balões de ensaio fracassaram e o que restou a ela foi a candidatura de extrema direita.

Nesse quadro a mídia cometeu um dos mais dramáticos erros de avaliação sobre a continuidade do processo democrático no Brasil. Apostou na teoria dos dois demônios, equiparando uma candidatura respeitosa da ordem democrática com aquela que já se apresentava com cores nitidamente protofascistas. E impôs à sociedade essa falsa equiparação.

O jornal O Estado de S. Paulo chegou ao extremo de publicar um editorial, às vésperas da eleição presidencial, com o título: “Uma escolha muito difícil”. Difícil é saber que critérios de análise das candidaturas levaram o jornal a tão árduo dilema, assim como quase todos as emissoras de rádio e televisão. A questão que se punha, ainda no período pré-eleitoral, não era a da disputa entre duas candidaturas balizadas pelos limites republicanos e democráticos. Só o apoio do candidato de extrema direita à ditadura de 64, às práticas de tortura e as ameaças de expulsão ou de prisão dos seus adversários de esquerda bastavam para dirimir qualquer dúvida. Algo que a mídia decidiu não fazer.

Momentos como esse evidenciam como a mídia estimula sintomas fascistas muitas vezes ainda em latência. Mas é no cotidiano que se dá o trabalho menos evidente embora mais persistente. Basta assistir em qualquer parte do Brasil programas de rádio e TV incentivadores do ódio e da violência, exibidos a qualquer hora do dia ou da noite. Neles estão presentes, todos dias, quase todas as evidências do fascismo classificadas pelo professor Stanley e antes mencionadas.

Exalta-se a violência para combater a violência, exibem-se desvalidos como criminosos, pede-se lei e ordem sem muita preocupação com os direitos da cidadania, faz-se troça com defensores dos direitos humanos, apela-se para símbolos patrióticos mas esquece-se da venda dos ativos nacionais, faz-se propaganda de candidaturas de direita e de extrema-direita levando-as a compor bancadas cada vez maiores nos legislativos de todos os níveis. Isso diariamente, em doses homeopáticas, de forma persistente.

E assim o ovo da serpente vai sendo chocado.

ovos moro serpentes.jpg

 

---

[1]. “Greta Thunberg sofre ataques machistas e apoiadores lançam #DesculpaGreta”. Carta Capital. São Paulo, 18/10/2019.

[2] SERRANO, Julia. Whipping Girl: A Transexual Woman on Sexism and the Scapegoating of Femininity, p. 15, Berkeley, Seal Press, 2007.

[3] FONTES, Valéria. “O núcleo central do governo Bolsonaro, o protofascismo. Esquerda online, 8/1/2019.

[4] “O menino pobre que mudou o Brasil”. In: revista Veja, São Paulo, 10/10/2012.

[5] POCHMANN, Márcio. “Pochmann passeia o drone sobre a montanha desmoronada de ruínas onde antes havia um pais em construção. “Demolidora: Moro & CIA”. Carta Maior, São Paulo, 9/10/2019.

[6] STANLEY, Jason. Idem.

15
Dez19

Bolsonaro leva o prêmio “Fóssil do Ano”

Talis Andrade

greta.jpg

 

 

Por Altamiro Borges

A imagem do Brasil no exterior se deteriora rapidamente por inúmeros motivos – desde o piriri verborrágico racista, machista e homofóbico de Jair Bolsonaro até as mancadas da “diplomacia olavista” em vários fóruns internacionais. Mas o que mais desgasta o país segue sendo a política ambiental destrutiva e irresponsável imposta pelo “capetão” e seu ministro das queimadas, Ricardo Salles. Nesta sexta-feira (13), o Brasil recebeu o vexatório prêmio de “Fóssil do Ano” no final da conferência da ONU sobre mudanças climáticas (COP-25), em Madri. 

Segundo relato da Folha, “é a primeira vez que o país leva o prêmio em referência às suas ações ao longo de todo o ano. A premiação acusa o governo Bolsonaro de ter desmontado as políticas ambientais que levaram às reduções de emissões do país, enquanto criminaliza ambientalista. Também aponta o aumento nas taxas de desmatamento e da invasão de terras indígenas”. A "honraria" foi concedida por uma rede que representa mais de 1.000 ONGs ambientalistas no mundo, a CAN (Rede de Ação Climática) e que já havia dado outros dois “prêmios” ao país. “Com a marca inédita de três troféus, o Brasil sofre uma mudança radical na sua imagem”.

 
Confira a íntegra do texto lido na entrega do prêmio “Fóssil do Ano” ao Brasil:

*****

Que diferença um ano faz. Berço da Convenção do Clima da ONU e amplamente elogiado por cortes impressionantes em suas emissões na última década, o Brasil se tornou um pária climático.

Onze meses após o início do governo de Jair Bolsonaro, o país se juntou aos Estados Unidos como uma das maiores ameaças ao Acordo de Paris – e ao planeta.Bolsonaro, autointitulado “Capitão Motosserra”, conseguiu desmontar as políticas ambientais que ajudaram o Brasil a conseguir reduções espetaculares de emissões entre 2005 e 2012.

Os resultados disso foram as maiores taxas de desmatamento na Amazônia em uma década, um salto nas invasões de terras e o assassinato de três lideranças indígenas apenas nesta semana. O governo também está criminalizando ambientalistas – que Bolsonaro notoriamente culpou pelos incêndios na floresta.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, um negacionista do clima, chefiou a delegação brasileira na COP25, amordaçando diplomatas e tentando chantagear países ricos a lhe dar dinheiro em troca do aumento da destruição da Amazônia. Isso, é claro, não funcionou, então Salles começou a criticar a própria NDC de seu país, chamando-a de “caridade com chapéu alheio”.

O cenário de terra arrasada doméstico teve efeitos em Madri. O Brasil apresentou alguns comportamentos bizarros, como o de bloquear a menção a direitos humanos no artigo 6.4 e opor-se à menção a “emergência climática” na decisão da COP. E alguns comportamentos tradicionais, como insistir em regras frouxas de contabilidade no artigo 6.4 e inundar o mercado com créditos podres do Protocolo de Kyoto para agradar a antigos lobbies que, ao contrário da sociedade civil, não deixaram de receber crachás oficiais para vir a Madri.

Jair Bolsonaro é uma bomba de carbono ambulante que sem dúvida merece esse grande reconhecimento, o Fóssil Colossal.

***** 

Para confirmar a justeza da premiação, nesta semana o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que o laranjal bolsonariano tentou desqualificar, divulgou que o desmatamento na Amazônia cresceu 104% em novembro em relação ao mesmo mês de 2018. Até o início de dezembro, 2019 já apresenta um aumento da destruição na região de 84% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados são do Deter (sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real), que auxilia as ações de combate à destruição da floresta. 

Ainda segundo a Folha, “desde o fim do ano passado, o Deter já vinha apontando um crescimento acentuado no desmatamento. Alertado sobre os dados, o governo Jair Bolsonaro os questionou. O caso culminou na demissão do então diretor do Inpe, Ricardo Galvão, em agosto. Mas a tendência de alta de desmate apontada pelo Deter se confirmou... Mesmo com as altas constantes, Ricardo Salles ainda não apresentou planos para reverter a situação... Recentemente, após se reunir com infratores ambientais – entre eles, o autor de uma ameaça de morte contra um servidor do ICMBio –, o ministro suspendeu a fiscalização na reserva Chico Mendes”.
 

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15
Dez19

A Pirralha E O Presidente

Talis Andrade

 

 

por As Cartas do Pai por Ivan Cosenza

latuff pirralha greta.jpeg

 

Pai,
Hoje queria te contar uma fábula.

Era uma vez,
um presidente que foi eleito divulgando Fake News.
Não entendia de economia.
Não entendia de educação.
Não conhecia da história do seu país.
Negava a Ditadura Militar.
Era a favor de tortura e tinha como ídolo um torturador e estuprador.
Era a favor do desmatamento da maior floresta do mundo, para exploração mineral.
Era racista, homofóbico, xenófobo e machista.
Defendia fazendeiros proprietários de terras contra invasores, mas queria tirar terras dos primeiros proprietários de terras do seu país, os índios!
Em uma bela manhã de sol, invadiram as terras desses índios e mataram algumas lideranças indígenas, no país deste presidente.
Foi então que surgiu uma pirralha.
Greta, era o nome dela.
A pirralha, reconhecida mundialmente por sua militância climática, denunciou a morte desses índios.
Mostrou em seus discursos, que entendia do que estava falando.
O presidente que não entendia sobre nada, disse que a pirralha que não sabia do que estava falando.
O presidente disse que o país era dele, mesmo não entendendo sobre nada do seu país.
Disse enfim que a imprensa não tinha que dar espaço para uma pirralha.
FIM
Moral da história:
A Pirralha foi eleita a Personalidade do ano.
O presidente foi eleito o idiota do ano.

o-imbecill bolsonaro idiota.jpg

 

11
Dez19

Bolsanaro falastrão infla a hashtag #PirralhaOfTheYear

Talis Andrade

 

chacota do dia .jpeg

@lysay237
Hoje é um dia muito especial, entrem no google e pesquisem pessoa do ano, em seguida vocês pesquisem IDIOTA DO ANO. A satisfação fica por minha conta. #PirralhaOfTheYear
@cynaramenezes
 
dá-lhe pirralha! chupa bolsonaro! #PirralhaOfTheYear twitter.com/TIME/status/12
 

persona do dia.jpeg

João Mikhail 
 
#PirralhaOfTheYear Recadinho pro Bozo .... 30 anos mamando no estado sem fazer nada pelo povo !
 
Image
 
@L_goes
Mas quequeisso Brazil. #PirralhaOfTheYear
 
 
Image
 
@arnaldocomin
Se alguém ainda não se deu conta da importância da Personalidade do Ano, esse vídeo resume tudo. #PirralhaOfTheYear
Quote Tweet
@Reuters
Brazil's Jair Bolsonaro calls Greta Thunberg a ‘brat,’ becoming the latest in a line of male leaders and celebrities who have lashed out at the young climate activist reut.rs/2rmil29
@JulioFlavio_08
Eu não sou ninguém e não tenho alcance nenhum aqui, mas se você acha o presidente, aquele que enaltece torturador e ditador e quer criar partido que prima por armas e Deus ao mesmo tempo, o pica das galáxias, por criticar uma menina ativista pfvr me explica pq #PirralhaOfTheYear

greta.jpeg

 

 
11
Dez19

Bolsonaro volta a insultar Greta e diz que ela fala "qualquer besteira"

Talis Andrade

greta _amarildo.jpg

 

247 -  Jair Bolsonaro disparou novas ofensas contra a ativista ambiental Greta Thunberg, de 16 anos. Ele voltou a repetir o que disse na última terça-feira e chamou a jovem de "pirralha", em coletiva de imprensa que concedeu no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (11). Ele também acrescentou que a "garota fala qualquer bobagem". O que o ocupante do Planalto não previa é que horas depois Greta seria indicada personalidade do ano pela "Time", uma das mais conhecidas revistas de notícias semanais do mundo.

"Uma pirralha de 16 anos fala qualquer besteira lá fora, qualquer besteira, falou pronto, para dar porrada no Brasil o pessoal dá destaque. Ela, inclusive acusou agora que os índios morreram porque estavam defendendo a Amazônia. Ninguém sabe a causa ainda — disse Bolsonaro", como relatou reportagem do portal O Globo. 

Relembrem o caso: 

Ontem, Bolsonaro disparou ataques contra a ativista Greta Thunberg, chamando a jovem de apenas 16 anos de "pirralha", por conta de Thunberg denunciar ao mundo a morte de dois índios da etnia Guajajara em um atentado no sábado (7) na BR-226. 

Thunberg respondeu com ironia, mudando sua biografia no Twitter para "pirralha".

cacinho greta.jpg

 

11
Dez19

Insultada por Bolsonaro, Greta Thunberg, a "pirralha", é personalidade do ano da Time

Talis Andrade

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A ativista sueca Greta Thunberg, de apenas 16 anos, foi eleita personalidade do ano de 2019 pela revista Time, por conta da luta mundial que trava em defesa do meio ambiente. Greta tem gerado a ira de lideranças da extrema direita, inclusive de Jair Bolsonaro, por denunciar o descaso de governos com a implementação de políticas ambientais. 

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OUTROS PREMIADOS

Entre os outros nomeados pela revista em 2019, estão o time feminino de futebol dos Estados Unidos, que recebeu o título de Atleta do Ano, os servidores públicos dos EUA que participaram dos inquéritos na Câmara contra o presidente Donald Trump, nomeados Guardiões do Ano, a cantora norte-americana Lizzo, eleita a Artista do Ano, e o CEO da Walt Disney, Bob Iger, Empresário do Ano.

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GRETA E BOLSONARO

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O presidente Jair Bolsonaro referiu-se na 3ª feira (10.dez.2019) à ativista Greta Thunberg como “pirralha”, ao ser questionado por 1 jornalista a respeito da morte de 2 indígenas da etnia Guajajara mortos no Maranhão. A declaração foi feita pela manhã, quando o presidente deixou o Palácio da Alvorada.

Em resposta ao comentário do Presidente, a ativista alterou temporariamente a biografia de sua conta no Twitter para “pirralha”. 

greta bolsonaro piralho.jpg

 

11
Dez19

Em novo ataque a tiros, dois caciques Guajajara são mortos no Maranhão

Talis Andrade

Corpo-de-Firmino-Prexede-Guajajara.jpg

 

"Aquela menina lá… De fora lá… A Greta! A Greta já falou, inclusive, que os índios morreram porque estavam defendendo a Amazônia", disse Jair Bolsonaro em tom irônico. "É impressionante a imprensa dar espaço para uma pirralha dessas aí, uma pirralha", complementou.

A raiva do presidente foi porque a pirralha Greta Thunberg denunciou a morte de dois caciques Guajarara no Maranhão.

 

Por Elaíze Farias 

Amazona Real

A imagem acima mostra o corpo do cacique Firmino Prexede Guajajara, de 45 anos, da aldeia Silvino (Foto: Mídia Índia)


Manaus (AM) – Um grupo de indígenas do povo Guajajara foi atacado a tiros de revólver, por volta das 12h40 (horário de Brasília) deste sábado (07), enquanto percorria em motocicletas um trecho da rodovia BR-226 próximo à aldeia El Betel, na Terra Indígena Cana Brava, no município de Jenipapo dos Vieiras, no Maranhão. No ataque morreram dois caciques: Firmino Prexede Guajajara, de 45 anos, da aldeia Silvino (TI Cana Brava), atingido por quatro disparos, e Raimundo Benício Guajajara, de 38 anos, da aldeia Descendência Severino, Terra Indígena Lagoa Comprida, segundo informou a liderança Magno Guajajara à agência Amazônia Real. Dois indígenas ficaram feridos.

Conforme informações do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) no município de Barra do Corda, os feridos são Neucy Cabral Vieira, da aldeia Nova Vitoriano, e Nico Alfredo, da aldeia Mussun, da TI Cana Brava. Eles estão sendo atendidos na Unidade de Pronto Atendimento de Barra do Corda.

Neucy Vieira tem perfuração na perna e foi submetido à sutura e deve ter alta neste domingo. Nico Alfredo tem perfuração na região do glúteo, com suspeita de hemorragia interna, e deve ser transferido para o Hospital Socorrão, no município de Presidente Dutra. Não há informações sobre quem são os criminosos. Segundo as testemunhas, os atiradores estavam dentro de um veículo Gol branco quando começaram a disparar contra os indígenas.

Após o ataque, os indígenas Guajajara iniciaram um protesto na rodovia BR-226 no início da tarde deste sábado, impedindo o acesso ​de veículos na rodovia. “O clima está tenso aqui”, revelou Magno Guajajara.

Protesto-Guajajara-.jpgO protesto fechou a BR-226 

 


Este é o segundo ataque a tiros contra indígenas Guajajara em menos de dois meses. No dia 1º de novembro, o guardião da floresta Paulo Paulino Guajajara, 26 anos, foi assassinado em um ataque de madeireiros na Terra Indígena Arariboia. O indígena Laércio Guajajara ficou ferido. Ele e mais dois Guardiões da Floresta ingressaram no Programa de Proteção à Testemunha devido às ameaças que sofrem no território. Os Guardiões da Floresta são defensores e atuam monitorando e combatendo a exploração ilegal de madeira nas terras indígenas do Maranhão.

No ataque de novembro também morreu, segundo a Polícia Federal, durante um confronto com os indígenas, o madeireiro Márcio Greyck Pereira. As circunstâncias dos crimes estão sendo investigadas pela polícia.

Os assassinatos de indígenas Guajajara acontecem no momento em que a coordenadora-executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Sonia Guajajara, está participando de protestos internacionais denunciando a situação de ausência de poder público e invasão para exploração de madeira nos territórios indígenas brasileiros.

“Mais dois parentes Guajajaras foram assassinados hoje no Maranhão. Basta de vítimas, não queremos mártires, queremos vozes vivas! Toda solidariedade aos parentes da terra indígena Cana Brava”, declarou Sonia Guajajara, em sua conta no Twitter nesta tarde.

Em sua conta no Twitter, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, se manifestou sobre o ataque e se solidarizou com as vítimas e os familiares. Ele disse que a Polícia Federal “já enviou uma equipe ao local e irá investigar o crime e a sua motivação”. Ele disse também vai “avaliar a viabilidade do envio de equipe da Força Nacional à região”.

“Lamento o atentado, ocorrido hoje no Maranhão, que terminou com dois índios guajajaras mortos e outros feridos. Assim que soube dos tiros, a Funai foi até a aldeia tomar providências, junto com as autoridades do governo do Maranhão”, afirmou no Twitter.

A Secretaria do Estado de Direitos Humanos e Participação Popular do Maranhão divulgou nota dizendo que está acompanhando o caso junto à Secretaria de Estado de Segurança Pública e representantes da Funai.


Caciques estavam em reunião

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O indígena Nelsi Olímpio Guajajara levou um tiro na perna e escapou com vida (Foto: Mídia Índia)

 


Segundo Magno Guajajara, os indígenas foram atacados quando voltavam de uma reunião na aldeia Coquinho​, onde se encontraram com diretores da Eletronorte Energia.

Na reunião, da qual participaram 60 caciques e lideranças Guajajara, os indígenas discutiram temas sobre as compensações de impactos ambientais de obras de linhas de transmissão que existe dentro território, segundo o coordenador da Funai (Fundação Nacional do Índio) no Maranhão, Guaraci Mendes.

“Estávamos tratando do assunto da Eletronorte. Ao finalizar a reunião​, os indígenas voltaram para casa de moto. Numa descida ​na ladeira, os parentes foram abordados e alvejados. Simplesmente atiraram nos parentes. No trajeto, baixaram o vidro e olharam​ para identificar se​eram indígenas. Aceleraram e atiraram. Foi um tiro fatal. Ninguém sabe por que ocorreram esses disparos, essa violência, essa manifestação de ódio”, afirmou Magno Guajajara à Amazônia Real.

Guaraci Mendes contou à reportagem que enviou equipes para o local e comunicou o caso à Polícia Federal no Maranhão, que já está em campo para as investigações. Os corpos serão periciados pelo Instituto Médico Legal (IML) antes do enterro dos caciques. Mendes também relatou como soube do atentado.

“Meu colega [da Funai] foi participar da reunião, mas depois vi que havia esquecido um documento. Pedi para o Magno entregar. Em dez minutos que ele sai, o Magno me liga: ‘Guaraci, acabaram de matar dois parentes. Tem dois baleados. A gente viu​ o carro, ele abriu fogo e fugiu’. Já mandamos as equipes e procuramos a polícia e agora estamos aguardando mais informações”, disse Mendes.

O coordenador da Funai destacou que “apenas as principais lideranças Guajajara estavam reunidas para tratar dos recursos da compensação com a Eletronorte” e este fato lhe chamou atenção.

“Era toda a cúpula, caciques e lideranças, da Terra Indígena Cana Brava. Parece que foi ação planejada”, afirmou Mendes. (Colaboraram Izabel Santos, Kátia Brasil, Alberto César Araújo e Elvira Eliza França)

 

 

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