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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

23
Dez18

O ‘corpo-mole’ do MPF no caso do ex-motorista de Flávio Bolsonaro

Talis Andrade

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por André Barrocal

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As finanças suspeitas de um amigo e colaborador do clã Bolsonaro e o depósito nebuloso de 24 mil reais, por parte desse personagem, na conta da futura primeira-dama incomodam o presidente eleito às vésperas da posse.

No Congresso, deputados de oposição a Jair Bolsonaro ensaiam propor uma CPI assim que os novos parlamentares assumam, em 1o de fevereiro. Um dos articuladores da CPI, o PT cobrou providências do Ministério Público Federal (MPF).

Uma investigação que mire Michelle Bolsonaro, a depositária dos 24 mil, o senador eleito Flávio Bolsonaro, contratante na Assembleia Legislativa do Rio do dono das finanças suspeitas, e o PM aposentado Fabricio Queiroz, depositante do cheque na conta da esposa do ex-capitão.

Até aqui, porém, o MPF demonstra pouco apetite para mexer no assunto, apesar de o rolo de Queiroz ter surgido no meio de uma investigação do órgão.

Com base nessa investigação, o MPF pediu a prisão de vários deputados estaduais e funcionários da Assembleia do Rio, em 16 de outubro, mas nem Flávio Bolsonaro nem seu motorista Queiroz estavam entre os alvos.

Desde que Queiroz virou notícia, em 6 de dezembro, o MPF já divulgou duas notas a dizer que o documento que complica o amigo e colaborador bolsonarista foi enviado “espontaneamente” ao órgão pelo  Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf. Ou seja, o MPF fez questão de deixar bem claro que não pediu nada.

O MPF não havia feito nada com o relatório do Coaf e foi só depois que o caso Queiroz veio a público, que decidiu mandou a papelada ao MP do Estado do Rio, para este examinar se cabia agir.

Queiroz foi exonerado do gabinete de Flávio um dia antes de o MPF requisitar prisões de deputados estaduais do Rio, 15 de outubro. Idem para sua filha Nathália de Melo Queiroz, que era funcionária do gabinete de Jair Bolsonaro em Brasília. Teria havido vazamento de informação a Queiroz e ao clã Bolsonaro sobre as investigações da Operação Furna da Onça?

O chefe da Polícia Federal, Rogério Galloro, e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) foram cobrados por deputados petistas a apurar se houve vazamento de informação e violação do sigilo funcional por parte de policiais envolvidos no caso. Um outro filho de Bolsonaro, o deputado federal Eduardo, é da PF.

“É um escândalo. É evidente que eles receberam uma informação privilegiada. Estamos tratando de um fato que aconteceu uma semana depois do primeiro turno, quando já havia um forte indício de que Jair Bolsonaro poderia ganhar a eleição”, diz o líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta.

Uma das razões para serem consideradas suspeitas as finanças de Queiroz, funcionário de Flávio e amigo do pai deste, são os depósitos recebidos pelo PM aposentado de outros servidores de Flávio e em datas coincidentes ou próximas aos dias de pagamento na Assembleia. Essas suspeitas nasceram do relatório do Coaf que o MPF não pediu.

Se a PF tem pistas do esquema de cobrança de caixinha e se há indícios de que Queiroz poderia ser um arrecadador destas comissões para a família Bolsonaro, via Flávio, por que o MPF, no pedido de prisões e outras medidas cautelares levado à Justiça de 16 de outubro, não incluiu a dupla entre seus alvos?

Estaria a chefe do MPF, a “xerife” Raquel Dodge, interessada em ser reconduzida por Bolsonaro para mais dois anos no cargo? Ou de ao menos tentar salvar a lista de três candidatos eleitos corporativamente pelo MPF como método de escolha do “xerife”, a chamada lista tríplice?

Durante e depois da campanha, Bolsonaro deu algumas pistas de que não pretende reconduzir Dodge, cujo mandato termina em setembro de 2019, nem pinçar o sucessor dela da lista tríplice que desde 2003 ter servido de base para a escolha do comandante do MPF.

Indicada por Temer, Dodge fazia parte da lista, embora não na primeira posição. A PGR já tem elementos para denunciar o presidente à Justiça em uma investigação sobre o setor portuário, como um inquérito da PF que incriminou o emedebista, mas até agora, nada.

Quando passar a faixa a Bolsonaro, o caso de Temer sairá das mãos de Dodge, pois ele perderá o foro privilegiado. A menos, claro que seu sucessor o indique a algum cargo.

A propósito: um deputado conta ter chegado a seus ouvidos que o juiz Alexandre de Moraes, único nomeado por Temer para o Supremo Tribunal Federal (STF), comentou outro dia que o inquérito dos portos tem ingredientes pesados a ligar o obscuro coronel aposentado João Baptista Lima Filho, amigo de Temer, e a empresa Rodrimar, um das duas principais investigadas.

Rolos portuários à parte, no Congresso há deputados da futura oposição que já se mexem na esperança de criar uma CPI do Coaf para arranjar munição contra a família Bolsonaro no caso de Queiroz.

“É uma história cabeluda… Esse motorista não fala nada”, afirma o líder do PCdoB na Câmara, o paulista Orlando Silva. “Seria bom que houvesse uma CPI, mas não agora, faltando duas semanas para acabar o ano. Só que esse assunto precisa continuar em pauta até o ano que vem.”

➤ Leia também: Se Flávio levou dinheiro de assessor, pegaria até oito anos de cadeia

➤ Leia também: Caso Coaf prova que Bolsonaro nunca foi outsider, diz Manuela D'Ávila

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23
Dez18

Sumiço do Queiroz mostra conluio da Lava Jato com Bolsonaro

Talis Andrade

 

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por Jeferson Miola

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Não é preciso ser adivinho para presumir como a Lava Jato agiria se Fabrício Queiroz fosse petista ou outro inimigo do regime de exceção.

Assim como não é necessário grande esforço de raciocínio para concluir que a Lava Jato safou da cadeia o chefe do Queiroz, o deputado Flavio Bolsonaro, como também livrou Jair Bolsonaro de investigações sobre os [pelo menos] R$ 24 mil depositados na conta da esposa Michele e sobre a retenção de 99% do salário da Nathália Queiroz – contratada como "laranja" no gabinete em Brasília enquanto se desempenhava como personal trainer de celebridades nas praias cariocas.

Fabrício Queiroz é um ponto fora da curva; é uma peça que fugiu do controle da Lava Jato, que fez de tudo para escondê-lo e deixá-lo no anonimato para proteger Flavio Bolsonaro.

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A Lava Jato abafou o quanto pôde a participação do Queiroz. Ele somente foi descoberto devido ao vazamento do COAF que a onipresente falange do Moro não conseguiu evitar.

Queiroz foi escondido pela Lava Jato desde sempre. É preciso recordar que a Operação Furna da Onça, da Lava Jato/RJ, deliberadamente excluiu Flavio Bolsonaro da investigação realizada nos gabinetes dos 10 deputados e 16 assessores que incorreram nos mesmos ilícitos e que, em vista disso, foram presos.

Por inexplicável coincidência, os Bolsonaro demitiram Queiroz e a filha Nathália dias antes da Furna de Onça ir a campo, numa espécie de "limpeza" da cena do crime.

Quando Queiroz foi descoberto, para surpresa geral o coordenador da Lava Jato e paladino da moralidade Deltan Dallagnol mostrou incrível inapetência em investigar ele e Bolsonaro, e então repassou a investigação ao MP estadual do Rio, ao passo que os demais denunciados continuam sendo investigados pela Lava Jato! Em reportagem de André Barrocal, a Carta Capital traz interessante abordagem a respeito [ler aqui].

Queiroz é um incômodo para a Lava Jato; é um acidente de percurso. O sumiço dele, além de já fazer parte do folclore burlesco e do anedotário nacional que o candidata a marchinha de carnaval, serve para se fazer uma profunda autopsia do regime.

Está claríssimo que vivemos um momento obscuro, de arbítrio e de ruptura constitucional. A cassação daquela liminar do Marco Aurélio de Mello que restaurava a Constituição [ler aqui] mostra claramente 2 perspectivas.

A primeira, é que o regime de exceção mantém um padrão permanente de aprofundamento da ditadura jurídica. Qualquer brecha ou iniciativa política e legal que ameace a higidez do regime, tem como resposta mais arbítrio e mais violência contra a Constituição e as leis.

A segunda perspectiva, é que o regime tem hierarquia de mando. Alguém como Moro, Dallagnol, e Toffoli, por exemplo, que tem um general de estimação na inusitada assessoria militar da presidência do STF, se situa no topo da cadeia alimentar da ditadura – que, por enquanto, ainda não é militar.

A Lava Jato nunca foi uma genuína operação jurídico-policial. A vinculação partidária dos seus agentes incrustrados no judiciário, no MP e na PF está fartamente documentada.

A eleição do Bolsonaro empodera ainda mais os já empoderadíssimos agentes fascistas da Operação e inaugura a fase 2.0 da Lava Jato, que tem Sérgio Moro como piloto do Estado policial [ler aqui].

Por debaixo do discurso hipócrita de combate à corrupção se esconde uma ideologia ultraliberal e um projeto de poder que, para ser concretizado, requer o aniquilamento dos inimigos – Lula, PT, esquerda, progressistas e toda resistência democrática e popular.

Em razão disso, e a despeito dos robustos indícios de peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e aumento patrimonial ilícito, Bolsonaro não foi e não será alvo de qualquer investigação, porque ele é o vetor desse projeto bárbaro que a burguesia quer impor no Brasil na base do arbítrio e atentando contra a Constituição

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20
Dez18

Onde está Queiroz?, pergunta imprensa internacional

Talis Andrade

‘Desaparecido’, ex-assessor de Flávio Bolsonaro falta a depoimento no MP. Ele teria movimentado mais de um milhão de reais em sua conta, valor não compatível com seu salário

12
Dez18

Coaf, os Bolsonaro e o estado policial

Talis Andrade

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por Luis Nassif
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Peça 1 – cronologia do fator Flávio Bolsonaro

14/11/2017 – deflagrada a Operação Cadeia Velha, que manda para a prisão vários deputados estaduais do Rio de Janeiro, entre eles Jorge Picciani.

16/11/2017 – manutenção da prisão de Jacob Barata, o todo-poderoso presidente da Fetransporte, a associação das empresas de transporte público do Rio de Janeiro, alvo da operação.

17/01/2018 – o Ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), concede habeas corpus e há uma manifestação da Procuradora Geral da República Raquel Dodge solicitando a manutenção da prisão dos deputados Jorge Picciani e Paulo Cesar de Mello junto ao STF (https://goo.gl/tu7pL1). Ou seja, o caso chegou ao comando do MPF (Ministério Público Federal).

08/10/2018 – termina o primeiro turno das eleições e o deputado estadual Flávio Bolsonaro é eleito senador. Pelo Twitter, recebe os cumprimentos piedosos do juiz Marcelo Bretas, titular da Operação Cadeia Velha. “Parabenizo os novos Senadores, ora eleitos para representar o Rio de Janeiro a partir de 2019, Flavio Bolsonaro e Andrade de Oliveira. Que Deus os abençoes!” Ao que responde o piedoso Flávio: “Obrigado, Dr. Bretas e que Deus nos dê muita sabedoria, todos os dias, para fazermos a Sua vontade!”.

15/10/2018 – treze dias antes do segundo turno, são exonerados Fabricio de Queiroz, o militar que servia o gabinete de Flavio Bolsonaro, e sua filha Natália, contratada pelo gabinete do pai Jair (clique aqui).

28/10/2018 – encerra-se o segundo turno das eleições, com Jair eleito.

08/11/2018 – prisão preventiva de diversos deputados e assessores da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, no âmbito da Operação Furna da Onça, tocada pelo MPF do Rio e pelo juiz Bretas (clique aqui)

14/11/2018 – o MPF justifica as prisões alegando suspeitas de vazamento de informações da operação (clique aqui). As demissões dos assessores dos Bolsonaro ocorreram no período em que já se suspeitava dos vazamentos.

23/11/2018 – Flávio Bolsonaro se encontra por duas horas com o juiz Bretas. O encontro foi a pedido de Flávio. A troco de quê um senador eleito vai visitar o juiz que comanda o processo que envolve a Assembleia? Mais que isso. “Interlocutores próximos a Jair” informam O Globo ser intenção do novo presidente indicar Bretas para um tribunal superior (clique aqui).“Essa indicação pode acontecer tanto para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), como para o Supremo Tribunal Federal (STF)”, diz o jornal. Quase certamente a tal “fonte próxima a Bolsonaro” era o próprio filho Flávio, falando em off.

Modestamente, o juiz minimiza o encontro, mas não rejeita um possível convite:

- Não tem nada disso, foi apenas um encontro amistoso. Já ouvi essas especulações (sobre as indicações). Mas, não tratamos sobre o tema.

Qual a intenção desse afago a Bretas?

06/12/2018 – a denúncia do Estadão em cima do relatório da COAF.

A narrativa mais óbvia:

1- Bem antes das eleições, as investigações sobre os esquemas da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro tinham identificado as principais operações suspeitas. E o nome dos assessores de Flávio Bolsonaro já constavam da relação do COAF.

2- Treze dias antes do segundo turno, são exonerados o militar Fabrício Queiroz – que trabalhava com Flávio há mais de dez anos – e sua filha Natália. É a indicação mais evidente de que Flávio foi informado das descobertas do COAF. Ao segurar a informação, os órgãos de segurança garantem a eleição de Jair Bolsonaro.

3- As peripécias dos filhos de Bolsonaro já eram bastante difundidas. Fotógrafos do Congresso flagraram uma troca de mensagem de Jair com o filho Eduardo, alertando-o para as consequências de seus atos (clique aqui). Dizia um dos trechos da mensagem: “Jair: “Se a imprensa te descobrir ai, e o que está fazendo, vão comer seu fígado e o meu. Retorne imediatamente”.

Peça 2 – o jogo político da segurança

Na fase inicial, de formação do governo, o general Hamilton Mourão tinha dossiês prontos para torpedear grande parte das indicações bancadas pelos financiadores de campanha - o advogado Gustavo Bebiano, o dono do PSL, Luciano Bivar, e o lobista carioca Paulo Marinho – e pelos olavetes.

Em “Xadrez da nova corte e a fragilidade de Bolsonaro” há uma descrição dos grupos que se digladiam.

A desenvoltura e as trapalhadas da família Bolsonaro ganharam uma dimensão tal, a ponto de comprometer até a base aliada. Encrencaram-se com todos e, hoje em dia, são minoritários dentro do PSL. Há informações de que a maioria dos parlamentares eleitos planeja transferir-se para o DEM.

As declarações estapafúrdias dos Ministros das Relações Exteriores, Educação, Direitos Humanos, bancados pelos irmãos, estão sendo fontes de desmoralização internacional do Brasil. E tinha-se um dilema. De um lado, filhos insaciáveis ; do outro, um pai incapaz de qualquer atitude para enquadrá-los.

Mal terminaram as eleições, Flávio Bolsonaro combinou com Wilson Witzel, governador eleito do Rio de Janeiro, uma ida a Israel para compras milionárias mal explicadas de equipamentos de segurança. Witzel acabou indo sem Flávio. Aliás, é questão de tempo para se revelar sua verdadeira dimensão.

Os Bolsonaro se tornaram, portanto, uma ameaça à estabilidade do novo governo. E seria impossível que as estripulias da família Bolsonaro passassem despercebidas dos serviços de informação do Exército.

Até agora, nesse relatório do COAF, apareceu apenas a ponta do iceberg. Rompida a blindagem, certamente haverá uma enxurrada de novas acusações. Os Bolsonaro nunca tiveram envergadura para jogadas dos políticos do alto clero, bancados por empresas. No baixo clero, as jogadas são com esquemas de Detran, caixinhas de prestadores de serviço e, no caso do Rio de Janeiro, alianças com milícias, de muito mais fácil identificação. Em muitos casos, se misturam crimes de colarinho branco com crimes de sangue, como se viu no episódio Marielle.

Peça 3 – o COAF e estado policial

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O relatório da COAF teve duas funções. Enquanto oculto, não comprometeu a eleição de Jair. Depois de eleito, ajudará a excluir a família presidencial do processo decisório. O jogo político-jurídico extrapolou o combate ao PT e entrou de cabeça nas disputas pelo poder. O bate-pronto do general Mourão, exigindo explicações do motorista e do filho, não deixam espaço para dúvidas.

A única dúvida é se, o fato de ter vindo à tona antes da posse de Bolsonaro, foi fruto de um vazamento não planejado ou se foi necessário antecipar a denúncia para conter a fome dos rapazes.

Haverá uma de duas possíveis consequências.

1- Depois de empossado, um processo rápido de impeachment de Jair Bolsonaro, assumindo o vice-presidente Mourão.

2- Mais provável, ter-se-á um Jair sem os filhos. E, sem os filhos, Jair Bolsonaro é apenas uma figura frágil, facilmente controlável por patentes superiores. Terá papel meramente decorativo, e com as rédeas do governo transferidas definitivamente para os ministros militares.

Consolida-se, de forma nítida agora, a aliança entre os setores militares e o juiz Sérgio Moro. E, nesse ponto, torna-se inexplicável a falta de reação da Febraban, da OAB e das instituições em geral ao projeto de transferir o COAF do Ministério da Fazenda para o da Justiça. Não se trata de uma mera movimentação burocrática, mas do capítulo mais grave de transformação do país em um estado policial.
 

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A Lei que criou o COAF (Lei 9613/98) colocou o Conselho no "âmbito do Ministério da Fazenda". Em todos os grandes países, são os Ministérios das Finanças que abrigam órgãos tipo COAF. O órgão recebe dados de todas as transações acima de R$ 10 mil.

É uma função da área financeira dos governos, porque é essa área que tem acesso aos dados. O Ministério da Fazenda tem a rede conectada ao sistema bancário para extrair esses dados.

Os auditores têm acesso a todas as transações, mas selecionam para análise apenas as operações suspeitas. Estima-se que, de cada mil transações, 998 são regulares e apenas 2 são consideradas suspeitas. Mas todas elas são acessíveis aos técnicos do COAF. Seu pessoal é concursado do Ministério da Fazenda. São quadros diferentes da Justiça. Os auditores fiscais têm status superior ao pessoal da Justiça e cultivam a cultura da proteção do sigilo bancário e fiscal, que não existe no Ministério da Justiça.

No COAF, nunca houve vazamento. E na Justiça? Até agora, essa transferência é o principal instrumento de suspeita sobre a criação de um estado policial. Ficarão à mercê de Moro dados fiscais de congressistas, políticos, empresários, jornalistas, líderes da oposição.

O que se tem de concreto é que, nesses tempos de estado de exceção, o relatório ajudou a eleger um presidente, levando junto um vice-presidente militar. E ajudará a entregar ao vice o comando do governo.
 

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12
Dez18

O sumiço de Queiroz assessor dos Bolsonaro

Talis Andrade

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Casa de Fabrício Queiroz, milionário motorista do senador eleito Flávio Bolsonaro

 

por Jeferson Miola

 

O escândalo do R$ 1,2 milhão movimentado pelo amigo e assessor do clã bolsonarista foi revelado em 6/12 – há quase 1 semana.


Desde então, Fabrício Queiroz, personagem central do escândalo, está sumido, assim como sua esposa e filhas.

 

Além dos Bolsonaro, é ele a pessoa mais indicada para esclarecer o milagre de movimentar em 1 ano o equivalente ao montante de dinheiro que levaria 12 anos para acumular, se conseguisse poupar integralmente o salário mensal que recebia como dublê de motorista e segurança de Flavio Bolsonaro.

 

Estranha muito o sumiço também do ministério público, do judiciário e da polícia federal, que até agora ainda não comunicaram quais providências serão adotadas no caso.


Se alguém está escondendo ou acobertando Queiroz, estará obstruindo o trabalho da justiça. Idem se estiver montando e ensaiando a versão que será apresentada por Queiroz.

 

Se procuradores, policiais e juízes se omitem e não apuram o escândalo, estarão prevaricando.


O jornal O Globo de 11/12 publicou foto da residência simples onde Queiroz e sua esposa Márcia Aguiar residem, na zona oeste da cidade do Rio – uma facilidade adicional para as autoridades policiais e judiciais, que não terão dificuldade de encontrá-lo para intimá-lo a prestar esclarecimentos.

 

Ilude-se quem pensa que o silêncio e o sumiço do Queiroz farão desaparecer o escândalo. As explicações contraditórias prestadas até o momento alimentam as suspeitas sobre negócios obscuros dos Bolsonaro na política.

 

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11
Dez18

Investigação sobre Queiroz assessor de filho de Bolsonaro muda de mãos

Talis Andrade

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por Afonso Benites/ El País

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Depois de descobrir que um ex-assessor do filho do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), movimentou "atipicamente" 1,2 milhão de reais em suas contas, a Procuradoria da República no Rio de Janeiro decidiu encaminhar a investigação sobre eventual irregularidade no caso para a esfera estadual. Agora, caberá a algum promotor vinculado ao Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro abrir qualquer procedimento de apuração, se assim achar necessário. O órgão de investigação local costuma se destacar por sua atuação contra o narcotráfico, e raramente atua em grandes operações contra corrupção de agentes políticos.

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Na semana passada, um relatório do Conselho de Controle de Atividade Financeira (COAF) revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo apontou que Fabrício José de Queiroz, um policial militar que era motorista e segurança do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), teria movimentado essa quantia milionária em suas contas sem qualquer justificativa plausível. Como policial lotado na assessoria parlamentar do gabinete de Flávio, Queiroz recebia pouco mais de 21.000 reais por mês. Ou seja, em um ano, teria de ter uma movimentação de aproximadamente 252.000 reais. Valor 4,7 vezes inferior ao movimentado por ele. Além disso, foi constatado que o policial depositou 24.000 em cheques para a esposa do presidente eleito e madrasta de Flávio, Michele Bolsonaro. O ex-assesor também recebeu transferências bancárias de outros sete servidores da (Alerj) que passaram pelo gabinete de Flávio Bolsonaro, segundo a Veja.

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Queiroz se tornou alvo da apuração depois que se iniciou a Operação Furna da Onça, um desdobramento da Lava Jato que, no dia 8 de novembro, resultou na prisão de dez deputados estaduais suspeitos de receberem uma mesada ilegal dos governos de Sergio Cabral e de Luiz Fernando Pezão (ambos do MDB e que também estão presos). Flávio Bolsonaro não está entre esses investigados. Com o desenrolar dessa operação, o COAF passou a monitorar as movimentações financeiras de servidores da Assembleia Legislativa do Rio e constatou que 22 deles movimentaram juntos a quantia de 200 milhões de reais. Um dos que tiveram uma movimentação atípica foi o policial militar. Os nomes dos demais funcionários e ex-servidores não foram divulgados.

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Como justificativa para transferir as apurações para a esfera estadual, a Procuradoria da República no Rio informou que na relação do COAF não havia nenhum de seus alvos. “Como o documento indicava a existência de movimentações atípicas de outras pessoas que não eram alvos da referida operação, o MPF na 2ª Região (RJ/ES), diante da ausência de indícios que justificassem alguma apuração em âmbito federal relacionados a tais nomes, remeteu o material ao MP/RJ, para que o órgão apure eventuais ilícitos de competência estadual cometidos na Alerj”, declarou a procuradoria em nota emitida na noite desta segunda-feira.

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Desde que o assunto veio à tona, tanto o deputado Flávio, recém-eleito senador, quanto seu pai, Jair Bolsonaro, têm negado qualquer irregularidade. Ambos já declararam confiar em Queiroz, mas disseram que é ele quem tem de se explicar. O presidente eleito, contudo, deu uma breve explicação, no sábado, sobre os valores que entraram nas contas de sua mulher. Conforme ele, era parte do pagamento de um empréstimo feito por Jair Bolsonaro ao policial, de quem é amigo há 34 anos. O ex-assessor não se manifestou até o momento.

 

Em declaração à imprensa no sábado, Bolsonaro afirmou que emprestou 40.000 reais ao amigo e dividiu esses pagamentos em dez cheques de 4.000 reais. Pediu que os valores fossem depositados na conta de Michele porque ele nem sempre consegue ir ao banco. Afirmou ainda que não declarou esse empréstimo à Receita Federal. “Se eu errei, eu arco com a minha responsabilidade perante o fisco. Não tem problema nenhum”.

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A proximidade entre as duas famílias era tamanha que uma filha de Queiroz, chamada Nathalia, chegou a trabalhar no gabinete parlamentar de Jair Bolsonaro em Brasília. Pai e filha foram exonerados de seus cargos comissionados em 15 de outubro, dois dias antes de a Procuradoria da República ingressar com os pedidos de prisão da Operação Furna da Onça.

 

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Esse foi o primeiro constrangimento envolvendo o futuro mandatário do país desde que ele foi eleito em outubro com um forte discurso de combate à corrupção. O assunto já rendeu munição para opositores dele no Congresso. O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), por exemplo, chamou no plenário da Câmara o caso de “Bolsogate” e cobrou explicações mais claras dos suspeitos. “Isso é um escândalo gravíssimo. Nós estamos falando da família do presidente eleito. Nós estamos falando de um assessor do gabinete dele que era o caixa, que movimentou em 12 meses mais de R$ 1,2 milhão. Essa história está muito muita esquisita". 

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No plenário, nenhum aliado de Bolsonaro o defendeu enquanto era atacado pelo petista. Todos os oito parlamentares do PSL com mandato atualmente estavam ausentes da Câmara, porque participavam da diplomação do presidente eleito no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “É curioso que o COAF não se empenhou da mesma maneira para investigar a gestão petista. Agora, são só discursos para atacar Bolsonaro, que não tem nada a ver. Qualquer investigação vai mostrar que não há nada de errado”, disse o deputado eleito pelo PSL do Mato Grosso, Nelson Ned Previdente, conhecido como Barbudo. O COAF participou de todas as grandes investigações de escândalos políticos recentes, do mensalão à Lava Jato.
 

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Uma revista da extrema direita

11
Dez18

O silêncio ensurdecedor de Moro

Talis Andrade

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por Ribamar Fonseca

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Não satisfeito em ter sido o magistrado mais poderoso da Justiça brasileira, com um poder maior ainda do que o do Supremo Tribunal Federal – que nunca teve coragem de contrariá-lo – o ex-juiz Sérgio Moro quer o poder total, absoluto, talvez de imperador ou ditador. Pelo menos foi isso que ele deixou transparecer durante uma palestra em Madri, onde disse que se sentia muito limitado como juiz, embora tivesse desrespeitado a Constituição, feito suas próprias leis e intimidado até a Suprema Corte. "Cansei de levar bola nas costas", ele acentuou, motivo pelo qual decidiu aceitar o convite para ocupar o Ministério da Justiça no Governo Bolsonaro, onde terá muito mais poder. Por aí já será possível prever-se, com Moro ministro, o estado policial que entrará em vigor. Se como juiz de Primeira Instância ele mandava e desmandava na Policia Federal, chegando a afrontar o STF, o que não fará como ministro? Até Papai Noel, nos shoppings, já trocou a sua tradicional indumentária vermelha por outras cores, com medo de ser confundido com comunistas ou petistas, os alvos prediletos da Operação Lava-Jato que celebrizou o ex-juiz.

 

Com o pretexto de combater a corrupção, desculpa para justificar seus abusos, Moro conseguiu o apoio da população e, também, da mídia, que nunca questionou os seus métodos, embora condenados por juristas de renome do país e do exterior. A mídia o transformou em super-herói e ele navegou na fama para chegar ao Ministério da Justiça, para onde pretende levar o pessoal que trabalhou com ele na Lava-Jato, inclusive o delegado da PF que se negou a cumprir ordem do desembargador Favreto para libertar Lula. Ele já está prometendo investigar todo mundo, mas alguém acredita que o futuro chefe da Casa Civil, Ônyx Lorenzony, acusado de caixa dois, vai entrar no seu radar? Vai investigar o Bolsogate? E as milionárias operações de fakenews no WhatsApp, denunciadas pela "Folha de São Paulo", que elegeram o capitão reformado? Ele vai investigar? Difícil porque as denúncias de jornal só tem servido até agora apenas para criminalizar petistas e condená-los com base na teoria do domínio do fato.

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Na verdade, tem muita coisa estranha acontecendo sem que as autoridades competentes decidam investigar. Um filho do presidente eleito denunciou que tem gente muito perto do pai querendo matá-lo e ninguém fez nada para tentar identificar o suspeito, inclusive colhendo o depoimento do rapaz. O próprio Bolsonaro confirmou a denuncia do filho e ainda assim nada foi feito para desmontar esse suposto complô contra ele. Mais recentemente o general Etchegoyen, ministro da Segurança Interna, confirmou a existência de ameaças de morte ao capitão, mas não disse se existe alguma investigação a respeito. Ora, se eles todos estão sabendo disso o que estão esperando para pegar o suspeito? Com um aparato que identificou, em pouco tempo, o racista que ofendeu Maju, a moça do tempo da Globo, por que até agora não prenderam o autor das ameaças? Muito estranho. Nem mesmo o futuro ministro da Justiça, sempre tão lesto, se manifestou sobre as ameaças.

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Moro também silenciou sobre o relatório do Coaf que detectou movimentação suspeita de mais de R$ 1 milhão, em um ano, na conta do ex-assessor e motorista do deputado e senador eleito Flavio Bolsonaro. Ao ser perguntado sobre o fato, durante uma entrevista, o ex-juiz saiu de fininho sem responder. Por que ninguém quer falar sobre o assunto? O vice-presidente eleito, general Mourão, cobrou uma explicação, o que certamente não agradou aos Bolsonaro. Na verdade, se não houver uma explicação convincente, as suspeitas tendem a se avolumar a menos de um mês da posse do novo Presidente, que se elegeu brandindo a bandeira do combate à corrupção. Até porque a grande mídia, que até pouco tempo dava apoio ao presidente eleito, está em cima do tema, buscando, como é do seu dever, manter bem informado o seu público leitor. E os que votaram no capitão reformado já não escondem a sua decepção, já agora também com o futuro ministro da Justiça que, de repente, mudou seu comportamento.

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Aliás, o ex-juiz vem entrando numa saia justa atrás da outra. Parece que depois que aceitou o convite para ser Ministro da Justiça do governo Bolsonaro passou a olhar a corrupção por outra ótica. Até recentemente considerava o caixa dois mais grave do que a corrupção, mas "perdoou" o seu futuro colega de Ministério, Onyx Lorenzoni, depois que ele confessou e pediu desculpas pela prática do caixa dois. E ainda disse que confiava nele. A mudança de ótica talvez seja pelo fato de estar vendo tudo agora de mais alto. De qualquer modo, mais cedo ou mais tarde ele terá de se manifestar publicamente sobre todos esses episódios, porque a imprensa, cumprindo o seu papel, precisa ouvir a opinião do ex-juiz que ocupará o poderoso Ministério da Justiça, ao qual estarão afetas todas essas questões e outras que ele ainda deverá colocar sob sua alçada. Afinal, como bem disse o general Mourão, o governo precisa dar explicações à sociedade, para que não pareça estar encobrindo alguma coisa.

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11
Dez18

A ‘história plausível’ de Fabrício desmorona antes de ser contada

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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Na Folha e em O Globo, hoje, surgem os fatos que tornam cada vez menos plausível qualquer história que o amigo e assessor de Jair Bolsonaro venha a contar sobre suas movimentações financeiras de R$ 1,2 milhão.

 

Fabrício Queiroz, mostra O Globo, com um salário de R$ 23 mil e repasses da mulher e das filhas que elevariam a renda mensal da família a R$ 50 mil, mora numa casa mambembe, “simples e sem pintura externa, em um beco no bairro da Taquara, na Zona Oeste do Rio”, conta o Globo.

 

Na viela onde Queiroz mora com a mulher, Márcia Aguiar, os imóveis são colados uns aos outros. No beco há varais improvisados do lado de fora das casas, fios emaranhados e canos aparentes. Na casa de Queiroz, um adesivo rasgado com as fotos do presidente eleito Jair Bolsonaro e de seu filho Carlos, vereador no Rio, está colado na fachada. No segundo andar, que tem a laje sem revestimento, tapetes secavam no parapeito ainda sem janela.

 

Sem contar o dinheiro das filhas, com os mais de R$ 30 mil que o casal Queiroz recebia seria perfeitamente possível  alugar, ali mesmo na Taquara, um bom imóvel de três quartos e três banheiros por R$ 1.530, ou apenas 5% da renda familiar. Ou, já que receberam esta dinheirama por anos a fio, comprar um: há apartamentos de três quartos, com suíte, em condomínio com piscina e vaga na garagem a partir de R$ 429 mil. Para um casal que ganha R$ 30 mil.

 

Mas, desafortunadamente, as posses do casal não davam, apesar das movimentações de R$ 1,2 milhão em um ano, sequer para comprar uma esquadria de alumínio para o segundo andar  inacabado e nem mesmo para um galão de massa corrida e um de tinta para arrumar a fachada, sonho modesto de toda pessoa humilde.

 

Bem, o senhor Fabrício e a Dona Márcia, entretanto, são livres para desejarem, mesmo com altos salários, morarem  numa casa deteriorada. Só não peçam que isso seja considerado ‘plausível’ pelas pessoas que, com muito menos dinheiro, se apertam e se esforçam para arrumar suas casinhas.

 

Mas na Folha, o barraco é mais complicado.

 

É que Fabrício sacava em dinheiro – “vapt-vupt”, no mesmo dia ou no dia seguinte – grande parte do que era depositado em sua conta. Saía do banco – o valor é muito acima do que caixas eletrônicos permitem – com uma bela bufunfa, coisa de R$ 10 mil em um único dia, vivinha  e pronta para ser entregue a “quem de direito”, tá ok?

 

Fabrício, companheiro de quartel e de pescarias de Jair Bolsonaro é, está evidente, o peixe pequeno desta história e só está entocado há seis dias porque não tem como contar a tal “história plausível”.

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A situação, apesar da discrição da mídia – o Globo nem chamada de capa dá ao belo trabalho de Juliana Castro e Igor Mello levantando o “cafofo” dos Queiroz – está insustentável.

 

Fabrício vai aparecer e, a esta altura, deveria estar até sob proteção policial.

 

Nunca se sabe, não é? O Rio é uma cidade tão violenta…

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11
Dez18

Sérgio Acácio Moro e o “juízo de omissão”

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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Foi Sérgio Moro quem assumiu que, no governo, diante de denúncias, seria dele o “juízo de consistência” (seja lá o que isso for) sobre denúncias que surgissem sobre seus integrantes e, por suposto, seu próprio chefe.

 

Uma espécie de continuidade, agora sem toga, do que fazia, decidindo quem deveria passar a ser objeto da perseguição (dos doutores dizem persecução, um sinônimo que soa menos chocante) judicial.

 

Agora, porém, Moro se limita a uma assessoria digna do famoso Conselheiro Acácio de Eça de Queiroz no caso do assessor milionário da família do chefe: “tem outras pessoas que precisam prestar seus esclarecimentos e os fatos, se não forem esclarecidos, têm de ser apurados”.

 

Uau! “Se os fatos não forem esclarecidos, tem de ser apurados” é, realmente, uma conclusão brilhante!

 

E, como não é ele quem deve apurar (afinal, os senhores Bolsonaro, pai e filho, não são petistas) alguém há de apurar, um dia, quando e se “vier ao caso”.

 

O destemido Moro, que não hesitava em atropelar a lei e divulgar escutas telefônicas ilegais de uma presidente da República tornou-se, agora, um homem que acha que “o que existia no passado de um ministro da Justiça opinando sobre casos concretos é inapropriado”.

 

Se e quando o senhor Fabrício Queiroz quiser, ele contará sua “história bem plausível”.

 

Enquanto isso, vale o “juízo de omissão”.

 

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11
Dez18

ASSESSOR DE FLÁVIO BOLSONARO, QUE MOVIMENTOU R$ 1,2 MI, MORA EM CASA POBRE NO RIO

Talis Andrade

Fabrício Queiroz, que reside na Taquara, depositou 24 mil reais na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro

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Apontado pelo Coaf como responsável pela movimentação incomum de R$ 1,2 milhão, apenas em 2016, o policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-assessor do deputado estadual Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, mora em uma casa pobre e sem pintura, localizada em uma viela no Rio de Janeiro.

 

Na casa do homem de R$ 1,2 milhão, os fios e canos são expostos. Se fosse dono do dinheiro, Fabrício Queiroz seria um milionário. O "faz tudo" do clã Bolsonaro está sumido

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motorista flávio.jpgApontado pelo Coaf como responsável pela movimentação incomum de R$ 1,2 milhão apenas em 2016 o policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-assessor do deputado estadual Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, mora em uma casa pobre e sem pintura, localizada em uma viela no Rio de Janeiro; na casa do homem de R$ 1,2 milhão, os fios e canos são expostos; se fosse dono do dinheiro, Fabrício Queiroz seria um milionário; o "faz tudo" do clã Bolsonaro está sumido.

 

De acordo com o jornal O Globo, Queiroz reside em uma casa sem pintura externa, localizada em uma viela no bairro da Taquara. A residência, que fica em uma espécie de conjunto habitacional com cerca de 70 unidades, é colada com os demais imóveis e os fios e canos são expostos. Na casa do ex-assessor, a única lembrança da campanha eleitoral de outubro é um adesivo rasgado com as fotos de Bolsonaro ao lado do filho.

 

De acordo com o Coaf, Queiroz teria recebido repasses de oito funcionários e ex-funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro. O documento foi anexado à Operação Furna da Onça, que prendeu deputados estaduais do Rio sob a suspeita de corrupção. O Ministério Público também abriu procedimentos para investigar a suspeita de irregularidades por parte de servidores da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

 

As transações foram informadas ao Coaf porque são "incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira" de Fabrício José Carlos de Queiroz, que foi assessor do gabinete de Flávio Bolsonaro até outubro deste ano, com salário de R$ 8.517. Uma das transações listadas é um cheque de R$ 24 mil destinado à futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro, mulher do presidente eleito. Flávio Bolsonaro é o filho mais velho do presidente eleito e foi eleito senador no pleito de outubro.

Leia mais sobre o assunto no Brasil 247.

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