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O CORRESPONDENTE

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03
Ago23

Guarujá 16 Mortes: Defensoria pede que PMs assassinos sejam afastados das ruas

Talis Andrade
 
Tarcísio de Freitas exalta "profissionalismo" das forças policiais em operação que matou ao menos dezenove no litoral paulista - Geraldo Jr. / SSP-SP
 

A Defensoria Pública de São Paulo pediu à Secretaria da Segurança Pública (SSP) do estado, nesta quarta-feira (2), que os policiais envolvidos em mortes decorrentes da Operação Escudo, na Baixada Santista, sejam afastados das ruas e que haja a preservação dos locais das ocorrências para garantir a investigação. A operação já deixou, oficialmente, 16 civis mortos.

Moradores de bairros onde ocorreram as mortes, na cidade de Guarujá, no litoral paulista, relataram que policiais executaram aleatoriamente pessoas identificadas como egressas do sistema prisional ou com passagem pela polícia.

Além disso, no ofício à SSP, a defensoria solicita que sejam utilizadas câmeras corporais no uniforme de todos os policiais militares e civis envolvidos na operação, para que as abordagens sejam capturadas e passem por controle das autoridades competentes. A Agência Brasil teve acesso a sete boletins de ocorrência, com datas de 28 a 30 de agosto, com os registros de algumas das mortes e que apontam a utilização de câmeras corporais por alguns dos agentes da operação.

 

Chacina no Guarujá: diretora da Anistia Internacional critica 'pressa' de Tarcísio em avaliar operação

Em crítica ao governador, que não viu excesso em operação policial, Jurema Werneck demanda responsabilização por mortes

por Gabriela Moncau
 

Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional no Brasil, lamentou "a pressa do governador de São Paulo em responder se houve excesso ou não" na megaoperação policial que matou, segundo o governo paulista, 16 pessoas neste fim de semana no Guarujá (SP). 

A Operação Escudo, deflagrada na Baixada Santista desde a última sexta-feira (28) e com previsão de seguir por ao menos 30 dias, acontece em resposta ao assassinato do soldado Patrick Reis, da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), na última quinta (27).  

Em coletiva de imprensa nesta segunda (31), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) negou as denúncias de tortura e execuções e elogiou a atuação da Polícia Militar (PM). Para ele, não houve excessos. "Estou extremamente satisfeito", declarou.  

Em entrevista ao programa Central do Brasil, Werneck ressaltou que quem deve responder se houve excessos são "a Corregedoria, a Ouvidoria das Polícias e o Ministério Público de São Paulo, que é quem tem obrigação de fazer o controle externo da atividade policial".

"É muito grave a morte de um policial, de um servidor público. Mas não se pode responder nem com mais violência, nem com essa pressa. É um caso muito sério, a Ouvidoria fala em 16 mortos, torturas, ameaças. Então é preciso que o governador lembre das suas obrigações", enfatizou a diretora da Anistia Internacional para a apresentadora Luana Ibelli.  

:: 'Estou extremamente satisfeito', diz governador Tarcísio após chacina praticada pela PM no Guarujá (SP) ::

Ao lado do governador, o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PL), se referiu às oito pessoas mortas pelos agentes estatais como "criminosos". Em seguida, no entanto, disse que apenas quatro delas foram identificadas até o momento. Nenhuma das identidades foi revelada. 

"A gente precisa saber", cobrou Werneck, que é também médica, ativista do movimento de mulheres negras e cofundadora da ONG Criola. "Quem morreu, por que morreu, quem matou, por que matou? E quem vai ser responsabilizado por isso? Quem decide as penas de qualquer pessoa é a Justiça e não existe pena de morte no Brasil", recordou. 

Chacinas praticadas pelo Estado contra jovens periféricos como vingança à morte de policiais são recorrentes na história recente de São Paulo. Os chamados "crimes de maio", ocorridos em 2006 depois que ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) mataram 59 agentes da Força de Segurança, são emblemáticos. Em revide, policiais exterminaram 505 pessoas. A luta por justiça originou o Movimento Mães de Maio. 

Em agosto de 2015, dias depois que um policial e um guarda civil municipal foram mortos, uma chacina vitimou 23 pessoas em Osasco e Barueri, na região metropolitana de São Paulo.  

:: 'Rota sitiou a favela': moradores acusam a PM de fazer chacina no Guarujá (SP) após morte de soldado ::

A repetição de casos como esses, refletiu Jurema, acontece por uma conjunção de fatores. "É uma sequência de desrespeitos à legislação, de descontrole da atividade policial, de falhas profundas na garantia do direito à segurança pública de todos e todas", elencou.  

"Por outro lado, a discriminação, o racismo e a falta de políticas adequadas nas periferias. As pessoas são tratadas como se não fosse seres humanos", descreveu Werneck. Citando os crimes de maio, a diretora da Anistia Internacional opina que "não dar resposta a estas situações de brutalidade policial contribui para isso". 

Porém, defendeu ela, "uma investigação correta, rápida, com transparência, que responsabilize os envolvidos, na qual haja justiça e reparação, contribui para que isso não se repita. E é preciso chamar a responsabilidade do governador. Ele como chefe das polícias tem que garantir segurança e tranquilidade a todos que moram no estado". 

08
Jun22

Fome se alastra no Brasil: 6 em cada 10 famílias não têm acesso pleno a alimentos

Talis Andrade
fome no brasil2Olhar da fome: divulgaçãonotice
 
O acesso a alimentos não foi considerado um problema em apenas 35% dos lares chefiados por pessoas pretas ou pardas

Em um ano, salta de 19 milhões para 33,1 milhões o número de pessoas que não têm o que comer. A fome tem cor e mora nas favelas das chacinas dos policiais militares

 

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