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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

28
Mai22

Presença de Bolsonaro esvaziou a Marcha para Jesus em Curitiba

Talis Andrade

Presença Bolsonaro esvaziou Marcha Jesus Curitiba

Marcha para Jesus em 21/05/2022 (Imagem: Clauber Cleber Caetano | PR)

 

O discurso que deveria ter sido na praça, acabou sendo em uma rua oposta, onde as árvores camuflavam a falta de público. Foi preciso malabarismo dos fotógrafos oficiais para encontrar um ângulo que ajudasse a não mostrar o fiasco

 

Guilherme Mikami /Pragmatismo Político

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Até que ponto a fé e a política podem se misturar?

Essa é uma dúvida que vem crescendo no coração e na mente de uma parcela cada vez maior de evangélicos no Brasil, especialmente a partir das mudanças sentidas nos últimos anos em muitas igrejas e comunidades, nas quais os princípios básicos do cristianismo, como o amor e a solidariedade, foram perdendo espaço para a intolerância e o ódio implantados com objetivos políticos-econômicos-eleitorais (questões bastante mundanas, por sinal).

Os brasileiros viram surgir um tipo de “evangelho do ódio”, a partir de discursos acalorados vindos de lideranças que, em vez de pregar o amor de Cristo, passaram a disseminar rancor e raiva contra tudo aquilo considerado ‘diferente’.

Não é de hoje que eles sabem que as pessoas reagem mais pelo sentimento do que pela racionalidade. Só que eles descobriram que, entre os sentimentos, as pessoas reagem mais fortemente ao medo.

O objetivo dos pregadores do “evangelho do ódio” é espalhar medo. Em excesso, medo vira paranoia. Em grande escala, se transforma em paranoia coletiva, que é o que eles espalham nas igrejas brasileiras ao disseminar mentiras de cunho político.

É aí que as coisas se misturaram de forma perversa e passaram a corroer o tecido social de comunidades inteiras que antes se reuniam para compartilhar atos de amor, esperança, fé e solidariedade.

Em grande escala, isso criou uma nova geração de pessoas “desigrejadas”, que deixaram de frequentar cultos, células e outros espaços de convivência porque sofreram com a intolerância de “irmãos” e “irmãs” (que é a forma como se identificam as pessoas na igreja) ou porque se desapontaram ao ver lideranças envolvidas em uma política de baixo nível, disseminando a discórdia a partir de mentiras e conteúdos extremistas.

Tudo isso vem gerando, mais recentemente, uma forte angústia em parcela significativa das comunidades evangélicas. Cada vez mais, as pessoas estão sentindo que essa entrada da política oportunista no meio evangélico está destruindo relações humanas e sociais.

Essa pode ser uma das explicações para o gigantesco fracasso da chamada “Marcha para Jesus”, que aconteceu no dia 21 de maio em Curitiba.

 

Bolsonaro esvaziou a marcha

 

Há quem diga que Bolsonaro se tornar presidente foi um acaso na política brasileira. Eu discordo.

Apesar de seus atos não demonstrarem nenhuma identificação com a fé cristã ao longo de sua vida política, o presidente da República, Jair Bolsonaro, veio construindo uma imagem para confundir a população nos últimos anos. Mesmo sendo católico, ele identificou que os votos de eleitores evangélicos poderiam estar entre os mais facilmente influenciados por lideranças religiosas.

Junto com algumas dessas lideranças, ele construiu uma narrativa para se infiltrar no meio evangélico, incluindo vários “batismos nas águas” e até o casamento ministrado por um pastor.

De certa forma, funcionou. Com isso, fizeram com que milhões de pessoas passassem a acreditar que ele é evangélico.

Depois, em sua campanha, adotou slogans e expressões que funcionam como gatilhos mentais para evangélicos, usando de forma bastante genérica palavras-chave como “família”, “fé” e o próprio nome de Deus (em vão).

Tudo isso para criar a falsa impressão de que “ele é um de nós”. É fake, mas continua servindo para enganar pessoas.

Para reforçar essa imagem, ele passou a frequentar eventos voltados ao público evangélico. Daí vieram as contraditórias cenas de “arminha com os dedos” em locais onde a vida deveria ser valorizada.

Quando anunciaram que Bolsonaro participaria da chamada Marcha para Jesus, em Curitiba, os organizadores disseram a jornais da capital paranaense que esperavam entre 200 e 300 mil pessoas. Apesar do exagero, a expectativa era atrair mais participantes do que nas edições anteriores, que chegaram a contar com mais de 100 mil pessoas antes da pandemia de Covid-19 (segundo os mesmos organizadores).

Apostaram alto. E perderam feio.

Em vez de aumentar, o evento deste ano encolheu. E muito.

Quando Bolsonaro discursou em frente a um teatro na capital, não havia mais do que 3 mil pessoas. Isso equivale a 1% do público esperado.

Dezenas de milhares de pessoas, que teriam participado se a marcha tivesse sido realmente para Jesus, preferiram ficar em casa depois que descobriram que era uma “marcha para Bolsonaro”.

O discurso que deveria ter sido na praça, acabou sendo em uma rua oposta, onde as árvores camuflavam a falta de público. Haja malabarismo dos fotógrafos oficiais para encontrar um ângulo que ajudasse a não mostrar o fiasco.

E mesmo depois, com os trios elétricos se movimentando, dando um tempinho para que os correligionários conseguissem mais público, ainda assim não chegou nem perto das edições anteriores.

Fotos de drone? Nem pensar. Estimativa de participantes segundo a polícia? Silêncio total. Muito provavelmente, prevaleceu alguma ordem para que todos ficassem bem quietinhos. No dia anterior, o governador paranaense, Ratinho Jr, havia afirmado que apoiaria Bolsonaro. E como o comando da PM é subordinado ao governo…

 

Quem pagou foi a população

 

Todo o aparato do Estado que precisou ser deslocado para esse evento por causa da presença do presidente, ainda acabou prejudicando os curitibanos, já que faltaram viaturas de polícia e ambulâncias para dar conta das ocorrências no restante do dia.

No final da tarde, quando voltava para casa com minha família, uma criança foi atropelada pouco à frente. Corremos para ajudar e ligamos para o Resgate. Fomos informados de que não havia viaturas disponíveis. Mesma coisa com o Siate. Uma pessoa ao lado me contou que tinha acabado de ligar para um amigo policial para pegar orientações e recebeu, como resposta, que grande parte do pessoal teve que trocar de turno por causa do evento ocorrido de manhã.

A criança continuava no chão, ferida e reclamando de muita dor. Dezenas de pessoas em volta. Comoção geral, raiva pela demora no atendimento, e muitas ligações de cidadãos para saber quando chegaria alguma viatura. A ambulância chegou 17 minutos depois. Obviamente, a culpa não era dos bombeiros socorristas, que estavam visivelmente sobrecarregados. Foi do evento minúsculo voltado a um político igualmente minúsculo na manhã daquele dia.

* Guilherme Mikami é jornalista, cientista político, diretor da agência de comunicação sindical Abridor de Latas, e participa da Frente de Evangélicos pelo Estado Democrático de Direito.

 
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05
Mar20

Ronaldinho, embaixador do turismo e liberação dos cassinos de Bolsonaro, preso no Paraguai

Talis Andrade

Policías y militares escoltaron ayer al exjugador durante su arribo al país.

Policiais e militares escoltaram Ronaldinho

 

 

Polícia do Paraguai deteve o ex-jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho e um dos irmãos dele devido ao ingresso de ambos no país com passaportes falsos. Os documentos se encontravam em um quarto do Hotel Yacht Golf Club de Assunção, onde se hospedavam os brasileiros.

Promotoria do Paraguai confirmou que seus agentes identificaram vários documentos, entre eles identidades e passaportes do ex-jogador e seu irmão. Portanto, uma investigação sobre o ocorrido foi iniciada.

Dado falso: Ronaldinho com nacionalidade paraguaia 

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Acreditam que Ronaldinho foi tratar de parcerias para liberação e regulação de cassinos no Brasil neste ano de 2020. Há promessa presidencial de Jair Bolsonaro.

Publica Cassinos Brasil: Segundo entrevistas e declarações publicadas no site Games Magazine Brazil, existem duas datas estimadas para o esperado dia. Segundo o Subsecretário de Prêmios e Sorteios do Ministério da Economia, Waldir Eustáquio Marques Júnior, em entrevista com Valor Econômico, o governo brasileiro apresentará em março a regulamentação definitiva sobre apostas esportivas.

Já, segundo o mesmo site, no dia 28 do mês de janeiro desse 2020, o filho de Bolsonaro, Flávio, após uma viagem para Las Vegas com motivações turísticas, Flávio Bolsonaro acredita convencer a bancada evangélica para legalizar os cassinos. No entanto, seu pai, o presidente eleito do Brasil já foi criticado também por ter jogado Mega sena. Segundo GMB:

“No último dia 26, o presidente Jair Bolsonaro deixou o Palácio do Alvorada, em comitiva oficial, para apostar na Mega-Sena da Virada. Porém a foto do presidente sorrindo, na casa lotérica, repercutiu negativamente entre evangélicos mais conservadores. A Igreja não vê com bons olhos por ser considerada um “jogo de azar”, segundo informa Constança Rezende, colunista do UOL em Brasília, no seu artigo “Atitudes opõem Bolsonaro a evangélicos; líderes não o consideram membro”.

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Ronaldinho, dois passaportes

 

Liberação de cassinos pode arrecadar 15 bilhões

Segundo o projeto em questão, isto é, aquele proposto pelo diputado Azi, uma das consequências positivas anunciadas é essa cifra em arrecadação de impostos. No entanto, a única forma desse montante de arrecadação acontecer é o projeto focado no mundo do cassino, realmente ser funcional, fato que é questionado pois apostas foram equiparadas com lotérica. Partindo dessa base, os resultados não seriam os mais adequados. A liberação de cassinos somente foi o primeiro passo, para termos realmente uma contraparte legal no Brasil, é necessária a aprovação de um texto regulatório. Mas vamos com calma.Ronaldo de Assis Moreira “Ronaldinho” (d) y su hermano Roberto de Assis (i).

Ronaldo de Assis Moreira, "Ronaldinho', e seu irmão Roberto de Assis na sede da Delegacia Contra o Crime Organizado

 

Contextos

O debate sobre a regularização de cassinos no Brasil se confunde com a liberação de jogos de azar, proibidos em 1946, pelo então presidente Eurico Gaspar Dutra. Isso porque em meio a efervescência da jogatina da época, o líder da nação resolveu, sob o argumento de preservar a tradição moral, jurídica e religiosa do povo brasileiro, tornar a prática dos jogos uma forma de transgressão a lei. Com isso também foram punidos os cassinos, já que estes eram os locais onde os jogos funcionavam. E isso fica evidente quando se conhecem as penas previstas para os envolvidos, alvo principal da proibição está nos estabelecimentos.

  • A lei penal estabelece um ano de prisão e multa de até 200 mil reais para quem explora jogos de azar, e para quem frauda resultado ou pagamento de prêmio, a detenção é de 2 anos;
  • Ainda assim no decorrer dos mais de 70 anos de ilegalidade dos cassinos, houve tentativas de trazer de volta alguns dos jogos de azar, como os bingos comerciais, que foi reintroduzindo ao mundo legal em 1993, através da Zico, como o objetivo de financiar entidades desportivas;
  • Em 1998, a regra foi ajustada pela Lei Pelé. Dois anos mais tarde, no entanto, a lei voltou a proibir.

    A Liberação de cassinos vai sair?

    Em 2019, o tema voltou a rondar a política brasileira, com a pressão do Centrão, grupo que reúne cerca de 200 dos 513 deputados federais, sobre o poder executivo para apoiar o projeto e mudar a lei federal legalizando os jogos de azar. O argumento maior é de que a prática dos jogos aumentará a arrecadação, a geração de empregos e a liberdade para as pessoas se divertirem como quiserem.

    Enquanto isso, a bancada evangélica, que agrupa quase 200 deputados de diversos partidos, alega o impacto que a legalização terá na família de pessoas viciadas. Além do surgimento de novos vícios. Diante dessa resistência, o poder executivo aponta para uma possibilidade que não era considerada até então: repassar aos estados a decisão sobre a regulamentação dos jogos de azar, por meio de uma medida federal que liberaria a prática.

    Essa decisão reconhece, principalmente, a divergência que o assunto causa, além da barreira quase intransponível imposta pela bancada da igreja. E essa postura não vem somente de líderes religiosos pentecostais. A igreja católica publicou nota condenando a legalização. Segundo texto da Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), “a ideia de legalizar cassinos para aquecer a economia segue a linha de raciocínio de que “os fins justificam os meios.

     

    Liberação de cassinos: o que diz o projeto

    Existe um projeto do deputado Ciro Nogueira, apresentado em 2016 que propõe legalizar os jogos de azar proibidos em 1946. Dentre eles o bingo, o jogo de carteado, o pôquer e o blackjack, além de qualquer modalidade de jogo eletrônico. As práticas seriam permitidas em espaços físicos e online, desde que as empresas do setor tenham sede no Brasil.

Veja a liberação de cassinos hoje

Depois disso, no entanto, foi apensada à PL uma proposta do deputado Paulo Azi. Essa proposta autoriza a exploração de jogos somente em cassinos localizados em resorts. Essa proposta limita o número de licenças para cada cidade, conforme a quantidade de habitantes do município. Esssa proposta foi levada por Flávio Bolsonaro nessa recente viagem para Las Vegas. E, após a qual, assegura ter achado argumentos suficientes para convencer a bancada evangélica.

Segundo GMB:

“A comitiva brasileira liderada pelo senador Flávio Bolsonaro foi recebida no primeiro dia em Las Vegas por Rob Goldstein, CEO do Grupo LVS, do magnata Sheldon Adelson. “O Brasil é o interesse número 1 do Las Vegas Sands para investir US$ 15 bilhões ainda em 2020, basta que regulemos o assunto para que tenham transparência e segurança jurídica”, tinha dito o filho do presidente.”

Conclusão

Certamente, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, pastor licenciado da Igreja Universal, defende o estabelecimento de um cassino no Porto do Rio de Janeiro. Sheldon já manteve reuniões com Crivella por conta de um cassino na capital carioca, para a prática de jogos por turistas. E, é claro, a consequente arrecadação para o município. Ele defende que somente turistas possam frequentar o ambiente, liberando para brasileiros, apenas após regulamentação e análise dos impactos.

Outra informação a considerar é que já existem grandes empresários do ramo. Inclusive, magnatas de cassinos de Las Vegas como Sheldon, sondando o resultado do projeto para investir no país. Os investimentos vão para 15 bilhões em cassinos, caso seja legalizado. Independentemente do que venha a acontecer, essa perspectiva é algo precária, embora o resultado, por outro lado, somente será conhecido no futuro.

Por enquanto, resta acompanhar o desenvolvimento dos debates. E que, caso ocorra a concretização das regulações, exista a possibilidade de corrigi-la para nao prejudicar irreversivelmente ao mercado. Pois, já foi comparada com o modelo lusitano por conta do presidente da  ABAESP. E, ao mesmo tempo, avisado pelo empresário português, e CEO da Estoril Sol Digital, Rui Magalhães.

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A ficha-suja de Ronaldinho

Euclides Acevedo, ministro do Interior do Paraguai, explicou que o Departamento de Identificações percebeu que os passaportes não apareciam no sistema. Imediatamente, o Departamento de Migrações do Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Luque, região metropolitana de Assunção foi informado, mas os brasileiros passaram pelos controles.

Em janeiro de 2019, Ronaldinho e seu irmão Roberto tiveram os seus passaportes apreendidos após decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul que condenou, em fevereiro de 2015, os irmãos a pagarem uma indenização por causarem danos numa área de preservação ambiental na orla do rio Guaíba, em Porto Alegre. Em outubro de 2019, a multa de 8,5 milhões de reais foi renegociada a 6 milhões e Ronaldinho pôde recuperar o seu passaporte.

Em fevereiro passado, o ex-craque tornou-se réu numa ação civil coletiva por danos morais e materiais devido à sua ligação com a empresa 18kRonaldinho que bloqueou o dinheiro de clientes que investiram nas suas campanhas. A ação é movida pelo Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec) que identificou 150 pessoas lesadas dentro e fora do Brasil.

Apesar dos escândalos, o governo Bolsonaro, através da Agência Brasileira de Turismo (Embratur) nomeou o ex-jogador como embaixador do turismo brasileiro.

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