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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil. As melhores charges. Compartilhe

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O CORRESPONDENTE

19
Nov22

Bolsonaro perdulário e ladrão estourou o teto de gastos em R$ 795 bilhões

Talis Andrade

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O palpite infeliz da mídia

 

por Fernando Brito

Jair Bolsonaro estourou o teto de gastos em R$ 795 bilhões em seus quatro anos de governo, contabiliza hoje a BBC em longa reportagem sobre as finanças públicas brasileiras.

Em média anual, R$ 200 bilhões por ano, mais que os R$ 198 bilhões (já contando com o máximo de R$ 23 bilhões se ocorrerem receitas extraordinárias, as quais o teto impede de serem utilizados) pretendidos na proposta de emenda constitucional sugerida por Lula ao Congresso.

Se houve reação do “mercado”, foi comportadíssima.

 

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Parece que a noção de democracia de nossa imprensa não atravessa a fronteira do interesse do dinheiro e que, no dia 30 de outubro, não decidimos se os brasileiros vão poder comer e se os programas sociais devem ser recuperados.

Alguns dos comentaristas de política e de economia dizem que, a 43 dias de começar, o Governo Lula “fracassou”, que os juros, dívida pública e a inflação vão subir forte, o brasileiro perderá renda e os investidores vão fugir do país.

Pensei em levar um volante da Mega-Sena para que eles preenchessem para mim, tamanha é a capacidade de adivinhação que sustentam em suas teses. Basicamente aquela lenda da “fada da confiança” do mercado, nome popularizado pelo Nobel de Economia Paul Krugman, pela qual havendo cortes nas despesas públicas, o capital encarregar-se-ia de, inevitavelmente, produzir o crescimento da economia.

Isso virou até um arremedo de teoria econômica, conhecida como Tricke Down, algo como pinga-pinga, pela qual a prosperidade dos ricos “escorreria” até os pobres, melhorando suas vidas.

Basta ver o que aconteceu por aqui nos últimos anos – e já antes de Bolsonaro – que o palpite é furado e, além disso, revelador do primarismo deste tipo de análise econômica, pouco mais sofisticada que uma mera “regra de três” ginasiana.

Por este simplismo, querem que se enuncie agora – e, portanto, também como mero “palpite” – de uma nova âncora fiscal, em lugar de um “teto de gastos” que, evidentemente, já foi destruído faz anos e chegou ao ponto de inviabilizar o funcionamento da máquina pública.

Um exemplo, dos milhares que há: a educadora Priscila Cruz, do grupo de transição, disse ontem que o orçamento federal para pré-escola dá para construir UMA (isso, UMA) creche. No resto, estradas abandonadas, farmácias sem remédio, escolas sem luz e mais obras paradas.

Qualquer pessoa minimamente razoável sabe que não pode vir prosperidade econômica de algo assim. É claro que se tem de cortar despesas, mas não estas.

Muito menos conseguem ver que o país só não afundou economicamente porque, mesmo eleitoreiros, com péssimos critérios e baixíssima governança, foram os recursos que aqueles déficits de Bolsonaro lançaram dinheiro na economia e reverteram o afundamento da arrecadação federal, mesmo com os cortes de imposto de olho na urna – como os de combustíveis.

Como é uma turma que gosta de números, seria interessante saber de onde viriam os R$ 600 prometidos pelos dois candidatos, ou os R$ 150 por criança pequena. Será que não sabiam o que todos sabiam, que o Orçamento não tinha dinheiro previsto para isso e, pior ainda, nem tinha como funcionar como está estruturado na proposta que Bolsonaro enviou ao Congresso?

Bem, “sabidões” como são, vão colecionando erros, desde que previram fuga de empresários, ou quando zombaram da “marolinha” de 2008 e agora, quando não conseguem entender que a ousadia de Lula é o principal convite a novos investimentos no país e da recolocação do país nos mercados mundiais.

O Brasil é mesmo um imenso país com uma elite minúscula, que não consegue pensar em nada senão em sermos “bons meninos” para o “mercado”.

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27
Out22

Lula: "se Bolsonaro perder, tem que ficar quieto, não ficar criando confusão"

Talis Andrade

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"Eu acho que se ele perder, ele tem que ficar quieto, esperar e se preparar para disputar outra eleição, não ficar criando confusão no País", disse o ex-presidente

247 - O candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta quarta-feira (26) que Jair Bolsonaro (PL) tem de "ficar quieto" se perder o segundo turno das eleições no próximo domingo (30). "Eu acho que se ele perder, ele tem que ficar quieto, esperar e se preparar para disputar outra eleição, não ficar criando confusão no País",  disse o ex-presidente em entrevista ao ator Paulo Vieira. 

"Eu vou esquecer o processo eleitoral. Eu vou ser eleito para governar esse país por quatro anos. Quatro anos é curto para a gente fazer o que tem para fazer. Da minha parte é assim: eu quando perdia as eleições, eu voltava para casa para lamber as minhas feridas e esperar quatro anos. Eu espero, espero que o adversário, sabe, que eu acho que ele vai perder as eleições porque eu acho que vou ganhar", acrescentou. 

Também nesta quarta, o ex-presidente recebeu uma carta da Confederação Nacional dos Municípios e prometeu fazer um pacto com prefeitos caso seja eleito para o seu terceiro mandato no Palácio do Planalto. 

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27
Out22

Fome: 26% das crianças de 2 a 9 anos no Brasil não fazem três refeições por dia

Talis Andrade

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Desde 2015, despencou de 76% para 26% o número de crianças que têm café da manhã, almoço e jantar todos os dias, segundo dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional do Ministério da Saúde. As informações foram obtidas pela TV Globo, por meio da Lei de Acesso à Informação, e divulgadas na segunda-feira 15.

O levantamento envolve menores de 2 a 9 anos. Segundo a emissora, o número começou a diminuir em 2016, quando o percentual caiu de 76% para 42%. Na sequência, o Brasil registrou 46% em 2017, 62% em 2018, 28% em 2019 e 21% em 2020, até chegar a 26% neste ano.

O Ministério da Saúde obtém esses índices a partir de questionários preenchidos por aqueles que procuram serviços de saúde. A pasta também identificou que 85% das crianças consome alimentos ultraprocessados, percentual superior aos 77% que comem frutas e aos 66% que têm verduras no cardápio.

Os dados corroboram com o diagnóstico de que o problema da fome está pior no governo de Jair Bolsonaro. No fim de 2020, a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) havia apontado a quantidade de 20 milhões de brasileiros com falta de acesso à alimentação por 24 horas ou mais.

A organização havia mostrado também que 116,8 milhões de pessoas conviveram com algum grau de insegurança alimentar no ano passado, o que representava 55% dos lares do País.

No último mês, o preço da cesta básica havia marcado a alta de 30%, ultrapassando os 600 reais em diferentes capitais, de acordo com estudo do Departamento Intersindical de Estudos Econômicos Sociais, o Dieese. A instituição avaliou que o salário mínimo deveria estar no valor de 5,8 mil reais, se acompanhasse de fato o aumento da inflação.

Fonte: Portal da Carta Capital/TV Globo

22
Out22

General de pijama Paulo Chagas defende a volta da ditadura militar

Talis Andrade

www.brasil247.com - General Paulo Chagas

 

O general da reserva Paulo Chagas defendeu neste sábado (22) um golpe de Estado no País e criticou o Supremo Tribunal Federal (STF): "Não há dúvida de que o STF está conspirando a favor da eleição de um ladrão descondenado" [Não existe esse ladrão, nem existe esse condenado. O general de pijama é mentiroso. No final da vida, o sonho quase secular de ser um duce, um fürer)

Para Chagas, "isto", a eleição de Lula pelo voto livre, democrático e secreto da maioria dos brasileiros, "isto não é justo nem legal. O Gen Villas Bôas já teria resolvido isto, sem alarde, com uma discretíssima visita aos ministros do STF, porque, para ativar o bom-senso dos outros, basta prestígio e liderança!!", escreveu no Twitter. 

O Chagas testemunha que existiu os golpes de 2016, que derrubou Dilma, e o golpe  eleitoral de 2018 (vide tags), para colocar no poder o mais alfabetizado dos militares, o líder das forças armadas: o capitão Bolsonaro, considerado "mau militar" pelo ditador general Geisel. 

Chagas, perguntar não ofende: para defender o golpe, virou marechal de contracheque?

O STF e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tentam acabar com esquemas de notícias falsas.

O TSE, presidido por Alexandre de Moraes, que também é ministro do STF, confirmou na quinta-feira (20) a investigação sobre uma rede de fake news miliciana, chefiada pela família Bolsonaro.

A Justiça Eleitoral mandou o Youtube desmonetizar quatro canais de apoiadores do ocupante do Planalto. Também suspendeu um trecho da propaganda dele exibida na última quarta-feira (19) na televisão por não cumprir regras eleitorais. O tribunal concedeu direito de resposta a Lula no Twitter de Bolsonaro.

As críticas do general Paulo Chagas ao STF se alinham com o posicionamento de Jair Bolsonaro (PL). Durante a sua gestão, o ocupante do Planalto tentou passar para a população a mensagem de que o Poder Judiciário atrapalha o governo. O incompetente e malandro chefe do Executivo federal também defendeu a participação das Forças Armadas na apuração do resultado da eleição. Que belezura de honestidade! Também defende um golpe militar, e um golpe pode ser o começo de uma guerra civil, de uma sangreira. 

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22
Out22

Ao lado de Lula, Tebet comenta fala sobre meninas venezuelanas e chama Bolsonaro de pedófilo

Talis Andrade

Lula ao lado de Simone Tebet e Marina Silva durante campanha em Teófilo Otoni (MG). — Foto: Ana Carolina Magalhães/Inter TV Dos Vales

Lula ao lado de Simone Tebet e Marina Silva durante campanha em Teófilo Otoni (MG). — Foto: Ana Carolina Magalhães/Inter TV Dos Vales

Por g1 

A senadora Simone Tebet (MDB-MS), terceiro lugar no primeiro turno das eleições presidenciais, chamou o presidente Jair Bolsonaro (PL) de pedófilo ao comentar nesta sexta-feira (21) a fala do candidato à reeleição PL sobre as meninas venezuelanas.

"Quando Bolsonaro disse que pintou um clima, é crime. É mais do que isso, é pedofilia. E lugar de pedófilo é na cadeia. Eu não tenho medo. Já chamei o presidente de covarde e não tenho medo de dizer que ele cometeu um crime", afirmou a senadora.

Tebet participou de uma passeata em Teófilo Otoni, na região Nordeste do estado de Minas Gerais, ao lado do ex-presidente e candidato à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e de Marina Silva (Rede), deputada federal eleita por São Paulo.

O estado mineiro tornou-se cobiçado na fase final da campanha presidencial por ser o segundo maior colégio eleitoral do país. No 1º turno, Lula venceu no estado com 48,29% dos votos contra 43,6% de Bolsonaro.

No dia 14 de outubro, Bolsonaro contou durante uma entrevista a um podcast que estava de moto andando em uma região administrativa do Distrito Federal quando encontrou as jovens venezuelanas.

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"Eu estava em Brasília, na comunidade de São Sebastião, se eu não me engano, em um sábado de moto [...] parei a moto em uma esquina, tirei o capacete, e olhei umas menininhas... Três, quatro, bonitas, de 14, 15 anos, arrumadinhas, num sábado, em uma comunidade, e vi que eram meio parecidas. Pintou um clima, voltei. 'Posso entrar na sua casa?' Entrei", disse Bolsonaro na ocasião.

A senadora também lembrou das suspeitas de corrupção envolvendo ele e familiares, entre elas a revelação do portal UOL de que Bolsonaro e parentes compraram 51 imóveis com dinheiro vivo.

"Quando tirarem a faixa dele, e o povo brasileiro vai tirar, nós veremos as rachadinhas, veremos a compra de mansão com dinheiro vivo, veremos os escândalos de corrupção desse governo", disse Tebet.

 
21
Out22

O amor cristão e o ódio do deputado bolsonarista que ameaça queimar estudantes como aconteceu na boite kiss

Talis Andrade

Veja a íntegra da leitura da carta de Lula aos evangélicos - Vídeo  DailymotionNexo Jornal

Um menino reza pelo Brasil, pela vitória de Lula, na leitura da Carta aos Evangélicos. Outro pergunta ao Papa Francisco se o pai ateu, "um bom bom" que morreu recentemente, está no céu.

Dois lindos momentos do cristianismo. Quando o malígno deseja que os estudantes de Santa Maria, porque denunciaram a corrupção do orçamento secreto no Ministério da Educação, sejam queimados vivos como aconteceu na boite Kiss.

Deputado diz que estudantes têm de ser queimados vivos

O deputado federal bolsonarista Bibo Nunes (PL-RS) critica um protesto feito pelos universitários de Santa Maria contra o bloqueio de verbas do MEC (Ministério da Educação) promovido pelo governo Bolsonaro. Ele também cita os alunos da Universidade Federal de Pelotas, usa termos como vergonha, escória do mundo, miseráveis e coitados para se referir aos estudantes e faz referência a uma cena do filme “Tropa de elite”. “É o filme Tropa de elite. Sabe o que aconteceu. Olha o um. Olha o filme um. Pegaram aqueles coitadinhos. Que coitadinhos? Aqueles riquinhos, ajudando pobre, se deram mal. Queimaram vivo dentro de pneus! Queimaram vivo dentro de pneus! E é isso que esses estudantes alienados, filhos de papai, que têm grana, merecem”, diz o parlamentar, com o tom de voz bastante elevado.

Foi na cidade gaúcha de Santa Maria que ocorreu o incêndio na boate Kiss, em janeiro de 2013. Na ocasião, chamas causadas por fogos de artifício detonados dentro da danceteria se alastraram de forma descontrolada, o que resultou na morte de 242 pessoas. Entre as vítimas, havia 113 estudantes da universidade citada por Nunes no vídeo

Nesta sexta, a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) anunciou que vai denunciar Nunes ao Conselho de Ética da Câmara e ao Ministério Público. “Inadmissível fazer uma ameaça sórdida de que os estudantes da UFSM deveriam ser queimados vivos, ainda mais na cidade que sofreu a tragédia da Boate Kiss”, afirmou a parlamentar. Também houve reação do ex-reitor da Universidade Federal de Santa Maria, Paulo Burmann, que foi candidato a deputado federal pelo PDT, mas não se elegeu. Ele postou um vídeo nas redes sociais classificando as falas do bolsonarista como “um ataque arrogante, carregado de ódio, sem nenhum sentimento humano”.

Antes de entrar para a política, o gaúcho Bibo Nunes trabalhou como apresentador e repórter em diversos veículos de imprensa do Rio Grande do Sul, como a RBS TV Cruz Alta, o jornal Zero Hora e a TVE RS. Concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PSD, em 2014, e a ao cargo de vereador de Porto Alegre pelo PMDB, em 2016, mas não obteve sucesso em nenhuma das ocasiões. Em 2018, se associou ao bolsonarismo e foi eleito deputado federal pelo PSL, com mais de 91 mil votos. Migrou para o PL em 2021 e tentou a reeleição em 2022, mas não conseguiu.

Discurso de ódio bolsonarista na boca malígna de Bibo Nunes

Papa consola criança que perguntou se seu pai ateu estava no céu

Cidade do Vaticano - O papa Francisco afirmou neste domingo que Deus não abandona as pessoas boas, ao responder a uma pergunta feita por um menino que queria saber se seu pai, que era ateu e morreu há pouco tempo, estava no céu.

Durante uma visita à paróquia do bairro de Corviale, na periferia de Roma, Francisco respondeu às perguntas dos fiéis, entre os quais estava Emanuele, um menino de oito anos, cuja voz estava embargada pelo choro.

Diante desta situação, o papa lhe encorajou a fazer sua pergunta perto de seu ouvido, lhe abraçou e ambos conversaram durante alguns minutos. Posteriormente, o pontífice pediu permissão ao menino para revelar sua inquietação.

Francisco explicou então que Emanuele lhe contou que seu pai havia morrido há pouco tempo e que, embora não fosse crente, tinha batizado seus quatro filhos, mas sua dúvida era "se o papai estava no céu".

"Que lindo que um filho diga que seu pai era bom. Um lindo testemunho daquele homem para que seus filhos possam dizer dele que era um homem bom. Se esse homem foi capaz de ter filhos assim, é verdade que era um grande homem", declarou o papa.

Francisco ressaltou que embora este homem "não tivesse o dom da fé, não fosse crente, fez batizar os filhos" e, perante a dúvida de Emanuele, respondeu: "Quem diz quem vai para o céu é Deus".

Então Francisco perguntou aos presentes: "Deus abandona seus filhos quando são bons?", ao que responderam "não" em coro.

"Bom, Emanuele, esta é a resposta. Deus seguramente estava orgulhoso do seu pai, porque é mais fácil batizar os filhos sendo crente que batizá-los não sendo crente. E seguramente Deus gostou muito disso", acrescentou.

E concluiu: "Fale com seu pai, reza ao seu pai. Obrigado, Emanuele, pela sua valentia ".

Outra das perguntas ao papa foi se todos, "inclusive os não batizados", somos "filhos de Deus", ao que Francisco explicou: "Somos todos filhos de Deus, inclusive os que são de outras religiões distantes".

"Inclusive os mafiosos, embora estes prefiram comportar-se como filhos do diabo", completou.

As crianças também lhe questionaram sobre o que sentiu quando foi escolhido papa e Francisco respondeu que "não sentiu medo, nem uma grande alegria (...), mas uma grande paz". EFE

Campanhas de Lula lançam cartas aos evangélicos desde 1989; veja a primeira
A liberdade religiosa era o compromisso número 1 da carta lançada na eleição contra Collor. Veja íntegra do exemplar obtido por CartaCapital


A carta aos evangélicos lançada na quarta-feira 19 pelo ex-presidente Lula (PT) não foi a primeira a ser divulgada por uma campanha do petista ao Palácio do Planalto: a iniciativa pioneira ocorreu em 1989, na campanha que disputou contra Fernando Collor, que lançou as mesmas mentiras hoje repetidas por Jair Bolsonaro de fechar igrejas. 

Carta de Lula aos religiosos rebate fake news dos fariseus e cita Evangelho de São João

por Vinicius do Valle 

Depois de semanas de discussão e especulação sobre a possibilidade de Lula lançar uma carta para evangélicos, saiu ontem, no dia em que se comemora Nossa Senhora Aparecida, um documento da campanha petista, assinado por Lula, destinado aos religiosos do Brasil. O documento sai após uma versão anterior, destinada especificamente aos evangélicos, ter sido vazada para a imprensa – revelando a dificuldade da campanha petista em lidar com o tema de forma interna.

Para muitos do comitê eleitoral petista, a campanha de Lula deveria focar na agenda econômica e social, as quais Lula teria muito a mostrar, ao invés de alimentar a agenda moral e religiosa. No entanto, a enxurrada de fake news de conteúdo religioso e o alívio relativo nas condições de vida de parcela da população, gerado pelo auxílio Brasil turbinado e redução do preço da gasolina – feitos sob medida para a campanha bolsonarista e com prazo de duração limitado — tornaram a agenda moral inescapável.

A versão final do documento parece, nesse sentido, ter ficado no “meio termo” entre a posição de não entrar no embate religioso e a de um documento voltado especificamente ao segmento evangélico, com compromissos específicos e fechados. Na carta, Lula afirma o respeito ao direito à religião e à liberdade religiosa. Reconhece o papel das religiões na sociedade brasileira, e se compromete a respeitar a Constituição, todas as religiões, os templos e locais de culto, públicos ou privados. Cita ainda o evangelho de João, capítulo 10 e versículo 10, manifestando o desejo de construir uma sociedade em “que todos tenham vida em abundância”.

 

19
Out22

Bolsonaro e os ladrões de Brasil

Talis Andrade

Presidente do Brasil é um 'ex-ladrão de galinhas' – Blog do Paulinho

 

por Cristina Serra

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Ao dar exemplos de profissões para os jovens, no debate da Band, Bolsonaro mencionou marceneiro e auxiliar de enfermagem, ofícios dignos e honrosos, sem dúvida. Mas o que Bolsonaro expressou foi a visão excludente (a mesma de Guedes e de Milton Ribeiro), de que a universidade não cabe nos sonhos da juventude das periferias.Image

 

A aversão aos pobres também ficou explícita quando o tema foi a visita de Lula a uma comunidade, no Rio de Janeiro. Bolsonaro disse que só tinha “traficante” em volta do ex-presidente. Para o candidato que tem conexões com milicianos (um deles, seu vizinho até ser preso), quem mora em favela é bandido.

Seu desprezo aos vulneráveis emerge de forma ainda mais torpe no caso da visita a um grupo de venezuelanas, no entorno de Brasília. São mulheres e meninas refugiadas da fome e do desespero no país vizinho. Participavam de uma ação social, com corte de cabelo e maquiagem, uma forma singela de afeto e resgate de autoestima.

A mente degenerada de Bolsonaro associou as “menininhas, bonitas, de 14, 15 anos, arrumadinhas” à prostituição. Onde já se viu menina pobre arrumar o cabelo e pintar o rosto se não for para se prostituir com machos velhos e babões como ele? A descrição que ele faz da cena tem as características de comportamento do assediador sexual que se aproveita da fragilidade da vítima. Parou a moto, tirou o capacete, “pintou um clima”, entrou na casa.

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Se ele achou que estava diante de uma situação de exploração sexual de menores, por que não tomou alguma providência para impedir o crime? Bolsonaro não tem resposta porque sua mentalidade depravada não se escandaliza com a prostituição infantil.

Bolsonaro não tem freio nem bússola moral ou ética. Cercado de tipos pervertidos como Damares e Pedro Guimarães (abusador, felizmente, afastado), seu governo é uma rede de predadores da infância e de mulheres. São ladrões de futuro. Ladrões de Brasil.

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19
Out22

Fala pedófila de Bolsonaro e resultado da pesquisa Ipec evidenciam a extensão da degradação social no país

Talis Andrade

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O atual mandatário sequer perdeu intenções de voto junto à população nacional, segundo o Ipec. Esse é o fato mais estarrecedor

 

por Cesar Calejon

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O mais recente resultado da pesquisa Ipec, que apontou uma estabilidade nas intenções de voto entre Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva por uma diferença de 8% a favor do petista (54% x 46%), demonstra o atual estágio da degradação sociopolítica que acomete o Brasil desde as Jornadas de Junho de 2013, mas, sobretudo, a partir do golpe jurídico, midiático e parlamentar que foi orquestrado contra Dilma Rousseff, em 2016.

Na última semana, Bolsonaro afirmou, textualmente, que “pintou um clima” entre ele e meninas, “(...) três, quatro, bonitas, de 14, 15 anos, arrumadinhas, num sábado, em uma comunidade”, o que caracteriza uma fala pedófila e preconceituosa por parte do presidente da República da segunda maior democracia das Américas e de uma das maiores nações do planeta.

Além do repulsivo aspecto de cunho sexual, a fala de Bolsonaro salienta outro caráter que basicamente não foi explorado pela imprensa nos últimos dias: meninas pobres não podem ser bonitas e arrumadas em suas comunidades sem que pese contra elas a suspeita iminente de que estão se prostituindo. Imagine se Bolsonaro faria essa mesma colocação ao ver crianças com a mesma idade em bairros nobres das principais capitais brasileiras, por exemplo.  

Sob outras circunstâncias, quando a vida social do país não se encontrava em franco processo de ascensão de uma espécie de modelo teocrático miliciano nazifascista, tal declaração bastaria para encerrar não somente o mandato do presidente, mas toda a sua carreira parlamentar e vida pública, de forma mais ampla. 

“Eu estava em Brasília, na comunidade de São Sebastião, se eu não me engano, em um sábado de moto [...] parei a moto em uma esquina, tirei o capacete, e olhei umas menininhas(...). Três, quatro, bonitas, de 14, 15 anos, arrumadinhas, num sábado, em uma comunidade, e vi que eram meio parecidas. Pintou um clima, voltei. 'Posso entrar na sua casa?' Entrei. Tinha umas 15, 20 meninas, sábado de manhã, se arrumando, todas venezuelanas. E eu pergunto: meninas bonitinhas de 14, 15 anos, se arrumando no sábado para quê? Ganhar a vida”, disse Bolsonaro.

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Contudo, no Brasil, em 2022, o atual mandatário sequer perdeu intenções de voto junto à população nacional, segundo o Ipec. Esse é o fato mais estarrecedor, porque, em boa medida, o mau-caratismo e a falta de limites de Jair Bolsonaro já são bem conhecidos, mas, o que passa a ser amplamente compreendido nesse momento é o alinhamento irrestrito que dezenas de milhões de pessoas, em sua maioria pais e mães de crianças que têm as mesmas idades das meninas às quais Bolsonaro se referiu dizendo que “pintou um clima”, com uma proposta sociopolítica degradante e abjeta, que seria inconcebível há apenas alguns anos. 

Infelizmente, consumidos pela propaganda midiática que caracterizou o Partido dos Trabalhadores como uma “quadrilha” e Lula como o seu “chefe”, parte dos brasileiros mergulharam em uma espécie de transe que os faz relevar todo e qualquer desvio de conduta moral, ética, política e social, ainda que as vítimas sejam crianças e que o ataque tenha o repugnante aspecto sexual avançado por Bolsonaro. 

Fundamentalmente, a votação do próximo dia 30, para muito além de decidir o futuro presidente da República, determinará se esse projeto de país será ainda mais aprofundado ou se seremos capazes de reiniciar um processo de reconstrução nacional com vistas à superação do bolsonarismo.

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15
Out22

Bolsonaro, o sequestrador do Brasil

Talis Andrade

 

 

por Fernando Brito

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Jair Bolsonaro é um sequestrador de símbolos, sejam a bandeira do Brasil , a ideia de Deus ou a festa de N. S. Aparecida.

O que pertence a todos passa, no seu processo de usurpação permanente, a pertencer exclusivamente a ele.

Não é diferente do que sempre fizeram ditaduras, nas quais procura-se monopolizar o amor ao país naqueles que apoiam o governo, neste caso agora com o “aditivo” divino, que “excomunga” todos os que, crentes ou não, não integram a falange governista.

Agora, Bolsonaro manda estender imensas bandeiras brasileira no Planalto e no Alvorada – prédios tombados, cuja a fachada não pode ser, mesmo que por elementos de decoração, alterada – não para louvar o país ou por um momento de festa, de alegria, de congraçamento.

Não, apenas para louvar a si mesmo e usá-la como propaganda eleitoral, como faz com Deus e fez com a celebração da padroeira.

Quem sabe amanhã mande demolir aqueles palácios, porque projetados por um notório incréu, Oscar Niemeyer?

A bandeira que ele manda esticar é a dos fortes, a dos armados, aos que podem comprar fuzil sem comprar feijão.

E a pátria não é também a dos que dormem nas calçadas, sem bandeiras a cobrir-lhes senão a dos cobertores rotos e encardidos.

Não é a pátria dos meninos com fome de tudo, e de futuro também, não é a pátria das florestas ardendo, dos rios cheios de mercúrio ou de esgotos.

Não é a pátria mãe dos seus filhos, e que não lhes é gentil.

A verdade é que Jair Bolsonaro não defende a ideia de um país, algo que necessariamente pertence a todos, para que pertença e simbolize apenas a si próprio.

A estupidez tem seu ego e ele é monstruoso.

Porque ela nega tudo aos outros, inclusive suas ideias, sua fé, sua pátria. O único que permite é a submissão, a idolatria a seu líder como símbolo.

Aproxima-se, porém, o dia de retomar esta bandeira da mão de seu sequestrador.

Ela é minha, sua, é de todos, ainda que tenha sido capturada por homens maus, de quem, dia 15, a resgataremos com a mão do povo.

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14
Out22

Um curta contra o genocídio

Talis Andrade

www.brasil247.com -

 

Festival do Rio exibe "Tekoha", curta que potencializa ao máximo filmagens do povo guarani-kaiowá de massacres sofridos por eles

 

por Carlos Alberto Mattos

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No curta Tekoha, já exibido no último É Tudo Verdade e agora no Festival do Rio, o cineasta Carlos Adriano ilustra as duas principais vertentes de sua carreira recente: a manipulação do acervo cinematográfico universal e o libelo político. Tekoha recorre a material indígena. Uma tomada de cerca de três minutos, feita por guarani-kaiowás de Mato Grosso do Sul, é desmembrada pelo cineasta de maneira a ressaltar a violência do incêndio provocado por seguranças de fazendeiros numa casa da Reserva de Dourados. As repetições de fragmentos, interrompidos bruscamente, potencializam a sensação de terror e a agressão aos indígenas – efeito que o fluxo normal da imagem possivelmente não chegaria a provocar. Outros registros de ataques noturnos com armas de fogo no mesmo tekoha (território) e a imagem de uma casa de reza do povo guarani-kaiowá em chamas adensam ainda mais essa breve e resoluta acusação ao atual governo federal, que estimula o desalojamento e a violência contra indígenas. O filme segue a linha mais frontalmente política do realizador, que gerou o premiado O Que Há em Ti, dois anos atrás. A moldura de Tekoha, porém, pode-se dizer que é de esperança na sobrevivência. Na epígrafe, um texto de Ailton Krenak fala em resistência a “esse mundo utilitário”. No epílogo, poemas-cantos guarani-kaiowás anunciam “Pássaro – vamos adornar-nos novamente”.

Justamente indignado com a recusa desse curta pela comissão de seleção do Fórum DocBH, Carlos Adriano me enviou esse texto que tem lido nas sessões do filme onde está presente:

"Os guarani-kaiowá habitam o Mato Grosso do Sul, estado onde mais se matam indígenas no mundo. Sobre o genocídio dos guarani-kaiowá pesa o mais estrondoso silêncio.

O cinepoema Tekoha traz vídeos dos próprios guarani-kaiowá documentando atrocidades contra sua existência. São imagens e sons arrancados do inferno, de um inferno aqui na terra, de um inferno que há no brasil.

Esses vídeos são tecnicamente frágeis; foram tomados na hora do horror, da catástrofe. São testemunho do genocídio contra os indígenas, genocídio que virou política oficial do estado brasileiro desde as eleições de 2018. Esses vídeos são como vestígios. O vestígio supõe uma destruição e ao mesmo tempo uma sobrevivência, uma resistência.

Vestígios são como os vagalumes de Pasolini, que faria 100 anos em 2022 se não tivesse sido brutalmente morto pelos fascistas da Itália em 1975. Como foram brutalmente mortos pelos fascistas do brasil de 2022: Genivaldo de Jesus Santos, Moïse Kabagambe, Suzy Severino da Silva, Dom Philips, Bruno Pereira, e os guarani-kaiowá Alex Lopes, Vitor Fernandes, Márcio Moreira e Vitorino Sanches, além de tantos outros anônimos que não viraram notícia nem estatística.

Reciclando em outros termos o que Godard citou em suas Histórias do Cinema, acho que reciclado de Walter Benjamin, eu diria: o apagamento do genocídio faz parte do genocídio.

Carlos Adriano"

>> Tekoha passa na sexta, 14/10, às 18h30, no Estação Net Gávea 3 e no sábado, 15/10, às 16h30, no Estação Net Rio 5.

 

 

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