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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

31
Dez20

Consórcio internacional elege Bolsonaro como "Pessoa do Ano" em corrupção

Talis Andrade

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Brasileiro fica à frente de Trump e Erdogan em votação promovida por entidade de jornalistas independentes. “Homenagem” se deve ao suposto envolvimento do presidente e seus filhos com o crime organizado e a corrupção

 

DW - O presidente Jair Bolsonaro foi escolhido como a "Pessoa do Ano no Crime Organizado e Corrupção” de 2020, uma duvidosa honraria concedida todos os anos pelo consórcio internacional Projeto de Divulgação de Crimes Organizados e Corrupção (OCCRP, na sigla em inglês) que reúne organizações da imprensa independente e jornalistas investigativos.

"Eleito na esteira do escândalo da Lava Jato como candidato anticorrupção, Bolsonaro se cercou de figuras corruptas, utilizou propaganda para promover sua agenda populista, sabotou o sistema de justiça e travou uma guerra destrutiva contra a região amazônica que enriqueceu alguns dos piores proprietários de terras do país", afirma a OCCRP em seu portal de internet.

Bolsonaro ficou à frente, por margem apertada, dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, além do oligarca ucraniano Ihor Kolomoisky. Este último, segundo o consórcio, emprestou mais de 5 bilhões de dólares de um banco controlado por ele próprio e fez o dinheiro – que equivale a 40% de todos os depósitos privados do país – desaparecer, distribuindo o montante em várias contas offshore.

"São populistas que causam enormes danos a seus países, regiões e ao mundo. Infelizmente, eles têm o apoio de muitos, o que é a chave para o populismo”, afirmou Louise Shelley, diretora do Centro para Corrupção e Crimes Transnacionais da Universidade George Mason, que foi uma das juradas na votação de 2020.

"Rachadinhas” e esquadrões da morte

No caso de Bolsonaro, a OCCRP afirma que ele, sua família e seu círculo mais próximo "aparentam estar atualmente envolvidos em conspirações criminosas e vêm sendo regularmente acusados de roubar da população”, segundo afirmou Drew Sullivan, editor do consórcio e também integrante do corpo de jurados. "Essa é a definição literal de uma gangue de crime organizado.”

Ao relacionar as supostas conexões de Bolsonaro com o crime organizado, consórcio destaca as investigações sobre práticas ilegais supostamente cometidas por seus filhos Carlos e Flávio, como as "repartições de salários” promovidas por ambos no exercício de mandatos eletivos, por exemplo, no célebre caso do escândalo das "rachadinhas”.

No caso de Flávio, a nota da OCCRP ressalta que ainda que o senador é acusado de administrar um esquema de corrupção que envolveria lavagem de dinheiro e fraudes, e menciona sua suposta ligação com esquadrões da morte que promoviam execuções sumárias, como no caso da vereadora Marielle Franco.

O presidente Bolsonaro, segundo a nota divulgada no portal de internet do consórcio, teria tentado impedir que Flávio fosse investigado, chegando inclusive a pressionar pela troca na diretoria da Polícia Federal.

Outro filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, também é citado por, supostamente, dirigir uma campanha de propaganda para promover a desinformação em meio à população. O consórcio também destaca a ligação do presidente da República com o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, preso por acusações de liderar um esquema de corrupção.

Putin, Duterte e Maduro também já foram "agraciados”

Entre outros líderes mundiais que já foram escolhidos em anos anteriores estão os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, da Venezuela, Nicolás Maduro e das Filipinas, Rodrigo Duterte. Em comum, todos eles possuem um forte tendência ao autoritarismo e demonstram menosprezo a questões de direitos humanos e liberdades civis.

Em 2019, o escolhido como "corrupto do ano” foi o então primeiro-ministro de Malta Joseph Muscat, cujo governo foi acusado de envolvimento em uma série de negócios offshore suspeitos e de deixar a corrupção tomar conta do país.

Um de seus amigos pessoais foi preso como mandante do assassinato da jornalista maltesa Daphne Caruana Galizia, que investigava a corrupção na pequena nação insular. Sua morte gerou comoção internacional e o caso acabou resultando na renúncia de Muscat em 2020.

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30
Dez20

Bolsonaro entra em campo e participa de jogo de futebol no litoral de SP

Talis Andrade

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01
Out20

Quem matou os garotos do Ninho? Justiça e Flamengo devem resposta às famílias

Talis Andrade

Torcida do Flamengo homenageou vítimas do incêndio em fevereiro, no Maracanã.

Torcida do Flamengo homenageou vítimas do incêndio em fevereiro, no Maracanã. Foto ALEXANDRE VIDAL 
 

 

Desde o dia do incêndio se sabe que o clube havia ignorado notificações das autoridades sobre seu CT. Agora, quase 20 meses depois, é urgente identificar as pessoas que negligenciaram vidas de crianças

 

Logo que surgiu a notícia do incêndio no Ninho do Urubu, em fevereiro do ano passado, muitos torcedores do Flamengo e, inclusive, jornalistas se apressaram em cravar que havia ocorrido uma “fatalidade”. Não faltaram eufemismos para tentar afastar a responsabilidade do clube pelas 10 vidas de crianças perdidas em seu centro de treinamento, como se tratasse de um acaso da natureza. A tese de “fogo acidental” perdeu força no mesmo dia da tragédia, quando órgãos públicos informaram que dirigentes rubro-negros ignoraram notificações sobre a irregularidade das instalações onde os garotos da base estavam abrigados e até mesmo uma ordem para desativar o alojamento.

Mais de um ano e meio depois do incêndio, o registro de uma troca de e-mails em posse da Justiça, revelado nesta semana pelo UOL, atesta não apenas a responsabilidade do Flamengo no caso, mas, sobretudo, a de dirigentes e gestores que se omitiram diante de tantas negligências no CT. O clube sabia com antecedência, por exemplo, de problemas na parte elétrica da estrutura de contêineres que pegou fogo. Para a força-tarefa formada por Defensoria e Ministério Público que acompanha os desdobramentos da tragédia, a revelação é suficiente para indiciar os responsáveis por homicídio doloso (quando se assume os riscos de matar). Integrantes dos órgãos ainda observam que houve dolo tanto da antiga quanto da atual diretoria rubro-negra. Continua

 

11
Jun20

"TRIPLICOU O VOLUME DE COISAS QUE AS PESSOAS ESTÃO DISPOSTAS A ACREDITAR, COMEÇANDO POR FILÓSOFOS ASTRÓLOGOS E MITOS A CAVALO”

Talis Andrade

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Entrevista de Luis Fernando Veríssimo sobre o livro ‘Verissimo Antológico - Meio Século de Crônicas (Ou Coisa Parecida)’

 

por Ubiratan Brasil.

Jornal O Estado de S. Paulo

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No final dos anos 1960, a seção de gastronomia do jornal gaúcho Zero Hora chamava atenção não apenas pela qualidade das receitas sugeridas, mas, principalmente, pelo estilo talentoso e bem-humorado com que eram escritas. Não eram assinadas, mas logo se descobriu que eram de autoria de Luis Fernando, filho do grande romancista Erico Verissimo. Era o início do hoje consagrado escritor, cronista, cartunista, ficcionista, saxofonista, gourmet e torcedor fanático do Internacional, um dos grandes nomes da literatura brasileira.

E, a partir da primeira crônica assinada (em 19 de abril de 1969, também no Zero Hora), Luis Fernando Verissimo não parou mais, produzindo textos para diversos jornais do País – como o Estadão, para o qual escreve desde 1989. Uma amostra dessa fabulosa produção poderá ser saboreada em Verissimo Antológico – Meio Século de Crônicas, ou Coisa Parecida, que a editora Objetiva lança inicialmente apenas em e-book – ainda não há previsão do lançamento da versão impressa.

Trata-se de uma seleção com mais de 300 crônicas, justamente aquelas que não pereceram com o tempo. “A boa crônica mantém a atualidade não só porque desvela o passado, mas porque é boa literatura; e não raro, em alguns casos, volta a ser atual, mostrando que a história é também cíclica – são as ironias do tempo, diria Verissimo”, observa a editora Daniela Duarte, no prefácio.

Verissimo só começou a escrever aos 32 anos, depois de ter passado por várias escolas de arte e desenho, inacabadas; de ter tentado o comércio “só para reforçar o mau jeito da família”; e de ter passado por uma rápida carreira jornalística, de revisor e colunista de jazz a cronista.

Assuntos nunca faltaram, mas, ao longo do tempo, alguns temas foram mais recorrentes, como observa Daniela: recriações históricas, notadamente as da criação bíblica e as de grandes personagens da história mundial, relacionamentos amorosos, tramas policiais ou sátiras ao gênero, os flagrantes do dia a dia, a mística do futebol, o prazer da comida, a linguagem e as palavras, o posicionamento político e ideológico engajado, as reflexões sobre a condição humana e as hilárias previsões para o futuro. Sobre a antologia, Verissimo respondeu a essas questões.


O LIVRO FAZ UMA RETROSPECTIVA DE 50 ANOS DE SUA PRODUÇÃO DE CRÔNICAS. ASSIM, É POSSÍVEL DIZER QUE O BRASIL SEMPRE FOI UM PRATO CHEIO PARA UM CRONISTA OU HOUVE UM TEMPO ESPECÍFICO EM QUE O DESAFIO FOI MAIOR?
LF - Eu ainda peguei o fim da censura, quando certos assuntos e até certos nomes eram proibidos de ser citados na imprensa, como o Estadão sabe muito bem. Precisava ter sempre um texto de reserva, sobre o sexo dos anjos, para substituir o eventualmente censurado, ou recorrer a metáforas ou mensagens cifradas para driblar o censor, na esperança de que o leitor entendesse. Havia quem dissesse que a obrigação de escrever na entrelinhas estimulava a criatividade. Mas escrever nas entrelinhas não era um desafio, era uma chateação.


ASSUNTOS DO COTIDIANO, COMO FAMÍLIA, TRABALHO, AMIGOS, A RÁPIDA EVOLUÇÃO DOS COSTUMES, ENFIM, SÃO MAIS ATRAENTES PARA SUA ESCRITA OU FALAR SOBRE PERSONALIDADES (DAS ARTES, DO ESPORTE, DA POLÍTICA) É MAIS TENTADOR?
LF - A crônica é um gênero literário indefinido, em que cabe tudo, do universo ao nosso umbigo, e a gente aproveita essa liberdade. Mas escrever alguma coisa que preste sobre o cotidiano é difícil. Aquela história que quem canta o seu quintal está cantando o mundo não se sustenta. Mas depende do quintal, claro.


DIÁLOGOS INVEJÁVEIS SÃO UM DIFERENCIAL EM SEUS TEXTOS. PARA ISSO, BASTA TER UM BOM OUVIDO OU MUITA LEITURA? OU NADA DISSO?
LF - É difícil escrever diálogos em português. Em inglês, por exemplo, o corriqueiro não soa falso. Alguém já disse que para um diálogo em inglês parecer natural basta acrescentar um “fucking” a cada frase. Mas é verdade que, até há pouco tempo, nos livros do Hemingway, por exemplo, o palavrão era substituído por (“obscenity”). No caso do diálogo em português, o “natural” não funciona. Já se disse que, em português, pronome no lugar certo é elitismo.


HÁ VÁRIOS ANOS, TEXTOS FALSAMENTE ATRIBUÍDOS A VOCÊ CIRCULAM NA INTERNET, O QUE O TORNA UMA VÍTIMA ANTIGA DAS HOJE CHAMADAS FAKE NEWS. NO ATUAL CONTEXTO, HÁ ALGUMA POSSIBILIDADE DE FAKE NEWS SEREM ENGRAÇADAS?
LF - Há “fake news” engraçadas, você estranha que o autor verdadeiro não queira aparecer, ou prefira se esconder sob um pseudônimo conhecido. Mas geralmente as “fakes” são ruins. Como não há como evitá-las, o jeito é se resignar e aceitá-las, com o risco de um dia ser processado por calúnia ou difamação.


É DIFÍCIL FAZER HUMOR NESTE MOMENTO EM QUE SE DIZ QUE O AQUECIMENTO GLOBAL É MARXISTA E A TERRA É PLANA? A COMPETIÇÃO FICOU MAIS ACIRRADA?
LF - Pois é. Triplicou o volume de coisas que as pessoas estão dispostas a acreditar, começando por filósofos astrólogos e mitos a cavalo. É verdade que as religiões prepararam as pessoas a acreditar no inacreditável.


“O COMUNISMO É COMO O RESFRIADO”, DIZ CERQUEIRA, PERSONAGEM DA CRÔNICA A MANCHA. “ENQUANTO NÃO INVENTAREM UMA VACINA... ELES PODEM VOLTAR, MAS NÓS TAMBÉM AINDA ESTAMOS AQUI!” ESSE RÁPIDO DIÁLOGO REFLETE BEM O QUE VIVEMOS HOJE?
LF - Se me lembro bem desse texto, quem o diz é um velho reacionário que não tem dúvida, conhecendo o país em que vive, que sua classe prevalecerá, e qualquer alternativa será natimorta.


NA CRÔNICA VI, VOCÊ APROVEITA A CHEGADA DE SEUS 80 ANOS PARA ELENCAR FATOS MEMORÁVEIS QUE VIU COM OS PRÓPRIOS OLHOS, DESDE UM HOMEM PISAR NA LUA PELA PRIMEIRA VEZ ATÉ “O IMPLANTE DE CABELO (FUNCIONOU COM RENAN CALHEIROS, UÉ)”. AGORA, QUE RUMA PARA OS 84 ANOS, O QUE ACRESCENTARIA NESSA LISTA?
LF - A volta da Peste Negra, francamente, me pegou de surpresa. A volta do ioiô também.


NESTE MÊS DE JUNHO, SÃO LEMBRADOS OS 50 ANOS DA CONQUISTA DO TRICAMPEONATO NA COPA DO MÉXICO. FOI ESSA A MELHOR DE TODAS AS SELEÇÕES BRASILEIRAS DA HISTÓRIA? SE NÃO, QUAL TERIA SIDO?
LF - A seleção de 1982 foi a melhor, na minha opinião. Aquela foi uma grande geração, mas uma geração sem apoteose. Faltou ganhar a Copa.


NO TEXTO RECAPITULANDO, VOCÊ COMENTA QUE O MUNDIAL DE 1970 FICOU COMO A COPA DA AMBIGUIDADE – AFINAL, DURANTE A DITADURA MILITAR, ERA DIFÍCIL TORCER PORQUE ERA UMA FORMA DE COLABORACIONISMO, MAS TAMBÉM FÁCIL PORQUE O TIME ERA DE ENTUSIASMAR QUALQUER UM. COMO FOI ESSE DUALISMO?
LF - Fui para a frente da televisão preparado para torcer contra o Brasil da ditadura, da tortura, do Médici, de tudo o que a gente era contra. Uma predisposição que durou exatamente dez minutos, até a primeira escapada do Jairzinho pela direita.


EM UM EXERCÍCIO DE FUTUROLOGIA, QUANDO SE FIZER, DAQUI A 20 ANOS, UM FILME SOBRE O BRASIL ATUAL, COMO SERÁ?
LF - Daqui a 20 anos, não existirão mais cinemas nem grandes telas de TV. Cada pessoa terá seu aparelhinho individual, no qual verá filmes sobre o Brasil de agora, e não acreditará.

09
Jul19

DIÁRIO DO BOLSO Pô, levei a maior vaia. Será que o Moro consegue o nome das pessoas que estavam lá?

Talis Andrade
Quando eu apareci no telão, já veio a maior vaia. Eu pensei: será que é tudo torcedor do Peru? Mas não, eles estavam de camisa amarela

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Pô, Diário, ontem era para ser um dia feliz, um dia de glória. Mas, se eu não fosse tão macho, tinha chorado até ensopar a gravata.

Antes do jogo, quando eu apareci no telão, já veio a maior vaia. Eu pensei: será que é tudo torcedor do Peru? Mas não, eles estavam de camisa amarela. Os caras eram torcedores mesmo, Diário.

E o pior é que eram daqueles que pagam 600 reais por um ingresso. Era gente com camisa oficial da seleção, aquela que custa 400 paus. E 600 mais 400 dá uns mil e duzentos, pô. Até os coxinhas endinheirados estavam me vaiando…

Naquela hora eu pensei: “Pena que os nossos robôs do Twitter não podem ir no estádio…”

Sabe, Diário?, eu achava que o pessoal ia vaiar a Anitta, porque ela é da turma do “#EleNão”. Mas ninguém vaiou a garota. Também, foi de sutiã pro estádio. Aí não vale. Até eu aplaudo, pô.

Outra coisa chata foi que eu caí na comemoração do primeiro gol. Aí o Moro me segurou e disse: “Estou aqui para segurar o senhor, presidente.” Pô, se eu for depender do Moro para não cair, eu tô ferrado. O cara tá mais comprometido que salário de pobre. Até a Veja ficou contra ele. Fez vinte capas puxando o saco do cara e agora diz que está arrependida.

Essa Veja é uma traidora. Que nem o Villa, o Reinaldo Azevedo, o Lobão e a Xerazade.

Foi ruim ver um camisa 13 levantando a taça, mas o pior mesmo foi no fim do jogo. Na caminhada pelo campo levei uma tremenda vaia. O Paulo Guedes ficou com tanta raiva que deu meia volta e foi embora do Maracanã. Será que o Moro consegue o nome das pessoas que estavam lá pra investigar as contas deles, que nem está fazendo com o Glenn?

Também teve o negócio do Tite. O cara me deu um drible na hora da entrega da medalha. Nem deixou eu dar um abraço hétero nele. Vou falar com a CBF para trocar o Tite pelo Renato Portaluppi, que diz que votou em mim e não se arrepende.

O Neymar bem que podia não ter se machucado. Esse sim, ia parar e me abraçar. E depois eu dava um jeito no imposto de renda dele. Que saudade de você, Neymar…

Bom, pelo menos me vinguei do Tite e peguei o lugar dele na foto da vitória. O Médici ia ficar orgulhoso de mim.

No Facebook: @DiariodoBolso

 

08
Jul19

Maracanã quebra recorde de renda na final da Copa América e vaia Bolsonaro

Talis Andrade

Presidente entrou em campo para entregar medalhas, posou para a foto com a taça e foi vaiado por parte do público que gerou arrecadação superior a 38 milhões de reais

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Jornal do Comércio do Recife estampou Bolsonaro na capa

 

 

A final da Copa América rendeu ao Maracanã o recorde absoluto de arrecadação no futebol brasileiro. Com 58.504 pagantes, o duelo entre Brasil e Peru acumulou uma receita de 38,7 milhões de reais. O montante supera o valor embolsado pela organização do torneio na abertura da competição – a vitória da seleção sobre a Bolívia, no Morumbi, havia proporcionado 22,4 milhões de faturamento. Nesse cenário de euforia e público elitizado, o presidente Jair Bolsonaro havia tratado sua presença no evento como um termômetro de sua aprovação ao lado do ministro Sérgio Moro, pressionado pelos vazamentos de mensagens da época em que ainda atuava como juiz da Operação Lava Jato.

Porém, o teste de popularidade aventado pelo presidente, que chegou a dizer que o “povo” iria determinar se eles estavam certos ou não, revelou um ambiente hostil à figura de Bolsonaro no estádio. Quando o chefe de Estado brasileiro pisou no gramado para participar da cerimônia de premiação, as vaias logo abafaram os aplausos na arquibancada. Em um dos setores mais nobres do Maracanã, ao lado das cabines de imprensa, um grupo de torcedores chegou a puxar gritos com xingamentos ao presidente enquanto outros tentavam responder ensaiando um coro de “mito”, sem sucesso. Transcrevi trechos. Leia mais in El País

 

06
Mai19

A forma mentis

Talis Andrade

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Algo me inquieta muito, o silêncio das ruas

por Nino Carta

 
Sabíamos que Jair Bolsonaro é um iletrado primitivo, tosco até o extremo limite da ignorância e do desconhecimento do mundo, mas temos de admitir que, na Presidência da República, consegue se superar. Quanto aos filhos, as três cabeças do Cérbero do nosso Inferno, sabíamos seguirem os passos paternos, com a obsessiva disposição a empunharem armas leves e pesadas e a simpatia declarada por torturadores do passado e as gangues do presente, ditas milícias. Eles também conseguem superar-se. Quem os orienta é autor de um livro intitulado O Mínimo Que Você Precisa Saber para Não Ser um Idiota. Aplicado a ele próprio, mostra uma condescendência terrificante: Olavo de Carvalho, trânsfuga do manicômio, é matto da legare, louco para a camisa de força, como caberia dizer em italiano. Isso também era do conhecimento até do mundo mineral, mas reencontrá-lo hoje como ideólogo do bolsonarismo diz tudo a respeito da situação de absoluta demência em que o País precipita.
 
 
 
A ilustrar melhor a personalidade do “astrólogo”, como o define o vice-presidente Mourão, ele acaba de atacar os militares chamados a sustentar o governo com a cavalaria da sua verborragia de Napoleão de hospício. Trata-se, neste caso, de mais uma prova de sua gravíssima enfermidade mental. Nesta moldura aterradora sem deixar de ser cômica, o que mais me impressiona e me dói é a tranquilidade das ruas, a indiferença, a insensibilidade, a tibieza gerais, sem excluir a inércia de agremiações consideradas vermelhas, ou comunistas, pelos governantes atuais do nosso peculiar país. Até a mídia, ao se afastar de Bolsonaro, encarado com maus olhos pelo deus mercado, não altera o inesgotável apoio ao ódio social e racial.
 
 
 
A pantomima encenada pelo STJ ao meter sua colher prepotente no caldeirão do julgamento de Lula confirma que a prisão do ex-presidente é o único motivo de união entre os envolvidos no golpe que começa pelo impeachment de Dilma Rousseff e deságua na eleição de Bolsonaro, e eleva Sérgio Moro à condição de deus ex machinada operação encomendada por Tio Sam, no momento descabelado debaixo da cartola. A contenda que opõe o bolsonarismo apoiado pela Lava Jato e o Supremo exibe nas pregas do seu desenvolvimento as evidências do totalitarismo em marcha. Se o conge de dona Rosângela é o vilão-mor, a tanto merece ser alçado graças à conivência criminosa do STF, partícipe fatal do golpe de fio a pavio. E está claro o porquê do denominador comum chamado Lula: voltasse ele à Presidência, conforme certamente se daria, seria o entrave decisivo ao propósito de Washington de recolocar o Brasil no centro do seu quintal. Eliminá-lo à força da ribalta eleitoral foi a saída e o capitão levou com o beneplácito dos senhores da casa-grande, dispostos, na emergência, a agarrar em fio desencapado, como diria Plínio Marcos.
 
 
 
O país da casa-grande e da senzala chegou à Idade Média mais profunda e as duas entidades funcionam com crescente pontualidade. Belos versos escreveu Orestes Barbosa: a porta do barraco era sem trinco/ e a Lua furando nosso zinco/ salpicava de estrelas nosso chão/ e tu pisavas os astros distraída. E lá vem a punhalada instigada pelo senhor feudal: sem saber que a ventura desta vida/ é o barraco, a cabrocha e o violão. Quando adolescente me irritava a cantoria: Mangueira, seu cenário é uma beleza. Visto de qual ângulo, caras-pálidas? O que me inquieta na zona miasmática situada entre o fígado e a alma é a forma mentis a nutrir tanta inércia e tanta resignação, como se a desigualdade estivesse escrita nas estrelas.
 
 
 
Penso nos condimentos da receita. A crença na ginga incomparável, na malemolência, na picardia matreira, e também no passa-moleque, no “levar vantagem”, no golpismo miúdo e graúdo, no maldito jeitinho. Acrescentem o sorriso de superioridade do sambista e do futebolista e a convicção de que a glória da pátria amada, idolatrada, salve, salve, está no gramado e no batuque carnavalesco fadado a encantar o mundo. Ao cabo de 519 anos de existência, insuficientes nas nossas plagas para criar uma nação, tamos aí a padecer Bolsonaro na cabeça enquanto o povo, quase sempre abandonado por quem haveria de iluminá-lo, trafega pelo Limbo.
 
 
10
Fev19

Internautas fazem comentários racistas sobre garotos mortos em incêndio no Flamengo

Talis Andrade

por Alma Preta

Pedro Borges

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Dez jovens entre 14 e 16 anos foram mortos no Rio de Janeiro, vítimas de um incêndio no CT do Flamengo, em Vargem Grande, zona oeste da cidade, no dia 8 de Fevereiro, sexta-feira. O tema ganhou repercussão e entre os comentários sobre o fato surgiram manifestações racistas contra os garotos.

O tom de pele dos jovens e o fato de terem sido carbonizados motivaram alguns comentários. “Já ouvi falar em churrasquinho de gato, agora de urubu é a primeira vez”, “Os mulambento amanheceu pegando fogo” e “Dizem que esse jogador teve 40% do corpo queimado. Acho que é 100%” foram alguns dos comentários.

Meninos queimados vítimas de racismo corpo

Comentário racista nas redes sociais contra meninos vítimas de incêndio no Rio de Janeiro (Imagem: Reprodução/Facebook)

Dos dez jovens vítimas do incêndio no Rio de Janeiro, oito são negros.

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O nome de todos os mortos são: Arthur Vinícius, Athila Paixão, Bernardo Pisetta, Christian Esmério, Gedson Santos, Jorge Eduardo, Pablo Henrique, Rykelmo Viana, Samuel Thomas Rosa, Vitor Isaías. Três jovens ainda estão internados: Kauan Emanuel, Francisco Dyogo e Jonatha Ventura.

Os adolescentes estavam no clube no período de exames fisiológicos. Depois da última atividade no dia 7 de Fevereiro, quinta-feira, a maior parte dos atletas retorno para suas casas, por conta de folga dada pelo Flamengo. Parte dos jovens ficou no Rio de Janeiro e se utilizou das instalações do Centro de Treinamento.

A estrutura do Flamengo não possui licença para dormitório e nem a Certificado de Aprovação do Corpo de Bombeiros, segundo a prefeitura da cidade e a Secretaria de Defesa Civil.

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10
Fev19

Incêndio no Flamengo, clube mais rico do país, acende alerta de segurança em categorias de base

Talis Andrade

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incêndio no alojamento do Ninho do Urubu, centro de treinamento do Flamengo, que resultou em dez jogadores mortos e três feridos na manhã desta sexta-feira, é a maior tragédia já vivida pelo futebol carioca, mas também um acontecimento emblemático. A tragédia no clube mais rico do país, que tem orçamento anual de 750 milhões de reais e investiu mais de 100 milhões em contratações na última janela de transferências, exibe, até agora, elementos que mostram como o Flamengo não estava em dia com as exigências legais. Também liga o sinal de alerta sobre as condições dos jogadores mantidos em categorias de base, sobretudo em equipes menores – ou nas mais de 700 filiadas à Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

 

(...)Por sua vez, a prefeitura do Rio informou que a área incendiada, descrita pelo clube como estacionamento no último projeto remetido às autoridades, não constava como edificação de dormitório no licenciamento municipal vigente nem tinha alvará de funcionamento.

Enquanto o módulo destinado aos atletas das categorias de base recebia ajustes finais para acomodá-los, garotos com idades entre 14 e 17 anos ficavam alojados em uma estrutura provisória de contêineres, onde o fogo teria começado. Peritos avaliam as causas do incêndio, mas, inicialmente, trabalham com a hipótese de curto-circuito no ar condicionado de um dos quartos. 

 

Embora o Flamengo seja um dos 42 clubes, em meio aos mais de 700 filiados à CBF, que contam com o Certificado de Clube Formador, atribuído às equipes que cumprem requisitos básicos para trabalhar com jovens atletas, não há um mecanismo de fiscalização do cumprimento das regras após a certificação, que, na maioria dos casos, vale por dois anos. “Se uma tragédia dessa magnitude acontece no Flamengo, imagine o risco corrido por crianças e adolescentes invisibilizados nos clubes pequenos?”, questiona Ana Christina Brito Lopes, especialista em direitos da infância no esporte.

 

Em 2012, a morte de Wendel Junior Venâncio da Silva, de 14 anos, durante um teste nas categorias de base do Vasco motivou ações de dano moral coletivo movidas por MPT e MPE contra o clube carioca, que ainda recorre de condenação no processo em instâncias superiores. A equipe não contava com médicos de prontidão no local do teste e, segundo vistoria realizada nas instalações, abrigava garotos em dormitórios precários. Transcrevi trechos. Leia mais 

 

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Em destaque no SAPO Blogs
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