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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

22
Jul20

'Não se enxergam como servidores públicos, mas como casta', diz pesquisador sobre desembargador multado

Talis Andrade

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por Paula Adamo Idoeta/ BBC

O episódio do desembargador que rasgou uma multa pelo não uso de máscaras em Santos — e que ofendeu o guarda municipal que o abordou — é simbólico de como parte do alto escalão do Poder Judiciário não se enxerga como servidor público, "mas sim como parte de uma casta de privilégios".

A opinião é do acadêmico Frederico Normanha Ribeiro de Almeida, que estudou a formação de elites jurídicas no país para sua tese de doutorado. Almeida é professor do Departamento de Ciência Política da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e líder do Laboratório de Estudos sobre Política e Criminologia da universidade.

Em um dos episódios que reacenderam o debate sobre elitismo no Brasil, o desembargador Eduardo Siqueira, do Tribunal de Justiça de São Paulo, foi gravado enquanto chamava de "analfabeto" o guarda municipal que o multava por não usar a máscara (obrigatória por decreto municipal) na orla santista.

O desembargador afirmou que o vídeo foi editado e tirado de contexto e que ele, como magistrado, não pode aceitar que a pandemia sirva para "justificar abusos, desmandos e restrições de direito".

O Tribunal de Justiça paulista determinou "imediata instauração de procedimento de apuração dos fatos", e a Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça também intimou o juiz a prestar esclarecimentos.

Para Frederico de Almeida, o comportamento de Siqueira, embora possa não ser predominante no Judiciário, se perpetua com o silêncio corporativista dos demais magistrados.



BBC News Brasil - À luz dos seus estudos, que leitura você faz do episódio do desembargador Eduardo Siqueira em Santos?
Frederico de Almeida - É muito emblemático de um tipo de ideologia que existe nas carreiras jurídicas em geral, especialmente na magistratura, de não se perceber como um servidor público ou como um agente da lei, mas de se perceber como parte de uma casta de privilégios, que são materiais — a gente sabe dos penduricalhos que burlam o teto salarial — e baseada em privilégios simbólicos, que é essa ideia do status, do estar acima da lei, do 'sabe com quem você está falando?', de ser desembargador.
É uma cultura muito comum. Seria injusto a gente dizer que é uma cultura predominante, porque tem diferenças muito grandes no Judiciário, inclusive geracionais, e no caso de São Paulo, o Tribunal de Justiça tem mais de 300 desembargadores, então tem de tudo. (...)

 

BBC News Brasil - Você falou da simbologia. O desembargador (nas filmagens) aparece ligando para o secretário de Segurança de Santos (em aparente tentativa de exercer pressão sobre o guarda civil). As conexões políticas também são parte dessa simbologia?
Almeida - Também tem isso, e obviamente que a introdução dos concursos públicos no Brasil, a partir dos anos 1930, tende a isolar os juízes da política — ou seja, a pessoa teoricamente entra por mérito.
As exigências absurdas dos concursos públicos, com cada vez mais elitismo, também transformam a ideia do mérito não em uma coisa de conquista, mas de superioridade moral. Cria uma ideologia de que a pessoa, porque passou naquele concurso público, é melhor que os outros.
Na Segunda instância, em que juízes viram desembargadores), (isso ocorre por) por antiguidade, contagem de tempo, ou mérito, o que tem uma margem de subjetividade, embora tenha avanços importantes em tentar fazer esse processo mais objetivo.

Mas acaba-se valendo de conexões políticas internas e externas muito fortes. E mesmo que elas não existissem antes de o desembargador chegar lá, ao chegar lá ele está em posição política importante. Porque ele não é só o juiz que julga em Segunda Instância, ele passa a fazer parte da cúpula política do tribunal. (...) E ali as conexões com o poder político são muito fortes. Fora isso, muitos desses juízes já vêm com suas redes de relações, de convívios familiares, às vezes herdam essas redes.
(...) Um juiz que não tenha esses capitais familiares herdados, que tenha por esforço próprio passado num concurso e queira fazer carreira sem acionar esses outros tipos de relação pode consegui-lo, ainda mais em um tribunal grande como o de São Paulo. Mas é um caminho mais difícil. Porque quem puder acionar essas redes vai se dar melhor.

 

BBC News Brasil - Você falou no começo em diferenças geracionais. O que mudou ou pode estar mudando nessa dinâmica?
Almeida - A gente percebe, desde o final dos anos 1970, que as bases das carreiras judiciais estão se democratizando, (em comparação com) o período anterior da República. Não são necessariamente membros de uma elite que entram para a magistratura, até porque houve uma expansão do ensino jurídico e uma expansão da classe média urbana. Você começa a ter pessoas que não são necessariamente herdeiras familiares ou de famílias importantes, mas que são de classe média urbana, talvez da primeira ou segunda geração da família a fazer um curso superior e daí passam em um concurso.
Há uma tendência a diminuir a importância desses capitais herdados. Mas isso não quer dizer que essa pessoa — que veio de fora desses círculos familiares e de elite — não vai construir outros círculos lá dentro, porque ela vai ter que sobreviver em uma instituição que funciona nessa lógica. 
E tem outra coisa: nem todo juiz vai virar desembargador. Então tem um filtro importante.
Há muitas pesquisas sobre o perfil social de juízes mostrando de modo muito positivo essa diversificação social, de serem trabalhadores que estudaram. Mas o que tentei mostrar na minha tese é que, quando você vê a divisão entre base (do Poder Judiciário) e elite, a elite mudou menos do que a base.
E não é apenas uma questão geracional, de dizer 'os mais novos ainda não chegaram lá'. É que há filtros para se chegar lá, nos quais são acionados essas intervenções sociopolíticas, essas redes e construções políticas e esses processos internos. (...) E, com a forma como esses concursos públicos são criados e juntando essa ideia dessa casta de privilégios materiais, mesmo um cara de origens sociais diferentes acaba reproduzindo esse discurso de 'eu passei então eu sou melhor mesmo', porque ele passou em um concurso muito difícil e agora é juiz.
Acho que, mesmo com mudanças no perfil social, a instituição tem mecanismos muito fortes de reprodução de culturas e valores, que acabam cooptando mesmo quem é meio 'outsider'. Quem quiser sobreviver lá dentro acaba se submetendo para sobreviver em uma carreira longa, vitalícia, de 35 ou 40 anos. (Continua)

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06
Abr20

Guedes, inimigo dos pobres, defende congelamento de salário de servidores públicos

Talis Andrade

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Duvido o esnobe ministro de Bolsonaro congelar os salários dos togados e fardados, e as pensões vitalícias de suas parasitas filhas, maiores de idade, que vivem no luxo e na luxúria, sustentando malandros gigolôs.

O ministro da Economia declarou a deputados do DEM, por videoconferência neste domingo, que pretende congelar por dois anos o salário do funcionalismo público federal.

Guedes, o admirador do general Pinochet, revelou que sua intenção era promover cortes salariais.

A equipe do ministro chegou a escrever uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para cortar em 25% os vencimentos dos servidores 

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13
Fev20

Parasita

Talis Andrade

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As Cartas do Pai por Ivan Cosenza

Rio de Janeiro, 11 de Fevereiro de 2020.

Pai,
esse fim de semana teve a cerimônia do Oscar.
Todo mundo querendo ver documentário brasileiro sendo anunciado lá na festa. Era difícil, mas ficamos torcendo aqui.
Mas a maior surpresa da noite, foi o Oscar de melhor filme ter sido dado pela primeira vez para um filme estrangeiro.
Reparou o nome do filme, pai?
Logo depois do Ministro da Economia, falar que o funcionário público no Brasil é um parasita, um filme com o mesmo nome ganha o Oscar.
Lembrando que ministro é um funcionário público, né!
Presidente também!
Será que era uma autocrítica?
Ele foi funcionário boa parte de sua vida, antes de ser nomeado ministro.
Seu chefe, é um parasita, digo, um funcionário público de carreira, e nunca teve um emprego formal, na iniciativa privada!
Seriam então, o ministro e o presidente, dois parasitas?
Mas voltando ao Oscar, não foi desta vez que uma estatueta vem pro Brasil.
“Indústria Americana” ganhou o prêmio de melhor documentário, mas lavamos a alma, quando a diretora do filme citou uma frase do manifesto comunista, de Marx e Engels:
– Trabalhadores do mundo, uni-vos!
Espero que os trabalhadores daqui tenham entendido o recado.
Petra não ganhou o Oscar, mas Democracia em Vertigem denunciou o golpe em 190 países.
Ela foi vencedora sim!
O documentário cumpriu seu papel.
Antes dele, o elenco do filme Aquarius também denunciou o Golpe no tapete vermelho.
O mundo já sabe!
Foi golpe!
Um beijo do seu filho,
Ivan

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13
Fev20

Para Paulo Guedes, a empregada doméstica não pode ir para a Disney

Talis Andrade

Ministro da Economia diz "com dólar barato doméstica ia para Disney. Uma festa danada",  depois de afirmar que o funcionário público (civil) é "um parasita"

 

 

Os brasileiros que foram às ruas pedindo a queda do dólar para voltarem a viajar para o exterior não devem estar muito felizes com a atual cotação da moeda. Principalmente após as recentes declarações do ministro da Economia, 'chicago boy' Paulo Guedes.Image

Em mais uma demonstração classista, Guedes celebrou o fato de a cotação do dólar estar batendo recordes de alta uma vez que, com o dólar mais baixo, “todo mundo” estava indo para a Disney, nos Estados Unidos, inclusive “a empregada doméstica”.

O presidente Lula condenou a fala do ministro:
 
"É triste, e muita gente acha que exagero quando digo isso. Mas essa gente não suporta nem a ascensão social dos mais pobres, nem o desenvolvimento soberano do Brasil".
 
 
 

A deputada federal e ex-governadora do Rio, Benedita da Silva (PT-RJ), que já trabalhou como empregada doméstica, reagiu ao insulto do ministro Paulo Guedes: 

 

“Respeite as trabalhadoras domésticas, ministro. E se elas estão indo para a Disney e os filhos delas para a universidade foi porque os governos do PT possibilitaram esse acesso que o seu governo racista e preconceituoso vem destruindo. #trabalhadorasdomesticas”. 

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23
Mar19

LAVA JATO FOI CÚMPLICE DE MICHEL TEMER, AGORA É ALGOZ

Talis Andrade

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por Emanuel Cancella

___

A Lava Jato conspirou para a derrubada da Dilma e a ascensão de Temer. Eram notícias diárias da Lava Jato para midia principalmente a Globo, fazendo insinuações mentirosas contra  Dilma, quando, na verdade, um dos envolvido em crimes, na Petrobrás, era Temer.

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O golpista MiShell Temer articulou e aprovou uma lei que isenta as petroleiras estrangeiras em um trilhão de reais em impostos, sendo a mais beneficiada a Shell (1). E a Lava Jato fingiu que não viu!
 
O réu Pedro Parente, que deu rombo de R$ 5 BI a Petrobras em 2001, mas mesmo assim foi indicado em 2016 por Temer presidente da Petrobrás (8). A Lava Jato também não via.

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Num claro intuito de proteger Michel Temer, o juiz Sergio Moro, quando chefe da Lava Jato, vetou 21 das 41 perguntas da delação premiada de Eduardo Cunha a Temer. (2,3).
 
Todas as perguntas de Eduardo Cunha foram no sentido mostrar o envolvimento do golpista Michel Temer na corrupção da Petrobrás.
 
A prisão de Temer, agora, visa tão somente a levantar a moral da Lava Jato que foi para a lama. O ex-juiz Moro e também ex-chefe da Lava Jato e atual ministro da Segurança de Bolsonaro, cargo alcançado através da prisão de Lula num claro intuito de beneficiar Bolsonaro. Sem esquecer que, segundo o Ibope, Lula ganharia a eleição em primeiro turno (9).
 
Assim o juiz Sérgio Moro, quando chefe da Lava Jato, não só aceitou denúncia sem provas, só com convicção, contra Lula, como ainda o condenou e depois o prendeu por uma reforma no tríplex de Guarujá que nunca foi feita. Fotos e vídeos provam isso (4,6).
 
Mas nem a prisão de Temer pela Lava Jato vai apagar o esculacho que Moro levou de Maia. Foi na véspera da prisão de Temer, em troca de e-mail, quando Moro pressionava o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para votar seu projeto anticrime.
 

Moro queria que Maia colocasse seu projeto em votação simultânea com a Reforma da Previdência.

Resposta de Rodrigo Maia ao ministro da Justiça Sérgio Moro: Seu projeto anticrime é copia e cola e você não é presidente da República é funcionário do Bolsonaro (7)!

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Fonte:

1https://congressoemfoco.uol.com.br/especial/noticias/camara-aprova-medida-que-concede-isencao-de-impostos-para-petroliferas-estrangeiras/

2https://www.ocafezinho.com/2017/05/21/ao-proteger-temer-de-perguntas-de-cunha-sergio-moro-pode-ter-cometido-crime-de-obstrucao-de-justica/

3https://www.ocafezinho.com/2017/05/21/ao-proteger-temer-de-perguntas-de-cunha-sergio-moro-pode-ter-cometido-crime-de-obstrucao-de-justica/

4https://www.diariodocentrodomundo.com.br/nao-temos-provas-mas-conviccao-o-powerpoint-de-dallagnol-nos-jogou-de-vez-no-paraguai-por-kiko-nogueira/

5https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/351698/Lula-foi-condenado-por-reforma-que-nunca-existiu.htm

6https://www.revistaforum.com.br/r7-apaga-reportagem-mostrando-triplex-luxuoso-depois-do-video-do-mtst/

7https://www.revistaforum.com.br/maia-dispara-contra-moro-e-diz-que-seu-projeto-anticrime-e-copia-e-cola/

8https://www.redebrasilatual.com.br/blogs/helena/2016/06/presidentes-da-petrobras-e-do-bndes-sao-reus-em-acao-por-rombo-bilionario-9872.html

9http://atarde.uol.com.br/politica/noticias/1124938-ibope:-lula,-com-47,-ganharia-no-primeiro-turno

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23
Mar19

A face nada oculta da Lava Jato

Talis Andrade

Sérgio Moro, "funcionário do presidente Bolsonaro"

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por Ricardo Fonseca

___

Cinco anos e quatro dias após ter se iniciado, a megalomaníaca Operação Lava Jato faz nova espetacularização midiática , com a prisão do ex-presidente Michel Temer e seu ex-ministro da Casa Civil Moreira Franco, nesta quinta (21) no Rio.

Coincidentemente, 1 dia após o presidente da Câmara Federal Rodrigo Maia (o Botafogo , na lista da Odebrecht), ter feito duras críticas ao Ministro da Justiça Sérgio Moro, Ex-Juiz titular da Lava Jato, por fazer pressão para que ele apoie o seu “pacote anti-crime, que tramita na casa.

Rodrigo Maia (DEM-RJ) disse:

“Eu acho que ele conhece pouco a política. Eu sou presidente da Câmara, ele é ministro, funcionário do presidente Bolsonaro. O presidente Bolsonaro é que tem que dialogar comigo. Ele está confundindo as bolas. Ele não é presidente da República. Ele não foi eleito para isso. Está ficando uma situação ruim para ele, porque ele tá passando daquilo que é a responsabilidade dele”, e completou: “é uma cópia da proposta encaminhada à Câmara, no ano passado, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

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Com 60 fases, a Operação que se iniciou em Curitiba, contabiliza 1.599 ações judiciais, 49 sentenças proferidas, 285 condenações , 2 ex presidente presos e 11 delatores perigosos, Pasmem! cumprindo pena fora da prisão.

Reveja aqui quais foram os abonados.

Pois bem, O Juiz federal Marcelo Bretas ( membro da força tarefa da operação no Rio), já estava com essa “Bala do Temer e do Moreira Franco na agulha”, desde o ano passado. Mas coincidentemente só depois da “briga de cumadre” de Rodrigo Maia e Sérgio Moro, foi que ele resolveu dispará-la.

Você deve estar se perguntando o que tem a ver essa prisão com a briga deles? Tudo! Moreira Franco ex-governador do Rio (o quinto a ser preso) e ex-ministro de Temer é sogro de Rodrigo Maia, que também aparece na Lava Jato em citações de delatores da Odebrecht e, pouco depois de reeleito, aparece com suspeitas de ligação com a OAS. As duas empresas são acusadas de integrar o cartel que fraudava licitações da Petrobras e por pagar propinas a políticos.

A prisão de Temer nada tem de paridade com a de Lula, um foi preso preventivamente, sem julgamento e nem condenação e, o outro foi preso após julgamento e condenação na primeira e segunda instância, mas sem nenhuma prova concreta de delito a que foi imputado.

Vale ressaltar que Lula teve quase sempre todos os seus direitos negados em recursos apresentados , até o de participar do funeral do irmão e, só conseguiu ir ao funeral do neto, por conta da comoção nacional que esse episódio se tornou.

O mais incrível além dos 13 Bilhões ressarcidos aos cofres públicos , foi o cinismo do procurador Deltan Dallagnol em criar uma fundação privada da Lava Jato para o combate a corrupção( que iria movimentar aproximadamente 2, 5 bilhões, oriundos da Petrobras), a título de penalidades aplicadas pelas autoridades americanas por danos a investidores nos Estados Unidos. Mas a Procuradora Geral Raquel Dodge, com muita lucidez, desmontou o castelo de areia do procurador Power Point e seus colegas.

Reveja aqui.

Pois bem, como se não bastasse os principais corruptores ( premiados como delatores) curtirem o fruto de seus roubos regados a comidas chiques e bons vinhos longe da prisão, manter o Ex-Presidente Lula preso antes do julgamento do STF sobre a Prisão sem segunda instância e prender Michel Temer, sem ele nem ter sido condenado , são ações que fazem as pessoas com um pouco de cérebro, questionarem a legalidade Constitucional.

Para muitos , longe de acabar com a corrupção por beneficiar corruptos e corruptores, a bendita Operação Lava Jato cai em descrédito e tende a se desidratar e perder força.

Parece que a busca pela sobrevivência através dos holofotes com essas novas prisões cinematográficas ainda vai continuar por algum tempo ( para o desespero de muitos), mas não resistirá por muito tempo ao crivo do STF, do Congresso e da sociedade civil organizada.

Travestida de justa, essa operação que projetou Moro para fora da toga, cometeu excessos astronômicos, o que ocasionou o agravamento da crise industrial, comercial e econômica brasileira, que perdura até os dias atuais.

Os membros da Lava Jato, apesar da força de suas canetas, não tem o poder supremo de passar por cima ou por baixo da Constituição Federal brasileira, que é a Carta Magna . Fato esse, que tem sido tão questionado por juristas do País inteiro, quanto à troca do nome do Estado Democrático de Direito, para Estado Monocrático da Direita.

Que justiça de fato é essa que prende primeiro, para só após , o preso tentar provar atrás das grades a sua inocência?

Em tempos do fim da presunção de inocência (Cláusula Pétrea), mas vale dois ex-presidentes presos, do que os 11 delatores corruptores, que há nos vinham comprando tudo e todos, robustecendo a corrupção e, os bolsos de uma horda milionária de bandidos.

Sem juízo de valor, se Temer é chefe de quadrilha ou não , caberá só a justiça provar. Mas que ele e tantos outros tenham o mesmo direito da ampla defesa e, possam responder as acusações até que se esgotem todos os recursos cabíveis por lei. É perigoso para democracia, ver situações como a dos ex-presidentes e de ex-ministros passarem pela privação da liberdade em detrimento a centenas de bandidos do colarinho branco, que respondem por seus delitos comprovados, fora da prisão.

Essa é a face mais dura e na da oculta da Lava Jato.

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09
Ago18

Aumento salarial de 16,38 por cento para os golpistas

Talis Andrade

 

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Você funcionário público professor, engenheiro, cientista, médico, enfermeiro, assistente social, psicólogo, químico, físico, agrônomo, veterinário, jornalista, arquiteto... Você bacharel, mestre, doutor...  Você não é nada comparado com um divino juiz.

 

Vivemos em um regime capitalista, e o salário indica quem você é.

 

Seu teto salarial vale um auxílio moradia de um juiz? 

 

Nestes próximos vinte anos seu salário está congelado pelo teto de gastos (regra que limita o crescimento das despesas à variação da inflação). Lei que não vale para o judiciário.

 

Todo togado recebe além do teto permitido mais penduricalhos mil.

 

Sobre esse salário fora da lei a justiça vai ter um aumento 16,38%. Um escárnio dos golpistas, que este foi um aumento negado por Dilma Rousseff.

 

Publica hoje a Folha de S. Paulo, que é um jornal porta-voz do golpe:

 

A maioria dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) aprovou, nesta quarta-feira (8), uma proposta orçamentária para 2019 que prevê reajuste salarial de 16,38%. 

 

A proposta orçamentária deve ser enviada ao Congresso ainda neste mês. O reajuste para os magistrados só passará a valer se o Legislativo o aprovar. O índice de 16,38% era pleiteado pela magistratura desde 2015.

 

O salário de um ministro do Supremo é o teto do funcionalismo público e hoje está em R$ 33,7 mil. Com o índice poderá ir para R$ 39,3 mil.

 

Os ministros Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio, Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Luiz Fux votaram a favor da inclusão do reajuste na proposta orçamentária do próximo ano.

 

Já os ministros Cármen Lúcia, Celso de Mello e Rosa Weber foram contrários. Faltam votar Edson Fachin e Alexandre de Moraes.

 

Se passar no Legislativo e for sancionado pelo presidente da República, o reajuste terá impacto sobre os salários de juízes e membros do Ministério Público de todo o país (o chamado efeito-cascata). 

 

Tem mais: todo juiz se aposenta como desembargador, e todo desembargador com o salário de ministro. É bom demais!

 

Esse "se" da Folha não existe.

 

O Congresso frouxo dirá sim, senhor! para tudo que venha do STF, do STJ, do STM, do TSE, e da Lava Jato de Curitiba.

 

Antes do golpe, o teto era o salário do presidente da República.

 

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02
Mai18

O BUROCRATA

Talis Andrade

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1

A marcar passo

todo santo dia

a marcar o ponto

no desencanto

de cada segundo

o burocrata passa

o modorrento tempo

carimbando calhamaços

matando moscas azuis

com o alfinete de prata

que enfeita a gravata

 

 

A gravata o alfinete

emprestam certa nobreza

ao paletó comprado

em tempo de festa

 

A boa aparência

o diploma de bacharel

supostas condições

para conseguir

a bajulada promoção

que (re)tarda

 

No carregar do andor

pelos corredores dos palácios

no arrastar do tempo

que tudo desgasta

o paletó triste mortalha

vestida em vida

 

 

Vida desbotada e puída

lentamente consumida

Sedentária vida

que deforma o corpo

descarnado e oco

 

Vida contida

de quem se con

tenta em possuir

de tudo um pouco

um pouco de amor

um pouco de sexo

um pouco do bolo

sobejo do lobo

 

 

Enquanto a morte não vem

na cadeira do birô

o paletó lembra um

espantalho

 

2
Na velação

todo morto

um santo

e quanto

mais morto

mais santo

 

Incelenças cantam

as virtudes

Uma vida dedicada

à família

ao trabalho

Uma vida

de mãos limpas

sem escrita

na folha corrida

 

Incelenças cantam

a pobreza

cobiçada moeda

dos mortos

como garantia

da conquista

do paraíso

 

3
Na vida e na morte

despertamos a ganância

a invídia

 

Ninguém consegue ser

totalmente desprovido

totalmente deserdado

fatalmente aparecerá um oportunista

para tirar vantagem

o belchior

o penhorista o sebista

 

Fatalmente aparecerá um sabido

 

4
Não esfriou o cadáver no caixão

começaram a repartir os despojos

Na repartição os colegas

jogam os dados da sorte

reivindicando o posto

o birô

a cadeira

o alquime das comendas

 

Não esfriou o cadáver no caixão

apresentaram-se os pretendentes

para dormir na cama do morto

Ávidos olhos cortejam a fêmea

a beleza realçada pelo negro vestido

negro pesado luto exibido

como sinal de renúncia

aos prazeres do mundo

 

5
Olhos fechados

a mulher desmancha

               a presença

na cama de casal

o falecido estirado

              na quietude

do relaxado descanso

esterilizado e santo

do sexo dominical

 

Olhos fechados a mulher reza

como se temesse o morto

pudesse ler-lhe os pensamentos

levantar-se do esquife

para diferidas perguntas

que não teve coragem em vida

 

---

Talis Andrade, O Enforcado da Rainha, ps 78/ 83

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