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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

O CORRESPONDENTE

11
Abr22

Basta de ordem unida vamos aprender a dançar e cantar o frevo

Talis Andrade

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Nenhuma descrição de foto disponível.

Flaira Ferro

 

O Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares é uma iniciativa do Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Defesa, que apresenta um conceito de gestão nas áreas educacional, didático-pedagógica e administrativa com a participação do corpo docente da escola e apoio dos militares.

O Estado do Paraná da supremacia branca, do racismo, do conservadorismo, do prefeito de Curitiba que tem nojo de pobre, do Ratinho pai que ameaça mulheres de morte, do Ratinho Filho também podre de rico, seguindo a política da extrema direita do governador Richa, danou-se a criar escolas cívico-militares. Foi a represália, o castigo imposto pela ousadia dos estudantes com o Movimento Ocupa Escola.

As escolas cívico-militares é uma pobre compensação, que nas escolas militares impera o corporativismo. A prioridade das matrículas uma herança dos filhos dos militares. 

As escolas cívico-militares ensinam ordem unida, valores do conservadorismo caduco da Tradição, Família, Propriedade - a triunfante TFP da pregação do golpe de 1964, misturada com a Teologia da Prosperidade da campanha bolsonarista de 2018, bem representada pelos pastores dos negócios da educação, e pelos coronéis da vacina na militarização do Ministério da Saúde.Nenhuma descrição de foto disponível.

Ana Júlia Ribeiro Ocupa Escola

 

Duvido nas escolas militares e nas escolas cívico-militares um movimento ocupa escola para prostestar contra o kit robótica (roubótica), para um exemplo. Duvido chegar uma Ana Júlia, que liderou o Ocupa Escola no Paraná, para falar na sala de aula:

"O pior ministro da educação da história acaba de ser exonerado. Milton Ribeiro sucedeu o pior ministro da educação da História, Abraham Weintraub, que sucedeu o pior ministro da educação da história, Vélez, e deve dar lugar, mais uma vez, ao pior ministro da educação da história.

Milton Ribeiro correu e se escondeu pra evitar que o governo sangrasse com mais um escândalo. Mas e agora? Os atos do ex-ministro precisam ser investigados e punidos".

O governo Bolsonaro forma o aluno disciplinado, obediente, subordinado, hierarquizado, nivelado, passivo, decoreba, elogiado pelo comportamento automático, treinado na ordem unida, no passo de ganso. Um estudante robotizado. 

A corrupção do Mec vai além da comelança do dinheiro público. 

Não vou teorizar aqui. 

E sim propor a volta das aulas de História. 

Que a ginástica da ordem unida e as aulas de hinos marciais sejam substituídas pelo frevo. O frevo é ritmo, arte, educação física, ginástica, dança, cântico, poesia, música, cultura popuar, alegria, liberdade, democracia, fraternidade, igualdade, felicidade, (re) união, união, povo. 

Ditadura nunca mais

Tortura nunca mais

Exílio nunca mais

A Democracia não constrói cemitérios clandestinos

06
Abr22

A arma que o povo precisa: o revólver de Flaira, o fuzil de Bolsonaro

Talis Andrade

www.brasil247.com - Aroeira: remando com fuzis, Bolsonaro quer flexibilizar armas

O presidente vem repetindo que “o povo armado” representa um obstáculo para o surgimento de um “ditador"

Propaga Bolsonaro:

Os bandidos estão armados, você não tem paz nem dentro de casa. Eu não consigo dormir, apesar de uma segurança enorme aqui no Alvorada, sem ter uma arma do meu lado.

Quem não quer ter arma, é só não comprar. Não tem problema nenhum. Agora, se estiver sofrendo uma invasão, até pegar o telefone e ligar, muitas vezes a polícia leva horas. Uma arma é sua defesa, ou será que você não se garante? Arma protege a sua vida, sua família. Arma não mata; quem mata é o elemento que está atrás dela.

Eu tenho 2 [fuzis] em casa. Se a mulher sair do quarto, tudo bem. Mas o fuzil fica lá. Tá certo? Ele não sai. E para chegar no meu quarto tem duas portas […] E sempre foi assim a minha vida. Meu tempo de tenente, capitão do Exército, deputado federal. Nunca deixei de dormir com arma em casa.

Dificilmente alguém invade ou rouba uma casa em que há uma arma. A pessoa armada é uma segurança para sua família.  

A arma é inerente à defesa da sua vida e à liberdade de um país. Meus filhos todos atiraram com cinco anos de idade, real, não é de ficção nem de espoleta não, tá ok?

Não há nada de errado em ensinar valores e disciplina aos nossos filhos, pelo contrário, é fundamental e edificante. A bronca de parte da imprensa agora é que não vesti meus filhos de menina, nem incentivei o ensino de sexo para crianças na escola.

equilibrista.jpeg

Canta e encanta Flaira: 

flaira.jpeg

O meu revólver
É um estado de espírito
E o pessimismo
É luxo de quem tem dinheiro
 
A covardia
Impera sob a ignorância
Mas a esperança
É substância pra mudar (é substância pra mudar)
Mudar as coisas de lugar (mudar as coisas de lugar)
 
Uma cidade triste
É fácil de ser corrompida (é fácil de ser corrompida)
Uma cidade triste
É fácil ser manipulada
 
No contra-ataque da guerra, arte!
Pra não viver dando murro em ponta de faca.
No contra-ataque da guerra, arte!
Ninguém nessa terra vai comer farinata
 
Eu quero ver você dizer que
Não vai ter mais frevo
Eu quero ver você dizer que
Não tem frevo mais
 
Eu quero ver você dizer que
Não vai ter mais frevo
Eu quero ver você dizer
Eu quero ver quem vai
 
O frevo é um ser humano
O frevo é o nosso Rock
O frevo é a luta armada
De Zenaide, de Capiba e de Spok
 
Meu corpo é uma cidade
Com pernadas de aço
Pra furar um buraco
Na rocha do egoísmo
A revolta do passo
 
Ferrolho, tramela
Rojão, abre alas
Tesoura, martelo
Espalhando brasa
 
Ferrolho, tramela
Rojão, abre alas
Tesoura, martelo
Espalhando brasa
 
Eu quero ver você dizer que não vai ter mais frevo
Eu quero ver você dizer que não tem frevo mais
 
Uma cidade triste
É fácil de ser corrompida
Uma cidade triste
É fácil ser manipulada
 
No contra-ataque da guerra, arte!
Um corpo liberto deixa a mente afiada
No contra-ataque da guerra, arte!Flaira Ferro | Cifra Club
 

 
 
 
17
Mar22

Flaira Ferro se firma ao soltar o som e a fúria feminina do álbum 'Virada na jiraya'

Talis Andrade

Flaira Ferro se firma ao soltar o som e a fúria feminina do álbum 'Virada na jiraya'Foto Matheus Melo 

 

17
Mar22

Flaira Ferro a mais completa musicista brasileira hoje e sempre

Talis Andrade

flaira.jpeg

 

Redação Maah Music!

 

Além
de cantora, compositora você é bailarina. Conte para os leitores, como foi o
seu envolvimento com cada uma dessa área?

A
memória mais viva sobre meu envolvimento com a dança e com a música vem aos
seis anos de idade, quando brinquei meu primeiro carnaval em Recife, em 1996.
Sou de Recife e lá fevereiro é mês de tradição carnavalesca, a cidade fica em
função da festa. Há uma explosão de manifestações populares, ritmos, danças e
fantasias, o que me seduziu desde o primeiro contato.

A
dança, em especial o frevo, foi minha porta de entrada para o universo das artes.
Fui me interessando, me dedicando, e entrei na Escola Municipal de Frevo do
Recife, tive aulas com o Mestre Nascimento do Passo e nunca mais parei. Aos
poucos, conheci outras linguagens, fiz sapateado, ballet, dança contemporânea e
a dança virou profissão.

Meu
envolvimento com a música e a composição foram consequências diretas dessa
relação com o movimento corporal. Sinto que essas linguagens conversam o tempo
todo entre si, tudo passa pelo corpo.

 


Queria saber um pouco mais sobre seu passado pré-musica. O que você ouvia
quando era pequena? E quando você descobriu seu amor pela musica e composição?

Por
influência dos meus pais, ouvi muita música regional na infância. Coco,
ciranda, maracatu, bumba-meu-boi, forró e frevo sempre foram ritmos presentes
na prateleira de CDs da minha casa. Só vim conhecer música internacional na
adolescência. Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Elis Regina e Raul Seixas eram
os artistas que mais tocavam no som do carro durante as viagens da família pro
interior de Pernambuco.

Meu
pai é um poeta tímido. Apesar de não seguir carreira artística, sempre gostou
de declamar poesias e escrever versos e rimas. Acredito que por influência dele
tomei gosto pela palavra escrita, falada e cantada. Compus minha primeira música
aos 8 anos e descobri esse amor quando percebi que através da composição eu
conseguia desafogar minha energia criativa. Coisas que eu não conseguia dizer
numa conversa ou ideias que eu não desenvolvia na escola iam acumulando na
minha cabeça e desaguavam em poesias e canções. Até hoje é um tipo de escape
que me ajuda a entender meus sentimentos.

 


Há pouco tempo você lançou seu álbum “Cordões Umbilicais”. Como foi a escolha
do nome do álbum e do repertorio do seu novo trabalho?

O
nome do álbum veio da necessidade de dar uma imagem ao afeto. Quando vim morar
em SP tive que me reinventar para me adequar a uma cidade na qual eu não tinha
vínculos afetivos. Conheci a solidão e aliada a ela, paradoxalmente, o
sentimento de não estar só, de estar conectada com todas as pessoas, com a
criação de algo maior, o divino.

Além
das questões existenciais, minha mãe é obstetra e assisti muitos partos feitos
por ela. Um certo dia, após presenciar uma cesariana, saí inspirada e compus
uma música que nomeei Cordões Umbilicais e é também uma faixa do disco.

Quanto
ao repertório, percebi que a temática do autoconhecimento era predominante na
maioria das minhas letras. Selecionei as músicas que mais representavam meu
momento de vida e  organizei o
repertório. O disco é um estado de espírito.Luíza Boê lança “Amanheci” com as participações de Illy e Flaira Ferro -  Gazeta da Semana


No seu álbum você traz 11 faixas de autorais. Qual música do seu cd mais te
representa?

Por
se tratar de um disco inteiramente autoral no qual a maioria das letras são
minhas, cada música é um pedaço do que sinto e penso. Sou tudo que tá lá, o que
muda é a intensidade, eu acho. Tem dias que me vejo mais numa música do que
noutra, por exemplo. Depende.

 


O álbum vem com ritmos bastante brasileiros e você mistura esses ritmos.
Qual  ritmo musical mais te encanta ou
chama sua atenção?

Além
do frevo, eu tenho um carinho especial pelo caboclinho perré e pelo batuque de
umbigada. São ritmos que adoro dançar e me tocam de maneira mais visceral. 

 

Como
foi o processo de composição para o álbum “Cordões Umbilicais”? Alguma
influencia em especial?

Tom
Zé, Elis Regina, Gilberto Gil, Lenine e Bjork são artistas que me influenciam
muito. Mas não teve nenhuma música que pensei em um artistas específico para
compor. Eles estão presentes de maneira inconsciente, tudo que escuto é
referência e alimenta meu processo de composição.

 


No disco você contou com algumas participações especiais.  Como maestro Spok e do pandeirista Léo Rodrigues entre outros. Como foi a escolha das participações especiais?

Conheço
Spok há 12 anos, trabalhamos juntos em vários projetos. Além de excelente
maestro e instrumentista, ele é um grande amigo que a vida me deu. Eu queria
que o disco tivesse um frevo e ninguém melhor do que ele para compor o arranjo
instrumental na faixa Bom dia, doutor cuja letra é de outro grande amigo,
Ulisses Moraes. Já Léo Rodrigues eu o conheci no Instituto Brincante e
tornamo-nos amigos rapidamente. Quando vi ele tocar fiquei encantada com a
propriedade e o domínio do pandeiro de couro. Admiro muito o trabalho dele e o
convidei pra participar na música Mundo invisível. 

 


Como você descrever no geral o seu álbum?

É
uma obra de afeto e um retrato do tempo.

 


Gostaríamos de saber mais sobre seu gosto musical. Quais as 6 músicas
preferidas e o por que?

Como
falei antes, cada música me representa com muita verdade e não tem nenhuma que
eu ache menos importante. Elas estão dentro de um conceito e a ideia de cada
uma agrega à mensagem do disco como um todo. Mas se eu fosse fazer um pocket
show e tivesse que escolher seis músicas, eu escolheria: Templo do tempo, Atriz
Cantora ou dançarina?, Pondera, Me curar de mim, Bom dia, doutor e
Lafalafa.  

 


Fiz duas matérias sobre você aqui no blog. E as criticas foram muito positivas.
Como é para você ver  o carinho do
publico e até mesmo dos críticos musicais falando bem do seu álbum?

É
bom né? Um estímulo, sem dúvida. É gostoso compartilhar algo que ressoa em
outras pessoas de maneira positiva. A coisa vai ganhando outras dimensões,
interpretações e significados. Mas acredito que a aceitação do público nunca deve
ser o objetivo de um artista. A opinião dos outros, positiva ou não, deve ser
apenas consequência daquilo que nasce da verdade de quem cria.

 


Como é seu contato com o publico? Você usar muito as redes sociais para bate um
papo com os fãs? Você acha importante esse contato?

Não
gosto muito da palavra fã como denominação de alguém. Tenho a impressão de que
ela cria uma fronteira entre o público e o artista que não deveria existir.
Tenho pavor desse endeusamento do artista, essa coisa de colocá-lo num pedestal
para se admirar e contemplar, como algo inalcançável.

Sim,
uso muito as redes sociais e quem se interessa pelo meu trabalho e entra em
contato eu adoro trocar ideia. Respondo, pergunto, leio, opino, etc. E é isso
que rola, uma troca constante com quem chega junto.

 


Entrevista quase no final. Quais as próximas novidades, lançamento e agenda de
show?

Recentemente
gravei dois clipes. Um da música Lafalafa, dirigido por Patrícia Black e outro
da música Me curar de mim. Em breve estarei lançando eles nas redes sociais.
Quanto aos shows, as agendas são divulgadas na fanpage e no meu site
flairaferro.com.br

 


Qual mensagem você deixa para os fãs e leitores do blog?

Leiam
a autobiografia de Gandhi.    

 

 

Agora Flaira lança um
clipe, no qual pode, de alguma forma, unir música e dança. Escolheu a canção
“Lafalafa” para inspirar esse primeiro vídeo que foi gravado em junho de
2015, entre as ruas de São Paulo e o Instituto Brincante, espaço onde atua como
artista e professora. 

Os vídeos de dança solo da bailarina
Sylvie Guillem foram grandes fontes de inspiração. O minimalismo, a
simplicidade estética e a pesquisa de intenções de movimento de seu trabalho
clarearam o rumo do que seria o clipe e a performance de Flaira. Como venho da dança
popular e o ritmo de ‘Lafalafa’ é o cavalo-marinho, mergulhei numa pesquisa de
movimentos que partissem dessa matriz. Decidimos que minha atuação se basearia
no improviso, sem coreografia definida
 
explica ela. Quando a música termina, o clipe ainda continua por alguns
instantes. Fique por dentro de todas as novidades sobre a cantora: 

 

17
Mar22

"É preciso proteger nossas mulheres eleitas"

Talis Andrade

Comitê Suprapartidário lança manifesto em apoio à | Política

 

 
 
 
Manuela Manu Manuela d'Ávila
 
 
Manuela
Cairão um por um! Valter Nagelstein foi condenado a dois anos de reclusão e poderá ficar inelegível após áudio racista contra a bancada negra de Porto Alegre nas últimas eleições. Racistas não passarão!

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Absurdo! Enquanto lotamos as ruas no #AtoPelaTerra contra o pacote da destruição, foi aprovada a urgência do projeto que quer liberar a mineração em terras indígenas. Não podemos recuar, cobre seu deputado para que esse PL seja derrotado na Câmara! #PL191Nao
Porto Alegre terá ato pela vida e fora Bolsonaro no | VariedadesIndígenas do RS e de SC se unem à mobilização nacional | Variedades
 

latifundio sem terra bolsonaro.jpg

 

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A aprovação do projeto que quer liberar a mineração em terras indígenas é um grande retrocesso para o Brasil. Vamos pressionar nossos deputados! #PL191Nao

índio terra _zedassilva.jpg

 
Minha solidariedade a , que recebeu uma nova ameaça de morte. É preciso proteger nossas mulheres eleitas.
A trajetória e lutas de Erika Hilton, estrela da capa digital da Vogue em  dezembro - Vogue | atualidades
Não consigo contar o nº de vezes que fui agredida no mercado ou na rua por conta de mentiras e ameaças. Há 8 anos, eu sinto medo por mim e pelos meus.Algumas quedas servem para provocar alegria, nossa ou a dos outros...
 
Eu lembro a primeira vez em que fui agredida por causa de uma fakenews: era 2014. Eu estava tomando café com meu marido e um menino olhou para mim e passou a me agredir por conta de uma notícia mentirosa publicada num perfil de Twitter e num site que mentia ser de humor.Se necessário, Manuela D'Ávila reafirma que abrirá mão de candidatura pela  esquerda | A TARDE
Mas eu ando nas ruas de cabeça erguida porque sei quem sou e o que defendo e sei quem são os mentirosos que me atacam. Já esse deputado tem medo de sair na rua porque descobriram exatamente quem ele é.Mamãe falei teme bobagens que disse sobre STF - Blog da Cidadania
 
Ontem escrevi esse fio. Logo depois, o Presidente em pessoa, sem intermediários, passou a me atacar em suas redes. Tipo confissão de culpa. Ficou nervosinho, né? Vai trabalhar! 
Alma Preta - A fome de literatura de Maria Carolina de Jesus rendeu a venda  de 100 mil cópias da obra o “Quarto de Despejo” na década de 60. Com o  texto,تويتر \ 🎗Dilma Resistente على تويتر: "A Carolina de Jesus, apesar de  criança, tem muita sabedoria no que diz! #LulaLivre #Resistencia101Dias  https://t.co/r1s5f7KJyd"
Olha só quem já saiu da gráfica! Que lindo  esse livro é tão importante, tão potente, tão transformador. Quarta-feira desembarco no Rio de Janeiro para autografar toda a pré-venda. Aproveita pra levar com frete grátis e presente no site: leitura.com.br/sempre-foi-sob

A atual política de preços da Petrobras é a responsável pela alta dos preços? Entendam nesse vídeo! O completo está no canal:

 
Quatro anos da morte de Marielle e nosso país ainda exige saber quem mandou matá-la!!!
Da mesma maneira, as sementes de Marielle florescendo são esperança de que podemos ser um país mais próximo daquilo que ela sonhou e lutou.
Eu olho sua imagem e penso em Dona Marinete, em Anielle, em sua filha Luyara. Penso nas mesas de domingo com a imensidão de sua ausência. Penso em Monica. Desejo que meu carinho e solidariedade chegue até cada uma delas.Image

27
Jul21

Centrão e militares são muito parecidos

Talis Andrade

tomala.jpg

 

por Bepe Damasco

Vejo como simplistas e exageradas as análises que situam em campos opostos hoje os militares e o Centrão, na disputa pela hegemonia no governo Bolsonaro.

No quesito briga por ocupação de cargos e, consequentemente, controle de verbas, de fato, a queda de braço é real. Não satisfeitos com os mais de 6 mil cargos que detêm na administração direta e nas estatais, os militares querem mais.

Quanto ao Centrão, os cargos de poder e as fatias polpudas do orçamento constituem-se na própria razão de ser do agrupamento. 

Contudo, a tese do antagonismo incontornável entre o “partido militar” e os políticos vorazmente fisiológicos do Centrão não resiste a um exame mais cuidadoso.

Antes, abro parênteses: qualquer país essencialmente democrático deve contar com forças amadas estritamente profissionais, dedicadas exclusivamente à soberania nacional e sem envolvimento em política, como cabe a instituições de Estado, e não de governo. No caso do Brasil, bastaria que se cumprisse o que prevê a Constituição, a lei maior do país. Fecho parênteses.

Voltando à vida como ela é, pensei em alguns pontos reveladores das semelhanças entre boa parte das forças armadas e o Centrão.

Patriotismo sem povo: Os militares jactam-se de serem mais patriotas que os civis. Só que esse peculiar conceito de patriotismo da caserna passa ao largo do sofrimento do povo desempregado, precarizado e desalentado, do corte de direitos da classe trabalhadora, dos milhões de irmãos brasileiros que não têm o que comer, onde morar nem terra para plantar. Já os políticos do Centrão estão sempre prontos a apresentar e votar em projetos de lei que ceife conquistas históricas dos trabalhadores, aumentando a concentração de renda e a desigualdade. É só ver como votou o Centrão nas reformas trabalhista e da previdência.

Venda do patrimônio da nação: O apreço dos militares ao patrimônio estratégico do país ficou no passado. Convertidos ao neoliberalismo mais tosco, ou fazem vistas grossas ou apoiam abertamente a venda, na bacia das almas e a toque de caixa, de estatais como a Embraer, a Eletrobrás e os Correios. Os fardados bateram palmas também para a entrega da riqueza do pré-sal às petroleiras estrangeiras e para a liquidação do Fundo Soberano criado nos governos petistas, cujos recursos eram carimbados para a saúde, educação, cultura e ciência e tecnologia. Esse verdadeiro passaporte para o futuro do povo brasileiro virou pó no governo golpista de Temer. Os parlamentares do Centrão ajudaram a aprovar todas essas leis lesa-pátria e antipovo no Congresso Nacional.

Déficit de convicção democrática: As forças armadas e a quase totalidade dos partidos e parlamentares que compõem o Centrão apoiaram o golpe contra a presidenta Dilma. Fingindo neutralidade institucional, os militares se deixavam trair por declarações de membros de sua cúpula em favor do impeachment sem crime. Já a caçada e a prisão ilegal de Lula contaram não só com aval das forças armadas, mas também com ações explicitamente à margem a lei, como a pressão do então comandante do Exército, general Villas Bôas, para que o STF não concedesse habeas corpus a Lula.

Indiferença em relação ao extermínio de pretos e pobres: Mesmo na pandemia, as estatísticas apontam um crescimento exponencial da letalidade policial. E a imensa maioria das vítimas é formada por jovens negros e pobres, moradores das favelas e bairros das periferias dos centros urbanos. Para ficar só num exemplo recente, em 6 de maio deste ano, a Polícia Civil do Rio assassinou a tiros ou com objetos de corte nada menos do que 29 pessoas tidas como “suspeitas”, na favela do Jacarezinho. O mundo político conservador e de direita, fortemente presente no Centrão, e os milicos se calaram, quando não saíram a justificar o massacre taxando as vítimas de criminosas, mesmo que a elas tenha sido negado o direito à defesa, ao contraditório e a um julgamento justo.

 

19
Mar21

Urariano Mota: Para o centenário de Antônio Maria

Talis Andrade

 

antônio_maria estatua recife.jpg

 

Ele poderia ter sido lembrado, reverenciado e lido principalmente por suas crônicas, que estão entre as maiores e melhores já escritas no Brasil

 

por Urariano Mota

- - -

Ele, o gênio da crônica brasileira, nasceu em 17 de março de 1921. Deveria ser lembrado todos os dias pelas canções, pelas crônicas, pelas frases espirituosas, pelo amor generoso que dividiu com as pessoas e cidades. Mas como não posso fazer muito, copio a seguir o seu perfil que escrevi no Dicionário Amoroso do Recife.

Antônio Maria, do Recife e do Mundo

Na Rua do Bom Jesus existe uma escultura de Antônio Maria. Não poucas vezes, andando pelo Recife, paro diante da figura do cronista fundamental. Ali a vontade que me assalta é a de chamar as pessoas que passam e com elas conversar sobre ele. Começaria por um “você sabe quem é?”, em lugar de um “você sabe quem foi”. No entanto, jamais poderia imaginar uma conversa involuntária que tive sobre Antônio Maria, impossível de reprimir.

Foi numa sexta-feira, por volta das 11 da manhã, quando eu caminhava pela Rua do Bom Jesus somente pelo prazer de voltar àquela rua, à qual tantas vezes fui na adolescência. Súbito, ao subir a calçada, eis que noto um aglomerado de senhoras e senhores, em pequeno tumulto ao redor da estátua de Antônio Maria. O que é isso? Me pergunto. E chego mais perto, como se de passagem eu parasse de repente. Então pude ver turistas, o que se notava pelas cores das roupas e vermelhão recente nas peles abrasadas. E por um certo estar muito à vontade também. As senhoras, como jamais fariam as nativas do Recife em público, as senhoras sentavam-se no colo da estátua do cronista, agitavam-se nos quadris e davam gritinhos. Antônio Maria não despregava um sorriso no concreto, enquanto as demais senhoras gritavam também e os risonhos senhores aplaudiam. Eu já deixava a cena como um intruso na festa, quando a um sinal o grupo se recompôs entre gritinhos que morriam. Destacado, passou então a falar um jovem, que se vestia como um recifense fantasiado de turista no Recife. Camisa florida, boné, óculos escuros, tênis cintilante.

Era o guia. Olhem, explicações a turistas em excursão, para os ouvidos de um nativo, são tediosas. Mas a fala do jovem guia tinha colorido, ele falava com exemplos de pedagogia de cursinho para vestibulares. Sabem? Aquelas aulas agradáveis que simplificam o que não pode ser simplificado. Curioso, resolvi ficar, e pude ouvir:

— Este senhor é meio gordinho, não é? Uma graça. Pois saibam que este homem é autor do primeiro frevo composto em Pernambuco.

Dicionário Amoroso do Recife.jpg

 

Eu fiquei parado, estático, hipnotizado e tonto. O jovem guia continuava a falar as coisas mais inverossímeis e absurdas sobre Antônio Maria, que eram recebidas em altíssimo grau de aprovação por todos. Nem passava pela cabeça de ninguém que o frevo tinha mais de cem anos – de registro em jornal –, e, portanto, Antônio Maria não poderia compor música nos primeiros anos do século 20. Pois Maria era genial, mas também tinha o direito de nascer depois do primeiro frevo de Pernambuco.

Na hora, essas razões não me acudiam, porque ninguém pesquisa em livros, artigos e anotações no instante em que fala. Apenas me socorri da memória, que me disse: “peraí, Antônio Maria não compôs Vassourinhas nem Borboleta Não É Ave”.  E fiz sinal, educado, ao guia professor de aulão para vestibulares. Ele surpreendido me concedeu a palavra, talvez por não saber o que viria de um nativo vestido de recifense. E falei, entre gaguejos e pausas, procurando clareza à medida que seguia a linha da lembrança:

— Acho que houve um pequeno engano. Antônio Maria não é autor do primeiro frevo em Pernambuco. Ele é autor do Frevo Nº 1 do Recife.

— Ah, ele é autor do primeiro frevo do Recife. Não é de Pernambuco. 

— Não, ele é autor do Frevo Nº 1 do Recife. Esse é o nome. É o número 1 de Antônio Maria, para ele que fez, entende?

— Ah…

E me senti então estimulado a continuar a conversa, porque grande era o desconhecimento do guia e guiados na Rua do Bom Jesus.

— Antônio Maria não é autor só de frevos. Ele compôs sucessos mundiais da música popular brasileira. Vocês já ouviram Ninguém me Ama? Pois é, Nat King Cole gravou a música e virou sucesso em todo o mundo. Não era pra menos, não é? Manhã de Carnaval — já ouviram falar? —, pois, é outra canção em que ele botou letra. Mas além de compositor, Antônio Maria foi, é um cronista dos melhores do Brasil de todos os tempos. Sabem quem diz isso? É Luis Fernando Veríssimo quem diz.

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O casal Danuza Leão e Antônio Maria

 

“Bah!”, ouvi. Confesso que tive vontade de falar mais, de contar o amor e desengano de Antônio Maria por Danuza Leão, de transmitir suas frases espirituosas e, acima de tudo, falar daquelas crônicas imortais, escritas com os dedos transformados em coração. Uma coisa violenta e terna de pernambucano, que não põe meio termo. Mas aí era faltar à educação e misericórdia para com o guia. Puxei brusco um freio de mão e parei. O guia então, por gentileza, puxou aplausos. Acho que ele fez mais isso por gentileza ritual, algo assim como o costume recente de aplaudir de pé um show medíocre. O certo é que agradeci e saí andando, confuso e perturbado, o resto da rua.

Mas, o que não falei ali tentarei falar nestas linhas, atento aos limites do espaço.

O cronista Antônio Maria, falecido em 15 de outubro de1964, foi, é, um homem que todos deveriam ter como um companheiro de jornada e de leitura permanente. Não fosse ele o compositor de canções eternas como Frevo Nº 1 do Recife, como Ninguém me Ama, Manhã de Carnaval, Menino Grande, Suas Mãos, O Amor e a Rosa, Valsa de uma Cidade, não fosse o autor de um grito, “nunca mais vou fazer o que o meu coração pedir, nunca mais ouvir o que o meu coração mandar”, não fosse ele o autor de letras que são a ternura em quintessência, ainda assim ele deveria ser lido todos os dias, como uma lição e dever para educar sensibilidades.

Numa coluna de revistas de curiosidades e fofocas, poderia ser dito que ele foi marido de Danuza Leão, roubada por ele do seu patrão, o grande jornalista Samuel Wainer. E que, ao receber o troco mais adiante, ficou só, morreu de fossa e de amor em uma madrugada três e cinco, talvez. Que, feio, grande e gordo, conquistava mulheres pelo poder da lábia e da inteligência. Que foi ameaçado por Sérgio Porto (sim, o Stanislaw), por ter servido de conselheiro sentimental, de modo muito interessado, a uma namorada de Sérgio Stanislaw Ponte Preta. E que ao se apresentar como Carlos Heitor Cony a uma madame, levou-a para a cama, para depois contar ao verdadeiro Heitor, “Cony, você broxou”.

Mas ele poderia ter sido lembrado, reverenciado e lido principalmente por suas crônicas, que estão entre as maiores e melhores já escritas no Brasil. Suas crônicas, quase digo, suas mãos, misturavam humor, crueldade e lirismo, a depender dos dias e da vida, que não eram iguais, para ele ou para ninguém. Como neste perfil arguto de Aracy de Almeida:

Não é bonita, sabe disso e não luta contra isso. Não usa, no rosto, baton, rouge ou qualquer coisa, que não seja água e sabão. Ultimamente corta o cabelo de um jeito que a torna muito parecida com Castro Alves… Faz de cada música um caso pessoal e entrega-se às canções do seu repertório como quem se dá um destino. Não sabe chorar e não se lembra de quando chorou pela última vez. Mas a quota de amargura que traz no coração, extravasa nos versos tristes de Noel: “Quem é que já sofreu mais do que eu?/ Quem é que já me viu chorar?/ Sofrer foi o prazer que Deus me deu”… e vai por aí, sem saber para onde, ao frio da noite, na espera de cada sol, quando o sono chega, dá-lhe a mão e a leva para casa.

antonio_maria.jpg

Ou aqui, dias antes de morrer:

Há poucos minutos, em meu quarto, na mais completa escuridão, a carência era tanta que tive de escolher entre morrer e escrever estas coisas. Qualquer das escolhas seria desprezível. Preferi esta (escrever), uma opção igualmente piegas, igualmente pífia e sentimental, menos espalhafatosa, porém. A morte, mesmo em combate, é burlesca…

Só há uma vantagem na solidão: poder ir ao banheiro com a porta aberta. Mas isto é muito pouco, para quem não tem sequer a coragem de abrir a camisa e mostrar a ferida. 

Ou nestas considerações sobre o sono:

Ah, que intensos ciúmes, no passado e no futuro, sobre a nudez da amada que dorme! Só você a viu, só você a verá assim tão bela!

Nas mulheres que dormem vestidas há sempre, por menor que seja, um sentimento de desconfiança.

A amada tem sob os cílios a sombra suave das nuvens.

Seu sossego é o de quem vai ser flor, após o último vício e a última esperança.

Um homem e uma mulher jamais deveriam dormir ao mesmo tempo, embora invariavelmente juntos, para que não perdessem, um no outro, o primeiro carinho de que desperta.

Mas, já que é isso impossível, que ao menos chova, a noite inteira, sobre os telhados dos amantes.

E finalmente aqui, ao lembrar o carnaval na sua infância:

Muitas vezes, de madrugada, o menino acordava com o clarim e as vozes de um bloco. Eles estavam voltando. O canto que eles entoavam se chamava “de regresso”. Não sei de lembrança que me comova tão profundamente. Não sei de vontade igual a esta que estou sentindo, de ser o menino que acordava de madrugada, com as vozes de metais e as vozes humanas daquele Carnaval liricamente subversivo.

A boa memória conta que Antônio Maria, ao narrar uma partida de futebol, exclamava no rádio quando via um jogador chutar fora do gol: “Bola no fotógrafo!”. Para a barbárie ou ignorância que não o lembra, vale dizer: bola no fotógrafo.

- - -

Nota deste correspondente: Já era noite alta na redação do Diário de Pernambuco. Quando Edmundo Morais, chefe de reportagem, me chama e ordena: - Vá no Grande Hotel e entrevista meu primo Antônio Maria. Eu era repórter especial, para cobrir as coisas inesperadas e celebridades que passavam pelo Recife.  Para o jornalista empregado, Antônio Maria não era famoso pelas crônicas, pelos frevos e sambas, e sim porque gordo (pesava 130 quilos) e feio, e 'mulato', roubara a bela esposa do patrão. O recepcionista do hotel, que já me conhecia, telefona, e logo depois descem Antonio Maria e Danuza no esplendor de sua beleza. Parece que fiquei hipnotizado. Foi quando Antônio Maria me acorda perguntando: - Bebe? Falo que Edmundo está esperando a entrevista. Antônio Maria: - Se vc é jornalista quebra o galho. Caminhamos para o restaurante que estava de luzes apagadas. Viramos a madrugada no uísque. Bebi outra vez com Antônio Maria no Recife. Na casa de um parente dele. Noutra viagem. Fiquei com a impressão que todo Recife tinha parentesco com Antônio Maria. Inclusive os poetas Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto. Perto dele falecer me deparei com Antonio Maria em um bar de Copacabana. Não sei se me reconheceu. Fiquei com aquela imagem de bêbado. Que os amigos me garantiam que morreu de tristeza, de dor de corno. Abandonado por Danuza, que deixava assim, excomungada, o idolatrado papel de musa das redações.                   

30
Jan21

As imagens históricas do Recife

Talis Andrade

dic. urariano.jpg

Dicionário Amoroso do Recife.jpg

 

por Urariano Mota

Histórico é tudo que tenha valor político, humano, artístico, literário, ainda que tenha acontecido hoje. Mas o que é que vai determinar a qualidade, a importância social para o Recife, da senhora que passa a caminhar na rua? Então vocês já veem que desejando simplificar, meti-me de novo em uma nuvem.

Nesta semana, li que em São Paulo existe o projeto Fotografia Paulistana, que reúne registros históricos da cidade a partir de 1920. No momento, já dispõem de mais de 400 fotos.

Li, parei, e fiquei a me perguntar: quantas imagens históricas existiriam do Recife? E nessa pergunta, quantitativa, notei logo que seria o mesmo que penetrar numa nuvem pensando que nuvem é algodão e se pega. É impossível determinar um número de fotos históricas da “noiva da revolução”, como a chamava o poeta Carlos Pena Filho. Depois, mais sério que a quantidade, me perguntei: o que seriam mesmo as tais imagens históricas? O critério de antiguidade seria a qualidade histórica? 

Então, primeiro acordei para o fato de que a história não é um resumo do que ficou no passado. Histórico é tudo que tenha valor político, humano, artístico, literário, ainda que tenha acontecido hoje. Mas o que é que vai determinar a qualidade, a importância social para o Recife, da senhora que passa a caminhar na rua? Isso é histórico, isso tem valor para cravar num álbum da história do Recife? Então vocês já veem que desejando simplificar, meti-me de novo em uma nuvem. 

Então penso em sair da dificuldade elegendo o que vem antes, depois o recente, mas que nos remeta a uma meditação sobre as nossas vidas no Recife. E que a foto mais nova, agora tão frágil e fugaz, ganhará o seu valor se não lhe escrevemos uma legenda, uma breve moldura da sua importância social? E nesse caso, a pesquisa histórica é uma pesquisa de sensibilidade, daquilo que está além do filme mais sensível, ou da última foto saída de um celular. É uma pesquisa que vai aos lugares e pessoas mais comuns, tidas como desimportantes. Sabem aquela prática de colecionar fichinha, tampa de garrafa, ou juntar flâmulas, guia de exposição, convites de casamento, para um dia quem sabe talvez por hipótese ter alguma utilidade? É parecido, ainda que esse termine por ser um caminho meio às cegas, à beira da mania. 

Então eu penso que as fotos históricas do Recife vêm de tudo que toque o nosso coração. Do antes, depois, agora e adiante. Quero dizer, para ser mais claro, além da foto do zepelin sobre a cidade em 1930

foto

era bom agregar os versos à beira do cômico de Ascenso Ferreira: 

“– Parece uma baleia se movendo no mar!
– Parece um navio avoando nos ares!
– Credo, isso é invento do cão!
– Ó coisa bonita danada!
– Viva seu Zé Pelin!
– Vivôôô!
Deutschland über alles!
Chopp!
Chopp!
Chopp!
– Atracou!”  

Ou da Ponte Duarte Coelho em 1950

foto1

E mais Gregório Bezerra ferido, preso e altivo no quartel do exército em 1964 

foto 3

Ou a volta de Miguel Arraes no grande comício com a anistia em 1979 

foto 4

Afeto e memória do frevo histórico

foto 5

Até chegar mais perto da cidadania com o cinema Império em Água Fria, nos anos 50, 1958 

foto 6

Mas quero e devo dizer, sem interrupção: as fotos, por mais sentimentais, amadas e queridas, não revelam o raio X da alma. Elas são momentos objetivos, físicos de um instante, ainda que nelas a pessoa faça uma pose. Quero dizer, elas não trazem gravadas, impressas o coração do fotografado ou de quem vê a fotografia. Nas fotos chamadas por convenção de históricas, pela distância do tempo o seu valor é político ou documental. Mas nós, como ficamos? Onde estamos perdidos nesse mar de datas e rostos antigos? Em que lugar da foto está o momento de carinho ou tremor da nossa voz? 

Então o que é objetivo vira subjetivo, como na foto do cinema Império em Água Fria. Nela vejo a imagem de costas da minha mãe, falecida naquele ano de 1958. E para cada um de nós a foto objetiva recebe uma certa subjetividade, uma tradução da sua imagem. No zepelim no alto, podemos ser um dos meninos parados, em pleno encanto do objeto pesado cruzando o céu. E nos perguntamos, “por que não lembro desse dia do zepelim?” , e para nosso espanto somos informados de que a sua aparição no Recife foi antes do nosso nascimento. Já na fotografia da Ponte Duarte Coelho retomamos o Recife da infância, quando em pé no banco do ônibus víamos o rio Capibaribe. Hoje aberto, ao sol da manhã, ele é um rio que nos dá bom dia. Da ponte Duarte Coelho à Princesa Isabel, e desta a se estender até a ponte do Limoeiro, há uma vista de esperança. 

Já na imagem do frevo da mulher, é tudo revelação da primeira vez do desejo na multidão. É mais que uma foto, é um flagrante da carne sob o frevo. Então vem a foto de Gregório Bezerra, os anos de terror da ditadura, um Recife rebelde no momento do golpe militar. Ele, na imagem, é o comunista que gostaríamos de ser, se a felicidade e a sorte fossem nossas companheiras. E na volta de Arraes, no comício do bairro de Santo Amaro, eu estou na multidão, como um dos rostos contentes que no anonimato é protagonista. Todos ali somos protonotários, diria Manuel Bandeira. Mas assim é para todos? Não e sim. Não, porque as histórias pessoais e sentimentos não são idênticos - podemos até dizer, ninguém atravessa o mesmo rio Capibaribe. Sim, porque todos refletimos o que vemos, como indivíduos que somos da humanidade. Cada um na sua tradução faz o subjetivo da objetividade.

Então eu penso que as fotos históricas ideais deveriam ser um grande álbum onde as legendas fossem os comentários dos moradores da cidade. Elas se tornariam então fotos traduzidas em palavras para o sentimento. E não só, as falas das pessoas seriam informação histórica que daria movimento e corpo à imagem. As fotos históricas seriam mais que um cinema falado. Uma democracia plena do coração de toda a gente. Nesse grande álbum caberia a foto de um princesinha do carnaval 

com este comentário de um recifense:

princesa menina.jpg

“Uma negra princesinha ficou na memória porque não era uma imagem. É uma pessoa. Uma linda menina, passado e futuro do carnaval. A princesinha na memória era a filha da cozinheira de um boxe do Mercado da Boa Vista. Ela, a menina, tão feliz estava, que nem comeu todo o seu almoço no prato. Talvez a mãe, generosa como todas, tenha posto mais comida do que a menina queria. Mas não, penso mais é que a princesinha estava tão feliz, que perdeu a vontade de comer”. 

Entre as fotos históricas, enfim, caberia com louvor esta de José Marques de Santana, em 27 de janeiro de 2021. Aos 86 anos de idade, ele assim  expressou a emoção por receber a vacina: 

foto 8

Das mais antigas à mais recente, imagens para as fotos históricas do Recife. 

 

15
Jan19

Carnaval do Recife

Talis Andrade

por Leonardo Antônio Dantas Silva

frevo.jpg

 

"O frevo como música tem sua origem no repertório das bandas militares em atividade na segunda metade do século XIX no Recife.

O maxixe, o tango brasileiro, a quadrilha, o galope e, mais particularmente, o dobrado e a polca, combinaram-se, fundiram-se, dando como resultado o frevo, criação do Carnaval do Recife ainda hoje em franca evolução musical e coreográfica.

Da pronúncia popular do verbo ferver originou-se o vocábulo frevo, no que são concordes todos os estudiosos do assunto.

Lembro, porém, a observação de José Antônio Gonsalves de Mello, em depoimento pessoal, quando assinala a presença daquele verbo, em sua forma de pronúncia usada pelas camadas menos letradas da população, frever, em autos populares.

Exemplo dessas manifestações, ainda no século XVIII, nos é dado por Francisco Pacífico do Amaral, em Escavações (Recife 1884), ao relatar as festas em homenagem ao governador José César de Menezes, ocorridas em 19 de março de 1775, quando dois “eremitas”, Antão e Bernabé, cantam dentre tantas essas quadrinhas:

Dizei bem, vá de função,
Ferva o meu Padre a folia
Bebamos, que a tudo chegam
As esmolas da caixinha.

O mesmo pesquisador chama a atenção para o conto de Luís de Guimarães Júnior (1845-1898), publicado no Diario de Pernambuco de 8 de fevereiro de 1871, sob o título “A alma do outro mundo. Conto do Norte”.

O conto tem o subúrbio recifense do Ibura como cenário, tecendo o seu autor, então estudante da Faculdade de Direito do Recife, comentários sobre o que ele denomina de “samba do Norte”:

"O samba de roda do Norte é uma coisa digna de ver. As toadas das cantigas em desafio prendem d’alma e provocam os sentidos. Há certa poesia selvagem naquelas danças características, entrecortadas de moda e trovas, que revela exuberantemente o mundo de sentimento da alma rude e ingênua do povo!"

No seu texto, o autor transcreve várias estrofes dos cânticos, fazendo referências a Tertuliano, a quem chama pelo apelido, Teto, descrevendo-o como “um rapaz magro, amorenado, como por lá diziam, de olhos vivos e cintura delgada.

Morava em Olinda; nas redondezas de 40 léguas não se começava um samba sem ele chegar.

— ‘Ferva o samba minha gente! Entra na roda, Teto!’ — Dançava como um corisco e pulava como um macaco! Corta jaca, Teto! O passo da tesoura! O passo do tesouro! O caranguejo!”.

— Corta jaca, Teto!
— O passo da tesoura! O passo da tesoura!
— O caranguejo!

Teto entrou e lançou ao chão com uma agilidade graciosa e chapelinho de palha. Estava em mangas de camisa e trazia uma gravata de seda vermelha, que ondulava-lhe ao pescoço, como a bandeira inglesa no mastro grande de uma fragata! As guitarras gemeram; as facas atacaram as botijas, os violões e as violas uniram-se ao ruidoso concerto com as suas longas e plangentes notas:

Batam bem nessa viola,
Deixem as cordas quebrar
Que eu quero espalhar saudades
Quero penas espalhar!

Derivado de fervorescente, efervescente, ferver — palavras então conhecidas popularmente como frevorescente, efrevescente e frever —, o frevo lembra ainda, segundo Luís da Câmara Cascudo, in Locuções tradicionais no Brasil (1977), “confusão, movimentação desusada, rebuliço, agitação popular”, ou ainda, para Pereira da Costa, in Vocabulário Pernambucano, “apertões de grande massa popular no vaivém em direções opostas, como pelo Carnaval , e nos acompanhamentos de procissões, passeatas e desfilar de clubes Carnavalescos”.

No meio dos clubes Carnavalescos, porém, o vocábulo frevo já se encontrava presente em 1907, segundo demonstra Evandro Rabello em artigo sobre o cronista carnavalesco, Osvaldo de Almeida, publicado no Diario de Pernambuco de 11 de fevereiro de 1990. Naquele ano, 1907, o Clube Carnavalesco Empalhadores do Feitosa publica no Jornal Pequeno, edição do sábado de Carnaval, 9 de fevereiro, o repertório da agremiação onde aparece O Frevo como uma das marchas a ser executadas pela orquestra:

"Empalhadores do Feitosa, em sua sede que se acha com uma ornamentação belíssima, fez ontem esse apreciado clube o seu ensaio geral, saindo após em bonita passeata, a fim de buscar o seu estandarte que se acha em casa do sr. Alfredo Bezerra, sócio emérito do referido clube. O repertório é o seguinte:"

"Marchas - Priminha, Empalhadores, Delícias, Amorosa, O Frevo, O Sol, Dois Pensamentos e Luís Monte, José de Lyra, Imprensa e Honorários; Ária - José da Luz; Tango - Pimentão. Agradecemos o convite que nos foi enviado para o segundo dia de Carnaval."

Para o Carnaval de 1907 o Clube Empalhadores do Feitosa contratou como orquestra a primeira fração da Banda da Polícia Militar, realizando o seu ensaio geral na quinta-feira, dia 7 de fevereiro, no Hipódromo, onde se encontrava a sua sede, fazendo no primeiro dia de Carnaval uma visita à povoação da Torre, seguindo depois para o seu “passeio” pelos bairros do centro do Recife.

Em sua edição de 22 de fevereiro de 1909, o Jornal Pequeno traz ocupando a sua primeira página uma interessante xilogravura de autor desconhecido com a frase Olha o Frevo, anunciando desta maneira os festejos Carnavalescos daquele ano. Tal ilustração, encontrada pelo autor destas notas, passou a ser usada quando da criação do primeiro Baile da Saudade no Carnaval de 1973; festa que se repetiu por dezoito anos, sendo proclamada a mais animada prévia do Carnaval Pernambucano.

"Olha o Frevo", veio a ser popularizada a partir de então, figurando em todos os convites e impressos do Baile da Saudade, bem como na série de cinco LPs, sob o mesmo título, editados pela Fábrica de Discos Rozenblit no Recife.

Pereira da Costa, em seu Vocabulário Pernambucano, assim comenta: “O termo frevo, vulgaríssimo entre nós, apareceu no Carnaval de 1909: Olha o Frevo! -- era a frase de entusiasmo que se ouvia no delírio da confusão e apertões do povo unido, compacto, ou em marcha acompanhando os clubes”.

Na segunda década do século vinte o vocábulo e seus derivados aparecem com frequência no noticiário Carnavalesco da imprensa do Recife:

• “O apertão do frevo, nesse descomunal amplexo de toda uma multidão que se desliza, se cola, se encontra, se roça, se entrechoca, se agarra” (Jornal do Recife, nº 65, 1916).

• Ou nesses versinhos: “O frevo que mais consola, / O que mais nos arrebata, / É o frevo que se rebola / Ao lado de uma mulata” (Diario de Pernambuco nº66, 1916).

• “Os rapazes souberam arranjar uma orquestra tão boazinha, que vem dar uma vida extrapiramidal ao rebuliço do frevo” (O Estado de Pernambuco nº 48, 1914).

• “O clube levará um dos seus carros com uma pipa do saboroso binho berde para distribuir com o pessoal da frevança” (Jornal Pequeno nº 39, 1917).

• “Do mundo a gente se esquece / Pinta a manta, pinta o bode, / E se o frevar recrudesce / Mais a gente se sacode” (Diario de Pernambuco nº 66, 1916).

Por sua vez, Rodolfo Garcia, no seu Dicionário de Brasileirismos (Peculiaridades Pernambucanas) , transcrevendo o nº 32 de A Província, Recife: 2 de fevereiro de 1913, aponta o original registro:

O Frevo, palavra exótica
Tudo que é bom diz, exprime,
É inigualável, sublime,
Termo raro, bom que dói...
Vale por um dicionário,
Traduz delírio, festança,
Tudo salta, tudo dança,
Tudo come, tudo rói"
O frevo como música tem sua origem no repertório das bandas militares em atividade na segunda metade do século XIX no Recife.

O maxixe, o tango brasileiro, a quadrilha, o galope e, mais particularmente, o dobrado e a polca, combinaram-se, fundiram-se, dando como resultado o frevo, criação do Carnaval do Recife ainda hoje em franca evolução musical e coreográfica.

Da pronúncia popular do verbo ferver originou-se o vocábulo frevo, no que são concordes todos os estudiosos do assunto.

Lembro, porém, a observação de José Antônio Gonsalves de Mello, em depoimento pessoal, quando assinala a presença daquele verbo, em sua forma de pronúncia usada pelas camadas menos letradas da população, frever, em autos populares.

Exemplo dessas manifestações, ainda no século XVIII, nos é dado por Francisco Pacífico do Amaral, em Escavações (Recife 1884), ao relatar as festas em homenagem ao governador José César de Menezes, ocorridas em 19 de março de 1775, quando dois “eremitas”, Antão e Bernabé, cantam dentre tantas essas quadrinhas:

Dizei bem, vá de função,
Ferva o meu Padre a folia
Bebamos, que a tudo chegam
As esmolas da caixinha.

O mesmo pesquisador chama a atenção para o conto de Luís de Guimarães Júnior (1845-1898), publicado no Diario de Pernambuco de 8 de fevereiro de 1871, sob o título “A alma do outro mundo. Conto do Norte”.

O conto tem o subúrbio recifense do Ibura como cenário, tecendo o seu autor, então estudante da Faculdade de Direito do Recife, comentários sobre o que ele denomina de “samba do Norte”:

"O samba de roda do Norte é uma coisa digna de ver. As toadas das cantigas em desafio prendem d’alma e provocam os sentidos. Há certa poesia selvagem naquelas danças características, entrecortadas de moda e trovas, que revela exuberantemente o mundo de sentimento da alma rude e ingênua do povo!"

No seu texto, o autor transcreve várias estrofes dos cânticos, fazendo referências a Tertuliano, a quem chama pelo apelido, Teto, descrevendo-o como “um rapaz magro, amorenado, como por lá diziam, de olhos vivos e cintura delgada.

Morava em Olinda; nas redondezas de 40 léguas não se começava um samba sem ele chegar.

— ‘Ferva o samba minha gente! Entra na roda, Teto!’ — Dançava como um corisco e pulava como um macaco! Corta jaca, Teto! O passo da tesoura! O passo do tesouro! O caranguejo!”.

— Corta jaca, Teto!
— O passo da tesoura! O passo da tesoura!
— O caranguejo!

Teto entrou e lançou ao chão com uma agilidade graciosa e chapelinho de palha. Estava em mangas de camisa e trazia uma gravata de seda vermelha, que ondulava-lhe ao pescoço, como a bandeira inglesa no mastro grande de uma fragata! As guitarras gemeram; as facas atacaram as botijas, os violões e as violas uniram-se ao ruidoso concerto com as suas longas e plangentes notas:

Batam bem nessa viola,
Deixem as cordas quebrar
Que eu quero espalhar saudades
Quero penas espalhar!

Derivado de fervorescente, efervescente, ferver — palavras então conhecidas popularmente como frevorescente, efrevescente e frever —, o frevo lembra ainda, segundo Luís da Câmara Cascudo, in Locuções tradicionais no Brasil (1977), “confusão, movimentação desusada, rebuliço, agitação popular”, ou ainda, para Pereira da Costa, in Vocabulário Pernambucano, “apertões de grande massa popular no vaivém em direções opostas, como pelo Carnaval , e nos acompanhamentos de procissões, passeatas e desfilar de clubes Carnavalescos”.

No meio dos clubes Carnavalescos, porém, o vocábulo frevo já se encontrava presente em 1907, segundo demonstra Evandro Rabello em artigo sobre o cronista carnavalesco, Osvaldo de Almeida, publicado no Diario de Pernambuco de 11 de fevereiro de 1990. Naquele ano, 1907, o Clube Carnavalesco Empalhadores do Feitosa publica no Jornal Pequeno, edição do sábado de Carnaval, 9 de fevereiro, o repertório da agremiação onde aparece O Frevo como uma das marchas a ser executadas pela orquestra:

"Empalhadores do Feitosa, em sua sede que se acha com uma ornamentação belíssima, fez ontem esse apreciado clube o seu ensaio geral, saindo após em bonita passeata, a fim de buscar o seu estandarte que se acha em casa do sr. Alfredo Bezerra, sócio emérito do referido clube. O repertório é o seguinte:"

"Marchas - Priminha, Empalhadores, Delícias, Amorosa, O Frevo, O Sol, Dois Pensamentos e Luís Monte, José de Lyra, Imprensa e Honorários; Ária - José da Luz; Tango - Pimentão. Agradecemos o convite que nos foi enviado para o segundo dia de Carnaval."

Para o Carnaval de 1907 o Clube Empalhadores do Feitosa contratou como orquestra a primeira fração da Banda da Polícia Militar, realizando o seu ensaio geral na quinta-feira, dia 7 de fevereiro, no Hipódromo, onde se encontrava a sua sede, fazendo no primeiro dia de Carnaval uma visita à povoação da Torre, seguindo depois para o seu “passeio” pelos bairros do centro do Recife.

Em sua edição de 22 de fevereiro de 1909, o Jornal Pequeno traz ocupando a sua primeira página uma interessante xilogravura de autor desconhecido com a frase Olha o Frevo, anunciando desta maneira os festejos Carnavalescos daquele ano. Tal ilustração, encontrada pelo autor destas notas, passou a ser usada quando da criação do primeiro Baile da Saudade no Carnaval de 1973; festa que se repetiu por dezoito anos, sendo proclamada a mais animada prévia do Carnaval Pernambucano.

"Olha o Frevo", veio a ser popularizada a partir de então, figurando em todos os convites e impressos do Baile da Saudade, bem como na série de cinco LPs, sob o mesmo título, editados pela Fábrica de Discos Rozenblit no Recife.

Pereira da Costa, em seu Vocabulário Pernambucano, assim comenta: “O termo frevo, vulgaríssimo entre nós, apareceu no Carnaval de 1909: Olha o Frevo! -- era a frase de entusiasmo que se ouvia no delírio da confusão e apertões do povo unido, compacto, ou em marcha acompanhando os clubes”.

Na segunda década do século vinte o vocábulo e seus derivados aparecem com frequência no noticiário Carnavalesco da imprensa do Recife:

• “O apertão do frevo, nesse descomunal amplexo de toda uma multidão que se desliza, se cola, se encontra, se roça, se entrechoca, se agarra” (Jornal do Recife, nº 65, 1916).

• Ou nesses versinhos: “O frevo que mais consola, / O que mais nos arrebata, / É o frevo que se rebola / Ao lado de uma mulata” (Diario de Pernambuco nº66, 1916).

• “Os rapazes souberam arranjar uma orquestra tão boazinha, que vem dar uma vida extrapiramidal ao rebuliço do frevo” (O Estado de Pernambuco nº 48, 1914).

• “O clube levará um dos seus carros com uma pipa do saboroso binho berde para distribuir com o pessoal da frevança” (Jornal Pequeno nº 39, 1917).

• “Do mundo a gente se esquece / Pinta a manta, pinta o bode, / E se o frevar recrudesce / Mais a gente se sacode” (Diario de Pernambuco nº 66, 1916).

Por sua vez, Rodolfo Garcia, no seu Dicionário de Brasileirismos (Peculiaridades Pernambucanas) , transcrevendo o nº 32 de A Província, Recife: 2 de fevereiro de 1913, aponta o original registro:

O Frevo, palavra exótica
Tudo que é bom diz, exprime,
É inigualável, sublime,
Termo raro, bom que dói...
Vale por um dicionário,
Traduz delírio, festança,
Tudo salta, tudo dança,
Tudo come, tudo rói

26
Abr18

ENCONTRO COM EDSON RODRIGUES

Talis Andrade

Texto e fotos de Leonardo Antonio Dantas Silva

 

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edson rodrigues.jpg

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edson rodrigues orquestra.jpg

 


O Recife tem certas surpresas que só os que vivem nos seus meandros têm conhecimento e delas usufruem com satisfação e orgulho.

 

Na tarde deste domingo, graças a um encontro coordenado por Nilo Otaviano (Orquestra Arruando), fomos presenteados com um encontro de virtuoses em torno do maestro e compositor Edson Rodrigues.

 

Recifense, nascido em 29 de março de 1942, estava ele festejando o seu 76º aniversário... Motivo bastante para que músicos dos mais diferentes grupos se reunissem no Bar Sabor Pernambuco (Rua da Guia) e promovesse um recital de música instrumental brasileira (choros e frevos) da mais alta categoria.

 

Estávamos numa reunião de família, um encontro fraterno de amigos, apreciadores das muitas qualidades do homenageado, uma das mais importantes figuras da música pernambucana dos nossos dias.

 

Autor de incontáveis sucessos, como o frevo instrumental "Duas Épocas" (1966), Regente da Banda da Cidade do Recife, Coordenador Musical do Frevança -- Encontro Nacional do Frevo e do Maracatu (1979-1989),Edson Carlos Rodrigues é figura de destaque no meio musical brasileiro.

 

Seria um nome internacional, caso tivesse migrado de sua terra, como o fez o saxofonista Moacir Silva (1940-2002), mas na sua modéstia continuou, como Lourenço da Fonseca Barbosa (Capiba), ancorado em sua cidade; "vivendo de glórias em pleno terreiro".

 

Mas a bondade de Edson Rodrigues e sua modéstia, o transformou em ídolo para todos nós, seus amigos, seus irmãos....

 

Ao chegar no Céu ele, por certo, ouvirá de São Pedro aquela frase, consagrada pelo poeta Manuel Bandeira,no seu poema "Irene no Céu":

 

" - Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
- Entra, Edson.. Você não precisa pedir licença."

 

 

 

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