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O CORRESPONDENTE

Os melhores textos dos jornalistas livres do Brasil

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O CORRESPONDENTE

30
Jul22

Depoimento: 'Meu pai traduziu a ditadura em consciência política, não em rancor'

Talis Andrade

 

Foto da família Uchoa, em 1979 (Arquivo familiar)

Repórter conta que pais transformaram experiência traumática em conscientização dos filhos

 

  • por Pablo Uchoa /BBC Brasil em Washington

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O regime militar deixou marcas profundas no corpo e na alma de muitos brasileiros. Com a proximidade do aniversário de 50 anos do golpe, em primeiro de abril, muitas vítimas dos anos de chumbo iniciam um período de reflexão, em que dolorosas lembranças voltam à tona.

Durante a próxima semana, a BBC Brasil publicará uma série de reportagens sobre o tema, abordando diversos aspectos do período militar no Brasil e destacando personagens que, com suas histórias, trazem à vida os fantasmas dos 21 anos entre a queda de João Goulart e a Nova República.

O pai de Pablo Uchôa, correspondente da BBC Brasil em Washington, foi uma das vítimas. Militante trotskista, ele cumpriu pena de prisão em Pernambuco nos anos 70, depois de ter passado três meses em uma prisão “dantesca” do Dops em Recife.

No depoimento abaixo, Uchôa narra a trajetória de seu pai e relembra a forma como ele encarou as dificuldades do período, transformando o legado da ditadura “não em rancor, mas em consciência política para os seus filhos”.

Na minha meninice, nunca achei que meu pai, Inocêncio, fosse super-herói. Mas eu sabia que ele era um homem forte.

Diziam que, nos anos de chumbo, tinha apanhado tanto que, certa vez, os algozes do regime militar lhe haviam quebrado um cacetete no peito.

E, no entanto, como em um filme de Roberto Benigni, crescemos, meu irmão e eu, relativamente protegidos dos detalhes mais cruéis da perseguição política que tocou nossa família.

Tive o privilégio de nascer em uma família politizada e militante de classe média de Fortaleza. Aprendi, talvez mais precocemente que outras crianças, o significado da palavra anistia.

Conhecia, por depoimentos alheios, o terror a que foram submetidos os prisioneiros políticos durante o regime militar que se instalou no Brasil 50 anos atrás.

Mas não foi senão recentemente que meu pai me contou sobre sua própria experiência nas celas insalubres e infestadas de ratos e baratas no Dops do Recife, onde ficou detido por três meses antes de cumprir sentença na Casa de Detenção daquela cidade.

Retrato 'dantesco'

Apelidado de "buque", o "submundo do órgão", ele descreve, era o retrato "dantesco" de uma prisão medieval, com suas grades que garantiam nenhuma privacidade aos detentos. Estes dormiam seminus no chão, esfomeados, com frio e embrulhados em folhas de jornais velhos.

Até então eu ignorava que meu pai havia passado noites algemado às grades, isolado, forçado a se manter acordado após um bate-boca com um oficial na Companhia de Guardas, onde permanecera por outros dois meses.

A street in Rio de Janeiro guarded by tanks a few hours after the escape to Uruguay of President Joao Goulart, ousted by a military coup in 1964

 Inocêncio Uchoa chegou a passar por uma simulação de execução quando estava preso
 

 

E que certa vez, alta madrugada, fora arrancado com alguns companheiros de sua cela e levado em um caminhão do regime militar até uma praia deserta.

A resignação de haver chegado ao fim de tudo quando os militares se alinharam em fila, empunharam seus rifles – preparar, apontar... e suspenderam a encenada execução, tortura psicológica das mais duradouras.

O termo "psicológico", aqui, usado por meu pai como um poderoso eufemismo para o terror imposto aos presos políticos dos anos de chumbo.

É que, no curioso ordenamento dos ex-detidos, respeita-se a memória dos que foram submetidos à dor mais excruciante da pior tortura física – o infame pau-de-arara, os choques elétricos na ponta dos dedos, testículos e ânus, os estupros – e não saíram vivos.

Detenção

Inocencio Uchoa in detention in Brazil in 1970/71

A foto em preto-e-branco que recebo de minha mãe, Angela, mostra um jovem de bigode farto e óculos de aros grossos, aparente normalidade só desmentida pelas grades de ferro ao fundo.

Foi tirada entre em 1970 ou 1971, quando meu pai ficou preso na Casa de Detenção do Recife, depois de passar sete meses nos porões do regime.

"A detenção foi um alívio. Porque, quando você chega na Casa de Detenção, a sua prisão fica legalizada", resumiu um de seus colegas de prisão, Mário Miranda, em um documentário apoiado pela Comissão da Anistia sobre 23 ex-presos políticos da detenção, A Mesa Vermelha (2013, direção Tuca Siqueira).

"Isso não é pouca coisa numa ditadura".

O tratamento ali tampouco era "dos melhores", diz meu pai, e com frequência os presos eram levados a fazer greves de fome em protesto contra os castigos, a degradação da revista a que os familiares eram submetidos – em especial as mulheres –, e por direitos básicos.

O filho do município de Aracati, irmão de 13, cuja propensão para os estudos o levara ao colégio marista (melhor possibilidade de educação para a época), já contava então com quatro processos penal-militares em Fortaleza, Recife e São Paulo.Inocencio Uchoa and his wife Angela

Uchoa family with newborn Marcelo in 1974

Repórter diz que seus pais não se deixaram tomar pelo rancor, mesmo diante de horrores da ditadura

 

Meu pai presidia o Centro Acadêmico da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC) quando o regime militar estourou o Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) na cidade de Ibiúna, São Paulo, em 1968.

Dos cerca de 70 indiciados, dez eram do Ceará, meu pai, um deles. O incidente lhe rendeu o trancamento compulsório da matrícula pelos três anos seguintes.

Mas, àquela altura, quem havia entrado na Universidade como estudante havia se comprometido, no decorrer dos anos, com "fazer a revolução", conta meu pai.

O regime militar pós-AI-5 (anunciado em dezembro de 1968) apertava o cerco contra os dissidentes. Para escapar, ele foi enviado a Pernambuco em 1969 como militante da Fração Bolchevique-Trotskista, atuando entre os camponeses nas lavouras de açúcar da Zona da Mata.

De certa forma, foi uma sorte que seu "aparelho", como reportaram os jornais da época, tenha sido desbaratado rapidamente, em operações no Recife e em Fortaleza.

Não era segredo de ninguém a metodologia que os torturadores aplicavam aos "subversivos" para arrancar informações sobre o paradeiro de seus companheiros foragidos.

Clandestinidade

Meu pai deixou a prisão em abril de 1971. Casou-se com minha mãe (meu avô materno conseguiu que a união não saísse publicada nos boletins oficiais) e, dois meses depois, se mudou para o Rio de Janeiro, onde ela dava prosseguimento aos seus estudos de medicina.

Em setembro de 1971, a Justiça elevou sua sentença, lançando novamente sobre meus pais o manto da clandestinidade. As fotos de família da época são escassas.

De favores, meu pai conseguiu matricular-se a fim de terminar seus estudos de Direito na faculdade Cândido Mendes, em troca de "entrar mudo e sair calado" da sala de aula.

Sobre a vida na clandestinidade, destaco a descrição do amigo e ex-companheiro de cela de meu pai, José Arlindo Soares.

"A gente vivia completamente isolados", contou ele no mesmo documentário (referia-se a quando, expulso da faculdade, vivia na iminência de ser preso).

"É como se você vivesse na cidade, mas a cidade não vivesse dentro de você. Você não interagia com a cidade."

Meu irmão Marcelo (batizado em homenagem ao antigo nome de guerra do meu pai) e eu nascemos nesse período.

Ele ainda retém memórias de uma infância relativamente normal no Rio de Janeiro: passeatas em que saía gritando "Abaixo a dentadura!" montado sobre os ombros do meu pai; a distribuição de panfletos do MDB (Movimento Democrático Brasileiro) sob as portas na campanha para o governo do Estado em 1978; amigos de família tocando músicas de Chico Buarque e Gilberto Gil ao violão.

Cenas de uma vida bela, alheia aos horrores de um regime que iniciava sua derrocada.

'Passado a limpo'

Considero um sucesso que meus pais tenham traduzido 21 anos de ditadura não em rancor, mas em consciência política para os seus filhos.

(Marcelo, com seu engajamento político precoce, seria entrevistado aos nove anos de idade pelo jornal Diário do Nordeste durante um comício das Diretas Já em Fortaleza: "Interrogado se estava gostando da festa, Marcelo respondeu: 'Claro, eu sou das Diretas, ora'", escreveu o jornal.)

De certa forma, meu irmão continuou a luta de meus pais, advogando por ex-presos políticos, ensinando Direito Internacional e Direitos Humanos na Universidade de Fortaleza e escrevendo sobre memória e verdade.

Ex-coordenador especial de Políticas Públicas de Direitos Humanos no Estado, chegou a ciceronear uma Caravana da Anistia promovida pelo Ministério da Justiça.

Os momentos mais sombrios da história familiar não ficaram esquecidos, mas meu pai diz que tinha razões para manter a discrição.

"Ninguém quer falar (de tortura) num primeiro momento. É uma coisa muito dolorosa. A sociedade precisa de um pouco de silêncio", reflete.

Além disso, ele diz, "nós entramos na lógica de ajudar na organização dos sindicatos, de associações, de lutar pela Constituinte, por eleições diretas, uma sucessão de coisas que não nos permitia ainda falar disso".

Acredito que existissem igualmente razões práticas: uma busca nos arquivos do antigo Serviço Nacional de Informações (SNI) e de outros órgãos do regime militar indicaram que meu pai continuava sendo alvo de interesse pelo menos até 1989, uma década inteira após a Lei da Anistia.

Nessa época, ele estava fortemente envolvido com o estabelecimento de sindicatos e de organizações de esquerda no Ceará.

O advento da Comissão da Verdade, com seu objetivo de "passar a limpo" a história do período, é o mote para que venham à tona os segredos dos indivíduos, bem como das instituições.

É uma história intrinsecamente coletiva e, ao mesmo tempo, profundamente pessoal.

12
Abr22

Promotores e juízes manifestam apoio a padres atacados por bolsonaristas

Talis Andrade

26 - GÁLATAS - EVANGELIZAR PARA A LIBERDADE E MATURIDADE - YouTube19 Versículos da Bíblia sobre Liberdade - DailyVerses.net

A AJD (Associação Juízes para a Democracia) e o Coletivo por um Ministério Público Transformador (Transforma MP) lançaram ontem uma nota em apoio aos padres Lino Allegri, Oliveira Rodrigues e Sales. Todos foram alvos de ataques de simpatizantes do Presidente Jair Bolsonaro, entre os dias 4 e 18 deste mês, enquanto ministravam na Igreja da Paz, Fortaleza (CE). As declarações dos sacerdotes criticando as mais de 500 mil mortes por Covid-19 no país, teriam sido o motivo para que os bolsonaristas agissem de forma hostil contra os padres. 

Na carta, as entidades destacam que os párocos foram "atingidos e/ou agredidos (...) em suas liberdades individuais e no que há de mais sagrado em seus ofícios, que é a liberdade de evangelizar em sintonia com circunstâncias concretas da vida, forma de pregação que assume maior sentido e relevância em regiões marcadas pela pobreza, pela fome e pela falta de oportunidades. Leia abaixo a carta em sua íntegra:

Constituição assegura, como direito fundamental inviolável (art.5º, VI ), “(..)o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”

Nenhuma descrição de foto disponível.Nenhuma descrição de foto disponível.

 

                                                                                                                         

                                                                                                                                  Nota Pública

A ASSOCIAÇÃO JUÍZES PARA A DEMOCRACIA (AJD), fundada em 13 de maio de 1991 e o COLETIVO POR UM MINISTÉRIO PÚBLICO TRANSFORMADOR (TRANSFORMA MP), fundada em 15 de dezembro de 2016, organizações compostas respectivamente por Juízes e Juízas, Membras e Membros de todos os segmentos do Poder Judiciário e do Ministério Público, entidades comprometidas com a defesa de valores próprios do Estado Democrático de Direito, da proteção efetiva dos direitos humanos e da promoção e defesa dos princípios da democracia pluralista, balizados em suas atuações pelos mesmos princípios e fortes no compromisso com o pensamento crítico e humanista, inclusive no diálogo e interlocução do Ministério Público com os movimentos sociais, na defesa da plena garantia de liberdade religiosa, cientes dos inaceitáveis e repetidos episódios ocorridos na Igreja da Paz, em Fortaleza (CE), entre os dias 4 e 18 de julho deste ano, vêm a público, primeiramente, manifestar irrestrita solidariedade aos Padres Lino Allegri, Oliveira Rodrigues e, também, ao Padre Sales, todos atingidos e/ou agredidos recentemente em suas liberdades individuais e no que há de mais sagrado em seus ofícios, que é a liberdade de evangelizar em sintonia com as circunstâncias concretas da vida, forma de pregação que assume maior sentido e relevância em regiões marcadas pela pobreza, pela fome e pela falta de oportunidades.

O Brasil é o nono País mais desigual entre as 195 nações no mundo e vem aumentando a sua faixa de bilionários, que já alcança o número de 238 pessoas donas de uma fortuna de R$1,6 trilhões de reais sendo que, destas, 42 acrescentaram US34 bilhões de dólares às suas riquezas durante a pandemia, ao mesmo tempo em que, na linha oposta, a taxa de desemprego assumiu números cada dia mais alarmantes, antes e durante a maior crise sanitária da humanidade, período em que medidas urgentes e cuidados necessários com a população foram relegados pelo Governo Federal, colocando em risco a saúde e a vida de milhares de brasileiros, muitos já falecidos, sendo expressão da vivência cristã e de outras religiões comprometidas com a dignidade humana olhar para os oprimidos, orar por eles, fugir da alienação para identificar e denunciar as causas e os males da indiferença e da desigualdade, como o Cristo verdadeiro que acolhe e protege os desvalidos e não se acumplicia com os poderosos.
 
Neste sentido, as entidades que subscrevem a presente manifestação REPUDIAM a prática dos atos de constrangimento, ameaças e violência, real ou simbólica dirigidas especialmente aos Padres Lino Allegri e Oliveira Rodrigues, ou a qualquer outro celebrante em sua missão pastoral, por parte daqueles que agem movidos por ódio e intolerância, em ação de caráter político-ideológico que objetiva silenciar sacerdotes para proteger personagem político que reverenciam.
 
Registram as subscritoras, finalmente, que embora sendo laico o Estado, a Constituição assegura, como direito fundamental inviolável (art.5º, VI ), “(..)o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”. É inadmissível que os celebrantes ou fiéis de quaisquer religiões sejam arbitrariamente interpelados ou importunados durante o ofício religioso, em qualquer circunstância. Tal prática pode em tese constituir, dentre outros, os crimes previstos nos artigos 147-A e 208 do Código Penal, consumados por quadrilha organizada se envolver grupo de pessoas, sendo necessário e urgente que os órgãos do sistema de Justiça apurem os acontecimentos com o necessário rigor, adotando as medidas cabíveis, em defesa da democracia e dos direitos fundamentais.
 
Fortaleza, 21 de julho de 2021
 
ASSOCIAÇÃO JUÍZES PARA A DEMOCRACIA (AJD)
 
COLETIVO TRANSFORMA MP
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02
Set21

Assessor de Marcos Rogério é preso pela PF em operação contra tráfico de drogas

Talis Andrade

Parte do patrimônio da organização criminosa ficava em postos de combustíveis — Foto: PF/Divulgação

Parte do patrimônio da organização criminosa ficava em postos de combustíveis 

 

Em uma operação contra o tráfico de drogas, a Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira (1), segundo Juliana Dal Piva, do UOL, o assessor do senador Marcos Rogério (DEM-RO) Marcelo Guimarães Cortez Leite. 

A casa de Leite foi alvo de um mandado de busca e apreensão e a prisão preventiva decretada pelo juiz Luís Antônio Sanada Rocha, da 1ª Vara de Tóxicos e Delitos de Porto Velho, no âmbito da Operação Alcance.

Segundo a PF, o grupo, que transporta drogas entre Rondônia e Fortaleza, no Ceará, movimentou uma tonelada de cocaína e chegou a receber R$ 1,5 milhão em 15 dias. A verba seria lavada em Porto Velho, capital de Rondônia.

 
16
Nov20

Eleitores rejeitam candidatos de Bolsonaro nas capitais

Talis Andrade

genildo intervenção militar .jpg

 

 

Nomes para os quais o presidente fez campanha ou que tiveram aval público dele, como Russomano e Crivella, derrapam nas eleições municipais. Baixa popularidade e falta de partido dificultaram construção de alianças

 

por Bruno Lupion /DW

A maior parte dos candidatos a prefeito de capitais apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro foi derrotada no primeiro turno das eleições municipais, realizadas neste domingo (15/11). Apenas Marcelo Crivella (Republicanos), no Rio, e Capitão Wagner (Pros), em Fortaleza, passaram ao segundo turno, que será realizado daqui a duas semanas, em 29 de novembro.

Os outros nomes que tiveram o aval público do presidente mas estão fora da disputa são Celso Russomanno (Republicanos) em São Paulo, Coronel Menezes (Patriota) em Manaus, Bruno Engler (PRTB) em Belo Horizonte, Marcelo Crivella (Republicanos) no Rio e Delegada Patrícia (Podemos) no Recife.

No final de agosto, Bolsonaro declarou que não iria apoiar candidatos a prefeito no primeiro turno, pois isso atrapalharia o seu trabalho como presidente. "Decidi não participar, no primeiro turno, nas eleições para prefeitos em todo o Brasil. Tenho muito trabalho na Presidência da República e, tal atividade tomaria todo meu tempo em um momento de pandemia e retomada da nossa economia”, afirmou, em mensagem em suas redes sociais.

Nos meses seguintes, porém, o presidente passou a pedir votos para alguns candidatos. No caso de Russomanno, Bolsonaro chegou a se reunir e a gravar imagens ao lado do candidato, no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e liberou alguns de seus auxiliares, como o secretário-executivo do Ministério da Comunicação Fabio Wajngarten, a participar da estratégia da campanha paulistana.

O fracasso do presidente em emplacar a maioria de seus aliados na capitais se deve a uma combinação de fatores, segundo cientistas políticos ouvidos pela DW Brasil. Um deles é o fato de Bolsonaro não estar filiado a uma legenda, portanto sem capacidade de mobilizar estruturas partidárias locais e montar alianças nos municípios.

Outro elemento é a atual taxa de popularidade do presidente, menor do que à registrada pelos ocupantes do Palácio do Planalto que tiveram sucesso em emprestar seu prestígio a candidatos a prefeito e vereador, como Fernando Henrique Cardoso em 1996 e Luiz Inácio Lula da Silva em 2008.

Resultados

Russomanno, que disputou a prefeitura de São Paulo pela terceira vez, terminou em quarto lugar, com 10,5% dos votos válidos. O candidato do Republicanos repetiu o roteiro que já havia percorrido nas últimas duas eleições municipais, em 2012 em 2016: largou em primeiro nas pesquisas de intenção de voto e paulatinamente foi perdendo força.

O seu desempenho ruim na urna é um revés na maior cidade do país também para Bolsonaro, que se empenhou pela vitória de Russomanno. Os dois candidatos que foram ao segundo turno, Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL), são críticos ao presidente.

Na eleição presidencial de 2018, Bolsonaro teve 44,6% dos votos válidos na cidade de São Paulo e venceu em 52 das 58 zonas eleitorais do município. Seu prestígio na capital paulista, porém, está em queda. Segundo pesquisa Datafolha realizada em 9 e 10 de novembro, 50% dos moradores da cidade avaliam o seu governo como ruim ou péssimo, e apenas 23% como ótima ou boa.

No Rio de Janeiro, o atual prefeito Crivella ficou com 21,9% e disputará o segundo turno contra o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), que teve 37%. A cidade é o domicílio eleitoral de Bolsonaro, mas o presidente não foi tão enfático na defesa do bispo — declarou seu voto e liberou o uso de suas imagens pela campanha do candidato do Republicanos, sem se empenhar como fez com Russomanno.

No Recife, Delegada Patrícia, que recebeu o apoio do presidente em 5 de novembro, a dez dias do pleito, ficou em quarto lugar com 14% dos votos válidos. O segundo turno será disputado entre João Campos (PSB), filho do ex-governador Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo em 2014, e Marília Arraes (PT), neta do ex-governador Miguel Arraes, morto em 2005.

O apoio de Bolsonaro a Santiago foi comemorado por ela em suas redes sociais, mas provocou uma crise na sua chapa às vésperas do pleito. O Cidadania, partido de seu candidato a vice, Leo Salazar, protestou contra a adesão dela ao presidente e anunciou o afastamento de sua campanha.

Em Fortaleza, Capitão Wagner foi ao segundo turno, em segundo lugar, com 33,3% dos votos válidos, contra Sarto, do PDT, que teve 35,7% dos votos válidos. Apesar do apoio do presidente, Wagner evitou usar a sua imagem em sua campanha e fez um reposicionamento para tentar ir além do eleitorado bolsonarista. Ele também contava com o recall de ter sido candidato a prefeito em 2016, quando chegou ao segundo turno.

Em Manaus, Coronel Menezes ficou em quinto lugar, com 11,3% dos votos. O segundo turno será disputado por Amazonino Mendes (Podemos), que já foi prefeito da cidade por três vezes, teve 23,9%, e David Almeida (Avante), que teve 22,4%.

Em Belo Horizonte, Bruno Engler obteve 9,9% dos votos válidos e terminou em segundo lugar. A disputa foi vencida em primeiro turno pelo atual prefeito da capital mineira, Alexandre Kalil (PSD), com 63,4% dos votos válidos.

 

11
Nov20

Moro tem “biografia manchada como juiz ladrão”

Talis Andrade

Motim no Ceará

O deputado federal Márcio Jerry (PCdoB) criticou nesta segunda-feira (9) Sérgio Moro, após o jornal Folha de S. Paulo noticiar que o ex-ministro do governo Bolsonaro se reuniu com o apresentador Luciano Huck para tentar viabilizar uma aliança mirando a eleição presidencial de 2022.

 

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“O Sérgio Moro foi um juiz ladrão a serviço de um esquema ilegal e antidemocrático para fraudar processo político no Brasil. Ele é isso, apenas. Portanto uma biografia manchada de nódoa que não se apaga”, disse o parlamentar.

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Ainda no domingo, Moro gravou um vídeo declarando apoio ao líder extremista Capitão Wagner (Pros), candidato à prefeitura de Fortaleza, apontado como responsável por organizar um motim de policiais na capital cearense em fevereiro deste ano.

Em resposta, o governador Flávio Dino (PCdoB) comentou que Moro “começou muito mal a sua tentativa de se reinventar como referência do centro, após servir a Bolsonaro e dele se servir”.

Márcio Jerry 
@marciojerry
O foi um juiz ladrão a serviço de um esquema ilegal e antidemocrático para fraudar processo político no Brasil. Ele é isso, apenas. Portanto uma biografia manchada de nódoa que não se apaga.
 

 

02
Nov20

Membros da Frente Parlamentar da Agropecuária disputam prefeituras em dez capitais

Talis Andrade

Entre os mais conhecidos estão Celso Russomanno e Joice Hasselmann, em São Paulo; dos 67 deputados e senadores que concorrem no primeiro turno, 25 são da FPA; eles disputam liderança nas pesquisas em Fortaleza, Boa Vista,  Florianópolis, Goiânia e Maceió

por Bruno Stankevicius Bassi /De Olho nos Ruralistas

A bancada mais poderosa do Congresso vai às urnas. Com 39 senadores e 245 deputados, cerca de 47% de todos os assentos no Congresso, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) terá 25 membros disputando as prefeituras de 21 municípios. O número é 39% superior ao de 2016, quando 18 membros da FPA concorreram às eleições municipais.

Esses deputados ruralistas concorrem em dez capitais: Belo Horizonte, Boa Vista, Campo Grande, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Maceió e São Paulo. Em quatro delas, a face mais organizada da bancada ruralista possui mais de um candidato na disputa.

Na capital paulista, a ex-coordenadora de Comunicação da FPA Joice Hasselmann (PSL) tenta tirar votos do representante bolsonarista na disputa, o deputado Celso Russomanno (Republicanos), em queda livre nas pesquisas. Nenhum dos dois declarou bens agropecuários à Justiça eleitoral, um fenômeno comum entre os “ruralistas urbanos”.

O mesmo acontece em Fortaleza, onde o ex-militar Capitão Wagner (Pros), líder nas intenções de voto e favorito para o segundo turno, declarou, entre seus bens, apenas uma letra de crédito no agronegócio no Banco do Brasil. Outro integrante recente da frente, Heitor Freire (PSL), tem apenas 1% nas pesquisas.

Ao todo, 67 parlamentares se licenciaram do Congresso para concorrer às eleições de 15 de novembro. Somada à pandemia e ao bloqueio de pautas pelo Centrão e pela oposição, as ausências travaram completamente as votações na Câmara, que não vota projetos de lei desde 29 de setembro.

DE RORAIMA AO MATO GROSSO DO SUL, GRILAGEM E ATAQUES CONTRA INDÍGENAS

Diferente de São Paulo e Fortaleza, em Boa Vista e Campo Grande a disputa conta com “ruralistas raiz”. Na capital de Roraima, o deputado Ottaci Nascimento (Solidariedade) lidera a disputa contra a tucana Shéridan. Ex-esposa de José de Anchieta Júnior, ex-governador de Roraima falecido em 2018, a candidata foi investigada pela Polícia Federal por suspeita de grilagem na compra de um terreno de 1,1 milhão de metros quadrados próximo de Boa Vista por R$ 25 mil, parte de um esquema de fraudes em títulos fundiários durante o governo de Anchieta.

Em 2018, quando foi eleita para a Câmara, Shéridan declarou créditos a receber relativos à venda da Fazenda Dois Unidos, localizada na Gleba Cauamé. A área foi alvo de disputa no Supremo Tribunal Federal (STF) entre o estado de Roraima e a União, que acusou o Instituto de Terras de Roraima (Interaima) de tentar transferir para o estado títulos de terras devolutas pertencentes ao patrimônio federal.

Na Câmara, Shéridan se destacou como relatora do projeto de lei que pretendia autorizar a pastagem de animais em áreas de reserva legal e foi tema de reportagem do De Olho nos Ruralistas, durante sua campanha para deputada: “Acusados de grilagem, propinas e uso de verbas públicas, ruralistas de Roraima se unem na eleição“.

Na capital sul-mato-grossense, a disputa pela prefeitura envolve dois candidatos ruralistas com histórico de ataques aos povos do campo. Listado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) como um dos 50 parlamentares que mais atuam contra os povos originários, Dagoberto Nogueira (PDT) aparece em quarto na corrida pela prefeitura de Campo Grande, atualmente liderada pelo candidato à reeleição Marquinhos Trad (PSD).

Durante seu mandato na Câmara, ele apresentou um projeto para legalizar a criação de cassinos em áreas indígenas e chegou a propor o fim dos grupos técnicos para identificação e delimitação de terras tradicionalmente ocupadas pelos Guarani no Mato Grosso do Sul. Dono de um patrimônio de R$ 3 milhões, segundo declaração à Justiça eleitoral, Nogueira é dono da Fazenda Mariana, em Miranda, com 2.249 hectares.

Entre seus rivais está o deputado Loester Trutis (PSL). Com 1% da intenção de votos, ele teve a candidatura indeferida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por ausência de requisito de registro. Representante do bolsonarismo e da extrema-direita, Trutis divulgou em 2018 uma foto ao lado da senadora Soraya Thronicke e do deputado estadual Renan Contar, ambos do PSL, onde os três estavam armados. Na legenda, ele afirmava estar “só de boa esperando algum vagabundo do MST invadir nossa propriedade”, em referência ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

Dono de lanchonete, o deputado tornou-se conhecido após criar um lanche em homenagem ao torturador e estuprador Carlos Brilhante Ustra, ídolo de Jair Bolsonaro. Na imagem promocional, divulgada nas redes sociais do Trutis Bacon Bar, o sanduíche chamado “Ustra Burguer” aparece acompanhado do slogan “Manda sua fome para a vala”.

OLIGARQUIAS RURAIS VÃO ÀS URNAS EM MINAS, SANTA CATARINA E GOIÁS

Com menos de 1% de intenção de voto entre os eleitores de Belo Horizonte, o deputado Lafayette Andrada (Republicanos) possui ligações com o mundo agrário que vão além de sua participação na bancada ruralista. Dona de fazendas em Antônio Carlos (MG), a família Andrada está no Congresso desde antes da Primeira República (1889-1930), a partir da qual as oligarquias rurais de São Paulo e Minas Gerais se alternavam no poder na chamada República do Café com Leite.

Descendente de José Bonifácio de Andrada e Silva e filho do ex-deputado Bonifácio de Andrada (PSDB), autor do relatório que rejeitou a segunda denúncia de impeachment contra Michel Temer, Lafayette não declarou bens rurais.

Ele não é o único ruralista pertencente à “bancada dos parentes“. Esposa do senador e ex-governador de Santa Catarina Espiridião Amin (PP), Angela Amin (PP) aparece em segundo lugar na corrida pela prefeitura de Florianópolis, atrás do atual prefeito Gean Loureiro (DEM).

O casal é um tradicional defensor da indústria avícola do estado, situando-se no centro da disputa pelo traçado da chamada “Ferrovia do Frango“, obra de R$ 17 bilhões que ligará a região de Chapecó — conhecida nacionalmente pelo time de futebol, patrocinado pela cooperativa Aurora — aos portos catarinenses.

Outro membro da FPA com chances na disputa é o senador Vanderlan Cardoso (PSD), que lidera as intenções de voto em Goiânia. Com um patrimônio de R$ 14,7 milhões, o candidato é dono da Fazenda Vargem Bonita, em Senador Canedo (GO), e é sócio em duas empresas do setor, a Nova Terra Comércio de Alimentos e Participações Ltda e a Cardoso Indústria de Alimentos S/A. Esta última com sede em Buenos Aires, Argentina.

As outras capitais com candidatos ligados à bancada ruralista são: João Pessoa, com Ruy Carneiro (PSDB); Curitiba, com Christiane Yared (PL); e Maceió, com JHC, que disputa a prefeitura da capital alagoana pela segunda vez e é favorito para chegar ao segundo turno.

Confira a lista completa dos parlamentares da FPA que disputam as eleições municipais de 2020:

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12
Ago20

100.000 vidas roubadas pela covid-19, um retrato da pandemia no Brasil à prova de negacionistas

Talis Andrade

 

Mapa e ondas de mortes pelo coronavírus no país exaltam desigualdades históricas. Indígenas, negros e pessoas com baixa escolaridade estão entre os mais vulneráveis

 

Com 100.000 vidas perdidas para a covid-19, o Brasil vê a pandemia do novo coronavírus desenhar no seu território um retrato doloroso. É cerca de uma morte a cada dois minutos durante quase cinco meses, se considerarmos o intervalo entre a confirmação do primeiro óbito ― em março ― e esta sexta-feira (7). Um resultado que não pode ser descolado de um cenário em que a polarização e o negacionismo de autoridades minaram políticas de controle da epidemia. O vírus chegou primeiro em grandes capitais, depois começou a avançar pelo interior, onde agora ganha corpo. Em um território tão grande e tão diverso como o brasileiro, ganhou velocidades distintas em cada região. Exaltou desigualdades históricas ― especialmente as de acesso ao sistema de saúde, levando ao colapso regiões menos estruturadas, como Manaus e Fortaleza. A incidência das mortes, considerando a densidade populacional, também é forte em Belém, Recife e Rio de Janeiro. Já tem mais de cinco meses que o vírus avança pelo país ― e não há nada de concreto que aponte quando as mortes causadas por ele vão cessar. Chegamos a 100.000 falecimentos, com um terço dessas vidas perdidas somente no último mês. Leia mais no El País. Reportagem de Beatriz Jucá e Jorge Galindo

27
Abr20

No “limite da barbárie”, diz Le Monde sobre evolução da pandemia no Brasil

Talis Andrade

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O cemitério Parque Taruma em Manaus, em 17 de abril de 2020. A capital do Amazonas é duramente atingida pela pandemia de coronavírus. REUTERS/Bruno Kelly

 

O jornal francês Le Monde destaca em sua edição de sábado (25) que a pandemia se agrava no Brasil, onde o número de mortes atribuídas à Covid-19 aumenta, enquanto o presidente Jair Bolsonaro continua negando sua gravidade.

por RFI
 

“Nós estamos no limite da barbárie”, diz o título do jornal, citando as palavras do prefeito de Manaus, Artur Virgílio Neto, em entrevista à imprensa após reunião com o vice-presidente Hamilton Mourão, na segunda-feira (20). Na capital do Amazonas, o número de enterros triplicou e valas são cavadas com escavadeiras. “Nos hospitais sobrecarregados, os cadáveres são colocados em filas nos corredores, e os pacientes idosos são mandados para morrer em casa”, afirma o texto. 

O Ministério da Saúde do Brasil divulgou nesta sexta-feira (24) o mais recente balanço de casos de coronavírus no país. Até o momento, foram ao menos 3.670 mortes e mais de 52 mil casos confirmados. Mas como lembra o correspondente em São Paulo, Bruno Meyerfeld, os números oficiais não são confiáveis, porque as autoridades não conseguem mais testar nem os vivos nem os mortos, e certos números da Covid-19 são informados com até 20 dias de atraso.

Segundo estimativas da imprensa brasileira, citadas no artigo, os casos de pessoas contaminadas seriam 12 a 15 vezes superiores ao número anunciado pelas autoridades. Já as vítimas mortais poderiam ter ultrapassado 15 mil, nos piores cenários.

Um cirurgião de um hospital Geral de Fortaleza, que preferiu permanecer anônimo, diz que está em “uma guerra cotidiana”, por leitos e respiradores. Segundo o médico, 100% das vagas em terapia intensiva estão ocupadas no centro de saúde.

 

O artigo também comenta a falta de luvas e máscaras para profissionais de saúde nos hospitais de São Paulo, que tiveram que usar capas de chuva e sacos de lixo para se proteger, diz Sérgio Antiqueira, presidente do sindicato de empregados do setor, ao Le Monde. Alguns médicos e enfermeiros receberam apenas uma máscara descartável durante um mês.

Sistema de saúde

Segundo a especialista do setor da Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro, entrevistada pelo jornal, Ligia Bahia, o Brasil não está pronto para enfrentar a epidemia. Apesar de possuir milhares de leitos em UTIs, a grande maioria está no sistema de saúde particular, indisponível para a maioria da população.

Segundo Le Monde, o resultado é que, em algumas regiões, o brasileiro deve percorrer até 155 quilômetros para conseguir os complexos tratamentos demandados pelo Covid-19.

Bahia ressalta que a pandemia mostra a falência do sistema democrático brasileiro que em trinta anos, desde o fim da ditadura, não investiu para criar um sistema de saúde público eficiente para os mais pobres, que serão as primeiras vítimas. “Ele funciona primeiro para os ricos”, diz a especialista.

Novo cemitério

Le Monde lembra que apesar do drama vivido pelo país, o presidente Jair Bolsonaro, para quem o vírus não passa de uma “gripezinha”, defende um retorno rápido à normalidade. O novo ministro da Saúde, Nelson Teich, considerado como submisso a Bolsonaro, “não convence ninguém”, nem mesmo seus colegas de governo.

O jornal cita o Imperial College de Londres, segundo o qual, em caso de inação, a epidemia poderia fazer mais de 1 milhão de vítimas no Brasil. Apesar dos esforços dos governos estaduais para conter a contaminação, apenas metade dos brasileiros estaria seguindo as regras do confinamento e alguns estados já pensam em flexibilizá-las.

Prevendo o pior, segundo Le Monde, o estado de São Paulo ordenou em urgência que 13 mil novas valas fossem abertas e a compra de 38 mil caixões suplementares, além da construção de um novo cemitério. Os enterros serão feitos sem público e de noite, se necessário.

 

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