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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

16
Nov20

Candidata de Bolsonaro em Angra, Wal do Açaí não é eleita vereadora

Talis Andrade

Bolsonaro não consegue eleger candidatos a vereador e vê votação de Carluxo  cair - Diário do Rio de Janeiro

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A candidata, alvo de investigação do Ministério Público, teve apenas 248 votos (0,30%)

 
candidata Wal Bolsonaro (Republicanos), mais conhecida como Wal do Açaí, não foi eleita vereadora em Angra dos Reis (RJ). A política, apoiada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), teve 248 votos (0,30%).
 
Wal é alvo de uma investigação do Ministério Público depois que o jornal Folha de S. Paulo revelou que a funcionária continuava vendendo açaí numa praia de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, no horário do expediente que teria que cumprir como funcionária de Bolsonaro, à época em que era deputado federal. Ela estava na condição de secretária parlamentar do gabinete do parlamentar.
 

Durante uma live em suas redes sociais, Bolsonaro comentou: “Agora a Wal resolveu vir como vereadora em Angra dos Reis [RJ]. Então é obrigação minha, pelos excelentes serviços que ela prestou na região… O deputado pode ter servidor comissionado em qualquer lugar do estado, não apenas na capital ou onde o parlamentar mora. Então você que não decidiu ainda, se possível, [vote na] Wal, Wal Bolsonaro, né? Botou Bolsonaro. Valeu, Wal!”.

Segundo a Folha, Walderice trabalhava no Rio mesmo aparecendo desde 2003 como um dos 14 funcionários do gabinete de Jair Bolsonaro, com salário de pouco mais de R$ 1.300. Após a repercussão, a funcionária pediu demissão do cargo.

As regras da Câmara dos Deputados determinam que uma pessoa que ocupa o cargo de secretário parlamentar precisa trabalhar 40 horas semanais no gabinete em Brasília ou no escritório no estado do parlamentar – o que não ocorria com Wal. Esses funcionários são pagos com a verba de gabinete, ou seja, dinheiro público.

 

07
Nov20

Adriano da Nóbrega fazia parte de núcleo executivo das rachadinhas de Flávio Bolsonaro, diz MP

Talis Andrade

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Adriano da Nóbrega foi morto no dia 9 de fevereiro, após troca de tiros com a PM da Bahia

 

O Ministério Público afirma, que entre 2007 e 2018, foram desviados para a organização criminosa mais de R$ 1 milhão, por meio da esposa e mãe de Adriano

 

Jornal GGN – O Ministério Público afirmou que o miliciano Adriano da Nóbrega, morto em fevereiro deste ano durante operação policial na Bahia, fazia parte do esquema da rachadinha do senador Flávio Bolsonaro, que tinha como operador o ex-assessor Fabrício Queiroz na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), na época em que 01 era deputado estadual. 

Informação foi dada com exclusividade no Jornal Nacional, da TV Globo, na noite desta sexta-feira, 6. A reportagem foi ao ar mesmo diante da notícia-crime aberta pelo filho de Bolsonaro (sem partido) contra os apresentadores Renata Vasconcellos e William Bonner.

De acordo com a matéria, de Arthur Guimarães e Hélter Duarte, a denúncia do Ministério Público, apresentada após a conclusão do inquérito, aponta que Adriano da Nóbrega integrava o núcleo executivo do esquema criminoso e era próximo a Fabrício Queiroz e a Flávio Bolsonaro.

Segundo o MP, em 2007, ano em que Queiroz foi contratado como assessor parlamentar de Flávio, a esposa do ex-policial Adriano da Nóbrega, Danielle Mendonça da Costa, também foi nomeada no gabinete. Já em 2015, a mãe do miliciano, Raimunda Veras Magalhães, também se tornou assessora parlamentar de Flávio. 

No entanto, as contratadas eram funcionárias fantasmas. O MP afirma, que entre 2007 e 2018, foram desviados para a organização criminosa mais de R$ 1 milhão, por meio da esposa e mãe de Adriano. 

Além disso, a denúncia aponta que o esquema da família do miliciano transferiu outros R$ 400 mil para Queiroz.

 
 
 

 

06
Nov20

Flávio Bolsonaro é destaque na mídia internacional: “rachadinha” vira “salary split”

Talis Andrade

 

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A acusação visando o filho do presidente Jair Bolsonaro ganhou destaque na imprensa em vários países. © Fotomontagem RFI/AP
 
Texto por RFI
 

A denúncia por corrupção do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), visando o senador Flávio Bolsonaro, foi manchete em vários jornais do mundo.

Do jornal norte-americano The New York Times ao britânico The Guardian, passando pela revista francesa Le Point ou o canal belga RTBF, vários veículos noticiaram a acusação contra Flávio Bolsonaro, 39 anos, filho mais velho do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, por suposta participação em organização criminosa lavagem de dinheiro, apropriação indevida e peculato. Os crimes teriam sido cometidos entre 2007 e 2018, quando ele era deputado estadual no Rio de Janeiro.

O filho do presidente Bolsonaro é acusado de corrupção”, resume em título a revista francesa Challenges, que publicou, já na quarta-feira, as primeiras informações divulgadas pelas agências de notícias.  O jornal português Publico dá mais detalhes sobre o caso e diz que o filho do chefe de Estado é suspeito de ter recebido indevidamente parte dos salários dos funcionários do seu gabinete. “Esta prática, amplamente difundida entre os detentores de cargos públicos ao nível estadual no Brasil, é conhecida como 'rachadinha'”, explica o diário português.

O britânico The Guardian tenta traduzir o conceito de “rachadinha”, que vira, nas palavras do correspondente no Rio de Janeiro, “salary split”. Isso acontece, explica o jornalista, quando “políticos corruptos sugam uma parte dos salários de seus funcionários financiados publicamente para ganho pessoal”.

The New York Times também diz que a “rachadinha” é “uma tática comum nos escalões mais baixos da política no Brasil". Mas o jornal norte-americano informa que, desta vez, “os investigadores descobriram uma série de transferências bancárias suspeitas, incluindo para a primeira-dama, Michelle Bolsonaro”.

A revista francesa Le Point relata que Fabrício Queiroz, ex-oficial da Polícia Militar de 54 anos, ex-assessor do senador e muito próximo à família Bolsonaro, também foi denunciado, com outras quinze pessoas. “A mídia local diz que ele teria ligações com as milícias paramilitares que semeiam o terror nos bairros populares do Rio de Janeiro”, resume o semanário em seu site.

A abertura de um processo ainda é incerta, como explicam vários jornais, que também publicam a reação de Flávio Bolsonaro à acusação. O mexicano La Jornada diz que o filho do presidente “negou ter cometido qualquer crime e tem certeza que o tribunal não aceitará a denúncia”.

Má notícia para Jair Bolsonaro

O canal de televisão belga RTBF analisa, em seu site, que “essa acusação formal, a primeira de um membro da família desde a chegada de Jair Bolsonaro ao poder, é uma má notícia para o dirigente de extrema direita antes das eleições municipais”.

Trata-se, segundo The Guardian, do “último constrangimento para o ex-capitão do exército, que assumiu o poder se posicionando como um outsider, como Donald Trump”. Já o diário português Público conclui sua matéria lembrando que Jair Bolsonaro foi eleito “tendo como pano de fundo a Operação Lava-Jato, cujas investigações resultaram em condenações de políticos relevantes de praticamente todos os partidos, incluindo o antigo Presidente Lula da Silva, que, por isso, não pôde candidatar-se às eleições presidenciais”. E, como The Guardian, insiste na ironia, ressaltando que Bolsonaro “fez do combate à corrupção uma das suas principais bandeiras”.

 

 
24
Out20

Imprensa internacional repercute 'crime da cueca' de senador pró-Bolsonaro

Talis Andrade

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por Márcia Bechara /RFI
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"Com a mão nas calças", diz a revista norte-americana Newsweek. "Dinheiro entre as nádegas", exclama o jornal francês Le Figaro. "Dinheiro nas cuecas", titula o jornal português Público. "Propina na Bunda", detalha o britânico The Guardian. A imprensa internacional não se cansa de se surpreender com os "plot twist" de personagens do governo do presidente brasileiro Jair Bolsonaro. Nesse caso, os jornalistas descrevem, às vezes em detalhes minuciosos, o misterioso aparecimento de R$ 30 mil "entre as nádegas" do senador e liderança bolsonarista no Congresso, Chico Rodrigues.

"Senador brasileiro é apanhado com dinheiro na roupa de baixo [underwear, em inglês] durante investigação de fundos desaparecidos da Covid", titula a revista Newsweek nesta sexta-feira (16). Segundo a publicação, o senador brasileiro bolsonarista Chico Rodrigues teria sido "ousado" ao "supostamente tentar esconder fundos do governo". "A polícia encontrou R$ 30.000 em dinheiro escondidos na cueca do líder do estado de Roraima, quando procurava por dinheiro desaparecido para combater o coronavírus", escreve a revista.

Newsweek vai mais longe e cita a publicação portuguesa Revista Crusoé, que teria dado uma descrição mais "vívida" sobre a história. "Para dar uma ideia de como a situação era absurda, algumas das notas recuperadas estavam manchadas com fezes", publica a revista, acrescentando que "foi uma cena de considerável embaraço".

Mais pudico, o jornal conservador francês Le Figaro titula: "Brasil: maços de notas encontrados na cueca de um senador". "Eleito há dois anos prometendo tolerância zero para a corrupção, o líder de extrema direita [Jair Bolsonaro] foi atingido por escândalos que afetaram seus parentes, incluindo seu filho mais velho, Flavio, também senador", lembra o jornal francês, utilizando informações pré-divulgadas pela agência AFP. "Este último é acusado de ter contratado empregados fantasmas para desviar dinheiro público quando foi deputado pelo Estado do Rio de Janeiro, de 2003 a 2018. O próprio chefe de Estado é alvo de investigação por suposta interferência em investigações da Polícia Federal visando seus familiares", relembra o jornal.

 

#PropinaNaBunda

Incisivo, o britânico The Guardian vai direto ao ponto: "Polícia encontra dinheiro escondido entre as nádegas de aliado de Bolsonaro". "Os brasileiros compartilharam a notícia nas redes sociais com a hashtag viral #PropinaNaBunda (A Bribe up the Bum, em inglês). Muitos sugeriram que o achado seria lembrado 'nos anais da história' ", diverte-se o jornal, com o típico humor inglês. 

Já o jornal português blico lembra que "[o senador Chico Rodrigues] está há mais de 30 anos na política, 20 dos quais como deputado federal e era um companheiro frequente de Bolsonaro". "A relação entre os dois parlamentares era tão próxima que Bolsonaro chegou a descrever esse período de camaradagem na Câmara dos Deputados como 'quase uma união estável'", publica.

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20
Out20

Ex-assessor parlamentar da Alesp é suspeito de ameaçar jornalista de morte

Talis Andrade

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O jornalista Leonardo Pinheiro, de 39 anos, foi morto a tiros, no bairro de Parati, em Araruama, Região dos Lagos do Rio de Janeiro

Ameaçado de morte em 2 de outubro, poucos dias depois de ter publicado uma matéria no site Diário do Centro do Mundo (DCM) sobre ódio nas redes sociais, o jornalista Pedro Zambarda denunciou o caso à polícia.

Ele fez um boletim de ocorrência no 18o DP da capital paulista, relatando que recebeu a ameaça por mensagem de WhatsApp. Num grupo chamado "Aviso", uma pessoa postou que, caso seu nome não fosse tirado da matéria sobre ódio nas redes, a próxima reportagem seria sobre o número de tiros que Zambarda e colegas do site levariam.

De acordo com o Código Penal Brasileiro, ameaça de morte é crime com pena de de até seis meses de detenção.

O próprio Zambarda descobriu que o número de telefone do qual a ameaça partiu pertence ao ex-assessor parlamentar Leonardo Antonio Corona Ramos, que foi citado em sua reportagem sobre ódio nas redes.

Ramos trabalhou no gabinete do deputado estadual por São Paulo Conte Lopes e teria deixado a função depois de denúncias de envolvimento em esquema de funcionários fantasmas na Alesp .

O jornalista do DCM também teria recebido mensagens intimidadoras da namorada de Ramos, Janaina Toledo. O casal atualmente vive fora do país, supostamente no Reino Unido.

À Abraji, o jornalista do DCM se disse "acostumado com hostilidades e agressões verbais dentro e fora das redes". "No entanto, uma ameaça de morte por tiros escrita no meu WhatsApp ultrapassa qualquer limite do aceitável. É uma violência contra mim, o DCM, a imprensa brasileira e todos os repórteres que cobrem criticamente o governo federal”.

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22
Jun20

Adriano ou Bolsonaro: quem é o verdadeiro chefe do Escritório do Crime?

Talis Andrade

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por Jeferson Miola

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A denúncia do vínculo dos Bolsonaro com as milícias atravessa os tempos. Mas foi a partir dos assassinatos de Marielle e Anderson que ficou bem caracterizada a conexão deles com o Escritório do Crime, a milícia de assassinos de aluguel que controla o território de Rio das Pedras, zona oeste da cidade do Rio.

Por uma das incríveis coincidências que rondam os Bolsonaro, o ex-PM Ronnie Lessa, integrante do Escritório do Crime preso com a acusação de ser o autor dos disparos em Marielle e Anderson, residia no condomínio Vivendas da Barra, onde Carlos e Jair Bolsonaro também residem.

Até agora, imaginava-se que o clã Bolsonaro e o Escritório do Crime fossem organizações distintas e independentes, que “apenas” mantinham parcerias, negócios e acordos operacionais entre si.

Imaginava-se, também, que o chefe do Escritório do Crime seria Adriano da Nóbrega, o miliciano executado em operação policial no interior da Bahia quando se escondia, por coincidência, na casa de um vereador do PSL, partido pelo qual Bolsonaro concorreu na eleição de 2018.

As provas reunidas no inquérito criminal do MP/RJ levam a crer, entretanto, que o Escritório do Crime pode pertencer ao clã Bolsonaro. Não surpreenderia a revelação de que o verdadeiro chefe do Escritório do Crime, o capo di tutti capi, pode ser Jair Bolsonaro, e não o miliciano Adriano da Nóbrega.

Ao destrinchar o esquema, o MP/RJ descobriu a engrenagem hierarquizada e ramificada da organização, o modus operandi, seus principais operadores. A sede era o gabinete do Flávio Bolsonaro na ALERJ, onde o então deputado federal Bolsonaro despachava assiduamente às sextas-feiras.

Queiroz, lotado no gabinete do Flávio até ser desligado em 15/10/2018 com o conveniente vazamento da operação Furna da Onça da Lava Jato, se desempenha como capataz do Bolsonaro; é o homem de confiança que exerce funções de tesoureiro, conselheiro político, “gerente de recursos humanos” e coordenador de ações especiais como planejar a fuga e o esconderijo do miliciano Adriano.

Foi nesta condição de autoridade no esquema que, mesmo fugindo da justiça, ele foi chamado para interceder “junto a milicianos que atuam nas favelas do Rio das Pedras, Tijuquinha e Itanhangá”. Note-se que quem foi requerido para resolver desavenças entre integrantes do bando foi Queiroz, o capataz e “gerente de RH”, e não Adriano da Nóbrega, como corresponderia se ele fosse, efetivamente, o verdadeiro chefe da milícia.

Queiroz era o responsável pelo recolhimento do salário dos funcionários-fantasmas lotados nos gabinetes do Flávio na ALERJ e do Jair na Câmara dos Deputados, como das próprias filhas e da mãe e da esposa do miliciano Adriano da Nóbrega [o inquérito ainda não traz dados sobre eventual ocorrência desta prática também nos gabinetes do Carlos e do Eduardo].

Era o tesoureiro Queiroz quem geria as finanças e creditava valores nas contas dos Bolsonaro, como os R$ 24 mil para a 1ª dama Michelle. Ele também realizava os pagamentos das despesas familiares – sempre em dinheiro vivo – como, por exemplo, mensalidades escolares das filhas do Flávio e planos de saúde da família do Flávio.

Além de fazer caixa com salários de funcionários-fantasmas, o tesoureiro Queiroz também recolhia os recursos provenientes de negócios imobiliários ilegais, restaurantes de fachada etc.

O MP/RJ descobriu depósitos de R$ 400 mil feitos por Adriano nas contas bancárias do Queiroz que devem ter origem nestas fontes adicionais de renda da organização. Ora, se Adriano fosse o chefe do Escritório do Crime, porque repassaria tamanha quantia a Queiroz?

O inquérito criminal documenta diálogo do Adriano com a esposa que deixa implícito que o miliciano podia ser, na realidade, um assalariado informal da milícia pela função de coordenador do braço armado do bando.

Depois da prisão do Queiroz, o advogado e amigo do clã que “conhece tudo que tramita na família Bolsonaro”, Frederick Wassef – em cuja casa Queiroz ficou escondido por quase 1 ano – indicou o advogado Paulo Emílio Catta Preta para defender Queiroz. Por outra incrível coincidência que ronda os Bolsonaro, Catta Preta foi também advogado de defesa do miliciano Adriano da Nóbrega.

Queiroz é a chave de acesso à totalidade do sistema criminoso que pode ruir e arrastar o presidente Bolsonaro para a ruína política e penal. Diante do inquérito bem fundamentado com um acervo de provas contundentes, dificilmente Bolsonaro deixará de ser acusado, condenado e, finalmente, preso, se as instituições de fato “funcionarem normalmente”.

As revelações do inquérito criminal justificam os motivos para tamanha ousadia e atrevimento do clã Bolsonaro em manter Queiroz escondido e fora do alcance da polícia e da justiça por tanto tempo.

Os segredos enterrados no porão da milícia criminosa deverão vir à tona. O mais notório dos crimes imputados ao Escritório do Crime, o assassinato de Marielle e Anderson em 14 de março de 2018, poderá ser finalmente esclarecido.

O jornalista Humberto Trezzi escreveu que quando foi interventor federal na segurança pública no Rio, “Braga Netto ganhou dos amigos a reputação de ter o CPF, nome e endereço de cada miliciano no Rio”. É difícil acreditar que os militares desconheciam na época os antecedentes do clã Bolsonaro. E é impossível que continuem desconhecendo isso ainda hoje.

O Congresso precisa instalar urgentemente o processo de impeachment do Bolsonaro na Câmara e de cassação do Flávio Bolsonaro no Senado. Isto é o mínimo que se espera do Congresso, se quiser recuperar um mínimo de dignidade, decência e respeito.

 

20
Jun20

Prisão de Queiroz agrava crise no clã Bolsonaro e expõe relações com milícias

Talis Andrade

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Oposição espera que ex-assessor esclareça escândalo das rachadinhas e proximidade da família com milicianos. Ação da polícia veio numa semana de desgaste para o governo com troca no MEC e derrota no STF

 
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O presidente Jair Bolsonaro e os filhos dele tentaram minimizar os impactos da prisão de Fabrício Queiroz, mas nos corredores políticos de Brasília a avaliação é de que a operação contra o ex-assessor de Flávio Bolsonaro tem impacto muito negativo no Planalto e reflexos mesmo imprevisíveis para o futuro da atual gestão.

Figura já até caricatural da política brasileira, com o jargão ‘Cadê o Queiroz?’ popularizado por adversários do governo, o ex-policial militar amigo do clã Bolsonaro foi encontrado em circunstâncias que levantam ainda mais indagações: estava na casa do advogado de Flávio, Frederick Wassef, que já defendeu o próprio presidente.

“É gravíssimo o fato de Queiroz ter sido encontrado na casa do advogado pessoal de Bolsonaro. E também é extremamente grave que o país siga à deriva. A principal preocupação do presidente da República não é com saúde do povo no meio dessa pandemia, com a garantia de uma melhor educação ou com os empregos dos brasileiros. Mas ao contrário: é proteger sua família e seus amigos da polícia, contando para isso com a conivência do seu advogado pessoal. É gravíssimo esse fato”, afirmou o líder do PSB na Câmara, deputado Alessandro Molon (RJ)

Queiroz não era um foragido da Justiça porque contra ele não havia mandado de prisão anterior à ação dessa quinta-feira, mas seu paradeiro era desconhecido desde que vieram à tona as acusações de que ele comandava um esquema de recolhimento de parte dos salários dos funcionários do gabinete de Flávio, então deputado estadual. Queiroz é apontado também como suposta ponte da família com milicianos no Rio de Janeiro. O ex-assessor chegou a ficar internado num hospital em São Paulo, cuja conta foi paga com dinheiro vivo, e deu na época uma entrevista a uma TV, mas depois sumiu de novo.

Esclarecimentos

Para opositores do governo, ele pode esclarecer muita coisa envolvendo o presidente e seus filhos. "A prisão de Fabrício Queiroz é uma peça importantíssima na possível relação entre a família Bolsonaro e a organização das milícias do Rio de Janeiro. Foi Fabrício de Queiroz que apresentou o matador, chefe do escritório do crime Adriano da Nóbrega à família Bolsonaro, que levou seus parentes a trabalharem como funcionários fantasmas dentro do gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro”, disse o deputado Marcelo Freixo (PSOL/RJ)

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O parlamentar também se lembrou do fato que liga a família de Queiroz ao gabinete do então deputado e hoje presidente, Jair Bolsonaro. “A filha do Fabrício Queiroz foi funcionária fantasma do então deputado Jair Bolsonaro. Trabalhava como personal trainer no Rio de Janeiro e repassou 80% do seu salário para o seu pai. São investigações fundamentais que podem revelar muita coisa entre a família Bolsonaro, uma relação criminosa na gestão de seus gabinetes e também com as milícias do Rio de Janeiro".

O líder do governo na Câmara, deputado Major Victor Hugo (PSL/GO), defendeu as apurações do caso não apenas contra Flávio Bolsonaro, mas contra demais acusados do suposto esquema de rachadinhas e disse que o presidente não tem com o que se preocupar:

“O nosso desejo é que as investigações que se voltam para eventos ocorridos na Assembleia do estado do Rio de Janeiro atinjam de maneira igual, com o mesmo rigor, imparcialidade, transparência e isenção a todos os citados no relatório do Coaf. O governo Bolsonaro seguirá em frente pela preservação das vidas dos brasileiros e de seus empregos, até porque essas investigações não atingem em nada as ações do presidente Jair Bolsonaro no passado.”

Bolsonaro defende Queiroz

O presidente Jair Bolsonaro só comentou o assunto na noite dessa quinta-feira (18) depois de um dia de reuniões com vários ministros. Ele tentou se afastar do caso, mas defendeu Queiroz, que conheceu quando os dois eram integrantes do Exército.

"Deixo bem claro: não sou advogado do Queiroz e não estou envolvido nesse processo. Mas o Queiroz não estava foragido e não havia nenhum mandado de prisão contra ele. E foi feita uma prisão espetaculosa. Parecia que estavam prendendo o maior bandido da face da Terra. Mas que a Justiça siga seu caminho”.

Numa transmissão ao vivo pela internet, o presidente não comentou o fato de Queiroz ter se abrigado numa casa que pertence ao advogado Wassef, que hoje é próximo da família. Wassef, perguntado pela imprensa em situações anteriores, chegou a dizer que não sabia do paradeiro de Queiroz quando o ex-assessor já ocupava sua casa em Atibaia, São Paulo, onde foi preso pela polícia civil.

“Repito: não estava foragido e não tinha manado de prisão contra ele. Tranquilamente, se tivesse pedido ao advogado, creio eu, acredito, o comparecimento dele a qualquer local, ele teria comparecido. Por que estava naquela região de São Paulo? Porque é perto do hospital de onde faz tratamento de câncer”, disse o presidente Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro, comentou o assunto logo cedo pelo Twitter afirmando que encara com tranquilidade os acontecimentos e que a verdade prevalecerá. “Mais uma peça foi movimentada no tabuleiro para atacar Bolsonaro. Em 16 anos como deputado no Rio nunca houve uma vírgula contra mim. Bastou o Presidente Bolsonaro se eleger para mudar tudo! O jogo é bruto!”, afirmou também o filho do presidente.

Refúgio no centrão

Nesse dia tenso, o presidente se reuniu com seus novos amigos, políticos do centrão – grupo de vários partidos sem ideologia definida que dá apoio em troca de cargos. Eles já conseguiram vários postos em órgãos federais e nessa quinta, quase 22h em Brasília, saiu uma edição extra do diário oficial garantindo mais um posto para o grupo, uma secretaria na Agricultura.

O presidente busca refúgio na velha política que tanto criticou com vistas a formar uma base no Congresso e afastar o risco de impeachment, em pedidos que pousam na mesa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Alguns partidos de oposição, como PDT, PSB, Rede, PPS, PV lançaram o movimento “Janelas para a Democracia” em que pedem a saída do presidente e tentam angariar apoio popular para forçar Maia a pautar o assunto. Eles sabem que não é fácil já que são necessários dois terços da Câmara e o centrão pode representar talvez metade dos deputados.

O ex-governador Ciro Gomes (PDT/CE) acha que a postura do presidente na crise e o apoio dele a movimentos antidemocráticos já corroboram juridicamente os pedidos.

“Os terríveis crimes que Jair Bolsonaro tem cometido contra o Brasil e especialmente contra o povo brasileiro precisam ser punidos o quanto antes, antes que ele acabe de destruir a nossa grande nação. Mais de 45 mil brasileiros já perderam a vida em função da sua irresponsabilidade criminosa no enfrentamento da maior crise de saúde pública da nossa história. Milhões de empregos e milhões de empresas estão sendo destruídos e fechados no nosso país, sem mesmo um plano que não considera sequer a maior destruição da saúde pública nas nossas contas nacionais.”

Para Gomes, o governo e seus apoiadores endurecem o discurso contra outros poderes como estratégia de guerra política, para justificar o uso de armas não democráticas.

“É a produção artificial de uma crise política em que, sistematicamente por si e por uma certa gangue que o cerca, Jair Bolsonaro atenta contra a autonomia dos poderes da República e a democracia, promove a apropriação de instituições para a proteção dos seus crimes, de sua família e dos seus amigos. Enfim, a parte jurídica do processo de impeachment de Bolsonaro está pronta e as provas são absolutamente robustas”, afirmou o ex-governador.

Mudança no MEC

A prisão de Queiroz coloca mais lenha nessa fogueira e fica a expectativa do que pode vir agora das investigações que tem o ex-assessor como foco. E tudo numa semana que já era complicada para o governo, com o Supremo Tribunal Federal confirmando que o inquérito das Fake News é legítimo e seguirá adiante – algo que preocupa o planalto porque atinge apoiadores e pode chegar aos filhos do presidente. Além disso, o presidente, contrariado, demitiu Abraham Weintraub do Ministério da Educação.

Ele entrou para o governo no lugar de Ricardo Vélez e conseguiu a proeza de acumular mais críticas e problemas que o antecessor. Com erros crassos de português exibidos em redes sociais, contendas diretas com estudantes, frases polêmicas como aquela que poderia ter lhe rendido até prisão ao defender cadeia para integrantes do STF, ele mais causou tumulto do que ação efetiva numa pasta importante. E para coroar a gestão de críticas e gorda dose de ideologia, pouco antes de sair Weintraub revogou uma portaria que implantava o regime de cotas raciais na pós-graduação de instituições federais.

Em vídeo ao lado do presidente, ele comunicou a saída, sem explicar as razões dela e, ao fim, pediu um abraço a Bolsonaro. Weintraub assumirá uma vaga do Brasil do Banco Mundial. Entre os cotados para substituí-lo no MEC está o atual secretário nacional de Alfabetização, Carlos Nadalim, que, se confirmado, mantém a linha ideológica à frente da pasta.

 

19
Jun20

Prisão de Queiroz ameaça expor vísceras da milicia

Talis Andrade

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por Fernando Brito

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A leitura dos documentos anexados à ordem de prisão emitida pelo juiz Flávio Itabaiana contra Fabrício Queiroz mostra que o ex-braço-direito dos Bolsonaro estava sendo regiamente mantido durante seu “sumiço” e, antes disso, em sua missão de “apanhador” de dinheiro para a família.

As situações descritas ali são estarrecedoras.

Queiroz pagava, em dinheiro vivo, mensalidades escolares e plano de saúde da Família 01, recolhia recursos do falecido miliciano Adriano da Nóbrega, encobria (e continuava encobrindo, após o escândalo) provas do esquema de “fantasmas” do qual coletava dinheiro para abastecer os gastos de Flávio Bolsonaro.

Era, afinal, uma espécie de arremedo tosco de Paulo César Farias.

E acabará por tornar Jair Bolsonaro um ainda mais tosco arremedo de Fernando Collor.

A diferença – grave e perigosa – é que no seu caso as Forças Armadas foram levadas, por oficiais saudosos do autoritarismo, a embarcar nesta loucura medíocre.

Erro do qual, ao que parece, os fatos estão os fazendo desembarcar.

05
Mai20

Demissão de Moro marca o divórcio entre a Lava Jato e o bolsonarismo

Talis Andrade

 

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por João Filho

The Intercept

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O PEDIDO DE DEMISSÃO de Sergio Moro representou o fim da aliança entre o lavajatismo e o bolsonarismo. O fim é melancólico e previsível, mas não dá para dizer que a união não foi um sucesso enquanto durou. A Lava Jato, que começou como uma operação policial, se tornou uma máquina política capaz de derrubar e eleger presidentes da República. As publicações da Vaza Jato escancararam o cunho político da operação, que tinha obsessão punitiva em relação aos políticos do PT, mas poupava políticos mais à direita como FHC e Álvaro Dias. Havia uma preferência ideológica na operação, tanto que em 2014 seus integrantes já faziam campanha a favor da eleição de Aécio nas redes sociais. O antiesquerdismo foi a liga que uniu o lavajatismo e o bolsonarismo. Não foi à toa que Bolsonaro foi o candidato dos integrantes da Lava Jato na última eleição, como confessou um ex-chefe da operação.

Voluntariamente ou não, a Lava Jato pavimentou o caminho para o triunfo do discurso anti-política que colocou o bolsonarismo no poder. Durante a campanha presidencial, Sergio Moro atuou nos tribunais para influenciar o processo eleitoral. Faltando seis dias para o fim do primeiro turno, Moro resolveu, sem absolutamente nenhum motivo para isso, divulgar trechos de uma delação de Palocci que prejudicaria o então candidato petista Haddad. Mais tarde, a Vaza Jata comprovaria que nem o próprio Moro acreditava nas delações de Palocci, mas as divulgou mesmo assim.

Naquela época, Moro já conversava com Paulo Guedes sobre um convite para chefiar o Ministério da Justiça. Esse momento talvez tenha sido o nascimento formal da aliança entre bolsonarismo e lavajatismo. O que era namoro virou um casamento, diria Bolsonaro, tão afeito a esse tipo de analogia idiota. O homem que personificava a Lava Jato e era pintado como uma reserva moral decidiu integrar o governo de um extremista de direita que construiu uma carreira como deputado na base das rachadinhas, defendendo milícias, empregando funcionários fantasma e atacando valores democráticos. O lavajatismo emprestou seu verniz de seriedade para um bolsonarismo destrambelhado. Sem esse apoio, Bolsonaro jamais venceria a eleição.

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No governo, Sergio Moro se mostrou um bolsonarista de quatro costados. Perdoou o caixa 2 de Onyx, atuou como advogado da família Bolsonaro em episódios cabeludos como do condomínio Vivendas da Barra, e apoiou o presidente em quase todas as suas loucuras autoritárias. Em boa parte da sua gestão, não atuou com a grandeza que requer o cargo, mas como um soldado raso do bolsonarismo.

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Houve muitos atritos também. Bolsonaro vetou nomeações do ministro, tirou o Coaf do ministério e interferiu na Polícia Federal. Mesmo assim, a manutenção da aliança continuava interessante para ambos. Moro seguia com seu palanque eleitoral — a essa altura imagino que ninguém mais duvide das suas pretensões políticas —, e Bolsonaro mantinha o seu fiador ético.

Para proteger seus filhos de investigações, Bolsonaro determinou a exoneração do diretor-geral da PF Maurício Valeixo à revelia do ministro. Esse teria sido o estopim para a demissão de Moro. Não foi um pedido de demissão qualquer. Foi uma demissão histórica. Moro saiu, mas saiu atirando. O ministro mais popular do governo Bolsonaro acusou, ainda que indiretamente, o presidente de diversos crimes durante o exercício do cargo, entre eles: falsidade ideológica, obstrução da justiça e crime de responsabilidade. Disse ainda que Bolsonaro admitiu que a exoneração do diretor da PF era, sim, uma interferência política. Revelou também que o presidente tinha preocupação com inquéritos em curso no STF, desejava colher informações diretamente com o diretor-geral e os superintendentes, e exigia ter acesso a relatórios de inteligência. Moro também fez uma acusação de falsidade ideológica ao afirmar que o decreto da exoneração de Valeixo não foi assinado por ele. Além disso, a exoneração publicada no Diário Oficial da União consta como se tivesse sido um pedido do diretor, o que é mentira. Ou seja, um importante instrumento de transparência do governo foi usado para fazer politicagem barata e enganar a população. (Continua)

30
Dez19

BBC: As investigações que sangram capital político e podem enterrar o clã Bolsonaro em 2020

Talis Andrade

No balanço da BBC, devassas sangram o capital político do clã Bolsonaro

adriano magalhaes da nobrega.jpg

adriano magalhães da Nóbrega .pngO capitão Adriano Magalhães, miliciano beneficiário do esquema de lavagem de dinheiro atribuído a Flávio Bolsonaro e suspeito de envolvimento na morte de Marielle Franco, está foragido e na lista de procurados da Interpol

 

VioMundo - Este site tem dito seguidamente que a testemunha-chave dos escândalos envolvendo o clã Bolsonaro é o ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega.

Homenageado por Flávio Bolsonaro duas vezes na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Adriano contou com a presença do então deputado federal Jair Bolsonaro no julgamento em que foi condenado por homicídio em primeira instância (pena depois revertida).

Quantas vezes um deputado deixa seu gabinete em Brasília para ver o julgamento de um policial — tenente PM, na época –, a não ser que tenha um interesse pessoal extraordinário no futuro daquela pessoa?

Adriano empregou mãe e filha no gabinete de Flávio Bolsonaro.

É suspeito de comandar a milícia da zona Oeste à qual se atribui o assassinato da vereadora Marielle Franco.

Adriano pode ser, ao lado de Fabrício Queiroz, a peça-chave na articulação do clã Bolsonaro com as milícias de Rio das Pedras e o assim chamado Escritório do Crime.

Foragido, Adriano está na lista da Interpol.

Qual será o empenho do ministro da Justiça Sergio Moro para prender Adriano?

Será que este verdadeiro arquivo vivo já foi queimado?

Cenas do próximo capítulo em 2020.

 

As 6 frentes de investigação que envolvem a família Bolsonaro

da BBC

Desde as eleições de 2018, o presidente Jair Bolsonaro e três filhos dele se tornaram alvos de seis frentes de investigação.

Há acusações de prática de rachadinha — quando funcionários do gabinete devolvem parte dos salários para políticos —, de disseminação de notícias falsas, de uso de funcionários fantasmas, de quebra de decoro parlamentar e de ligação com suspeitos do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

O caso mais rumoroso envolve Fabrício Queiroz, amigo do presidente e ex-assessor do então deputado estadual Flávio Bolsonaro. A investigação sobre movimentações financeiras atípicas, a exemplo de um cheque de R$ 24 mil para a primeira-dama da República, deu origem a um imbróglio jurídico que chegou a paralisar temporariamente centenas de investigações no país.

Para a Promotoria, Flávio Bolsonaro comanda a organização criminosa abastecida por salários devolvidos de assessores e usa uma loja de chocolate da qual é sócio para lavar dinheiro.

Bolsonaro e seus filhos negam veementemente todas as acusações. Para eles, as investigações são baseadas em fake news e perseguições políticas orquestradas por adversários.

Caso Queiroz

O caso gira em torno de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio e amigo de Jair Bolsonaro desde a década de 1980.

Ele passou a ser investigado em 2018 depois que o Coaf (atual Unidade de Inteligência Financeira), órgão que atua na prevenção e combate à lavagem de dinheiro, identificou diversas transações suspeitas suas.

Segundo o órgão, Queiroz movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, valor que seria incompatível com seu patrimônio e ocupação, e recebeu transferências em sua conta de sete servidores que passaram pelo gabinete.

Caso Flávio Bolsonaro

O filho do presidente passou a ser investigado depois de relatório do Coaf

Essas movimentações atípicas, que vieram à tona num braço da Operação Lava Jato, levaram a uma investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro.

Mas a apuração teve desdobramentos inesperados. Flávio Bolsonaro recorreu ao Supremo Tribunal Federal para barrar a apuração, e o caso deu origem a um debate na Corte sobre o compartilhamento de informações financeiras sem autorização judicial prévia. Centenas de investigações ficaram em suspenso.

Após meses de espera, a tese do filho do presidente acabou derrotada por 9 votos a 2 no Supremo no fim de novembro e as investigações foram retomadas por decisão do ministro Gilmar Mendes.

Semanas depois, a Promotoria deflagrou uma operação de busca e apreensão contra pessoas ligadas ao gabinete do filho do presidente, a exemplo de familiares de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher de Bolsonaro e mãe de um dos filhos dele.

Para os investigadores, Flávio Bolsonaro é chefe de uma organização criminosa que atuou em seu gabinete na Assembleia Legislativa entre 2007 e 2018, e parte dos recursos movimentados no esquema foi lavada em uma franquia de chocolate da qual ele é sócio.

Flávio é investigado sob suspeita de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Não há informações detalhadas sobre os próximos passos nem previsão de conclusão porque os processos correm sob sigilo.

Ele nega ter cometido qualquer ilegalidade no caso.

“Fabricio Queiroz trabalhou comigo por mais de dez anos e sempre foi da minha confiança. Nunca soube de algo que desabonasse sua conduta”, disse, no Twitter, quando o caso veio à tona.

“Tenho meu passado limpo e jamais cometi qualquer irregularidade em minha vida. Tudo será provado em momento oportuno dentro do processo legal”, afirmou Flávio em nota.

Bolsonaro também foi à público à época para dar sua versão sobre o cheque de R$ 24 mil destinado à mulher, Michelle Bolsonaro. Segundo ele, o dinheiro era o pagamento parcial de um empréstimo de R$ 40 mil concedido ao amigo e ex-assessor do filho.

Queiroz, por sua vez, disse sempre ter agido de “forma lícita”. Segundo ele, funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro depositavam parte de seus salários em sua conta a fim de ampliar, informalmente e sem o conhecimento do parlamentar, a base de funcionários ligados ao então deputado estadual.

Ele também negou ter se “beneficiado de qualquer recurso público para si ou terceiro”. Segundo sua defesa, a investigação do Ministério Público não conseguiu encontrar nenhuma irregularidade cometida por ele

CPMI das Fake News

Depoimentos em uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito em andamento (a chamada CPMI das Fake News) apontaram a participação de dois filhos do presidente da República e de assessores próximos à família Bolsonaro em campanhas na internet para atacar adversários com uso frequente de notícias falsas.

Alvo de ataques em sites e redes sociais, a deputada federal e ex-líder do governo Joice Hasselmann (PSL-SP) apresentou um dossiê à comissão em que aponta “milícias digitais” em torno de Bolsonaro que praticam ataques orquestrados a críticos de sua gestão.

Segundo ela, as ofensivas são impulsionadas por robôs, pelos filhos Carlos e Eduardo Bolsonaro e por assessores do Poder Executivo e de parlamentares aliados do governo.

Outro deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP), também alvo de ataques e outro ex-aliado, fez acusações semelhantes.

Para a deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA), relatora da CPMI, “é muito difícil imaginar que exista um gabinete atuando ali e que ele (Bolsonaro) não saiba o que acontece ali”.

Ela ressalta que o presidente não foi implicado diretamente em nenhum depoimento, mas sim seus familiares e auxiliares.

Segundo Da Mata, há três núcleos sob investigação: “o operacional, que conta com assessores de deputados estaduais e federais; o distribuidor, que envolve sites e blogs; e o núcleo econômico, que todos queremos identificar”. Um dos próximos passos da CPMI é “seguir o caminho do dinheiro”.

Na CPMI, Eduardo Bolsonaro afirmou que não iria fazer perguntas a Frota por “ter mais o que fazer”.

“Tenho que trabalhar, em vez de ficar aqui ouvindo baboseiras e ilações sem qualquer conexão com a verdade.”

As acusações de Frota e Joice foram rebatidas por deputados da base governista e aliados do presidente, que as classificaram de “falsas”, “fruto de vingança”, “sem provas” e “conto de fadas”.

A CPMI das Fake News foi apelidada por eles de CPI da Censura.

Para o deputado federal Eduardo Bolsonaro, acusações são ilações sem conexão com a realidade

A comissão, que vai até abril de 2020, mas pode ser estendida, surgiu para investigar suspeitas de ataques na internet e utilização de perfis falsos para influenciar as eleições 2018 e já se espalhou para o possível uso dessas práticas depois do pleito.

Os próximos passos da CPMI devem incluir pedidos de informações de plataformas de redes sociais (quem são os detentores das contas, por exemplo), especialistas e assessores parlamentares acusados, entre outros.

O relatório final pode sugerir indiciamentos e mudanças da lei.
Joice Hasselmann também depôs no inquérito que corre no Supremo sobre notícias falsas, mas não há informações sobre o caso conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes porque ele corre sob sigilo.

Suspeita de uso de assessores-fantasmas por Carlos Bolsonaro

O vereador Carlos Bolsonaro passou a ser investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro após reportagens apontarem que assessores nomeados em seu gabinete nunca exerceram de fato essas funções.

Na investigação, que corre sob sigilo, promotores suspeitam da existência de um esquema de rachadinha, semelhante ao do irmão Flávio.

Ou seja, funcionários devolveriam o salário, parcial ou integralmente, para o parlamentar.

Um dos casos apontados pela revista Época envolve Marta Valle, cunhada de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente da República. Marta passou sete anos e quatro meses lotada no gabinete de Carlos Bolsonaro, mas afirmou ao veículo: “Não trabalhei em nenhum gabinete não”.

Carlos se licenciou na Câmara Municipal do Rio de Janeiro para se dedicar à campanha do pai à Presidência

Ao longo de 18 anos de mandato na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, Carlos empregou Ana Cristina e sete familiares dela.

Na Assembleia Legislativa fluminense, Flávio deu emprego a nove familiares da então mulher de seu pai. Na Câmara dos Deputados, Bolsonaro nomeou seis membros da família dela.

Em abril deste ano, o jornal Folha de S.Paulo também encontrou uma mulher alocada no gabinete de Carlos Bolsonaro que afirmou à reportagem nunca ter trabalhado na função que lhe renderia R$ 4.271 por mês.

O chefe de gabinete do vereador, Jorge Luiz Fernandes, negou à Folha que essa assessora recebesse salário sem prestar serviços, e que ela entregava mala direta em um reduto eleitoral de Carlos e anotava reivindicações de eleitores.

No Twitter, Carlos Bolsonaro rebateu as acusações, sem citá-las diretamente: “Imprensa lixo, não adianta me chamar para a briga, com desinformações que vocês sempre fomentaram, que não vou cair na armadilha. Qualquer um sabe o motivo disso tudo e qual o objetivo. Tranquilo e despreocupado! Bom dia a todos”.

WhatsApp na eleição de 2018

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a investigar a campanha presidencial de Jair Bolsonaro depois que uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo apontou que empresas compraram, sem declarar à Justiça Eleitoral, pacotes de disparos em massa de mensagens contra o PT no WhatsApp.

Esta e outras reportagens serviram de base para diversas ações na Justiça eleitoral (chamadas de ação de investigação judicial eleitoral), ainda em tramitação, movidas por partidos como o PT e o PDT. A campanha do petista Fernando Haddad, inclusive, também passou a ser alvo de apurações.

Segundo a lei eleitoral, um candidato pode divulgar conteúdo e repassar a seus eleitores se respeitar os termos de uso das plataformas digitais, e pagar a essas redes sociais para alcançar fatias específicas do eleitorado.

Mas esse dinheiro deve vir dos recursos do partido ou de doações de pessoas físicas, e não de empresas.

A legislação eleitoral tampouco permite a utilização de bases de dados de terceiros (como números de telefones e emails) para o envio de conteúdo, exceto para quem autorizar o recebimento desse material.

Segundo Datafolha, 7 em 10 eleitores usaram WhatsApp para se informar sobre o pleito em 2018

Para a Justiça brasileira, o impulsionamento de conteúdo, ou seja, as estratégias automáticas adotadas para tornar o alcance maior que o compartilhamento natural entre usuários, pode ser desequilíbrio irregular da disputa eleitoral.

O envio massivo ilegal associado à disseminação de informações falsas pode levar, em última instância, à perda do mandato, pagamento de multa e exclusão do conteúdo falso.

Não declarar esses gastos à Justiça Eleitoral pode ser também considerado caixa dois.

Os principais candidatos do pleito negaram diversas vezes qualquer envolvimento com essa prática, e mesmo a existência dela no WhatsApp, plataforma usada por 7 em cada 10 eleitores durante o pleito de 2018, segundo o Datafolha.

Mas em outubro deste ano, o WhatsApp admitiu pela primeira vez a existência de envios de disparos em massa durante a campanha eleitoral de 2018.

Entre 15 de agosto e 28 de outubro de 2018, a plataforma que pertence ao Facebook afirmou ter banido mais de 400 mil contas no Brasil por práticas que violam os termos de uso, a exemplo do uso de robôs para disseminar informações e criação automatizada de grupos.

Ao longo do processo principal que corre no TSE, o ministro Og Fernandes pediu a dez empresas de telefonia informações sobre números de telefone ligados às agências as quais a Folha de S.Paulo apontou envolvimento com disparo de mensagens.

Ainda não houve decisão sobre o caso e não há previsão de conclusão do processo.

Novo AI-5

Após ter levantado a possibilidade de um “novo AI-5” (ato institucional decretado pela ditadura militar em 1968 dando ao governo mais poderes autoritários) no país, o deputado federal Eduardo Bolsonaro passou a ser alvo de processos na Câmara e no STF.

A fala de Eduardo ocorreu em entrevista ao canal da jornalista Leda Nagle no YouTube, após uma pergunta sobre os protestos que estão ocorrendo no Chile.

“Se a esquerda radicalizar a esse ponto, a gente vai precisar ter uma resposta. E uma resposta pode ser via um novo AI-5, pode ser via uma legislação aprovada através de um plebiscito como ocorreu na Itália. Alguma resposta vai ter que ser dada”, afirmou.

Depois da forte reação negativa e de ser repreendido até pelo pai, o deputado disse ter sido mal interpretado e pediu desculpas.

“Eu peço desculpas a quem porventura tenha entendido que estou estudando o retorno do AI-5 ou achando que o governo, de alguma maneira, estaria estudando qualquer medida nesse sentido. Essa possibilidade não existe. Agora, muito disso é uma interpretação deturpada do que eu falei”, disse ao apresentador José Luiz Datena.

A declaração de Eduardo sobre a possibilidade de um novo AI-5 gerou reação de partidos de esquerda, centro e direita e até mesmo uma nota de repúdio da Executiva Nacional de sua sigla, o PSL.

Em 26 de novembro, o Conselho de Ética da Câmara decidiu abrir processos contra o deputado, a partir de pedidos de Psol, PT, PC do B e Rede.

O conselho geralmente chega a uma decisão em até 90 dias sobre casos abertos. Se houver punição, ela pode ir de uma censura verbal à perda do mandato.

A decisão final cabe ao Plenário da Câmara e depende de uma maioria absoluta (metade dos votos mais um).

Para Eduardo, o processo visa censura e intimidação.

Caso Marielle

A família Bolsonaro se viu envolvida na investigação sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes depois que um porteiro afirmou à polícia que um dos acusados do crime se dirigiu à casa do hoje presidente horas antes do homicídio.

O depoimento à Polícia Civil do Rio de Janeiro veio à tona depois de uma reportagem do Jornal Nacional no dia 29 de outubro. Segundo a emissora, um porteiro do condomínio Vivendas da Barra disse que Élcio Queiroz afirmou que iria à casa que pertence ao presidente.

A testemunha relatou ter ligado, ao receber Queiroz na guarita, para casa 58 para confirmar se o visitante poderia entrar, e alguém na residência autorizou. Em dois depoimentos, o porteiro disse ter reconhecido a voz de quem atendeu como sendo a do “Seu Jair”.

O então deputado federal Bolsonaro estava em Brasília no dia dos assassinatos, e o depoimento do porteiro gerou reação inflamada de membros e aliados do governo Bolsonaro.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, afirmou que o episódio era um “factoide”.

Para Sergio Moro, ministro da Justiça e da Segurança Pública, o envolvimento do nome do presidente na investigação foi “um total disparate”.

A Polícia Federal foi designada para ouvir o porteiro, e este recuou do depoimento.

Segundo o jornal O Globo, ele disse à Polícia Federal ter anotado errado o número da casa na planilha e que inventou o relato sobre “Seu Jair” para justificar o erro no registro do acesso.

Carlos Bolsonaro, filho do presidente, gravou e publicou um vídeo nas redes sociais no qual acessa o sistema de gravações da portaria a fim de mostrar que não havia nenhum registro de ligação para a casa de seu pai no momento apontado pelo porteiro.

O caso levou a acusações de obstrução de justiça contra Jair e Carlos, mas em meados de dezembro o ministro do STF Alexandre Moraes arquivou os pedidos de investigação porque a PGR não viu elementos a serem apurados.
Bolsonaro afirmou que “alguns” querem “jogar para cima de mim a possibilidade de eu ser um dos mandantes do crime da Marielle”.

E acusa nominalmente o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, de manipular a investigação do assassinato de Marielle para tentar destruir sua reputação.

Witzel disse que vai processar o presidente pelas “acusações levianas”.

Há também citações na investigação dos homicídios ao nome do filho Carlos Bolsonaro, vereador que mora no mesmo condomínio Vivendas da Barra, por causa de um bate-boca entre ele e um assessor de Marielle Franco.

Carlos já havia prestado depoimento à polícia sobre o episódio em abril de 2018 na condição de testemunha.

Segundo ele, a própria Marielle, com quem disse ter um relacionamento “respeitoso e cordial”, interveio para acalmar os ânimos, encerrando a discussão.

Investigadores da Polícia Civil também tem levantado informações sobre a relação entre a família Bolsonaro e os dois acusados de participação direta no crime: Élcio Queiroz e Ronnie Lessa.

Em agosto de 2018, Queiroz havia publicado uma foto em seu perfil do Facebook na qual aparece com um uniforme da Polícia Militar — à época ele já havia sido expulso da corporação — e abraçado com Bolsonaro.

Em março de 2019, Lessa foi preso na residência onde mora no condomínio Vivendas da Barra, onde Bolsonaro e Carlos têm casas.

À época, o Ministério Público falou em coincidência.

 

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