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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

19
Jul21

A indústria da morte movimenta bilhões

Talis Andrade

Melhor prevenir do que remediar

Reinaldo Azevedo no Twitter

 
Reinaldo Azevedo
A Vitalmedic pagou os anúncios da tal Associação Médicos pelo Brasil, os “doutores” do falso tratamento precoce. No “kit”’, está a ivermectina. E a Vitalmedic é uma das principais produtoras de ivermectina . A venda passou de 5,7 milhões de cxs em 2019 para 75,8 milhões em 2020O caminho para salvar a economia
Bolsonaro é o presidente dos sonhos para certos setores. A venda aumentou 1.230%. Qtos tomaram, sentiram-se protegidos e saíram por aí? Os quase 550 mil mortos não são um acidente. São frutos de uma política deliberada. Que movimentou bilhões. Os bilhões da indústria da morte.ImageImage
Os “libertários” dirão: “O totalitarismo sanitário proíbe até de foder”. Errado! Não pode é foder os que não participaram da festinha. Como se sabe, o coronga é amoral. A tradicional família bolsonarista-cristã é muito permissiva em matéria de patógenos...Para Além do Cérebro: A visão da Vacina contra a Covid 19: A percepção da  população e a de Bolsonaro na charge de Miguel Paiva
 
A entrevista de Gilmar Mendes me leva a lembrar: governo federal ficou encarregado das vacinas. Só! Estados e municípios cuidaram do distanciamento. Ou teríamos mais de milhão de mortos. E o gov. Fed. fez o q fez. Vacina virou um mercadão de larápios. Eis o desgoverno Bolsonaro.

O Globo informa q André Mendonça quer beijar a mão do PT. Q o partido se lembre do poeta Augusto dos Anjos e das indicações q ele próprio fez ao STF: “O beijo, amigo, é a véspera do escarro” (...) “escarra nessa boca que te beija”Image
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O gado resiste a tomar vacina contra o coronga. Alega que já se imunizou contra a febre aftosa. Faz sentido...
Os órgãos do corpo + parecidos são cérebro e intestino. Este concentra boa parte de neurotransmissores. Médicos lidam com ocorrência rara e contagiosa no país: doença ideológica faz o intestino nascer na crânio, e o cérebro no abdômen. A pessoa defeca pela boca e pensa pelo ânus.
Ora, por favor, é claro q eu me compadeço. Dor é dor. Como não se solidarizar com o sofrimento alheio? Afinal, quase 550 mil mortos sem direito a Vila Nova Star. Mas nem precisariam de tanto. Houve casos em q teria bastado oxigênio. Ou respirador. Ou um leito simples de hospital.Cresce mobilização nas redes sociais por impeachment 'urgente' de Bolsonaro
Como se nota, tudo como dantes na parceria cérebro-intestino. Bolsonaro insiste agora em outra droga milagrosa, alardeia resultados q ñ pode provar e diz ñ ter errado uma até agora. Verdade. A Vitalmedic, q patrocinou anuncio de pilantras defendendo drogas inúteis, vendeu 75,8 milhões de cxs de ivermectina no ano passado. Em 2019, apenas 5,7 milhões. Jamais descarto a hipótese psiquiátrica como coadjuvante do morticínio. Mas me parece ingênuo desprezar esses e outros números. A indústria da morte movimenta bilhões. O nome do pilantra abaixo é Jennings Ryan Staley. Contrabandeou hidroxicloroquina para os EUA para compor o ... Kit Covid-19. Já se declarou culpado. Pode pegar 20 anos de cadeia. Por aqui, cloroquinistas vão à CPI, contam mentiras e ainda se dizem vítimas.Image
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04
Jul21

Salsichas, bodes e jabutis

Talis Andrade

salsichas

O jabuti é filho da cultura política corporativa, patrimonialista e corrupta. A privatização da Eletrobrás é campeão: tem todas as espécies

 

 
 
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É o cardápio exótico e preferido pelos legisladores brasileiros.

Salsichas. “As leis, como as salsichas, deixam de inspirar respeito na medida em que sabemos como são feitas”, frase de autoria do poeta americano John Godfrey Saxe (1816-1887). Credita-se definição semelhante ao “Chanceler de Ferro”, Otto von Bismarck, unificador da Alemanha (1815-1898).

A originalidade da frase é irrelevante: ambos têm razão. Salsichas podem ser a armadilha das impurezas. É um “produto cárneo”, segundo os regulamentos do Ministério da Agricultura, cujo “zelo fiscalizatório” não evitou, (17/03/17), a deflagração da “Operação Carne Fraca”.

Bodes. A fábula do bode é muito conhecida. Para enfrentar as reclamações cotidianas, o chefe da família foi aconselhado a colocar o bode na sala. As reclamações continuaram. Então, o conselheiro sugeriu: “tire o bode da sala”! Que alívio. Deixaram de aporrinhar o atencioso cidadão.

O bode é um bicho resistente e injustiçado: expia com sacrifício a culpa dos outros. Nas negociações, as partes usam bodes, exigências absurdas, que, uma vez excluídas, reste o alívio como a sensação de êxito.

No ping-pong institucional de iniciativa de projetos de lei, emendas, sanção, vetos confirmados ou derrubados, é comum usar o bode. Como neste jogo ninguém é bobo, o bode é sacrificado. O problema maior é quando ele permanece e passa a incomodar a coletividade.

Jabutis. Na fauna, é um réptil terrestre dotado de carapaça e uma expectativa de vida que pode chegar a cem anos. No jogo político, é um bicho “misterioso” que surge nos textos. Quando se dá fé, o jabuti que, segundo a sabedoria popular “não sobe em árvores”, se “subiu” é porque alguém botou. Quem?

O jabuti é filho legítimo da cultura política corporativista, patrimonialista, clientelista e corrupta. Tem o patrocínio (lobbies) de interesses menores, imediatos, privilégios, e, quase sempre, derrota o interesse público, o grande órfão da representação popular.

Exemplos. São muitos. Vamos aos mais recentes: a privatização da Eletrobras tem todo tipo de jabuti, é campeã; o projeto de criação de federação de partidos e o “distritão” liquidam a possibilidade de aperfeiçoamento do sistema partidário; a proposta de reforma eleitoral (934 artigos) e o afrouxamento do crime de improbidade administrativa abrigam grandes jabutis com CPF e RG.

A aliança pelo retrocesso, governo e “centrão”, se afasta, cada vez mais, da sociedade, o risco é que a proliferação dos jabutis derrube a árvore na cabeça dos cidadãos.

Faltou o boi? A boiada tá passando.

13
Jun21

Bolsonaro é a crise sanitária

Talis Andrade

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por Cristina Serra

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Jair Bolsonaro é como o vampiro de um conto de terror, insaciável em sua sede de sangue. Ele deu prova disso, mais uma vez, ao tentar flexibilizar o uso de máscaras. Para a imensa maioria da população brasileira, que não pode se dar ao luxo do trabalho em casa e é obrigada a sair em busca do pão de cada dia, a máscara e o álcool em gel são as duas únicas medidas de proteção, enquanto não tem vacina para todos e, sabidamente, existe o risco de reinfecção.

Como fazer distanciamento social em ônibus, trens e metrôs lotados? Com o nível de contaminação no Brasil, falar contra o uso de máscaras é, praticamente, tentativa de homicídio. Bolsonaro se esmera em confundir e desinformar. Esse aspecto do descontrole da pandemia entre nós foi destacado pelo médico sanitarista Cláudio Maierovitch e pela microbiologista Natália Pasternak, em depoimento à CPI da Covid. Desinformação mata. 

Ambos assinalaram que uma pandemia só pode ser controlada com grande esforço coletivo. Daí a necessidade de campanhas permanentes de informação e esclarecimento. Bolsonaro faz o contrário. Estimula a população a ser agente de propagação da doença. 

Bolsonaro é a crise sanitária. Cada vez que abre a boca, alastra a praga, pulveriza nuvens de pestilência, espalha veneno. É como um experimento altamente tóxico que escapou aos controles do laboratório. Mas, no comando do genocídio, ele não está sozinho. Tem o inacreditável suporte do Conselho Federal de Medicina, que deveria estar na vanguarda da defesa da ciência e da população, mas que advoga uma genérica “autonomia médica”. Lava as mãos covardemente. Vai ficar por isso mesmo ? 

Quem ganhou dinheiro com a falcatrua do “tratamento precoce” também é cúmplice da carnificina. Essa é uma linha de investigação a ser aprofundada pela CPI. Bolsonaro tudo faz para derrubar o nosso sistema imune, em múltiplos sentidos. O risco que corremos é o de uma septicemia.

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04
Abr21

O Testamento de Judas na pandemia. Por José Ribamar Bessa Freire

Talis Andrade

por José Ribamar Bessa Freire /TaquiPraTi

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“Eu sei que alguém descobre / Falhas no meu testamento”.
Joaquim Apolinário. Testamento do Judas.  1886. (*)

Neste sábado de aleluia, Judas Iscariotes, ministro das Finanças do Inferno, visitou países de cinco continentes, entre eles a America First e o Brasil abaixo de tudo. Aqui viu bonecos de pano com a cara do genocida pendurados em postes das cidades. Fugiu ao se deparar com 330 mil mortos pelo coronavirus. Passou antes por Manaus. No bairro de Aparecida, sofreu a tradicional malhação e se vingou deixando seu testamento em versos psicografado pelo irreverente e desabusado Edilson, o Gaguinho, gênio da poesia popular. Tirem as crianças da sala. Ei-lo aqui. 

1 
Sou Judas Iscariotes / Neguei máscara, vacina.
Dei cloroquina pra Cristo / Olhem só a minha sina.

2
Por isso sou malhado / com porrada na cacunda
No sábado de Aleluia vou / moer vidro com a bunda.

3
Mas antes de me ferrarem / e de me enforcar outra vez
Eis aqui o inventário /  do que eu lego pra vocês.

4
Ao Trump bundão eu deixo  / o túmulo do faraó
E a espada do centurião / pra enfiar no fiofó.

5
Pra atormentar sua vida / deixo o discurso do Lula.
Ao mentiroso Jair Messias / Burro como uma mula 

6
Deixo o exemplo do Temer / ao vice Mourão Mourão
Catuca por baixo que ELE cai / com impeachment e lockdown.

7
Deixo ao Dudu, o 03 / a embaixada em Mianmar
Pra ele fritar hamburger / no Burger King de lá

8
A Carlucho, o 02 da fake news / que escorrega no quiabo
Deixo a máscara que não usa / para enfiar no seu rabo.

9
As trintas moedas repasso / ao 01 da Rachadinha
Mansão, chocolate, iate / Queiroz deu sua lavadinha

10
Ao ministério do Zero Zero / escolhido no capricho
As ratazanas do Centrão / jogo na lata do lixo.

11
Lego armas, vacina não/ à familícia e ao gado
Tudo pau de amarrar égua / com o orifício corrugado

12
O Posto Ipiranga vazio / que nem pastel do Beiçola
Paulo Guedes nega tudo / e põe no PIB meia sola.

13
Ernesto Araújo, seu pária / Que merda de chanceler!
Te deixo spray de Israel / Ninguém te ama nem te quer.

14
Ao obediente Pazzuelo / Lego o mapa do Amapá
O Zé Gotinha com fuzil / no dia D na hora H.

15
Para o Marcelo Quidroga / que não sabe o que quer!
Deixo a vachina da China / pra ele virar jacaré.

16
A corda que me enforquei / e a tripa cagaiteira
Lego ambas pra Damares / se pendurar na goiabeira.

17
Ao “imprecionante” Weintraub / de Kafta um grande fã
Deixo cannabis no campus / e as balbúrdias do Satã.

18
Ao ministro Milton Ribeiro, / da palmatória defensor.
De pedagogo oprimido  / a “paudagogo” opressor.

19
Nem tudo que reluz é Moro / mas cai tudo que balança
Ao “conje” suspeito eu deixo / a Edith Piá de herança

20
Ao incendiário da Amazônia / ao Salles abridor de porteira
Deixo o fogo do inferno / Pra ele arder na caldeira

21
Ao general Heleno de Troia / Que gosta de um tititi
Deixo toda a lambança / Cometida no Haiti.

22
À senadora Kátia Abreu / Que ficou no ora veja
A mão que te  afaga / É a mema que te apedreja.

23
Tou certo ou tou errado? / Para a Regina Porcina,
Que foi sem nunca ter sido / Deixo um trono na latrina.

24
Lego a Amargo dos Palmares / Pra aprender a ser gente,
Um pixaim de pentelho / Na careca reluzente.

25
Ao garantista Kássio Nunes / Que pensa que a lei destrincha
Deixo-lhe o Gilmar Mendes / Pra chamar ele na chincha.

26
Ao Procurador Augusto Aras / Deixo-lhe muitas gavetas
Que nunca serão abertas / Pra esconder do Bozo as tretas

27
Palloci minh’alma gêmea / Teu destino é como o meu
Pra tirar o loló da seringa, / Traíste mais do que eu.

28
Ao bode libidinoso / Metido num trumbico
Defendo a Isa Penna / Até o Cury fazer bico

29
Para  Wilson Lima governador / Lego a operação sangria,
Com dinheiro da saúde,/ Não se faz patifaria.

30
De mãos dadas com o povo? / Ventiladores de hospital
Comprados em adega de vinho / É coveiro em funeral.

31
Lá onde perdi as botas / Ao mulato inzoneiro
Lego o nojo desses pulhas / E a crença no brasileiro.

32
Agora eu volto pro inferno / lá tá melhor do que aqui
Neste fim de Quaresma / Deixo-vos o Taquiprati.

P.S. – Agradeço sugestões da Teca, Fabico, Celeste e Elisa Souto e a inspiração do Edilson, filho da Pequenina e Marcolino.

(*) O potiguar Joaquim Apolinário de Medeiros (1852-1919) fez um testamento do Judas em 1886, preservado na memória da mãe do Câmara Cascudo, que transmitiu oralmente os versos para seu filho. Trechos foram publicados por ele em “Vaqueiros e Cantadores”. Rio. Ediouro. 200 (pgs 65-66).

(**) Malhação de Judas

01
Abr21

Gasto com kit Covid permitiria comprar 5,9 milhões de doses de vacina

Talis Andrade

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Investimentos federais com remédios sem eficácia comprovada também poderiam bancar a abertura de 3,7 mil leitos de UTI

 

Metrópoles - Hoje lutando para evitar o desabastecimento nacional de insumos para tratamento hospitalar de pacientes graves da Covid-19, o governo federal destinou R$ 89 milhões apenas para compra de remédios sem eficácia comprovada na recuperação de infectados. Com o montante gasto nos medicamentos, seria possível financiar a aquisição de 5,9 milhões de doses de vacina contra o novo coronavírus.

Cada vacina distribuída pelo governo federal teve custo unitário de R$ 15,12, conforme dados do Ministério da Saúde. O dinheiro seria capaz, então, de financiar quase 6 milhões de imunizantes. O total de doses é suficiente para vacinar completamente toda a população adulta do Distrito Federal.
 
A quantia usada pelo Executivo na compra dos remédios usados no chamado “kit Covid” (azitromicina, ivermectina, cloroquina, hidroxicloroquina e oseltamivir) também permitiria a abertura de, pelo menos, 3,7 mil leitos de unidades de terapia intensiva (UTI) para hospitalização dos infectados.
 

Isso porque, de acordo com dados do Ministério da Saúde, os custos para a contratação de 10 leitos de UTI estão estimados entre R$ 239 mil e R$ 299 mil. Os R$ 89 milhões, portanto, financiariam entre 298 e 372 dezenas – o que equivale a 2.980 leitos no maior valor e 3.720, no menor.

 

Kit intubação e máscaras

 

Mais do que a falta de leitos para pacientes, a rede de saúde, pública e particular, enfrenta o risco de desabastecimento geral de remédios utilizados para intubação. Segundo levantamento realizado pelo (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles, com base no Painel Covid, um terceiro destino possível para este montante seria a compra de medicamentos usados para intubar pacientes em situação grave por conta do coronavírus.

Um dos insumos necessários para o procedimento é o propofol. No último pregão registrado no Painel Covid, o preço por ampola da substância usada para a sedação de pacientes a serem intubados foi de R$ 31. Os R$ 89 milhões seriam suficientes para a compra de quase 2,9 milhões de unidades do sedativo.

Outra finalidade para o dinheiro poderia ser a aquisição de máscaras de proteção do tipo N95, cujo uso é recomendado por especialistas. A reportagem encontrou dois pregões para aquisição do produto – um com o preço unitário de R$ 3,59 e outro com valor por unidade de R$ 8,65. Assim, entre 10,3 e 24,8 milhões de máscaras poderiam ter sido adquiridas com os recursos gastos em remédios sem eficácia contra a Covid-19.

 

Gastos injustificáveis

 

Para Francisco Antônio Coelho Júnior, professor do curso de pós-graduação em administração pública da Universidade de Brasília (UnB), o governo não cumpriu com a “hierarquização dos gastos para o atendimento de demandas mais emergenciais”.

“Não sei as bases em que essa decisão [de investir R$ 89 milhões em remédios sem eficácia comprovada] foi tomada. Não diria que houve uma falha, mas a prioridade foi assentada em outras premissas que não a resolução de problemas imediatos e emergenciais.”

O especialista em administração pública avalia que a decisão do governo federal não considera a necessidade prioritária da população.

“Se você tem toda uma demanda emergencial para resolver e investe em outra finalidade, como nesses kits de tratamento precoce, as bases para essa tomada de decisão não consideraram a priorização da necessidade. Há uma hierarquia de necessidades para o atendimento do bem comum da população – que não foi cumprida, nesse caso”, disse.

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“Viés político”

 

Na última quarta-feira (31/3), a Organização Mundial da Saúde (OMS) voltou a recomendar que pacientes não utilizem e profissionais de saúde não receitem o uso de ivermectina para tratamento da doença, com exceção do uso para estudos clínicos.

Em nota, a OMS afirmou que o antiparasitário apresenta “muito baixa evidência” sobre sua eficácia no combate ao vírus pelo organismo. A ivermectina é apenas um dos vários remédios receitados por médicos no tratamento com o kit Covid.

O médico infectologista do EuSaúde Luis Gustavo Santos classifica que o uso do medicamento extrapolou o âmbito científico e adotou “viés político”.

“Quando a doença surgiu, tudo foi buscado no âmbito do tratamento para o vírus, e a ivermectina já tinha mostrado atividade antiviral em estudos in vitro, que possuem grande diferença para os estudos in vivo. Os resultados foram obtidos com dosagens extremamente elevadas, não recomendadas em bula pela produtora do remédio”, explicou.

Segundo o profissional de saúde, “não há solução satisfatória que não uma vacina”. “Estudos descartaram que houvesse alguma melhora, no que quer que seja, dos pacientes. Vejo um viés político em um kit que é completamente inócuo”, completou.

 

Efeitos colaterais

 

O infectologista César Carranza, do Hospital Anchieta de Brasília, alerta para o uso dos remédios do kit. Segundo o médico, há risco de que os usuários do tratamento sofram com efeitos colaterais.

“Esses medicamentos podem ter efeitos colaterais potencializados. Falando, especificamente, em ivermectina há a toxicidade hepática. Pacientes estão evoluindo para a necessidade de transplante hepático. Nós temos observado que os exames se alteram mais nesse paciente que fez o uso do remédio, do que em quem não tomou”, pondera.

Já a azitromicina e a hidroxicloroquina podem levar o paciente a desenvolver arritmias cardíacas. “Se você tomar os dois, o risco é dobrado, potencialmente. Reforço aqui que o remédio é ineficaz e há grave risco de apresentar problemas futuros. O infectado, se não tomar ou se tomar [o kit Covid], vai sarar do mesmo jeito. Há um grau de efeito placebo nos remédios, pois a cura é espontânea”, finaliza.

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20
Dez20

Ousadia e esperança

Talis Andrade

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    • POR ANTÔNIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO 

       

    • Aprovação de Bolsonaro é alta

      Ninguém assume que o apoia

      O momento é de resistência

       

      “Quando a escuridão é espessa

      e não se escapa entre os dedos

      gosto de apanhar uma mancheia

      e levar até a luz para ver melhor

      Regresso feliz de mãos vazias

      a escuridão afinal não é a tempestade fatal

      o abismo medonho a avalanche final

      é apenas o que não se pode ver.”

      – Boaventura Souza Santos

Hoje eu acordei com uma placa no terreno ao lado: “vende-se este lote”. No isolamento, todos os movimentos são criteriosamente observados; qualquer mudança chama a atenção. Logo fiquei imaginando, curioso, quem poderia vir morar ali ao lado. E comecei a pensar em tudo que mudou desde o início da pandemia até hoje. Uma constatação óbvia: as pessoas são um mistério permanente.

De todas as que eu mantenho contato, mesmo que virtual, nenhuma defende o genocida. As poucas que insistiam na defesa eu bloqueei no WhatsApp. Incrível ferramenta civilizatória: impede brigas, discussões fúteis com gente sem argumento. Basta deletar ou bloquear.

Mas o mistério é recorrente. Ninguém defende esse despreparado e cultor da morte, mas sua aprovação continua batendo recorde. Ou seja, o anonimato covarde, cúmplice, continua a preservar o apoio dos fascistinhas enrustidos, dos misóginos não assumidos, dos racistas envergonhados, dos admiradores da tortura e da violência. Deveriam ler Augusto dos Anjos:

Hora da minha morte. Hirta, ao meu lado, a ideia estertorava-se….
No fundo do meu entendimento moribundo
jazia o Último Número cansado.


– Que fazes ainda no meu crânio?
E o Último Número, atro e subterrâneo,
parecia dizer-me: É tarde amigo!”

Hoje é comum ver jornalistas chapas brancas, que na eleição foram, no mínimo, omissos, virem com um discurso de perplexidade com o desgoverno como se tivessem hibernado por longo tempo. Habitavam outra estratosfera. Não está na hora de cobrar coerência ou dispersar; o momento é de resistência, de tentar mostrar os podres que já cheiram mal há anos e que agora, com a putrefação, incomodam até os narizes dos que escondem os punhos de renda.

Muitos que estavam se regozijando, explícita ou intimamente, começam a perceber que até o absurdo, o teratológico, tem que ter limite. Percebem que é mais do que desonestidade, mais do que mau-caratismo, mais do que ignorância, é quase uma doença essa falta de empatia, esse desprezo à vida, esse culto lúgubre da morte. E é familiar, hereditário e contagioso.

Uma densa nuvem, espessa, nos cerca e tenta nos imobilizar. Não é apenas a luta permanente contra a maior estratégia de desmantelamento de todos os programas de governos anteriores; é a angústia do medo do vírus, a tristeza da falta de seriedade no enfrentamento da pandemia, a presença da morte que, a essa altura, já visitou inexoravelmente alguém ligado a cada um de nós.

Só um genocida vendido e vulgar aproveita o caos sanitário que nos imobiliza para sucatear a cultura, destruir o SUS, entregar o meio ambiente, desmanchar os conselhos da sociedade civil, empreender uma política externa entreguista e submissa, humilhar parte das forças armadas, enfim, fazer o país se igualar à sua própria mediocridade, fazer do país que ele governa um prostíbulo à feição familiar.

E não pensem que tudo se dá por acaso. O que existe é uma política estruturada, pensada, planejada. A sustentação se dá não apenas com a indústria de fake news, mas com a velha cooptação política de distribuição de cargos e verbas e um trabalhado culto a um populismo que cega o gado que segue o mito com verdadeiros antolhos adaptados a esta turba ignara, inculta.

Ele, nota-se, porta-se como se estivesse em casa. Não tem a dimensão do cargo que ocupa. Trata os brasileiros com a mesma baixaria e arrogância com que trata seus filhos, seus amigos. Quando se dirige às pessoas, com um estilo que envergonha aos minimamente lúcidos, dá a nítida sensação de que está em casa, em família. Ele é assim e tem orgulho de ser. Não adianta nós o considerarmos ridículo, pois ele não tem nenhuma dimensão do que é ser ridículo.

Com o recrudescimento do vírus, a morte chegando a acachapantes 185 mil brasileiros, 70 mil casos de infectados em 24 horas, mais de 7 milhões desde o início da pandemia e quase mil mortos por dia, nós brasileiros, ainda assim, temos que enfrentar o escárnio, as brincadeiras idiotas, o negacionismo – a essa altura! – e uma doentia campanha contra a vacina. No caso da cloroquina, era fácil identificar o criminoso interesse financeiro que havia. No caso da politização da vacina, parece mais um caso de interdição, de inimputabilidade.

No processo democrático é salutar que ocorra alternância de poder. O fortalecimento das instituições se põe à prova exatamente com a adaptação da estrutura do Estado a grupos de diferentes matizes ideológicas. Quem perde as eleições se prepara para tentar ganhar as próximas. Esse é o amadurecimento que nos permite viver em um estado democrático de direito. Me recorro a Rainer Maria Rilke:

“As folhas caem, caem como se, no alto, lá nos céus, longínquos jardins murchassem.
Elas caem de maneira resignada.
Em noites frias a terra pesada cai, dos astros todos, na solidão.
Todos caímos. Cai aquela mão.

E olha as outras; há quedas também.
No entanto há alguém
que, com suaves mãos,
todas as quedas detém”

Mas o mundo vive uma época sem precedentes e para situações inusitadas, graves, complexas, a sociedade tem o direito de se mobilizar exigindo saídas e soluções fora da trivialidade, desde que, claro, dentro da normalidade e da previsão constitucional. Passou da hora de nós nos perguntarmos se vamos aceitar este genocida continuar à frente do País. Ao desmanche político deve-se responder com mais política, com conscientização, com participação popular.

Mas não é apenas disso que se trata. É muito mais profundo. É o momento de pensar que país nós deixaremos para as futuras gerações, para nossos filhos e netos. Tem instantes na vida que é preciso dar um passo à frente e romper este invisível círculo de giz que nos aprisiona. Buscar o ar puro fora deste fosso de ar rarefeito a que nós estamos sendo submetidos. Um ar que nos dê forças para tirar as vendas do medo de ousar. Sem ousadia nos restarão a submissão e o amargo gosto de cumplicidade por omissão.

Vamos acreditar que existe vida inteligente, honesta, simples fora das amarras obscurantistas destes bárbaros. Depende de cada um. Vamos ter aquele pasmo essencial a que se referia Pessoa, que teria cada criança se ao nascer reparasse que nascera deveras. Vamos fazer nascer um novo Brasil. Nós merecemos. E levemos Pessoa conosco:

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” 

-Pawel-Kuczynski- pandemia morte.jpg

 

17
Dez20

Um país patético à beira do abismo

Talis Andrade

Os números são, na melhor das hipóteses, aterrorizantes.

Estrondosamente aterrorizantes.

No sábado, dia 12, o total de mortos pela Covid superou a casa dos 182 mil. O de contaminados se aproxima rapidamente aos seis milhões e 900 mil. São números trágicos, e que não param de crescer.

Nos últimos dias, se manteve – a cada 24 horas – um total superior a 50 mil infectados. Mais de dois mil por hora. Uns 35 por minuto. Mais de dois por segundo.  

E diante desse quadro, o que faz o governo do Aprendiz de Genocida?

Uma sequência formidável de confusões, deixando mais do que claro que o general que ocupa o ministério da Saúde não vale o que a sola de sua botina volta e meia pisa, se é que me entendem.

Em menos de duas semanas essa figura patética anunciou cinco iniciativas diferentes e contraditórias. Gaguejou, depois quis mostrar macheza, e não fez mais que deixar clara a sua olímpica estupidez.

Não explicou, por exemplo, como pretende conseguir as mais de 400 milhões de seringas com suas correspondentes agulhar para vacinar os 212 milhões de brasileiros. 

E esse detalhe é só um da pirâmide que mostra como Eduardo Pazuello, essa bizarra figura, consegue puxar a imagem das Forças Armadas – afinal, ele é um general da ativa – para o chiqueiro que é esse governo.

Inventou que agora mesmo, em dezembro, talvez janeiro, chegariam toneladas de vacinas da Pfizer.

Foi cruelmente desmentido pela farmacêutica, que informou que em agosto mandou uma proposta de compra de imunizantes e que nunca teve resposta.

Sobram exemplos da inércia, da ineficácia, da criminosa irresponsabilidade do governo do Aprendiz de Genocida.

Sobram, e todos e cada um deles são trágicos.

E enquanto isso, o que faz o Ogro Sanguinário?

Pois deixa mais e mais evidente que, entre as suas preocupações, três ocupam espaço especial.

A primeira: manter viva a campanha eleitoral para um hipotético 2022. Por isso viaja sem parar, de preferência visitando bases militares. Logo ele, que foi expelido do Exército, não perde oportunidade de demonstrar sua proximidade com as Forças Armadas. E que se o seu governo não é militar, é militarizado, graças às sinecuras distribuídas a granel entre fardados e empijamados.

A segunda: manter um discurso dirigido diretamente à boiada de seus acéfalos seguidores incondicionais. Exemplo: anunciar, no mesmo dia em que se chegou aos 180 mil mortos pelo corona, que liberou de impostos a importação de revólveres e pistolas. E as vacinas?

A terceira: o esforço ilimitado para proteger os filhos envolvidos em um sem-fim de falcatruas.

Que, aliás, também poderão envolve-lo diretamente, bem como a vistosa figurinha de sua esposa, que aceita sorridente depósitos injustificados em sua conta bancária.

Agora, se sabe que dentro da própria ABIN, a Agência Brasileira de Inteligência, hierarquicamente submetida a essa figura bizarra chamada Augusto Heleno, um reacionário desenfreado, foi criado um esquema para proteger Carlos e Flavio, envolvidos até a medula em desvio de dinheiro público e em uma organização criminosa.

O Ogro vive desfraldando aos quatro ventos a mentira de que em seu governo não há corrupção. Há, e muita.

Ela, aliás, começa em sua própria casa, em sua própria família.

Essa nova revelação poderá apertar o laço em volta de seu esganiçado pescoço. Assim vive este pobre país.

Neste domingo, 13 de dezembro, se cumprem 52 anos da decretação do Ato Institucional Número 5, o famigerado AI-5, auge da sangrenta ditadura que o Aprendiz de Genocida diz que não aconteceu.

Tomara que ele não queira aproveitar para celebrar a data baixando alguma outra medida assassina.

Tomara.Charge do Amarildo | Noblat em 2020 | Dia internacional da mulher, Dia da  mulher, Internacional da mulher

 

13
Nov20

Bolsonaro pretende eleger prefeitos trampolins para sua reeleição em 2022

Talis Andrade

 

Jair Bolsonaro obteve mais de 57,7 milhões de votos e foi o preferido entre os eleitores de todos os Estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e no Distrito Federal.

Mapa

Bolsonaro quer repetir o feito no Sul e Sudeste nestas eleições municipais de domingo. Perde apenas no Rio Grande do Sul.

Bolsonaro vence em Florianópolis com Gean Loureiro (Dem), em Curitiba com Rafael Greca (Dem), no Rio de Janeiro com Eduardo Paes (Dem), com Kalil em Belo Horizonte (PSD), Pazolini (Republicanos) ou Gandini (Cidadania) em Vitória.

Rafael Greca desafeto de Lula

 

O que é o Centrão vitorioso domingo próximo? 

Responde a jornalista Fernanda Galgaro, G1:

É um bloco informal na Câmara que reúne partidos de centro e centro-direita, que, dependendo da matéria, se articulam para votar da mesma maneira sobre determinado projeto.Entre esses partidos, estão PP (40 deputados), PL (39), Republicanos (31), Solidariedade (14) e PTB (12). O PSD (36), o MDB (34) e o DEM (28) também costumam estar alinhados com o grupo, assim como partidos menores, incluindo PROS (10), PSC (9), Avante (7) e Patriota (6). 

Bolsonaro nem considera derrota a reeleição de Covas, que o PSDB, num segundo turno, entre Bolsonaro versus esquerda, ficaria como sempre com a direita volver.

O Brasil e as eleições municipais

por Elaine Tavares /Palavras Insurgentes

As eleições municipais acontecem agora em novembro e, salvo algum evento cósmico, os candidatos ligados ao atraso e à morte podem levar as prefeituras em grande parte dos mais de cinco mil municípios do país. Também pode ser que as Câmaras de Vereadores fiquem recheadas de moralistas e negacionistas. Uma vertiginosa queda ao fundo do poço. Isso porque, passados quase dois anos de governo de Jair Bolsonaro, a população ainda não conseguiu avaliar de maneira clara o tamanho do buraco no qual estamos metidos. Desde o primeiro dia, a lógica foi a da destruição. Não se tratava do “mudar tudo isso que taí”, mas sim “destruir tudo o que há”. E foi por isso que cada nome para os ministérios foi seguindo a bizarra lógica do seu antagonista. Ou seja, para o ministério da Agricultura, alguém que apoia o agronegócio. Para o meio ambiente, quem quer destruí-lo, para a fazenda, um Chicago boy privatista e entreguista, para a Saúde, um militar sem formação e assim por diante.  

Quando a pandemia se abateu sobre o país, a partir de março, o que se viu foi um festival de absurdos, com o completo abandono da população. O governo federal não apresentou um plano nacional de combate ao vírus e de proteção das gentes. Pelo contrário. Minimizou a doença e atuou através de mentiras e opiniões sem base científica, receitando cloroquina e ivermectina, como prevenção. Um completo fracasso que já nos cobrou quase 200 mil vidas. A saída política foi jogar a culpa das mortes sobre os governadores e prefeitos e é justamente por isso que agora, nas eleições, estamos vendo nas propagandas dos chamados “bolsonaristas” a “denúncia” de que prefeitos e governadores “comunistas” foram os responsáveis pelo desastre econômico e pela perda das vidas. Ou seja, quem procurou proteger a população é atacado como responsável pelas perdas econômicas e humanas. Uma inversão completa dos fatos, mas muito bem amarrado via o gabinete do ódio e a máquina de mentiras dos aliados do presidente. O marquetim tem sido eficaz.  

A eleição nos Estados Unidos unificou de maneira organizada esse grupo que compõe a base de apoio de Bolsonaro. As pessoas passaram o último mês em intensa campanha, trazendo para a realidade local os temas que comandaram as eleições no país do norte. Segundo eles, o próprio deus estava atuando no sentido de eleger Donald Trump, homem eleito pelo divino para salvar o planeta dos pedófilos, comunistas e ladrões de crianças. Como eles colocam nessa turma os adversários políticos de Bolsonaro, a campanha nos EUA serviu para alavancar o debate na campanha eleitoral local. Vencer os candidatos “comunistas” é ponto de honra para esse grupo.  

A derrota de Trump nos Estados Unidos deixou a militância bolsonarista perplexa. Mas foi por pouco tempo. No mesmo dia em que se anunciou Biden como o novo presidente começaram a circular as informações de que tudo isso faz parte do “plano” de Trump para retornar com ainda mais poder. Então, a mensagem da semana é: reforçar as campanhas dos candidatos do presidente para fortalecer o cinturão de proteção em torno de Trump, pois ele vai virar o jogo. E toda hora circulam fotos de novas cédulas de votação encontradas ali e aqui que darão a vitória ao amado do senhor: Donald.  

Não bastasse isso, o presidente do Brasil continua atuando no sentido de desacreditar qualquer vacina contra o coronavírus que venha do “eixo do mal”: Rússia, China ou Cuba. Entre seus apoiadores as informações que circulam é de que essas vacinas transformarão as pessoas em autômatos comunistas, portanto, ninguém deve tomar. Hoje, depois que a Anvisa suspendeu a pesquisa que vinha sendo tocada pelo Instituto Butantan, com base em informações falsas de que uma pessoa voluntária do teste havia morrido por conta da vacina, os grupos estão em polvorosa. “Estamos salvos dos comunistas”, “Graças ao bom deus não haverá vacina chinesa”, “nos livramos da vacina do Dória”. E mesmo que a informação correta já tenha sido anunciada, de que o homem morto se suicidou e que não há ligação com o teste em si, nada muda. A mentira já pegou. Afinal, se a mais importante agência de vigilância sanitária do país veio à público suspender a vacina, é porque alguma coisa há. Navegar nesses grupos é verdadeiramente desafiar a sanidade.  

E assim vamos seguindo para as eleições, em meio a toda essa ideologização da morte. Bolsonaro politizou o trabalho de combate ao coronavírus e agora segue politizando a busca pela vacina. Se ela não vier dos Estados Unidos, ele não vai comprar. Dane-se a população. Chegou ao ápice da estupidez ao comemorar a morte do voluntário da vacina, divulgando nas redes sociais que “Bolsonaro ganhou mais uma”. Sim, ele tem essa estranha mania de se referenciar na terceira pessoa, como se fosse o avatar de si mesmo. O “ganhar”, no caso, é desacreditar a ciência, o Instituto Butantan e, por tabela, seu agora adversário, João Dória, que por descolar-se da sua política durante a pandemia virou milagrosamente “comunista”.  

A vertiginosa queda do país nas mãos desses tipos segue, aparentemente sem freio. Ao que parece, os brasileiros precisarão de mais tempo para perceber toda a perversidade que se esconde por trás das políticas negacionistas do governo federal. E enquanto o grupo de apoio do presidente se movimenta alucinadamente à base das teorias conspiratórias e com a espada de Javé nas mãos, a corrupção familiar segue a todo vapor, o judiciário faz vistas grossas, os deputados se enrolam em alianças fisiológicas e a classe dominante vai acumulando sem se sujar. O sistema, que Bolsonaro dizia que ia destruir, segue azeitado e forte, alicerçado por ele e seus seguidores.

Por fim, ainda que possa uma que outra prefeitura ser conquistada pelos partidos de centro-esquerda, provavelmente o nosso “day after”, o pós-eleição, se converterá em um festival de horrores.  

Há uma longa jornada ainda para se cumprir.  

 

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12
Nov20

Abraji condena retaliação de procurador da República contra Aos Fatos

Talis Andrade

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Nesta quarta-feira (11.nov.2020), O procurador-chefe do Ministério Público Federal em Goiás, Ailton Benedito, divulgou em uma rede social que está movendo processo contra o site Aos Fatos. Além disso, estimulou outras pessoas a iniciarem ações semelhantes contra agências de checagem em geral. 

Souza informou estar movendo uma ação contra o site de checagens em um Juizado Especial Cível de Goiás, embora não tenha detalhado a qual processo se refere. Há uma ação em andamento, iniciada após o Aos Fatos ter citado o nome do procurador em uma reportagem de maio de 2020 sobre propagadores de informações falsas sobre cloroquina e hidroxicloroquina.

Pelo Twitter, o procurador sugere ainda que “vítimas” de agências de checagem acionem os Juizados Especiais Cíveis (JEC), criados para facilitar o acesso à Justiça, “sem a necessidade de advogado”.

Desde ontem, 10.nov.2020,  Aos Fatos vem sendo atacado por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro depois de ter publicado que um terço dos tweets mais populares de bolsonaristas sobre as eleições norte-americanas continha desinformação.

A sugestão do procurador para que todos que se sentissem lesados por ter sido apontados como disseminadores de desinformação procurassem a justiça foi replicada pela deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) e pelo deputado estadual Douglas Garcia (PTB-SP). 

O empresário Otávio Fakhoury, um dos principais suspeitos de financiar atos antidemocráticos em 2019, publicou ameaça semelhante na conta pessoal de Tai Nalon, diretora executiva do Aos Fatos. 

Levantamentos da Abraji mostram como essa tática de intimidação visa constranger profissionais de imprensa e se configura como uma afronta à liberdade de expressão. Organizações internacionais também alertaram sobre o aumento do assédio judicial contra jornalistas no Brasil.

A Abraji repudia a tentativa de intimidar jornalistas por meio de ações judiciais. É inaceitável que um representante do Ministério Público incentive de maneira irresponsável retaliações contra a imprensa fazendo uso dos Juizados Especiais Cíveis, pensados para causas de menor complexidade. Essa tática ameaça o exercício do jornalismo, colocando em risco os direitos fundamentais da sociedade à informação e à liberdade de pensamento e expressão.

Diretoria da Abraji, 11 de novembro de 2020.

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01
Nov20

Ex-porta-voz critica Bolsonaro: 'Poder corrompe'

Talis Andrade

Alea iacta est", Júlio César atravessa o Rubicão

por Josias de Souza

- - -

Demitido em 7 de outubro da função de porta-voz da Presidência da República, o general Otávio do Rêgo Barros quebrou o silêncio. Sem mencionar o nome do presidente, comparou-o num artigo de jornal a Júlio César. Bateu com vigor: "Infelizmente, o poder inebria, corrompe e destrói!"

O artigo foi publicado no Correio Braziliense nesta terça-feira (27). Nele, Rêgo Barros anotou que "a estabilidade política do império está sob risco." Insinuou que Legislativo e Judiciário devem manter Bolsonaro sob vigilância.

"As demais instituições dessa República —parte da tríade do poder— precisarão, então, blindar-se contra os atos indecorosos, desalinhados dos interesses da sociedade, que advirão como decisões do 'imperador imortal'. Deverão ser firmes, não recuar diante de pressões."

O título do artigo é uma expressão em latim: "Memento mori". Mal traduzindo, seria algo como "lembra-te que vais morrer." Júlio César tinha um escravo sempre do lado para dizer no seu ouvido: "Lembra-te que és mortal." Era para prevenir contra a megalomania. Nos momentos de aclamação, servia para recordar a César que ele também estava sujeito à condição humana.

"Infelizmente, nos deparamos hoje com posturas que ofendem àqueles costumes romanos", lamentou o general. "Os líderes atuais, após alcançarem suas vitórias nos coliseus eleitorais, são tragados pelos comentários babosos dos que o cercam ou pelas demonstrações alucinadas de seguidores de ocasião."

Num instante em que Bolsonaro renega a Lava Jato e confraterniza com o centrão, Rêgo Barros cutucou: "É doloroso perceber que os projetos apresentados nas campanhas eleitorais, com vistas a convencer-nos a depositar nosso voto nas urnas eletrônicas, são meras peças publicitárias, talhadas para aquele momento. Valem tanto quanto uma nota de sete reais."

Desprezado por Bolsonaro, o ex-porta-voz fez uma analogia entre o papel que exercia no Planalto e as atribuições de um cochichador de Júlio César. Insinuou que, além de se distanciar dos compromissos de 2018, o presidente faz ouvidos moucos para o "memento mori".

"Tão logo o mandato se inicia, aqueles planos são paulatinamente esquecidos diante das dificuldades políticas por implementá-los ou mesmo por outros mesquinhos interesses. Os assessores leais —escravos modernos— que sussurram os conselhos de humildade e bom senso aos eleitos chegam a ficar roucos."

Depreende-se do texto do general, que o capitão dá de ombros para todos os que ousam recordar que ele também é mortal. Alguns assessores, escreveu Rêgo Barros, "deixam de ser respeitados". Outros são "abandonador ao longo do caminho, feridos pelas intrigas palacianas."

O general prosseguiu: "O restante, por sobrevivência, assume uma confortável mudez. São esses seguidores subservientes que não praticam, por interesses pessoais, a discordância leal."

Rêgo Barros definiu "discordância leal" como um conceito importado das "forças armadas profissionais". Trata-se de uma "ação verbal bem pensada e bem-intencionada, às vezes contrária aos pensamentos em voga, para ajudar um líder a cumprir sua missão com sucesso."

Quem lê o artigo fica com a impressão de que Rêgo Barros manda recados para os amigos generais que comandam escrivaninhas no Planalto e na Esplanada. Nos últimos dias, dois desses generais foram humilhados publicamente.

O ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, foi desautorizado por Bolsonaro depois de comunicar a intenção de adquirir 46 milhões de doses da "vacina chinesa do João Doria", como o presidente batizou o imunizante CoronaVac. "Um manda e o outro obedece", resignou-se Pazuello.

O ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, foi chamado de "Maria Fofoca" nas redes sociais pelo colega Ricardo Salles, do Meio Ambiente. E ficou tudo por isso mesmo.

Sempre evitando citar o nome do ex-chefe, Rêgo Barros pareceu incomodado com a percepção de que alguma coisa subiu à cabeça de Bolsonaro, transformando-o numa liderança que imagina desempenhar uma missão especial, de inspiração celestial.

"A autoridade muito rapidamente incorpora a crença de ter sido alçada ao olimpo por decisão divina, razão pela qual não precisa e não quer escutar as vaias", escreveu Rêgo Barros. "Não aceita ser contraditada. Basta-se a si mesmo. Sua audição seletiva acolhe apenas as palmas. A soberba lhe cai como veste."

Além de recomendar atenção aos outros Poderes, o general exalta o papel de um setor que Bolsonaro abomina: "A imprensa, sempre ela, deverá fortalecer-se na ética para o cumprimento de seu papel de informar, esclarecendo à população os pontos de fragilidade e os de potencialidade nos atos do César."

Em última instância, declarou o ex-porta-voz, "a população, como árbitro supremo da atividade política, será obrigada a demarcar um rio Rubicão cuja ilegal transposição por um governante piromaníaco será rigorosamente punida pela sociedade."

Abra-se aqui um parêntese. A menção ao Rubicão não é gratuita. Rêgo Barros não disse em seu artigo, mas o lance mais revelador do caráter de Júlio César foi uma traição. General vitorioso, César conquistara as Gálias. Dividia o poder com Pompeu, que ficara na retaguarda.

Uma lei impedia que um general, vitorioso ou não, entrasse em Roma com seu exército, a não ser em casos específicos determinados pelo Senado, o chamado "triunfo". Mal comparando, o "triunfo", era a versão romana de uma escola de samba. Tinha data e hora para acontecer. 

Para evitar golpes de Estado, nenhum exército poderia transpor o Rubicão. César cruzou o riacho, que servia como limite moral. Pronunciou a célebre frase: "Alea jacta est" (A sorte está lançada). Perseguiu Pompeu até derrotá-lo. Sozinho no poder, iniciou a era do cesarismo —que os famintos de poder cedo ou tarde copiam. Fecha parêntese.

Nas palavras do general Rêgo Barros, cabe à sociedade demarcar um Rubicão imaginário que Bolsonaro não poderia transpor, sob pena de ser punido "rigorosamente". Ao final, caberia à sociedade assumir "o papel de escravo romano", escreveu o ex-porta-voz. "Ela deverá sussurrar aos ouvidos dos políticos que lhes mereceram seu voto: "Lembra-te dada próxima eleição!".

É como se o ex-porta-voz, após conviver com Bolsonaro, tivesse a convicção de que o capitão não vai ao Rubicão beber água. 

quando você vai atravessar o rubicão?

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