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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

12
Abr20

'Se morre sua mãe, é 100%. A perda é absoluta', diz médica paliativista sobre ameaça do coronavírus

Talis Andrade

 

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'O processo de luto é de altíssima complexidade quando você tem um adoecimento traumático como é o coronavírus', diz a paliativista Ana Claudia Quintana Arantes

 

por Mariana Alvim 
BBC News

- - - 

Lidar com doenças dolorosas e incuráveis faz parte do cotidiano da médica Ana Claudia Quintana Arantes há anos. Na verdade, esta é sua especialidade.

Profissionais de cuidados paliativos como ela fornecem tratamento para pacientes não com o objetivo de que estes se recuperem ou se curem de um problema de saúde. A ideia é garantir, por exemplo, uma "qualidade de morte" para pacientes terminais — com acesso a analgésicos e opiáceos para aliviar a dor, limite a procedimentos invasivos e disponibilização de assistência psicológica (existe inclusive um Índice de Qualidade de Morte mundial, no qual o Brasil não vai bem).

Mas uma doença nova e desconhecida como a causada pelo novo coronavírus traz um cenário "inimaginável" e "traumático" para etapas da vida que já são naturalmente desafiadoras, como a consciência da finitude e o luto, diz Arantes, autora dos livros A morte é um dia que vale a pena viver e Histórias lindas de morrer — lançado no final de março, virtualmente por conta da pandemia.

"O processo de luto é de altíssima complexidade quando você tem um adoecimento traumático como é o coronavírus", disse a médica à BBC News Brasil em entrevista por telefone, na última segunda-feira (6).

É traumático porque foge de todos os parâmetros de organização da perda: não tem acesso ao remédio, não tem acesso ao teste, não tem acesso à entubação, não tem acesso à família", explica Arantes, formada em medicina pela Universidade de São Paulo, com residência em geriatria e gerontologia e especialização em cuidados paliativos pelo Instituto Pallium e pela Universidade de Oxford.

A médica aponta para o bloqueio ao acesso da família a pacientes internados em UTIs e das restrições a velórios, por riscos de contaminação, como medidas inescapáveis hoje para o controle da pandemia — mas que terão consequências altamente complexas para o processo de despedida de pacientes e de luto para suas pessoas queridas.

"Se você pensa mais ou menos dez enlutados para cada morte, imagina os milhões de pessoas que ficarão inviáveis ou terão dificuldade de reabilitação para sua própria vida (por ter perdido alguém para a covid-19)."

Sobre o percentual de letalidade do coronavírus, Arantes reconhece que ele é menor do que o de outras doenças, mas critica que considerar estatísticas na saúde é se distanciar "da experiência humana".

"Se morre sua mãe, é 100%. Você pode pensar: 1% das mães morreram, 99% delas estão vivas. Acontece que para você é 100%. A experiência da perda é concreta e absoluta", define a médica, diretora da Casa Humana, que presta cuidados paliativos em domicílio para pacientes com diagnósticos como câncer e sequelas de AVC. (Continua)

 

07
Abr20

Que não aconteça no Brasil. Governo francês é denunciado por desigualdade de acesso a UTIs para idosos com Covid-19

Talis Andrade

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A associação Coronavictimes pede ao governo para baixar critérios de transparência para a escolha de pacientes com Covid-19 que devem ser hospitalizados. AFP - LOIC VENANCE

 

O Brasil precisa criar urgentemente, como acontece nos países do Primeiro Mundo, uma Associação Brasileira de Coronavítimas, para evitar a prática de crimes como a eutanásia, a escolha discriminatória por idade, classe ou raça, de quem vai morrer nos corredores dos hospitais, principalmente nas filas das UTIs. 

por Adriana Brandão/ RFI

Os pacientes idosos com Covid-19 estariam sendo sacrificados na França devido a falta de leitos nas UTIs do país? Esta é a suspeita da associação francesa "Coronavictimes" (Coronavítimas), que entrou com uma queixa no Conselho de Estado contra o governo por "não respeito de igualdade" no acesso ao tratamento médico e aos cuidados paliativos necessários de final de vida.

A Coronavictimes foi fundada em 19 de março, “após uma sucessão impressionante de informações graves e preocupantes sobre a gestão dos poderes públicos da catástrofe sanitária provocada pela Covid-19”, informa o site da associação. O objetivo da queixa no Conselho de Estado foi explicado neste domingo (5) pelo presidente da Coronavictimes, Michel Parigot, e pelo advogado e conselheiro Guillaume Hannotin. O Conselho de Estado na França é o órgão encarregado de garantir a legalidade da ação pública e da proteção dos direitos e liberdades dos cidadãos.

A situação nas centenas de casas de repouso do país é grave.Somente desde a semana passada as autoridades começaram a contabilizar o número de idosos mortos nestas instituições. Segundo o último balanço, dos 8.078 óbitos registrados na França até o domingo (5), mais de 25% (2.189) ocorreram em casas de repouso. Essas residências não têm condições de fornecer aos pacientes o tratamento adequado para os casos graves, como a reanimação artificial.

“Era inimaginável não agirmos diante de um crime sanitário que acontece na nossa frente e não tentar pressionar o governo a adotar medidas necessárias para limitar a hecatombe”, declarou Michel Parigot ao jornal Le Monde.

 

Primeiro-ministro e dois ministros citados

O primeiro-ministro Édouard Philippe e os ministros franceses da Saúde e da Solidariedade são citados na queixa. O texto fala “em um massacre silencioso”, denuncia uma “discriminação arbitrária” com os idosos das casas de repouso ou que moram sozinhos e pede “a determinação de critérios transparentes” na escolha dos doentes com o coronavírus que devem ser internados ou não.

Os integrantes da Coronavictimes lembram que o acesso ao hospital, ao Samu, a cuidados paliativos e a um fim de vida digno são direitos fundamentais que, eles consideram, estão sendo violados nessa epidemia.

O sistema hospitalar está abarrotado. Estamos privando de cuidados pessoas que em uma situação normal seriam hospitalizadas e poderiam se curar”, ressalta Parigot. Ele diz que uma “triagem opaca” está sendo feita e ela não está levando apenas em conta a esperança de vida dos pacientes. A associação diz que essa triagem tem que ser transparente, justa, aceita pela família e pelo doente, e não deve recair apenas sobre os profissionais de saúde. “Um deficiente físico tem que ser tratado da mesma maneira, e o nível social não pode ser levado em conta”.

O advogado Guillaume Hannotin detalha ainda à rádio France Info que, na lei de Emergência Sanitária, votada pelo governo, “não foram previstos cuidados paliativos de qualidade para idosos que não são internados em hospitais para garantir-lhes um fim de vida digno e sem sofrimento”. “A verdadeira causa da morte de muitas dessas pessoas não seria o vírus, mas a falta de material e a desorganização dos serviços competentes diante dessa doença”.

O primeiro-ministro e os dois ministros franceses já foram informados da queixa pelo Conselho de Estado e devem em breve responder ao pedido da associação, que quer um enquadramento claro da decisão de beneficiar ou não doentes de Covid-19 com uma hospitalização.

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