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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

10
Set21

Bolsonaro não sustenta “moderação” e faz insinuação sexual com Barroso

Talis Andrade

 

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"Barroso, as urnas são penetráveis. Entendeu, Barroso? Penetráveis", disse o presidente

 
 
 

O presidente Jair Bolsonaro até tentou, mas não sustentou por muito tempo a “moderação” que a nota elaborada por Michel Temer tentou lhe imporApesar de rebater apoiadores irritados, o presidente “escorregou” ao falar sobre Luís Roberto Barroso, presidente do TSE.

O chefe do Executivo voltou com a narrativa da fraude eleitoral e pregou o voto impresso durante live presidencial. Nesse momento, Bolsonaro decidiu comentar sobre discurso de Barroso e se desviou do rumo de Temer.

“Se o Barroso anuncia que tem novas medidas protetivas por ocasião das urnas, é porque elas tem brecha. É porque, Barroso, elas são penetráveis. Entendeu, Barroso? Penetráveis. Ministro Barroso, entendeu? As urnas são penetráveis, o pessoal pode penetrar nelas”, disse, provocando risos entre assessores.

Assim, Bolsonaro reforça os ataques de cunho sexual que ele e apoiadores já fazem contra Barroso. Os comentários que mais dominaram a transmissão de Bolsonaro foram “arregou”, “amarelou” e “perdeu meu voto”. Ainda que alguns mais fiéis tentassem ponderar, a maioria das mensagens eram críticas ao presidente.

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Nota deste correspondente: Sobre o pênis inflável na Paulista: Nas creches petistas as criancinhas mamavam em madeiras em forma de piroca denunciou Bolsonaro, que agora espalha que Doria usa "calças apertadas" e Barroso é das "urnas penetráveis". Vem Rodrigo Maia, sem meias-palavras, revela que Bolsonaro é gay enrustido.
 
Toda essa gente esquece a vida severina de milhões de brasileiros sem emprego, sem teto, sem dinheiro para pagar a conta de luz, o gás, o aluguel do mocambo, a água de beber e o "pão nosso de cada dia". 

 

13
Ago21

Jefferson faz áudio dizendo que STF é “chinês”, “gay” e ameaça “Xandão”

Talis Andrade

Armado, Roberto Jerffeson destila seu ódio em vídeo contra "Estado gayzista  e comunista"Roberto Jefferson aparece em vídeo pedindo a expulsão e xingando embaixador  chinês de "macaco"Armado, Roberto Jefferson ameaça "comunistas" e pede "demissão" do STFA história do PTB, de Getúlio Vargas a Roberto Jefferson | Nexo Jornal

por Fernando Brito

O áudio gravado por Roberto Jefferson, já depois de ter recebido o manado de prisão determinado por Alexandre de Moraes, é só deixa uma dúvida: se ele deve ser preso numa cela comum ou num hospital psiquiátrico.

É uma avalanche: chama o ministro de “Xandão”, diz que ele está a serviço da China, que o tribunal está recebendo o “mensalão chinês” para implantar o comunismo, ameaça ir “resolver pessoalmente” com Moraes, fala que o STF está “cheio de pais de santo”, que “arreia o bomba” (sic), é gay: “tem aí uns ministros gays, como a gente notoriamente tem notícias deles. Tem aí os ministros de rabo preso e os ministros de rabo solto”.

Não se sabe com que tolerancia policial Jefferson pôde gravar um áudio de 4 minutos, com este teor e publicá-los na rede. Tinha, é obvio, o direito de ligar para um advogado e para a família.

De qualquer forma, aceite-se o áudio como depoimento e estarão provados todos os crimes atribuídos a ele.

Jefferson está servindo apenas para aumentar o clima bélico que interessa a Bolsonaro.

Mas está difícil sustentar que ele está sendo acusado por um crime “de opinião”, dadas as fartas exibições de armas, sugestões de tiro, tacada, surras de chicote.

Ouça o áudio, publicado pelo site Poder360.

 
30
Out20

Bolsonaro faz piada homofóbica: “Virei boiola igual maranhense”

Talis Andrade

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Presidente se divertia, ao lado de apoiadores, com brincadeiras relacionadas à cor rosa do refrigerante que tomava

 
 

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez uma piada de cunho homofóbico durante uma parada em um bar, em visita oficial ao Maranhão nesta quinta-feira (29/10). O chefe do Executivo fez uma parada não programada no município de Bacabeira (MA), tomou refrigerante e disse à pessoa que o estava servindo: “Agora eu virei boiola igual maranhense”.

A fala foi registrada em live transmitida pelo Facebook do próprio Bolsonaro e pode ser ouvida aos 10 minutos e 30 segundos de vídeo.

Bolsonaro tomava um guaraná de coloração rosa e brincou com a cor da bebida ao fazer a piada. “Olha o guaraná cor de rosa do Maranhão, ó. Quem toma esse guaraná aqui vira maranhense”, emendou. Rodeado de apoiadores, muitos deles sem máscara, o presidente também cumprimentou e tirou fotos com os frequentadores do bar.

Nota deste correspondente: Bolsonaro desvaloriza um produto nacional, na mesma semana que assina decreto que torna permanente o benefício fiscal para as multinacionais de refrigerantes da Zona Franca de Manaus. 

 

 
01
Jan20

O Brasil sob Bolsonaro, segundo a imprensa alemã

Talis Andrade

Em 12 meses, veículos destacaram derretimento da imagem do país após desmonte de políticas ambientais e queimadas. Suspeitas sobre Flávio Bolsonaro e declarações preconceituosas do presidente também foram abordadas.Symbolbild deutsche Presse Presseschau (picture-alliance/dpa)

Süddeutsche Zeitung: "Irmãos de alma” – sobre a aproximação de Bolsonaro com os EUA e fake news

04/01/2019

"O populista Donald Trump e o extremista de direita Jair Bolsonaro têm tom e estilo semelhantes. Com métodos parecidos, conseguiram conquistar os cargos políticos mais altos no Brasil e nos Estados Unidos. Outra semelhança: supostamente, tanto Trump quanto Bolsonaro tiveram apoio ilegal durante a campanha eleitoral. O chamado escândalo da Rússia nos EUA encontra seu equivalente brasileiro num escândalo envolvendo o serviço de mensagens WhatsApp”, apontou o jornal de Munique.

 

Süddeutsche Zeitung: "Flávio Bolsonaro e o matador de aluguel” – os problemas do filho do presidente

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04/02/2019

"O senador brasileiro Flávio Bolsonaro é chamado de Zero Um pelo pai. (...) E Zero um se tornou um filho-problema para o novo presidente, apenas um mês depois da troca de governo. Tornou-se público que Flávio Bolsonaro empregou como assessoras, até novembro de 2018, a mãe e a esposa de Adriano da Nóbrega. Nóbrega é considerado um dos principais matadores de aluguel do Rio. Ele é suspeito de ser um dos líderes do esquadrão da morte Escritório do Crime.”

 

Handelsblatt: "O imprevisível" – sobre o estilo do presidente Bolsonaro

28/03/2019

"Desde 1° de janeiro, Bolsonaro governa o Brasil – ou melhor: ele deveria governar. É que o populista de direita se ocupa bem pouco dos reais negócios do governo, que parecem não interessá-lo. Diante da elite econômica internacional em Davos, ele não discursou nem por seis minutos. Muitos no Brasil pensam: ‘ainda bem'. É que, quando Bolsonaro se pronuncia com parcos conhecimentos sobre a futura reforma, difama o Carnaval com vídeos obscenos ou demite seu ministro da Secretaria-Geral da Presidência por pressão de seus filhos, os mercados financeiros ficam nervosos”, publicou o diário econômico alemão.

 

Frankfurter Rundschau: "Cem dias de Bolsonaro: propaganda de direita e constrangimentos” – sobre os primeiros meses turbulentos do presidente

10/04/2019

"Os primeiros três meses do ex-paraquedista Jair Bolsonaro na Presidência ficarão na lembrança do maior e mais importante país da América Latina como constrangedores. Desde tuítes obscenos sobre xixi no carnaval, passando pelo tratamento brusco dado a seus ministros, até decisões sem qualquer sombra de expertise, nada ficou de fora. Quem sofre é o Brasil e a imagem do país”, escreveu o diário de Frankfurt.

 

Süddeutsche Zeitung: "Combustível acabando” – a queda de popularidade Bolsonaro

17/04/2019

"As esperanças que seus apoiadores depositaram nele foram frustradas por Jair Bolsonaro nos seus três primeiros meses. Isso se reflete numa forte queda na sua popularidade. Desde o retorno do Brasil à democracia, em 1985, é a pior avaliação de um presidente depois de três meses no cargo.”

 

Frankfurter Allgemeine Zeitung: "A jornada errática de Bolsonaro” – sobre o estilo populista de Bolsonaro

12/04/2019

"Em fins de março, Bolsonaro ordenou que fosse celebrado o aniversário do golpe militar, o que causou estranhamento até entre os generais. E um tuíte sobre a decadência moral do carnaval incomodou até mesmo muitos de seus aliados mais próximos – na Bolsa de Nova York, muitos investidores buscaram informações, a sério, sobre o estado de saúde de Bolsonaro”, publicou o jornal de Frankfurt.

 

Bild.de: "Turistas gays são indesejados sob Bolsonaro” – sobre declaração homofóbica do presidente

27/04/2019

"O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, afirmou durante um café da manhã com a imprensa na quinta-feira que não quer que seu país se torne ‘um paraíso para turistas gays'. ‘Nós temos famílias', completou Bolsonaro. Interessante é a diferenciação que Bolsonaro também volta a ressaltar agora. Porque, claramente, o político de 64 anos parece não ter problema algum com o turismo sexual em si, contanto que ele se limite ao relacionamento heterossexual. ‘Se quiserem vir aqui fazer sexo com uma mulher, fiquem à vontade', disse Bolsonaro”, publicou o site do principal tabloide alemão.

 

Deutschlandfunk Kultur: "Destruidor ambiental Bolsonaro e o desmatamento na Amazônia” – sobre desmonte de políticas indigenistas

 

29/04/2019

"Os senhores originais das florestas, os povos indígenas, não podem esperar apoio do novo presidente. Bolsonaro tem repetidamente deixado claro que quer desenvolver e explorar a região amazônica. Ele quer criar estradas, suspender ou acabar com regras de proteção ambiental. Do ponto de vista de Bolsonaro, ainda há espaço suficiente na Amazônia para pastagens e plantações de soja. E ele anunciou que não concederá um palmo a mais de terra sequer para os povos indígenas”, informou a emissora alemã.

 

Frankurter Allgemeine Zeitung: "Pelos cidadãos de bem” – sobre ampliação de acesso a armas por Bolsonaro

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09/05/2019

"A simpatia de Bolsonaro pelas armas se manifestou agora num novo decreto: quem tem posse de arma de fogo poderá comprar agora até 5 mil cartuchos (...). Em 2017, houve 63.880 mortes violentas no Brasil. Em nenhum outro lugar do mundo tantas pessoas são mortas por armas de fogo como no Brasil. O país registrou também um aumento acentuado do número de mortos por policiais nos últimos meses. No governo Bolsonaro, não há sinais de uma atenuação da situação – pelo contrário. Na sociedade brasileira circula um chavão: bandido bom é bandido morto.”

 

Die Welt: "O presidente desafortunado” – sobre o derretimento da imagem do Brasil no exterior 

02/07/2019

"A imagem do presidente brasileiro Jair Bolsonaro no exterior é devastadora. [...] A chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, juntou-se às fileiras dos críticos do presidente populista de direita. Bolsonaro respondeu com igual clareza e acusou os europeus de ‘psicose ambiental'. Apesar de tudo, Merkel quer fazer negócios com o potencial talhador de florestas”, publicou o jornal conservador de Berlim.

 

Der Tagesspiegel: "Presidente do Brasil demite guardião da Floresta Amazônica” – sobre conflitos com o Inpe

05/08/2019

"Ricardo Galvão é um dos cientistas mais renomados do Brasil. O físico chefiava o Inpe. Agora o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, exonerou Galvão, de 71 anos. A razão é simples: os dados divulgados pelo Inpe não agradam aos extremistas de direita. Eles mostram um aumento dramático no desmatamento ilegal na Amazônia durante seu mandato. O presidente Bolsonaro não quer admitir isso. Ele alega que os dados foram inflados para prejudicar a imagem do Brasil no mundo."

 

Frankfurter Allgemeine Zeitung: "Bolsonaro depreza financiamento alemão”, sobre suspensão de verba alemã para projetos ambientais no Brasil

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12/08/2019

"Segundo o presidente Jair Bolsonaro, o Brasil não precisa do dinheiro da Alemanha para proteger a Floresta Amazônica. ‘Pode fazer bom uso dessa grana. O Brasil não precisa disso', afirmou Bolsonaro. Bolsonaro quer explorar mais economicamente a Região Amazônica, não demarcar mais áreas de proteção e permitir mais desflorestamento. Bolsonaro é cético das mudanças climáticas e aliado da indústria agrícola.”

 

Stern – "Brincando com fogo”, sobre a visão ambiental de Bolsonaro em meio às queimadas

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29/08/2019

"Se você quer saber como o homem realmente encara questões ambientais, basta ver seu histórico. Em janeiro de 2012, Bolsonaro foi flagrado pescando ilegalmente em uma reserva marinha na costa do Rio de Janeiro. Um funcionário do Ibama, José Morelli, lhe aplicou uma multa de 10 mil reais. Para Bolsonaro, então deputado federal, essa foi a ocasião para uma vendeta sem precedentes: Após sua eleição como presidente, ele passou a difamar o Ibama como uma mera "indústria de multas". No final de março, o servidor Morelli – a essa altura atuando como fiscal na Amazônia – foi exonerado do cargo”, escreveu a revista alemã.

 

Süddeutsche Zeitung: "Bolsonaro só entende a linguagem dura”, sobre a necessidade da comunidade internacional agir para conter queimadas

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01/09/2019

"Frequentemente o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, é comparado a Donald Trump. Isso é injusto porque, ao lado do brasileiro, o presidente americano parece um cavalheiro. Isso foi vivenciado nesta semana por Emmanuel Macron. Depois de ter criticado o fraco combate aos incêndios na Amazônia, o francês teve que aguentar insultos a sua mulher por parte de Bolsonaro nas redes sociais. Esse é um nível ao qual nem mesmo Trump desceu.

Não. O presidente do Brasil não é um Trump tropical. Ele pertence a uma categoria dos que glorificam a violência, como o presidente filipino, Rodrigo Duterte, ou de intransigentes autocratas, como o venezuelano Nicolás Maduro.”

 

Die Tageszeitung: "Até os joelhos nesta lama negra” – sobre a falta de ação do governo na crise ambiental no litoral do Nordeste

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22/10/2019

"Um vazamento de óleo se espalha na costa nordeste do país. No início de setembro apareceram as primeiras manchas negras. Atualmente mais de 160 praias em nove estados foram afetadas. Para o Brasil, a catástrofe ambiental ocorre no pior momento possível. Após os incêndios florestais na Amazônia e as críticas internacionais à política ambiental, o governo está abalado. Mais uma vez, ele não agiu rápido o suficiente. O presidente Jair Bolsonaro é acusado de falta de ação”, apontou o jornal berlinense.

 

Der Spiegel: "O mestre-demolidor” – sobre o derretimento da imagem do Brasil no exterior

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26/10/2019

"Faz um ano que Jair Bolsonaro venceu a eleição presidencial no Brasil. Desde janeiro ele desempenha as funções do cargo, e é raro um chefe de Estado que tenha danificado a imagem de uma nação de forma tão veloz e duradoura quanto ele. O Brasil, que por muito tempo foi um país emergente em ascensão, é hoje um obscuro Estado pária, em que fanáticos conservadores travam uma campanha de guerra contra um inimigo que só existe na própria imaginação”, descreveu a revista semanal alemã.

 

Tagesspiegel: "Sob suspeita” – sobre reação de Bolsonaro a reportagem que ligou sua família ao caso Marielle

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31/10/2019

"O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, ficou furioso. Ele xingou os meios de comunicação, descrevendo a Globo, a maior empresa de mídia do país, como ‘imprensa porca, nojenta, canalha e imoral'.  Deve ter acontecido muita coisa para o presidente do Brasil se levantar pouco antes das 4h da manhã de sábado na Arábia Saudita para gravar um vídeo de 23 minutos. Bolsonaro negociou um acordo com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman no montante de 15 bilhões de dólares. Por tal, Bolsonaro esperava, aparentemente, elogios da mídia brasileira. Mas a TV Globo jogou uma bomba durante seu principal noticiário”, publicou o jornal de Berlim.

______________

[Transcrito da Deutsche Welle, a emissora internacional da Alemanha, que produz jornalismo em 30 idiomas]

02
Mai19

UNIVERSIDADE DE LISBOA. Xenofobia na Faculdade de Direito indigna estudantes brasileiros

Talis Andrade

 

 

27
Out18

AS RAÍZES DO RACISMO E DA HOMOFOBIA. Como vai votar a cidade da infância e adolescência de Bolsonaro?

Talis Andrade

 

Uma visita à cidade onde o candidato de extrema-direita cresceu e a uma colônia próxima fundada por descendentes de escravos reflete a enorme divisão racial e social

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O preferido das muitas raças, menos dos pretos

 

 

Eldorado Paulista / São Paulo 
 
 
A praça central de Eldorado, uma cidade rural de 15.000 habitantes, se pode ver a escola de paredes descascadas onde Jair Messias Bolsonaro fez o Ensino Médio. E as ruas, cheias de pequenos negócios de letreiros pintados à mão hoje desbotados, em que brincou. O populista de extrema-direita que, se as pesquisas se confirmarem, presidirá o Brasil depois da eleição de domingo, continua presente em Eldorado, a 190 quilômetros ao sul de São Paulo, mas de outra maneira. Muitos carros têm adesivos com seu retrato. E seu nome é ouvido repetidamente na boca dos que cresceram com ele, que competem para ver quem o canoniza primeiro. (...) Mas é uma imagem enganosa.
 
 

Tirço, um corpulento empregado negro de um dos dois postos de gasolina de Eldorado, avisa: “Daqui para lá, ninguém vai te dizer nada de ruim sobre Bolsonaro”, apontando para o centro. “Mas de lá para cá, ninguém vai te dizer nada de bom”, indicando outro bairro, muito mais precário e distante, Vila Nova Esperança, de maioria negra.

 

Nesse país tão desigual e multirracial (8% dos brasileiros se declaram pretos e 45%, pardos), o apoio a um ou outro candidato varia consideravelmente em função da raça em que o eleitor se enquadra. Bolsonaro vence entre os brancos; o candidato do PT, Fernando Haddad, entre os pretos. À medida que a pele do eleitor escurece, o militar reformado perde apoio. (...)

 

Jair  Bolsonaro é denunciado pelo crime de racism

 

 

Em Eldorado, onde havia clubes sociais apenas para brancos até quase o final da década de sessenta, uma moradora diz abertamente que “os negros são vagabundos dependentes das ajudas do Estado”. Há também outra condição: aqui havia muitos escravos até o século XIX e agora existem dezenas de quilombos, comunidades que estes fundaram depois terem sido libertados. São assentamentos muito pobres no meio do mato que recebem discretas subvenções do Governo e seus moradores se dedicam a cultivos artesanais; também são a obsessão da cultura racista brasileira, que não vê sua utilidade. Depois de visitar um em 2017, Bolsonaro disse que “o afrodescendente mais magro” pesava sete arrobas” e “nem para procriar servia mais”.

 

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Ernesto (nome fictício), um vizinho que acusa ao pai de Jair Bolsonaro de ser racista. VICTOR MORIYAMA
 

Ditão, de 63 anos, grisalho de olhos cinzentos por causa da catarata, líder do maior quilombo da região, o de Ivaporunduva, está em seu bananal com sandálias Havaianas bem afundadas no barro. “Eldorado segue a mentalidade colonial: você manda, eu obedeço”. Muitos acreditam que as pessoas dos quilombos não conseguem pensar, não conseguem administrar um negócio, não conseguem entrar na política. Nós só existimos para obedecer. Ouvir e obedecer.

 

A fratura racial é menos brutal em uma cidade como São Paulo. E um passeio por um shopping center em um bairro misto mostra que a rejeição a Bolsonaro diminui entre os mestiços que prosperaram. Celia Reis, de 72 anos, e sua filha votarão nele para expulsar o Partido dos Trabalhadores de Lula. Os temores que a provável presidência de Bolsonaro desperta são diferentes em função da raça, como mostram a assessora jurídica de direitos humanos Flávia Julião, de 39 anos, e sua amiga. O maior medo da ativista, negra, é “um retorno a 64, à ditadura”. A professora Patricia Alonso, de 40 anos, branca, aponta para outra época: “O meu, de voltar a Collor (Fernando Collor de Mello)”, ou seja, à hiperinflação.

 

 

A advogada Julião está convencida de que o enorme apoio a Bolsonaro se deve, embora não se explicite, a uma rejeição às conquistas esquerdistas dos últimos anos para reduzir a abismal desigualdade. “Votam nele não porque gostem de Bolsonaro, mas para deter essa melhora ou até mesmo revertê-la”, diz. Elisana Santos é uma amostra de como milhões de brasileiros não-brancos prosperaram nos últimos anos. Filha de uma empregada doméstica e de um ferreiro, aos 19 anos acaba de terminar o Ensino Médio. Quer ir para a universidade, então está olhando os cursos enquanto faz orçamentos. Provavelmente ela poderá se beneficiar das cotas que Bolsonaro tanto detesta, mas, enfatiza, “para essas vagas também existe muita competição”. Ela está entre as três pessoas que mais estudaram em sua família.

 

Mas a universidade e São Paulo estão muito longe de Ditão e de sua plantação de bananas, onde vive com preocupação pelo futuro do país. Ele não tem a menor dúvida de que com Bolsonaro a ditadura voltará de uma forma ou de outra, implícita ou explicitamente. “Liberdade é que quando um policial bate seu carro no carro de um negro, a culpa é do policial; ditadura é quando a mesma coisa acontece e o negro acaba na cadeia”, sentencia. “E esse é um problema que não queremos que volte". Transcrevi trechos

 

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Ditão, em sua plantação de bananas no 'quilombo' de Ivaporunduva, ao lado de Eldorado. VICTOR MORIYAMA
 

Vida e ascensão do capitão Bolsonaro

 

 

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Saído de Eldorado, interior paulista, aos 18 anos, o deputado que está a um passo de ser presidente foi um lobo solitário que navegou na insatisfação exposta pelas jornadas de 2013, e foi se ajustando para sua corrida ao Planalto

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Ambicioso, ultradireitista, misógino e nostálgico da ditadura. O capitão reformado do Exército Jair Bolsonaro é o candidato com mais probabilidade de se tornar o futuro presidente do Brasil após o segundo turno eleitoral, no dia 28 de outubro. Uma equipe do EL PAÍS investigou a trajetória do aspirante: onde se criou, como entrou no Exército e no mundo da política, como começou do nada e foi, pouco a pouco, tecendo apoios dos principais setores.

 

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A INFÂNCIA

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Dona Narcisa, de 63 anos, aponta a escola de paredes azuis. “Foi aí”, conta. “Estávamos todos os alunos aí quando de repente: pum, pum, pum.” Era 8 de maio de 1970. Carlos Lamarca, um guerrilheiro que lutava contra a ditadura brasileira (1964-1985), refugiou-se nesta cidade de 15.000 habitantes, a 180 quilômetros ao sul de São Paulo. Houve um tiroteio. Um policial morto. Estradas fechadas pela polícia, revistas generalizadas. Ao final, o guerrilheiro conseguiu fugir e levou sua luta para outro lugar. Mas aquela sexta-feira ficou na memória dos habitantes da cidade como um dos mais emocionantes na história de Eldorado Paulista. Impressionou a todos seus habitantes, sobretudo as crianças. Mais do que a ninguém, a um adolescente teimoso, ambicioso e desengonçado chamado Jair Bolsonaro.

 

Até esse dia, Bolsonaro, que tinha então 15 anos, destacava-se na cidadezinha por ser turrão e astuto. (...) 

 

Para cumprir sua obsessão e entrar no Exército, o jovem Bolsonaro necessitava de duas coisas que não possuía na época: dinheiro e estudos. Para o primeiro, contava com um sócio: seu melhor amigo, Gilmar Alves. “Compramos uma vara e fomos pescar para vender: todo dia a gente ia para o rio, com frio ou calor”, recorda Alves, hoje com o cabelo completamente grisalho, sentado num bar de Registro, cidade próxima a Eldorado, onde vive.

 

“E enquanto isso, estudávamos. Precisávamos nos esforçar muito porque naquela época Eldorado não tinha bons professores: o de História dava aulas de Química, sem saber muito”, afirma. “Mas o Jair é uma das pessoas mais obstinadas que conheci. Estudava 24 horas por dia. Todo mundo ia aos bailes dos clubes e nós ficávamos estudando. Ele me dizia para que eu fosse para o Exército com ele, porque os presidentes eram todos militares e ele iria ser presidente”.

 

O plano deu certo. Gilmar chegou a estudar Agronomia em Curitiba, e Jair entrou no Exército. Durante anos, os dois amigos mantiveram o contato. “Ele me ligava de vez em quando para pedir minha opinião”, lembra. “Escuta Gilmar, o que achamos da prostituição?’ ‘Olha Jair, é a profissão mais antiga do mundo e é preciso apoiar as trabalhadoras. É preciso repudiar os que exploram a mulher’. ‘Tá, tá. Mas é que eu estou me aproximando dos evangélicos e isso não fica bem”.

 

A amizade acabou se rompendo. Em abril de 2015, cada vez mais convencido de que poderia se tornar presidente, durante uma entrevista televisionada, Bolsonaro falou de seu amigo de infância, de seu companheiro de pesca. Após décadas falando bobagens homofóbicas e racistas, talvez para contrastar, dessa vez disse algo diferente: “Eu tenho um amigo gay, Gilmar, que vive em Registro”. Gilmar ficou atônito ao escutá-lo. “Eu não sou gay”, diz. A suposta revelação teve como consequência uma campanha de assédio: por WhatsApp, nos bares, na rua. “Não importa onde, alguém se aproximava e me dizia com um sorriso: ‘Como você escondeu bem isso, frutinha’, e: ‘Bom, onde tem fumaça, tem fogo”. “Eu telefonei para ele para que me desse explicações”, lembra Alves. “E ele me respondeu: ‘Mas eu não te chamei de gay”. Gilmar sabe muito bem como definir seu antigo amigo: “É um desequilibrado, que não pensa antes de falar. Primeiro faz e depois conserta, se puder. É assim que quer chegar à presidência, mas não de um sindicato e sim de um país. Revelou um caráter que eu não conhecia. O de um mentiroso”.

 

A aparência de Eldorado mudou desde os anos setenta. Onde existiam casas de barro e madeira, agora se erguem casas de concreto e tijolo. Surgiram parabólicas sobre os telhados. Mas continua sendo um pequeno pedaço de urbe no meio da mata. A rotina é a mesma: trabalhar, o bar, a casa. E os problemas também: um deles, como no restante do Brasil, é a desigualdade. O dono do maior restaurante do local é partidário de Bolsonaro; as duas funcionárias de sua cozinha (negras), não.

 

“Se esse homem vencer, os primeiros a sentir seremos nós”, diz Ditão, um homem gigante, negro, de óculos de metal. Está na plantação de bananas que é seu ganha-pão. “Nós pobres somos os mais expostos à opressão militar. Eu tinha nove anos quando a ditadura começou em 1964; um dia a polícia prendeu meu pai sem nenhum motivo. Nenhum. Sabe por que ele não foi liberado? Porque não era o dono da terra em que trabalhava. O branco”. Transcrevi trechos. Informação elaborada por Afonso Benites, Felipe Betim, Fernanda Becker, Regiane Oliveira, Talita Bedinelli e Tom C. Avendaño/ El País

 

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27
Out18

BOLSONARO FAZ ASSÉDIO VULGAR A REPÓRTER DURANTE ENTREVISTA

Talis Andrade

 

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Jair Bolsonaro assediou com vulgaridade a jornalista Danúbia de Souza, da RIC-Record em Blumenau, ex-diretora do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, durante uma entrevista.

 

A entrevista aconteceu em Blumenau em 2015, e ao ser questionado sobre a odiosa declaração de que preferia que seu filho morresse em um acidente a ter um filho gay, Bolsonaro respondeu: “São aqueles momentos que você extrapola, explode. Eu tenho certeza que nenhum filho meu jamais será gay porque eu os educo muito bem”. E avançou? “Você é solteira?”.

 

Constrangida, a repórter fez sinal com a cabeça que sim, e ainda teve de ouvir um assédio do deputado que ela considerou repulsivo. “Vou te apresentar meu filho depois, OK? Você vai conhecer meu filho. É da família Bolsonaro. Esse não nega fogo não!”, completou.

 

O vídeo foi apresentado na noite desta quarta-feira (24/10), na Semana do Curso de Jornalismo da UFSC, num debate sobre Mulheres no Jornalismo (“Jornalistas, sim, mulheres também!”), com quatro profissionais da área, e causou profunda indignação na plateia de alunos.

 

Danúbia, que é muito querida e popular na cidade, contou ainda que ao encerrar a entrevista e desligar as câmeras, o líder fascista ainda ofereceu o número do celular e disse que passaria a noite em Blumenau. Veja o vídeo aqui 

 

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24
Out18

Negros, indígenas e gays já sentem nas ruas o medo de um governo Bolsonaro. Temor nas universidades

Talis Andrade

 

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O medo de agressões não é exclusivo de populações vulneráveis e tem repercutido mesmo entre quem sempre se sentiu protegido e confortável. É o caso do professor do Centro de Desenvolvimento Tecnológico da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Luciano Volcan Agostini. Homem, branco, internacionalmente premiado e com estabilidade garantida por concurso público, ele se arrepiou ao receber um email anônimo com ameaças à sua carreira docente: “Estou envolvido diretamente na campanha de Jair Bolsonaro e lhe informo que o mesmo está ciente do ativismo político-comunista que a UFPEL está fazendo, assim como outras. Saiba que a teta vai secar e o governo não irá mais financiar pesquisas inúteis”, dizia a missiva.

 

Agostini, que é pesquisador, foi pró-reitor da universidade e participou da equipe que definiu o Padrão Brasileiro de TV Digital, se surpreendeu. “Não faço campanha partidária dentro da UFPEL e, muito menos, dentro da sala de aula. Minha militância política tem acontecido mais nas redes sociais e, mesmo assim, não tenho perfil público”. Ele admite que se sente intimidado, especialmente pelo anonimato da mensagem, que utilizou um email falso. “Isso quer dizer que pode ser qualquer pessoa ao meu redor que está me ameaçando”, observa ele, que já denunciou o caso à Polícia Federal. “O clima é de profunda preocupação e medo na academia. O cerceamento do livre pensamento está brotando e tomando uma forma cada vez mais assustadora”, conclui.

 

Também profissional de uma instituição de ensino pública, a bibliotecária P.P. não é militante partidária e diz que seus “ideais são principalmente pautados pela minha espiritualidade”. Mesmo assim, mudou o comportamento recentemente por temer represálias políticas até em atitudes corriqueiras profissionais.

 

Ela decidiu tirar um livro do teórico Karl Marx do expositor onde a biblioteca mostra os itens recém adquiridos para os frequentadores. “Foi para proteger a instituição, não me senti confortável, pensei que poderia vir alguém do MBL tentando achar alguma coisa… fiquei em dúvida pois (colocar os lançamentos no expositor) é uma coisa tão sem intenção, tão rotineira, mas pensei que até convencer, dar explicação e provar que não somos doutrinadores… não sei. Tirei e guardei na estante, junto com outros livros”, relata.

 

Ela também tem controlado as postagens que a biblioteca faz para divulgar sua coleção. Temáticas que ganharam relevância nos últimos anos e que demandam literatura para pesquisa, como os movimentos LGBT, feminista e negro estão sendo diluídos propositalmente para evitar “falsas interpretações, para não inventarem o que não é”, assegura.

 

O nível de ansiedade chegou ao ponto máximo depois que livros com a temática de direitos humanos foram rasgados na biblioteca da Universidade de Brasília (UnB). Foi a deixa para P.P. avisar a colegas que se o clima piorasse, ela estava disposta a levar parte do acervo que toma conta para sua casa, como medida de proteção. “Antes a gente falava em censura num tom de brincadeira, agora a gente não ri mais”. Transcrevi trecho final. Toda a reportagem aqui no jornal El País, Espanha, e nos links 

 

 

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23
Out18

Pai de jovem morta diz que votar em Bolsonaro é ‘falta de caráter’

Talis Andrade

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O vereador Ari Friedenbach. Foto: Douglas Pingituro/Futura Press

 

 

Yahoo Notícias - O advogado e ex-vereador de São Paulo, Ari Friedenbach concedeu entrevista para a “Ponte Jornalismo” em que fala sobre como o discurso de Bolsonaro tem irritado sua família. Ele é pai da jovem Liana Friedenbach que foi estuprado e morta na Grande São Paulo, em 2003, quando acampava com o namorado, Felipe Caffé que também foi assassinado.

 

 

Bolsonaro e seus apoiadores não param de citar o caso para justificar as agressões verbais do candidato para a deputada Maria do Rosário. Para justificar seus disparates Bolsonaro mente, calunia. Como fez com o amigo de infância e adolescência Gilmar Alves. Como testemunho de que não é homofóbico, Bolsonaro disse que o amigo era gay. Este caso é narrado pelo jornal El País de Madri:

 

Em abril de 2015, cada vez mais convencido de que poderia se tornar presidente, durante uma entrevista televisionada, Bolsonaro falou de Gilmar Alves seu amigo de infância, de seu companheiro de pesca. Após décadas falando bobagens homofóbicas e racistas, talvez para contrastar, dessa vez disse algo diferente: “Eu tenho um amigo gay, Gilmar, que vive em Registro”. Gilmar ficou atônito ao escutá-lo. “Eu não sou gay”, diz. A suposta revelação teve como consequência uma campanha de assédio: por WhatsApp, nos bares, na rua. “Não importa onde, alguém se aproximava e me dizia com um sorriso: ‘Como você escondeu bem isso, frutinha’, e: ‘Bom, onde tem fumaça, tem fogo”. “Eu telefonei para ele para que me desse explicações”, lembra Alves. “E ele me respondeu: ‘Mas eu não te chamei de gay”. Gilmar sabe muito bem como definir seu antigo amigo: “É um desequilibrado, que não pensa antes de falar. Primeiro faz e depois conserta, se puder. É assim que quer chegar à presidência, mas não de um sindicato e sim de um país. Revelou um caráter que eu não conhecia. O de um mentiroso”.

 

Bolsonaro inventou que a deputada Maria do Rosário defendia o criminoso Champinha que matou Liana e o Namorado. “Bolsonaro destampou o que há de pior nas pessoas”, comenta o advogado Ari Friedenbach.

 

Além de conviver com a dor de perder a filha, Ari é atacado por fãs de Bolsonaro nas redes sociais. “Ari, tua filha morreu na mão da marginália que o PT, PCdoB, PSOL e PDT apoiam. Tu é uma vergonha para o mundo”, escreveu um Bolsonariano em uma mensagem privada no Facebook. “Eu me sinto triste, usado. Usaram a história da minha filha e eu não admito, ainda mais como fazem: distorcendo como argumento de forma burra”, diz. Liana também aparece em montagens de péssimo gosto no WhatsApp.

 

Ari diz ter verdadeira ojeriza da campanha de Bolsonaro. “Quem vota no Bolsonaro não merece meu respeito. É falta de caráter. Eu até tenho raiva do Bolsonaro, mas eu tenho mais raiva de quem vota nele. Quem vota no Bolsonaro mostra falta de caráter, falta de cultura, falta de conhecimento. Falta, no mínimo, de leitura de história. Sabe, eu não sou um judeu religioso, mas, por exemplo, essa mistura que tem acontecido de política com fé. No final das contas, quando o cara vai na igreja de domingo, na mesquita, na sinagoga, no terreiro, qualquer coisa que o valha, no fundo todo mundo está buscando a mesma coisa por caminhos diferentes. É um Deus, uma força maior, mas o destino é o mesmo. É uma coisa de respeito ao próximo, ética, o objetivo é o mesmo. Agora, eu acho inadmissível que a pessoa vá na igreja, coma a hóstia e, quando sai, dali pra frente, da porta para fora, é um filho da puta. É uma coisa antagônica. E faço essa comparação porque no fundo é isso. O cara quer ter essa pureza evangélica, judaica, ou seja lá o que for, e é um canalha. Porque para mim quem vota no Bolsonaro é como ele: canalha”, resume. Para ler a entrevista na íntegra clique aqui.

23
Out18

BOLSONARO É UM “PERIGO REAL”, AFIRMA BISPO QUE FOI AMEAÇADO DE MORTE

Talis Andrade

 

A eleição de Jair Bolsonaro para a presidência do Brasil representaria um perigo real para o país, avalia D. André de Witte.

 

O bispo de Ruy Barbosa, no Estado da Bahia, lamenta o excesso de prudência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB  "que conheceu períodos mais proféticos que hoje".

 

D. de Witte foi ameaçado de morte, nas redes sociais, por partidários de Bolsonaro

 

 

Por Jacques Berst, da agência católica da Suíça, com tradução da IHU On-Line - A eleição de Jair Bolsonaro para a presidência do Brasil representaria um perigo real para o país, avalia D. André de Witte. O bispo de Ruy Barbosa, no Estado da Bahia, lamenta o excesso de prudência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB "que conheceu períodos mais proféticos que hoje".

 

D. André de Witte, bispo belga que vive no Brasil desde 1976, falou de seus temores no no dia 18 de outubro de 2018, em Genebra. Ele testemunhou na ONU a realidade brasileira a convite da "Franciscans International", uma ONG que tem o estatuto de consultora junto à ONU. Ela faz um trabalho de 'advocacy' em favor dos direitos humanos, pela promoção da justiça, da paz e da proteção da criação. D. de Witte foi ameaçado de morte, nas redes sociais, por partidários de Bolsonaro.

 

"A parte podre da Igreja católica"

 

Mas ele não é o único alvo: até a muito prudente CNBB foi chamada, juntamente com o Conselho Indigenista Missionário – CIMI, pelo favorito da eleição presidencial, de "ser a parte podre da Igreja católica". Há vários dias, circula nas redes sociais um vídeo onde o 'caudilho' do Partido Social Liberal insulta a Conferência Episcopal Brasileira com linguagem vulgar, como é seu costume.

 

Nostálgico da ditadura que ensanguentou o Brasil de 1964 a 1985, com seu cortejo de militantes e de simples civis torturados, assassinados ou exilados, Bolsonaro demonstrou, no curso da sua longa carreira política, sua hostilidade aberta contra a Igreja católica.

 

O antigo militar visa sobretudo os setores mais comprometidos com as causas sociais e os direitos dos mais pobres. Ele não hesitou, certa vez, de na tribuna do Congresso Nacional, dizer que o cardeal Paulo Evaristo Arns, um dos grandes opositores da ditadura militar, era um homem "sem honestidade" e um "aproveitador".

 

O papa Francisco também foi tratado de "comunista"

 

Há muito tempo que "o populista Bolsonaro nos insulta, lamenta D. André de Witte, pois ele não suporta nosso compromisso social, nossa vontade de participar na construção de uma sociedade justa e solidária... Nós somos qualificados de 'comunistas' quando nós perguntamos porque há tanta pobreza, quando nós buscamos as causas. O papa Francisco sofreu os mesmos ataques... É o caminho do Cristo!"

 

Frente aos ataques, D. André de Witte lamenta, com palavras cuidadosas, o excesso de prudência da CNBB: "numerosos são os bispos que têm medo de falar francamente. Falta uma mensagem imediata e clara. O povo se ressente desta falta".

 

Para o bispo de Ruy Barbosa, não se trata de atacar uma pessoa, mas de analisar seu projeto político, pois o que está em jogo é, de qualquer maneira, a alternativa entre um "projeto de vida" e um "projeto de morte". "Bolsonaro tem um discurso racista, prega a discriminação contra as populações negras, contra as mulheres, quer suprimir a demarcação das terras indígenas na Amazônia", afirma o presidente da CPT, pois os povos autóctones são considerados como um obstáculo para o desenvolvimento.

 

"Bandido bom é bandido morto..."

 

"Sua atitude é perigosa: ele prega a violência armada, afirmando que bandido bom é bandido morto... Ele quer mais repressão e até recompensar os policiais que saem atirando nos delinquentes. Ele quer mais prisões e menos recursos para a educação. Ele quer reforçar a segurança sem analisar os problemas sociais que são, em grande parte, a raiz da 'insegurança", detalha D. André de Witte. O candidato à presidência se deixa fotografar, ao lado de crianças, com armas de fogo: "mostrando para as crianças a maneira de manejar um fuzil... Ele incita à violência contra o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra – MST, apoiando os grandes proprietários de terra. É um programa perigoso para a sociedade".

 

Apoiado por evangélicos conservadores, entre os quais o 'bispo' Edir Macedo, líder da multinacional "Igreja Universal do Reino de Deus" – IURD e proprietário do Grupo Record e da Rede Record, a segunda maior do Brasil, Bolsonaro se beneficia do poderoso instrumento de propaganda. Ele manipula setores da Igreja católica se dizendo a favor da vida, contra o aborto e partidário da família tradicional contra o casamento de gays.

 

"Mas não é mais que um discurso", diz D. André de Witte, lamentando que a campanha eleitoral não contribuiu para a reflexão. Trata-se, antes de tudo, de uma atitude antissistema: "não se quer mais o Partido dos Trabalhadores, o PT, que é acusado de todos os males, principalmente de fazer propaganda nas escolas em favor da homossexualidade. Os partidários de Bolsonaro difundem nas redes sociais uma multidão de 'fake news', de informações falsas, como, por exemplo, a distribuição de um kit gay nas escolas. Este kit nunca existiu!"

 

O bispo de Ruy Barbosa lamenta que os grandes meios de comunicação, como a Rede Globo, não fazem corretamente o seu trabalho. "Não temos meios de comunicação que informem corretamente, que analisem, que coloquem os temas em perspectiva, formem as consciências, alertando para o risco dos perigos que estão por vir. Talvez não seja algo voluntário, mas uma omissão que, no entanto, pode se tornar uma cumplicidade. Ainda espero, antes que seja tarde, que toda a sociedade acorde face ao grande perigo que se anuncia!".

 

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