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O CORRESPONDENTE

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

Por que o brasileiro continua um analfabeto político? Como conviver com a ameaça de uma intervenção militar? Este Correspondente tenta buscar respostas na leitura dos jornais

O CORRESPONDENTE

30
Mar19

Relator da ONU pede para Bolsonaro “reconsiderar” celebração do golpe

Talis Andrade

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A ONU Direitos Humanos divulgou um comunicado nesta sexta-feira (29) no qual pede para que o presidente Jair Bolsonaro “reconsidere” os planos de comemoração do aniversário do golpe militar no Brasil, ocorrido em 31 de março de 1964. Em entrevista à RFI, o relator especial sobre a promoção da verdade, justiça, reparação e garantias de não-repetição, Fabián Salvioli, que assinou o comunicado, disse que os comentários do líder brasileiro a respeito da ditadura são “de uma gravidade inaceitável”.

Nesta semana, Bolsonaro solicitou que o Ministério da Defesa promovesse neste fim de semana “as comemorações devidas” dos 55 anos do golpe, que resultou em uma ditadura de 1964 a 1985. Depois, Bolsonaro recuou e falou em “rememorar” a data, mas até o momento não fez qualquer menção de condenação aos anos de chumbo em vigor no país, durante os quais os partidos políticos foram extintos e as eleições diretas, suspensas.

“Mais de 8.000 indígenas e pelo menos 434 suspeitos de serem dissidentes políticos foram mortos ou desapareceram forçadamente. Estima-se também que dezenas de milhares de pessoas foram arbitrariamente detidas e/ou torturadas”, afirma o texto divulgado nesta tarde. “No entanto, uma lei de anistia promulgada pela ditadura militar impediu a responsabilização pelos abusos”, lembra o comunicado.Além da publicação do documento, a missão diplomática do Brasil nas Nações Unidas foi contatada pelo órgão, ligado ao Alto Comissariado dos Direitos Humanos, com sede em Genebra. À RFI, Fabián Salvioli se disse “muito surpreso” e “preocupado” com as declarações de Bolsonaro sobre o assunto, e ressaltou que, enquanto chefe de Estado, ele tem “obrigações”.

 

Lúcia Müzell entrevista Fabián Salvioli

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Fabián Salvioli é relator especial sobre a promoção da verdade, justiça, reparação e garantias de não-repetição, ligado ao Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU.ONU/Rick Bajornas/ divulgação
 
 

RFI Brasil: Qual foi a sua reação ao tomar conhecimento das declarações de Bolsonaro?

Fabián Salvioli: Fiquei sabendo das declarações e fiquei muito surpreso com elas, vindas de um presidente de um país democrático. Celebrar um golpe de Estado é um pouco incompreensível, em primeiro lugar, mas é mais grave se consideramos que este golpe de Estado instalou um regime que perpetrou graves e massivas violações dos direitos humanos, constatadas pelo próprio Estado brasileiro.

O relatório da Comissão da Verdade é muito claro em relação a isso, assim como as sentenças da Corte Interamericana dos Direitos Humanos. É muito preocupante que o presidente Bolsonaro possa celebrar ou abrir a porta para uma celebração de um golpe de Estado responsável por torturas, desaparecimentos forçados e execuções extrajudiciais.

 

Bolsonaro nunca escondeu ser a favor do regime militar, mas agora ele é presidente do país. Isso muda tudo?

Sim, o papel de chefe de Estado engendra obrigações. Cada um e cada uma podem ter as suas opiniões pessoais sobre o golpe de Estado e sua posição política. Isso é uma questão. Mas enquanto presidente da República, é de uma gravidade inaceitável, porque tratam-se de declarações oficiais do Estado que permitem o cometimento de fatos gravíssimos. Na realidade, seria obrigação dos estados fazer investigações, identificar responsáveis e reparar as vítimas integralmente. São obrigações que ainda não foram cumpridas pelo Estado.

 

Bolsonaro e vários de seus aliados defendem até uma revisão dos livros de história sobre o período, com o argumento de que os historiadores escreveram a ditadura sob uma perspectiva de esquerda. Essa tentativa de reescrever a história da ditadura aconteceu em outros países latino-americanos?

Sim, sempre houve opiniões no sentido de gerar um recuo na história. Mas essas opiniões não têm nenhum apoio que possamos considerar sério. Há relatórios da Comissão Interamericana dos Direitos Humanos, há relatórios das Nações Unidas sobre a situação dos direitos humanos no Brasil e da situação na época [da ditadura], há também as sentenças da Corte Interamericana dos Direitos Humanos, além do relatório da Comissão da Verdade do Brasil. O que mais precisa? Isso não é um problema de direita ou de esquerda. É tortura, desaparecimentos e execuções extrajudiciais, e isso é inaceitável.

 

Tendo em vista os engajamentos do Brasil junto à ONU, inclusive no Alto Comissariado de Direitos Humanos, a atitude de Bolsonaro pode ter implicações?

Sim, é um Estado que ratificou instrumentos de proteção dos direitos humanos e deve não apenas transmitir relatórios periódicos ao Conselho de Direitos Humanos da ONU como aos órgãos que promovem a verdade, a exemplo dos comitês de direitos humanos e contra a tortura. Imagino que esses comitês vão observar com preocupação a esse tipo de declaração e serão objeto de debates públicos durante a próxima apresentação do Brasil diante desses dois órgãos.

Já enviei uma carta de alegações à missão diplomática do Estado brasileiro e um comunicado foi publicado ainda nesta sexta-feira. O comunicado lembra as conclusões da Comissão Nacional da Verdade do Brasil. Por exemplo, que mais de 8.000 indígenas sofreram violações dos direitos humanos, quase 450 dissidentes políticos foram executados ou desapareceram. Fazer apologia a esse tipo de coisa é algo insustentável.

.

Essa postura de Bolsonaro gera consequências junto à comunidade internacional? Pode isolar o país, já que o respeito aos direitos humanos e a não apologia a atrocidades como mortes e desaparecimentos políticos costumam ser condições para um país ser respeitado enquanto interlocutor, nas questões internacionais?

Sim, absolutamente. O Brasil sempre se comprometeu em compromissos internacionais nesse sentido. A diplomacia do Brasil sempre foi muito séria. Mas vemos um recuo, um recuo evidente e com consequências muito graves.

Espero que o presidente da República vá refletir e vá proibir todo o tipo de celebração de um golpe de Estado, enquanto presidente democrático. Mas também espero que ele condene os crimes cometidos pelo Estado, porque ele tem responsabilidades que não podem ser delegadas.

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28
Mar19

Bolsonaro pode cair se festejar a ditadura

Talis Andrade
 
Por Eduardo Guimarães

Uma juíza federal de Brasília deu prazo de cinco dias para Bolsonaro explicar determinação que deu aos militares para que comemorem o golpe de 31 de março de 1964 no próximo domingo. Se isso acontecer, se for gasto dinheiro público nesse festim diabólico, o presidente da República terá cometido crime de responsabilidade e poderá sofrer impeachment.





Em um de seus surtos de irresponsabilidade, Bolsonaro determinou aos chefes militares de todo país que os quarteis comemorem o golpe militar de 1964 no próximo domingo, aniversário da ruptura democrática no país.

Com a burrice que lhe é característica, Bolsonaro não percebeu a gravidade de seu ato nem o que causaria e colocou os descerebrados que servem ao seu governo para fazerem coro com seu desatino.

As consequências não tardaram. Imediatamente, órgãos ligados à defesa dos direitos do cidadão tomaram medidas para barrar esse desatino na Justiça. Na terça-feira (26), a Defensoria Pública da União anunciou que ajuizaria ação civil pública para impedir que o 31 de Março, data de início do movimento golpista, fosse comemorado nas unidades militares.



Em outra frente, Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), do Ministério Público Federal, divulgou nota afirmando que “a utilização da estrutura pública para defender e celebrar crimes constitucionais e internacionais atentaria contra a administração pública e poderia caracterizar ato de improbidade administrativa.

Diante da gravidade dos fatos, o Ministério Público Federal “recomendou” aos “comandos militares” que “não comemorem” o golpe de 1964




Além disso, uma ação popular foi aberta contra Bolsonaro por apologia aos crimes da ditadura, entre os quais figuram assassinatos, torturas e estupros envolvendo até crianças, religiosos, idosos…




Mas a consequência mais grave do ato de Bolsonaro será para ele mesmo.

Segundo a Defensoria Pública da União, “a postura do Presidente da República viola sua atribuição como Chefe de Governo – uma vez que atenta contra a moralidade administrativa – mas, também, viola sua atribuição como Chefe de Estado, já que o Brasil se comprometeu com o sistema regional interamericano de respeitar a prevalência dos direitos humanos”.

O uso de dinheiro público para comemorar um golpe que impediu os brasileiros de escolherem seus governantes durante 21 anos e que cometeu incontáveis crimes contra a vida e contra o patrimônio público será um claríssimo CRIME DE RESPONSABILIDADE do presidente da República, segundo constitucionalistas consultados pelo Blog da Cidadania.

Será que Bolsonaro vai pagar para ver sobretudo em um momento em que o Legislativo está abrindo uma guerra contra ele? No próximo domingo vamos saber. 

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24
Mar19

Como cristãos na sociedade e na política

Talis Andrade

Mensagem para a Campanha da fraternidade de 2019

no Brasil

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Por ocasião do início da Campanha da Fraternidade de 2019, que este ano tem como tema «Fraternidade e políticas públicas» e como lema «Serás libertado pelo direito e pela justiça» (Isaías 1, 27) o Papa enviou aos fiéis brasileiros a mensagem que apresentamos a seguir.

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

Com o início da Quaresma, somos convidados a preparar-nos, através das práticas penitenciais do jejum, da esmola e da oração, para a celebração da vitória do Senhor Jesus sobre o pecado e a morte. Para inspirar, iluminar e integrar tais práticas como componentes de um caminho pessoal e comunitário em direção à Páscoa de Cristo, a Campanha da Fraternidade propõe aos cristãos brasileiros o horizonte das “políticas públicas”.

Muito embora aquilo que se entende por política pública seja primordialmente uma responsabilidade do Estado cuja finalidade é garantir o bem comum dos cidadãos, todas as pessoas e instituições devem se sentir protagonistas das iniciativas e ações que promovam «o conjunto das condições de vida social que permitem aos indivíduos, famílias e associações alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição» (Gaudium et spes, 74).

Cientes disso, os cristãos - inspirados pelo lema desta Campanha da Fraternidade «Serás libertado pelo direito e pela justiça» (Is 1, 27) e seguindo o exemplo do divino Mestre que “não veio para ser servido, mas para servir” (Mt 20, 28) — devem buscar uma participação mais ativa na sociedade como forma concreta de amor ao próximo, que permita a construção de uma cultura fraterna baseada no direito e na justiça. De fato, como lembra o Documento de Aparecida, «são os leigos de nosso continente, conscientes de sua chamada à santidade em virtude de sua vocação batismal, os que têm de atuar à maneira de um fermento na massa para construir uma cidade temporal que esteja de acordo com o projeto de Deus» (n. 505).

De modo especial, àqueles que se dedicam formalmente à política — à que os Pontífices, a partir de Pio XII, se referiram como uma «nobre forma de caridade» (cf. Papa Francisco, Mensagem ao Congresso organizado pela cal-celam, 1/xii/2017) — requer-se que vivam «com paixão o seu serviço aos povos, vibrando com as fibras íntimas do seu etos e da sua cultura, solidários com os seus sofrimentos e esperanças; políticos que anteponham o bem comum aos seus interesses privados, que não se deixando intimidar pelos grandes poderes financeiros e mediáticos, sendo competentes e pacientes face a problemas complexos, sendo abertos a ouvir e a aprender no diálogo democrático, conjugando a busca da justiça com a misericórdia e a reconciliação» (ibid.).

Refletindo e rezando pelas políticas públicas com a graça do Espírito Santo, faço votos, queridos irmãos e irmãs, que o caminho quaresmal deste ano, à luz das propostas da Campanha da Fraternidade, ajude todos os cristãos a terem os olhos e o coração abertos para que possam ver nos irmãos mais necessitados a “carne de Cristo” que espera «ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nós» (Bula Misericordiae vultus, 15). Assim a força renovadora e transformadora da Ressurreição poderá alcançar a todos fazendo do Brasil uma nação mais fraterna e justa. E para lhes confirmar nesses propósitos, confiados na intercessão de Nossa Senhora Aparecida, de coração envio a todos e cada um a Bênção Apostólica, pedindo que nunca deixem de rezar por mim.

Vaticano, 11 de fevereiro de 2019.

Franciscus PP

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28
Fev19

DEMOCRACIA E SUA CONTEMPLAÇÃO NO RETRATO DE DORIAN GRAY

Talis Andrade

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por Sérgio Ricardo Fernandes de Aquino

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O que acontecesse se a Democracia[1] olhasse em seu retrato como fez Oscar Wilde na obra “O Retrato de Dorian Gray”[2]? A Democracia, hoje, reitera o seus princípios e suas bases nas quais foi criada no período helênico e moderno ou conseguiu subverter a suas principais características e se torna tão somente governo de poucos, ou seja, passa do governo de todos outros modelos como plutocracia? Os atuais valores considerados instrumentais se tornaram fundamentais e essa é a imagem que nossa Democracia tem de si ao estilo de Dorian Gray.


Quando a Democracia não consegue reforçar as questões de integração entre as pessoas, de reconhecimento das diferenças, de se transfigurar graças aos novos estilos de se pensar, de se agir e de se conviver, parece - especialmente no século XXI – que se optou pelas posturas egoístas e o projeto Sociedade é apenas uma fachada a fim de afirmar: é (im)possível a vida fundada no estar-com.


Na medida em que o tempo passa e a Democracia evita o seu olhar para aquela pintura na qual se imortalizou, essa deixa de ver o que é, ou seja, deixa de enxerga tudo o que o desmedido uso de sua liberdade permitiu: ódio, miséria, entorpecimento do corpo: a pura manifestação da decadência. Nada menos glorioso que uma Democracia nada virtuosa e incapaz de suscitar a prática de hábitos que corroborem o desvelo de nossa humanidade e de sua intransigente defesa, desde o “cidadão de bem” ao mais pérfido canalha.


Por todos esses motivos, o resgate de uma Democracia mais direta e participativa deve se amoldar a uma questão de responsabilidade cidadã. Talvez, nesse ponto, esteja a nossa soproshyné[3] coletiva. Ao contrário do que ocorreu com a elite intelectual europeia do século XIX, quando se retirou a responsabilidade do cidadão por esse ser inepto a tomar suas próprias decisões, devemos recobrar todas as responsabilidades e trabalhar em conjunto ao modelo representativo. Viver, com mais intensidade, as sensações do momento presente e suas demandas históricas ao aperfeiçoamento desse estar-junto-com-o-Outro-no-mundo. Eis uma possível “iluminação” que surge na Pós-Modernidade e seu projeto de Ética[4].


Nós, cidadãos, não podemos abdicar da nossa cota de responsabilidade para construção de espaços comuns de maior debate, de maior proximidade, de tomadas de decisões coletivas que se apresentam no nosso cotidiano. Talvez seja necessário elaborar um modelo híbrido - como já se observou, por exemplo, em várias situações da nossa cultura[5] - para se manter a comunicação entre os que detém o poder formal – conquistados pela via do voto -, mas, também, de unir essas obrigações com as dos cidadãos para a fim de se representar interesses exclusivamente republicanos.
Nesse caso, requer-se, ainda, um conceito mais amplo de Cidadania, bem como de outros instrumentos que sejam colocados à disposição das pessoas para exercer esse direito, pois, caso contrário, o que se enxerga são os absurdos – semânticos e governamentais - que se identifica tanto no atual governo como nas palavras e atitudes das pessoas que elegeram o Poder Legislativo e Executivo.


A população brasileira não conseguiu enxergar que as respostas fáceis, imediatas, não existem, nem, tampouco, as transformações abruptas desejadas quando estão em perigo valores fundamentais como liberdade, Igualdade Fraternidade, Justiça, Ética, Solidariedade entre outros. Esses são os principais aspectos de uma Democracia entendida tanto no período helênico quanto no período moderno e são essas condições que nós não respeitamos atualmente.


Nessa linha de pensamento a simples regra quantitativa da Democracia não significa que essa esteja acompanhada da sua condição qualitativa, ou seja, não é porque a maioria decidiu de uma forma que esse fato signifique a melhor resposta para a consolidação de uma sociedade pacífica que venha incluir, que venha respeitar as pessoas em todas as suas diferenças.


Na ausência desses pressupostos, e lembrando Darcy Ribeiro[6], a Democracia – representada por todos nós - parece o retrato de Dorian Gray na sua forma de caída, algo semelhante a nossa classe média[7] ranzinza, medíocre, azeda que tem como único exclusivo interesse alcançar os padrões de riqueza material daqueles 1% (um por centro) da população mundial detém.


Se formos pensar e conviver sob os fundamentos da Democracia, precisamos olhar outros horizontes, precisamos continuar a se reconhecer em cada pessoa, em cada humanidade escondida no Outro, pois, caso contrário, a Democracia verá apenas a imagem de sua própria decadência na exata expressão de Jacqués Ranciére[8]: a Democracia se enxerga apenas como puro ódio do Outro contra o Outro.

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Notas e Referências

[1] Entende-se Democracia como “[...] um conjunto de regras (primárias ou fundamentais) que estabelecem quem está autorizado a tomar as decisões coletivas e com quais procedimentos [...]”. BOBBIO, Norberto. O futuro da democracia. 9. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2000, p. 30/31.

[2] WILDE, Oscar. The collected works. London: Wordsworth, 2007.

[3] Vernant destaca que o caráter mediador da sophrosyne “[...] dá à areté grega um aspecto mais ou menos ‘burguês’: é a classe média que poderá desempenhar na cidade o papel moderador, estabelecendo um equilíbrio entre os extremos dos dois bordos: a minoria dos ricos que querem tudo conservar, a multidão das pessoas pobres que querem tudo obter”. VERNANT, Jean-Pierre. A origem do pensamento grego. 17. ed. Rio de Janeiro: Difel, 2008, p. 89/90.

[4] “O ‘nós’ que está por um ‘partido moral’ não é, portanto, plural do ‘eu’, mas um termo que conota uma estrutura complexa que liga juntas unidades de posição nitidamente desiguais. Num relacionamento moral, eu e o Outro não são intercambiáveis e assim não se podem ‘acrescentar’ para formal um plural ‘nós’. Num relacionamento moral todos os ‘deveres’ e ‘regras’ que se possam conceber são dirigidos só a mim, obriga só a mim, constitui-me a mim e só a mim como um ‘eu’. Quando dirigida a mim, a responsabilidade é moral. Ela pode perder seu conteúdo moral completamente no momento que eu tento virá-la para obrigar o Outro”. BAUMAN, Zygmunt. Ética Pós-Moderna. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2003, p. 61/62.

[5] “[...] entendo por hibridação processos socioculturais nos quais estruturas ou práticas discretas, que existiam de forma separada, se combinam para gerar novas estruturas, objetos e práticas. [...]. A construção lingüística [...] e a social [...] do conceito de hibridação serviu para sair dos discursos biológicos e essencialistas da identidade, da autenticidade e da pureza cultural. Contribuem, de outro lado, para identificar e explicar múltiplas alianças fecundas: por exemplo, o imaginário pré-colombiano com o novo-hispano dos colonizadores e depois com as indústrias culturais [...], a estética popular com a dos turistas [...], as culturas étnicas nacionais com as metrópoles [...] e com as instituições globais [...]. os poucos fragmentos escritos de uma história das hibridações puseram em evidência a produtividade e o poder inovador de muitas misturas interculturais”. CANCLINI, Néstor García. Culturas híbridas: estratégias para entrar e sair da modernidade. Tradução de Ana Regina Lessa e Heloísa Pezza Cintrão. 4. ed. 3. reimp. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2008, p. XIX-XXII.

[6] Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=SX5O-IAyO38. Acesso em: 19 de fev. 2019.

[7] “A classe média real, por sua vez, se vê como “elite”, contribuindo para um autoengano fatal e de consequências terríveis para o destino da sociedade brasileira e da própria massa da classe média”. SOUZA, Jessé. A classe média no espelho: Sua história, seus sonhos e ilusões, sua realidade. [recurso eletrônico Kindle]. Rio de Janeiro: Estação Brasil, 2018, pos.167-170.

[8] “[...] A vida democrática torna-se a vida apolítica do consumidor indiferente de mercadorias, direitos das minorias, indústria cultural e bebês produzidos em laboratório. Ela se identifica pura e simplesmente com a ‘sociedade moderna’, que ela transforma ao mesmo tempo em uma configuração antropológica homogênea”. RANCIÈRE, Jacques. O ódio à democracia. Tradução de Mariana Echalar. São Paulo: Boitempo, 2014, p. 43.

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07
Jan19

Hora da solidariedade a um dos maiores jornalistas do Brasil independente

Talis Andrade

Fernando Brito publica hoje no seu blog, que tem como lema "A política, sem polêmica, é a arma das elites":

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"Explicação aos leitores

Todos notaram que o blog não é atualizado, e a razão é que: seu autor voltou a ser internado para exames, que vão definir a extensão e as características da cirurgia que terá de fazer, provavelmente, no fim de janeiro e início de fevereiro.

É difícil, no ambiente de hospital, conservar – não só a lucidez – mas a agilidade necessária para acompanhar as notícias. Ainda mais quando o governo se especializa em “bater cabeça” e se desmentir, sucessivamente.

Igualmente, é difícil acompanhar digressões filosóficas como a do ministro das relações exteriores – dizendo que o Brasil não deve se aliar com outros países, deve aliar-se a si mesmo. Dá pra escrever um tratado sobre tal sandice.

É claro que se houver possibilidade, necessidade e condições de escrever, eu o farei. É o meu trabalho, minha utilidade social e o meu ganha pão. Mas, é meio de vida, não de morte.

Em princípio, então, fico uma semana fora do ar, desta vez. E sei que conto a compreensão e a solidariedade de todos."

.

Quem faz hoje jornalismo verdadeiro e livre não está empregado nos meios de comunicação de massa, construídos nos tempos de chumbo da ditadura militar de 1964. Nas concessões entregues pelo presidente Sarney, via seu ministro das Comunicações, Antonio Carlos Magalhães, dono da Arena que virou PFL, que virou Dem, partido aliado a Jair Bolsonaro, e que deve eleger Rodrigo Maia, filho de César Maia, e genro de Moreira Franco, presidente da amaciada Câmara dos Deputados, que votou o impeachment de Dilma Rousseff, e fez Michel Temer presidente. Nas concessões de Rádios e Televisões que compraram a reeleição de Fernando Henrique presidente.

Não conheço Fernando Brito, sou apenas um velho jornalista e professor que admira o "Tijolaço", que divulga, com coragem e sonho, a História do Brasil.

O "Tijolaço" é escrito e editado por um único, e admirado, e verdadeiro, e patriota jornalista, amigo do povo.

Se você luta pela Independência, pela Liberdade, pela Democracia, pela Igualdade, pela Fraternidade, vai entender ... clique aqui 

 

 

25
Dez18

Vem de longe a sina de sofrimentos que a elite colonial deste país reserva aos que entregam a vida pelo Brasil e por seu povo

Talis Andrade

"Cartão"de Natal para Lula

 

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por Fernando Brito

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Caro Lula,

Perdoe-me a falta do tratamento de “presidente”, que sempre foi o hábito cultivado por mim nos anos de convívio com Leonel Brizola, durante os quais “governador” era o vocativo natural.

Releve também a intimidade pessoal que não tenho e que uma dúzia de encontros na política é claro que não me dão.

Mas ambas as atitudes são necessárias para o que me ocorreu ser a maneira de celebrar este que, para quase nós, é o Dia da Confraternização Universal, enquanto o dia 1° deveria ser o Dia da Esperança Geral. O que, no primeiro dia do 2019 que vai começar parece ser não só uma impropriedade, mas também uma amarga ironia.

Deixemos, porém, as agruras futuras para o futuro e falemos das presentes, sem deixar nunca de lado o tantas vezes citado aqui “não tá morto quem luta e quem peleia” dos gaúchos.

Creio que posso ousar a intimidade por conviver – aí, sim, de longa data e de vários milhares de dias – com alguém que também viveu a mistura entre o ser humano e o personagem, este sempre mais forte e, afinal, dominante.

Vem de longe a sina de sofrimentos que a elite colonial deste país reserva aos que entregam a vida pelo Brasil e por seu povo. Já Cecília Meirelles, no Romanceiro da Inconfidência, de Tiradentes falou: “Foi trabalhar para todos…/– e vede o que lhe acontece!/Daqueles a quem servia,/já nenhum mais o conhece./Quando a desgraça é profunda,que amigo se compadece? “

A você, Lula, coube de novo o martírio que a estes homens se impõe. Ora por forca, ora por tiro, ora por exílio, ora por tortura ou prisão é o presente maldito que dão a quem se atreve a pensar em termos independência, termos direitos, termos reformas, termos escolas, termos, numa palavra, um país.

O preço que pagam, ainda que nos seus luxos e homenagens, é o do medo. Como disse um amigo, “tremem de medo desse senhor de 73 anos, armado com a ira dos justos e dono da palavra mágica”.

Tanto medo que não hesitaram em entregar o país a um homem tosco, um desqualificado, deixando à beira da estrada os punhos de renda de que se valeram eleitoralmente nas três últimas décadas.

Por isso, Lula, escrevo este cartão, para dizer que não há nada de infeliz no seu Natal, pois lhe tiraram a liberdade, o convívio com as pessoas queridas e até mesmo o direito de falar.

Cinicamente ofereceram apenas o direito a ir para casa, de tornozeleira, desde que se reconhecesse culpado de crimes que, está visto, não é culpado.

E estão furiosos porque não viram você ceder e porque não puderam tirar de você o bem mais precioso de um ser humano, depois da vida: os sentimentos de honra e de dignidade.

O Lula, acima e além de tudo o que se pode pedir de um ser humano, é maior que o mortal Luís Inácio da Silva, que saiu do seu modesto Caetés, retirante, para entrar na História.

Por isso, no brinde que farei e que tantos farão esta noite, milhões temos um pedido que lhe pode até ser cruel para com o Luís, mas é necessário: viva, Lula!

Pois até que o tempo faça brotar um grande líder nos milhões de Lula que você semeou, você é indispensável.

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28
Out18

Vote contra o camaleão

Talis Andrade

Os meus eleitores preferidos vão votar na Liberdade, na Fraternidade, na Democracia, na Paz.

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Vão votar contra o fascismo, o nazismo, o integralismo, o racismo, o preconceito, o elitismo, o autoritarismo, o fanatismo, o ódio, a violência, o entreguismo, a vassalagem do camaleão, para que o Brasil volte a ser uma Nação do Primeiro Mundo,  não um republiqueta de bananas, um país do Terceiro Mundo, dependente do Império, do FMI, com intervenção militar como acontece em alguns países das Américas do Sul e Central e África. 

 

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28
Out18

Lulaços de amor pelo Brasil veja os vídeos

Talis Andrade

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Manifestações com música e emoção espalham-se pelo Brasil. Confira aqui os últimos Lulaços pela democracia e por #LulaLivre

Desde que o trompete Lula-lá  invadiu o Jornal Nacional, tornou-se mania em atos espalhados pelo Brasil. Selecionamos alguns para você conferir o entusiasmo do povo em torno do melhor presidente que esse país já teve. Solta o play:

Começou em BH

Encorajou em Curitiba

Bombou em Salvador

Emocionou em Porto Alegre

 

Veja aqui os vídeos de mais cidades

 

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27
Out18

CNBB: “Não podemos nos calar quando a vida é ameaçada, os direitos desrespeitados, a justiça corrompida e a violência instaurada”

Talis Andrade

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O Conselho Episcopal Pastoral (Consep) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), divulgou uma nota nesta quarta-feira (24) pedindo que a democracia e valores, como justiça e paz social, sejam preservados. Citando o clima de violência, o órgão fez um apelo ao bom senso, contra a violência, o ódio e a intolerância.

 

“Exortamos a que se deponham armas de ódio e de vingança que têm gerado um clima de violência, estimulado por notícias falsas, discursos e posturas radicais, que colocam em risco as bases democráticas da sociedade brasileira”, diz a nota da CNBB.


Para a os bispos, é fundamental que cada um se policie para evitar o acirramento de ânimos.


Toda atitude que incita à divisão, à discriminação, à intolerância e à violência, deve ser superada. Revistamo-nos, portanto, do amor e da reconciliação, e trilhemos o caminho da paz


Os bispos se reuniram esta semana na sede da CNBB, em Brasília. No encontro, reiteraram a disposição do diálogo e de colaboração: “A CNBB reafirma seu compromisso, sobretudo através do diálogo, de colaborar na busca do bem comum com as instituições sociais e aqueles que, respaldados pelo voto popular, forem eleitos para governar o país.”

 

No comunicado, os bispos ressaltam a importância das eleições. “Eleições são ocasião de exercício da democracia que requer dos candidatos propostas e projetos que apontem para a construção de uma sociedade em que reinem a justiça e a paz social.”

 

Os bispos destacam ainda que cabe ao eleitor decidir em quem votar e aos líderes religiosos seguir o que prega o Evangelho. “Cabe à população julgar, na liberdade de sua consciência, o projeto que melhor responda aos princípios do bem comum, da dignidade da pessoa humana, do combate à sonegação e à corrupção, do respeito às instituições do Estado democrático de direito e da observância da Constituição Federal”, diz a nota.

 

O comunicado acrescenta ainda que não é possível se calar diante de injustiça: “Não podemos nos calar quando a vida é ameaçada, os direitos desrespeitados, a justiça corrompida e a violência instaurada”.

 

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