Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

24
Out20

Imprensa internacional repercute 'crime da cueca' de senador pró-Bolsonaro

Talis Andrade

vice líder de bozo melado de merda.jpg

 

 

por Márcia Bechara /RFI
- - -

"Com a mão nas calças", diz a revista norte-americana Newsweek. "Dinheiro entre as nádegas", exclama o jornal francês Le Figaro. "Dinheiro nas cuecas", titula o jornal português Público. "Propina na Bunda", detalha o britânico The Guardian. A imprensa internacional não se cansa de se surpreender com os "plot twist" de personagens do governo do presidente brasileiro Jair Bolsonaro. Nesse caso, os jornalistas descrevem, às vezes em detalhes minuciosos, o misterioso aparecimento de R$ 30 mil "entre as nádegas" do senador e liderança bolsonarista no Congresso, Chico Rodrigues.

"Senador brasileiro é apanhado com dinheiro na roupa de baixo [underwear, em inglês] durante investigação de fundos desaparecidos da Covid", titula a revista Newsweek nesta sexta-feira (16). Segundo a publicação, o senador brasileiro bolsonarista Chico Rodrigues teria sido "ousado" ao "supostamente tentar esconder fundos do governo". "A polícia encontrou R$ 30.000 em dinheiro escondidos na cueca do líder do estado de Roraima, quando procurava por dinheiro desaparecido para combater o coronavírus", escreve a revista.

Newsweek vai mais longe e cita a publicação portuguesa Revista Crusoé, que teria dado uma descrição mais "vívida" sobre a história. "Para dar uma ideia de como a situação era absurda, algumas das notas recuperadas estavam manchadas com fezes", publica a revista, acrescentando que "foi uma cena de considerável embaraço".

Mais pudico, o jornal conservador francês Le Figaro titula: "Brasil: maços de notas encontrados na cueca de um senador". "Eleito há dois anos prometendo tolerância zero para a corrupção, o líder de extrema direita [Jair Bolsonaro] foi atingido por escândalos que afetaram seus parentes, incluindo seu filho mais velho, Flavio, também senador", lembra o jornal francês, utilizando informações pré-divulgadas pela agência AFP. "Este último é acusado de ter contratado empregados fantasmas para desviar dinheiro público quando foi deputado pelo Estado do Rio de Janeiro, de 2003 a 2018. O próprio chefe de Estado é alvo de investigação por suposta interferência em investigações da Polícia Federal visando seus familiares", relembra o jornal.

 

#PropinaNaBunda

Incisivo, o britânico The Guardian vai direto ao ponto: "Polícia encontra dinheiro escondido entre as nádegas de aliado de Bolsonaro". "Os brasileiros compartilharam a notícia nas redes sociais com a hashtag viral #PropinaNaBunda (A Bribe up the Bum, em inglês). Muitos sugeriram que o achado seria lembrado 'nos anais da história' ", diverte-se o jornal, com o típico humor inglês. 

Já o jornal português blico lembra que "[o senador Chico Rodrigues] está há mais de 30 anos na política, 20 dos quais como deputado federal e era um companheiro frequente de Bolsonaro". "A relação entre os dois parlamentares era tão próxima que Bolsonaro chegou a descrever esse período de camaradagem na Câmara dos Deputados como 'quase uma união estável'", publica.

BOZO- dinheiro na bunda.jpg

 

29
Jul20

Rubens Novaes, do BB, um cidadão sem rabo preso, a não ser com o BTG

Talis Andrade

 

Sua saída deve-se a um episódio óbvio: a venda da carteira de R$ 1 bilhão de créditos de difícil recebimento do BB ao BTG-Pactual, com deságio de 90%. Entregou de graça, direto, sem sequer simular um leilão

- - -

Um dos erros jornalísticos que cometi na vida foi ter assumido a defesa de Rubens Novaes, quando foi denunciado em matéria de capa da Veja por negócios feitos com o então Banco Pactual – que tinha como um dos sócios Paulo Guedes – na época dos escândalos Marka, Fonte Cindam. Não pela reportagem em si, um amontoado de teorias amalucadas – como o fato de Salvatore Cacciolla montar seus negócios em cima do grampo que fazia nos irmãos Bragança, supostos intermediários dos supostos insiders de Chico Lopes, então presidente do Banco Central. Mas pela carta lacrimejante de Novaes a vários jornalistas, apresentando-se como o sujeito humilde, probo, alcançado por uma notícia falsa e sem direito de defesa.

A reportagem o apresentava como um operador que trabalhava para André Esteves. Não o conhecia mas assumi sua defesa, principalmente tendo em vista as fantasias desenvolvidas pela revista. Não foi propriamente uma defesa dele, mas uma condenação das teorias amalucadas da revista.

Suas explicações para sua saída da presidência do Banco do Brasil tem o mesmo perfil da carta lacrimejante que distribuiu à mídia.

“O economista Rubem Novaes (foto), que pediu demissão da presidência do Banco do Brasil dias atrás, resume com a seguinte frase o ambiente político de Brasília, uma das razões que o fez pedir para sair: “Muita gente com rabo preso trocando proteção”. Para Novaes, a cultura política em Brasília piorou muito ao longo do tempo, mas ele não aceita citar casos concretos. Afirma apenas que tudo começou na reeleição do Fernando Henrique Cardoso “e piorou muito nos anos do PT com mensalões e petrolões”.

Ou seja, vale-se do álibi universal. Ele pediu demissão porque nos anos 90 FHC comprou a reeleição e o PT teve os mensalões. E porque os outros estavam “com o rabo preso”, não ele.

No BB, Novaes foi a mais serviçal dos funcionários de Bolsonaro e Guedes. O presidente arrotava um preconceito no Palácio para, imediatamente, Novaes dar uma resposta no BB – como o episódio da campanha publicitária que explorava a imagem de jovens alternativos. Qualquer tema levantado por Bolsonaro, econômico, social, moral, era imediatamente endossado por Novaes, mesmo não tendo nenhuma relação com sua função de presidente de banco. Inclusive acatando ordens de Carlos Bolsonaro, de voltar a anunciar em blogs ligados ao Gabinete do Ódio, mesmo depois do alerta do Tribunal de Contas da União (TCU).

Sua saída deve-se a um episódio óbvio: a venda da carteira de R$ 1 bilhão de créditos de difícil recebimento do BB ao BTG-Pactual, com deságio de 90%. Entregou de graça, direto, sem sequer simular um leilão.

A pressa de Novaes atropelou todos os procedimentos. Em geral, as grandes tacadas com o dinheiro público se fazem seguindo algumas formalidades, uma licitação dirigida, um projeto de lei mal ajambrado. Novaes se indispôs com o TCU e cometeu um estupro legal à luz do dia, em plena praça, beneficiando instituição de mercado à qual foi ligado no passado, talvez no presente.

Se teve endosso de alguma área técnica do banco, ou da diretoria, não se sabe. O que se sabe é que não haverá como o episódio não deflagrar um inquérito que apurará todas as responsabilidades – a responsabilidade óbvia dele, como presidente do banco, e de eventuais funcionários e/ou diretores que ajudaram a montar a operação.

PS – Toda defesa que faço do bem público, contra as investidas do BTG-Pactual, resulta em ações cíveis e criminais, movidas pelo banco, que é presidido pelo ex-Ministro do Supremo Tribunal Federal Nelson Jobim. Cumpro com minha obrigação de jornalista em defesa do jornalismo, porque outros veículos, maiores, mais fortes, não tem a mesma disposição.

 
29
Jul20

Funcionários do BB pedem investigação sobre venda de créditos de R$ 2,9 bilhões por R$ 371 milhões para o BTG Pactual

Talis Andrade

sabido esperto entreguista rubem novaes.jpg

 

Explodem escândalos bilionários de corrupção no governo militar de Bolsonaro

A escandalosa venda de uma carteira de crédito do Banco do Brasil para o banco BTG Pactual, por pouco mais de 10% do valor, chamou a atenção dos funcionários, que pediram uma investigação ao Tribunal de Contas da União. Foi uma das últimas transações feitas na gestão de Rubem Novaes (foto), o santo de Paulo Guedes e Olavo de Carvalho, que pediu demissão e criticou a cultura de corrupção de Brasília.

No Brasil da Lava Jato, todo cruzado da Santa Inquisição trava espalhafatoso combate contra a corrupão. Vide o caso dos 2 bilhões e 500 milhões desviados da Petrobras, por cinco procuradores comandados por Delta Dallganol. Dinheiro depositado em uma conta gráfica, secreta, no dia 30 de janeiro de 2019, na Caixa Ecômica Federal de Curitiba, no primeiro mês do governo Bolsonaro, que ainda não mandou investigar o assalto.

Funcionários do Banco do Brasil pedem investigar dupla de arrombadores: Rubens Novaes/ Paulo Guedes

"A Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (ANABB) pediu ao Tribunal de Contas da União (TCU) que investigue a operação de venda da carteira de crédito de R$ 2,9 bilhões para o BTG Pactual. O Banco do Brasil está sendo criticado por partidos políticos e sindicatos por supostamente vender barato demais a carteira de crédito. Ela foi vendida por R$ 371 milhões. A operação foi anunciada no início do mês, sob a gestão do presidente Rubem Novaes, que entregou na sexta-feira o pedido de demissão ao ministro da Economia, Paulo Guedes", aponta reportagem de Adriana Fernandes, publicada no Estado de S. Paulo.

Guedes foi um dos fundadores do BTG Pactual, hoje controlado por André Esteves. Em ofício ao TCU, o presidente da ANABB pediu ao Tribunal que se “debruce sobre a legalidade dos negócios efetuados e verifique por meio de auditoria eventuais prejuízos aos acionistas", ao Brasil, ao povo em geral. 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub